Patrimônio

Hōryū-ji

法隆寺

c. 607 d.C. · Ikaruga, Yamato

Em uma frase

Hōryū-ji é um templo budista perto de Nara, no Japão, tradicionalmente fundado pelo príncipe Shōtoku em 607. Seu salão principal e seu pagode de cinco andares, reconstruídos no fim do século VII, estão entre as construções de madeira mais antigas do mundo.

Hōryū-ji
Imagem: 663highland · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

A maioria das casas de madeira não dura muito mais que cem anos. A chuva, os insetos e o fogo podem destruí-las. Mas, em Hōryū-ji, um templo no Japão, há construções de madeira que estão de pé há cerca de 1.300 anos. Elas são mais antigas que quase todas as outras construções de madeira da Terra.

Dizem que o templo foi começado pelo príncipe Shōtoku, que ajudou a governar o Japão há cerca de 1.400 anos. Ele seguia o budismo, uma religião que chegou ao Japão vinda da Coreia e da China. Ele é lembrado por construir templos e escrever regras que pediam aos governantes que vivessem em harmonia.

Dentro dos muros do templo, há duas construções especiais, uma ao lado da outra. Uma é o Salão Dourado, onde ficam estátuas de Buda. A outra é uma torre alta e estreita, chamada pagode, com cinco telhados, um em cima do outro. No meio dela há um enorme tronco de árvore em pé, como uma coluna. A madeira desse tronco veio de uma árvore cortada no ano 594.

Um antigo livro de história diz que o primeiro templo pegou fogo depois de ser atingido por um raio, em 670, e foi construído de novo. Por muito tempo, os estudiosos discutiram se as construções de hoje eram as primeiras ou se tinham sido reconstruídas. Arqueólogos escavaram o chão e encontraram perto dali restos queimados do primeiro templo. Isso ajudou a resolver o mistério.

Os construtores usaram madeira de cipreste-japonês, chamada hinoki. Ela é resistente e demora a apodrecer. Durante séculos, carpinteiros consertaram as construções, peça por peça. Em 1993, Hōryū-ji se tornou o primeiro lugar do Japão a entrar na Lista do Patrimônio Mundial.

Em resumo

Fundação
Tradicionalmente, em 607, pelo príncipe Shōtoku e pela imperatriz Suiko; o atual recinto ocidental foi reconstruído entre o fim do século VII e o início do século VIII, após um incêndio registrado em 670
Localização
Ikaruga, prefeitura de Nara (antiga província de Yamato), Japão
Construções mais antigas
Kondō (Salão Dourado), pagode de cinco andares, Portão Central e partes da galeria coberta no Recinto Ocidental (Sai-in)
Pagode
Cerca de 32,5 m de altura; seu pilar central veio de uma árvore cortada em 594, segundo a datação pelos anéis de crescimento
Obras famosas
Tríade Shaka, de Tori Busshi (623), Kannon de Kudara, Santuário Tamamushi, Kannon de Yumedono e pinturas murais do Kondō
Material
Principalmente madeira de hinoki (cipreste-japonês) sobre fundações de pedra, com telhados de telhas de barro
Vinculação religiosa
Templo principal da escola Shōtoku do budismo (anteriormente vinculado à escola Hossō)
Reconhecimento
Patrimônio Mundial da UNESCO «Monumentos Budistas da Região de Hōryū-ji» (1993, primeiro do Japão, junto com Hokki-ji)

Fácil

O que é Hōryū-ji?

Hōryū-ji, «Templo do Dharma Florescente», é um mosteiro budista na cidade de Ikaruga, cerca de 12 km a sudoeste da antiga capital Nara. Seu nome completo, Hōryū Gakumonji, significa «Templo de Estudos da Lei Florescente» e lembra que ali se estudavam os ensinamentos budistas, além de se praticar o culto religioso. Foi um dos Sete Grandes Templos da região de Nara.

