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Para jovens leitores
Há muito tempo, antes da chegada dos europeus às Américas, os maias construíram grandes cidades nas florestas do México e da América Central. Uma das maiores era Chichén Itzá. Seu nome significa «na boca do poço dos itzás», porque a cidade cresceu ao redor de poços naturais.
Em Yucatán, quase não há rios na superfície. A água da chuva entra na rocha e corre debaixo da terra. Em alguns lugares, o chão afundou e formou buracos fundos e redondos, cheios de água. Eles se chamam cenotes. As pessoas usavam essa água e também acreditavam que os cenotes eram portas para o mundo dos deuses.
No meio da cidade há uma pirâmide com escadas nos quatro lados e um pequeno templo no topo. Ela se chama El Castillo, ou Templo de Kukulcán, o deus Serpente Emplumada. Se você contar todos os degraus e somar a plataforma do topo, chegará a 365, o número de dias de um ano. Na primavera e no outono, o sol da tarde forma sombras na escada que parecem uma cobra gigante descendo até uma cabeça de pedra na base.
A cidade também tem o maior campo de jogo de bola do México antigo. Ele é mais comprido que um campo de futebol. Os jogadores batiam em uma bola pesada de borracha com os quadris e tentavam fazê-la passar por um aro de pedra no alto da parede. O jogo era um esporte e também um ritual sagrado.
Chichén Itzá foi mais poderosa há cerca de mil anos. Depois, perdeu importância, mas os maias nunca se esqueceram dela. Pessoas maias ainda vivem em toda a região. Hoje, ela é um dos sítios antigos mais visitados do mundo.
Em resumo
- Período
- Povoada desde o período Clássico Tardio (c. 600 d.C.); auge c. 800–1100 d.C. (Clássico Terminal–Pós-Clássico Inicial); deixou de ser uma potência regional por volta de 1100–1200
- Localização
- Município de Tinúm, estado de Yucatán, México, nas terras baixas maias do norte
- Construtores
- Maias iucatecos, incluindo o grupo de linhagem itzá, com fortes vínculos com o México central
- Extensão
- Núcleo densamente construído de pelo menos 5 km²; treze campos de jogo de bola identificados
- Principais monumentos
- Templo de Kukulcán (El Castillo, com cerca de 30 m de altura), Grande Campo de Jogo de Bola (168 × 70 m), Templo dos Guerreiros, El Caracol, Las Monjas, Cenote Sagrado
- Datas inscritas
- Datas em inscrições hieroglíficas de 832 a 998 d.C.
- Situação
- Patrimônio Mundial da UNESCO «Cidade Pré-Hispânica de Chichén Itzá» (1988); administrado pelo INAH, do México
- Importância
- Maior capital das terras baixas maias do norte após o colapso do período Clássico; sítio central para os debates sobre as relações entre os maias e o México central
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O que é Chichén Itzá?
Chichén Itzá é o conjunto de ruínas de uma grande cidade maia no norte da península de Yucatán, a cerca de 115 km a leste da atual cidade de Mérida. Seu nome em maia iucateco, Chichʼen Itzaʼ, costuma ser traduzido como «na boca do poço dos itzás»; os itzás eram um poderoso grupo de linhagem das terras baixas do norte. Textos maias também preservam um nome mais antigo para o lugar, Uuc Yabnal, cujo significado é debatido.
A cidade foi construída em uma planície calcária sem rios na superfície. A água vinha dos cenotes, aberturas naturais formadas quando o teto de um rio subterrâneo ou de uma caverna desaba. Há vários cenotes no sítio, dos quais o mais famoso é o Cenote Sagrado, ao norte da pirâmide principal.
Do século IX ao XI, Chichén Itzá foi a potência dominante no norte de Yucatán e controlou rotas comerciais marítimas e terrestres. Seus edifícios combinam estilos maias locais com formas que lembram o México central, especialmente a cidade de Tula. Essa combinação fez de Chichén Itzá um dos sítios mais debatidos da arqueologia mesoamericana. Hoje, ela é Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos monumentos mais visitados do México.
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Como «ler» a cidade: plataformas, caminhos e estilos
Chichén Itzá não foi construída de uma só vez. Seu núcleo ocupa pelo menos 5 km² e contém conjuntos de edifícios sobre plataformas niveladas, ligados por caminhos elevados e revestidos de argamassa branca chamados sacbeob (singular sacbe, «caminho branco»). Muros baixos separavam esses conjuntos.
