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Para jovens leitores
Há cerca de 1.270 anos, dois dos maiores impérios do mundo se encontraram no centro da Ásia. A leste ficava a China, governada pela dinastia Tang. A oeste havia um grande império muçulmano, governado pelos califas abássidas. Suas terras iam do norte da África até a Ásia Central.
Entre os dois impérios ficavam cidades da Rota da Seda. Nelas, comerciantes trocavam seda, cavalos, prata e especiarias. Os dois impérios queriam que essas cidades fossem suas aliadas.
No verão de 751, um exército Tang comandado pelo general Gao Xianzhi atravessou as montanhas rumo ao oeste. Perto do rio Talas, na região onde hoje ficam o Cazaquistão e o Quirguistão, encontrou um exército abássida. A luta durou vários dias. Então, soldados de um povo turco chamado carlucos, que lutavam ao lado dos Tang, se voltaram contra eles. O exército Tang sofreu uma grande derrota, e poucos soldados conseguiram escapar.
Muitos soldados chineses foram feitos prisioneiros. Um deles, um jovem chamado Du Huan, viajou durante anos por terras muçulmanas. Mais tarde, escreveu sobre o que viu. Seu relato é uma das primeiras descrições chinesas do mundo islâmico.
Uma história famosa diz que, depois da batalha, prisioneiros chineses ensinaram os árabes a fazer papel. Mas os historiadores hoje acreditam que o papel já era conhecido na Ásia Central antes de 751. Por isso, a batalha provavelmente não foi o começo da fabricação de papel no mundo islâmico.
Em resumo
- Data
- 751, provavelmente em julho (as fontes divergem sobre o mês exato)
- Local
- Perto do rio Talas e da cidade de Talas (Daluosi em chinês, Taraz/Atlakh em árabe), na fronteira entre os atuais Cazaquistão e Quirguistão; local exato desconhecido
- Lados
- China da dinastia Tang, com tropas aliadas de Fergana e turcos carlucos; Califado Abássida, com aliados locais
- Comandantes
- Tang: Gao Xianzhi, com Li Siye e Duan Xiushi. Abássidas: Ziyad ibn Salih, subordinado a Abu Muslim, governador de Coração
- Efetivos
- Incerto; fontes chinesas mencionam cerca de 30 mil soldados Tang e aliados. Os números atribuídos ao exército abássida variam muito
- Resultado
- Vitória abássida após os carlucos se voltarem contra os Tang
- Principais fontes
- Chinesas: Tongdian, Antigo Livro de Tang, Novo Livro de Tang e Zizhi Tongjian. Árabes: historiadores posteriores, como Ibn al-Athir e al-Dhahabi
- Importância
- Debatida; a batalha marcou o limite ocidental das ações militares Tang, mas a retirada Tang da Ásia Central ocorreu principalmente após a Rebelião de An Lushan, iniciada em 755
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O que aconteceu em Talas?
Em 751, um exército da China da dinastia Tang, comandado pelo general Gao Xianzhi, enfrentou um exército do Califado Abássida perto do rio Talas, na Ásia Central. Após vários dias de combate, os carlucos, um povo turco que lutava ao lado dos Tang, passaram para o lado dos abássidas ou atacaram os Tang pela retaguarda. O exército Tang se desfez; Gao Xianzhi escapou com uma pequena parte de suas tropas.
A batalha é famosa por ter sido o único grande confronto da história entre o império chinês e um império árabe-islâmico. Ela ocorreu onde as áreas de influência desses dois impérios em expansão se encontravam, nas rotas da Rota da Seda.
Sua importância ainda é debatida. Alguns autores a consideram um ponto de virada que decidiu se a Ásia Central se tornaria chinesa ou muçulmana; outros a veem como uma batalha de fronteira com consequências limitadas. Os dois lados não continuaram lutando e, em menos de um ano, voltaram a trocar embaixadores.
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Dois impérios na Rota da Seda
Na primeira metade do século VIII, a China da dinastia Tang estava no auge de seu poder. A partir do Protetorado-Geral para Pacificação do Oeste (Anxi), sediado em Kucha, na bacia do Tarim, ela controlava ou influenciava cidades-oásis muito a oeste. Seu principal rival na região era o Império Tibetano, que disputava com os Tang o controle das montanhas do Pamir e das rotas para a Índia e a Ásia Central.
Enquanto isso, exércitos árabes haviam conquistado o Irã e, no início do século VIII, as terras entre os rios Amu Dária e Sir Dária, chamadas pelos árabes de Ma wara’ al-nahr (Transoxiana). Essa região era o lar dos sogdianos, comerciantes famosos de cidades como Samarcanda e Bucara. Às vezes, governantes locais pediam ajuda à China contra os árabes.
