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Para jovens leitores
Olhe para um arco-íris. Ele está realmente ali: você pode vê-lo e apontar para ele. Mas tente encontrar o arco-íris “totalmente por si só”. Você não consegue. Ele só aparece quando há luz do sol, chuva e alguém olhando do lugar certo. Tire qualquer uma dessas coisas, e o arco-íris desaparece.
Nāgārjuna foi um mestre budista na Índia, há cerca de 1.800 anos, que dizia que tudo é um pouco assim como o arco-íris. Uma mesa depende da madeira, de um marceneiro e da ideia de “mesa”. Você depende de seus pais, da comida, do ar e dos amigos. Nada, dizia ele, existe completamente por si mesmo, com uma natureza fixa que nunca muda. Os budistas chamam isso de “vacuidade”.
Vacuidade não significa que as coisas não estejam lá, ou que nada importa. Significa que as coisas estão conectadas e sempre mudando. Nāgārjuna pensava que, quando entendemos isso, paramos de nos agarrar tão fortemente às coisas e a nós mesmos, e nos tornamos mais livres e mais gentis.
Ele também era um debatedor muito afiado. Quando outros pensadores diziam “esta coisa tem sua própria natureza fixa”, ele mostrava cuidadosamente que essa ideia levava a contradições estranhas, como um quebra-cabeça que se desmancha quando você puxa uma peça.
Sabemos muito pouco com certeza sobre sua vida. Histórias antigas dizem que seu nome significa “árvore-dragão”, que ele visitou o palácio submarino dos reis-serpente, chamados nagas, para trazer de volta livros sagrados, e que viveu centenas de anos. São lendas, mas seus livros são reais, e pessoas na Índia, no Tibete, na China, na Coreia e no Japão os estudam há muitos séculos.
Em resumo
- Viveu
- c. 150–250 d.C. (aproximado; datas exatas desconhecidas)
- Região
- Provavelmente sul da Índia, frequentemente associado à região de Andhra sob os reis satavanas
- Tradição
- Budismo Mahāyāna; considerado o fundador da escola Madhyamaka (“Caminho do Meio”)
- Língua
- Sânscrito
- Principal obra
- Mūlamadhyamakakārikā (Versos Fundamentais sobre o Caminho do Meio), cerca de 450 versos em 27 capítulos
- Ideias-chave
- Vacuidade (śūnyatā), originação dependente, as duas verdades, o caminho do meio entre existência e não existência
- Título no Leste Asiático e no Tibete
- Honrado como um “segundo Buda” no Tibete e como patriarca de muitas escolas no Leste Asiático
- Legado
- Fundamental para a filosofia budista tibetana, para a tradição Sanlun (Três Tratados) do Leste Asiático e, indiretamente, para o Chan/Zen
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Quem foi Nāgārjuna?
Nāgārjuna foi um monge e filósofo budista que viveu na Índia, provavelmente no século II ou início do século III d.C. É considerado o fundador da Madhyamaka, ou escola do “Caminho do Meio”, do budismo Mahāyāna, e frequentemente é classificado entre os filósofos mais importantes da história da Ásia.
Sua afirmação central é que todas as coisas são “vazias” (śūnya): faltam-lhes svabhāva, uma palavra sânscrita que significa “ser próprio” ou “natureza intrínseca”. Uma coisa com svabhāva existiria por si mesma, independentemente de causas, partes e das mentes que a concebem. Nāgārjuna argumentava que nada existe assim. Tudo o que existe, existe em dependência de outras coisas.
Isso pode soar abstrato, mas para Nāgārjuna tinha um propósito prático. Segundo o ensinamento budista, o sofrimento vem do desejo e do apego, e o apego depende da crença equivocada de que as coisas, e especialmente nosso próprio eu, são sólidas e permanentes. Ver através dessa crença deveria afrouxar o apego e levar à libertação.
A obra mais famosa de Nāgārjuna, a Mūlamadhyamakakārikā, é um conjunto de cerca de 450 versos curtos que examinam a causalidade, o movimento, o eu, o tempo, o Buda e o nirvana. Seus argumentos afiados a tornaram um dos textos mais comentados da história do budismo.
