Patrimônio

Borobudur

Candi Borobudur

c. 780–833 d.C. · Borobudur (Java Central)

Em uma frase

Borobudur é um enorme monumento budista na ilha de Java, na Indonésia, construído há cerca de 1.200 anos como uma montanha de pedra em degraus, que os peregrinos sobem passando por milhares de cenas esculpidas.

Borobudur
Imagem: Gunawan Kartapranata · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

Borobudur fica na ilha de Java, na Indonésia. Foi construído há cerca de 1.200 anos com aproximadamente dois milhões de blocos de pedra vulcânica. Não há salas lá dentro. Ele parece uma enorme montanha de pedra, com degraus e terraços que vão subindo.

Ao visitar Borobudur, você dá a volta em cada andar antes de subir ao próximo. Nas paredes dos andares mais baixos há mais de 2.600 imagens esculpidas na pedra. Algumas mostram a vida do Buda, desde seu nascimento como príncipe até seu primeiro ensinamento. Outras contam histórias de vidas anteriores dele, quando nasceu como animal ou pessoa e fez coisas boas e corajosas. Algumas mostram um jovem chamado Sudhana viajando para conhecer muitos mestres em busca de sabedoria.

Quanto mais você sobe, menos imagens encontra. O topo é redondo e aberto, com 72 estruturas de pedra em forma de sino, chamadas estupas. Cada uma tem aberturas como uma treliça e guarda uma estátua de pedra do Buda. No centro há uma estupa grande. A subida representa uma viagem do mundo agitado do dia a dia até a calma e a sabedoria.

Durante centenas de anos, Borobudur ficou coberto por cinzas vulcânicas e pela mata, e as pessoas da região deixaram de usá-lo. Em 1814, começou a ser limpo e ficou conhecido em outras partes do mundo. Mais tarde, engenheiros desmontaram grande parte dele pedra por pedra, limparam as pedras e as colocaram de volta, como em um quebra-cabeça gigante.

Hoje, Borobudur é um Patrimônio Mundial e um dos lugares mais visitados da Indonésia. Todos os anos, na festa de Vesak, budistas caminham em procissão desde dois templos menores próximos até Borobudur para celebrar o nascimento, a iluminação e a morte do Buda.

Em resumo

Construção
Por volta de 780 até a década de 830 d.C., em várias etapas; a construção provavelmente terminou na década de 830
Localização
Planície de Kedu, perto de Magelang, em Java Central, Indonésia, cerca de 40 km a noroeste de Yogyakarta
Construtores
A dinastia Sailendra, do reino de Mataram (Medang), seguidora do budismo maaiana
Forma
Estupa em forma de montanha escalonada: seis plataformas quadradas encimadas por três plataformas circulares e uma estupa central; sem espaço interno
Dimensões
Base de cerca de 123 × 123 m; altura atual de cerca de 35 m; aproximadamente 55.000 m³ de pedra andesítica
Decoração
2.672 painéis em relevo (1.460 narrativos e 1.212 decorativos); originalmente 504 estátuas do Buda; 72 estupas perfuradas
Redescoberta e restauração
Limpeza iniciada em 1814; restaurado por Theodoor van Erp entre 1907 e 1911 e pela Indonésia com a UNESCO entre 1975 e 1982
Reconhecimento
Patrimônio Mundial da UNESCO como “Conjunto dos Templos de Borobudur” (com Mendut e Pawon), inscrito em 1991

Fácil

O que é Borobudur?

Borobudur é o maior monumento budista do mundo. Fica sobre uma colina baixa na fértil planície de Kedu, em Java Central, cercado por vulcões e situado entre dois rios, o Progo e o Elo. Foi construído no fim do século VIII e no início do século IX, durante o governo da dinastia Sailendra.

Embora muitas vezes seja chamado de templo, Borobudur não tem salão nem câmara interna onde as pessoas possam se reunir. É uma estrutura maciça de pedra construída sobre uma colina natural. Sua forma é a de uma estupa, monumento budista que representa o Buda e sua iluminação. Também foi concebido como uma montanha sagrada que os visitantes sobem.

O monumento é famoso por seus relevos, esculturas em pedra que cobrem as paredes e os parapeitos de suas galerias. Juntos, eles formam um dos maiores e mais completos conjuntos de esculturas budistas em relevo do mundo. Também oferecem um rico retrato da vida em Java no século IX: casas, embarcações, roupas, instrumentos musicais, plantas e animais.

