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Para jovens leitores
Imagine um livro em que quase tudo é gente conversando: um mestre visita reis, discute com adversários espertos e responde às perguntas dos seus alunos. Esse livro é o Mêncio. Ele tem o nome do seu personagem principal, o mestre Meng, que os europeus mais tarde chamaram de “Mêncio”. Ele viveu na China há mais de 2.300 anos, quando muitos reinos estavam em guerra.
O livro tem sete partes, e cada parte é dividida em duas metades, então são catorze seções ao todo. Cada seção reúne vários trechos curtos: alguns são debates longos, outros são só uma ou duas frases, como um provérbio.
O mestre Meng adorava comparações. Para mostrar que todo mundo tem um coração bondoso, ele perguntava: o que você sentiria se, de repente, visse uma criancinha engatinhando em direção a um poço? Você levaria um susto e ia querer ajudar, sem parar para pensar em recompensa. Esse sentimento rápido, dizia ele, é como uma semente de bondade que cresce se a gente cuidar dela.
Ele também contava a história de um morro que antes era coberto de árvores. As pessoas cortaram as árvores e deixaram vacas e ovelhas comerem cada broto novo, e o morro ficou pelado. Quem passava achava que ali nunca tinha havido árvores. O mestre Meng dizia que as pessoas são como aquele morro: quando alguém parece mau, talvez sua bondade tenha sido cortada, em vez de nunca ter existido.
Algumas ideias dele deixavam os reis nervosos. Ele dizia que o povo é mais importante que o governante, e que um rei cruel não é um rei de verdade. Muitos séculos depois, um imperador da China ficou tão bravo que mandou tirar do livro dezenas de trechos. Mas o livro completo voltou, e por centenas de anos estudantes da China, da Coreia e do Japão o leram com atenção, linha por linha.
Em resumo
- O que é
- Uma coletânea de diálogos, debates, anedotas e ditos curtos centrada no pensador confucionista Meng Ke (Mêncio)
- Língua
- Chinês clássico
- Estrutura
- 7 livros, cada um dividido em duas partes (A e B); Zhao Qi contou 261 capítulos e 34.685 caracteres
- Compilação
- Fim do século IV ao início do século III a.C., por Mêncio com seus discípulos, segundo Sima Qian; muitos estudiosos acham que os discípulos o concluíram depois da morte dele
- Cenário
- Os diálogos se passam em cortes como Liang (Wei), Qi e Teng; não se sabe onde o livro foi compilado, e a tradição o associa a Zou, região natal de Mêncio (perto da atual Zoucheng, Shandong)
- Comentário mais antigo
- Zhao Qi (m. 201 d.C.), cuja edição é a ancestral de todos os textos que sobreviveram
- Material perdido
- Um catálogo Han registra 11 seções; Zhao Qi rejeitou quatro “livros externos” como imitações posteriores, e eles se perderam
- Status canônico
- Um dos Quatro Livros de Zhu Xi (impressos juntos em 1190); currículo dos exames na China desde o decreto Yuan de 1313 (primeiros exames em 1315) até 1905
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O que é o Mêncio?
O Mêncio (Mengzi, “Mestre Meng”) é um livro de conversas, argumentos e ditos curtos centrado no pensador chinês Meng Ke, que ensinou na segunda metade do século IV a.C., durante o período dos Estados Combatentes. O livro o mostra aconselhando reis e duques, discutindo com pensadores rivais e respondendo a perguntas dos seus alunos. Junto com os Analectos de Confúcio, tornou-se um dos dois livros mais importantes da tradição confucionista.
A obra é formada por sete livros (pian), cada um dividido em uma primeira e uma segunda parte, num total de catorze partes. Zhao Qi, o estudioso do século II cuja edição está por trás de todas as cópias que temos, contou 261 capítulos e 34.685 caracteres. Os leitores modernos citam um trecho por livro, parte e capítulo: “2A6” quer dizer livro 2, primeira parte, capítulo 6.
A maioria dos sete livros tira o título de uma pessoa apresentada logo no início: o rei Hui de Liang, Gongsun Chou, o duque Wen de Teng, Wan Zhang e Gaozi. Dois, em vez disso, recebem o nome de suas primeiras palavras: “Li Lou”, nome de um lendário homem de visão aguçada, e “Jin xin”, “Esgotar o coração”. Como nos Analectos, os títulos são etiquetas para se localizar no texto, não resumos do conteúdo.
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Um passeio pelos sete livros
O livro 1, “O rei Hui de Liang”, acompanha Mêncio de corte em corte. É o livro mais unitário e costuma ser lido como uma série mais ou menos cronológica de cenas da sua carreira de conselheiro itinerante. Ele começa com o rei perguntando como Mêncio trará proveito ao seu Estado e inclui o encontro com o rei Xuan de Qi a respeito de um boi destinado ao sacrifício (1A7) e a questão de matar tiranos (1B8).