O templo está associado ao príncipe Shōtoku (574–622), membro da família imperial que, segundo as histórias oficiais, atuou como regente de sua tia, a imperatriz Suiko, e promoveu o budismo. A tradição situa sua fundação em 607. As construções preservadas no Recinto Ocidental foram erguidas após um incêndio que a crônica da corte Nihon shoki situa em 670, mas ainda conservam o estilo do período Asuka, época em que o budismo começou a se estabelecer no Japão.

Hōryū-ji é famoso por dois motivos. Primeiro, seu Salão Dourado (Kondō) e seu pagode de cinco andares estão entre as construções de madeira mais antigas ainda existentes no mundo. Segundo, o templo guarda um importante acervo de arte budista antiga, com esculturas, pinturas e objetos artesanais dos séculos VII e VIII que têm poucos equivalentes preservados no restante do Leste Asiático. O templo possui mais de 180 bens classificados como Tesouros Nacionais ou Propriedades Culturais Importantes.

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Fácil

Como entender o templo: dois recintos e construções lado a lado

Hōryū-ji se divide em duas partes. O Recinto Ocidental (Sai-in) abriga o mosteiro principal. O Recinto Oriental (Tō-in), cerca de 120 m a leste, ocupa o local do palácio do príncipe Shōtoku, Ikaruga-no-miya, e tem como centro um salão octogonal chamado Yumedono (Salão dos Sonhos).

Os visitantes chegam ao Recinto Ocidental pelo sul, passando pelo Grande Portão Sul, e depois alcançam o Portão Central (Chūmon). Esse portão é incomum: tem quatro vãos, em vez do número ímpar mais habitual, de modo que um pilar fica bem no centro da entrada. Não se sabe por que os construtores fizeram isso. O portão dá acesso a um pátio cercado por uma galeria coberta. Dentro dela, o Kondō fica a leste e o pagode, a oeste, lado a lado. Em muitos outros templos antigos, o pagode e o salão principal ficavam alinhados, um atrás do outro. A disposição lado a lado, conhecida como «estilo Hōryū-ji», permite ver os dois ao mesmo tempo e equilibra uma construção alta e estreita com outra larga e baixa. O Grande Salão de Aulas, onde os monges estudavam, fecha o pátio ao norte.

O Kondō é um salão de dois andares sobre uma plataforma de pedra, com cerca de 18,5 m por 15,2 m. Só o térreo pode ser utilizado; o andar superior dá altura e imponência à construção. Dentro há um altar elevado com as estátuas principais. O pagode, com cerca de 32,5 m de altura, tem cinco telhados que diminuem de tamanho em direção ao topo. Um pagode é um monumento budista que abriga relíquias de Buda, e não uma construção destinada à circulação de pessoas. As relíquias estão guardadas na base de seu pilar central. Ao redor do pilar, no térreo, há esculturas de barro com cenas da vida de Buda, concluídas em 711.

Vale observar os detalhes. As colunas se alargam ligeiramente no meio, característica muitas vezes comparada à êntase dos templos gregos. Os suportes sob os beirais são entalhados em formas curvas que lembram nuvens. As balaustradas dos andares superiores têm um padrão baseado na suástica (manji), antigo símbolo budista de boa sorte. Essas características são próprias da arquitetura do período Asuka e quase não aparecem em construções japonesas posteriores.

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Fácil

Tesouros da arte budista antiga

A imagem principal do Kondō é a Tríade Shaka, uma estátua de bronze dourado do Buda histórico, Shakyamuni, acompanhada por duas figuras auxiliares. Uma inscrição em sua auréola afirma que a obra foi feita em 623 por Tori Busshi, escultor de uma família de imigrantes, em ligação com a doença e a morte do príncipe Shōtoku em 622. Os rostos alongados, o «sorriso arcaico» e as vestes de formas planas e padronizadas seguem o estilo da escultura chinesa da dinastia Wei do Norte, transmitido pela Coreia.

Outras obras célebres incluem a Kannon de Kudara, um bodisatva de madeira alto e esguio cujo nome significa «Kannon de Baekje» (Baekje foi um reino no sudoeste da Coreia), embora pesquisas atuais indiquem que a obra foi esculpida no Japão; a Kannon de Yumedono (Guze Kannon), estátua de madeira dourada que permaneceu por séculos envolta em tecido como imagem secreta; e os Quatro Reis Celestiais do Kondō, as imagens mais antigas desses deuses protetores no Japão.