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Fácil

Como “ler” Borobudur: um caminho de subida

Borobudur foi concebido para ser percorrido a pé. O peregrino entra pelo lado leste e caminha no sentido horário em torno de cada nível, mantendo o monumento à direita, em um gesto de respeito chamado pradakshina. Só depois de completar a volta ele sobe a escada para o nível seguinte. As paredes e os parapeitos das quatro galerias quadradas apresentam relevos narrativos, organizados em onze séries que se estendem por cerca de 3 km no total.

A subida costuma ser explicada por meio de três “reinos” da cosmologia budista. Embaixo está o mundo do desejo (Kamadhatu), representado pela base oculta, com relevos sobre o carma. Depois vêm as galerias quadradas, o mundo da forma (Rupadhatu), repletas de histórias. No alto, os terraços circulares, abertos para o céu e sem esculturas narrativas, representam o mundo sem forma (Arupadhatu). Essa explicação é conhecida e útil, embora alguns estudiosos hoje questionem se os construtores pensavam exatamente nesses termos.

As estátuas do Buda também mudam durante a subida. Nos níveis quadrados, nichos abrigam Budas sentados cujos gestos das mãos (mudras) variam conforme a direção: tocar a terra no lado leste, oferecer no sul, meditar no oeste e tranquilizar (afastar o medo) no norte; no nível quadrado mais alto, fazem um gesto de ensinamento. Nos três terraços circulares, 72 estupas (32, 24 e 16 em cada anel) abrigam Budas que põem em movimento a roda do Dharma. A grande estupa central coroa o monumento.

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As histórias esculpidas na pedra

Os relevos narram diferentes textos budistas. Na faixa superior da parede principal da primeira galeria, 120 painéis seguem o Lalitavistara, relato da última vida do Buda: sua descida do céu, seu nascimento como príncipe Sidarta, sua vida no palácio, sua partida, sua busca, sua iluminação e seu primeiro sermão no Parque dos Cervos, em Sarnath.

Outros painéis da primeira e da segunda galerias ilustram contos Jataka e Avadana, histórias das vidas anteriores do Buda e de outras figuras sagradas. Em um Jataka conhecido, o futuro Buda, nascido como lebre, oferece o próprio corpo como alimento a um viajante faminto. Esses contos ensinam generosidade, paciência e compaixão.

Nas galerias superiores predomina o Gandavyuha, parte final do Sutra Avatamsaka. Nele, o jovem peregrino Sudhana viaja para encontrar dezenas de mestres, de monges e reis a uma deusa da noite, em busca da sabedoria perfeita, até finalmente entrar na visão do bodisatva Samantabhadra. O peregrino que percorre as galerias reproduz a viagem de Sudhana.

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Como foi construído

Borobudur foi construído sobre uma colina natural, que foi moldada e preenchida com terra. Em volta e por cima desse núcleo, os construtores assentaram cerca de 55.000 metros cúbicos de andesito, uma pedra vulcânica cinzenta retirada de rios próximos. Os blocos foram encaixados sem argamassa, unidos por saliências, reentrâncias e encaixes em cauda de andorinha, e depois esculpidos no lugar. Drenos e cerca de cem bicas em forma de cabeça de monstro escoavam as fortes chuvas tropicais.

Arqueólogos, especialmente Jacques Dumarçay, identificaram várias fases de construção. O trabalho parece ter começado por volta de 780, e o projeto mudou mais de uma vez: por exemplo, a base foi ampliada e o nível mais baixo de relevos foi coberto; o topo também pode ter sido planejado originalmente de outra maneira. A construção provavelmente terminou na década de 830.

O projeto parece seguir proporções cuidadosas. Pesquisadores observaram uma relação de 4 : 6 : 9 entre a base, o corpo e a parte superior do monumento, também encontrada nos templos relacionados de Mendut e Pawon. A tradição aponta Gunadharma como arquiteto, mas esse nome vem de uma lenda local, não de uma inscrição, e nada se sabe sobre ele por fontes históricas.