O livro 2, “Gongsun Chou”, gira em torno de conversas com um discípulo sobre o cultivo de si, incluindo o “qi transbordante”, o lavrador que puxou seus brotos para cima e a criança à beira do poço (2A6); sua segunda parte conta os anos difíceis de Mêncio em Qi. O livro 3, “O duque Wen de Teng”, dá conselhos práticos a um Estado pequeno sobre terras e impostos (3A3), registra um debate com seguidores do agrarista Xu Xing (3A4) e contém a defesa de Mêncio contra a acusação de que gosta de discutir (3B9).
O livro 4, “Li Lou”, é formado sobretudo por ditos curtos sem cenário. Quando um cenário aparece, é Qi, e por isso o tradutor Robert Eno sugere que ele talvez reúna ensinamentos registrados enquanto Mêncio aconselhava o rei Xuan, por volta de 315–313 a.C. O livro 5, “Wan Zhang”, responde a perguntas sobre os antigos reis sábios Yao e Shun: como o trono passou de um governante a outro, como o Céu “vê” por meio do povo (5A5) e como ler os poemas antigos (5A4).
O livro 6, “Gaozi”, é famoso pela primeira parte, quase inteiramente dedicada à natureza humana; a segunda parte é uma mistura de diálogos e ditos. O livro 7, “Esgotar o coração”, reúne principalmente aforismos curtos sobre o coração, a natureza, o Céu e o governo, entre eles o dito de que o povo é o que mais importa (7B14).
Intermediário
Trechos famosos (1): a criança à beira do poço, Gaozi e o monte Niu
O trecho mais conhecido hoje é um experimento mental (2A6): “Suponha que alguém veja de repente uma criancinha prestes a cair num poço: qualquer pessoa sentiria alarme e aflição.” Mêncio então elimina, um por um, três motivos possíveis: o sentimento não vem do desejo de ganhar o favor dos pais, nem de buscar o elogio dos vizinhos, nem do incômodo com o choro da criança. A partir desse único caso, ele dá um passo ousado: quem não tem um coração assim não é humano, e todos têm quatro “brotos” (duan) desse tipo, de benevolência, retidão, decoro ritual e sabedoria, assim como têm quatro membros. O trecho termina com uma imagem de crescimento: os brotos são como um fogo que começa a pegar ou uma nascente que começa a brotar, e, se forem “desenvolvidos por inteiro”, bastam para proteger todos que vivem entre os quatro mares.
O livro 6A preserva um debate com Gaozi. Gaozi diz: “A natureza humana é como a madeira do salgueiro; a retidão é como as taças e as tigelas.” Mêncio pergunta se é possível entalhar taças sem violentar o salgueiro, insinuando que a visão de Gaozi faz da moral uma agressão ao ser humano. Gaozi tenta outra imagem — a natureza é como a água num redemoinho, que corre para o leste ou para o oeste conforme o lado em que se abre um canal — e Mêncio a vira do avesso: a água pode não se importar com leste e oeste, mas se importa com cima e baixo. “A inclinação da natureza humana para o bem é como a inclinação da água para baixo.” Eno observa que essas primeiras trocas testam as metáforas do adversário mais do que a própria tese, e que talvez tenham sido preservadas como modelos para discípulos que aprendiam a debater.
Em 6A6 um aluno, Gongduzi, enumera três opiniões rivais que circulavam: que a natureza não é boa nem má; que pode ser moldada para se tornar boa ou má; e que algumas pessoas são boas por natureza e outras não. Mêncio responde com cuidado: quanto às suas disposições genuínas, a natureza humana pode se tornar boa, e é isso que ele quer dizer ao chamá-la de boa; quando as pessoas fazem o mal, a culpa não é dos seus dons naturais. No texto recebido, o lema “a natureza humana é boa” (xing shan) aparece apenas num resumo do narrador (3A1) e na pergunta de Gongduzi.
O trecho do monte Niu (o “monte do Boi”, 6A8) explica por que as pessoas parecem tantas vezes más. O monte perto de uma grande cidade já teve belas árvores; os machados as derrubaram, e os brotos que a chuva, o orvalho e o descanso noturno faziam nascer foram comidos por bois e ovelhas. Vendo-o pelado, as pessoas acham que ele nunca teve madeira — “será essa a natureza do monte?” Da mesma forma, o calmo “sopro da aurora”, quando aquilo que uma pessoa ama e rejeita está próximo do que todos sentem, é destruído pelo que ela faz durante o dia. Mêncio conclui: “Com alimento, nada deixa de crescer; sem ele, nada deixa de murchar.” O mau comportamento é sinal de dano, não de uma natureza má.