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O que significa “vacuidade”?
O Buda havia ensinado a “originação dependente” (pratītyasamutpāda): as coisas surgem em dependência de causas e condições. Um broto depende de uma semente, do solo, da água e do calor; um sentimento depende do contato entre os sentidos e um objeto. Nāgārjuna levou essa ideia à sua conclusão lógica. Se tudo surge de forma dependente, então nada tem uma essência independente e fixa. Essa ausência de essência independente é o que ele chamava de vacuidade.
Em um de seus versos mais citados (24.18), Nāgārjuna diz que a originação dependente é o que ele chama de vacuidade; que a própria vacuidade é uma designação dependente, um rótulo que depende de outra coisa; e que isso é o caminho do meio. A vacuidade, portanto, não é uma substância oculta por trás das coisas. É simplesmente a maneira como as coisas existem: interdependentemente.
Vacuidade não significa nadificação. Nāgārjuna insistia que um mundo vazio é exatamente o que torna possíveis a mudança, a causalidade e o esforço moral. Se as coisas tivessem essências fixas, jamais poderiam mudar: uma semente nunca poderia se tornar um broto, e uma pessoa nunca poderia se tornar sábia. Em uma frase famosa, ele diz que, para quem a vacuidade é possível, tudo é possível.
Ele também advertiu que a vacuidade pode ser mal compreendida. Uma vacuidade mal apreendida, ele diz (24.11), destrói os de mente lenta, como uma cobra segurada pela ponta errada. A vacuidade é um remédio contra o apego a visões, não uma nova visão à qual se apegar.
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Vida e lendas
Muito pouco se sabe com certeza sobre a vida de Nāgārjuna. A biografia mais antiga é um texto chinês atribuído ao tradutor Kumārajīva, escrito por volta de 400 d.C., cerca de dois séculos depois de Nāgārjuna. Ele diz que Nāgārjuna nasceu em uma família brâmane no sul da Índia, dominou os Vedas e outros conhecimentos e, depois de uma aventura juvenil em que ele e seus amigos usaram um feitiço para se tornar invisíveis e entraram escondidos em um palácio real, voltou-se para a vida monástica budista.
Muitas lendas se acumularam em torno de seu nome, que combina nāga, uma divindade-serpente, e arjuna, um tipo de árvore; em chinês e coreano é traduzido como “árvore-dragão” (龍樹, Longshu, Yongsu). Uma história conta que os nagas o convidaram para seu palácio sob o mar e lhe deram os sutras da Perfeição da Sabedoria (Prajñāpāramitā), que haviam sido guardados ali desde a época do Buda. Histórias tibetanas posteriores acrescentam que ele viveu seiscentos anos, praticou alquimia e medicina, e passou seus últimos anos em Śrīparvata, no sul da Índia.
Estudiosos suspeitam que várias pessoas diferentes chamadas Nāgārjuna tenham se fundido na tradição: o filósofo, um mestre tântrico posterior e um alquimista, entre outros. A tradição posterior de que ele ensinou no grande mosteiro de Nālandā é provavelmente anacrônica, já que não se sabe que Nālandā tenha existido como um grande centro até vários séculos depois.
O quadro mais histórico conecta Nāgārjuna à dinastia satavana, que governou grande parte do centro e do sul da Índia nos primeiros séculos da era comum. Duas obras a ele atribuídas, a Ratnāvalī (Guirlanda Preciosa) e a Suhṛllekha (Carta a um Amigo), são dirigidas a um rei, tradicionalmente um governante satavana. O sítio budista de Nāgārjunakoṇḍa, em Andhra Pradesh, leva seu nome, mas sua associação com ele é uma tradição posterior não confirmada pela arqueologia.