Ao sul ficam as partes mais antigas, incluindo Las Monjas («o Convento», provavelmente um conjunto palaciano), Akab Dzib, Casa Colorada («Casa Vermelha») e a área que os arqueólogos chamam de Chichén Velho. Muitos desses edifícios seguem o estilo Puuc do norte de Yucatán, com paredes inferiores lisas e fachadas superiores cobertas de mosaicos de pedra com padrões geométricos e máscaras de um deus de nariz comprido, muitas vezes identificado como Chaak, o deus da chuva. Inscrições hieroglíficas concentradas nessa área mencionam um governante chamado Kʼakʼupakal e outros senhores do século IX.
Ao norte, sobre uma enorme plataforma artificial, ficam os monumentos mais conhecidos pelos visitantes: o Templo de Kukulcán (El Castillo), o Grande Campo de Jogo de Bola, o Templo dos Guerreiros com seu Grupo das Mil Colunas, uma plataforma de crânios (tzompantli) e plataformas decoradas com águias e jaguares devorando corações. Esses edifícios apresentam colunatas, colunas em forma de serpente emplumada, estátuas reclinadas chamadas chacmools e imagens de guerreiros que têm paralelos próximos em Tula, no México central. Um caminho elevado de cerca de 270 m liga essa praça ao Cenote Sagrado, ao norte.
Entre essas áreas fica El Caracol («o Caracol»), uma torre redonda sobre uma plataforma retangular, assim chamada por causa da escada em espiral em seu interior. Suas janelas parecem estar alinhadas com posições de Vênus e outros fenômenos celestes. O edifício é amplamente interpretado como um observatório, embora seu modo de uso ainda seja discutido.
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O Templo de Kukulcán e a serpente de luz
O Templo de Kukulcán, chamado de El Castillo («o castelo») pelos espanhóis, é uma pirâmide em degraus com cerca de 30 m de altura, incluindo o templo no topo. Tem nove terraços e uma escadaria em cada um dos quatro lados. Kukulcán, a Serpente Emplumada, era uma divindade maia estreitamente relacionada a Quetzalcóatl, do México central. Grandes cabeças de serpente esculpidas ficam ao pé da escadaria norte.
A pirâmide reflete o calendário maia. Cada escadaria tem cerca de 91 degraus; quatro vezes 91, mais a plataforma superior, resulta em 365, o número de dias do ano solar (chamado Haabʼ). Em cada lado, a escadaria divide os nove terraços em dezoito partes, correspondentes aos dezoito «meses» desse calendário. Os arqueólogos debatem até que ponto esses números foram planejados, mas eles mostram a ligação entre arquitetura e tempo.
Perto dos equinócios de primavera e outono, no fim da tarde, o canto em degraus da pirâmide projeta uma sequência de sombras triangulares na lateral da escadaria norte. Elas criam a imagem do corpo de uma serpente unido à cabeça de pedra na base. Milhares de pessoas se reúnem para observar o efeito. Alguns pesquisadores ressaltam que ele pode ser visto durante semanas próximas aos equinócios, portanto não serviria para marcar uma data com precisão; ainda não se sabe se foi planejado de propósito.
El Castillo esconde uma pirâmide mais antiga em seu interior. Na década de 1930, arqueólogos mexicanos abriram um túnel e encontraram um templo anterior com um chacmool e um trono em forma de jaguar, pintado de vermelho e incrustado com jade. Levantamentos geofísicos mais recentes detectaram uma fase de construção ainda mais antiga e um cenote sob a pirâmide.
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O Grande Campo de Jogo de Bola e o Cenote Sagrado
Treze campos de jogo de bola foram encontrados em Chichén Itzá. O Grande Campo de Jogo de Bola, com 168 m de comprimento e 70 m de largura, é o maior conhecido na Mesoamérica antiga. Suas paredes chegam a cerca de 8 m de altura, com um aro de pedra esculpida colocado no alto do centro de cada uma. Os jogadores golpeavam uma bola de borracha maciça com os quadris, e fazê-la passar pelo aro provavelmente era muito raro. Relevos na base das paredes mostram duas equipes; no centro, um jogador foi decapitado e os jatos de sangue se transformam em serpentes e plantas floridas. Além de esporte, o jogo de bola tinha significados religiosos e políticos ligados à luta cósmica, à fertilidade e ao sacrifício.
O Cenote Sagrado é uma abertura quase circular com cerca de 60 m de diâmetro e paredes íngremes que descem aproximadamente 27 m até a água. Foi um lugar de peregrinação durante séculos, mesmo depois do declínio da cidade. O frade franciscano Diego de Landa, escrevendo na década de 1560, relatou que pessoas eram lançadas vivas nele como oferendas aos deuses em épocas de seca, junto com objetos preciosos.
