História

Inscrição em Placa de Cobre de Laguna

Texto em malaio antigo em escrita kawi; datado de Śaka 822 (21 de abril de 900 d.C., calendário juliano)

900 d.C. · Rio Lumbang, perto de Lumban, Laguna de Bay, Luzon (local do achado); o texto cita Tundun (Tondo)

Escrito por IA · verificado por IA

Escrito pelo Claude e verificado de forma independente pelo Codex (gpt-6.1-sol) com fontes públicas: fatos, datas, citações e as versões em inglês e coreano. Não foi revisado por um especialista humano. Última verificação por IA: 2026-10-03. Problemas encontrados e corrigidos: 10.

Em uma frase

A Inscrição em Placa de Cobre de Laguna é uma fina placa de cobre, encontrada no fim da década de 1980 num rio perto de Lumban, em Laguna, que registra a quitação de uma dívida em ouro em 21 de abril de 900 d.C. (calendário juliano) e é o documento escrito datado mais antigo que se conhece das Filipinas.

Inscrição em Placa de Cobre de Laguna
Imagem: Nordenx · Public domain · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

  • Fácil
  • Intermediário
  • Avançado

Para jovens leitores

Imagine uma placa de cobre mais ou menos do tamanho de um caderno escolar e fina como uma moeda. Num dos lados, alguém gravou no metal dez linhas de letrinhas minúsculas. Mais de mil anos depois, um trabalhador que tirava areia de um rio nas Filipinas a encontrou toda amassada no meio da lama.

As letras eram uma espécie de recibo. Elas dizem que uma família não devia mais uma grande quantidade de ouro. Até avisam qualquer pessoa que pudesse aparecer depois dizendo que a dívida ainda não tinha sido paga. Como foi escrito em metal, e não em folhas ou papel, o registro durou mais de mil anos.

A placa conta até o dia exato em que foi escrita: uma segunda-feira de abril do ano 900. Isso faz dela o texto com data mais antigo que já se encontrou nas Filipinas.

Antes de ela aparecer, muitos livros de história começavam a história escrita das Filipinas em 1521, quando marinheiros da Europa chegaram e escreveram sobre as ilhas. Essa pequena placa mostrou que as pessoas em volta da baía de Manila já usavam a escrita, pesos para o ouro e acordos escritos mais de 600 anos antes.

Hoje a placa está guardada no Museu Nacional das Filipinas, em Manila, e foi declarada Tesouro Cultural Nacional, um dos objetos mais preciosos do país.

Em resumo

O que é
Um documento de quitação de dívida gravado numa única placa fina de cobre; provavelmente a primeira placa de um conjunto de duas
Data
Ano Śaka 822, mês de Vaiśākha, quarto dia da lua minguante, uma segunda-feira = 21 de abril de 900 d.C. (calendário juliano)
Achado
Rio Lumbang, perto de Lumban, Laguna, Luzon, durante a dragagem de areia; Postma datou o achado de por volta de 1987, outros relatos indicam 1986 ou 1989
Tamanho
Cerca de 17,5 × 30,5 cm e aproximadamente 1 mm de espessura, com dez linhas de texto num dos lados
Escrita
Kawi antigo (muitas vezes chamado de escrita javanesa antiga), uma escrita índica usada em Java e além por volta de 900
Língua
Malaio antigo, com muitos termos sânscritos e palavras do javanês antigo; alguns estudiosos também veem elementos de tagalo antigo
Primeira decifração
Antoon Postma, publicada em 1991–92
Onde está
Museu Nacional das Filipinas, Manila; Tesouro Cultural Nacional (declarado em 2010)

Fácil

O que é a Inscrição em Placa de Cobre de Laguna?

A Inscrição em Placa de Cobre de Laguna, muitas vezes abreviada como LCI (sigla do nome em inglês), é uma placa de cobre com dez linhas de escrita gravadas num dos lados. O texto é uma nota oficial dizendo que uma dívida em ouro foi quitada. Ele nomeia as pessoas envolvidas, os funcionários que aprovaram a quitação e os lugares aos quais esses funcionários estavam ligados, e termina com uma advertência contra qualquer um que viesse a alegar depois que a dívida ainda não tinha sido paga.

O que torna a placa tão importante é a sua data. A primeira linha indica um dia preciso do calendário indiano Śaka, que os estudiosos converteram para segunda-feira, 21 de abril de 900 d.C., no calendário juliano. Nenhum documento datado mais antigo foi encontrado nas Filipinas. Por isso a placa é muitas vezes chamada de primeira página da história escrita das Filipinas.

