Patrimônio

Tikal

Yax Mutal (Classic Maya name); Tikal (modern name)

c. 400 a.C. – 899 d.C. · Petén, norte da Guatemala (Reino de Mutal)

  • Guerra
  • Cultura e saber
  • Religião
  • Diplomacia e intercâmbio

Em uma frase

Tikal é a ruína de uma das maiores cidades maias, na floresta tropical do norte da Guatemala, onde por mais de mil anos reis ergueram pirâmides-templo de pedra mais altas que as árvores da selva e registraram suas guerras e alianças em uma escrita esculpida.

Tikal
Imagem: Mundo Maya · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

  • Fácil
  • Intermediário
  • Avançado

Para jovens leitores

No fundo da floresta tropical da Guatemala, os topos de gigantescas pirâmides de pedra despontam acima das árvores. Macacos uivam e araras voam por perto. Esta é Tikal, uma cidade construída pelo povo maia, que ainda vive na América Central hoje.

No seu auge, dezenas de milhares de pessoas viviam em Tikal e ao redor dela. Havia palácios para os reis, grandes praças abertas para cerimônias, campos para um jogo de bola sagrado, mercados, casas e plantações. O templo mais alto tem cerca de 70 metros de altura, tão alto quanto um prédio de 20 andares.

Os maias tinham sua própria escrita, feita de sinais parecidos com desenhos chamados glifos. Eles os esculpiam em pedras altas chamadas estelas para contar quem era o rei, quando ele nasceu, quais guerras venceu e quais deuses honrava. Como os especialistas agora conseguem ler a maioria desses sinais, sabemos os nomes de muitos dos reis de Tikal.

Tikal tinha uma grande cidade rival chamada Calakmul. Por centenas de anos, as duas cidades lutaram, fizeram amizade com outras cidades e tentaram ser a mais poderosa. Certa vez, Tikal perdeu feio e, por mais de cem anos, seus reis não ergueram novos monumentos datados e construíram muito menos, mas depois um novo rei conquistou uma grande vitória e a cidade cresceu mais do que nunca.

Há cerca de 1.100 anos, as pessoas foram deixando a cidade aos poucos, e a floresta cresceu sobre ela. O povo maia, porém, não desapareceu. Seus descendentes ainda falam línguas maias e vivem na região, e Tikal hoje é um parque nacional que protege tanto as ruínas quanto os animais selvagens da floresta.

Em resumo

O quê
Uma das maiores cidades dos maias clássicos, com templos, palácios, praças, reservatórios e milhares de estruturas
Local
Departamento de Petén, norte da Guatemala, em floresta tropical de terras baixas
Nome antigo
Yax Mutal («Primeiro Mutal»), revelado pelo glifo-emblema da cidade
Ocupação
Aldeias agrícolas desde cerca de 1000 a.C.; construção monumental a partir de cerca de 400–300 a.C.; auge c. 200–900 d.C.
Eventos-chave
Chegada de Siyaj K’ak’, ligada a Teotihuacan (378); derrota e «hiato» (562); vitória sobre Calakmul (695); último monumento datado (869)
Construção mais alta
Templo IV, cerca de 70 m, uma das estruturas mais altas das Américas antigas
População
Estimativas variam muito, de cerca de 10.000 a até 90.000 pessoas no auge do Clássico Tardio
Situação
Parque nacional (1955); Patrimônio Mundial da UNESCO (1979)

Fácil

O que é Tikal?

Tikal é a ruína de uma grande cidade maia na região do Petén, no norte da Guatemala, uma área baixa e plana coberta por floresta tropical. Foi uma das cidades mais poderosas dos maias clássicos, entre aproximadamente 250 e 900 d.C., época em que dezenas de reinos maias competiam pelo que hoje é o sul do México, a Guatemala, Belize e Honduras.

O nome «Tikal» é moderno e costuma ser explicado como uma expressão maia iucateca que significa «no poço d’água». Em suas próprias inscrições, os governantes da cidade chamavam seu reino de Mutal ou Yax Mutal. Sabemos disso pelo «glifo-emblema», um sinal especial usado em títulos reais que identificava cada reino, um pouco como um brasão.