Entre 1904 e 1910, o americano Edward H. Thompson, proprietário das terras, dragou o cenote e recuperou adornos de ouro, cobre e jade, cerâmicas, incenso de copal, objetos de madeira, tecidos e ossos humanos. Muitos itens foram enviados ao Museu Peabody, em Harvard; alguns foram devolvidos posteriormente ao México. Expedições subaquáticas posteriores, na década de 1960, supervisionadas pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) do México, recuperaram mais objetos. Os achados mostram que Chichén Itzá recebia oferendas de lugares distantes, incluindo ouro da América Central.
Os restos humanos do cenote incluem crianças e adultos de ambos os sexos. Alguns apresentam sinais de violência e outros não. Os pesquisadores continuam debatendo quantos foram sacrificados e quantos foram colocados ali após a morte. Relatos escritos do período colonial exigem cautela, pois foram produzidos muito depois do auge da cidade e refletem perspectivas espanholas.
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A sociedade que a construiu: comércio, guerra e governo por conselho
Chichén Itzá ganhou importância enquanto as grandes cidades das terras baixas maias do sul, como Tikal e Calakmul, entravam em declínio durante o chamado colapso maia do período Clássico (aproximadamente 800–950 d.C.). No norte, por sua vez, cidades como Uxmal, Ek Balam, Cobá e Chichén Itzá prosperaram por algum tempo. No século X, Chichén Itzá havia derrotado ou superado rivais como Cobá e Yaxuna e dominava grande parte do norte e do centro de Yucatán.
Sua riqueza vinha do comércio e dos tributos. Por meio de seu porto em Isla Cerritos, na costa norte, participava do comércio feito em canoas ao redor da península. Obtinha obsidiana do México central, turquesa de regiões mais ao norte, ouro do sul da América Central, além de sal, algodão e outros produtos das áreas costeiras. Tributos de comunidades conquistadas ou aliadas sustentavam seus governantes e construtores.
A forma de governo da cidade é debatida. Inscrições mencionam um senhor poderoso, Kʼakʼupakal, no século IX. Alguns estudiosos defendem que, em sua fase posterior, a cidade foi governada por um conselho de linhagens da elite, sistema mais tarde chamado de multepal, em vez de um único rei divino. Outros veem uma monarquia mais convencional. A abundância de imagens de guerreiros, em vez de retratos de reis individuais, é compatível com uma sociedade na qual grupos militares e da elite compartilhavam o poder.
A população provavelmente era diversa e incluía pessoas de diferentes partes do mundo maia e talvez do México central. Um estudo genético publicado em 2024 sobre crianças enterradas em uma câmara subterrânea perto do Cenote Sagrado concluiu que todas eram meninos, que alguns tinham parentesco próximo, incluindo dois pares de gêmeos idênticos, e que pertenciam a populações maias locais, com continuidade genética em relação aos maias que vivem hoje na região.
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Declínio, conquista e memória
Evidências arqueológicas sugerem que Chichén Itzá deixou de ser uma capital regional por volta de 1100, talvez um pouco depois; as construções cessaram e o poder mudou de lugar. Crônicas maias posteriores, os livros de Chilam Balam, contam que um governante de Mayapán chamado Hunac Ceel derrotou Chichén Itzá. Hoje, porém, os arqueólogos consideram que Chichén já havia entrado em declínio antes de Mayapán se tornar a cidade dominante no século XIII. As crônicas misturam história, profecia e política, e é difícil relacionar suas datas aos achados arqueológicos.
Chichén Itzá nunca foi esquecida. O Cenote Sagrado continuou a ser um lugar de peregrinação, e as pessoas seguiram vivendo na região. Na década de 1530, o conquistador espanhol Francisco de Montejo, o Moço, tentou fundar uma povoação espanhola em Chichén Itzá; a resistência maia obrigou os espanhóis a abandoná-la em 1534. Yucatán só foi conquistado na década de 1540. Diego de Landa, que mais tarde ordenou a queima de livros maias em Maní, em 1562, deixou, ainda assim, uma das principais descrições escritas de Chichén Itzá. As terras passaram a integrar uma fazenda de criação de gado espanhola.
