Patrimônio

Prambanan

Candi Prambanan · Rara Jonggrang (Old name: Śiwagṛha, “House of Shiva”)

c. 850–900 d.C. · Planície de Prambanan, Java Central (reino de Mataram)

Em uma frase

Prambanan é um conjunto de altos templos de pedra em formato pontudo na ilha de Java, na Indonésia, construído há cerca de 1.150 anos para os deuses hindus Shiva, Vishnu e Brahma, e coberto de esculturas que contam a história do Ramayana.

Prambanan
Imagem: Gunawan Kartapranata · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Imagine uma montanha de pedra feita por pessoas. É mais ou menos assim que Prambanan parece: um conjunto de torres altas e pontudas que se erguem em meio aos arrozais verdes do centro de Java. A torre mais alta tem 47 metros, quase a altura de um prédio de 15 andares.

Ela foi construída há mais de 1.100 anos pelos reis de um reino javanês chamado Mataram. Eles a fizeram para ser uma morada dos deuses hindus. O maior templo pertence a Shiva, e dois menores ao lado pertencem a Vishnu e Brahma. Dentro do templo de Shiva há uma estátua do deus com três metros de altura.

Ao redor dos templos há centenas de imagens esculpidas em pedra, uma depois da outra, como uma história em quadrinhos. Elas contam a famosa história do príncipe Rama, cuja esposa Sita é sequestrada pelo rei-demônio Ravana, e de como o herói macaco Hanuman ajuda a resgatá-la. Para ler a história na ordem certa, é preciso caminhar ao redor do templo mantendo sempre o prédio à sua direita.

As pessoas da região contam uma lenda sobre os templos. Um príncipe queria se casar com uma princesa chamada Rara Jonggrang, mas ela não queria se casar com ele. Ela disse que ele teria de construir mil templos em uma única noite. Com a ajuda de espíritos, ele quase conseguiu terminar, mas ela o enganou fazendo parecer que o sol estava nascendo. O príncipe, furioso, a transformou em uma estátua de pedra, e diz-se que ela ainda está ali dentro do grande templo.

Terremotos e vulcões depois derrubaram a maior parte dos templos. Há cerca de 100 anos, pessoas vêm reconstruindo tudo pedra por pedra, como um imenso quebra-cabeça. O trabalho continua até hoje.

Em resumo

Construção
Meados do século IX; o templo de Shiva foi inaugurado em 856 d.C., segundo a inscrição de Shivagrha, e o complexo foi ampliado até o início do século X
Local
Planície de Prambanan, cerca de 17 km a nordeste de Yogyakarta, na fronteira entre a Região Especial de Yogyakarta e Java Central, Indonésia
Construtores
Reis do reino de Mataram (Medang); iniciado sob Rakai Pikatan, inaugurado sob Dyah Lokapala, ampliado por reis posteriores como Balitung
Dedicado a
A Trimurti hindu (Shiva, Vishnu, Brahma), com Shiva como divindade principal
Tamanho
Originalmente 240 templos: 16 no pátio central e 224 pequenos santuários ‘pervara’ dispostos em quatro fileiras; torre principal com 47 m de altura
Relevos
Ramayana (templos de Shiva e Brahma) e histórias de Krishna da tradição do Bhagavata Purana (templo de Vishnu)
Status
Sítio do Patrimônio Mundial da UNESCO “Complexo de Templos de Prambanan”, inscrito em 1991 junto com os vizinhos Sewu, Lumbung e Bubrah
Importância
O maior complexo de templos hindus da Java antiga e uma obra-prima da arquitetura clássica indonésia e da escultura em relevo

Fácil

O que é Prambanan?

Prambanan é um complexo de templos hindus do século IX na ilha de Java, na atual Indonésia. Fica sobre uma planície fértil entre o vulcão Merapi ao norte e uma cadeia de baixas colinas calcárias ao sul, cerca de 17 km a nordeste da cidade de Yogyakarta. Em indonésio é chamado Candi Prambanan, em referência à aldeia vizinha; candi é a palavra indonésia genérica para um templo antigo. Os javaneses também o chamam de Rara (ou Loro) Jonggrang, em homenagem à heroína de uma lenda local.