O Santuário Tamamushi é uma construção em miniatura sobre um pedestal alto, com cerca de 2,3 m de altura, que já foi decorada com as asas iridescentes de besouros chamados tamamushi. Seus painéis pintados mostram cenas como a de uma vida anterior de Buda em que ele oferece o próprio corpo para alimentar uma tigresa faminta e seus filhotes. Como quase nenhuma construção do período Asuka sobreviveu além das do próprio Hōryū-ji, o santuário também é valioso como modelo da arquitetura antiga.

As paredes do Kondō receberam, no fim do século VII, pinturas de paraísos budistas que mostram influências da China Tang e, em última instância, da Índia. Elas estavam entre as pinturas antigas mais importantes do Leste Asiático até serem gravemente danificadas por um incêndio em 1949. As pinturas vistas hoje são reproduções.

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Intermediário

Contexto histórico: o budismo chega a Yamato

O budismo chegou à corte japonesa vindo do reino coreano de Baekje em meados do século VI. O Nihon shoki situa sua transmissão oficial em 552, enquanto outras fontes antigas indicam 538. A nova religião trouxe consigo a escrita, textos sagrados, a arquitetura de templos, a escultura e artesãos. O Nihon shoki registra que, em 577, Baekje enviou carpinteiros especializados em templos e um escultor de imagens. Em 588, outros artesãos, entre eles fabricantes de telhas, chegaram para construir Asuka-dera, o primeiro templo de grande porte do Japão, para o poderoso clã Soga.

Adotar o budismo foi uma escolha política e religiosa. O clã Soga o apoiava; clãs rivais, como o Mononobe, se opunham a ele. O conflito terminou com a vitória dos Soga em 587. Sob a imperatriz Suiko (reinou de 592 a 628), com Soga no Umako e o príncipe Shōtoku em papéis de destaque, a corte adotou o budismo e formas de governo inspiradas na China. O Nihon shoki atribui a Shōtoku um sistema de graus da corte (603), a Constituição dos Dezessete Artigos (604) e o envio de embaixadas à China da dinastia Sui. A crônica também registra a existência de 46 templos em 624.

Hōryū-ji pertence a esse mundo de intensas trocas pelo mar. Suas técnicas de construção e seus estilos artísticos vieram de Baekje e da China das Dinastias do Norte e do Sul e da dinastia Sui. Eles foram adaptados por artesãos no Japão, muitos deles de famílias de imigrantes. O templo, portanto, mostra uma civilização budista compartilhada no Leste Asiático. Como restaram pouquíssimas construções antigas de madeira na China e na Coreia, Hōryū-ji também ajuda a compreender as construções desaparecidas do continente.

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Intermediário

Fundação, incêndio e reconstrução

Duas inscrições dão apoio à data tradicional de fundação. A auréola da estátua de Yakushi (Buda da Medicina) no Kondō afirma que o imperador Yōmei, pai de Shōtoku, prometeu construir um templo e uma estátua quando adoeceu em 586, e que, após sua morte, a imperatriz Suiko e o príncipe os concluíram em 607. A auréola da Tríade Shaka traz a data de 623. Muitos estudiosos, porém, consideram que a inscrição e a estátua de Yakushi foram feitas depois da data que apresentam. Por isso, 607 deve ser entendida como a data tradicional do templo.

O Nihon shoki registra que, no 30º dia do quarto mês de 670, Hōryū-ji pegou fogo durante a noite e que «não restou uma única construção». O templo foi reconstruído em um local ligeiramente diferente. Registros do templo afirmam que as esculturas de barro do pagode e as figuras protetoras do Portão Central foram feitas em 711. Nessa época, o Recinto Ocidental estava praticamente concluído.

