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Para jovens leitores
A maioria dos templos em cavernas pelo mundo foi escavada em paredões de rocha. Seokguram é diferente: as pessoas do reino de Silla, na Coreia, construíram a caverna com blocos de pedra, como quem constrói um iglu. Elas cortaram centenas de blocos de granito, montaram uma sala redonda com uma cúpula no teto e cobriram tudo com terra. Por dentro, ela parecia uma caverna na montanha.
Lá dentro há uma grande estátua de Buda, mais alta que dois adultos. Seu rosto é tranquilo, e seus olhos estão meio fechados, como se ele estivesse pensando. Sua mão direita toca o chão. Os budistas contam que Buda tocou a terra para chamá-la como testemunha quando alcançou a iluminação.
Ao redor dele, figuras esculpidas nas paredes mostram seus protetores e seguidores. Perto da entrada há guardiões fortes com espadas e reis com armaduras que protegem as quatro direções. Também há bodisatvas bondosos e dez discípulos de Buda, cada um com um rosto diferente. Atrás de Buda está uma figura da compaixão com onze cabeças, para enxergar todos os que precisam de ajuda.
Um livro antigo conta que um homem chamado Kim Daeseong construiu Seokguram para seus pais de uma vida anterior. O livro também diz que a pedra redonda do alto da cúpula se partiu em três. Durante a noite, espíritos celestiais teriam descido e colocado os pedaços de volta no lugar.
Seokguram fica no alto do monte Toham, perto de Gyeongju, uma antiga capital. Seu Buda está voltado para o leste, na direção do mar. Algumas pessoas sobem a montanha bem cedo para ver o nascer do sol.
Em resumo
- Construção
- Meados do século VIII, durante a Silla Unificada; segundo a tradição, iniciada em 751 e concluída após 774 (o planejamento pode ter começado já na década de 740)
- Localização
- Encosta oriental do monte Toham (Tohamsan), Gyeongju, província de Gyeongsang do Norte, Coreia do Sul
- Patrono
- Tradicionalmente, Kim Daeseong (falecido em 774), alto funcionário de Silla; obra concluída pela corte real
- Nome original
- Seokbulsa (石佛寺, “Templo do Buda de Pedra”)
- Estrutura
- Gruta artificial de granito cortado: antecâmara retangular, corredor e câmara principal circular (com cerca de 6,6 a 6,8 m de diâmetro) sob uma cúpula de pedra, coberta por terra
- Esculturas
- 38 figuras budistas atualmente, com um Buda sentado fazendo o gesto de tocar a terra no centro
- Reconhecimento
- Tesouro Nacional da Coreia (designado em 1962); Patrimônio Mundial da UNESCO em conjunto com Bulguksa, desde 1995
- Importância
- Um dos pontos altos da escultura budista do Leste Asiático e uma obra-prima da engenharia e da geometria de Silla
Fácil
O que é Seokguram?
Seokguram é um santuário budista em forma de caverna na encosta oriental do monte Toham, logo a leste de Gyeongju, capital do reino coreano de Silla. Seu nome significa “eremitério da caverna de pedra”; seu nome anterior, registrado no Samguk yusa, era Seokbulsa, “Templo do Buda de Pedra”. Administrativa e historicamente, está ligado a Bulguksa, o grande templo na encosta ocidental da mesma montanha, a cerca de 3 km por estrada.
Seokguram se distingue por ser uma gruta artificial. Na Índia, na Ásia Central e na China, os templos em cavernas costumavam ser escavados diretamente em paredões de rocha macia. As montanhas da Coreia são formadas principalmente por granito muito duro, difícil de escavar. Por isso, os construtores de Silla montaram a “caverna” com blocos e lajes de granito talhados, cobriram-na com uma cúpula de pedra e acumularam terra sobre ela, criando o efeito de uma caverna dentro da montanha.
No interior, uma monumental estátua de Buda sentado é cercada por esculturas em relevo de guardiões, divindades, bodisatvas e discípulos, dispostas segundo uma hierarquia rigorosa. Juntas, a arquitetura e as esculturas formam um dos conjuntos mais admirados da arte budista em toda a Ásia.
Seokguram foi designado Tesouro Nacional da Coreia em 1962 e inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO junto com Bulguksa em 1995. Hoje, os visitantes observam o interior por trás de uma divisória de vidro que protege as esculturas.