O que os visitantes veem hoje é o coração cerimonial da cidade: pirâmides-templo íngremes, palácios com muitos cômodos, amplas praças, campos de jogo de bola e fileiras de monumentos de pedra esculpidos. Mas Tikal era muito mais do que um centro religioso. Os arqueólogos mapearam milhares de casas, reservatórios, calçadas e campos que se espalham floresta adentro, mostrando que era uma verdadeira cidade.

Tikal é protegida como parque nacional, criado em 1955, e foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1979, reconhecida tanto por sua arqueologia quanto pela floresta tropical que a cerca.

[1][2][3]

Fácil

Como «ler» a cidade

No centro fica a Grande Praça. Em seu lado leste está o Templo I, também chamado de Templo do Grande Jaguar, com cerca de 47 metros de altura; de frente para ele, a oeste, está o Templo II. O Templo I foi o monumento funerário de um dos maiores reis de Tikal, Jasaw Chan K’awiil I, cujo túmulo fica bem no fundo, sob ele. Os templos se encaram de um lado a outro da praça, então as cerimônias ali aconteciam entre os monumentos de um rei e, acredita-se com frequência, de sua rainha.

Ao norte da praça fica a Acrópole Norte, uma plataforma construída ao longo de muitos séculos, onde gerações de reis foram enterrados, cada nova construção cobrindo as mais antigas como camadas de um bolo. Ao sul da praça fica a Acrópole Central, um labirinto de salas de palácio e pátios onde a família real e os nobres viviam e trabalhavam.

Mais a oeste ergue-se o Templo IV, a construção mais alta de Tikal, com cerca de 70 metros de altura. Do seu topo, avista-se um oceano de floresta de onde emergem os frontões de outros templos. A sudoeste fica o complexo Mundo Perdido, o maior grupo cerimonial do período Pré-Clássico em Tikal, mostrando que a cidade já era importante muito antes de seus famosos templos clássicos.

Amplas estradas elevadas chamadas calçadas ligavam os principais grupos. Tikal também é conhecida por seus «complexos de pirâmides gêmeas», pares de pirâmides de topo plano construídas para celebrar o fim de um k’atun, um período de cerca de vinte anos no calendário maia. Uma estela e um altar esculpidos em cada complexo registravam o rei que realizou a cerimônia.

[1][3][8]

Fácil

A vida em uma cidade da floresta tropical

Viver no Petén não era fácil. Não há grandes rios perto de Tikal, e em parte do ano quase não chove. O povo de Tikal resolveu isso construindo reservatórios: praças e encostas pavimentadas canalizavam a água da chuva para grandes tanques revestidos de pedra. Os arqueólogos identificaram cerca de dez grandes reservatórios que eram essenciais para a sobrevivência da cidade na estação seca.

A maioria das pessoas era formada por agricultores que cultivavam milho, feijão e abóbora, além de usar a floresta para frutas, caça e madeira. Os levantamentos recentes a laser da região mostram terraços, canais e campos elevados, evidência de que os maias transformaram sua paisagem em grande escala para alimentar grandes populações.

Os maias tinham um sistema de escrita com várias centenas de sinais, alguns representando palavras inteiras e outros, sílabas. Escribas pintavam livros em papel de casca de árvore, e escultores gravavam inscrições em estelas, altares e vergas. Usavam um calendário preciso, a Contagem Longa, para datar eventos com precisão de um dia. Graças a décadas de decifração, os historiadores hoje conseguem ler a história da dinastia de Tikal a partir dos próprios monumentos da cidade.

[1][7][8]

Intermediário

De aldeia a reino

Os primeiros agricultores se estabeleceram ao redor de Tikal por volta de 1000 a.C. A construção em grande escala começou por volta de 400–300 a.C., e as escavações da Universidade da Pensilvânia concluíram que Tikal já era «um empreendimento em funcionamento» por volta de 600 a.C. No período Pré-Clássico Tardio, o complexo Mundo Perdido e a Acrópole Norte inicial já eram monumentais.

