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Para jovens leitores
Há cerca de 1.700 anos, nas terras altas do que hoje é o norte da Etiópia, existia um reino rico e poderoso chamado Axum. Seus reis comerciavam marfim, ouro e incenso com lugares distantes, como Roma, Índia e Arábia. Eles também fabricavam suas próprias moedas.
Quando pessoas importantes morriam, os habitantes de Axum erguiam enormes pilares de pedra, chamados estelas, sobre seus túmulos. O Obelisco de Axum é um dos maiores. Ele foi esculpido em um único bloco de pedra, tem cerca de 24 metros de altura e pesa tanto quanto uns 30 elefantes.
O pilar foi esculpido para parecer um prédio muito alto feito de pedra. Na parte de baixo há uma porta de mentira, que não abre. Acima dela aparecem fileiras de janelas de mentira e as pontas de vigas de madeira também de mentira, andar após andar. Parece um modelo de palácio apontando para o céu.
Ninguém sabe ao certo como os trabalhadores moveram pedras tão pesadas. É provável que tenham retirado as pedras de uma colina fora da cidade e as arrastado sobre rolos ou trenós, com a ajuda de muitas pessoas, cordas e talvez elefantes. Depois, podem tê-las erguido usando rampas de terra e alavancas.
O obelisco passou por muita coisa. Ele caiu e se quebrou há muito tempo. Em 1937, soldados da Itália, que havia invadido a Etiópia, cortaram a pedra em pedaços e a levaram para Roma como troféu. Depois de muitos anos pedindo sua devolução, a Etiópia finalmente a recebeu de volta em 2005. Em 2008, o obelisco foi erguido outra vez em Axum, seu lugar de origem.
Em resumo
- O que é
- Uma estela funerária monolítica (um alto marco de pedra esculpida), frequentemente chamada de obelisco; conhecida pelos arqueólogos como Estela 2
- Quando
- Provavelmente esculpida e erguida no século IV d.C. (alguns estudiosos admitem o fim do século III); a data exata é desconhecida
- Onde
- Campo de Estelas do Norte, Axum, região de Tigré, norte da Etiópia
- Dimensões
- Cerca de 24 m de altura e 160 toneladas, esculpida em um único bloco de rocha vulcânica dura (geralmente descrita como sienito nefelínico ou fonolito)
- Quem fez
- Trabalhadores da pedra do Reino de Axum, para um membro desconhecido da elite governante
- Aspecto
- Imita um edifício de vários andares, com uma porta falsa na base, janelas falsas e pontas de vigas salientes em todos os lados
- História recente
- Levada para Roma pela Itália fascista em 1937; devolvida à Etiópia em 2005; reerguida em Axum em 2008
- Situação
- Parte do sítio arqueológico de Axum, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1980
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O que é o Obelisco de Axum?
O Obelisco de Axum é um alto pilar de pedra esculpida que fica na cidade de Axum (também grafada Aksum), no norte da Etiópia. Foi feito pelo povo do Reino de Axum, um dos grandes Estados do mundo antigo, provavelmente no século IV d.C. Tem cerca de 24 metros de altura, pesa aproximadamente 160 toneladas e foi esculpido em um único bloco de pedra.
Embora seja frequentemente chamado de “obelisco”, os arqueólogos geralmente preferem o termo estela (plural: estelas), que significa uma laje ou coluna de pedra erguida como monumento. Um obelisco egípcio é um pilar de quatro lados que se estreita até formar uma pequena pirâmide no topo. Os pilares de Axum são mais achatados, têm entalhes que lembram edifícios e terminam em um topo arredondado. Não eram cópias dos obeliscos egípcios, mas parte de uma tradição local de marcos funerários que se tornaram maiores e mais elaborados ao longo dos séculos.
Axum tem mais de cem estelas de diversos tamanhos, desde pedras brutas, sem entalhes, até alguns monumentos gigantescos e cuidadosamente decorados. O Obelisco de Axum, chamado de Estela 2 em estudos acadêmicos, é o segundo maior entre os gigantes decorados. Ele fica no Campo de Estelas do Norte, um cemitério da elite axumita nos limites da cidade atual.
Hoje, o obelisco é um símbolo nacional da Etiópia. Sua história vai das antigas rotas comerciais do mar Vermelho à invasão italiana da Etiópia na década de 1930 e a um dos casos mais conhecidos de devolução de um bem cultural a seu país de origem.