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Contexto histórico e intelectual
Na época de Nāgārjuna, uns cinco ou seis séculos depois do Buda, o budismo já havia se dividido em muitas escolas. Várias delas haviam desenvolvido o Abhidharma, uma análise sistemática da experiência em elementos básicos chamados dharmas: momentos de matéria, sensação, percepção e consciência. Algumas escolas, notadamente a Sarvāstivāda, sustentavam que esses dharmas últimos têm sua própria svabhāva e, em certo sentido, existem no passado, no presente e no futuro.
Ao mesmo tempo, um novo movimento, mais tarde chamado Mahāyāna, ou “Grande Veículo”, estava produzindo novas escrituras. Entre as mais importantes estavam os sutras da Prajñāpāramitā, que ensinavam que todos os dharmas são vazios e apresentavam o bodisatva, que busca a iluminação em benefício de todos os seres, como o ideal. Nāgārjuna costuma ser visto como o primeiro grande filósofo a dar a esses ensinamentos uma forma argumentativa rigorosa.
Nāgārjuna também dialogou com escolas indianas não budistas, especialmente a escola Nyāya de lógica e epistemologia, que sustentava que meios válidos de conhecimento (pramāṇa), como a percepção e a inferência, nos dão acesso a objetos reais. Seus tratados Vigrahavyāvartanī e Vaidalyaprakaraṇa respondem a esses pensadores.
Curiosamente, a Mūlamadhyamakakārikā nunca menciona explicitamente o Mahāyāna e cita um discurso antigo, a instrução a Kātyāyana, no qual o Buda rejeita tanto “existe” quanto “não existe” (15.7). Por isso, alguns estudiosos argumentaram que Nāgārjuna estava apresentando suas ideias como uma leitura fiel do ensinamento original do Buda, aceitável para todos os budistas.
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O método: argumentos que dissolvem visões fixas
A Mūlamadhyamakakārikā se abre com versos de dedicatória louvando o Buda por ensinar a originação dependente, o apaziguamento da proliferação conceitual (prapañca), descrevendo-o com oito negações: nem cessação, nem surgimento; nem aniquilação, nem permanência; nem vinda, nem partida; nem uma coisa, nem muitas coisas. No Leste Asiático, essas se tornaram famosas como as “oito negações” (八不).
O capítulo 1 então examina a causalidade. As coisas não surgem de si mesmas, de algo diferente, de ambos, ou sem causa. Esse padrão de quatro opções é conhecido como tetralema (catuṣkoṭi): algo é, não é, é e não é ao mesmo tempo, ou nem é nem não é. Nāgārjuna o usa para mostrar que qualquer tentativa de descrever entidades com naturezas fixas esbarra em contradições.
O capítulo 2 examina o movimento com um quebra-cabeça famoso. O movimento não pode acontecer no caminho já percorrido, nem no caminho ainda não percorrido, e não há um terceiro lugar, o caminho “sendo percorrido”, além desses dois. O argumento não nega que as pessoas caminhem; ele nega que caminhar e caminhante possam ser entendidos como coisas independentes com naturezas próprias.
Grande parte disso é redução ao absurdo: Nāgārjuna toma as suposições de seu oponente e mostra que elas levam a resultados inaceitáveis. No Vigrahavyāvartanī (verso 29), ele afirma, de forma célebre, que não tem tese própria; se tivesse, estaria sujeito à mesma crítica. Se isso significa que ele não faz nenhuma afirmação, ou apenas nenhuma afirmação sobre coisas com natureza intrínseca, é uma das questões mais discutidas na interpretação da Madhyamaka.
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As duas verdades, o eu e o nirvana
Para explicar como um mundo vazio ainda pode ser objeto de discurso, Nāgārjuna usa a doutrina das duas verdades (24.8–10). O ensinamento do Buda se apoia em duas verdades: a verdade convencional (saṃvṛti-satya), o mundo cotidiano de pessoas, mesas e causas como falamos normalmente, e a verdade última (paramārtha-satya), a vacuidade de todas essas coisas. Sem se apoiar no convencional, o último não pode ser ensinado; sem compreender o último, o nirvana não pode ser alcançado.