Governantes posteriores traçavam sua dinastia até um fundador chamado Yax Ehb Xook, que provavelmente viveu no século I ou II d.C. A dinastia mantinha uma contagem cuidadosa de seus governantes, e reis posteriores davam com orgulho sua posição nessa linha de sucessão. Durante o período Clássico Inicial (cerca de 250–550 d.C.), Tikal se tornou uma das cidades líderes das terras baixas, competindo com vizinhos como Uaxactún, a apenas cerca de 20 km ao norte.

Os primeiros reis construíram túmulos na Acrópole Norte e ergueram estelas mostrando-se em trajes ricos, segurando símbolos de poder divino. Os reis maias reivindicavam uma relação especial com os deuses e ancestrais, e boa parte da vida ritual da cidade girava em torno de cerimônias reais, oferendas de sangramento ritual e a comemoração de períodos do calendário.

[2][1][8]

Intermediário

378: estranhos vindos do oeste

Em janeiro de 378, as inscrições de Tikal e de cidades próximas registram a «chegada» de um homem chamado Siyaj K’ak’ («Nasce o Fogo»), vindo do oeste. No mesmo dia, o rei de Tikal Chak Tok Ich’aak I morreu. Em menos de um ano, um novo rei, Yax Nuun Ahiin I, foi instalado em Tikal, e as inscrições o descrevem como filho de uma figura apelidada «Coruja Lança-Chamas», cujo nome é escrito com símbolos associados à grande cidade de Teotihuacan, no centro do México, a mais de 1.000 km de distância.

Depois desse evento, estilos de Teotihuacan aparecem em Tikal e em outras cidades maias: guerreiros com armas e cocares do centro do México, formatos de cerâmica e o estilo arquitetônico talud-tablero. Siyaj K’ak’ aparece como suserano em vários outros sítios, incluindo Uaxactún, sugerindo uma ampla reorganização de poder nas terras baixas.

Cerca de setenta anos depois, o filho de Yax Nuun Ahiin, Siyaj Chan K’awiil II, ergueu a Estela 31, que o mostra em trajes reais maias, ladeado por seu pai vestido como guerreiro de Teotihuacan. O longo texto em seu verso é uma das fontes históricas fundamentais desse período. O monumento mostra como os governantes de Tikal, mais tarde, apresentavam sua conexão estrangeira como fonte de prestígio e legitimidade.

[1][4][8]

Intermediário

Superpotências em guerra: Tikal e Calakmul

A história do período Clássico é dominada pela rivalidade entre Tikal e a dinastia Kaanul («Serpente»), que a partir do século VII governou a partir de Calakmul, no que hoje é o sul do México. Nenhuma das duas cidades conquistou todo o mundo maia. Em vez disso, cada uma construiu redes de reinos aliados e subordinados, e sua disputa tem sido comparada a uma competição entre duas superpotências.

Em 562, Tikal sofreu uma derrota devastadora. Seu rei Wak Chan K’awiil pode ter sido capturado e morto, mas seu destino exato é incerto. Inscrições em Caracol registram a guerra, e muitos estudiosos hoje pensam que o vencedor foi o rei kaanul conhecido como Testemunha do Céu, com Caracol como seu aliado. Seguiu-se mais de um século, chamado de «hiato de Tikal», em que nenhum monumento datado foi erguido em Tikal e a construção em grande escala diminuiu drasticamente.

No século VII, o rei de Calakmul Yuknoom Ch’een II (reinou de 636 a 686) construiu uma poderosa aliança. Dos Pilas, fundada por um príncipe da própria dinastia de Tikal, mudou-se para o lado de Calakmul e lutou contra Tikal, de modo que dois ramos da mesma família real se tornaram inimigos.