O nome “Inscrição em Placa de Cobre de Laguna” é moderno. Foi dado por Antoon Postma, o estudioso que leu o texto pela primeira vez, porque a placa foi recuperada às margens da Laguna de Bay, o grande lago logo a sudeste de Manila. O documento original não se dá esse nome; ele se chama de viśuddhapātra, termo sânscrito que significa mais ou menos “carta de quitação”.

[1][2][6]

Fácil

Uma fina placa de cobre: o objeto e como foi encontrado

A placa mede cerca de 17,5 por 30,5 centímetros e tem apenas cerca de um milímetro de espessura. É tão fina que as letras gravadas na frente aparecem em relevo no verso. Postma, o primeiro a estudá-la, descreveu-a como um quadrado de uns 20 centímetros de lado; as medidas mais exatas vêm de um exame direto posterior feito pelos epigrafistas Elsa Clavé e Arlo Griffiths. Quando foi encontrada, estava amassada e enegrecida. Desde então foi achatada, mas os vincos ainda são visíveis.

A placa não veio de uma escavação planejada. Foi recolhida por uma esteira transportadora mecânica durante a dragagem de areia e cascalho no rio Lumbang, que deságua na Laguna de Bay perto da cidade de Lumban. Postma, depois de conversar com moradores, concluiu que ela tinha sido recuperada por volta de 1987; Clavé e Griffiths escrevem “por volta de 1986”, e alguns relatos posteriores indicam 1989. Em janeiro de 1990, depois de tentativas fracassadas de vendê-la no mercado de antiguidades, ela foi oferecida ao Museu Nacional, em Manila, que a adquiriu e a registrou com o número de tombo 1990-B-1.

O texto para no meio de uma frase no fim da linha dez. Por isso os estudiosos acham que a placa era a primeira de pelo menos duas. Postma ouviu de testemunhas locais que uma segunda placa inscrita talvez tenha sido vista mais ou menos na mesma época, mas, se ela existiu, perdeu-se.

Hoje a placa está exposta no Museu Nacional de Antropologia, em Manila, numa galeria dedicada às escritas antigas e tradicionais das Filipinas. É um dos objetos arqueológicos declarados Tesouros Culturais Nacionais pelo Museu Nacional em 2010.

[1][2][5][7]

Fácil

As letras e a língua

O texto da placa usa um sistema de escrita que os estudiosos chamam de kawi antigo ou, às vezes, de escrita javanesa antiga. O kawi pertence à grande família de escritas índicas que descendem do brahmi, o antigo sistema de escrita do Sul da Ásia. No kawi, cada letra básica representa uma consoante com uma vogal embutida, e pequenos sinais acima, abaixo ou ao lado da letra mudam a vogal. Por volta de 900, o mesmo estilo de kawi era usado numa área extensa, sobretudo em Java, e as letras da placa de Laguna são praticamente idênticas às dos documentos javaneses da época.

A língua, porém, não é o javanês. Postma a identificou como malaio antigo, uma forma inicial da língua que mais tarde se tornou o malaio e o indonésio modernos. As inscrições em malaio antigo mais antigas que sobreviveram e têm data segura são da década de 680, sob o reino de Srivijaya, no sul de Sumatra, e a língua depois também foi usada em algumas inscrições em Java. A placa de Laguna é o único documento em malaio antigo conhecido nas Filipinas, e a única placa de cobre conhecida em qualquer lugar cuja língua principal é o malaio antigo.

Misturadas ao malaio antigo há muitas palavras emprestadas. O sânscrito fornece a fórmula de data do início e termos jurídicos, como a palavra para o documento de quitação e kāyastha, “escriba”. O javanês antigo fornece títulos como pamgat, “funcionário”. Postma também apontou palavras que correspondem ao tagalo antigo, a língua falada em torno de Manila quando os espanhóis chegaram, como dayang, para uma mulher de posição, e lappas, para uma dívida quitada. Ainda se discute quanto do texto é realmente tagalo, como explica a seção sobre as diferentes perspectivas.

[1][2][9][11]

Intermediário

Antoon Postma e a decifração

Antoon Postma (1929–2016) foi um missionário e antropólogo holandês que viveu cerca de meio século entre o povo mangyan de Mindoro e era conhecido por seus trabalhos sobre a escrita hanunó’o desse povo. Ao ver a placa, seu primeiro pensamento foi que ela devia vir da Indonésia, já que nada parecido tinha sido encontrado nas Filipinas. Ele também sabia de “documentos antigos” falsificados que já tinham sido celebrados como tesouros nacionais; por isso, provar a autenticidade foi sua primeira tarefa.