O complexo é dedicado à Trimurti, os três grandes deuses do hinduísmo em um de seus agrupamentos mais conhecidos: Brahma, o criador; Vishnu, o preservador; e Shiva, o destruidor e renovador. Shiva é o mais importante dos três aqui. Uma inscrição datada de 856 d.C., que a maioria dos historiadores relaciona a Prambanan, chama o santuário de Śiwagṛha, “a Casa de Shiva”.

Prambanan é famoso por suas torres altas e esguias, muito diferentes do monumento budista largo e escalonado de Borobudur, a cerca de 40 km dali. O templo central de Shiva ergue-se a 47 metros. Originalmente o complexo continha 240 templos separados, a maioria pequenos santuários dispostos em fileiras organizadas ao redor das três torres principais.

Em 1991 a UNESCO inscreveu o “Complexo de Templos de Prambanan” na Lista do Patrimônio Mundial. O bem listado inclui não só Prambanan em si, mas também os templos budistas vizinhos de Sewu, Lumbung e Bubrah. A UNESCO descreve o conjunto inteiro como uma obra-prima da arte de Shiva do período clássico e como evidência da coexistência pacífica entre comunidades hindus e budistas na Java antiga.

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Fácil

Como “ler” a planta do templo: três quadrados, três mundos

Visto de cima, Prambanan é formado por três quadrados, um dentro do outro. O recinto mais externo, com cerca de 390 metros de cada lado, quase desapareceu; sua função é incerta, e é possível que tenha abrigado edifícios de madeira e palha para sacerdotes, que não deixaram vestígios. Dentro dele fica um segundo quadrado murado, com cerca de 225 metros de cada lado, que outrora abrigava 224 pequenos santuários chamados candi perwara (templos auxiliares ou guardiões), dispostos em quatro fileiras concêntricas de 44, 52, 60 e 68. Cada fileira fica ligeiramente mais alta do que a que está fora dela. No centro, sobre uma plataforma de pedra elevada, está o pátio mais sagrado.

O pátio central contém dezesseis edifícios. Na fileira oeste ficam os três templos principais: Shiva no meio, Vishnu ao norte e Brahma ao sul. De frente para eles, na fileira leste, há três templos menores para os animais que servem de montaria (vahana) aos deuses: o touro Nandi para Shiva, a ave semelhante a uma águia Garuda para Vishnu, e o ganso sagrado Hamsa para Brahma. Dois templos “laterais” (candi apit) ficam nas extremidades norte e sul do pátio, e oito pequenos santuários marcam os quatro portões e os quatro cantos.

Essa disposição expressa ideias hindus sobre o universo. O pátio externo, o pátio médio e o pátio interno costumam ser explicados como três níveis de existência: o mundo dos mortais comuns (bhurloka), um mundo intermediário de pessoas santas e ascetas (bhuvarloka), e o mundo mais elevado dos deuses (svarloka). Os mesmos três níveis se repetem verticalmente em cada templo: a base, o corpo com sua câmara e o telhado que se ergue até um remate em forma de joia (ratna). Todo o complexo é, assim, um modelo do cosmos, e cada torre é uma imagem do Monte Meru, a montanha no centro do mundo onde vivem os deuses.

O visitante deve se aproximar pelo leste, subir as escadas íngremes do templo de Shiva e caminhar em sentido horário pela galeria, mantendo o santuário à direita. Essa caminhada ritual, a pradakshina, conduz o fiel pelos relevos narrativos e, passo a passo, em direção ao deus no centro.

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Fácil

Os deuses dentro das torres

O templo de Shiva, com 47 metros de altura e 34 metros de largura, tem cinco salas: uma grande câmara central e quatro câmaras menores voltadas para as quatro direções. A câmara central, acessada pelo leste, abriga uma estátua de Shiva Mahadeva (“o grande deus”) com cerca de três metros de altura, de pé sobre um lótus acima de um pedestal. Ele tem quatro braços e carrega seus símbolos tradicionais, como um rosário, um espanador e um tridente, além de trazer uma lua crescente e uma caveira em sua coroa e um terceiro olho na testa.