No Recinto Oriental, o Yumedono foi construído em 739 sobre as ruínas do palácio de Shōtoku, tradicionalmente por iniciativa do monge Gyōshin, para homenagear a memória do príncipe. Com o crescimento da devoção a Shōtoku nos séculos seguintes, o príncipe passou a ser venerado como uma manifestação do bodisatva Kannon e como fundador do budismo japonês. Hōryū-ji tornou-se um importante destino de peregrinação dedicado a ele. O Grande Salão de Aulas foi reconstruído em 990, e outros salões foram acrescentados ou reconstruídos nos períodos Heian, Kamakura e posteriores.

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Intermediário

Como foi construído e como sobreviveu

As construções têm estruturas de madeira apoiadas sobre bases de pedra. Na estrutura principal não há pregos: as peças se encaixam por meio de junções cuidadosamente cortadas e são mantidas no lugar pelo peso dos telhados de telhas. Os construtores usaram hinoki, um cipreste aromático que cresce reto e alto e resiste à deterioração. Alguns mestres carpinteiros afirmam que a boa madeira de hinoki se torna mais forte durante séculos após o corte.

Como um pagode de madeira sobreviveu por 1.300 anos em um país sujeito a terremotos e tufões? Seus cinco andares não são rigidamente presos uns aos outros; cada um pode se mover um pouco, e as junções absorvem energia. O pilar central (shinbashira) atravessa o meio da construção sem sustentar diretamente os pisos. Engenheiros ainda discutem quanto cada característica contribui, mas a estrutura flexível, os beirais largos que afastam a chuva das paredes e a manutenção constante ajudam a explicar sua sobrevivência.

A manutenção foi essencial. Ao longo dos séculos, as construções passaram por muitos reparos, e as peças danificadas foram substituídas sempre que possível sem retirar as madeiras originais. A maior campanha, a Grande Restauração da Era Shōwa, durou de 1934 a 1985. As construções foram desmontadas, estudadas e montadas novamente. Durante a Segunda Guerra Mundial, algumas partes foram removidas e guardadas por segurança. O mestre carpinteiro Nishioka Tsunekazu, que trabalhou em Hōryū-ji por décadas, ficou conhecido por preservar técnicas tradicionais e o conhecimento sobre a madeira.

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Intermediário

História moderna: tesouros, incêndio e uma nova lei

Após a Restauração Meiji de 1868, políticas governamentais de separação entre o xintoísmo e o budismo privaram muitos templos de terras e rendimentos. Em 1878, Hōryū-ji entregou mais de 300 de seus tesouros à Casa Imperial e recebeu em troca dinheiro que ajudou o templo a sobreviver. Esses objetos, entre eles antigos estandartes, máscaras e esculturas, estão hoje na Galeria dos Tesouros de Hōryū-ji, no Museu Nacional de Tóquio.

Na década de 1880, o pesquisador norte-americano Ernest Fenollosa e o crítico japonês Okakura Kakuzō, que examinavam os tesouros artísticos do Japão para o governo, convenceram os monges a retirar o tecido que envolvia a secreta Kannon de Yumedono, não vista havia séculos. O excelente estado da estátua os surpreendeu. O episódio passou a fazer parte da história de como a arte budista japonesa foi «descoberta» como bela arte na era moderna.

Em 26 de janeiro de 1949, durante a desmontagem do Kondō para reparos, um incêndio danificou gravemente o térreo e suas pinturas murais. O impacto do acontecimento ajudou a levar à Lei de Proteção dos Bens Culturais de 1950, base do atual sistema japonês de preservação do patrimônio. O dia 26 de janeiro ainda é celebrado como o Dia de Prevenção de Incêndios em Bens Culturais. A restauração do Kondō foi concluída em 1954; estima-se que cerca de 15% a 20% de seu material do século VII tenha sobrevivido. As peças originais carbonizadas e as pinturas danificadas são preservadas em um depósito separado para pesquisa.

Em 1993, 47 construções de Hōryū-ji e o pagode do templo vizinho Hokki-ji, totalizando 48 monumentos, entraram na Lista do Patrimônio Mundial como os Monumentos Budistas da Região de Hōryū-ji, o primeiro sítio japonês reconhecido como Patrimônio Mundial. Em 1950, o templo deixou a escola Hossō e tornou-se o templo principal de sua própria escola Shōtoku.