Intermediário
Trechos famosos (2): tiranos, o povo e o campo em forma de poço
Em 1B8 o rei Xuan de Qi pergunta se é verdade que os fundadores das dinastias Shang e Zhou derrubaram os últimos reis das dinastias anteriores, e se um súdito pode matar seu soberano. Mêncio responde redefinindo os nomes: quem viola a benevolência é um “ladrão”, quem viola a retidão é um “malfeitor”, e uma pessoa assim é “um simples sujeito”. “Ouvi falar da execução de um simples sujeito chamado Zhòu; não ouvi falar do assassinato de um soberano.” O argumento não diz que a rebelião é simplesmente permitida; diz que um governante deixa de ser governante por sua própria conduta. Curiosamente, nenhum texto da dinastia Han que sobreviveu cita esse trecho, que mais tarde se tornou um dos mais famosos do livro.
Em 7B14 Mêncio diz: “O povo é o que mais importa, os altares do solo e dos grãos vêm em seguida, e o soberano é o que menos importa.” O restante do capítulo é menos citado. Conquistar o coração das pessoas comuns faz de um homem o Filho do Céu; um senhor feudal que põe os altares em perigo é substituído; e até os altares são substituídos se vierem a seca ou a enchente apesar dos sacrifícios corretos. Lido assim, o trecho classifica o que pode ser substituído: os governantes, e até os altares, podem ser trocados, enquanto nada se diz sobre substituir o povo. Em outro lugar (5A5) Mêncio cita um documento antigo segundo o qual o Céu vê como o povo vê e ouve como o povo ouve.
Em 3A3 o duque Wen de Teng pergunta como governar. Mêncio começa pelo sustento: quem tem um sustento constante mantém um coração constante, e punir quem a pobreza levou ao crime é armar uma armadilha para o povo. Em seguida, ele esboça o sistema do campo em forma de poço (jingtian): “Um li quadrado forma um ‘poço’ de novecentos mu; o lote do meio é o campo público.” Cada uma das oito famílias cultiva um lote particular de cem mu, e todas trabalham juntas no campo público, terminando primeiro o trabalho comum. Discute-se se esse sistema chegou a existir: alguns relatos o tratam como uma instituição do início dos Zhou, enquanto Eno escreve que poucos historiadores acreditam que ele tenha sido posto em prática e que serviu sobretudo como modelo ideal.
Intermediário
Retórica e forma de diálogo
Zhao Qi já observava que Mêncio “se destacava nas analogias” e que suas palavras não eram enérgicas, mas transmitiam claramente o que ele queria dizer. O livro está cheio delas: o soldado que fugiu cinquenta passos e riu do que fugiu cem (1A3); subir numa árvore para procurar peixes (1A7); o lavrador de Song que puxou seus brotos para cima para ajudá-los a crescer (2A2); o homem que roubava uma galinha por dia e prometeu reduzir para uma por mês (3B8); o homem de Qi que se gabava para a esposa e a concubina de jantares fartos quando na verdade mendigava sobras nos túmulos (4B33). Muitas dessas imagens se tornaram ditos correntes do chinês.
Os diálogos também são armadilhas. Em 1B6 Mêncio pergunta ao rei Xuan o que fazer com um amigo que descuidou da família que lhe foi confiada, e depois com um funcionário que não conseguia controlar seus subordinados; o rei responde “romper com ele” e “demiti-lo”. Então vem a terceira pergunta: e se o Estado inteiro for mal governado? “O rei olhou para a esquerda e para a direita e falou de outra coisa.” Cabe ao leitor tirar a conclusão que o rei evitou.
Eno defende que Mêncio adotou a ferramenta favorita dos moístas, a argumentação racional, para combatê-los, e sugere que muitos diálogos também serviam para treinar os seguidores na defesa do ensinamento confucionista contra objeções. Seus contemporâneos já o consideravam excepcionalmente afeito à discussão. Quando um aluno conta que as pessoas dizem que ele adora debater, ele responde (3B9): “Será que eu gosto de debater? Simplesmente não tenho escolha”, porque era preciso resistir aos ensinamentos de Yang Zhu e de Mozi.
O livro foi moldado tanto pelos compiladores quanto pelo seu herói. Um narrador apresenta as cenas, e alguns trechos terminam com um comentário do narrador em vez de palavras de Mêncio (4B33 é um exemplo). Suas qualidades literárias fizeram dele um modelo da prosa chinesa antiga. Um de seus princípios de leitura ficou famoso por si só: ao interpretar um poema, não se deve deixar que as palavras distorçam a frase nem que a frase distorça a intenção, mas “ir ao encontro da intenção com a própria mente” (5A4).