As outras três câmaras abrigam deuses estreitamente ligados a Shiva. O sábio Agastya, um mestre venerado em Java como aquele que trouxe o culto a Shiva, está de pé na câmara sul. Ganesha, de cabeça de elefante, filho de Shiva e removedor de obstáculos, senta-se na câmara oeste. Na câmara norte está a deusa Durga matando o demônio-búfalo (Durga Mahishasuramardini). É essa estátua de Durga que a tradição local identifica com a princesa Rara Jonggrang, por isso a câmara norte às vezes é chamada de templo de Rara Jonggrang.

Os templos de Vishnu e Brahma têm cada um cerca de 33 metros de altura, com uma única câmara contendo uma estátua de seu respectivo deus. Entre os templos das vahana, apenas o voltado para Shiva ainda contém seu animal: uma grande estátua do touro Nandi, acompanhada de estátuas do deus-sol Surya e do deus-lua Chandra sobre carruagens. Os templos de Garuda e Hamsa estão vazios hoje.

As paredes externas dos templos são decoradas com um motivo repetido que os estudiosos chamam de “painel de Prambanan”: um leão em um pequeno nicho, emoldurado de cada lado por uma árvore que realiza desejos (kalpataru) ladeada por pares de animais ou seres celestiais. Esse padrão alegre e ordenado, repetido muitas vezes, dá às paredes inferiores seu ritmo característico.

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Intermediário

Histórias em pedra: os relevos do Ramayana e de Krishna

No lado interno das balaustradas que margeiam as galerias dos três templos principais corre uma série contínua de relevos narrativos. No templo de Shiva, prosseguindo no de Brahma, eles contam o Ramayana: o exílio do príncipe Rama, o rapto de sua esposa Sita por Ravana, rei de Lanka, a busca por ela com a ajuda do exército de macacos de Hanuman e Sugriva, e a guerra que se segue. No templo de Vishnu, os painéis contam histórias de Krishna, outra forma de Vishnu, relacionadas à tradição do Bhagavata Purana.

Os relevos são lidos da esquerda para a direita enquanto o visitante caminha em sentido horário. Estão repletos de detalhes vivos da vida cotidiana: casas sobre estacas, animais, músicos e cenas de corte, que historiadores da arte têm usado como evidência da cultura material de Java no século IX. Em contraste com as figuras calmas e idealizadas dos relevos budistas de Borobudur, os painéis de Prambanan costumam ser elogiados por seu movimento dramático e composições repletas de figuras.

O Ramayana de Prambanan não segue exatamente o épico sânscrito de Valmiki. Estudiosos compararam seus episódios com o Kakawin Ramayana em javanês antigo, um longo poema em métricas derivadas do sânscrito provavelmente composto no mesmo período, entre meados do século IX e o início do X. Alguns detalhes dos relevos parecem mais próximos de outras versões indianas ou locais, e a relação exata entre as esculturas e os textos escritos continua sendo objeto de pesquisa.

As paredes internas, em frente aos painéis narrativos, trazem figuras dos deuses guardiões das direções (lokapala) no templo de Shiva, sábios associados aos Vedas no templo de Brahma, e divindades masculinas ladeadas por dançarinas celestiais (apsara) no templo de Vishnu. Juntos, a narrativa de um lado e a companhia divina do outro transformam a caminhada ao redor do templo em uma jornada pela história sagrada.

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Intermediário

Como foi construído: pedra, água e trabalho real

Como outros templos clássicos do centro de Java, Prambanan foi construído com blocos de rocha vulcânica (andesito) cortados sob medida e encaixados uns aos outros, com a escultura feita depois de os blocos já estarem no lugar. A paisagem vulcânica que fornecia a pedra também ameaçava as construções: o Merapi, a cerca de 25 km ao norte, enviava repetidamente fluxos de lama vulcânica (lahar), e terremotos são frequentes na região.

A inscrição de Shivagrha registra uma notável obra de engenharia realizada quando o templo foi concluído: o curso de um rio foi alterado para que passasse a correr ao longo do terreno do templo. Historiadores o identificam com o rio Opak, que hoje corre em linha reta de norte a sul pelo lado oeste do complexo. O antigo leito sinuoso parece ter sido aterrado e nivelado para abrir espaço às fileiras de pequenos santuários, e o novo curso talvez também tenha tido o objetivo de proteger o sítio de enchentes e detritos vulcânicos.

