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Para jovens leitores
Há cerca de 1.500 anos, muito antes dos carros e dos trens, uma das maiores cidades do mundo ficava nas terras altas do México. Ela tinha ruas largas e retas, pirâmides enormes, paredes pintadas de vermelho, verde e azul e cerca de 100 mil habitantes. Hoje chamamos essa cidade de Teotihuacan.
O maior edifício é a Pirâmide do Sol. Ela tem mais ou menos a altura de um prédio de vinte andares, e sua base é mais larga que dois campos de futebol. As pessoas a construíram levando terra, entulho e pedras em cestos, um de cada vez. Elas não tinham ferramentas de ferro, carros de rodas nem animais grandes de trabalho, como cavalos e bois.
A maioria das pessoas morava em grandes conjuntos residenciais de pedra. Eles tinham muitos cômodos em volta de pátios abertos e pareciam pequenas vilas. Famílias de lugares distantes também se mudaram para lá. Em um bairro viviam pessoas de Oaxaca, no sul do México, que mantiveram seus costumes por centenas de anos.
O curioso é que ninguém sabe como os habitantes chamavam a cidade nem exatamente que língua falavam. Eles pintavam sinais e figuras, mas não conseguimos lê-los como lemos livros. O nome Teotihuacan, que significa algo como “o lugar onde os deuses foram feitos”, foi dado muito tempo depois pelos astecas. Ao encontrar as ruínas, eles contaram histórias de que o Sol e a Lua nasceram ali.
Há cerca de 1.450 anos, muitos dos grandes edifícios da cidade foram queimados, e ela ficou menor. Os arqueólogos ainda tentam descobrir por que isso aconteceu.
Em resumo
- Datas
- c. 100 a.C. – c. 550 d.C. como grande cidade (aproximadamente; depois disso, o povoamento continuou em menor escala)
- Localização
- Vale de Teotihuacan, no nordeste da Bacia do México, cerca de 40 km a nordeste da Cidade do México
- Dimensão
- Cerca de 20 km² no auge, com talvez 100 mil habitantes ou mais
- Principais monumentos
- Calçada dos Mortos, Pirâmide do Sol, Pirâmide da Lua e Cidadela, com o Templo da Serpente Emplumada
- Moradias
- Cerca de 2 mil conjuntos residenciais para várias famílias
- Economia
- Agricultura, produção artesanal e comércio de longa distância, especialmente de obsidiana
- O que não se sabe
- O nome original da cidade, sua língua ou línguas e seu sistema político
- Reconhecimento
- Patrimônio Mundial da UNESCO, com o nome “Cidade Pré-Hispânica de Teotihuacan” (1987)
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O que foi Teotihuacan?
Teotihuacan foi a maior cidade das Américas na primeira metade do primeiro milênio d.C. e uma das maiores do mundo na época. Ficava em um vale secundário da Bacia do México, nas terras altas centrais, a cerca de 2.300 m acima do nível do mar. Em seu auge, aproximadamente entre 200 e 550 d.C., ocupava cerca de 20 km² e pode ter tido 100 mil habitantes ou mais. As estimativas variam, e alguns estudiosos propuseram números de até 125 mil ou mesmo 200 mil.
A cidade foi cuidadosamente planejada. Uma grande via, hoje conhecida como Calçada dos Mortos, atravessa-a por vários quilômetros, ladeada por plataformas, templos e praças. Na extremidade norte fica a Pirâmide da Lua; no lado leste da via, a Pirâmide do Sol; e, mais ao sul, a Cidadela, um vasto recinto que abriga o Templo da Serpente Emplumada.
Ao redor desse centro cerimonial havia milhares de conjuntos residenciais, oficinas de artesanato e bairros, alguns habitados por migrantes de regiões distantes. A influência de Teotihuacan, visível em seus estilos de arquitetura, cerâmica e imagens, chegou até a região maia da Guatemala e de Honduras, a mais de 1.000 km de distância.