Em 750, a revolução abássida, iniciada em Coração, no nordeste do Irã, derrubou o Califado Omíada. Seu líder militar na região, Abu Muslim, controlava as províncias orientais. A nova dinastia precisava proteger sua fronteira oriental, enquanto comandantes Tang avançavam cada vez mais para o oeste.
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Gao Xianzhi, o general de origem goguryeo
O comandante Tang, Gao Xianzhi (Go Seonji em coreano), era filho de uma família de Goguryeo que se mudara para a China depois que os reinos Tang e Silla destruíram o reino coreano de Goguryeo, em 668. Seu pai também serviu como oficial Tang no oeste. Gao progrediu no exército do protetorado ocidental.
Em 747, ele liderou uma expedição através do Pamir, uma das cadeias de montanhas mais altas do mundo, e derrotou Pequeno Bolü (na região de Gilgit, no atual Paquistão), um Estado aliado do Tibete. Atravessar passos de alta montanha com um exército foi um feito extraordinário; o explorador Aurel Stein, que estudou sua rota, elogiou muito a expedição. Depois disso, muitos pequenos Estados da região aceitaram a autoridade Tang.
Mais tarde, Gao tornou-se governador militar em Kucha. Sua carreira terminou de forma trágica: durante a Rebelião de An Lushan, após uma retirada, ele e o general Feng Changqing foram acusados por um eunuco encarregado da supervisão militar e executados no início de 756.
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O caminho até a batalha: Chach, Fergana e o pedido de ajuda aos árabes
A causa imediata estava em um conflito entre dois Estados da Ásia Central. Fergana, aliada dos Tang, disputava com Chach (Shi em chinês, na região da atual Tashkent). Em 750, Gao Xianzhi marchou contra Chach. Segundo fontes chinesas, o rei de Chach se rendeu, mas Gao descumpriu sua promessa de protegê-lo, saqueou a cidade e levou o rei a Chang’an, onde ele foi executado. Até historiadores chineses condenaram o episódio como um ato de ganância e deslealdade.
O filho do rei escapou e pediu ajuda aos Estados vizinhos e aos árabes. As autoridades abássidas em Coração, sob Abu Muslim, enviaram um exército comandado por Ziyad ibn Salih. Fontes chinesas afirmam que, ao saber que os árabes planejavam atacar as guarnições ocidentais dos Tang, Gao decidiu atacar primeiro e marchou para bem longe, rumo ao oeste, com soldados Tang e tropas aliadas.
Assim, cada lado via a guerra de maneira diferente. Para os Tang, era uma campanha para punir vassalos desleais e impedir uma ameaça árabe. Para os abássidas e muitos governantes sogdianos e turcos, era uma resposta à agressão e à traição chinesas em Chach, além de uma oportunidade de proteger a fronteira oriental da nova dinastia.
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A batalha e a mudança de lado dos carlucos
O exército de Gao avançou cerca de 700 li chineses (aproximadamente 300 a 400 km) além da fronteira Tang e encontrou o exército abássida perto de Talas, provavelmente em julho de 751. Fontes chinesas mencionam cerca de 30 mil soldados Tang e de outros povos; fontes árabes atribuem números muito maiores ao lado chinês. As estimativas modernas para ambos os exércitos variam muito, e nenhuma pode ser confirmada.
Segundo os relatos mais completos, os exércitos lutaram por cerca de cinco dias sem que nenhum obtivesse uma vitória decisiva. Diz-se que os soldados Tang armados com bestas foram eficazes no início. Então, os carlucos, uma confederação turca que servia com os Tang, mudaram de lado e atacaram o exército Tang, enquanto os abássidas avançavam pela frente. O exército Tang se desfez.
Durante a retirada, a estrada foi bloqueada por soldados de Fergana em fuga e pela bagagem. O oficial Tang Li Siye abriu caminho com uma clava para que Gao escapasse. Segundo o Zizhi Tongjian, outro oficial, Duan Xiushi, o repreendeu por salvar a si mesmo e abandonar as tropas; Li então ajudou a reunir os sobreviventes. Apenas alguns milhares de homens retornaram. Os demais morreram ou foram capturados.
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Consequências: prisioneiros, enviados e a Rebelião de An Lushan
Muitos soldados Tang foram feitos prisioneiros; fontes árabes dão números na casa das dezenas de milhares, provavelmente exagerados. Muitos foram levados para o oeste, às terras abássidas. Alguns eram artesãos, e relatos posteriores afirmam que trabalharam como tecelões, pintores e fabricantes de papel.
A derrota não levou a uma longa guerra. Os abássidas não invadiram a bacia do Tarim, e os Tang continuaram ativos na região por mais alguns anos. Registros chineses mencionam embaixadas árabes enviadas à corte Tang a partir de 752. Alguns anos depois, durante a Rebelião de An Lushan, tropas árabes estavam entre os soldados estrangeiros que ajudaram o imperador Suzong a reconquistar as capitais.