A mesma inscrição fala do trabalho de muitas pessoas, incluindo “gente simples”, e de agrimensores trabalhando “às centenas”. Os pequenos santuários pervara, todos de desenho idêntico, podem ter sido oferecidos por senhores e nobres regionais como sinal de lealdade ao rei; essa é uma interpretação entre várias. Pequenas inscrições pintadas encontradas no monumento, incluindo uma com o nome “Pikatan” em um remate da balaustrada do templo de Shiva, oferecem raros vislumbres do processo de construção.

Sob o centro do templo de Shiva, os restauradores encontraram um poço de 5,75 metros de profundidade contendo uma urna de pedra (pripih) colocada sobre carvão, terra e ossos de animais queimados. A urna continha lâminas de cobre, moedas, joias, pedaços de folha de ouro e prata, conchas e pequenas placas de ouro recortadas em formas como uma tartaruga, uma serpente (naga) e um lótus, algumas com nomes de deuses como Varuna e Parvata inscritos. Esses depósitos de fundação tinham o propósito de consagrar o terreno e conferir ao edifício seu poder sagrado.

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Intermediário

Quem construiu? O reino de Mataram no século IX

Prambanan foi construído pelos governantes do reino que os historiadores chamam de Mataram ou Medang, que dominou o centro de Java a partir do século VIII. No final do século VIII e início do IX, seus reis, da linhagem Shailendra, foram grandes patrocinadores do budismo mahayana: construíram Sewu (cujo nome original era provavelmente Manjusrigrha, inaugurado em 792), Borobudur e muitos outros monumentos budistas na mesma planície e no vale de Kedu, a oeste.

A mudança para a construção monumental hindu é associada a Rakai Pikatan (nome pessoal dyah Saladu), um rei shaivita que reinou de cerca de 847 até depois de 856 e que se casou com Pramodhawardhani, a filha budista do rei Shailendra Samaratungga. A inscrição de Shivagrha, de 856, descreve um rei que era shaivita “em contraste com a rainha”, uma guerra de sucessão em que um inimigo se refugiou em uma fortaleza de pedras empilhadas, e a passagem do trono a Dyah Lokapala, sob quem o santuário de Shiva foi inaugurado.

Reis posteriores, sobretudo Balitung (reinou por volta de 899–911), e depois dele Daksa e Tulodong, ampliaram o complexo, principalmente acrescentando as fileiras de pequenos santuários. Por várias décadas, Prambanan foi o templo real do reino, onde se realizavam as grandes cerimônias de Estado, e a própria corte provavelmente ficava em algum ponto da planície de Prambanan.

Prambanan não substituiu o budismo. As grandes fundações budistas próximas continuaram em uso, e Sewu parece ter sido ampliado no mesmo período. A justaposição de monumentos hindus e budistas a apenas algumas centenas de metros de distância é uma das características mais marcantes da planície de Prambanan, e é a base da descrição da UNESCO do sítio como evidência de coexistência religiosa.

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Intermediário

Significado religioso: a montanha de Shiva e o rei divinizado

Prambanan pertence à tradição shaivita do hinduísmo, na qual Shiva é adorado como deus supremo e a Trimurti como seus três aspectos. A inscrição de Shivagrha descreve a morada do deus, seus portões e guardiões, uma árvore sagrada a leste “onde o deus desceria”, e muitos edifícios menores que serviam de eremitérios. Também registra que arrozais foram destinados ao templo como uma doação isenta de impostos (sima), para que o culto diário pudesse continuar “para sempre”.

Nos templos javaneses, como nos indianos, a torre principal é uma imagem do Monte Meru, e a câmara interna escura (garbhagriha, “casa-ventre”) é o lugar onde o divino se torna presente na estátua. O fiel avança dos pátios externos, abertos e movimentados, em direção a esse centro concentrado, passando por uma sequência de espaços cada vez mais sagrados.

Alguns arqueólogos sugeriram que a grande estátua de Shiva também pretendia representar um rei, talvez Balitung, em forma divinizada, seguindo a ideia difundida no Sudeste Asiático de que um governante poderia se unir a um deus após a morte. Outros são cautelosos, pois nenhuma inscrição na estátua afirma isso. O que é claro é que o templo ligava o poder real à ordem divina: o rei que construiu a casa de Shiva se apresentava como o protetor do mundo que o templo modelava.