Apesar do tamanho e da fama da cidade, muito sobre Teotihuacan continua incerto. Seus habitantes não deixaram longos textos escritos que possamos ler. Não sabemos como chamavam a cidade, que língua ou línguas falavam, nem exatamente como eram governados. O nome que usamos foi dado séculos depois pelos astecas, que falavam náuatle.
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Como “ler” a cidade: uma malha alinhada às montanhas e ao céu
Teotihuacan foi organizada em uma malha orientada cerca de 15,5 graus a leste do norte verdadeiro. Quase todos os edifícios, ruas e muros seguem essa orientação. Os construtores até desviaram o rio San Juan no trecho que atravessa a cidade para que ele também seguisse a malha. Estudiosos propuseram que a orientação se relaciona a datas do nascer e do pôr do sol importantes no calendário mesoamericano, ou à posição de certas estrelas; o motivo exato é debatido.
A Calçada dos Mortos forma o principal eixo norte–sul. Vista de sua extremidade sul, a Pirâmide da Lua, ao fundo, parece repetir o formato do Cerro Gordo, a montanha atrás dela. Isso cria uma ligação visual entre o monumento construído e a paisagem sagrada. A calçada não é plana: ela sobe em direção ao norte e é dividida por muros transversais em uma série de praças rebaixadas.
Muitos edifícios usam um perfil característico chamado talude-tabuleiro: uma base inclinada (talude) sobre a qual se ergue um painel retangular vertical com moldura saliente (tabuleiro). Repetido de plataforma em plataforma, esse perfil dá à cidade seu ritmo característico. Sua presença em sítios distantes é um dos sinais mais claros da influência de Teotihuacan.
A cidade era colorida. As paredes eram cobertas de reboco de cal e pintadas com murais vermelhos, verdes, azuis e amarelos. Eles mostravam divindades, sacerdotes com trajes de penas, animais como onças e coiotes, além de plantas e água. Caminhar pela calçada teria sido uma experiência de cores, altura e símbolos, bem diferente da pedra cinzenta que os visitantes veem hoje.
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As grandes pirâmides e o Templo da Serpente Emplumada
A Pirâmide do Sol é o maior edifício da cidade e uma das maiores pirâmides das Américas. Sua base mede aproximadamente 220–230 m de cada lado, e hoje ela tem cerca de 65 m de altura. Foi construída principalmente nos séculos I e II d.C. com terra, entulho e adobe, revestida de pedra e originalmente coberta de reboco e tinta. Em 1971, foi encontrado sob ela um túnel que vai do pé da escadaria até câmaras sob o centro da pirâmide. O túnel pode ter sido uma caverna sagrada, talvez em parte artificial, e sugere que a pirâmide foi erguida sobre um lugar já considerado sagrado.
A Pirâmide da Lua, na extremidade norte da calçada, é menor, com cerca de 43 m de altura. Ela foi construída em pelo menos sete etapas entre aproximadamente 100 e 400 d.C., cada nova estrutura envolvendo a anterior. Escavações dirigidas por Saburo Sugiyama e Rubén Cabrera entre 1998 e 2004 encontraram em seu interior sepultamentos feitos para consagrar a construção. Eles continham pessoas sacrificadas e animais como pumas, lobos, águias e cascavéis, além de ricas oferendas de obsidiana e pedras verdes.
O Templo da Serpente Emplumada, dentro da Cidadela, foi construído por volta de 200 d.C. Suas fachadas são decoradas com cabeças esculpidas de uma serpente emplumada, alternadas com outra cabeça, interpretada de diferentes maneiras como um adorno de cabeça, uma serpente de guerra ou um deus da chuva. Elas aparecem sobre painéis entalhados com corpos de serpentes e conchas. Escavações na década de 1980 revelaram que mais de 200 pessoas, muitas delas jovens enterrados com armas e adornos, foram sacrificadas durante sua construção.
Os nomes “Sol” e “Lua” vieram dos astecas, não dos construtores. Não se sabe ao certo a quais deuses as pirâmides eram dedicadas. Alguns estudiosos associam a Pirâmide do Sol à água e ao deus das tempestades, e a Pirâmide da Lua a uma divindade feminina ou à montanha atrás dela.