Trabalhando a partir de seu próprio decalque e depois de fotografias, Postma identificou a maioria das letras com a ajuda de tabelas do século XIX de escritas indonésias. Ele se correspondeu com o paleógrafo holandês J. G. de Casparis, grande especialista em inscrições indonésias, que esclareceu caracteres duvidosos e corrigiu a primeira leitura do ano feita por Postma, de Śaka 844 para Śaka 822. Especialistas da Indonésia e dos Países Baixos consideraram a placa autêntica, porque sua escrita correspondia a formas do século X e sua língua era gramaticalmente correta de maneiras que um falsificador moderno teria grande dificuldade em imitar.

Postma apresentou um trabalho preliminar no congresso da Indo-Pacific Prehistory Association em Yogyakarta, Java, em agosto de 1990. Depois publicou sua edição, tradução e comentário numa série de artigos com conteúdos parcialmente coincidentes em 1991 e 1992, dos quais o mais conhecido saiu na revista Philippine Studies em 1992. Ele teve o cuidado de chamar sua tradução de preliminar.

A edição de Postma continua sendo o ponto de partida de todos os trabalhos posteriores. Em 2022, Clavé e Griffiths, especialistas em inscrições em malaio antigo e javanês antigo, publicaram uma nova edição baseada num exame direto da placa em Manila, em 2012. Elogiaram o trabalho de Postma como confiável de modo geral, mas corrigiram várias leituras e divisões de palavras, e suas mudanças alteram o sentido de vários trechos-chave.

[1][2][6]

Intermediário

O que diz o documento

O texto começa com a palavra svasti, “salve”, seguida da data: o ano 822 da era Śaka, já transcorrido, o mês de Vaiśākha, o quarto dia da quinzena minguante da lua, uma segunda-feira. Em seguida declara que naquele dia foi concedido um documento de quitação relativo à família de um homem com o título honorífico de dang hwan, chamado Namwaran (escrito Namwran na placa).

A quitação foi emitida por um funcionário (sang pamgat) que tinha o título militar de senāpati, “comandante”, num lugar chamado Tundun. As duas edições principais discordam sobre quem era ele. Postma leu o trecho como o comandante de Tundun agindo em nome de uma segunda pessoa, o chefe de Pailah, chamado Jayadewa. Clavé e Griffiths o leem como uma única pessoa: o comandante em Tundun que também tinha o título de nāyaka tuhān de Pailah, chamado ou intitulado Jayadewa. A dívida é declarada como 1 kāti e 8 suwarna de ouro. Um escriba (kāyastha) participou, e três chefes com o título de nāyaka tuhān são citados como testemunhas (Postma os entendeu como testemunhas da quitação; Clavé e Griffiths acham mais provável que tenham testemunhado o empréstimo original, embora admitam as duas hipóteses): o chefe de Puliran, um chefe de Pailah intitulado Ganasakti e o chefe de Binwangan intitulado Bisruta. Postma entendeu a palavra Kasumuran, depois de Puliran, como o nome desse chefe, embora não tivesse certeza de que não fosse um lugar; Tiongson e depois Clavé e Griffiths leem “Puliran Kasumuran” como um topônimo, o que deixa o chefe sem nome.

A segunda metade explica como a dívida foi quitada e em favor de quem. Postma entendeu que o credor era o chefe de Dewata, agindo em nome do chefe de Mdang. Clavé e Griffiths leem um único credor, “o funcionário da divindade” (sang pamgat dewata), que tinha o título de “funcionário de Mdang”. Por causa dos serviços leais, todos os filhos e netos de Namwaran são declarados livres da dívida dele. A última linha começa uma advertência contra qualquer um que no futuro alegue que a dívida não foi quitada, e se interrompe, presumivelmente continuando em outra placa.

Vários detalhes são lidos de modo diferente pelas duas edições principais. Postma entendeu dayang Angkatan como uma mulher nobre chamada Angkatan, que recebeu o documento junto com seu parente Bukah. Clavé e Griffiths leem as mesmas palavras como “uma serva que tinha sido transferida” em servidão por dívida, sendo Bukah o seu nome. Postma traduziu a dívida como “relacionada a salário”; Clavé e Griffiths sugerem uma dívida ligada a um exército, ou talvez um erro de gravação de uma expressão que significaria “dívida do pai”. Essas diferenças importam para entender a sociedade por trás do texto.

[1][2][6]

Intermediário

Um vislumbre da sociedade em torno da baía de Manila em 900

Mesmo sendo uma única página danificada, a placa revela uma sociedade com posições e títulos. As pessoas são apresentadas com honoríficos como dang hwan, sang pamgat e nāyaka tuhān, alguns dos quais também são conhecidos de inscrições javanesas e malaias. Três dos quatro nāyaka tuhān têm nomes ou títulos sânscritos (Jayadewa, Ganasakti, Bisruta), o que mostra que nomes de origem indiana tinham prestígio localmente. Postma observou que pamagat sobreviveu no tagalo como palavra para título e que a forma abreviada gat aparece em títulos e sobrenomes tagalos posteriores, como Gatmaitan. Clavé e Griffiths acham mais provável que o termo tenha entrado no malaio antigo a partir da língua administrativa javanesa.