No século XIX, o sítio ganhou projeção internacional por meio de Incidents of Travel in Yucatan (1843), de John Lloyd Stephens, ilustrado por Frederick Catherwood. Depois vieram fotógrafos e exploradores como Désiré Charnay, Augustus e Alice Le Plongeon, Teobert Maler e Alfred Maudslay. Augustus Le Plongeon escavou uma estátua reclinada em 1875 e a chamou de «Chaacmol»; o nome, na forma chacmool, passou a designar todas as figuras desse tipo na Mesoamérica.
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Escavação, restauração e propriedade
Em 1894, Edward Thompson, cônsul dos Estados Unidos em Yucatán, comprou a Hacienda Chichén, que incluía as ruínas. A dragagem do Cenote Sagrado e a exportação dos objetos encontrados levaram o governo mexicano a acusá-lo de roubo e a tomar a propriedade em 1926. Em 1944, a Suprema Corte mexicana decidiu que ele não havia violado nenhuma lei, e seus herdeiros venderam a fazenda ao empresário do turismo Fernando Barbachano Peón.
A partir de 1924, a Carnegie Institution of Washington, com autorização do governo mexicano e Sylvanus Morley como figura de destaque, escavou e restaurou o Templo dos Guerreiros, El Caracol e outros edifícios. Arqueólogos do governo mexicano trabalharam em El Castillo e no Grande Campo de Jogo de Bola. Essas campanhas produziram a cidade reconstruída que os visitantes veem hoje; algumas reconstruções foram posteriormente criticadas por serem mais completas do que as evidências permitem.
O sítio tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO em 1988 e, em 2007, El Castillo foi escolhido como uma das «Novas Sete Maravilhas do Mundo» em uma votação comercial pela internet. As terras sob os principais monumentos permaneceram em mãos privadas até 2010, quando o estado de Yucatán as comprou; a zona arqueológica é propriedade federal administrada pelo INAH. O turismo de massa traz renda para a região, mas também pressiona os monumentos, e subir em El Castillo foi proibido em 2006. Comunidades maias locais, incluindo muitos artesãos e vendedores que trabalham no sítio, têm buscado maior participação nas decisões sobre o patrimônio de seus antepassados.
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Significado religioso e legado
Para seus construtores, Chichén Itzá era uma paisagem sagrada. O Templo de Kukulcán fica aproximadamente no centro de uma cruz formada por quatro cenotes, o que sugere que ele era visto como um eixo que ligava o céu, a terra e o mundo subterrâneo aquático. Tradições mesoamericanas posteriores falam de grandes cidades chamadas Tollan, «Lugar dos Juncos», onde teriam surgido a civilização e a realeza legítima; muitos estudiosos consideram que Chichén Itzá era vista como uma dessas Tollan no mundo oriental.
Hoje, Chichén Itzá é um símbolo nacional do México e um símbolo da civilização maia em todo o mundo. Aparece em livros didáticos, filmes e campanhas de turismo, e as reuniões nos equinócios em El Castillo tornaram-se um ritual moderno, às vezes associado a ideias da Nova Era pouco relacionadas à religião maia. Para os maias iucatecos que vivem ao redor do sítio hoje, e para os povos maias em geral, ele faz parte de um patrimônio vivo, e não é uma relíquia de um povo desaparecido.
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Debates acadêmicos: toltecas, cronologia e sacrifício
Conquista tolteca ou cultura compartilhada? Estudiosos do início do século XX observaram semelhanças marcantes entre os edifícios do norte de Chichén Itzá e os de Tula, capital tolteca no México central. Somadas a lendas posteriores sobre Quetzalcóatl (Kukulcán), que teria deixado Tula e chegado a Yucatán, essas semelhanças deram origem à influente teoria de que invasores toltecas conquistaram Chichén Itzá por volta de 1000 e criaram uma cidade «tolteca-maia» sobre uma cidade maia mais antiga. Desde o fim do século XX, muitos arqueólogos defendem, em vez disso, a interação de longa distância entre elites, um estilo «internacional» compartilhado e centrado no culto da Serpente Emplumada, e até a possibilidade de que algumas influências tenham ido de Chichén Itzá para Tula, e não no sentido contrário.
Cronologia. O modelo tradicional dividia o sítio em uma fase «maia» (Puuc) anterior e uma fase «tolteca» posterior. Estudos de cerâmica, datações por radiocarbono e novas análises das inscrições levaram muitos especialistas a propor que os dois estilos coexistiram por um período considerável e que a maior parte das grandes construções ocorreu entre cerca de 800 e 1000. A data do declínio da cidade e sua relação com Mayapán também continuam em debate. As próprias publicações do INAH ainda descrevem a cidade em termos de combinação das culturas maia e tolteca.