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Vida cotidiana: conjuntos residenciais e bairros de imigrantes
A maioria dos habitantes de Teotihuacan vivia em conjuntos residenciais murados, dos quais cerca de 2 mil foram identificados. Um conjunto típico tinha muitos cômodos agrupados em torno de pátios abertos, com canais de drenagem, altares e, às vezes, paredes pintadas. Abrigava dezenas de pessoas provavelmente ligadas por parentesco, trabalho ou ambos. Alguns conjuntos, como Tetitla, Tepantitla e Atetelco, são famosos por seus murais; outros eram modestos. Sepultamentos sob os pisos mantinham os mortos perto dos vivos.
Os conjuntos indicam uma sociedade com um modo de vida urbano incomum para a época nas Américas: as pessoas viviam próximas umas das outras, trabalhavam em ofícios especializados e dependiam dos mercados e da agricultura do vale ao redor. As oficinas produziam ferramentas de obsidiana, cerâmica, estatuetas e adornos. A obsidiana de fontes como Otumba e a obsidiana verde da região de Pachuca eram recursos importantes, embora se discuta até que ponto sua produção e seu comércio eram controlados pelo Estado.
Teotihuacan era uma cidade multiétnica. No bairro de Tlailotlacan, no lado oeste, pessoas da região de Oaxaca viveram por séculos e usavam túmulos e cerâmicas de estilo zapoteca. No chamado Bairro dos Mercadores, no lado leste, edifícios redondos de adobe e cerâmicas importadas apontam para ligações com a costa do Golfo do México e as terras baixas maias. Estudos de isótopos em ossos humanos mostraram que uma grande parcela das pessoas sepultadas em alguns conjuntos havia crescido em outros lugares.
Murais como o de Tepantitla, há muito conhecido como “Tlalocan” ou paraíso do deus da chuva, mostram muitas figuras pequenas brincando, nadando e cantando entre árvores floridas e riachos. Essas cenas oferecem um raro vislumbre das ideias dos habitantes de Teotihuacan sobre fertilidade, água e vida após a morte, embora seu significado exato seja debatido.
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Ascensão, auge e declínio
Nos últimos séculos a.C., a Bacia do México abrigava vários centros concorrentes, entre eles Cuicuilco, ao sul. Teotihuacan cresceu rapidamente a partir de cerca de 100 a.C., favorecida por nascentes para irrigação, solos férteis e jazidas próximas de obsidiana. Erupções vulcânicas no sul da Bacia, incluindo a do vulcão Xitle, que cobriu partes de Cuicuilco com lava, podem ter levado pessoas a se mudar para o norte, embora a data dessas erupções seja debatida.
Os arqueólogos dividem a história da cidade em fases cerâmicas com nomes de lugares da região: aproximadamente Patlachique (c. 100–1 a.C.), Tzacualli (c. 1–150 d.C.), Miccaotli (c. 150–200), Tlamimilolpa (c. 200–350), Xolalpan (c. 350–550) e Metepec (c. 550–650). As datas variam entre pesquisadores e foram revistas com a datação por radiocarbono. Na fase Tzacualli, a cidade talvez já tivesse dezenas de milhares de habitantes, e as principais pirâmides foram construídas nos dois primeiros séculos d.C.
Por volta do século IV, o Templo da Serpente Emplumada foi parcialmente coberto por uma nova plataforma, a Adosada, e suas esculturas foram danificadas. Muitos estudiosos interpretam isso como sinal de uma mudança política, talvez um afastamento de um governo associado à serpente emplumada em direção a um governo mais coletivo. Nos séculos seguintes, a cidade alcançou sua maior extensão e influência.
Em algum momento do século VI, por volta de 550 d.C. segundo muitas estimativas, vários edifícios ao longo da Calçada dos Mortos e na Cidadela foram queimados, e esculturas foram destruídas. O incêndio atingiu edifícios da elite e espaços cerimoniais, o que sugere uma revolta interna em vez de uma invasão estrangeira, embora pressões externas não possam ser descartadas. Esqueletos desse período mostram sinais de desnutrição, e alguns pesquisadores relacionam a crise a secas ou às perturbações climáticas mundiais da década de 530. A população caiu muito, mas pessoas continuaram vivendo em partes do sítio por séculos.