O ouro é central no texto. A dívida é medida em kāti e suwarna, unidades de peso também usadas em Java, escritas de forma abreviada na placa. Os estudiosos as convertem de maneiras diferentes. Postma considerou que uma suwarna equivalia a 1/16 de um kāti, com um kāti de cerca de 617,6 gramas, e assim calculou a dívida em cerca de 926 gramas de ouro. Clavé e Griffiths usam valores atestados na Java antiga, um kāti de 750–768 gramas e uma suwarna de cerca de 38,6 gramas, o que dá aproximadamente de 1,06 a 1,08 quilo. De qualquer forma, era uma soma grande. Essas unidades provavelmente eram unidades de conta, e não moedas específicas, de modo que o ouro pode ter sido emprestado originalmente em várias formas; Clavé e Griffiths mencionam, como uma possibilidade, as pequenas peças de ouro em forma de conta que os colecionadores chamam de piloncitos, que circularam aproximadamente entre os séculos IX e XII e foram encontradas em torno da baía de Manila e em outras partes do arquipélago.

O documento também mostra que uma dívida podia prender uma família inteira. Postma o comparou com relatos espanhóis e dicionários tagalos dos séculos XVI e XVII, que descrevem juros pesados e devedores que, com seus descendentes, caíam em servidão, e os usou para argumentar que essas instituições tinham raízes profundas. Os seis séculos que separam a placa dessas fontes limitam até onde a comparação pode ir. Clavé e Griffiths leem a própria placa como a descrição de membros de uma família que tinham prestado serviços em condição de servidão e foram libertados por causa desses serviços. Em qualquer das leituras, a placa oferece o testemunho escrito mais antigo de servidão por dívida nas Filipinas.

Por fim, a placa mostra uma cultura jurídica que valorizava a prova escrita. Testemunhas, um escriba e um registro datado com precisão seguem um padrão de documentos conhecido em Java e Bali, e o termo para o documento de quitação vem de um vocabulário jurídico sânscrito que se espalhou pelo Sul e pelo Sudeste da Ásia. Clavé e Griffiths observam que o código sânscrito de Yājñavalkya, de por volta do século V, já recomendava que dívidas contraídas diante de testemunhas fossem pagas diante de testemunhas e que se redigisse um recibo.

[1][2][6][14]

Intermediário

Ligações com Java, Sumatra e o mundo de língua malaia

Quase tudo na forma da placa aponta para Java. Em Java e Bali sobrevivem centenas de placas de cobre ou bronze inscritas, a partir de aproximadamente o século IX, e a maioria registra concessões de terras isentas de impostos. Java também produziu, no mesmo período, documentos de quitação de dívidas e de vitórias em processos judiciais em placas de metal. A maneira como a placa de Laguna indica sua data (primeiro o mês, depois o dia e a quinzena) segue o padrão javanês, e não o padrão mais antigo do malaio antigo de Sumatra, embora deixe de fora as semanas de mercado javanesas de cinco e de seis dias. O nome Mdang (Medang) na placa é o de um centro real estreitamente associado aos reis de Mataram, em Java Central.

O ano 900 caiu no início do reinado do rei Balitung de Mataram (c. 898–910), cujo reinado produziu muitas cartas em placas de cobre, quase todas em javanês antigo. Postma ressaltou que a data não significa que a placa tenha vindo da corte de Balitung: ela não cita nenhum rei e não é uma carta real. Ainda assim, mostra que as pessoas em volta da baía de Manila estavam em contato com os hábitos documentais do Estado javanês mais poderoso da época.

A língua também aponta para Sumatra e para Srivijaya, onde o malaio antigo aparece por escrito pela primeira vez na década de 680, por exemplo na inscrição de Talang Tuwo, de 684. Por isso alguns autores sugeriram uma influência de Srivijaya em Luzon. Clavé e Griffiths defendem um quadro diferente: por volta de 900, o malaio tinha se tornado uma língua escrita amplamente compartilhada no Sudeste Asiático marítimo, assim como o latim ou o persa em outras regiões. O malaio antigo chegou a ser usado na própria Java antes de o javanês antigo se tornar ali a principal língua escrita, como mostra a inscrição de Mañjuśrīgṛha, de 792. Segundo essa visão, escrever em malaio com palavras javanesas em Luzon não exigia governantes javaneses ou sumatrenses, apenas uma cultura compartilhada e cosmopolita da escrita e do direito.