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Como “ler” a gruta: um caminho do mundo à iluminação
A gruta tem três partes dispostas ao longo de um único eixo leste-oeste. Primeiro vem uma antecâmara retangular, hoje coberta por uma construção de madeira acrescentada na década de 1960. Depois há um corredor curto e estreito. Por fim, chega-se à câmara principal circular, ou rotunda, com cerca de 6,6 a 6,8 m de diâmetro, sob uma cúpula hemisférica. Essa passagem de um espaço quadrangular para um circular é frequentemente interpretada como um percurso do mundo humano ao reino da iluminação; no pensamento do Leste Asiático, o quadrado é associado à terra e o círculo, ao céu.
As esculturas são dispostas segundo sua posição hierárquica. Na antecâmara estão as Oito Divindades Guardiãs (palbujung), protetoras do budismo provenientes da mitologia indiana, quatro de cada lado. Na entrada do corredor, dois musculosos guardiões Vajra (geumgang yeoksa) ameaçam o mal com os braços erguidos. No próprio corredor, os Quatro Reis Celestiais (sacheonwang), com armaduras e pisando em demônios, guardam as quatro direções.
Dentro da rotunda, quinze altos painéis de granito revestem a parede. Mais perto da entrada estão as divindades indianas Brahma e Indra (Beomcheon e Jeseokcheon); em seguida vêm os bodisatvas Manjushri e Samantabhadra; depois, dez discípulos de Buda, cinco de cada lado, cada um com rosto e postura próprios. Diretamente atrás do Buda principal, no lugar de honra, está Avalokiteshvara de Onze Cabeças, o bodisatva da compaixão, cujas muitas cabeças simbolizam sua capacidade de ver e ajudar todos os seres.
Acima dos painéis, dez pequenos nichos contornam a cúpula; oito ainda abrigam figuras sentadas de bodisatvas e do devoto leigo Vimalakirti. No centro da cúpula há uma grande pedra de fecho em forma de lótus. Todas as figuras em relevo estão voltadas para o Buda central, de modo que toda a sala dirige o olhar e a mente para ele.
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O Buda principal
O Buda principal foi esculpido em um único bloco enorme de granito e é a única escultura totalmente tridimensional da gruta; todas as outras são relevos. A estátua tem mais de 3 m de altura e está sentada de pernas cruzadas sobre um pedestal de lótus com cerca de 1,6 m de altura. O manto deixa seu ombro direito descoberto, e a mão direita desce além do joelho para tocar o chão. Esse é o bhūmisparśa mudrā, o gesto de tocar a terra, que recorda o momento em que o Buda histórico alcançou a iluminação sob a árvore Bodhi e chamou a terra para testemunhar sua vitória sobre o demônio Mara.
A escultura é admirada pelo equilíbrio entre força e serenidade: ombros largos e peito robusto, rosto de formas suaves com sobrancelhas longas e arqueadas, olhos baixos e um leve sorriso, além de um manto fino cujas dobras revelam o corpo por baixo. Essas características mostram a influência do estilo da alta dinastia Tang na escultura chinesa, reinterpretado com a sobriedade de Silla.
Um engenhoso recurso visual reforça o efeito. A auréola não está presa à estátua; é um disco de pedra esculpido com pétalas de lótus, instalado no alto da parede ao fundo da rotunda. Quando alguém olha para o Buda da entrada, a auréola parece enquadrar sua cabeça com precisão. O pedestal também fica um pouco atrás do centro da sala, de modo que, visto da entrada, o Buda parece estar bem no meio.
O Buda está voltado para leste-sudeste, na direção do Mar do Leste. Alguns estudiosos argumentam que o eixo está alinhado ao nascer do sol no solstício de inverno; outros relacionam a vista do mar ao túmulo submerso do rei Munmu, monarca do século VII que, segundo a lenda, se tornou um dragão para proteger Silla. Esses alinhamentos são debatidos.