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Intermediário

Significado religioso e legado

Para os budistas, Hōryū-ji é, antes de tudo, um templo em atividade. O pagode guarda relíquias e representa a presença de Buda; o Kondō abriga as imagens diante das quais são realizados rituais. A cerimônia memorial anual Shōryō-e, dedicada ao príncipe Shōtoku e celebrada pelo menos desde o século XII, mostra como o templo se tornou um centro de devoção ao príncipe, venerado por muitos japoneses como sábio e bodisatva.

Para historiadores da arte e arquitetos, Hōryū-ji é uma «cápsula do tempo» do século VII. Suas construções e seus objetos preservam estilos do continente asiático que quase desapareceram lá, tornando o templo uma referência para o estudo da arte do Leste Asiático. Histórias modernas da arquitetura japonesa frequentemente o tomam como ponto de partida.

O próprio príncipe Shōtoku tornou-se um símbolo nacional: seu retrato apareceu em cédulas japonesas durante boa parte do século XX, e seu apelo à «harmonia» (wa), no primeiro artigo da Constituição dos Dezessete Artigos, é muitas vezes citado como um ideal japonês. A imagem do templo, assim, reflete tanto a história antiga quanto a maneira como o Japão moderno escolheu recordar suas origens.

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Avançado

O debate sobre a reconstrução e outras questões em aberto

Reconstruído ou original? Do fim do século XIX até 1939, estudiosos japoneses travaram um de seus debates acadêmicos mais conhecidos, a «controvérsia sobre a reconstrução de Hōryū-ji» (saiken–hisaiken ronsō). Historiadores como Kita Sadakichi confiavam no registro do Nihon shoki sobre o incêndio total de 670 e defendiam que as construções atuais haviam sido reconstruídas. Historiadores da arquitetura como Sekino Tadashi argumentavam que o estilo das construções e a unidade de medida usada em seu projeto (o chamado Koma shaku, uma medida de comprimento antiga) provavam que elas eram da época de Shōtoku e haviam escapado do incêndio.

A arqueologia resolveu grande parte da questão. Em 1939, escavações coordenadas por Ishida Mosaku a sudeste do atual Recinto Ocidental revelaram as fundações de um templo anterior, hoje chamado Wakakusa-garan. Seu pagode e seu salão ficavam alinhados, um atrás do outro, e tinham uma orientação claramente diferente da das construções atuais. Escavações posteriores encontraram fragmentos queimados de pinturas murais e telhas. A maioria dos estudiosos aceita hoje que Wakakusa-garan era o templo original de Shōtoku, que foi destruído pelo fogo, e que o atual Recinto Ocidental foi construído depois.

Novas perguntas. Em 2001, a datação pelos anéis de crescimento mostrou que o pilar central do pagode veio de uma árvore cortada em 594, décadas antes do incêndio. A madeira ficou guardada por muito tempo, foi reaproveitada de outra construção ou veio de uma estrutura mais antiga? Algumas madeiras do Kondō foram cortadas pouco antes de 670, o que sugere que sua construção atual pode ter começado antes mesmo do incêndio daquele ano, ou que a reconstrução teve início logo depois. Os estudiosos ainda discutem a sequência exata dos acontecimentos e a relação entre Wakakusa-garan e o novo conjunto.

O Shōtoku histórico. Alguns historiadores argumentam que boa parte da tradição sobre Shōtoku, inclusive a atribuição da Constituição dos Dezessete Artigos, foi criada ou ampliada pelos compiladores do Nihon shoki um século depois, e que o papel real do príncipe pode ter sido menor. Outros defendem que a tradição tem um núcleo histórico substancial. Como as inscrições nas imagens de Yakushi e Shaka são provas centrais nesse debate, a datação delas também é contestada.