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Como “ler” a estela: um prédio de pedra
O aspecto mais impressionante do Obelisco de Axum é que ele foi esculpido para parecer um edifício alto. Começando pela base, vê-se uma porta falsa entalhada em relevo, com uma fechadura ou aldrava, como se pudesse se abrir para o túmulo ou a casa da pessoa morta. Acima dela, o pilar se divide em faixas horizontais, uma para cada andar imaginário.
Cada andar mostra características da arquitetura axumita real. Fileiras de janelas falsas foram entalhadas na pedra. Entre os andares aparecem vigas horizontais, e pequenas saliências redondas ou quadradas se projetam da superfície. Elas imitam as pontas das vigas de madeira que saíam das paredes dos edifícios axumitas; os arqueólogos as apelidaram de “cabeças de macaco”. Palácios e igrejas axumitas eram construídos com camadas de pedra e madeira exatamente dessa maneira, e algumas igrejas etíopes posteriores, como a igreja do mosteiro de Debre Damo, ainda apresentam esse estilo.
No alto, a estela termina em uma parte arredondada e semicircular. Furos e marcas mostram que placas ou armações de metal já estiveram presas ali, e os estudiosos acreditam que algumas das grandes estelas exibiam discos ou símbolos metálicos. Não se sabe exatamente o que representavam; antes do cristianismo, moedas e inscrições axumitas usavam com frequência o crescente e o disco, símbolos dos deuses do reino.
Ao observar a estela de baixo para cima, vê-se uma casa para os mortos que sobe muitos andares em direção ao céu. Qualquer que tenha sido seu significado religioso exato, ela transmitia uma mensagem poderosa: o governante sepultado ali merecia um palácio de pedra que todos na cidade pudessem ver.
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Os gigantes do campo de estelas
O Obelisco de Axum é uma das três enormes estelas totalmente decoradas do Campo de Estelas do Norte. A maior, conhecida como Estela 1 ou Grande Estela, tinha cerca de 33 metros de comprimento e, segundo estimativas, pesava mais de 500 toneladas. Teria sido uma das maiores pedras únicas já erguidas por um povo antigo. Mas ela está caída e quebrada no chão. Muitos arqueólogos acreditam que caiu e se despedaçou durante a tentativa de erguê-la ou logo depois.
A terceira gigante, a Estela 3, tem cerca de 21 metros de altura e costuma ser chamada de “Estela do rei Ezana”. Esse nome vem de uma tradição moderna, não de uma inscrição antiga; não há na estela nenhum texto que a relacione a Ezana. Ela era a única das grandes estelas decoradas que ainda estava de pé quando viajantes e arqueólogos europeus descreveram Axum no século XIX e no início do século XX. Com o tempo, ficou inclinada.
Ao redor das gigantes há muitas estelas menores, algumas esculpidas e outras brutas, além de túmulos subterrâneos. O campo foi usado como cemitério da elite durante vários séculos, e o tamanho de cada estela parece refletir a posição social da pessoa sepultada sob ela ou nas proximidades.
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Extração, transporte e levantamento das pedras
As estelas foram cortadas de uma rocha vulcânica dura e de granulação fina encontrada nas colinas a oeste de Axum. Arqueólogos identificaram antigas áreas de extração a vários quilômetros da cidade, incluindo uma estela parcialmente trabalhada que ainda está no lugar onde foi abandonada. Os trabalhadores provavelmente separavam a rocha com cunhas introduzidas em fileiras de furos e depois moldavam e poliam o bloco com ferramentas de ferro e materiais abrasivos.
Transportar um bloco de mais de 100 toneladas por vários quilômetros era uma tarefa enorme. Nenhum relato escrito sobre isso sobreviveu; portanto, todas as explicações são reconstruções. A maioria dos estudiosos sugere que as pedras eram arrastadas sobre trenós de madeira ou rolos, por um caminho preparado, com grandes grupos de pessoas puxando cordas. Elefantes, que os axumitas sabidamente capturavam e utilizavam, também podem ter ajudado. Os detalhes da escultura talvez só fossem concluídos depois que a pedra chegasse ao cemitério.
Erguer a estela era a etapa mais perigosa. Um método provável consistia em encaixar a base em uma cova preparada e levantar gradualmente a parte superior com alavancas, cordas e rampas de terra, enquanto madeiras sustentavam a pedra. Grandes lajes de base e pedras de calço eram colocadas ao redor do pé. O desabamento da Grande Estela mostra que essa técnica tinha limites: quanto maior a pedra, maior o risco de ela rachar sob o próprio peso.