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De “livro de mestre” a clássico dos exames
Durante mil anos, o Mêncio foi um livro respeitado entre muitos. Os escritores Han o citavam quando lhes era útil: nos Discursos sobre o sal e o ferro (registro de um debate na corte em 81 a.C.), os críticos dos monopólios estatais invocaram sua conversa inicial sobre proveito e retidão. O filósofo Wang Chong (nascido em 27 d.C.) chegou a escrever um ensaio criticando Mêncio, num tom que eruditos posteriores não teriam ousado usar. Zhao Qi e Liu Xi escreveram comentários; só o de Zhao sobreviveu.
O prestígio do livro cresceu a partir do fim da dinastia Tang. Han Yu defendeu que o verdadeiro Caminho tinha passado de Confúcio a Mêncio e depois se perdido. Sob os Song do Norte, o Mêncio foi admitido no cânone dos clássicos, e um subcomentário atribuído a Sun Shi (962–1033) foi mais tarde incluído nos Treze Clássicos com comentários. Zhu Xi (1130–1200) escreveu seus Comentários reunidos sobre o Mêncio e, em 1190, imprimiu-o junto com os Analectos, o Grande Aprendizado e a Doutrina do Meio: os Quatro Livros.
Em 1313 o imperador Renzong, da dinastia Yuan, decretou que os exames do serviço público, então restabelecidos, usariam os Quatro Livros de Zhu Xi, e os primeiros exames sob as novas regras foram realizados em 1315. Com interrupções e mudanças, esse continuou sendo o currículo básico na China até a abolição dos exames, em 1905. Durante seis séculos, a maioria dos homens instruídos conheceu Mêncio por meio do comentário de Zhu Xi.
O status canônico não deixou o livro a salvo. O fundador da dinastia Ming, Zhu Yuanzhang (o imperador Hongwu), indignou-se em 1372 com um trecho que diz que um soberano que trata seus ministros como lixo será tratado por eles como inimigo. Em 1394 o erudito Liu Sanwu e outros acadêmicos da Academia Hanlin produziram o Mengzi jiewen (Mêncio resumido), que retirou até 85 trechos, e os trechos retirados não podiam ser usados nos exames. O texto completo foi oficialmente restaurado em 1415, no Grande Compêndio dos Quatro Livros, embora os trechos sensíveis continuassem raros nas questões de exame.
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Enquanto isso, no mundo: debates sobre a natureza e o governo, na China e na Grécia
O Mêncio registra uma discussão viva, e a discussão continuou. Em uma ou duas gerações veio a resposta do confucionista Xunzi (nascido por volta de 310 a.C.). O capítulo “A natureza humana é má”, do Xunzi recebido, tradicionalmente atribuído a ele (alguns estudiosos acham que o capítulo foi alterado depois), começa assim: “A natureza humana é má; sua bondade vem do esforço deliberado.” Ele cita Mêncio pelo nome várias vezes. A madeira torta, diz, precisa ser tratada a vapor e prensada num molde para ficar reta; da mesma forma, as pessoas precisam de mestres, ritos e leis. Se a natureza fosse boa, que necessidade haveria de reis sábios e de ritos? No entanto, Xunzi também diz que “qualquer pessoa na rua pode se tornar Yu”, um rei sábio, o que se aproxima da afirmação de Mêncio de que qualquer um pode se tornar Yao ou Shun (6B2). Trata-se de uma conexão real: o capítulo responde diretamente ao ensinamento de Mêncio, citando-o pelo nome.
Quase exatamente na mesma época, Aristóteles (384–322 a.C.) ensinava em Atenas. Não há indícios de que uma tradição conhecesse a outra; portanto, o que segue é uma comparação, não uma história de contato. Os dois viveram em mundos de Estados rivais — os Estados Combatentes na China e as cidades-Estado gregas diante da ascensão da Macedônia — e os dois se perguntaram como o bom caráter se desenvolve e o que torna um governo legítimo.
É notável que ambos tenham usado a imagem do movimento natural para baixo, mas tirado conclusões opostas. Na Ética a Nicômaco (II.1), Aristóteles argumenta que uma pedra, que por natureza cai, não pode ser habituada a subir, mesmo que seja lançada para cima dez mil vezes; por isso as virtudes “não surgem em nós nem por natureza nem contra a natureza: somos naturalmente aptos a recebê-las e nos aperfeiçoamos pelo hábito”. Mêncio usa a água que desce a encosta para dizer que a bondade é a própria direção da natureza humana. Ainda assim, as duas posições estão mais próximas do que os lemas sugerem. Aristóteles admite uma capacidade natural que precisa de hábito; Mêncio admite brotos que precisam de alimento e podem ser destruídos. A Stanford Encyclopedia aponta traços em comum — a sabedoria prática como capacidade flexível de resposta, o cultivo do caráter em vez de regras — e uma diferença: Aristóteles valoriza a contemplação teórica, que os confucionistas não prezavam por si mesma.