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Avançado

Fontes e métodos de pesquisa

Fontes escritas. O Nihon shoki (720) é a mais antiga história oficial, mas foi escrito com objetivos políticos, e seus relatos sobre a época de Shōtoku precisam ser analisados criticamente. Documentos do templo, como o Hōryū-ji garan engi narabi ni ruki shizaichō (inventário dos bens do templo compilado em 747), registram construções e objetos do século VIII. As inscrições em estátuas e auréolas são valiosas, mas também precisam ser datadas.

Arqueologia. As escavações de Wakakusa-garan, do local do palácio sob o Recinto Oriental e de templos próximos, como Hokki-ji e Chūgū-ji, fornecem fundações, telhas e fragmentos que podem ser datados pelo estilo e pela estratigrafia. Os padrões das telhas são especialmente importantes, pois seus desenhos podem ser relacionados a oficinas ligadas a Baekje e a outros templos japoneses antigos.

Datação científica. A dendrocronologia compara os padrões dos anéis de crescimento das árvores com uma cronologia de referência. Ela transformou o estudo de Hōryū-ji ao fornecer datas de corte para peças de madeira específicas. Indica quando uma árvore foi cortada, não quando sua madeira foi usada; por isso, seus resultados devem ser combinados com a análise arquitetônica. A análise dos materiais de pigmentos, metais e laca esclareceu como estátuas e pinturas foram feitas.

Levantamentos arquitetônicos. A Grande Restauração da Era Shōwa produziu registros detalhados de cada construção, incluindo marcas de reparos anteriores, mudanças nas estruturas dos telhados e peças substituídas. As peças queimadas do Kondō, cuidadosamente preservadas, continuam a servir à pesquisa. Hōryū-ji mostra que a história dos reparos faz parte da história de uma construção: para entender o que é original, é preciso conhecer o trabalho realizado por gerações de carpinteiros.

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Ideias principais

Construções de madeira mais antigas
O Kondō e o pagode, reconstruídos no fim do século VII, estão entre as construções de madeira mais antigas ainda existentes no mundo.
Disposição lado a lado
O Kondō e o pagode ficam um ao lado do outro dentro da galeria coberta, uma disposição característica conhecida como estilo Hōryū-ji.
Estilo Asuka
Colunas que se alargam no meio, suportes em forma de nuvem e balaustradas com padrão de suástica preservam a arquitetura e a arte do início do budismo no Japão.
Trocas no Leste Asiático
Técnicas e estilos vieram de Baekje e da China e foram adaptados por artesãos no Japão, muitos deles de famílias de imigrantes.
Devoção a Shōtoku
A veneração do príncipe Shōtoku como sábio e bodisatva moldou a história posterior do templo e a imagem moderna do príncipe.
Controvérsia sobre a reconstrução
Um longo debate sobre a possibilidade de as construções terem sobrevivido ao incêndio de 670, em grande parte resolvido pelas escavações de Wakakusa-garan em 1939.
Reparar para preservar
A manutenção contínua por carpinteiros especializados permite que o patrimônio de madeira sobreviva.

Registros

  1. 552 d.C. — Segundo o Nihon shoki, o budismo é oficialmente transmitido de Baekje ao Japão (outras fontes indicam 538).
  2. 594 d.C. — É cortada a árvore que mais tarde se tornaria o pilar central do pagode, segundo a datação pelos anéis de crescimento.
  3. 607 d.C. — Data tradicional da fundação de Hōryū-ji pela imperatriz Suiko e pelo príncipe Shōtoku.
  4. 622 d.C. — Morre o príncipe Shōtoku.
  5. 623 d.C. — Tori Busshi conclui a Tríade Shaka, segundo a inscrição em sua auréola.
  6. 670 d.C. — O Nihon shoki registra que o templo é completamente destruído pelo fogo.
  7. 711 d.C. — São concluídas as esculturas de barro do pagode e as figuras protetoras do Portão Central; o Recinto Ocidental está praticamente reconstruído.
  8. 739 d.C. — O Yumedono é construído no local do palácio de Shōtoku, no Recinto Oriental.
  9. 1878 — Mais de 300 tesouros são entregues à Casa Imperial (hoje estão no Museu Nacional de Tóquio).
  10. 1939 — Escavações em Wakakusa-garan revelam as fundações do templo original.
  11. 1949 — Um incêndio danifica o Kondō e suas pinturas murais, contribuindo para a criação da lei de proteção dos bens culturais de 1950.
  12. 1993 — Os Monumentos Budistas da Região de Hōryū-ji tornam-se o primeiro sítio japonês inscrito na Lista do Patrimônio Mundial.