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Engenharia: geometria, granito e a cúpula de pedra
A construção de Seokguram exigiu um planejamento matemático avançado. Estudos iniciados no período colonial pelo arquiteto Yoneda Miyoji e continuados por historiadores coreanos da arquitetura mostraram que a planta se baseia em um módulo: o pé Tang (uma unidade chinesa de cerca de 30 cm) e, mais especificamente, um comprimento de 12 pés Tang, correspondente ao diâmetro do pedestal do Buda. Muitas dimensões da antecâmara, da rotunda, da cúpula e da estátua parecem relacionar-se por proporções simples, incluindo 1 : √2. Alguns pesquisadores associam esse conhecimento a textos matemáticos chineses, como Os Nove Capítulos da Arte Matemática. Outros estudiosos questionam até que ponto algumas dessas proporções eram precisas e intencionais.
A cúpula é feita de lajes curvas de granito dispostas em anéis cada vez menores em direção ao topo. Entre elas, pedras compridas chamadas dolmot (pregos ou espigas de pedra) se projetam para fora, entrando na terra ao redor como os raios de uma roda. O peso da terra sobre essas pedras ajuda a manter a cúpula firme, em uma técnica sem paralelo próximo em outros lugares. Uma grande pedra de fecho em forma de lótus, com muitas toneladas, encerra o topo da cúpula.
O Samguk yusa preserva uma lenda sobre essa pedra de fecho: enquanto ela era talhada, partiu-se em três pedaços; Kim Daeseong adormeceu desesperado e, durante a noite, espíritos celestiais vieram recolocá-la no lugar. Ainda hoje é possível ver rachaduras na pedra, o que sugere que a história surgiu a partir de uma característica real da construção.
A maneira como a gruta original controlava a umidade é um de seus grandes enigmas. Salas de granito em uma montanha estão sujeitas à condensação, que danifica as esculturas. Uma hipótese muito discutida é que uma nascente sob o piso mantinha o chão mais frio que as paredes, fazendo a umidade se condensar no piso em vez de nas esculturas, enquanto a cobertura de terra e as frestas entre as pedras permitiam que a estrutura “respirasse”. Reparos no século XX alteraram esse sistema antes que ele pudesse ser devidamente estudado; por isso, seu funcionamento original permanece incerto.
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Contexto histórico: Silla no auge
Na década de 660, Silla, aliada à China da dinastia Tang, derrotou os reinos rivais de Baekje e Goguryeo. Em seguida, expulsou as forças Tang de grande parte da península até 676. O período seguinte, muitas vezes chamado de Silla Unificada, foi marcado por estabilidade política e grande florescimento cultural, centrado em Gyeongju. O budismo, adotado como religião de Estado no século VI, recebeu generoso apoio da corte e da aristocracia.
Seokguram foi construído durante o reinado de Gyeongdeok (742–765), época que historiadores coreanos consideram o auge da cultura de Silla. Segundo o Samguk yusa, coletânea de histórias e lendas do século XIII compilada pelo monge Iryeon, Kim Daeseong começou a construir Bulguksa para seus pais desta vida e Seokbulsa para seus pais de uma vida anterior em 751. Após sua morte, em 774, o Estado concluiu a obra. Dada a dimensão do projeto, muitos estudiosos consideram que ele foi, na prática, um empreendimento real e estatal, e não apenas um ato pessoal de devoção filial.
A data de 751 foi reconsiderada recentemente. Documentos encontrados dentro do pagode Seokgatap, em Bulguksa, que registram reparos em 1024 e 1038 e só foram inteiramente decifrados nos últimos anos, afirmam que as obras dos pagodes de Bulguksa começaram em 742, ano da ascensão de Gyeongdeok ao trono, e terminaram sob seu sucessor, o rei Hyegong. Os documentos não mencionam Seokguram, mas sugerem que o conjunto Bulguksa–Seokguram pode ter sido planejado antes de 751.
Em meados do século VIII, as relações entre diferentes partes da Ásia eram intensas. Monges e emissários de Silla viajavam à China Tang, e alguns chegaram à Índia; o monge coreano Hyecho escreveu um relato de sua peregrinação à Índia na década de 720. No Japão, o Grande Buda de Tōdai-ji foi consagrado em 752; na Ásia Central, os exércitos do Califado Abássida e da dinastia Tang se enfrentaram na Batalha de Talas, em 751; poucos anos depois, a Rebelião de An Lushan abalou a China Tang. Seokguram reflete esse mundo budista internacional e, ao mesmo tempo, mantém características próprias da Coreia.