O verdadeiro ponto de virada para o poder Tang na Ásia Central veio em 755, quando a Rebelião de An Lushan obrigou a corte a retirar da fronteira suas melhores tropas. O Tibete então tomou o corredor da região de Hexi e isolou os Tang de suas guarnições ocidentais, que resistiram até o fim do século VIII. Foi isso, mais do que a própria batalha de Talas, que pôs fim ao domínio Tang no oeste.
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As pessoas atingidas pela guerra
Talas costuma ser descrita como uma disputa entre dois impérios, mas a maioria das pessoas que lutaram e sofreram ali não era chinesa han nem árabe. O exército Tang no oeste dependia muito de soldados de outros povos: cavalaria turca, tropas de cidades-oásis e aliados como Fergana. As forças abássidas em Coração incluíam persas, árabes estabelecidos no leste e aliados locais da Ásia Central. Os carlucos, cuja mudança de lado decidiu a batalha, também defendiam seus próprios interesses como uma potência turca em ascensão entre os impérios.
Para os soldados comuns, a campanha significava marchar centenas de quilômetros por desertos e montanhas, longe de casa. O poeta Du Fu, que escrevia em Chang’an nessa época, descreveu em “Canção das carroças” a dor das famílias cujos filhos eram enviados a guerras intermináveis na fronteira, além dos ossos deixados sem sepultura às margens do lago Kokonor. Talas foi uma de várias derrotas graves em 751, e fontes chinesas registram perdas de dezenas de milhares de homens.
Os prisioneiros pagaram um preço duradouro. Levados para lugares a milhares de quilômetros de casa, a maioria desaparece dos registros históricos. Apenas alguns, como Du Huan e os artesãos que ele menciona, são conhecidos pelo nome, e só se sabe que Du Huan retornou. Para os habitantes de Chach, cujo rei havia sido executado e cuja cidade fora saqueada em 750, a guerra começou com uma traição dos Tang; seu sofrimento também faz parte da história de Talas.
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Du Huan: um prisioneiro que conheceu o mundo islâmico
Um dos prisioneiros era Du Huan, um jovem de Chang’an e parente do erudito e funcionário público Du You. Ele passou mais de dez anos nas terras abássidas e viajou até Kufa, no Iraque, então capital abássida, e talvez além. Em 762, retornou à China por mar e desembarcou em Guangzhou.
Ele escreveu um relato de suas viagens, o Jingxingji (“Registro de Viagens”). O livro completo se perdeu, mas Du You citou partes dele em sua enciclopédia, o Tongdian (801). Os fragmentos preservados descrevem os costumes dos árabes, suas roupas, comidas e orações, a proibição islâmica do vinho e da carne de porco, as reuniões de sexta-feira e os sermões do califa. Também mencionam pintores e tecelões de seda chineses que trabalhavam em Kufa, prisioneiros capturados em 751.
O texto de Du Huan é uma das primeiras descrições chinesas do islamismo e do mundo abássida feitas por uma testemunha presencial. Seu tom geralmente admirado levou estudiosos como Angela Schottenhammer a sugerir que ele desfrutou de considerável liberdade durante os anos que passou ali.
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Talas levou o papel ao Ocidente?
Uma história famosa associa a batalha a uma das grandes transferências de tecnologia da história. O escritor árabe do século XI al-Tha’alibi, citando uma fonte anterior, afirmou que prisioneiros chineses capturados por Ziyad ibn Salih introduziram a fabricação de papel em Samarcanda, que depois ficou famosa por seu papel. Muitas obras de divulgação repetem que a batalha levou o papel ao mundo islâmico e, por fim, à Europa.
Hoje, os historiadores tratam essa história com cautela. O papel já era usado na Ásia Central muito antes de 751; as “Cartas Antigas” sogdianas do século IV, encontradas perto de Dunhuang, foram escritas em papel. Há também indícios de que o papel era usado e provavelmente fabricado em Samarcanda décadas antes da batalha. Jonathan Bloom, em Paper Before Print (2001), argumenta que a história de Talas deve ser entendida como uma tradição que atribui o mérito a artesãos chineses, e não como um registro exato de como a técnica chegou à região.
O que se sabe é que a fabricação de papel se difundiu pelo mundo islâmico no fim do século VIII: há registros de fábricas de papel em Bagdá na década de 790, e o papel transformou a administração, os estudos e a produção de livros no mundo islâmico. É possível que alguns prisioneiros de Talas tenham contribuído, mas a batalha não foi a única causa.
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Quem eram os carlucos e por que mudaram de lado?
Os carlucos eram uma confederação de tribos turcas cuja terra de origem ficava nas proximidades do rio Irtysh Negro e das montanhas Tarbagatai, na região de fronteira entre os atuais Cazaquistão, China e Mongólia. Na década de 740, juntaram-se aos uigures e basmilos para derrubar o Segundo Canato Turco e se tornavam uma força poderosa nas estepes ocidentais.