Prambanan também é um sítio religioso vivo. Desde a reconstrução dos templos principais, comunidades hindus de Java e Bali, que hoje formam uma minoria na Indonésia majoritariamente muçulmana, voltaram a realizar ali grandes cerimônias, como rituais ligados ao Nyepi, o dia balinês do silêncio, e vigílias noturnas para o Shivaratri. Em novembro de 2019 foi realizada uma grande cerimônia de consagração (abhisheka) para purificar o templo, marcando seu retorno como um lugar de culto, e não apenas um monumento.

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Intermediário

Abandono, colapso e a lenda de Rara Jonggrang

Por volta de 929, o centro do reino de Mataram se deslocou do centro para o leste de Java sob Mpu Sindok. O motivo ainda é debatido: erupções vulcânicas, epidemias, conflitos políticos, a ameaça do reino sumatrano de Srivijaya e a atração econômica do vale do rio Brantas, com seu acesso ao mar e ao comércio de especiarias, já foram todos propostos. Depois dessa mudança, Prambanan perdeu o apoio real e aos poucos caiu em desuso.

Sem manutenção, os templos ficaram expostos a terremotos e à atividade vulcânica. Acredita-se que um grande terremoto do século XVI tenha derrubado boa parte do complexo, deixando as torres como montes de pedra tomados pela vegetação. Ainda assim, as ruínas nunca foram totalmente esquecidas pelas pessoas que viviam ao redor.

Sem saber quem as havia construído, a população local explicava os templos por meio da lenda de Rara Jonggrang. Na história, o príncipe Bandung Bondowoso mata o rei Boko e exige se casar com sua filha, a esguia donzela Rara Jonggrang. Ela impõe a condição impossível de mil templos em uma noite. Quando ele termina 999 com a ajuda de espíritos, ela manda as mulheres da aldeia socar arroz e acender fogo a leste para que os galos cantem como se o amanhecer tivesse chegado; os espíritos fogem, e o príncipe furioso a transforma na milésima estátua, a imagem de Durga no templo de Shiva. Os templos inacabados se tornaram Sewu (“mil”), e o palácio do rei Boko é identificado com o sítio no topo da colina de Ratu Boko, ao sul.

A lenda não é história, mas é historicamente interessante. Ela liga vários monumentos reais da planície em uma única narrativa, e talvez tenha ajudado a proteger as ruínas: os aldeões relutavam em retirar pedras de templos que se acreditava serem obra de espíritos.

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Intermediário

Redescoberta e um século de reconstrução

O primeiro relato europeu das ruínas vem de Cornelis Antonie Lons, funcionário da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), que visitou o local em 1733 e descreveu “templos bramânicos” semelhantes a uma montanha de pedras. Após a divisão do Sultanato javanês de Mataram em 1755, as ruínas e o rio Opak foram usados para marcar a fronteira entre Yogyakarta e Surakarta, uma linha que ainda hoje forma a divisa provincial.

No início do século XIX, o sítio despertou o interesse colonial. Em 1805, o funcionário holandês Nicolaus Engelhard mandou limpá-lo, medi-lo e desenhá-lo pelo engenheiro H. C. Cornelius, e em 1811, durante a breve ocupação britânica de Java, o agrimensor Colin Mackenzie visitou as ruínas a serviço de Thomas Stamford Raffles. Mas, na maior parte do século, o sítio foi negligenciado: esculturas foram levadas como ornamentos de jardim, aldeões reaproveitaram as pedras, e escavações mal controladas na década de 1880 favoreceram a pilhagem.

A reconstrução sistemática começou sob o Serviço Arqueológico das Índias Orientais Holandesas em 1918, com uma restauração adequada a partir de 1930. Foi interrompida pela Segunda Guerra Mundial e pela Revolução Nacional Indonésia, e retomada em 1949. O templo de Shiva foi concluído em 1953 e inaugurado pelo presidente Sukarno. O templo de Brahma seguiu-se em 1978–87, o de Vishnu em 1982–91 e os templos das vahana até 1993, quando o presidente Suharto inaugurou o pátio central concluído.