O equilíbrio mudou em 695, quando o rei de Tikal Jasaw Chan K’awiil I (reinou de 682 a 734) derrotou o governante de Calakmul, Yuknoom Yich’aak K’ak’. Tikal recuperou seu poder, e Jasaw e seu filho Yik’in Chan K’awiil lançaram um grande programa de construção. O Templo I, o templo funerário de Jasaw, e o Templo IV, geralmente ligado a Yik’in Chan K’awiil e datado de meados do século VIII, pertencem a essa retomada.

[5][1][3][8]

Intermediário

Enquanto isso, no mundo

Tikal não teve contato com a Eurásia, por isso sua história precisa ser lida em seus próprios termos, a partir de suas inscrições e da arqueologia: a reviravolta de 378, quando Siyaj K’ak’ chegou com laços com a distante Teotihuacan, e a longa rivalidade com a dinastia Kaanul. Colocar essas datas ao lado de outras partes do mundo continua sendo útil por outro motivo: lembra que os maias desenvolveram a escrita, a astronomia e cidades monumentais de forma totalmente independente, na mesma época dos impérios de Roma, da Pérsia e da China.

Em 562, ano em que Tikal foi derrotada, Silla absorveu o último reino de Gaya na península coreana, e em Constantinopla a cúpula reconstruída da Hagia Sophia foi dedicada. Pela mesma época, o imperador bizantino Justiniano e o rei persa Khosrow I firmaram um longo tratado de paz. Assim como Tikal caiu sob a sombra de Calakmul, o Mediterrâneo e o Oriente Próximo se organizavam em torno de duas grandes potências, Bizâncio e a Pérsia.

O longo hiato de Tikal se sobrepôs ao sepultamento de um rei em Sutton Hoo, na Inglaterra (c. 625), à ascensão do islã depois da mudança de Maomé para Medina (622) e à fundação da dinastia Tang na China (618). Quando Jasaw Chan K’awiil derrotou Calakmul, em 695, Silla havia recentemente unificado a maior parte da península coreana depois de suas guerras com os Tang, e a capital Tang, Chang’an, com seu vasto Palácio Daming, era uma das maiores cidades do mundo.

O último monumento datado de Tikal foi esculpido em 869. No mesmo século, a dinastia Tang enfraquecia, e o império de Carlos Magno na Europa já havia se dividido entre seus herdeiros. A grande era dos reis das terras baixas maias estava chegando ao fim, enquanto no norte da península de Iucatã cidades como Chichén Itzá cresciam.

[1][6][3]

Intermediário

O fim da cidade real

No século VIII, Tikal estava em seu ponto máximo, mas em toda a extensão sul das terras baixas maias crescia o problema. O número de monumentos datados caiu drasticamente, de dezenas por ano por volta de 750 a nenhum por volta de 900. O último monumento datado de Tikal foi esculpido em 869, e por volta de 950 o centro da cidade estava, em grande parte, abandonado. Pequenos grupos continuaram a viver entre as ruínas por algum tempo depois.

Os historiadores antes falavam de um «colapso» súbito e misterioso. Hoje muitos preferem palavras como transformação ou ruptura, porque a civilização maia não desapareceu. Cidades do norte, como Chichén Itzá e, mais tarde, Mayapán, floresceram, e milhões de maias ainda vivem no México, na Guatemala e em Belize, falando cerca de trinta línguas maias.

As explicações para o fim das cidades do sul incluem seca prolongada, guerras intermináveis entre reinos, superpopulação e desmatamento, mudanças nas rotas comerciais e a perda de fé em reis que já não conseguiam garantir chuva e prosperidade. Em Tikal, estudos dos reservatórios encontraram sinais de poluição, incluindo mercúrio proveniente do cinábrio usado em pigmentos vermelhos e florações de algas, que podem ter tornado parte da água insegura durante períodos secos.

[6][1]

Intermediário

Redescoberta, escavação e novas tecnologias

Moradores locais e coletores de chicle conheciam ruínas na floresta, mas Tikal entrou nos registros oficiais em 1848, quando uma expedição liderada pelo funcionário guatemalteco Modesto Méndez e por Ambrosio Tut chegou ao local. Nas décadas seguintes, exploradores fotografaram os templos e removeram algumas vergas de madeira esculpidas para museus europeus.