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Significado religioso: uma terra de Buda na Terra
Os budistas de Silla acreditavam que seu país podia ser uma terra de Buda (bulguk), um lugar sagrado pela presença de Buda; o próprio nome Bulguksa significa “Templo da Terra de Buda”. Seokguram torna essa ideia concreta: entrar na rotunda é como chegar à presença do Buda iluminado, cercado por seus seguidores.
Seokguram está associado à escola Hwaeom (Huayan em chinês; Avataṃsaka em sânscrito), que ensinava a interligação de todos os fenômenos. O Samguk yusa registra que, após a conclusão da obra, Kim Daeseong convidou o monge Pyohun, seguidor do mestre Hwaeom Uisang, para morar em Seokbulsa. A localização no monte Toham, o “Pico Oriental” entre as cinco montanhas sagradas de Silla, com vista para o mar de onde poderiam vir invasores japoneses, também sugere uma função no “budismo de proteção do Estado” (hoguk bulgyo): a crença de que a devoção budista protegia o reino.
A rotunda tem espaço para a circumambulação, a caminhada em sentido horário ao redor do Buda, mantendo o ombro direito voltado para ele, um ato básico do culto budista. A hierarquia das figuras, dos guardiões ameaçadores na entrada aos discípulos e bodisatvas perto do centro, dá forma visível ao cosmos budista.
Seokguram continua sendo um local de culto budista pertencente a Bulguksa, templo principal do 11º distrito da Ordem Jogye do Budismo Coreano. Para muitos visitantes, é ao mesmo tempo um monumento artístico e um lugar de oração.
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História posterior: de Silla à dinastia Joseon
Quando Goryeo (918–1392) transferiu a capital para Gaegyeong (atual Kaesong), Gyeongju tornou-se uma cidade provincial, e Seokguram passou a ser um eremitério relativamente modesto. Com exceção do Samguk yusa, quase nenhum registro do período Goryeo o menciona, e mesmo as grandes obras geográficas oficiais do início da dinastia Joseon (1392–1897) não fazem referência a ele.
A partir do século XVII, porém, Seokguram reaparece na literatura. O erudito Yi Chae o visitou por volta de 1670, e o diário de viagem Sanjung ilgi, de Jeong Si-han, registra uma visita em 1688. Ele descreve as estátuas nas câmaras da frente e de trás como eretas e completas, além de mencionar uma passagem em arco na entrada. Poemas de letrados de Joseon mostram que Bulguksa e Seokguram haviam se tornado lugares famosos, visitados por monges, estudiosos e peregrinos de todo o país.
Uma crônica de Bulguksa registra reparos em Seokguram feitos pelo monge Jonghwang em 1703, incluindo degraus de pedra, e outra restauração em 1718. Uma placa de madeira encontrada durante as obras da década de 1960 registra um reparo realizado em 1891 com o apoio de um oficial militar regional. Esses registros mostram que o local era conhecido e cuidado durante o período Joseon, embora o governo confucionista tivesse reduzido o apoio estatal ao budismo.
No início do século XX, porém, a gruta estava em mau estado, com parte da cúpula desabada e terra caindo em seu interior.
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“Descoberta” colonial, reparos e controvérsias
Relatos japoneses posteriores afirmaram que Seokguram foi “descoberto” por volta de 1907–1909, atribuindo a descoberta ora a um carteiro japonês, ora ao residente-geral Sone Arasuke. Historiadores coreanos destacam que o local era conhecido pela população da região e registrado em fontes coreanas; a história da descoberta servia para apresentar o Japão como salvador do patrimônio coreano. Em 1912, o governador-geral Terauchi Masatake chegou a ordenar a transferência da gruta para Seul, plano abandonado após oposição.
O Governo-Geral realizou três grandes campanhas de reparos, em 1913–1915, 1917 e 1920–1923. Na primeira, a gruta foi inteiramente desmontada e reconstruída, e a cúpula recebeu um revestimento espesso de concreto, então considerado o material mais avançado. O concreto impediu a estrutura de “respirar” e reteve a umidade; infiltrações e condensação surgiram em menos de dois anos. Reparos posteriores acrescentaram drenagem, argamassa de cal e asfalto, mas musgos, mofo e manchas se espalharam. Em certo momento, as esculturas foram limpas com vapor.