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Teotihuacan e o mundo mesoamericano
A influência de Teotihuacan se espalhou muito além da Bacia do México. A arquitetura em talude-tabuleiro, cerâmicas no estilo de Teotihuacan, como vasos cilíndricos com três pés, e imagens de guerreiros de Teotihuacan com símbolos do deus das tempestades de olhos circulares aparecem em sítios de toda a Mesoamérica, de Kaminaljuyu, nas terras altas da Guatemala, a Monte Albán, em Oaxaca.
As evidências mais marcantes vêm de inscrições maias. Em Tikal, na Guatemala, textos registram que, em um dia de janeiro de 378 d.C., chegou uma figura chamada Sihyaj K’ahk’ e que, no mesmo dia, morreu o rei de Tikal, Chak Tok Ich’aak. Pouco depois, um novo rei, filho de uma figura conhecida como “Coruja Lançadora de Dardos”, assumiu o trono. O epigrafista David Stuart e outros argumentam que essa “chegada de estrangeiros” representa uma intervenção de Teotihuacan e que Coruja Lançadora de Dardos pode até ter sido um governante da cidade. Em 426, K’inich Yax K’uk’ Mo’, um fundador ligado a Teotihuacan, estabeleceu uma nova dinastia em Copán, em Honduras.
Ainda se debate se esses acontecimentos foram uma conquista, uma aliança ou uma ação de um grupo de Teotihuacan, e não do Estado como um todo. A arqueóloga Linda Manzanilla, por exemplo, sugeriu que a intervenção em Tikal pode ter sido realizada por um grupo ligado à serpente emplumada que havia sido expulso da cidade.
A influência também correu no sentido inverso. Pinturas e objetos de estilo maia foram encontrados em Teotihuacan, e estrangeiros viviam em seus bairros. Assim, Teotihuacan era um centro de uma rede de comércio, diplomacia e conflitos, e não um império isolado.
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A memória asteca: “onde os deuses foram feitos”
Quando os mexicas (astecas) chegaram ao poder nos séculos XIV e XV, Teotihuacan estava em grande parte em ruínas havia cerca de 800 anos. Os astecas a admiravam profundamente. Deram-lhe o nome náuatle Teōtīhuacān, geralmente traduzido como “o lugar onde os deuses foram feitos” ou “o lugar onde alguém se torna um deus”, e deram nomes à sua via principal e às suas pirâmides.
Na narrativa asteca da criação, registrada após a conquista espanhola, especialmente pelo frade Bernardino de Sahagún, os deuses se reuniram em Teotihuacan na escuridão para criar um novo sol. O humilde deus Nanahuatzin se lançou em uma grande fogueira e surgiu como o Sol; o orgulhoso Tecciztecatl veio depois e se tornou a Lua. Esse mito transformou a cidade em ruínas no lugar de nascimento da era atual do mundo.
Os astecas faziam peregrinações a Teotihuacan e levavam de lá objetos antigos. Máscaras de Teotihuacan e outros artefatos foram colocados como oferendas no Templo Mayor, o grande templo de Tenochtitlán, séculos depois de terem sido feitos. Esse é um exemplo antigo de uma sociedade que tratava os vestígios de uma civilização anterior como patrimônio.
Para os mexicanos de hoje, Teotihuacan é um símbolo nacional e um lugar que continua a ter significado. Todos os anos, grandes multidões se reúnem na Pirâmide do Sol perto do equinócio de primavera, e cerimônias indígenas e da Nova Era ocorrem ao lado das atividades turísticas. Isso levanta questões sobre como conciliar acesso, crenças e conservação.
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Redescoberta, escavação e reconstrução
As ruínas nunca foram completamente esquecidas. Cronistas espanhóis as descreveram, e o estudioso Carlos de Sigüenza y Góngora realizou ali uma das primeiras escavações exploratórias na década de 1670. No século XIX, viajantes e os primeiros arqueólogos mapearam o sítio e coletaram objetos.