De 1956 a 1969, o Museu da Universidade da Pensilvânia conduziu um dos maiores projetos arqueológicos já realizados nas Américas, em Tikal, dirigido em campo por William Coe. O projeto mapeou a área central da cidade, escavou a Acrópole Norte e restaurou os principais templos, antes de passar a responsabilidade para a Guatemala. Arqueólogos guatemaltecos então continuaram com seus próprios projetos, incluindo a investigação do Mundo Perdido.

Em 2018, uma equipe usando escaneamento a laser aerotransportado (LiDAR) publicou um levantamento de mais de 2.100 quilômetros quadrados do Petén na revista Science. Os lasers «enxergaram» através da copa das árvores e revelaram dezenas de milhares de estruturas antes não mapeadas, além de calçadas, campos e fortificações ao redor de Tikal. Os resultados sugerem que as terras baixas eram muito mais densamente povoadas e cultivadas de forma mais intensiva do que os pesquisadores anteriores imaginavam.

Tikal também tem um lugar na cultura popular: a vista de seus templos apareceu como uma base rebelde no filme de 1977 Star Wars. O turismo traz renda para a Guatemala, mas também levanta questões sobre conservação e sobre como as comunidades maias se beneficiam de seu patrimônio.

[1][2][7]

Avançado

Diferentes perspectivas

Conquista ou aliança em 378? Lendo as inscrições, o epigrafista David Stuart e outros argumentaram que a «chegada» de Siyaj K’ak’ foi uma intervenção militar que derrubou a antiga dinastia e instalou um governante ligado a Teotihuacan. Outros ressaltam que a influência de Teotihuacan já estava presente antes de 378, que as elites maias adotavam símbolos estrangeiros para seu próprio prestígio, e que a evidência poderia se encaixar em uma aliança política, um vínculo matrimonial ou relações comerciais. Estudos científicos dos esqueletos da elite de Tikal têm sido usados em ambos os lados do debate. A questão continua ativamente debatida.

Quem derrotou Tikal em 562? Leituras mais antigas do Altar 21 de Caracol, defendidas pelos arqueólogos que trabalhavam ali, apresentavam a guerra principalmente como um triunfo de Caracol. Leituras posteriores de epigrafistas como Simon Martin identificam o rei kaanul Testemunha do Céu como o principal vencedor, com Caracol atuando como seu aliado. A diferença importa porque muda o quadro de uma guerra local para uma disputa entre duas superpotências regionais.

Por que as cidades do sul declinaram? Cientistas do clima apontam sedimentos de lagos e formações de cavernas que registram secas severas no século IX, e um estudo de 2018 estimou reduções de chuva de cerca de 40 a 50 por cento. Muitos arqueólogos aceitam a seca como um fator importante, mas ressaltam que ela atingiu sociedades já enfraquecidas por guerras, desigualdade social e estresse ambiental, e que cidades diferentes declinaram em momentos diferentes. Mais de 80 explicações já foram propostas; a maioria dos estudiosos hoje pensa que várias causas se combinaram.

De quem é essa história? Relatos que falam de uma «cidade perdida» encontrada por estrangeiros em 1848, ou de uma civilização «desaparecida», têm sido criticados por ignorar o povo maia que permaneceu na região e o conhecimento local sobre as ruínas. Organizações maias na Guatemala reivindicam, cada vez mais, voz sobre como sítios como Tikal são interpretados e usados, inclusive para cerimônias. Apresentar Tikal como parte de um patrimônio maia vivo, e não apenas como um monumento arqueológico, é hoje um objetivo importante para muitos pesquisadores.