A placa coloca assim a região da baía de Manila dentro de uma rede de comércio e de ideias que ligava Luzon a Java, Sumatra, à península malaia e, mais longe, à Índia e à China. Sozinha, ela não mostra quem controlava essa rede. As cortes javanesas continuaram voltando sua atenção para outras regiões: mais de quatro séculos depois, o poema em javanês antigo Nagarakretagama (1365) listou dezenas de terras de todo o arquipélago como reconhecendo o reino de Majapahit, entre elas nomes que alguns estudiosos situam nas atuais Filipinas, alegações que os historiadores tratam com cautela.

[2][1][8][11][12][4][16]

Intermediário

Enquanto isso, no mundo

Em Java Central, o reino de Mataram (Medang) estava no auge. Durante o século IX, seus governantes tinham construído grandes templos, como o budista Borobudur e o hindu Prambanan. O rei Balitung, que começou a reinar cerca de dois anos antes de a placa de Laguna ser escrita, emitiu muitas cartas em placas de cobre em javanês antigo. Em 929, menos de trinta anos depois da placa, o centro do reino se deslocou para Java Oriental sob Mpu Sindok. Não se trata apenas de acontecimentos da mesma época: a placa de Laguna compartilha com esse mundo javanês sua escrita, seu suporte e parte do vocabulário, e cita Mdang.

Em Sumatra e em Java, o malaio antigo era escrito havia mais de dois séculos, desde as inscrições em pedra de Srivijaya da década de 680 até textos em malaio antigo erguidos em Java Central, como a inscrição de Mañjuśrīgṛha, de 792. A placa de Laguna é a única peça desse antigo registro em malaio antigo encontrada nas Filipinas, e mostra que a língua escrita tinha chegado a Luzon.

Na mesma época, documentos de quitação de dívidas eram emitidos em Java e Bali com um vocabulário aparentado, o de śuddha, “quitado”. Uma inscrição javanesa de 912, por exemplo, registra como um devedor pagou em ouro a dívida de um pai diante de cinco testemunhas de aldeias vizinhas, com o documento redigido por um senhor local. Comparar esses textos ajuda os estudiosos a interpretar as testemunhas e o escriba da placa de Laguna.

Um pouco mais tarde, registros chineses mostram o comércio marítimo com as ilhas crescendo. Um registro Song de 971 inclui um lugar chamado Ma-yi entre os países dos mares do sul, e em 982 comerciantes de Ma-yi levaram mercadorias à costa chinesa; no início do século XI, o porto de Butuan, em Mindanao, enviou missões à corte Song. Discute-se se Ma-yi ficava em Mindoro ou em torno da Laguna de Bay; portanto, esses registros não podem descrever diretamente a baía de Manila em 900, mas mostram o comércio regional mais amplo em que o mundo da placa estava se inserindo.

[8][2][11][12][13][15]

Intermediário

Reescrevendo o início da história das Filipinas

Durante boa parte do século XX, a linha divisória habitual entre pré-história e história nas Filipinas era 1521, quando Antonio Pigafetta manteve seu diário da expedição de Fernão de Magalhães. A arqueologia tinha mostrado presença humana nas ilhas por dezenas de milhares de anos, mas, sem documentos locais datados, a história escrita parecia começar com observadores europeus. Alguns historiadores ocidentais também descreviam as ilhas como culturalmente isoladas do resto da Ásia antes da chegada dos espanhóis.

A placa de Laguna empurrou essa linha para mais de seiscentos anos antes. Postma escreveu que as Filipinas podiam agora ocupar seu lugar no mapa do Sudeste Asiático do século X ao lado de Srivijaya, Mataram, Angkor e Champa, e relatou a opinião de De Casparis de que era uma das descobertas mais importantes dos últimos tempos. A placa mostrou que a escrita, os pesos padronizados de ouro, os procedimentos jurídicos formais e os funcionários com títulos já existiam em volta da baía de Manila muito antes de 1521.

Postma também pediu que indícios mais antigos sobre as ilhas, como os registros chineses de lugares de comércio, fossem reexaminados à luz da placa, e estudos posteriores fizeram isso: Clavé e Griffiths, por exemplo, leem a placa junto com os registros chineses de Ma-yi e Butuan e com achados antigos com escrita índica vindos de Butuan, em Mindanao. A própria placa tornou-se um símbolo do patrimônio nacional, exposta no Museu Nacional e declarada Tesouro Cultural Nacional.