A primeira escavação e reconstrução em grande escala foi dirigida por Leopoldo Batres entre 1905 e 1910, para preparar a Pirâmide do Sol para o centenário da independência do México. Batres retirou grandes quantidades de material de preenchimento e revestimento da pirâmide, em alguns lugares vários metros, por acreditar que estava expondo a estrutura original. Hoje seu trabalho é muito criticado por ter destruído evidências e alterado a forma da pirâmide.
O projeto de Manuel Gamio, de 1917 a 1922, foi um marco da antropologia mexicana: estudou em conjunto a arqueologia, a história e a população da época no vale, além de realizar escavações na Cidadela. De 1962 a 1964, Jorge Acosta dirigiu uma grande restauração da Calçada dos Mortos. Na década de 1960, o Projeto de Mapeamento de Teotihuacan, de René Millon, pesquisou a cidade inteira, registrando vestígios visíveis na superfície em milhares de locais e transformando nossa compreensão de seu tamanho e de sua organização.
Projetos posteriores se concentraram em monumentos e bairros específicos: o projeto da Serpente Emplumada, de 1980 a 1982; as escavações da Pirâmide da Lua, de 1998 a 2004; e, a partir de 2003, a exploração, por Sergio Gómez Chávez, de um túnel de cerca de 100 m sob o Templo da Serpente Emplumada. Fechado há cerca de 1.800 anos, ele continha dezenas de milhares de objetos, entre eles figuras de pedra verde, espelhos de pirita, conchas e vestígios de mercúrio líquido, talvez para representar uma paisagem do mundo subterrâneo.
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Debates: governo, religião e língua
Governo. Diferentemente das cidades maias, Teotihuacan não apresentou retratos reais, reis identificados pelo nome ou túmulos reais claramente reconhecíveis. Alguns estudiosos, como Saburo Sugiyama, argumentam que os sacrifícios e as imagens do Templo da Serpente Emplumada indicam governantes poderosos, talvez uma monarquia militarista, ao menos nos primeiros séculos. Outros, entre eles George Cowgill e Linda Manzanilla, destacam formas coletivas de governo, como um conselho que representasse diferentes bairros ou linhagens, especialmente depois do século IV. Muitos pesquisadores hoje consideram que pode ter ocorrido uma passagem de um governo mais centrado em indivíduos para uma administração mais coletiva.
Religião. As imagens de Teotihuacan incluem um deus das tempestades relacionado ao posterior Tláloc, a serpente emplumada relacionada ao posterior Quetzalcóatl e uma divindade feminina. A historiadora da arte Esther Pasztory criou o termo “Grande Deusa” para essa figura, que considerava central na religião de Teotihuacan. Outros estudiosos, como Karl Taube, chamaram-na de “Mulher-Aranha” ou questionaram se as imagens representam uma única divindade. Identificar as divindades de Teotihuacan com deuses astecas posteriores é arriscado do ponto de vista metodológico, pois vários séculos os separam.
Língua e escrita. Teotihuacan usava um sistema de sinais visível em murais e cerâmicas, e um pátio pintado em La Ventilla contém dezenas de sinais semelhantes a glifos. Ainda se debate se isso constituía uma escrita completa. Entre as línguas propostas para a cidade estão formas antigas do náuatle (uma língua uto-asteca), o totonaco, o otomí e outras. Em 2025, foi publicada uma proposta de decifração parcial que apontava para uma antiga língua uto-asteca, mas ela ainda não obteve aceitação geral.
Colapso. A importância relativa dos conflitos internos, das pressões ambientais, das doenças e das pressões externas na crise do século VI continua em debate. Estudos de radiocarbono e estratigrafia seguem refinando as datas dos incêndios.
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Evidências, métodos e conservação
Como não há textos históricos legíveis da própria Teotihuacan, quase tudo o que sabemos vem da arqueologia. Entre os principais métodos estão o levantamento sistemático de superfície, como no Projeto de Mapeamento; a escavação estratigráfica; a cronologia cerâmica; a datação por radiocarbono; a análise de murais e estatuetas; e o estudo de restos humanos por osteologia, análise de isótopos e DNA antigo. Inscrições maias que mencionam figuras ligadas a Teotihuacan fornecem raras evidências escritas externas.