[4][5][6][8]

Avançado

Evidências e método: lendo uma cidade na floresta

A história de Tikal se apoia em dois tipos de evidência que precisam ser combinados com cuidado. As inscrições dão nomes, datas e eventos, mas foram encomendadas por reis e contam a história do ponto de vista real: registram vitórias e capturas, raramente derrotas. A arqueologia, por sua vez, mostra casas, alimentação, sepultamentos e fases de construção, as vidas de pessoas comuns tanto quanto as dos governantes. O «hiato» após 562, por exemplo, é visível tanto na ausência de monumentos datados quanto na pausa das grandes construções.

A decifração transformou o campo desde as décadas de 1970 e 1980. Antes disso, muitos estudiosos acreditavam que as inscrições maias tratavam principalmente do calendário e da astronomia. Uma vez que ficou claro que a escrita registrava a língua maia falada e a história real, cidades como Tikal ganharam uma história política com reis nomeados, alianças e guerras. Obras como o levantamento das dinastias maias de Simon Martin e Nikolai Grube reúnem essas leituras, embora as interpretações de passagens individuais continuem mudando.

Estimar a população é especialmente difícil. Os números para Tikal variam de cerca de 10.000 a cerca de 90.000 pessoas, dependendo de como as bordas da cidade são traçadas, de quantas casas estavam ocupadas ao mesmo tempo e de quantas pessoas viviam em cada uma. O LiDAR aumentou muito o número de estruturas conhecidas, mas os arqueólogos ainda precisam de escavação para datá-las. A equipe do LiDAR estimou que as terras baixas do Clássico Tardio podem ter abrigado entre 7 e 11 milhões de pessoas, um número que outros pesquisadores continuam a testar.

Por fim, as datas de construções costumam depender de inscrições associadas, estilos de cerâmica e datação por radiocarbono. É por isso que as fontes dão datas e alturas ligeiramente diferentes para o Templo I e outras estruturas. Onde a evidência é incerta, um relato cuidadoso deve apresentar intervalos, e não números exatos.

[1][7][8][2]

Ideias principais

Realeza divina
Os reis maias reivindicavam um vínculo especial com deuses e ancestrais, e templos, estelas e cerimônias expressavam essa autoridade sagrada.
Glifo-emblema
Um título real que nomeava um reino; os reis de Tikal eram os «senhores sagrados de Mutal».
Rivalidade entre cidades-Estado
A política maia clássica era uma rede de muitos reinos, alguns agrupados em torno das potências rivais Tikal e Calakmul.
Conexão estrangeira
Os laços com Teotihuacan, qualquer que fosse sua natureza exata, deram prestígio aos governantes de Tikal e mudaram sua arte e política depois de 378.
Gestão da água
Sem rios, Tikal dependia de reservatórios que coletavam água da chuva de superfícies pavimentadas.
Transformação, não desaparecimento
As cidades reais do sul declinaram entre os séculos IX e X, mas os povos e culturas maias continuaram até hoje.
Enxergando através da floresta
O mapeamento por LiDAR revelou a verdadeira escala do povoamento, das estradas e dos campos de Tikal, escondidos sob a copa das árvores.

Registros

  1. c. 1000 a.C. — As primeiras aldeias agrícolas se estabelecem na área de Tikal (Pré-Clássico Médio).
  2. c. 400 a.C. — Começa a construção em grande escala; o Mundo Perdido e a Acrópole Norte crescem nos séculos seguintes.
  3. 378 d.C. — Siyaj K’ak’ «chega» em 14 de janeiro; o rei Chak Tok Ich’aak I morre no mesmo dia. Yax Nuun Ahiin I se torna rei logo depois.
  4. 445 d.C. — Siyaj Chan K’awiil II dedica a Estela 31, relatando a história da dinastia e os laços com Teotihuacan.
  5. 562 d.C. — Tikal sofre uma grande derrota; o rei Wak Chan K’awiil pode ter sido capturado e morto. Começa o «hiato» de mais de um século.
  6. c. 648 d.C. — Dos Pilas, governada por um ramo da dinastia de Tikal, passa à influência de Calakmul e luta contra Tikal.
  7. 695 d.C. — Jasaw Chan K’awiil I derrota o rei de Calakmul Yuknoom Yich’aak K’ak’; começa a retomada de Tikal.
  8. 734 d.C. — Morte de Jasaw Chan K’awiil I; o Templo I é erguido sobre seu túmulo nos anos seguintes.
  9. 869 d.C. — O último monumento datado em Tikal.
  10. c. 950 d.C. — O centro da cidade fica, em grande parte, abandonado.
  11. 1848 — Uma expedição liderada por Modesto Méndez e Ambrosio Tut registra as ruínas.
  12. 1956 — Começa o Projeto Tikal da Universidade da Pensilvânia (até 1969).
  13. 1979 — Tikal é inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
  14. 2018 — Um levantamento por LiDAR do Petén, publicado na Science, revela a escala do povoamento ao redor de Tikal.