Após a libertação, uma grande restauração realizada pelo governo coreano entre 1961 e 1964 tentou resolver o problema da umidade. Foram acrescentadas novas estruturas de concreto ao redor da cúpula e uma antecâmara de madeira com telhado de telhas na frente. Mais tarde, instalaram-se ventilação mecânica e ar-condicionado para controlar a temperatura e a umidade; na década de 1970, uma divisória de vidro passou a separar os visitantes do interior. Essas medidas estabilizaram as condições, mas tornaram a gruta dependente de máquinas.
As obras da década de 1960 também deram origem a debates duradouros sobre a forma original da gruta. Críticos argumentam que não há provas da existência da antecâmara de madeira, que ela bloqueia a vista e a circulação de ar, e que as Oito Divindades Guardiãs, reorganizadas em linhas retas, originalmente formavam um arranjo angular. Alguns defendem ainda que havia uma abertura para a entrada de luz acima da porta. O relatório oficial das obras da década de 1960 foi publicado em 1967. Como toda mudança é, na prática, irreversível, muitos especialistas preferem o monitoramento cuidadoso a novas intervenções de grande porte.
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Influência e legado
O Buda de Seokguram tornou-se um modelo para a escultura budista coreana. Budas sentados fazendo o gesto de tocar a terra, claramente inspirados nele, foram produzidos em grande número no fim do período Silla e durante Goryeo, tanto em pedra quanto em ferro.
Nos tempos modernos, Seokguram tornou-se um símbolo das realizações culturais coreanas. Aparece em livros didáticos, selos e imagens turísticas, e ver o nascer do sol do monte Toham é uma experiência clássica na Coreia. Ao mesmo tempo, sua história colonial, como monumento celebrado por estudiosos japoneses e reparado pelo Governo-Geral, fez dele um foco de reflexão sobre como o patrimônio foi definido sob o domínio colonial.
A inscrição conjunta de Seokguram e Bulguksa como Patrimônio Mundial em 1995, no mesmo ano em que foram inscritos os depósitos da Tripitaka Koreana no templo Haeinsa e o Santuário de Jongmyo, marcou as primeiras inclusões da Coreia na Lista do Patrimônio Mundial.
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Debates acadêmicos e questões em aberto
Qual Buda? Como o gesto de tocar a terra pode ser usado para representar vários Budas, a identidade da imagem principal é debatida. Uma interpretação antiga afirmava que se tratava de Amitabha, o Buda do Paraíso Ocidental, com base no relato de uma placa com a inscrição “Sugwangjeon” (Salão da Luz Eterna) e em comparações com a imagem de Amitabha em Buseoksa. Outra interpretação, baseada na doutrina Hwaeom, identificava a estátua como Vairocana, o Buda cósmico do Sutra Avataṃsaka. Hoje predomina a interpretação de que é Shakyamuni no momento da iluminação. Alguns estudiosos argumentam que sua postura, orientação e proporções reproduzem as da famosa imagem da iluminação em Bodh Gaya, na Índia, descrita pelo peregrino chinês Xuanzang. Nesse caso, Seokguram seria uma recriação do mais sagrado local budista em terras de Silla.
Quando foi construído? A data tradicional de 751 vem do Samguk yusa, escrito cerca de cinco séculos depois. Os documentos de Seokgatap recuam o início das obras de Bulguksa para 742 e sugerem que o planejamento de Seokguram também pode ter começado na década de 740. Também se debate se Kim Daeseong foi um patrono individual ou um funcionário encarregado de administrar um projeto real.
Qual era sua aparência original? As questões relativas à antecâmara de madeira, à disposição das Oito Divindades Guardiãs, a uma possível abertura para a entrada de luz e ao sistema original de ventilação dependem de provas limitadas: alguns textos e pinturas dos séculos XVII e XVIII, fotografias do início do século XX tiradas antes da desmontagem, pedras preservadas e análises de engenharia. Uma pintura de 1733 de Jeong Seon intitulada “Golgul Seokgul”, antes usada como prova de uma construção de madeira na frente, talvez mostre, na verdade, a gruta de Golgulam.