Estudos dos isótopos de estrôncio e oxigênio em dentes e ossos revelam onde as pessoas cresceram e mostram a dimensão da migração para a cidade. Estudos das vítimas de sacrifício nas pirâmides da Serpente Emplumada e da Lua mostraram que muitas eram estrangeiras ou haviam se mudado para a cidade, possivelmente como prisioneiras. Isso contribui para os debates sobre guerra e poder do Estado.
Técnicas de sensoriamento remoto, como lidar e radar de penetração no solo, e robôs usados para explorar o túnel da Serpente Emplumada forneceram novos dados sem escavações extensas. Ao mesmo tempo, reconstruções antigas, especialmente o trabalho de Batres na Pirâmide do Sol, dificultam a interpretação: os pesquisadores precisam distinguir as partes originais das restaurações do século XX.
O sítio, inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1987, sofre pressões da expansão urbana ao redor da Cidade do México, de construções ilegais e do turismo intenso. Em 2004, a construção de um supermercado na área protegida próxima ao sítio causou controvérsia nacional. Conciliar as necessidades das comunidades locais e dos visitantes com a proteção dos vestígios enterrados é um desafio contínuo para o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México.
Ideias principais
- Cidade planejada
- Uma malha orientada cerca de 15,5° a leste do norte organizava as ruas, os edifícios e até o rio.
- Paisagem sagrada
- As pirâmides lembram montanhas e se erguem sobre cavernas e nascentes, ligando a cidade ao mundo natural e sobrenatural.
- Conjuntos residenciais
- Edifícios onde moravam várias famílias e que abrigavam a maior parte da população, uma forma incomum de vida urbana.
- Metrópole multiétnica
- Migrantes de Oaxaca, da costa do Golfo do México e da região maia viviam em bairros próprios.
- Influência de longa distância
- Estilos e pessoas de Teotihuacan tiveram participação na política maia, sobretudo em Tikal, em 378 d.C.
- Governo coletivo?
- A ausência de retratos reais sugere um conselho ou governo coletivo, ao menos nos séculos posteriores; a questão é debatida.
- Memória após o declínio
- Os astecas imaginaram as ruínas como o lugar onde o Sol e a Lua foram criados.
Registros
- c. 100 a.C. — Teotihuacan começa a crescer rapidamente e se torna um povoado no nordeste da Bacia do México.
- c. 100 d.C. — A Pirâmide do Sol está em grande parte construída; começa a construção das primeiras etapas da Pirâmide da Lua.
- c. 200 d.C. — O Templo da Serpente Emplumada é construído, com mais de 200 sepultamentos de pessoas sacrificadas.
- c. 350 d.C. — A plataforma Adosada cobre a frente do Templo da Serpente Emplumada, talvez marcando uma mudança política.
- 378 d.C. — Sihyaj K’ahk’, ligado a Teotihuacan, chega a Tikal; o rei de Tikal morre no mesmo dia.
- 426 d.C. — K’inich Yax K’uk’ Mo’, ligado a Teotihuacan, funda uma dinastia em Copán.
- c. 550 d.C. — Grandes edifícios no centro da cidade são queimados; a população diminui drasticamente.
- c. 1450 — Os astecas veneram as ruínas como o lugar onde os deuses criaram o Sol e a Lua.
- 1905 — Leopoldo Batres começa a escavar e reconstruir a Pirâmide do Sol (até 1910).
- 1962 — O Projeto de Mapeamento de Teotihuacan, de René Millon, inicia seu levantamento; Jorge Acosta começa a restauração da calçada.
- 1987 — A Cidade Pré-Hispânica de Teotihuacan é inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
- 2003 — Sergio Gómez Chávez descobre o túnel sob o Templo da Serpente Emplumada.