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Intermediário

Uma janela para a Java do século IX

Embora os relevos ilustrem textos budistas indianos, os escultores os preencheram com elementos do mundo que conheciam. Há casas erguidas sobre pilares, com telhados íngremes em forma de sela; mercados, cozinhas e lavouras aparecem ao fundo; as pessoas usam roupas e joias javanesas. As cenas incluem músicos com tambores, alaúdes, flautas e sinos, dançarinos, caçadores, soldados, comerciantes pesando mercadorias e pais cuidando dos filhos.

O mundo natural aparece em detalhes: elefantes, macacos, pavões, peixes, tartarugas e muitos tipos de árvore, incluindo a árvore que realiza desejos (kalpataru), cercada por pássaros e seres celestiais. Os relevos das embarcações mostram grandes barcos com estabilizadores laterais, várias velas e remos de direção, evidência da tecnologia marítima que ligava Java ao mundo do oceano Índico.

Os painéis ocultos do Karmavibhanga são especialmente valiosos porque mostram ações cotidianas, boas e más: pesca e abate de animais, fofocas e brigas, distribuição de esmolas e cuidados com os doentes, além das recompensas ou punições decorrentes. Para os historiadores do Sudeste Asiático, Borobudur é, portanto, tanto um monumento religioso quanto um dos mais importantes registros visuais da sociedade, da tecnologia e da cultura material da antiga Java.

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Intermediário

Os Sailendras e a Java do século IX

Borobudur foi criado pela dinastia Sailendra (“Senhor da Montanha”), que governou grande parte de Java Central a partir de meados do século VIII. Os Sailendras apoiavam o budismo maaiana e construíram muitos monumentos, entre eles Kalasan, cuja inscrição de 778 é a evidência clara mais antiga da dinastia. Suas origens são debatidas: teorias antigas os associavam à Índia ou a Funan, no Camboja, mas muitos estudiosos hoje consideram que eram javaneses.

Os Sailendras dividiram o poder em Java Central com outra linhagem, frequentemente chamada de dinastia Sanjaya, que favorecia o hinduísmo. Acredita-se que Samaratungga fosse o governante Sailendra quando Borobudur foi concluído. Sua filha Pramodhawardhani casou-se com Rakai Pikatan, da linhagem hindu; o grande conjunto de templos hindus de Prambanan, não muito distante, foi construído pouco depois. As duas religiões coexistiam, e o próprio Borobudur pode ter sido concluído sob essa corte formada pelas duas linhagens.

Foi um período de amplas conexões marítimas. Java comerciava com a Índia, a China e o restante do Sudeste Asiático, e os Sailendras tinham laços estreitos com o reino sumatrano de Srivijaya, um importante centro de estudos budistas. Os relevos que mostram grandes embarcações com estabilizadores laterais refletem esse mundo marítimo; em 2003–2004, uma réplica de uma dessas embarcações, a Samudra Raksa, navegou da Indonésia até a África.

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Intermediário

Significado religioso: montanha, estupa e mandala

Borobudur reúne várias ideias budistas. Como estupa, representa o corpo do Buda e sua mente iluminada. Como montanha escalonada, lembra o monte Meru, centro do mundo na cosmologia indiana, e talvez também tradições javanesas mais antigas de lugares sagrados em terraços nas colinas, onde os ancestrais eram homenageados.

Visto de cima, seu traçado de quadrados e círculos forma uma mandala, um diagrama sagrado usado na meditação e nos rituais do budismo esotérico (vajraiana). A disposição dos Budas voltados para as quatro direções em torno de um centro corresponde a esse esquema. Os estudiosos debatem até que ponto o monumento segue um texto esotérico específico.

Borobudur fazia parte de uma paisagem ritual. Ele está alinhado com os templos menores de Pawon e Mendut, cerca de 3 km a leste. Mendut ainda abriga três grandes estátuas de pedra: um Buda sentado entre dois bodisatvas. Hoje, durante o Vesak, a procissão de budistas indonésios e estrangeiros de Mendut, passando por Pawon, até Borobudur retoma essa ligação.

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Intermediário

Abandono e redescoberta

No início do século X, o centro do poder javanês mudou de Java Central para Java Oriental, por volta de 928–929, sob o rei Mpu Sindok, talvez em parte por causa das erupções do monte Merapi. Borobudur perdeu gradualmente o apoio dos governantes. Não foi completamente esquecido: o poema em javanês antigo Nagarakretagama, do século XIV, menciona um santuário budista em “Budur”, e crônicas javanesas posteriores contavam histórias de infortúnios ligados à colina. Mas o monumento acabou coberto por cinzas e vegetação, enquanto o islamismo, que se espalhou por Java a partir do século XV, tornou-se a religião majoritária.