Glossário

Período Asuka
Época da história japonesa que vai do fim do século VI até 710, quando o budismo e formas de governo inspiradas na China foram adotados.
Kondō
«Salão Dourado», o salão das imagens principais de um antigo templo budista japonês.
Pagode
Torre de vários andares que guarda relíquias de Buda.
Shinbashira
Pilar central que se eleva pelo meio de um pagode japonês.
Garan
Conjunto dos edifícios principais de um mosteiro budista e sua disposição.
Hinoki
Cipreste-japonês, madeira durável usada em templos budistas e santuários xintoístas.
Bodisatva
No budismo Mahayana, ser que busca a iluminação e ajuda outros a alcançá-la; Kannon é o bodisatva da compaixão.
Nihon shoki
«Crônicas do Japão», obra histórica oficial concluída em 720.
Dendrocronologia
Método de datação da madeira que compara seus anéis anuais de crescimento com um registro de referência.
Êntase
Ligeiro alargamento no meio de uma coluna.

Perguntas e respostas

Hōryū-ji é mesmo a construção de madeira mais antiga do mundo?

Seu Kondō e seu pagode, construídos no fim do século VII, são geralmente descritos como as construções de madeira mais antigas ainda existentes no mundo, embora algumas partes tenham sido substituídas durante reparos.

Quem foi o príncipe Shōtoku?

Foi um membro da família imperial (574–622) que, segundo o Nihon shoki, ajudou a governar sob a imperatriz Suiko, promoveu o budismo e escreveu a Constituição dos Dezessete Artigos. Os historiadores discutem quanto dessa tradição é correto.

O templo foi destruído pelo fogo?

O Nihon shoki afirma que ele foi completamente destruído por um incêndio em 670. Escavações em Wakakusa-garan, em 1939, encontraram restos de um templo anterior; por isso, a maioria dos estudiosos concorda que as construções atuais são fruto de uma reconstrução.

Por que o pilar do pagode é mais antigo que o incêndio?

Os anéis de crescimento mostram que a árvore foi cortada em 594. A madeira pode ter ficado guardada ou ter sido reaproveitada; os estudiosos ainda discutem o motivo.

Como um pagode de madeira sobreviveu a terremotos?

Seus andares podem se mover um pouco, e as junções absorvem os tremores. Beirais largos o protegem da chuva, e carpinteiros o consertam continuamente.

Por que há um pilar no meio do Portão Central?

O portão tem um número par de vãos, por isso um pilar fica no centro. Ninguém sabe ao certo por que ele foi construído assim. Muitas explicações foram propostas, mas nenhuma foi comprovada.

O que aconteceu com as pinturas murais do Kondō?

Um incêndio durante os reparos, em 1949, as danificou gravemente. As originais são mantidas em um depósito, e reproduções são exibidas no salão.

Qual é a ligação entre Hōryū-ji e a Coreia?

O budismo e as técnicas de construção de templos chegaram ao Japão vindos de Baekje. A arquitetura e a arte de Hōryū-ji mostram fortes influências de Baekje e da China. O nome da Kannon de Kudara (Baekje) reflete essa ligação.

Fontes e leituras adicionais

  1. Buddhist Monuments in the Horyu-ji Area. UNESCO World Heritage Centre
  2. Hōryū-ji. Wikipedia
  3. Buddhist Monuments in the Hōryū-ji Area. Wikipedia
  4. Tamamushi Shrine. Wikipedia
  5. Prince Shōtoku. Wikipedia
  6. Mark Cartwright, Horyuji. World History Encyclopedia, 2017
  7. 호류사. 위키백과
  8. Mizuno Seiichi, Asuka Buddhist Art: Horyu-ji. Weatherhill / Heibonsha, 1974

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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