Glossário
- Mesoamérica
- Região cultural que abrangia o centro e o sul do México e partes da América Central, cujos povos compartilhavam características como o cultivo do milho, jogos de bola e calendários rituais.
- Bacia do México
- Vale elevado e cercado por montanhas onde se desenvolveram Teotihuacan e, mais tarde, Tenochtitlán e a Cidade do México.
- Talude-tabuleiro
- Perfil arquitetônico que combina uma parede inclinada (talude) com um painel vertical emoldurado (tabuleiro).
- Conjunto residencial
- Edifício de moradia cercado por muros, com muitos cômodos e pátios, onde viviam várias famílias.
- Obsidiana
- Vidro vulcânico natural que pode ser lascado para produzir lâminas muito afiadas; era um recurso importante de Teotihuacan.
- Cidadela
- Grande recinto que abriga o Templo da Serpente Emplumada; seu nome vem do espanhol “ciudadela”.
- Serpente emplumada
- Divindade mesoamericana que combina características de ave e serpente, conhecida entre os astecas posteriores como Quetzalcóatl.
- Deus das tempestades
- Divindade da chuva e dos raios, representada com olhos circulares e relacionada ao posterior deus asteca Tláloc.
- Sepultamento de consagração
- Sepultamento de pessoas ou animais sacrificados, ou de objetos, para consagrar uma nova construção.
- Análise de isótopos
- Estudo químico de ossos e dentes que pode revelar onde uma pessoa cresceu e o que comia.
- INAH
- Instituto Nacional de Antropologia e História do México, responsável pela administração do sítio.
Perguntas e respostas
Quem construiu Teotihuacan?
As pessoas que viviam ali, cujo nome para si mesmas é desconhecido. Não foram os astecas, que chegaram séculos depois. A população provavelmente incluía falantes de várias línguas.
Qual era o tamanho da Pirâmide do Sol?
Sua base mede cerca de 220–230 m de cada lado, e hoje ela tem aproximadamente 65 m de altura, o que a torna uma das maiores pirâmides das Américas.
Eles tinham reis?
Não sabemos ao certo. Não há retratos ou túmulos reais claramente identificados. Alguns estudiosos acham que houve governantes poderosos no início; outros pensam que um conselho governava, especialmente mais tarde.
Havia sacrifícios humanos?
Sim. Escavações encontraram mais de 200 pessoas sacrificadas no Templo da Serpente Emplumada e muitas outras na Pirâmide da Lua. Elas foram sepultadas quando os edifícios foram consagrados.
Por que Teotihuacan entrou em declínio?
Por volta de 550 d.C., muitos edifícios importantes foram queimados, provavelmente durante uma revolta interna. Secas, falta de alimentos e outras pressões também podem ter contribuído. As causas exatas continuam em debate.
É possível ler a escrita de Teotihuacan?
Ainda não de modo confiável. A cidade usava muitos sinais, e um estudo de 2025 propôs uma decifração parcial. Porém, os estudiosos ainda não chegaram a um acordo sobre como lê-los nem sobre se formavam um sistema de escrita completo.
Teotihuacan realmente conquistou Tikal?
Inscrições maias registram a chegada de estrangeiros ligados a Teotihuacan em 378 e uma mudança de dinastia. Ainda se debate se houve uma conquista, uma aliança ou uma ação de um grupo específico.
Fontes e leituras adicionais
- Teotihuacan. Wikipedia
- Pre-Hispanic City of Teotihuacan. UNESCO World Heritage Centre
- Pyramid of the Sun. Wikipedia
- Pyramid of the Moon. Wikipedia
- Temple of the Feathered Serpent, Teotihuacan. Wikipedia
- Great Goddess of Teotihuacan. Wikipedia
- George L. Cowgill, Ancient Teotihuacan: Early Urbanism in Central Mexico. Cambridge University Press, 2015
- Esther Pasztory, Teotihuacan: An Experiment in Living. University of Oklahoma Press, 1997
- Saburo Sugiyama, Human Sacrifice, Militarism, and Rulership: Materialization of State Ideology at the Feathered Serpent Pyramid, Teotihuacan. Cambridge University Press, 2005
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