Em 1814, durante o breve domínio britânico em Java, o vice-governador Thomas Stamford Raffles ouviu falar de um grande monumento na região e enviou o engenheiro neerlandês H. C. Cornelius para investigá-lo. Sua equipe de cerca de 200 homens passou dois meses cortando árvores, queimando a vegetação e retirando terra. O trabalho continuou sob o governo neerlandês e, em 1835, o monumento estava em grande parte exposto.

A limpeza trouxe novos perigos. Visitantes levaram cabeças de estátuas do Buda e partes dos relevos. Em 1896, o governo colonial neerlandês deu ao rei Chulalongkorn do Sião, que estava em visita, uma grande coleção de esculturas, incluindo painéis em relevo, imagens do Buda, leões e uma figura de guardião, hoje no Museu Nacional de Bangkok. A chuva penetrava na estrutura exposta, e o monumento começou a ceder.

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Intermediário

Restaurações e ameaças

Em 1885, o engenheiro J. W. IJzerman descobriu que a base do monumento escondia uma estrutura anterior com 160 painéis esculpidos que ilustravam o Karmavibhanga, texto sobre o carma: as boas e más ações e suas consequências nesta vida e na próxima. Os painéis foram fotografados em 1890–1891 e cobertos novamente; hoje, apenas alguns no canto sudeste estão expostos.

Entre 1907 e 1911, o engenheiro do exército neerlandês Theodoor van Erp realizou a primeira grande restauração. Ele reconstruiu os terraços circulares e as estupas, além de reconstituir o chattra (guarda-sol) no topo da estupa principal, antes de removê-lo porque não conseguiu comprovar sua forma original. Os problemas de drenagem, porém, continuaram e, na década de 1960, as galerias estavam inclinadas e as pedras, deterioradas.

De 1975 a 1982, o governo indonésio e a UNESCO, com o apoio de muitos países, realizaram uma enorme restauração liderada pelo arqueólogo R. Soekmono. Cerca de um milhão de pedras foram removidas, limpas, catalogadas e recolocadas sobre novas fundações de concreto com drenagem moderna. Borobudur foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1991. Desde então, enfrentou novas ameaças: bombas danificaram nove estupas em 1985; cinzas das erupções do Merapi, em 2010, e do Kelud, em 2014, cobriram o monumento; e o intenso fluxo de turistas desgastou os degraus, levando à instalação de revestimentos de madeira nas escadas e a limites para o número de visitantes que sobem até o topo.

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Intermediário

Borobudur hoje: peregrinação, nação e turismo

Hoje, a Indonésia tem maioria muçulmana, mas Borobudur é valorizado em todo o país como símbolo de sua longa história e de suas realizações artísticas. Ao mesmo tempo, continua sendo um local religioso para a minoria budista da Indonésia e para budistas do exterior, que vêm meditar, caminhar ao redor do monumento e celebrar o Vesak. Conciliar as necessidades dos fiéis, dos turistas e da conservação é um desafio constante.

O turismo cresceu enormemente desde a década de 1970. Milhões de visitantes trouxeram renda para a região, mas também desgaste das pedras, lixo e aglomerações. Depois que estudos mostraram uma erosão grave das escadas, as autoridades revestiram algumas delas com madeira e, nos últimos anos, limitaram o número de pessoas autorizadas a subir no monumento a cada dia, além de exigir guias e calçados especiais.

A paisagem ao redor faz parte do patrimônio. Vilarejos, arrozais e as vistas dos vulcões Merapi, Merbabu, Sumbing e Sindoro emolduram o monumento, e planejadores procuraram proteger esse cenário por meio de zonas de proteção e parques. Comunidades locais, muitas das quais dependem do turismo, às vezes se sentiram excluídas das decisões sobre o sítio, um debate comum em muitos locais do Patrimônio Mundial.