Sobre o eu, Nāgārjuna segue o ensinamento budista do não eu. O eu não é idêntico ao corpo e à mente, já que estes são múltiplos e mutáveis, e não é algo diferente deles, pois então não poderia ser conhecido. O que chamamos de “eu” é uma designação conveniente dependente dos cinco agregados de corpo, sensação, percepção, formações mentais e consciência (capítulo 18).
De forma ainda mais marcante, Nāgārjuna aplica a vacuidade até mesmo ao nirvana. No capítulo 25, ele argumenta que o nirvana não é uma coisa, não é uma não coisa, não é ambos nem nenhum dos dois, e conclui (25.19–20) que não há a menor diferença entre o saṃsāra, o ciclo de renascimentos, e o nirvana: o limite de um é o limite do outro. Isso não significa que a vida comum já seja libertação; significa que a libertação não é um lugar ou substância diferente, mas o fim do apego a naturezas fixas.
Por fim, a vacuidade se aplica a si mesma. A vacuidade não é uma realidade suprema; ela também é vazia. No verso 13.8, Nāgārjuna diz que os vitoriosos ensinaram a vacuidade como o abandono de todas as visões, e que aqueles que fazem da vacuidade uma visão são incuráveis.
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Obras atribuídas a Nāgārjuna
Mais de cem obras em tibetano e cerca de vinte em chinês trazem o nome de Nāgārjuna, mas muitas certamente são posteriores. Os estudiosos modernos aceitam um núcleo menor, embora a lista exata seja debatida. O estudioso dinamarquês Christian Lindtner propôs uma influente lista de obras autênticas no início da década de 1980.
Além da Mūlamadhyamakakārikā, os textos mais frequentemente aceitos são: o Yuktiṣaṣṭikā (Sessenta Versos sobre Raciocínio); o Śūnyatāsaptati (Setenta Versos sobre a Vacuidade); o Vigrahavyāvartanī (Dissipador de Disputas), 70 versos com comentário em prosa do próprio Nāgārjuna, respondendo a objeções de lógicos; o Vaidalyaprakaraṇa (Tratado da Pulverização), dirigido contra as categorias da Nyāya; e a Ratnāvalī (Guirlanda Preciosa), uma carta de conselhos a um rei que combina filosofia com ética, política e o caminho do bodisatva.
A Suhṛllekha (Carta a um Amigo), também dirigida a um rei, e um conjunto de hinos (o Catuḥstava) também costumam ser atribuídos a ele. Os hinos falam da verdade última em uma linguagem mais devocional e positiva do que as obras argumentativas, o que tem alimentado debate sobre sua autoria e sobre a própria atitude de Nāgārjuna.
Duas obras importantes preservadas apenas em chinês são tradicionalmente atribuídas a ele: o vasto Grande Tratado sobre a Perfeição da Sabedoria (Dazhidu lun), traduzido por Kumārajīva no início do século V, e um comentário sobre o sutra dos Dez Estágios (Daśabhūmika). Muitos estudiosos modernos, incluindo Étienne Lamotte, que traduziu grande parte do Dazhidu lun para o francês, duvidam que Nāgārjuna tenha escrito a primeira obra em sua forma atual.
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Legado pela Ásia: Índia, Tibete, China, Coreia e Japão
Na Índia, o discípulo de Nāgārjuna, Āryadeva, continuou sua obra, e comentadores posteriores desenvolveram a Madhyamaka em uma grande escola. Buddhapālita (c. séculos V–VI) e Bhāviveka (século VI) discordavam sobre se um mādhyamika deveria usar seus próprios argumentos lógicos independentes ou apenas mostrar as consequências absurdas das visões dos oponentes. Candrakīrti (século VII) defendeu a segunda abordagem em seu comentário Prasannapadā (Palavras Claras), por meio do qual o texto sânscrito da Mūlamadhyamakakārikā é principalmente preservado. As ideias de Nāgārjuna também foram debatidas pela escola Yogācāra e criticadas por filósofos hindus, incluindo Śaṅkara, que rejeitou a doutrina da vacuidade universal.