Na política, a Política de Aristóteles (III.7) distingue a realeza, governo de um só em proveito comum, da tirania, governo de um só em proveito próprio. A resposta de Mêncio em 1B8 aplica um teste parecido: a quem o governante serve? Mas os quadros de referência são diferentes. Mêncio liga a legitimidade ao Céu, cuja vontade se vê na aceitação do povo, e não concebe a alternância de cidadãos nos cargos públicos; Aristóteles inclui o governo de muitos, nas condições certas, entre as constituições corretas. Ambos aceitavam hierarquias profundas: Aristóteles defendeu a escravidão natural, e Mêncio defendeu a divisão entre os que trabalham com a mente e governam e os que trabalham com a força e são governados (3A4).
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Recepção na Coreia, no Japão e além
Na Coreia, o Mêncio chegou com o confucionismo, mas, segundo a Enciclopédia da Cultura Coreana, recebeu relativamente pouca atenção até o período Joseon, quando o ensinamento de Zhu Xi se tornou ortodoxia de Estado e o livro passou a ser conhecimento essencial para os letrados. Em 1590 o Escritório Real de Colação (Gyojeongcheong) publicou o Maengja eonhae, que imprime cada trecho em chinês seguido de uma tradução coreana em hangul; sua ortografia faz dele uma fonte importante para a história da língua coreana.
Os eruditos coreanos também debateram as ideias filosóficas do livro. O Debate dos Quatro e dos Sete, iniciado em cartas entre Yi Hwang e Gi Dae-seung, perguntava como os quatro brotos de 2A6 se relacionam com as sete emoções do Livro dos Ritos; ele abriu uma série de controvérsias sobre a mente e a natureza humana que os eruditos coreanos prolongaram por cerca de duzentos anos. No seu Maengja yoeui (Significados essenciais do Mêncio, 1814), Jeong Yak-yong defendeu que “natureza” significa uma preferência ou inclinação, e não um princípio fixo, criticando a tese neoconfucionista de que a natureza é princípio.
No Japão, Itō Jinsai (1627–1705) construiu sua filosofia sobre uma leitura atenta dos termos-chave dos Analectos e do Mêncio, no seu Gomō jigi (O significado das palavras nos Analectos e no Mêncio), e tentou ler Mêncio sem o quadro de Zhu Xi. A ideia menciana de que um tirano pode ser deposto era um assunto mais delicado; segundo a Stanford Encyclopedia, esses ensinamentos políticos circularam sobretudo entre a elite governante, embora suas implicações tenham se tornado mais amplamente conhecidas depois.
Na Europa, o jesuíta François Noël incluiu Mêncio nos seus Seis livros clássicos do Império Chinês, em latim (Praga, 1711), e James Legge publicou uma tradução inglesa com o texto chinês em 1861. Na própria China, críticos anticonfucionistas do Movimento Quatro de Maio, em 1919, atacaram Mêncio como o “segundo chefe da loja de Confúcio”, mas o livro continua sendo um texto vivo para pensadores confucionistas modernos e para filósofos do mundo inteiro.
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Diferentes perspectivas
Boa ou má por natureza? Lidos como lemas, Mêncio e Xunzi se contradizem. Muitos estudiosos defendem hoje que a divergência é mais estreita: ambos achavam que qualquer pessoa pode se tornar boa por meio de um esforço contínuo, e discordavam sobre de onde vêm os recursos — brotos interiores que precisam ser protegidos (Mêncio), ou ritos e mestres que remodelam desejos rebeldes (Xunzi). Mesmo assim, a diferença não é trivial: para Mêncio, as normas morais nascem de sentimentos que todas as pessoas compartilham, enquanto para Xunzi elas são criadas pelos sábios e precisam ser aprendidas. O debate nunca se encerrou: o pensador Han Wang Chong, por exemplo, achava que a teoria de Mêncio só valia para pessoas acima da média.
Um Mêncio democrático? Alguns filósofos modernos se apoiam em trechos como 7B14 e 5A5: “A Mencian Version of Limited Democracy” (2008), de Bai Tongdong, usa-os numa defesa confucionista de instituições democráticas, feita com ressalvas. “A Right of Rebellion in the Mengzi?” (2008), de Justin Tiwald, pergunta com mais cautela o quanto o texto realmente concede ao povo. Eno observa que não existia na China antiga nenhuma ideia de democracia ativa: Mêncio aceitava a monarquia hereditária, e seu “populismo” equivale a um direito teórico à revolução, que na prática significaria aristocratas liderando plebeus descontentes. Ainda assim, os governantes levaram a sério o teste de legitimidade do livro: as discussões sobre o mandato do Céu e a derrubada de tiranos já eram politicamente sensíveis sob os Han, quando o imperador Jing interrompeu um debate da corte sobre o assunto, e o fundador dos Ming chegou a censurar o próprio Mêncio em 1394.