Quão precisa é a geometria? As hipóteses sobre √2 e o uso de módulos continuam influentes, mas alguns estudos recentes propõem outros métodos subjacentes, como a regra tradicional do triângulo retângulo do Leste Asiático (gougu), e alertam para o risco de atribuir proporções exatas às medidas de uma estrutura construída à mão e reconstruída no século XX.
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Fontes e métodos
Fontes escritas. O texto principal é o Samguk yusa (compilado por Iryeon, 1206–1289), especialmente a história de Kim Daeseong. Ele mistura história e lenda budista e foi escrito muito depois dos acontecimentos; por isso, exige uma leitura crítica. Os documentos de Seokgatap de 1024 e 1038 são muito mais próximos dos fatos e mais confiáveis para estabelecer a cronologia de Bulguksa. Diários de viagem, poemas e crônicas de templos do período Joseon documentam os séculos posteriores.
Vestígios materiais. A própria estrutura é a fonte mais rica: medições, marcas de ferramentas e encaixes das pedras, comparação do estilo das esculturas com obras Tang e Silla datadas, além de fragmentos recuperados durante os reparos, como as peças do pequeno pagode segurado por um dos Reis Celestiais, encontradas na década de 1960. Fotografias e desenhos feitos antes e durante a desmontagem de 1913–1915 são indispensáveis para distinguir elementos originais de partes reconstruídas.
Estudos do período colonial. Boa parte das primeiras pesquisas foi realizada por estudiosos e funcionários japoneses. Seus trabalhos contêm dados valiosos, mas também refletem objetivos coloniais. Pesquisas coreanas recentes, como o estudo de Kang Hee-jung sobre os discursos do período colonial a respeito de Seokguram (2012), examinam como o monumento foi interpretado e apresentado sob o domínio japonês.
Ciência da conservação. O monitoramento atual da temperatura, da umidade, do crescimento de microrganismos e dos movimentos da estrutura, bem como a investigação dos possíveis efeitos de terremotos sobre a gruta, constitui hoje uma importante área de pesquisa. A principal lição metodológica de Seokguram é que as decisões de restauração passam a integrar as próprias evidências, e os pesquisadores do futuro precisam conseguir distinguir as características do século VIII das alterações do século XX.
Ideias principais
- Gruta artificial
- Templo em forma de caverna construído com pedras cortadas e coberto de terra, em vez de escavado em um paredão; Seokguram é um exemplo notável.
- Terra de Buda (bulguk)
- Crença de Silla de que seu país podia ser uma terra santificada por Buda, expressa em Bulguksa e Seokguram.
- Gesto de tocar a terra
- Posição da mão que recorda a iluminação de Buda, quando ele chamou a terra como testemunha; o Buda principal faz esse gesto.
- Disposição hierárquica
- As figuras são colocadas segundo sua posição, dos guardiões na entrada aos bodisatvas e discípulos ao redor do Buda.
- Geometria modular
- O projeto usa uma unidade baseada no pé Tang e relações de proporção, indicando um planejamento matemático avançado.
- Budismo de proteção do Estado
- Ideia de que a devoção e os monumentos budistas protegiam o reino; a localização de Seokguram, voltada para o Mar do Leste, costuma ser associada a ela.
- Restauração como parte da história
- Os reparos do século XX modificaram tanto Seokguram que compreendê-los é essencial para entender o monumento.
Registros
- 676 d.C. — Silla expulsa as forças Tang e conclui a unificação da maior parte da península Coreana.
- 742 d.C. — O rei Gyeongdeok sobe ao trono; segundo os documentos de Seokgatap, começam as obras dos pagodes de Bulguksa.
- 751 d.C. — Segundo o Samguk yusa, Kim Daeseong começa a construir Bulguksa e Seokbulsa (Seokguram).
- 774 d.C. — Kim Daeseong morre; o Estado de Silla conclui o projeto.
- c. 1281 — O monge Iryeon compila o Samguk yusa, o texto mais antigo que menciona Seokguram.
- 1688 — Jeong Si-han visita a gruta e a descreve em seu diário Sanjung ilgi.
- 1703 — O monge Jonghwang repara Seokguram e constrói degraus de pedra.
- 1891 — É realizado um reparo com o apoio de um oficial militar regional.
- 1913 — O Governo-Geral japonês começa a desmontar e reconstruir a gruta (até 1915), revestindo a cúpula de concreto.