Sacrifício e interpretação. O sacrifício humano em Chichén Itzá é documentado por imagens, pela plataforma de crânios e por alguns restos humanos. Porém, a imagem popular de jovens mulheres lançadas no cenote deve mais a relatos coloniais e narrativas românticas do século XIX do que às evidências. Estudos bioarqueológicos e genéticos recentes, como o estudo de 2024 sobre os meninos encontrados no chultun subterrâneo, permitem investigar quem eram os mortos e como foram escolhidos, mas as interpretações do contexto ritual ainda divergem.
Astronomia. Os alinhamentos de El Castillo e El Caracol com o Sol e Vênus mostram observação cuidadosa, mas os estudiosos discordam sobre quais alinhamentos foram planejados e sobre a confiabilidade de afirmações populares, como a de que a serpente formada no equinócio foi concebida para marcar uma data no calendário.
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Evidências e métodos
Inscrições. Chichén Itzá tem menos textos hieroglíficos que as cidades do sul no período Clássico, e a maioria data de aproximadamente 832 a 998. Especialistas em inscrições usaram esses textos para identificar senhores, rituais como cerimônias do fogo e nomes antigos de edifícios. A escassez de inscrições nos monumentos posteriores do norte também é uma evidência de mudanças nas formas de expressão política.
Textos coloniais. O relato de Landa, os livros de Chilam Balam e outros documentos coloniais preservam memórias maias e observações espanholas, mas foram produzidos após a conquista, com novos objetivos, e muitas vezes misturam profecia e história. Por isso, devem ser usados de forma crítica, junto com a arqueologia.
Arqueologia e ciência. Escavações, classificação de cerâmicas, datação por radiocarbono, análise de restos humanos (isótopos e DNA antigo) e técnicas geofísicas, como tomografia de resistividade elétrica e lidar, estão reformulando a história do sítio. Estudos geofísicos mapearam cenotes e fases de construção ocultas sem escavação, e o lidar revelou áreas habitadas além da zona turística.
O problema da reconstrução. Grande parte do que os visitantes veem foi reconstruída entre as décadas de 1920 e 1940. Os pesquisadores precisam recorrer a relatórios de escavação e fotografias antigas para distinguir as estruturas originais das partes restauradas. Assim, Chichén Itzá mostra como a interpretação arqueológica, a identidade nacional e o turismo moldaram, juntos, a imagem de uma cidade antiga.
Ideias principais
- Cenote
- Abertura natural no solo que expõe a água subterrânea; fundamental para a vida em Yucatán e considerada uma entrada sagrada para o mundo subterrâneo.
- Serpente Emplumada
- Kukulcán (Quetzalcóatl no México central), divindade central no simbolismo religioso e político de Chichén Itzá.
- Arquitetura como calendário
- Os degraus e terraços de El Castillo fazem referência ao ano de 365 dias e a seus dezoito meses.
- Jogo de bola
- Jogo mesoamericano com significados sagrados ligados à luta cósmica, à fertilidade e ao sacrifício.
- Interação entre os maias e o México central
- A combinação de estilos do sítio levanta a questão de ela refletir conquista, migração ou uma cultura compartilhada pelas elites.
- Transformação do Clássico Terminal
- Chichén Itzá ganhou importância enquanto cidades maias do sul entravam em declínio, mostrando que o colapso maia foi uma reorganização regional, e não o fim da civilização maia.
- Patrimônio vivo
- Os maias não são um povo desaparecido; o sítio faz parte do patrimônio de comunidades maias atuais.
Registros
- c. 600 d.C. — Já existe um povoado em Chichén Itzá no período Clássico Tardio.
- 832 d.C. — Primeira data hieroglífica registrada no sítio.
- 869 d.C. — Uma inscrição na Casa Colorada registra cerimônias do fogo realizadas pelos senhores da cidade.
- c. 900 d.C. — Chichén Itzá torna-se a potência dominante no norte de Yucatán; ocorrem grandes construções na Grande Plataforma Norte.
- 998 d.C. — Última data hieroglífica conhecida, no templo do Osario.
- c. 1100 — Chichén Itzá deixa de ser uma capital regional; o Cenote Sagrado continua a ser um lugar de peregrinação.
- 1534 — As forças espanholas comandadas por Francisco de Montejo, o Moço, desistem de se estabelecer em Chichén Itzá.
- 1843 — John Lloyd Stephens e Frederick Catherwood publicam Incidents of Travel in Yucatan.