Quão confiável é o texto? Goldin ressalta que a edição de Zhao Qi substituiu tudo o que veio antes, de modo que “não sabemos quase nada” sobre as versões anteriores. O escritor Han Wang Chong descreve a posição de Mêncio com palavras que não se encontram no texto recebido — a natureza humana é inteiramente boa e se torna má quando perturbada por coisas externas —, e Goldin observa que elas talvez preservem uma citação do capítulo “externo” perdido sobre a bondade da natureza, embora, sem aspas nos textos chineses antigos, isso não possa ser garantido. Xunzi também atribui a Mêncio uma frase sobre os que aprendem e sua boa natureza que não aparece no nosso texto. Goldin menciona ainda a hipótese do sinólogo Van Ess de que a afirmação, em 3B9, de que Confúcio escreveu os Anais de Primavera e Outono pode ser uma interpolação posterior. Contra um ceticismo forte, Eno argumenta que a personalidade coerente, e muitas vezes pouco lisonjeira, que aparece no livro é difícil de explicar a menos que tenha sido retratada com base na convivência com ele por pessoas que o conheceram.
De quem é o Mêncio que lemos? O levantamento de Goldin sobre as citações Han constata que trechos hoje considerados tipicamente mencianos — a criança à beira do poço (2A6), o tirano como “simples sujeito” (1B8), a cunhada que se afoga (4A17) e o “conhecimento inato” (7A15) — nunca são citados nos textos Han que sobreviveram, enquanto a entrevista inicial com o rei Hui é citada repetidas vezes. Ele adverte que o silêncio é uma prova fraca, mas conclui que as leituras modernas continuam fortemente marcadas pelo neoconfucionismo.
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Indícios e método: ler com o auxílio dos comentários
O comentário de Zhao Qi é ao mesmo tempo indispensável e impossível de verificar. É o guia mais antigo sobre quem eram muitas das figuras secundárias do livro, e os comentadores posteriores dependem muito dele; mas foi escrito cerca de quatro séculos depois de Mêncio, e para muitas de suas identificações não há indícios independentes. Por isso Eno lembra aos leitores que, em cada caso específico, não podemos ter certeza de quão confiável era a informação de Zhao. Zhao também explicou a ordem dos sete livros como uma progressão deliberada: da benevolência e da retidão apresentadas a um rei, passando por sua aplicação, pelo rito e pela piedade filial, até a natureza humana e, por fim, “esgotar o coração” para estar em harmonia com o Céu. Não se pode provar que os compiladores tenham realmente planejado essa sequência.
Os comentários posteriores leem as mesmas palavras de maneiras diferentes. Zhu Xi leu o Mêncio filosoficamente, em termos de princípio (li) e da natureza recebida do Céu. Os eruditos Qing da escola de pesquisa baseada em evidências (kaozheng) reagiram contra isso: Dai Zhen (1724–1777) defendeu que os neoconfucionistas tinham entendido mal os termos-chave de Mêncio, e Jiao Xun (1763–1820) reuniu a coleção mais completa de comentários filológicos no seu Sentido correto do Mêncio. Os tradutores modernos costumam consultar todas essas camadas.
Datar as conversas é um problema à parte. O livro cita governantes como o rei Hui de Liang e o rei Xuan de Qi, mas as datas de reinado dos reis dos Estados Combatentes diferem entre a cronologia de Sima Qian e as reconstruções posteriores: o rei Xuan de Qi é datado de 342–324 a.C. em algumas obras de referência e de 319–301 a.C. em outras. Qualquer cronologia das cenas do livro depende, portanto, de uma escolha entre cronologias, e é por isso que as datas da sua composição são dadas apenas como intervalos aproximados.
Ideias principais
- Quatro brotos (四端)
- A compaixão, a vergonha, a deferência e o senso de certo e errado: primeiros sinais naturais da benevolência, da retidão, do decoro ritual e da sabedoria, mostrados pela criança à beira do poço (2A6).
- A natureza como a água que desce
- A resposta de Mêncio a Gaozi (6A2): a natureza humana tem uma direção, rumo ao bem, assim como a água tende para baixo.
- Alimento e dano
- O trecho do monte Niu (6A8): a bondade cresce quando é alimentada e murcha quando é cortada; por isso, a má conduta não prova uma natureza má.