No Tibete, a Madhyamaka se tornou a visão filosófica mais elevada. Estudiosos tibetanos classificaram os comentadores indianos em duas abordagens, Svātantrika e Prāsaṅgika, uma distinção formalizada mais tarde no Tibete do que na Índia. Tsongkhapa (1357–1419), fundador da escola Geluk, escreveu um importante comentário sobre a Mūlamadhyamakakārikā, e Nāgārjuna é reverenciado no Tibete como um “segundo Buda”.
Na China, Kumārajīva traduziu a Mūlamadhyamakakārikā, com um comentário de um certo Piṅgala (Qingmu), como o Zhonglun (Tratado do Meio), em 409, junto com o Tratado das Doze Portas e o Tratado dos Cem Versos de Āryadeva. Esses três textos deram nome à escola Sanlun (Três Tratados). O monge de Goguryeo Seungnang, ativo no sul da China por volta do fim do século V e início do VI, foi uma figura importante na revitalização dessa tradição, sistematizada por Jizang (549–623). Na Coreia, ela é conhecida como Samnon.
Nāgārjuna é venerado no Leste Asiático como patriarca de muitas escolas. As linhagens Chan e Zen o listam entre seus ancestrais indianos, e Shinran, fundador da Jōdo Shinshū do Japão, o contou como o primeiro entre sete patriarcas do budismo da Terra Pura, por causa de uma passagem no comentário aos Dez Estágios sobre a “prática fácil” de recitar o nome do Buda.
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Debates interpretativos: niilista, absolutista, cético ou antirrealista?
Niilismo. Desde sua própria época, críticos acusaram Nāgārjuna de niilismo: se tudo é vazio, nada existe e a vida moral não faz sentido. O capítulo 24 da Mūlamadhyamakakārikā começa exatamente com essa objeção. A maioria dos estudiosos modernos aceita a resposta de Nāgārjuna de que a vacuidade exclui a existência intrínseca, não a existência enquanto tal, mas a acusação continua a moldar o debate.
Absolutismo. Em meados do século XX, The Central Philosophy of Buddhism (1955), de T. R. V. Murti, leu a Madhyamaka como uma dialética comparável à crítica da razão de Kant, apontando para além dos conceitos, rumo a um Absoluto inefável. Críticos objetaram que isso importa uma realidade última oculta que o próprio Nāgārjuna nega explicitamente ao chamar a própria vacuidade de vazia.
Ceticismo, terapia e antirrealismo. Intérpretes posteriores compararam Nāgārjuna aos antigos céticos pirrônicos, à ideia de Wittgenstein da filosofia como terapia, e ao antirrealismo moderno. A tradução e o comentário de Jay Garfield (1995) o apresentaram como um filósofo com uma posição coerente sobre convenção e dependência. Mark Siderits propôs uma leitura semântica resumida no lema paradoxal de que “a verdade última é que não há verdade última”. O trabalho de Jan Westerhoff (2009 e seu verbete na Stanford Encyclopedia) analisa os diferentes sentidos de svabhāva e reconstrói os argumentos em termos contemporâneos.
Lógica. Nāgārjuna viola a lei da não contradição quando nega todas as quatro opções do tetralema? Alguns estudiosos argumentam que as negações são “não implicativas” (negam sem afirmar o oposto); outros, notadamente Garfield e Graham Priest, exploraram a lógica paraconsistente para modelar seu raciocínio. Esses debates mostram como Nāgārjuna continua sendo um interlocutor vivo para a filosofia atual.
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Evidências: datação, autoria e textos
Datação. Nāgārjuna costuma ser situado entre cerca de 150 e 250 d.C. As principais pistas são suas citações de sutras Mahāyāna iniciais, a tradução para o chinês, já no início do século V, de obras a ele associadas, e sua conexão com um rei satavana. Nāgārjuna in Context (2005), de Joseph Walser, argumentou, usando inscrições e as preocupações da Ratnāvalī com instituições monásticas e patrocínio real, por um cenário na região de Andhra no fim do século II. Outros estudiosos preferem datas ligeiramente anteriores ou posteriores, e nenhuma evidência é decisiva.