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Avançado

Debates acadêmicos: nome, data e projeto

O nome. A palavra Borobudur não aparece nas inscrições antigas. Raffles achava que significava “grande Buda”; outros relacionaram “budur” a uma palavra javanesa para “antigo” ou ao sânscrito bhudhara, “montanha”. Com base nas inscrições de 824 (Karangtengah) e 842 (Tri Tepusan), o epigrafista J. G. de Casparis propôs que o nome original era Bhumisambhara-bhudhara, “a montanha das virtudes acumuladas dos dez estágios [do bodisatva]”. Essa interpretação teve influência, mas não é aceita por todos.

A base oculta. Por que a base com os relevos do Karmavibhanga foi coberta? Uma explicação prática é que os construtores temiam que o monumento deslizasse para fora e acrescentaram um reforço de pedra em torno da base. Uma explicação religiosa é que as representações do desejo e do inferno deveriam ficar escondidas, ou que cobri-las fazia parte da consagração. A explicação estrutural é amplamente favorecida, mas a questão permanece em aberto.

O projeto original. Os estudiosos discordam sobre a possibilidade de a construção ter começado como outra coisa, talvez uma estrutura hindu ou local em terraços, depois transformada em estupa budista. Também há divergências sobre a aparência original do topo. A interpretação dos três reinos (Kamadhatu, Rupadhatu e Arupadhatu), proposta por W. F. Stutterheim no início do século XX, foi criticada por não se basear em nenhum texto encontrado no local.

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Avançado

Evidências, hipóteses e ciência da conservação

Em 1931, o artista e estudioso neerlandês W. O. J. Nieuwenkamp propôs que a planície de Kedu havia sido um lago e que Borobudur representava uma flor de lótus flutuando nele. Análises posteriores de pólen não encontraram vestígios das plantas aquáticas que um lago teria deixado, e estudos de campo na década de 1980 concluíram que nenhum lago cercava o monumento quando ele foi construído. Por isso, a ideia é geralmente rejeitada.

As principais fontes para a história de Borobudur são o próprio monumento — sua estrutura, marcas na alvenaria, estilos dos relevos e inscrições curtas na base oculta, cuja escrita ajuda a datá-lo —, algumas inscrições em pedra e placas de cobre de Java Central, comparações com outros templos e registros da limpeza e das restaurações dos séculos XIX e XX. Fotografias de Isidore van Kinsbergen (década de 1870) e de Kassian Cephas (que fotografou a base oculta) são evidências valiosas do estado anterior do monumento.

A conservação tornou-se um campo de pesquisa próprio. Cientistas monitoram a cristalização de sais na pedra, os líquens e os musgos, estudam como as cinzas vulcânicas e a chuva ácida afetam o andesito e medem o impacto do número de visitantes. Como em outros grandes monumentos, as decisões tomadas nas restaurações de 1907–1911 e 1975–1982 passaram a fazer parte das evidências, e os estudiosos precisam distinguir a obra original das reconstruções.

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Ideias principais

Estupa em forma de montanha
Borobudur é ao mesmo tempo uma estupa, símbolo do Buda, e uma montanha sagrada que os peregrinos sobem.
A subida como ensinamento
A caminhada pelas galerias leva das histórias de carma e vidas anteriores ao topo calmo e aberto, em um caminho rumo à iluminação.
Mandala
Visto de cima, o monumento forma um diagrama sagrado de quadrados e círculos centrado na estupa principal.
Relevos narrativos
Mais de 1.400 painéis narrativos ensinam textos budistas e preservam imagens da vida cotidiana em Java no século IX.
Convivência religiosa
O Borobudur budista e o Prambanan hindu foram construídos por cortes ligadas entre si, com poucas décadas de diferença.
Paisagem ritual
Borobudur, Pawon e Mendut ficam alinhados e provavelmente eram usados em conjunto nos rituais.
A restauração como parte da história
A limpeza no período colonial, a restauração de van Erp e o projeto da UNESCO moldaram o monumento que vemos hoje.