- O povo é o que mais importa (民為貴)
- Em 7B14 o povo está acima dos altares do Estado e do soberano; os governantes, e até os altares, podem ser substituídos.
- O tirano como “simples sujeito”
- Em 1B8 um governante que destrói a benevolência e a retidão deixou de ser governante, de modo que sua execução não é regicídio.
- Sustento constante, coração constante
- O governo deve garantir os meios de vida das pessoas antes de esperar delas uma conduta moral (3A3), como ilustra o ideal do campo em forma de poço.
- Ir ao encontro da intenção do autor (以意逆志)
- Um princípio de leitura de 5A4: entender um texto indo ao encontro da sua intenção com a própria mente, sem se prender a palavras isoladas.
Registros
- c. 320 a.C. — Por volta dessa época, pouco antes da morte do rei Hui em 319 a.C., Mêncio se encontra com o rei Hui de Liang, a cena que abre o livro.
- c. 314 a.C. — Qi invade o Estado de Yan (c. 314 a.C.); as conversas de Mêncio sobre a guerra são registradas nos livros 1 e 2.
- c. 289 a.C. — Data tradicional da morte de Mêncio; os discípulos continuam a compilar e transmitir seus ensinamentos.
- c. 100 a.C. — Sima Qian registra que Mêncio e seus discípulos “fizeram o Mêncio em sete seções”.
- c. 170 d.C. — Zhao Qi (m. 201) escreve seu comentário, divide os sete livros em catorze partes e exclui quatro “livros externos”; a data exata é desconhecida.
- 1190 — Zhu Xi imprime o Mêncio com os Analectos, o Grande Aprendizado e a Doutrina do Meio como os Quatro Livros, com seus comentários.
- 1313 — A corte Yuan decreta que os exames usarão os Quatro Livros de Zhu Xi; os primeiros exames desse tipo ocorrem em 1315.
- 1394 — O Mengzi jiewen, um Mêncio resumido que retira até 85 trechos, é publicado sob o imperador Hongwu; o texto completo é restaurado em 1415.
- 1590 — O Escritório de Colação de Joseon publica o Maengja eonhae, uma tradução do Mêncio para o coreano vernáculo.
- 1711 — A tradução latina de François Noël, que inclui o Mêncio, é publicada em Praga.
- 1814 — Jeong Yak-yong conclui o Maengja yoeui, que reinterpreta a natureza humana como uma preferência.
- 1905 — Os exames imperiais, baseados nos Quatro Livros, são abolidos na China.
Glossário
- Pian (篇)
- Uma seção ou “livro” de um texto chinês antigo; o Mêncio tem sete, cada um mais tarde dividido em duas partes.
- Zhang (章)
- Um capítulo ou trecho dentro de uma seção; Zhao Qi contou 261 no Mêncio.
- Livros externos (外書)
- Quatro seções que Zhao Qi rejeitou como imitações posteriores; elas se perderam.
- Comentário
- Notas explicativas escritas ao lado de um clássico; os principais comentários sobre o Mêncio são os de Zhao Qi, Zhu Xi e Jiao Xun.
- Quatro Livros
- O Grande Aprendizado, os Analectos, o Mêncio e a Doutrina do Meio, agrupados por Zhu Xi como o núcleo dos estudos confucionistas.
- Exames imperiais
- Exames do Estado para recrutar funcionários; a partir da dinastia Yuan, baseavam-se nos Quatro Livros com os comentários de Zhu Xi.
- Mengzi jiewen (孟子節文)
- O Mêncio resumido de 1394, do qual foram retirados os trechos que ofendiam o fundador dos Ming.
- Sistema do campo em forma de poço (井田)
- Um sistema agrário ideal em que oito famílias cultivam lotes particulares em volta de um campo público compartilhado, no formato do caractere 井.
- Eonhae (諺解)
- Uma tradução de um texto chinês para o coreano vernáculo, escrita em hangul ao lado do original.
- Xing (性)
- “Natureza”: as tendências características de um ser vivo, termo central nos debates do livro 6A.
Perguntas e respostas
Mêncio escreveu o livro ele mesmo?
Sima Qian e Zhao Qi disseram que sim, com a ajuda de discípulos. Outros estudiosos, de Han Yu em diante, acharam que os discípulos o compilaram. Hoje muitos estudiosos acreditam que ele remonta a Mêncio e ao seu círculo, mas foi completado pelos seguidores depois da morte dele.
Por que cada livro tem duas partes?
A divisão vem de Zhao Qi, no século II d.C., que separou cada um dos sete livros em uma parte superior e uma inferior. É por isso que os trechos são citados com A e B, como em 2A6.