Autoria. A atribuição é o principal problema filológico. Os estudiosos comparam estilo, vocabulário, doutrina e os testemunhos mais antigos, como citações de Candrakīrti e Bhāviveka, para decidir quais obras são genuínas. A Mūlamadhyamakakārikā é universalmente aceita e serve como referência; os debates se concentram nos hinos, no Dazhidu lun e em alguns tratados mais curtos.
Textos. O sânscrito da Mūlamadhyamakakārikā sobrevive principalmente incorporado ao Prasannapadā de Candrakīrti, editado por Louis de La Vallée Poussin no início do século XX; outros comentários sobrevivem em traduções tibetanas e chinesas, que às vezes preservam leituras diferentes. Várias obras mais curtas de Nāgārjuna sobrevivem apenas em tibetano ou chinês. Os tradutores, portanto, precisam comparar múltiplas versões, e traduções modernas, como a de Siderits e Katsura (2013), que segue de perto os comentários indianos, diferem significativamente umas das outras.
Biografia. As hagiografias em chinês e tibetano são valiosas como evidência de como Nāgārjuna foi lembrado e venerado, mas não como biografia confiável. A diferença entre o que se sabe e o que se acredita deve ser mantida clara, como enfatizam tanto o verbete de Stanford quanto o da Internet Encyclopedia.
Ideias principais
- Vacuidade (śūnyatā)
- A ausência de natureza intrínseca em todas as coisas; as coisas existem, mas apenas em dependência de outras coisas.
- Natureza intrínseca (svabhāva)
- Uma essência independente e imutável; a ideia que Nāgārjuna argumenta ser incoerente.
- Originação dependente
- Tudo surge em dependência de causas e condições; Nāgārjuna identifica isso com a vacuidade.
- O caminho do meio
- Evitar tanto o eternalismo (as coisas realmente existem por si mesmas) quanto o niilismo (nada existe de forma alguma).
- Duas verdades
- A verdade convencional (o mundo cotidiano) e a verdade última (sua vacuidade); a última é ensinada por meio da convencional.
- Tetralema
- As quatro opções: é, não é, ambos, nenhum dos dois; Nāgārjuna rejeita todas as quatro quando aplicadas a coisas com natureza intrínseca.
- Vacuidade da vacuidade
- A vacuidade não é um absoluto oculto; ela também é vazia e não deve se tornar uma visão à qual se apegar.
Registros
- c. 100 d.C. — Os primeiros sutras da Prajñāpāramitā (Perfeição da Sabedoria) circulam na Índia.
- c. 150 d.C. — Início proposto da vida ativa de Nāgārjuna no sul da Índia.
- c. 200 d.C. — O discípulo de Nāgārjuna, Āryadeva, está ativo; a Madhyamaka toma forma como tradição.
- 409 d.C. — Kumārajīva traduz a Mūlamadhyamakakārikā com o comentário de Piṅgala para o chinês como o Zhonglun.
- c. 500 d.C. — O monge de Goguryeo Seungnang está ativo no sul da China, revitalizando os estudos dos Três Tratados.
- c. 550 d.C. — Buddhapālita e Bhāviveka escrevem comentários influentes sobre Nāgārjuna.
- c. 600 d.C. — Jizang sistematiza a escola Sanlun na China; Candrakīrti escreve o Prasannapadā na Índia por volta desse século.
- c. 1200 — A interpretação de Candrakīrti se torna dominante no Tibete após traduções dos séculos XI e XII.
- c. 1407 — Tsongkhapa escreve seu grande comentário sobre a Mūlamadhyamakakārikā.
- 1955 — T. R. V. Murti publica The Central Philosophy of Buddhism, iniciando o debate ocidental moderno sobre a Madhyamaka.
Glossário
- Madhyamaka
- A escola do “Caminho do Meio” da filosofia budista Mahāyāna, fundada nas obras de Nāgārjuna; seus seguidores são os mādhyamikas.