Os pequenos santuários pervara são uma tarefa muito mais lenta. Apenas um punhado dos 224 foi reconstruído, no período colonial e nas últimas décadas; uma única restauração leva muitos meses, e nesse ritmo concluir todos levaria um tempo muito longo. A maioria deles hoje só pode ser vista como fundações e pilhas de pedras numeradas.

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Intermediário

Prambanan hoje: dança, desastres e gestão do patrimônio

Desde a década de 1960, o Ramayana é encenado como um drama dançado em um palco ao ar livre a oeste dos templos, do outro lado do rio Opak, com as torres iluminadas como cenário. As apresentações se baseiam nas tradições de dança de corte javanesas e se tornaram um dos eventos culturais mais conhecidos da Indonésia, trazendo de volta à vida, para o público moderno, as histórias contadas nos relevos.

O sítio já foi danificado repetidas vezes por desastres naturais. O terremoto de 27 de maio de 2006 perto de Yogyakarta deixou os templos principais de pé, mas espalhou pedras esculpidas pelo chão, e o complexo foi fechado para avaliação. Cinzas da erupção do Kelud, em Java Oriental, forçaram um fechamento temporário em 2014. A UNESCO observa que terremotos e erupções continuam sendo as principais ameaças ao bem.

No início dos anos 1990, o governo indonésio removeu um mercado que havia surgido ao redor dos templos e criou um parque arqueológico. Uma empresa estatal administra o turismo em Borobudur, Prambanan e Ratu Boko, enquanto órgãos governamentais de patrimônio são responsáveis pela conservação. Prambanan é um dos monumentos mais visitados da Indonésia, recebendo centenas de milhares de visitantes nacionais e estrangeiros por ano.

Autoridades de patrimônio também propuseram tratar toda a planície de Prambanan, incluindo Sewu, Plaosan, Kalasan, Sari, Ratu Boko e outros sítios, como uma paisagem-santuário protegida, limitando construções modernas altas. Isso reflete uma compreensão mais ampla de que Prambanan não pode ser entendido isoladamente: era um monumento em uma densa paisagem sagrada e real.

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Avançado

Debates: dinastias, datas e o que a inscrição realmente descreve

A identificação de Prambanan com o Śiwagṛha da inscrição de 856 se apoia na correspondência estreita entre o texto e o sítio: um santuário de Shiva com portões, muitos pequenos templos de tamanho igual e um rio desviado ao longo do terreno. A inscrição, hoje no Museu Nacional em Jacarta, foi traduzida por J. G. de Casparis nos anos 1950; suas cinco primeiras estrofes são ilegíveis, e muitas leituras no restante são marcadas como incertas. A identificação é aceita pela maioria dos estudiosos, mas o estado fragmentário do texto faz com que detalhes, como quem lutou contra quem na guerra de sucessão, permaneçam em aberto.

Um debate antigo diz respeito às dinastias do centro de Java. A teoria da “dupla dinastia”, associada a F. D. K. Bosch e a de Casparis, sustentava que uma dinastia hindu Sanjaya e uma dinastia budista Shailendra disputavam o poder, e que Prambanan era uma resposta hindu a Borobudur. Estudiosos que seguiram Poerbatjaraka defenderam, em vez disso, uma única casa real cujos membros mudavam de filiação religiosa. O inimigo mencionado na inscrição de Shivagrha foi tradicionalmente identificado como o príncipe Shailendra Balaputra, que mais tarde governou em Srivijaya; interpretações mais recentes propõem Rakai Walaing pu Kumbhayoni, um senhor local que reivindicava ascendência real. A forma como essas questões são respondidas determina se Prambanan é lido como um monumento de rivalidade dinástica ou de continuidade.

A datação do complexo também se dá em camadas. O núcleo pode ter sido iniciado sob Pikatan nas décadas de 840–850 e inaugurado em 856, mas as fileiras de pervara e outros acréscimos pertencem aos reinados de reis posteriores, até o início do século X. Os próprios textos da UNESCO falam, ora dos séculos VIII, IX e X, porque o bem listado mistura fundações budistas do século VIII com o complexo hindu do século IX. As fases precisas de construção continuam sendo refinadas por estudos arquitetônicos.