Glossário

Estela
Uma laje de pedra alta e esculpida, muitas vezes mostrando um rei e uma inscrição com datas e eventos.
Glifo
Um sinal da escrita maia; alguns representam palavras, outros, sílabas.
Contagem Longa
Um calendário maia que contava os dias a partir de um ponto de partida fixo, permitindo datas exatas.
K’atun
Um período do calendário maia de 7.200 dias, cerca de 20 anos.
Acrópole
Aqui, uma grande plataforma elevada com templos ou palácios construídos ao longo de muitas gerações.
Frontão (roof-comb)
Uma alta crista decorativa de pedra no topo de um templo maia.
Talud-tablero
Um estilo arquitetônico do centro do México, de paredes inclinadas encimadas por painéis verticais, ligado a Teotihuacan.
Calçada (sacbé)
Uma estrada elevada e revestida que ligava partes de uma cidade maia.
LiDAR
Escaneamento a laser feito de uma aeronave, que mede a superfície do solo através da vegetação.
Período Clássico
A era da história maia de cerca de 250 a 900 d.C., quando os reis registravam seus feitos em monumentos.

Perguntas e respostas

Os maias desapareceram?

Não. As grandes cidades reais do sul foram abandonadas, mas milhões de maias vivem hoje na América Central e falam línguas maias.

Qual é a altura dos templos de Tikal?

O Templo IV tem cerca de 70 metros de altura, e o Templo I, cerca de 47 metros. Foram construídos sobre plataformas altas, então se erguem acima da floresta.

Como sabemos os nomes dos reis de Tikal?

Eles esculpiam seus nomes, títulos e datas em monumentos de pedra, e os estudiosos hoje conseguem ler a maioria dos glifos maias.

Teotihuacan conquistou Tikal em 378?

As inscrições registram a chegada de Siyaj K’ak’ e uma troca de rei, e muitos estudiosos veem uma intervenção ligada a Teotihuacan, mas se foi uma conquista, uma aliança ou algo intermediário ainda é debatido.

Por que as pessoas deixaram Tikal?

Provavelmente por causa de vários problemas juntos: seca, guerra, pressão sobre a terra e a água, e perda de confiança nos governantes. Os cientistas ainda estudam como esses fatores se combinaram.

Quantas pessoas viviam em Tikal?

As estimativas variam de cerca de 10.000 a 90.000, dependendo de como a cidade é definida e de como as casas são contadas.

O que o LiDAR mudou sobre Tikal?

Mostrou que a cidade e sua região continham muito mais casas, estradas, campos e defesas do que qualquer um havia mapeado a pé.

Fontes e leituras adicionais

  1. Tikal. Wikipedia
  2. Tikal (Expedition Magazine). Penn Museum, University of Pennsylvania
  3. Tikal. World History Encyclopedia
  4. Siyaj K'ak'. Wikipedia
  5. Calakmul. Wikipedia
  6. Classic Maya collapse. Wikipedia
  7. Lasers reveal a vast, sophisticated Maya civilization under the Guatemalan jungle. Brown University, 2018
  8. Simon Martin and Nikolai Grube, Chronicle of the Maya Kings and Queens. Thames & Hudson, 2000 (2nd ed. 2008)

Conteúdo relacionado

Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

← Voltar ao mapa