- Śūnyatā
- Vacuidade; a ausência de natureza intrínseca nos fenômenos.
- Svabhāva
- Ser próprio ou natureza intrínseca; o que uma coisa teria se existisse independentemente.
- Pratītyasamutpāda
- Originação dependente; o surgimento das coisas em dependência de causas e condições.
- Mahāyāna
- O “Grande Veículo”, um movimento budista que enfatiza o caminho do bodisatva e novas escrituras, como os sutras da Perfeição da Sabedoria.
- Abhidharma
- Análise budista sistemática da experiência em elementos básicos (dharmas).
- Prapañca
- Proliferação conceitual; a tendência da mente de multiplicar conceitos e distinções.
- Catuṣkoṭi (tetralema)
- As quatro opções lógicas: é, não é, ambos, nenhum dos dois.
- Saṃsāra
- O ciclo de nascimento, morte e renascimento impulsionado pela ignorância e pelo desejo.
- Nirvana
- Libertação do saṃsāra; a extinção do desejo e da ignorância.
- Sanlun (Samnon)
- A escola dos Três Tratados do Leste Asiático, baseada em duas obras de Nāgārjuna e uma de Āryadeva.
Perguntas e respostas
A vacuidade significa que nada existe?
Não. A vacuidade significa que nada existe por si só. As coisas existem, mas apenas em dependência de causas, partes e da maneira como pensamos sobre elas.
Por que ele é chamado de “árvore-dragão”?
Seu nome combina nāga, uma divindade-serpente (traduzida como “dragão” no Leste Asiático), e arjuna, um tipo de árvore. Lendas o associam aos nagas, que teriam lhe dado os sutras da Perfeição da Sabedoria.
Quando e onde Nāgārjuna viveu?
Provavelmente por volta de 150–250 d.C., no sul da Índia, possivelmente no reino satavana. Datas e locais exatos são incertos, e muitos detalhes vêm de lendas bem posteriores.
Nāgārjuna realmente escreveu todas as obras a ele atribuídas?
Não. Mais de cem obras trazem seu nome, mas os estudiosos aceitam um núcleo menor, sobretudo a Mūlamadhyamakakārikā. A autoria de outras, como os hinos e o Dazhidu lun, é debatida.
O que Nāgārjuna quer dizer quando afirma não ter tese?
As interpretações variam. Alguns entendem isso literalmente, como uma recusa a fazer qualquer afirmação; outros acham que ele quer dizer que não faz afirmações sobre coisas com natureza intrínseca, embora continue falando convencionalmente.
O pensamento de Nāgārjuna tem relação com a Coreia?
Sim. Suas obras chegaram à Coreia por meio de traduções chinesas, e o monge de Goguryeo Seungnang desempenhou um papel importante na tradição dos Três Tratados (Samnon), baseada nelas.
A Madhyamaka é uma forma de relativismo?
Muitos intérpretes dizem que não: as verdades convencionais ainda são verdadeiras ou falsas dentro de práticas compartilhadas. Mas como evitar o relativismo sem fatos independentes da mente é uma das questões em aberto apontadas por estudiosos modernos.
Fontes e leituras adicionais
- Jan Westerhoff, Nāgārjuna. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Douglas Berger, Nāgārjuna. Internet Encyclopedia of Philosophy
- Madhyamaka. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Nagarjuna. Wikipedia
- Mūlamadhyamakakārikā. Wikipedia
- Nagarjunakonda. Wikipedia
- Jay L. Garfield, The Fundamental Wisdom of the Middle Way: Nāgārjuna’s Mūlamadhyamakakārikā. Oxford University Press, 1995
- Mark Siderits and Shōryū Katsura, Nāgārjuna’s Middle Way: Mūlamadhyamakakārikā. Wisdom Publications, 2013
- Jan Westerhoff, Nāgārjuna’s Madhyamaka: A Philosophical Introduction. Oxford University Press, 2009
- Joseph Walser, Nāgārjuna in Context: Mahāyāna Buddhism and Early Indian Culture. Columbia University Press, 2005
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.