A realização exigia um Estado capaz de organizar centenas de trabalhadores, alimentá-los e fornecer madeira, ferro e cordas. Assim, as estelas são obras de arte e também provas do poder econômico e político dos governantes axumitas.
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O Reino de Axum: um ponto de encontro do mundo antigo
O Reino de Axum surgiu nas terras altas do que hoje são o norte da Etiópia e a Eritreia, por volta do século I d.C. O Périplo do Mar Eritreu, um guia grego para mercadores escrito em meados daquele século, já menciona Axum e seu porto de Adúlis, no mar Vermelho, de onde eram exportados marfim e outros produtos.
Nos séculos seguintes, Axum se tornou uma importante potência comercial entre o Mediterrâneo romano, a Arábia e a Índia. Exportava marfim, ouro, incenso, peles de animais e outros produtos, e importava tecidos, vidro, objetos de metal, vinho e azeite. No fim do século III, o rei Endubis começou a cunhar moedas de ouro, prata e bronze, uma demonstração de confiança que poucos Estados da época compartilhavam. Moedas axumitas foram encontradas em lugares tão distantes quanto o Mediterrâneo oriental e o sul da Índia.
Há registros de que Mani, mestre religioso persa do século III, incluiu Axum entre os quatro grandes reinos do mundo, ao lado de Roma, Pérsia e China. Os reis axumitas usavam inscrições em ge’ez (a língua clássica da Etiópia, escrita em um alfabeto próprio), sabeu (uma língua do sul da Arábia) e grego, o que reflete uma sociedade voltada tanto para a África quanto para o outro lado do mar Vermelho.
No auge de seu poder, no século VI, sob o rei Calebe, Axum chegou a controlar partes do Iêmen por algum tempo. As grandes estelas, porém, pertencem a um período anterior, antes de o cristianismo se tornar a religião da corte real.
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Religião e morte: para que serviam as estelas?
As estelas marcavam os túmulos da elite axumita. Sob o Campo de Estelas do Norte e em seus arredores, arqueólogos encontraram túmulos subterrâneos escavados na rocha ou construídos com pedra, alguns com várias câmaras. Ao lado da Grande Estela caída há um grande túmulo de pedra conhecido como Mausoléu; nas proximidades fica o chamado Túmulo dos Arcos de Tijolos. Muitos túmulos foram saqueados na Antiguidade, mas achados de cerâmica, vidro, objetos de metal e outros materiais mostram que os mortos eram sepultados com bens valiosos.
As crenças específicas ligadas às estelas são desconhecidas, pois a religião pré-cristã de Axum é pouco documentada. Inscrições e moedas mencionam deuses como Astar, Beher e Mahrem, o último associado ao rei, e usam o disco e o crescente como símbolos. Muitos estudiosos acreditam que a forma de vários andares expressava a ideia do túmulo como casa ou palácio para os mortos, e que a altura da estela anunciava o poder e a posição do governante e de sua família.
As estelas também serviam aos vivos. Visível de toda a cidade, o monumento de um governante morto lembrava às pessoas a grandeza de uma dinastia e ajudava o governante seguinte a reivindicar legitimidade. Erguer estelas cada vez maiores pode ter sido uma forma de disputa entre governantes ou famílias.
Perto das estelas foram encontrados alguns locais para oferendas, como plataformas de pedra com canais, o que sugere que rituais continuavam a ser realizados junto aos túmulos depois dos sepultamentos.
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O cristianismo e o fim da tradição das estelas
No século IV, o rei Ezana adotou o cristianismo sob a influência de Frumêncio, um cristão do mundo romano que havia sido levado à corte axumita como jovem cativo e mais tarde se tornou seu primeiro bispo. Nas moedas de Ezana, a cruz substituiu o antigo símbolo do disco e do crescente, em um dos primeiros usos da cruz na cunhagem de um Estado. Suas inscrições, incluindo a Pedra de Ezana, escrita em três línguas, registram campanhas militares e, nas mais tardias, louvam o Deus cristão.
Depois dessa mudança, as estelas gigantes deixaram de ser erguidas. Por isso, a maioria dos estudiosos situa as grandes estelas decoradas, incluindo o Obelisco de Axum, no período pouco anterior ou próximo à conversão de Ezana, no século IV ou um pouco antes. Alguns historiadores sugeriram que o desabamento da Grande Estela, um fracasso espetacular, pode ter contribuído para o fim da tradição, mas isso é uma hipótese.