Falta alguma coisa no livro?
Provavelmente. Um catálogo Han registra onze seções, mas Zhao Qi manteve só sete e rejeitou quatro “livros externos”, que se perderam. Algumas citações atribuídas a Mêncio por escritores antigos não aparecem no texto que temos.
Por que um imperador tentou cortar o livro?
O fundador dos Ming não gostava de trechos que dizem que um soberano precisa conquistar a lealdade dos ministros e que o povo importa mais que o governante. Em 1394 uma edição resumida retirou até 85 trechos, mas o texto completo foi restaurado em 1415.
O sistema do campo em forma de poço existiu de verdade?
Mêncio o descreve como uma instituição antiga e o recomenda para o Estado de Teng. Alguns relatos o tratam como uma prática do início dos Zhou, mas muitos historiadores duvidam que ele tenha existido algum dia na forma organizada que ele descreve.
Mêncio e Aristóteles sabiam um do outro?
Não há nenhum indício conhecido disso. Eles viveram mais ou menos na mesma época, mas nada sugere contato entre seus mundos. Compará-los é útil porque fizeram perguntas parecidas sobre caráter e governo e deram respostas diferentes.
Em que o Mêncio é diferente dos Analectos?
Os Analectos são formados sobretudo por ditos curtos. O Mêncio contém diálogos e argumentos longos, cheios de analogias, e oferece um retrato muito mais completo da personalidade do seu personagem principal.
Fontes e leituras adicionais
- Bryan Van Norden, Mencius. Stanford Encyclopedia of Philosophy, 2024
- Robert Eno, Mencius: An Online Teaching Translation. Indiana University ScholarWorks, 2016
- Paul R. Goldin, Mencius in the Han Dynasty (in Dao Companion to the Philosophy of Mencius). Springer, 2023
- Ulrich Theobald, Mengzi 孟子. ChinaKnowledge.de
- Zhao Qi, Mengzi tici 孟子題辭 (Zhao Qi’s preface, Sibu congkan edition). Wikisource (Chinese)
- Mengzi 孟子 (Chinese text). Wikisource (Chinese)
- Sima Qian, Shiji, chapter 74: Biographies of Mencius and Xun Qing. Wikisource (Chinese)
- Ban Gu, Hanshu, chapter 30: Treatise on Arts and Letters. Wikisource (Chinese)
- Xunzi, “Human Nature Is Bad” (Xing e). Wikisource (Chinese)
- Xunzi. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Liangyan Ge, The Scholar and the State: Fiction as Political Discourse in Late Imperial China, ch. 2. University of Washington Press, 2015
- Ulrich Theobald, Sishu zhangju jizhu 四書章句集注. ChinaKnowledge.de
- Feiran Du, Zhu Xi’s Four Books 朱熹四書. Database of Religious History (Zenodo), 2024
- Hoyt Cleveland Tillman, Zhu Xi. EBSCO Research Starters
- Mencius (book). Wikipedia
- Well-field system. Wikipedia
- Aristotle, Nicomachean Ethics, Book II (trans. W. D. Ross). The Internet Classics Archive (MIT)
- Aristotle’s Ethics. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Fred Miller, Aristotle’s Political Theory. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- 맹자 (孟子). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 맹자언해 (孟子諺解). Encyclopedia of Korean Culture (Academy of Korean Studies)
- 맹자언해 (collection object). National Museum of Korea
- 사서: 정약용 선생의 저술 (Jeong Yak-yong’s works on the Four Books). Namyangju City, Dasan Jeong Yak-yong Cultural Festival
- Japanese Confucian Philosophy. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- François Noël (missionary). Wikipedia
- 《孟子外书》考述 (A study of the “Outer Books” of the Mencius). Institute of Ancient Books, Sichuan University, 2005
Conteúdo relacionado
- MêncioPensador confucionista que argumentava que as pessoas têm os princípios da bondade moral e que os governantes devem cuidar de seus súditos.
- AnalectosColetânea de ditos e breves diálogos de Confúcio e seus discípulos, compilada após sua morte e lida em todo o Leste Asiático por dois mil anos.
- ConfúcioMestre do estado de Lu cujas palavras, reunidas nos Analectos, moldaram a ética e o governo em todo o Leste Asiático.
- Zhu XiFilósofo da dinastia Song que deu uma forma duradoura ao pensamento neoconfuciano.
- Exame imperialSistema chinês de exames escritos para o serviço público, iniciado sob os Sui por volta de 605 e abolido em 1905, que escolhia funcionários pelo saber testado, e não pelo nascimento.
- AristótelesDiscípulo de Platão e tutor de Alexandre. Fundou o Liceu e escreveu sobre lógica, ética, política e o mundo natural.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