Seu significado ainda é debatido. Alguns leitores enfatizam a continuidade com a sociedade tagala posterior; outros, o caráter malaio e javanês da placa. Clavé e Griffiths observam que a história da escrita entre a placa e as escritas baybayin registradas pelos espanhóis ainda não pode ser traçada de forma contínua; se o kawi é o ancestral direto do baybayin continua sendo uma questão em aberto. A placa é um único documento, e muito sobre as pessoas que a fizeram continua desconhecido.

[1][6][2][5][4][15]

Avançado

Diferentes perspectivas

Topônimos. Só uma identificação é aceita de modo geral: Tundun é Tondo, na margem norte do delta do rio Pasig, na atual Manila. Postma primeiro ligou Pailah a Pila e Puliran à região sudeste do lago de Laguna, mas depois concluiu que a placa os tratava como lugares distintos e transferiu todo o conjunto para o norte, para Bulacan: Pailah para o povoado de Paila, em Norzagaray; Puliran para a cidade de Pulilan, às margens do rio Angat; e Binwangan para Binuangan, em Obando, na foz do rio Bulacan. Jaime Tiongson e a Pila Historical Society Foundation (2013) levaram o contexto de volta para Laguna, identificando Pailah com Pila e Puliran com o antigo nome da Laguna de Bay e de suas margens; Clavé e Griffiths aceitam essas identificações em Laguna. Para Binwangan, as propostas incluem Binuangan, em Obando (Postma), Binawangan, em Capalonga, Camarines Norte (Tiongson), e Binangonan, em Rizal (o estudioso indonésio Kusen, 1991); Clavé e Griffiths deixam a questão em aberto.

Medang e Dewata. Mdang (Medang) é o nome de um centro real e ancestral dos reis de Mataram em Java Central, cuja localização exata também é desconhecida. Kusen o entendeu como uma referência direta a esse lugar javanês, e alguns historiadores veem a placa como um indício da influência de Mataram em Luzon. Postma sugeriu que colonos javaneses podem ter levado o nome para as Filipinas. Clavé e Griffiths argumentam que não é preciso pensar num lugar javanês: o nome pode ter sido transplantado mantendo seu vínculo com os ancestrais, ou sang pamgat Mdang pode ter se tornado um título para um sacerdote de um culto aos ancestrais. Da mesma forma, Postma, e depois dele o historiador E. P. Patanñe, ligaram Dewata a lugares chamados Diwata perto de Butuan, em Mindanao, enquanto Clavé e Griffiths leem dewata como “divindade” e sugerem que o credor era um funcionário de uma instituição religiosa dedicada a um ancestral divinizado.

Língua. A maioria dos especialistas, entre eles Postma e Clavé e Griffiths, classifica o texto como malaio antigo. Postma admitiu que algumas palavras podiam ser tagalo antigo. Tiongson (2013) foi além e defendeu que a língua era tagalo antigo lido por meio de dicionários do século XVII. Clavé e Griffiths rejeitam isso, apontando fórmulas fixas do malaio antigo no texto, e concluem que o tagalo antigo contribuiu pouco ou nada para sua língua. Eles ressaltam que isso não diz nada contra a cultura tagala: acham que o tagalo provavelmente ainda não era escrito, de modo que um registro jurídico foi feito na língua escrita compartilhada da região.

A organização política de Tondo. Relatos populares muitas vezes descrevem a placa como um decreto de um “Reino de Tondo”. O próprio texto cita um comandante (senāpati) em Tundun que emitiu a quitação e três chefes de outros lugares como testemunhas (não se sabe ao certo se do empréstimo original ou da quitação), mas não cita nenhum rei nem descreve nenhum Estado. Os historiadores das sociedades filipinas antigas geralmente preferem a palavra neutra “entidade política”, e alguns descrevem a organização política tagala como alianças descentralizadas de chefes, e não como um reino territorial. Clavé e Griffiths sugerem com cautela que Tundun pode ter sido um posto avançado de um centro comercial maior, talvez a Ma-yi das fontes chinesas, com alguma supervisão sobre os povoados vizinhos, e advertem que dizer mais ultrapassaria os indícios. A placa prova que Tondo existia em 900 como lugar com nome e com um funcionário de alta posição; não prova o tamanho nem o grau de centralização do seu poder.

[1][2][6][10][8][13]

Avançado

Indícios e método: data, autenticidade e procedência

A data é o fato mais seguro sobre a placa. Sua fórmula indica a era, o ano, o mês, a quinzena, o dia lunar e o dia da semana. Como todos esses dados precisam concordar, uma conversão errada normalmente produziria o dia da semana errado. Hector Santos (1996) calculou o equivalente juliano como segunda-feira, 21 de abril de 900, e Clavé e Griffiths chegaram ao mesmo resultado com dois programas astronômicos independentes. O texto também especifica que o ano Śaka é um ano transcorrido (atīta), um dos detalhes que uma conversão precisa levar em conta.