O cristianismo se tornou a religião duradoura das terras altas da Etiópia. A Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, uma das igrejas cristãs mais antigas do mundo, considera Axum sua cidade mais sagrada. Os cristãos ortodoxos etíopes acreditam que a Igreja de Nossa Senhora Maria de Sião, em Axum, abriga a Arca da Aliança, guardada por um único monge. Essa tradição é central para a identidade religiosa etíope.
Segundo a tradição islâmica, no século VII os primeiros seguidores do profeta Maomé fugiram da perseguição em Meca e receberam abrigo do rei cristão de Axum. Esse episódio, frequentemente chamado de Primeira Hégira, também deu a Axum um lugar de honra na memória islâmica.
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Queda, saque e devolução
Axum entrou em declínio a partir do século VII, quando as rotas comerciais pelo mar Vermelho mudaram e o centro político das terras altas etíopes se deslocou para o sul. O reino deixou de cunhar moedas por volta do início do século VIII. A cidade continuou a ser um lugar sagrado e, às vezes, o local de coroação de imperadores etíopes. Em uma data desconhecida, o Obelisco de Axum caiu e se partiu em vários pedaços, que ficaram no chão por séculos.
Em 1935–1936, a Itália fascista invadiu a Etiópia, um dos poucos países africanos que haviam preservado sua independência. A guerra foi marcada pelo uso de gás venenoso pela Itália contra soldados e civis, e a ocupação que se seguiu incluiu represálias em massa, como as mortes ocorridas em Adis Abeba em fevereiro de 1937. Naquele ano, por ordem de Mussolini, a estela quebrada foi retirada de Axum, transportada para a Itália e reerguida em Roma. Foi inaugurada em 28 de outubro de 1937, no décimo quinto aniversário da Marcha fascista sobre Roma. Ficava na Praça de Porta Capena, em frente ao edifício do Ministério da África Italiana.
No tratado de paz de 1947, após a Segunda Guerra Mundial, a Itália concordou em devolver os objetos retirados da Etiópia. O obelisco, porém, permaneceu em Roma durante décadas, em meio a discussões sobre custos, riscos técnicos e propriedade. Para os etíopes, tornou-se um símbolo da humilhação da ocupação, e as campanhas por sua devolução continuaram apesar das mudanças de governo. Em maio de 2002, um raio danificou a estela.
Em 2003–2004, o obelisco foi novamente desmontado em três partes. Em abril de 2005, foi levado de avião de volta à Etiópia em uma série de voos realizados por uma das maiores aeronaves de carga do mundo. Como o solo perto de seu local original contém túmulos frágeis, a reinstalação exigiu estudos cuidadosos. Sob a supervisão da UNESCO, a estela foi reerguida no Campo de Estelas do Norte e inaugurada em 4 de setembro de 2008. Sua devolução é frequentemente citada em debates internacionais sobre a restituição de bens culturais retirados durante guerras ou ocupações coloniais.
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Debates acadêmicos: datação, sequência e significado
Datação. Nenhuma das grandes estelas possui inscrição. Por isso, as datas propostas dependem da arqueologia dos túmulos associados a elas, da comparação entre objetos encontrados ali e materiais datados de outros lugares, e da suposição geral de que as estelas gigantes deixaram de ser erguidas após a adoção do cristianismo. A maioria dos especialistas situa a Estela 2 no século IV d.C., embora alguns admitam o fim do século III; a ordem relativa das três gigantes também é debatida. As estimativas para toda a tradição axumita das estelas abrangem vários séculos, desde marcos simples no início do primeiro milênio d.C. até as grandes estelas decoradas no fim dessa tradição.
A queda da Grande Estela. A Estela 1 está quebrada sobre a área do Mausoléu. Arqueólogos como David Phillipson defendem que ela caiu durante sua instalação ou logo depois, talvez porque suas fundações fossem inadequadas, e que pode ter sido a última das estelas gigantes. Outros consideram a possibilidade de um desabamento posterior ou de uma derrubada intencional. A questão é importante porque afeta a sequência das estelas e nossa compreensão do fim da tradição.
Nomes e atribuições. Nomes populares que associam estelas a governantes específicos, como “Estela do rei Ezana”, não são sustentados por inscrições. Tradições locais registradas em textos posteriores em ge’ez e na história oral relacionam Axum à rainha de Sabá e ao rei Menelique, lendário fundador da dinastia salomônica. Essas tradições, porém, são muito posteriores às estelas e pertencem à história religiosa e nacional da Etiópia, e não à arqueologia das estelas.