- 1904 — Edward Thompson começa a dragar o Cenote Sagrado (até 1910).
- 1924 — A Carnegie Institution inicia escavações e restaurações em grande escala.
- 1988 — Chichén Itzá entra na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
- 2010 — O estado de Yucatán compra de proprietários privados as terras sob os principais monumentos.
Glossário
- Maias
- Povos indígenas do sul do México e da América Central, falantes de línguas maias, cuja civilização se desenvolveu ao longo de mais de 3 mil anos.
- Cenote
- Abertura natural em rocha calcária que expõe a água subterrânea.
- Sacbe
- Caminho elevado e revestido de argamassa construído pelos maias; literalmente, «caminho branco».
- Estilo Puuc
- Estilo arquitetônico do norte de Yucatán com paredes inferiores lisas e fachadas superiores decoradas com mosaicos.
- Chacmool
- Figura de pedra reclinada de costas, que segura um prato ou recipiente sobre o ventre, encontrada em sítios maias e do México central.
- Tzompantli
- Estrutura ou plataforma onde eram expostos crânios de mortos, muitas vezes vítimas de sacrifício.
- Haabʼ
- Calendário solar maia de 365 dias, com 18 meses de 20 dias e mais 5 dias adicionais.
- Clássico Terminal
- Período de aproximadamente 800 a 1000 d.C., quando muitas cidades maias do sul entraram em declínio e cidades do norte ganharam importância.
- Mesoamérica
- Região cultural que abrangia o centro e o sul do México e o norte da América Central antes do contato com os europeus.
- INAH
- Instituto Nacional de Antropologia e História do México, responsável pela administração de sítios arqueológicos.
Perguntas e respostas
Quem construiu Chichén Itzá?
Os maias do norte de Yucatán, incluindo os itzás, construíram a cidade ao longo de vários séculos. Sua arte também mostra fortes ligações com o México central.
El Castillo tem mesmo 365 degraus?
Cada uma das quatro escadarias tem cerca de 91 degraus. Quatro vezes 91, mais a plataforma superior, resulta em 365, o número de dias do ano solar maia.
Ainda é possível subir na pirâmide?
Não. Subir em El Castillo é proibido desde 2006 para proteger o monumento e os visitantes.
Pessoas eram mesmo lançadas no Cenote Sagrado?
Restos humanos e oferendas foram encontrados ali, e relatos espanhóis descrevem sacrifícios. Mas nem todos os restos apresentam sinais de violência, e os pesquisadores ainda debatem quantas pessoas foram sacrificadas.
Os toltecas conquistaram Chichén Itzá?
Essa já foi a interpretação mais aceita. Hoje, muitos arqueólogos consideram que as semelhanças com Tula refletem comércio, religião compartilhada e contatos entre elites, possivelmente nos dois sentidos, em vez de uma simples conquista.
Por que Chichén Itzá entrou em declínio?
As razões não são totalmente conhecidas. Entre as possibilidades estão conflitos políticos, mudanças no comércio e secas. Seu poder regional terminou por volta de 1100, mas o sítio nunca foi completamente abandonado.
O que era o jogo de bola?
Era um jogo entre equipes com uma bola pesada de borracha, golpeada principalmente com os quadris. Era tanto um esporte quanto um ritual ligado aos movimentos do Sol, à fertilidade e ao sacrifício.
Ainda existem maias hoje?
Sim. Milhões de maias vivem no México, na Guatemala e em países vizinhos, e o maia iucateco é falado nas comunidades ao redor de Chichén Itzá.
Fontes e leituras adicionais
- Pre-Hispanic City of Chichen-Itza. UNESCO World Heritage Centre
- Zona Arqueológica de Chichén Itzá. Instituto Nacional de Antropología e Historia (INAH)
- Chichen Itza. Wikipedia
- El Castillo, Chichen Itza. Wikipedia
- Sacred Cenote. Wikipedia
- 치첸이차. 위키백과
- Mark Cartwright, Chichen Itza. World History Encyclopedia, 2014
- Rodrigo Barquera et al., Ancient genomes reveal insights into ritual life at Chichén Itzá. Nature 630, 2024
- Michael D. Coe and Stephen Houston, The Maya (9th edition). Thames & Hudson, 2015
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- Cabeças colossais olmecasCabeças monumentais de basalto feitas por comunidades olmecas na costa do golfo do México, provavelmente representando governantes.
- Machu PicchuAssentamento inca nos Andes, provavelmente estabelecido no século XV.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