A autenticidade se apoia em indícios internos. A escrita corresponde ao kawi antigo padrão de cerca de 850–925, e a língua segue a ortografia e a gramática do malaio antigo em detalhes que um falsificador moderno teria grande dificuldade em reproduzir. Os pequenos erros do gravador também parecem genuínos: na linha três, uma sílaba omitida de um composto sânscrito foi acrescentada abaixo da linha, com pontos marcando a correção. Os especialistas que a examinaram, dos consultores de Postma aos editores de 2022, aceitam-na como autêntica.

A procedência é mais frágil. A placa foi encontrada por dragagem, e não por escavação; por isso não há contexto arqueológico, como uma camada datável ou objetos associados. Ela passou pelo comércio de antiguidades antes de chegar ao museu, e os relatos sobre o ano do achado divergem (1986, por volta de 1987 ou 1989). Como a placa é fina e portátil, o local do achado não prova onde ela foi escrita, mas seus topônimos, entre eles Tondo, apontam para a região da baía de Manila e de Laguna.

Por fim, o texto está incompleto. Provavelmente continuava numa segunda placa, com o fim da advertência e talvez mais nomes ou uma fórmula de encerramento, que não foi recuperada nem identificada. As interpretações do contexto político se apoiam em poucos títulos e topônimos; por isso, estudiosos cuidadosos separam o que o texto afirma (uma quitação datada de uma dívida em ouro, testemunhas, títulos, lugares) do que ele sugere (ligações com a prática documental javanesa) e do que continua sendo especulação (a extensão do poder de Tondo, ou se uma potência estrangeira estava envolvida).

[3][2][1][6]

Ideias principais

O documento filipino datado mais antigo
A data Śaka da placa corresponde a 21 de abril de 900 d.C. no calendário juliano, mais de seis séculos antes do relato de Pigafetta de 1521.
Quitação de dívida
O texto é um registro de que uma dívida em ouro foi quitada, protegendo os descendentes do devedor contra cobranças futuras.
O malaio antigo como língua escrita compartilhada
Um texto malaio com termos sânscritos e javaneses mostra Luzon participando de uma cultura regional da escrita que se estendia desde Sumatra e Java.
Cultura documental javanesa
O uso de uma placa de cobre como suporte, a fórmula de datação, o escriba, as testemunhas e o nome Mdang ligam a placa às práticas de Java daquela época.
Posições e títulos
Honoríficos como dang hwan, sang pamgat e nāyaka tuhān, e os nomes sânscritos, mostram uma sociedade hierarquizada com títulos de prestígio.
Economia do ouro
A dívida é medida em kāti e suwarna, unidades de peso compartilhadas com Java, o que mostra o ouro usado como padrão de valor.
Interpretar na incerteza
Vários topônimos, o sentido de Mdang e Dewata e a natureza do poder de Tondo continuam em debate.

Registros

  1. 684 d.C. — A inscrição de Talang Tuwo, perto de Palembang, em Sumatra, um dos textos datados mais antigos em malaio antigo, é erguida sob Srivijaya.
  2. 792 d.C. — A inscrição em malaio antigo de Mañjuśrīgṛha é erguida no conjunto de templos de Sewu, em Java Central.
  3. c. 898 d.C. — Balitung começa seu reinado sobre o reino de Mataram (Medang), em Java Central (reinou c. 898–910).
  4. 900 d.C. — Na segunda-feira, 21 de abril (calendário juliano; Śaka 822, Vaiśākha), o documento de quitação da dívida é emitido.
  5. 929 d.C. — O centro do reino de Mataram se desloca de Java Central para Java Oriental sob Mpu Sindok.
  6. 982 d.C. — Comerciantes de Ma-yi levam mercadorias à costa chinesa; o lugar fora citado pela primeira vez num registro Song de 971. Esses testemunhos estão entre os registros chineses mais antigos de um lugar de comércio filipino.
  7. 1521 — Antonio Pigafetta registra a expedição de Fernão de Magalhães, por muito tempo considerada o início da história escrita das Filipinas.
  8. c. 1987 — A placa é retirada por dragagem do rio Lumbang, perto de Lumban, em Laguna (os relatos vão de 1986 a 1989).
  9. 1990 — A placa é oferecida ao Museu Nacional em janeiro; Postma apresenta um primeiro trabalho em Yogyakarta em agosto.
  10. 1992 — A edição e o comentário de Postma saem na Philippine Studies, depois de primeiros artigos em 1991.
  11. 2010 — O Museu Nacional declara a placa Tesouro Cultural Nacional.
  12. 2022 — Elsa Clavé e Arlo Griffiths publicam uma nova edição e interpretação.