Significado do desenho. Os estudiosos concordam que as estelas esculpidas imitam edifícios de vários andares, mas divergem sobre o quanto essa representação é literal. Alguns as interpretam como imagens de palácios reais; outros, como “casas” simbólicas para os mortos ou como uma forma de expressar a ligação entre o túmulo abaixo e o céu acima. Os acessórios metálicos do topo, hoje perdidos, talvez pudessem esclarecer algumas dessas questões se tivessem sobrevivido.
A palavra “obelisco”. O nome amplamente usado, “Obelisco de Axum”, reflete o hábito europeu de comparar monumentos africanos aos egípcios. Muitos estudiosos preferem “estela” ou “Estela 2”, tanto pela maior precisão quanto para destacar que a tradição axumita se desenvolveu de maneira própria.
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Fontes e métodos: como conhecemos as estelas
Primeiras explorações. Viajantes europeus descreveram as estelas a partir do século XVI. O primeiro estudo sistemático foi realizado pela Expedição Alemã a Axum (Deutsche Aksum-Expedition), de 1906, liderada pelo orientalista Enno Littmann. Ela registrou monumentos, inscrições e construções; seus desenhos e fotografias continuam valiosos, especialmente para conhecer características que foram alteradas posteriormente.
Escavações modernas. Na década de 1970, o Instituto Britânico na África Oriental, sob a direção de Neville Chittick, escavou o campo de estelas e identificou túmulos associados às grandes estelas. O trabalho foi interrompido pelas turbulências políticas na Etiópia e retomado na década de 1990 sob a direção de David Phillipson, que escavou túmulos como o Mausoléu e o Túmulo dos Arcos de Tijolos e estudou as pedreiras. Desde então, equipes etíopes e internacionais, incluindo arqueólogos italianos e alemães, deram continuidade às pesquisas de campo.
Fontes escritas. As inscrições de Axum, em ge’ez, sabeu e grego, junto com as moedas, fornecem os nomes e a sequência de alguns reis, mas nenhuma menciona diretamente as estelas. Fontes externas, como o Périplo do Mar Eritreu, autores gregos e romanos e o relato do século VI atribuído a Cosme Indicopleustes, descrevem o comércio e as cortes de Axum. Textos etíopes posteriores, como o Kebra Nagast, registram tradições sobre o passado sagrado da cidade.
Ciência da conservação. A devolução e a reconstrução da Estela 2 exigiram estudos de engenharia sobre suas fraturas, o solo e os túmulos situados abaixo. A remontagem de 2008 usou reforços modernos entre as partes. Acompanhar a inclinação da Estela 3 e proteger os túmulos frágeis continuam sendo desafios. O caso mostra como conservação, arqueologia e política estão ligadas em Axum.
Ideias principais
- Estela
- Monumento de pedra erguido verticalmente; os exemplares axumitas são marcos funerários esculpidos em blocos únicos, alguns de tamanho enorme.
- Monólito
- Monumento feito de uma única peça de pedra; o Obelisco de Axum foi esculpido em um bloco de cerca de 24 m de comprimento.
- Arquitetura esculpida em pedra
- As estelas esculpidas imitam edifícios de vários andares, com portas falsas, janelas e pontas de vigas copiadas das construções axumitas reais.
- Homenagem à elite
- O tamanho e a decoração de cada estela refletiam a posição social da pessoa morta e o poder de sua família ou dinastia.
- Comércio no mar Vermelho
- A riqueza de Axum vinha do comércio entre a África, o Mediterrâneo, a Arábia e a Índia, que ajudava a financiar seus monumentos.
- Cristianização
- Depois que o rei Ezana adotou o cristianismo no século IV, as estelas gigantes deixaram de ser erguidas.
- Restituição
- A devolução do obelisco por Roma em 2005 tornou o caso um marco nos debates sobre a restituição de bens culturais retirados durante guerras.
Registros
- c. 50 d.C. — O Périplo do Mar Eritreu menciona Axum e seu porto de Adúlis, no mar Vermelho.
- c. 270 d.C. — O rei Endubis começa a cunhar moedas próprias de Axum em ouro, prata e bronze.
- c. 300 d.C. — Período provável da escultura e instalação das grandes estelas decoradas, incluindo a Estela 2 (século IV d.C.; data incerta).