As interpretações das fileiras de pervara ilustram com que facilidade suposições modernas entram na discussão. Uma explicação popular sustenta que as quatro fileiras correspondiam às quatro classes sociais (varna), com os sacerdotes mais próximos do centro; outra as vê como presentes de senhores subordinados; outras, simplesmente como lugares de meditação e culto. Nenhuma dessas hipóteses é confirmada por inscrição alguma, e os especialistas as tratam como conjecturas, não como fatos.

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Avançado

Anastilose e autenticidade: reconstruindo uma ruína

Prambanan tem sido um campo de testes para o método da anastilose, a reconstrução de um edifício em ruínas usando suas pedras originais em suas posições originais. As autoridades indonésias adotaram a regra de que um santuário só deve ser reconstruído se pelo menos cerca de 75% de sua alvenaria original sobreviver; onde faltam pedras, novos blocos podem ser inseridos, mas o objetivo é evitar inventar formas para as quais não há evidência.

Essa abordagem cautelosa explica por que tantos pequenos santuários permanecem em ruínas: um grande número de pedras foi retirado ao longo dos séculos e reaproveitado em aldeias, estradas e construções, e muitas não podem ser localizadas. Também explica o longo prazo do trabalho, que envolve identificar, numerar e testar o encaixe de milhares de blocos.

A declaração de autenticidade da UNESCO observa que a restauração desde 1918 combinou o encaixe tradicional de pedras com métodos modernos, incluindo concreto para reforçar as estruturas, e que grande cuidado foi tomado para preservar a autenticidade, inclusive depois do terremoto de 2006. Especialistas em patrimônio continuam discutindo o equilíbrio entre a segurança estrutural em uma zona sísmica e a fidelidade à construção original, um debate familiar de outros grandes monumentos asiáticos, como Borobudur e Angkor.

Para os historiadores, o próprio registro da restauração é uma fonte histórica. Fotografias, desenhos e relatórios do período colonial, parcialmente danificados ou perdidos durante a Segunda Guerra Mundial, e o trabalho indonésio desde 1949 documentam não apenas o que Prambanan era, mas como gerações sucessivas, coloniais e nacionais, escolheram apresentá-lo. Os ensaios reunidos por Roy Jordaan em In Praise of Prambanan tornam acessível a erudição holandesa mais antiga e mostram como as interpretações do sítio se desenvolveram junto com sua reconstrução.

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Ideias principais

Trimurti
O agrupamento de Brahma, Vishnu e Shiva como criador, preservador e destruidor; as três torres principais de Prambanan o encarnam, com Shiva como supremo.
Templo como montanha cósmica
Cada torre representa o Monte Meru, morada dos deuses, e toda a planta modela o universo hindu.
Três reinos
Pátios externo, médio e interno (e base, corpo e telhado de cada templo) representam os mundos dos mortais, dos seres santos e dos deuses.
Relevos narrativos e pradakshina
As histórias do Ramayana e de Krishna são lidas caminhando em sentido horário ao redor dos templos, tornando a narrativa parte do ritual.
Shivaísmo real
Os reis de Mataram ligaram sua autoridade a Shiva; o templo era o santuário de Estado do reino.
Coexistência religiosa
O Prambanan hindu fica ao lado do budista Sewu e de outros templos da mesma planície, construídos e usados na mesma época.
Anastilose
Reconstrução com pedras originais em seus lugares originais, o método que rege a lenta reconstrução de Prambanan.

Registros

  1. 792 d.C. — A inscrição de Manjusrigrha registra o complexo de templos budistas hoje chamado Sewu, cerca de 800 m ao norte de Prambanan.
  2. c. 847 d.C. — Rakai Pikatan, um rei shaivita casado com a princesa budista Pramodhawardhani, inicia seu reinado; o trabalho em Prambanan é associado a ele.
  3. 856 d.C. — Segundo a inscrição de Shivagrha, o santuário de Shiva é inaugurado sob Dyah Lokapala em 12 de novembro, e o rio é desviado.
  4. c. 900 d.C. — O rei Balitung e seus sucessores ampliam o complexo com fileiras de pequenos santuários.
  5. c. 929 d.C. — Mpu Sindok transfere o centro real para Java Oriental; Prambanan aos poucos cai em desuso.
  6. c. 1550 — Acredita-se que um grande terremoto do século XVI tenha derrubado boa parte do complexo.
  7. 1733 — O funcionário da VOC Cornelis Antonie Lons escreve a primeira descrição europeia conhecida das ruínas.
  8. 1805 — Nicolaus Engelhard manda limpar o sítio e desenhá-lo pelo engenheiro H. C. Cornelius.
  9. 1918 — O Serviço Arqueológico colonial holandês inicia a reconstrução; a restauração sistemática segue a partir de 1930.
  10. 1953 — O templo de Shiva reconstruído é inaugurado pelo presidente Sukarno.
  11. 1991 — O Complexo de Templos de Prambanan é inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
  12. 2006 — O terremoto de Yogyakarta danifica os templos; o sítio é fechado temporariamente.