Glossário

Placa de cobre
Uma fina lâmina de metal gravada com um texto oficial, forma de documento usada na Índia, em Java e em Bali.
Escrita kawi
Uma escrita índica usada em Java e em regiões próximas a partir de cerca do século VIII; também chamada de escrita javanesa antiga.
Malaio antigo
A forma escrita inicial do malaio, conhecida por inscrições do século VII em diante.
Era Śaka
Uma era do calendário indiano que começa em 78 d.C., muito usada para datar inscrições no Sudeste Asiático.
Viśuddhapātra
O nome que a própria placa se dá: um termo de origem sânscrita para um documento de quitação.
Kāti e suwarna
Unidades de peso para o ouro usadas em Java e além; o kāti era a unidade maior, e os estudiosos estimam de formas diferentes seus pesos e sua proporção neste texto.
Senāpati
Um título sânscrito que significa comandante do exército, usado pelo funcionário de Tundun.
Pamgat
Um título de funcionário, conhecido do javanês antigo e encontrado mais tarde no tagalo como pamagat.
Servidão por dívida
Condição em que um devedor, e às vezes sua família, precisa servir ao credor até quitar a dívida.
Tesouro Cultural Nacional
A mais alta designação para um bem cultural segundo a legislação filipina de patrimônio, declarada pelos órgãos culturais nacionais.

Perguntas e respostas

Por que um recibo de dívida é tão importante?

Porque é datado. Ele prova que a escrita, os registros jurídicos e medidas padronizadas para o ouro eram usados em volta da baía de Manila em 900 d.C., séculos antes dos primeiros relatos europeus.

Ele foi escrito em tagalo?

A maioria dos especialistas diz que não: a língua principal é o malaio antigo, com palavras do sânscrito e do javanês antigo. Alguns estudiosos defendem a presença de elementos de tagalo antigo, e um estudo defendeu o tagalo antigo como língua principal, mas essa é uma visão minoritária.

Quem o decifrou?

O antropólogo holandês Antoon Postma, com a ajuda do paleógrafo J. G. de Casparis, publicou a primeira leitura em 1991–92. Uma edição revista de Elsa Clavé e Arlo Griffiths saiu em 2022.

Qual era a quantidade de ouro devida?

1 kāti e 8 suwarna. Dependendo de como as unidades são convertidas, isso dá mais ou menos de 0,9 a 1,1 quilo de ouro.

Ele prova que existiu um Reino de Tondo?

Prova que Tondo (Tundun) existia e tinha um comandante capaz de emitir documentos jurídicos. Não cita nenhum rei; por isso, só pela placa não é possível saber o tamanho nem o grau de centralização do poder de Tondo.

Medang quer dizer que a placa veio de Java?

Não necessariamente. A escrita e algumas palavras são de estilo javanês, e Medang era um centro real javanês, mas os outros topônimos apontam para Luzon. Os estudiosos discutem se Medang se refere diretamente a Java ou a um nome ou título transplantado.

Posso vê-la?

Sim. Ela está exposta no Museu Nacional de Antropologia, em Manila, parte do Museu Nacional das Filipinas.

Fontes e leituras adicionais

  1. Antoon Postma, The Laguna Copper-Plate Inscription: Text and Commentary. Philippine Studies 40(2), Ateneo de Manila University, 1992
  2. Elsa Clavé and Arlo Griffiths, The Laguna Copperplate Inscription: Tenth-Century Luzon, Java, and the Malay World. Philippine Studies: Historical and Ethnographic Viewpoints 70(2), 2022
  3. Hector Santos, The Date of the Laguna Copperplate Inscription. Philippine Studies 44(4), Ateneo de Manila University, 1996
  4. The 9th to 10th Century Archaeological Evidence of Maritime Relations between the Philippines and the Islands of Southeast Asia. National Museum of the Philippines, 2022
  5. National Cultural Treasures (Archaeology collection). National Museum of the Philippines
  6. Laguna Copperplate Inscription. Wikipedia
  7. List of National Cultural Treasures in the Philippines. Wikipedia
  8. Mataram Kingdom (Medang). Wikipedia
  9. Kawi script. Wikipedia
  10. Tondo (historical polity). Wikipedia
  11. Talang Tuwo inscription. Wikipedia
  12. Manjusrigrha inscription. Wikipedia
  13. Ma-i. Wikipedia
  14. Piloncitos. Wikipedia
  15. Rajahnate of Butuan. Wikipedia
  16. Nagarakretagama. Wikipedia

Conteúdo relacionado

Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

← Voltar ao mapa