- 1961 — Começa uma grande restauração pelo governo coreano (até 1964), incluindo uma antecâmara de madeira e, mais tarde, um sistema mecânico de controle do ambiente.
- 1962 — Seokguram é designado Tesouro Nacional da Coreia.
- 1995 — A Gruta de Seokguram e o Templo de Bulguksa são inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
Glossário
- Silla Unificada
- Período (668–935) em que Silla governou a maior parte da península Coreana após derrotar Baekje e Goguryeo.
- Gruta
- Caverna natural ou artificial, muitas vezes usada como santuário.
- Rotunda
- Sala circular, geralmente coberta por uma cúpula; aqui, a câmara principal.
- Mudrā
- Gesto simbólico das mãos na arte budista e hindu.
- Bodisatva
- No budismo Mahayana, ser iluminado que ajuda outras pessoas a alcançar a iluminação.
- Avalokiteshvara (Gwaneum)
- Bodisatva da compaixão; em Seokguram, é representado com onze cabeças.
- Quatro Reis Celestiais
- Divindades guardiãs com armaduras que protegem as quatro direções do mundo budista.
- Relevo
- Escultura em que as figuras se projetam de uma superfície plana.
- Hwaeom
- Escola do budismo do Leste Asiático baseada no Sutra Avataṃsaka (Guirlanda de Flores), influente em Silla.
- Circumambulação
- Caminhada ao redor de um objeto sagrado, geralmente em sentido horário, como ato de culto.
- Pé Tang
- Unidade de comprimento usada na China da dinastia Tang, de cerca de 30 cm, que parece estar na base do projeto de Seokguram.
Perguntas e respostas
Seokguram é uma caverna natural?
Não. É uma caverna artificial construída com blocos de granito e coberta de terra, de modo que parece uma caverna na montanha.
Qual é a idade de Seokguram?
Cerca de 1.250 anos. Foi construída em meados do século VIII; segundo a tradição, as obras começaram em 751 e terminaram após 774.
Quem construiu Seokguram?
A tradição atribui a obra ao funcionário de Silla Kim Daeseong, que a teria construído para seus pais de uma vida anterior; após sua morte, em 774, a corte real a concluiu.
Qual Buda é representado pela estátua principal?
Atualmente, a maioria dos estudiosos a identifica como Shakyamuni, o Buda histórico, no momento da iluminação, embora Amitabha e Vairocana também tenham sido propostos.
Por que os visitantes não podem entrar?
A respiração, o calor do corpo e a umidade produzidos por milhões de visitantes poderiam danificar as esculturas. Por isso, desde a década de 1970, o interior é visto por trás de um vidro, com controle de temperatura e umidade.
O que deu errado nos reparos feitos durante o período colonial japonês?
Entre 1913 e 1915, a gruta foi desmontada e sua cúpula foi coberta de concreto. Isso reteve a umidade e causou infiltrações, condensação e manchas.
Qual é a relação entre Seokguram e Bulguksa?
Foram construídos como um conjunto na mesma montanha, tradicionalmente por Kim Daeseong, e inscritos juntos como Patrimônio Mundial em 1995. Seokguram pertence a Bulguksa.
O Buda está voltado para o nascer do sol no solstício de inverno?
Alguns pesquisadores afirmam que o eixo se alinha ao nascer do sol no solstício de inverno sobre o Mar do Leste, mas esse e outros alinhamentos propostos ainda são debatidos.
Fontes e leituras adicionais
- Seokguram Grotto and Bulguksa Temple. UNESCO World Heritage Centre
- 강희정 (Kang Hee-jung), 경주 석굴암 석굴 (Seokguram Grotto, Gyeongju). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies, 2024
- 국보 경주 석굴암 석굴. Korea Heritage Service, National Heritage Portal
- Seokguram. Wikipedia
- Bulguksa. Wikipedia
- Samguk yusa. Wikipedia
- Kim Daeseong. Wikipedia
- 강희정 (Kang Hee-jung), 나라의 정화, 조선의 표상: 일제강점기 석굴암론. 서강대학교 출판부 (Sogang University Press), 2012
- 석굴암수리공사보고서 (Report on the Repair of Seokguram). 문화공보부 문화재관리국 (Office of Cultural Properties, Ministry of Culture and Public Information), 1967
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