Glossário

Candi
Palavra indonésia para um antigo templo ou santuário hindu ou budista.
Shiva
Um dos principais deuses hindus, adorado no shivaísmo como divindade suprema; associado à destruição e à renovação.
Vahana
A montaria animal de um deus hindu, como o touro Nandi de Shiva ou o Garuda de Vishnu.
Pervara (perwara)
Pequenos santuários auxiliares que cercam um templo principal; Prambanan tinha originalmente 224.
Garbhagriha
O santuário interno de um templo hindu, onde fica guardada a imagem principal.
Ratna
O remate em forma de joia que corona os templos hindus javaneses, equivalente ao remate da stupa budista.
Pradakshina
Caminhar em sentido horário ao redor de um objeto ou edifício sagrado, mantendo-o à direita.
Ramayana
Épico hindu do príncipe Rama, o rapto de Sita e seu resgate; narrado nos relevos de Prambanan.
Sima
Na Java antiga, terra concedida sem impostos para sustentar uma fundação religiosa.
Lahar
Um fluxo de lama formado por detritos vulcânicos e água, um perigo recorrente do Monte Merapi.
Anastilose
Um método de restauração que remonta uma estrutura em ruínas a partir de suas peças originais.

Perguntas e respostas

Prambanan é hindu ou budista?

Prambanan em si é hindu, dedicado principalmente a Shiva. Mas a área protegida do Patrimônio Mundial também inclui templos budistas, como Sewu, construído nas proximidades no mesmo período.

Qual é a idade de Prambanan?

Cerca de 1.150 anos. Seu templo principal de Shiva foi inaugurado em 856 d.C., segundo uma inscrição, e o complexo foi ampliado até o início do século X.

Alguém realmente construiu mil templos em uma noite?

Não. Essa é a lenda de Rara Jonggrang, contada pela população local para explicar as ruínas. Os templos foram construídos ao longo de décadas pelos reis de Mataram.

Por que as pessoas deixaram de usar Prambanan?

No século X, a corte real se mudou para Java Oriental, provavelmente por uma combinação de razões econômicas, políticas e naturais, e o templo perdeu seu apoio real. Terremotos posteriores derrubaram muitas construções.

Prambanan ainda é um lugar de culto?

Sim. Comunidades hindus de Java e Bali realizam cerimônias ali, e um importante ritual de consagração foi celebrado em 2019.

Por que a maioria dos pequenos santuários ainda está em ruínas?

Muitas pedras foram levadas ao longo dos séculos. Os restauradores só reconstroem um santuário quando é possível localizar a maior parte de suas pedras originais, por isso o progresso é lento.

A identificação de Prambanan com o Śiwagṛha da inscrição de 856 é certa?

É amplamente aceita porque a descrição da inscrição, incluindo um rio desviado e muitos santuários iguais, corresponde de perto ao sítio, mas o texto está danificado e alguns detalhes de sua narrativa histórica continuam disputados.

Fontes e leituras adicionais

  1. Prambanan Temple Compounds. UNESCO World Heritage Centre
  2. Prambanan. Wikipedia
  3. Shivagrha inscription. Wikipedia
  4. Sewu. Wikipedia
  5. Rakai Pikatan. Wikipedia
  6. Mataram kingdom. Wikipedia
  7. Kakawin Ramayana. Wikipedia
  8. Jacques Dumarçay (ed. and trans. Michael Smithies), The Temples of Java. Oxford University Press
  9. Roy E. Jordaan (ed.), In Praise of Prambanan: Dutch Essays on the Loro Jonggrang Temple Complex. KITLV Press, 1996

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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