Registros

  1. 778 d.C. — A inscrição de Kalasan fornece a evidência clara mais antiga da dinastia Sailendra.
  2. c. 780 d.C. — Começa a construção de Borobudur.
  3. 824 d.C. — A inscrição de Karangtengah registra um santuário budista fundado sob a linhagem de Samaratungga.
  4. c. 833 d.C. — A construção provavelmente é concluída.
  5. 842 d.C. — A inscrição de Tri Tepusan concede terras isentas de impostos a um santuário chamado Bhumisambhara.
  6. c. 929 d.C. — A corte javanesa muda-se para Java Oriental sob Mpu Sindok.
  7. 1365 — O Nagarakretagama menciona um santuário budista em Budur.
  8. 1814 — Raffles envia H. C. Cornelius para limpar o monumento.
  9. 1885 — J. W. IJzerman descobre a base oculta com os relevos do Karmavibhanga.
  10. 1907 — Theodoor van Erp inicia a primeira grande restauração (até 1911).
  11. 1975 — Começa a restauração realizada pela Indonésia e pela UNESCO (até 1982).
  12. 1991 — O Conjunto dos Templos de Borobudur é inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Glossário

Estupa
Monumento budista em forma de cúpula, originalmente destinado a guardar relíquias, que representa o Buda e a iluminação.
Candi
Palavra indonésia para um templo ou santuário antigo.
Relevo
Escultura em que as figuras se projetam de uma superfície plana.
Mudra
Gesto simbólico das mãos na arte budista e hindu.
Mandala
Diagrama sagrado que representa o cosmos, usado em rituais e na meditação.
Pradakshina
Caminhar no sentido horário ao redor de um objeto sagrado como ato de devoção.
Jataka
Histórias das vidas anteriores do Buda que ensinam virtudes morais.
Maaiana
O “Grande Veículo”, uma importante corrente do budismo que enfatiza os bodisatvas e a compaixão por todos os seres.
Andesito
Rocha vulcânica cinzenta usada na construção de Borobudur e de muitos outros templos javaneses.
Anastilose
Método de restauração que remonta um monumento com suas peças originais, acrescentando material novo apenas onde é necessário.
Sailendra
Dinastia real budista de Java Central que construiu Borobudur.

Perguntas e respostas

Borobudur é um templo em que se pode entrar?

Não. Ele não tem salas. É um monumento maciço de pedra construído sobre uma colina, e os visitantes caminham ao redor dele e sobem por suas galerias e terraços abertos.

Quantas estátuas do Buda existem?

Originalmente havia 504. Muitas perderam a cabeça, foram danificadas ou levadas embora desde que o monumento foi redescoberto.

Por que Borobudur foi abandonado?

A corte real mudou-se para Java Oriental no início do século X, possivelmente em parte por causa de erupções vulcânicas, e o monumento perdeu aos poucos o apoio de seus patronos. Mais tarde, a maior parte da população de Java tornou-se muçulmana.

Quem descobriu Borobudur?

As pessoas da região sempre souberam da existência da colina. Em 1814, Raffles enviou o engenheiro H. C. Cornelius para limpar o monumento, que então ganhou atenção internacional.

Borobudur ainda é usado para práticas religiosas?

Sim. É um importante local de peregrinação, especialmente durante o Vesak, quando budistas caminham em procissão de Mendut e Pawon até Borobudur.

Por que a base com os relevos sobre o carma está escondida?

Provavelmente para fortalecer o monumento e impedir que ele deslizasse, embora alguns estudiosos sugiram razões religiosas. Fotografias dos relevos ocultos estão expostas no Museu Karmawibhangga.

Borobudur foi construído no meio de um lago?

Essa ideia foi proposta em 1931, mas pesquisas posteriores não encontraram evidências de que um lago cercasse o monumento quando ele foi construído.

Por que tantas estátuas do Buda estão sem cabeça?

Muitas cabeças foram quebradas ou roubadas depois que o monumento foi limpo no século XIX e vendidas a colecionadores ou levadas como lembrança. Algumas estão hoje em museus fora da Indonésia; outras nunca foram localizadas.

Fontes e leituras adicionais

  1. Borobudur Temple Compounds. UNESCO World Heritage Centre
  2. Borobudur. Wikipedia
  3. 보로부두르. 위키백과
  4. Borobudur Temple Compounds. Wikipedia
  5. Shailendra dynasty. Wikipedia
  6. Karmawibhangga Museum. Wikipedia
  7. Mendut. Wikipedia
  8. Gandavyuha Sutra. Wikipedia
  9. Jataka tales. Wikipedia
  10. John Miksic, Borobudur: Golden Tales of the Buddhas. Periplus Editions, 1990

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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