- c. 340 d.C. — O rei Ezana adota o cristianismo; a cruz aparece em suas moedas, e as estelas gigantes deixam de ser erguidas.
- c. 520 d.C. — O rei Calebe realiza campanhas no Iêmen; Axum alcança sua maior extensão.
- c. 615 d.C. — Segundo a tradição islâmica, os primeiros muçulmanos de Meca se refugiam junto ao rei de Axum.
- 1906 — A Expedição Alemã a Axum realiza o primeiro levantamento sistemático das estelas.
- 1937 — As forças italianas de ocupação levam a estela caída para Roma, onde ela é inaugurada em 28 de outubro.
- 1947 — No tratado de paz, a Itália concorda em devolver os objetos retirados da Etiópia.
- 1980 — O sítio arqueológico de Axum é inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
- 2005 — Em abril, o obelisco é transportado de avião de volta à Etiópia em três partes.
- 2008 — A estela é reerguida em Axum e inaugurada em 4 de setembro.
Glossário
- Estela (estelas)
- Laje ou coluna de pedra erguida como monumento, muitas vezes para marcar um túmulo.
- Obelisco
- Originalmente, pilar egípcio de pedra com quatro lados e uma pequena pirâmide no topo; o termo também é usado, de forma mais ampla, para outros monumentos altos de pedra.
- Monólito
- Monumento esculpido em um único bloco de pedra.
- Porta falsa
- Porta esculpida que não se abre e simboliza uma entrada para o túmulo ou para o mundo dos mortos.
- “Cabeças de macaco”
- Apelido dado pelos arqueólogos às pontas salientes das vigas de madeira nas paredes axumitas, imitadas em pedra nas estelas.
- Ge’ez
- Língua clássica da Etiópia, com sistema de escrita próprio, ainda usada na liturgia da Igreja Ortodoxa Etíope.
- Adúlis
- Principal porto de Axum na costa do mar Vermelho, na atual Eritreia.
- Périplo do Mar Eritreu
- Manual grego do século I d.C. para mercadores, que descreve portos e rotas comerciais do Egito à Índia.
- Mausoléu
- Grande construção funerária; em Axum, nome de um túmulo de pedra ao lado da Grande Estela.
- Restituição
- Devolução de bens culturais ao país ou à comunidade de onde foram retirados.
Perguntas e respostas
O Obelisco de Axum é mesmo um obelisco?
Não no sentido egípcio. É uma estela axumita: um pilar de lados achatados, esculpido para parecer um edifício e com o topo arredondado. “Obelisco” é seu nome popular.
Como as pessoas levantaram uma pedra tão pesada sem máquinas?
Não há registros desse trabalho, mas provavelmente a arrastaram sobre trenós ou rolos usando cordas e muitos trabalhadores. Depois, devem tê-la erguido com alavancas, suportes de madeira e rampas de terra.
Quem está enterrado sob ela?
Não sabemos. Ela marca parte de um cemitério da elite, mas nenhuma inscrição identifica a pessoa homenageada.
Por que ela estava em Roma?
Durante a ocupação italiana da Etiópia, a estela caída foi levada para Roma em 1937 como troféu de guerra do regime fascista. Foi devolvida em 2005.
Por que as estelas são datadas de antes do cristianismo?
Porque as estelas gigantes deixaram de ser erguidas depois que o rei Ezana adotou o cristianismo no século IV, e os túmulos associados a elas contêm materiais pré-cristãos.
A Grande Estela chegou a ficar de pé?
Talvez não. Muitos arqueólogos acreditam que a Grande Estela, de 33 metros, se quebrou durante sua instalação ou logo depois, mas a questão é debatida.
O que significa o desenho de um edifício?
Os estudiosos concordam que ele imita construções axumitas de vários andares. Muitos o interpretam como uma casa ou palácio para os mortos que também mostrava o poder da família, mas as crenças exatas são desconhecidas.
Fontes e leituras adicionais
- Obelisk of Axum. Wikipedia
- Axum. Wikipedia
- Kingdom of Aksum. Wikipedia
- Ezana Stone. Wikipedia
- Aksum. UNESCO World Heritage Centre
- Stuart Munro-Hay, Aksum: An African Civilisation of Late Antiquity. Edinburgh University Press, 1991
- David W. Phillipson, Ancient Ethiopia: Aksum, Its Antecedents and Successors. British Museum Press, 1998
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