Não está claro por que se voltaram contra os Tang em Talas. Alguns autores árabes sugerem que eles já mantinham contato com os abássidas; historiadores modernos frequentemente interpretam sua ação como uma escolha oportunista de uma potência em ascensão que não queria ver nenhum dos dois impérios dominar a região. As fontes chinesas simplesmente registram sua deserção como o momento decisivo.
Depois de 751, os carlucos se expandiram para o oeste; em 766, haviam tomado Suyab, no vale do Chu, perto da área onde ocorreu a batalha, e fizeram da cidade sua capital. O historiador árabe al-Ya’qubi relata que um governante carluco aceitou o islamismo no reinado do califa al-Mahdi (775–785), mas a conversão do povo carluco foi gradual. Eles são frequentemente associados à ascensão do Estado caracânida, a primeira dinastia turca a adotar o islamismo, no século X, embora as origens dos caracânidas sejam debatidas. Foi esse longo processo, mais do que a própria batalha, que tornou o islamismo a religião predominante na região.
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Qual foi a importância de Talas? Interpretações diferentes
O orientalista russo V. V. Barthold argumentou que a batalha decidiu qual das duas civilizações, a chinesa ou a muçulmana, predominaria na Ásia Central. Essa interpretação foi influente no século XX e ainda aparece em obras de divulgação, que muitas vezes também afirmam que a batalha levou à islamização dos povos turcos.
Muitos historiadores posteriores adotaram uma posição mais cautelosa. Eles observam que os abássidas não tentaram aproveitar a vitória para avançar para o leste; que os Tang continuaram ativos nas regiões ocidentais até a Rebelião de An Lushan; que o poder tibetano, e não o árabe, ocupou o espaço deixado pelos Tang; e que a conversão dos povos turcos da Ásia Central ao islamismo foi um processo lento, ocorrido sobretudo a partir do século X por meio do comércio, de missionários e dos Estados samânida e caracânida. Nessa interpretação, Talas foi uma derrota importante na fronteira, mas seus efeitos de longo prazo foram exagerados.
As perspectivas também variam conforme a região. Na historiografia chinesa, a batalha costuma ser tratada como uma entre várias derrotas nas fronteiras em 751, ao lado das perdas para Nanzhao, no sudoeste, e para os quitais, no nordeste, e como sinal de que os Tang haviam avançado além de sua capacidade antes da rebelião. Cronistas árabes deram pouca atenção à batalha na época. No Cazaquistão e no Quirguistão, ela às vezes é apresentada como parte da história nacional por ter ocorrido em terras locais, enquanto na Coreia o interesse se concentra em Gao Xianzhi como general de ascendência goguryeo.
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As fontes e seus problemas
As fontes chinesas são as mais detalhadas. O Tongdian de Du You (801) preserva fragmentos do relato de Du Huan, uma testemunha presencial; as biografias de Gao Xianzhi e Li Siye no Antigo Livro de Tang (945) e no Novo Livro de Tang (1060), além da narrativa do Zizhi Tongjian (1084), de Sima Guang, descrevem a campanha, o episódio de Chach e a retirada. Essas obras foram escritas do ponto de vista da corte Tang e às vezes atribuem a derrota à ganância de Gao.
Do lado árabe, a batalha quase não é mencionada nas primeiras crônicas que sobreviveram. Os relatos árabes mais completos são de autores muito posteriores, como Ibn al-Athir (falecido em 1233) e al-Dhahabi (falecido em 1348), que apresentam números elevados de chineses mortos e capturados. A história sobre o papel contada por al-Tha’alibi no século XI pertence a uma tradição separada. Esses textos posteriores dependem de fontes hoje perdidas e devem ser usados com cautela.
Como as duas tradições raramente mencionam os mesmos detalhes, os historiadores precisam combiná-las com cuidado, e os números de soldados e de vítimas continuam muito incertos. O local exato da batalha não foi identificado por pesquisas arqueológicas; geralmente é situado perto da atual Taraz, no Cazaquistão, ou de Talas, no Quirguistão. Futuras pesquisas arqueológicas no vale do Talas poderão ajudar, mas até agora nenhum vestígio de campo de batalha foi associado com segurança ao ano de 751.
Ideias principais
- Encontro de impérios
- Talas foi a única grande batalha entre os impérios chinês e árabe-islâmico, travada onde suas áreas de influência se encontravam na Ásia Central.
- A política local provoca uma guerra entre grandes potências
- A guerra começou com uma disputa entre Fergana e Chach e com o tratamento severo dado por Gao Xianzhi ao rei de Chach.
- Aliados decidem batalhas
- A mudança de lado dos carlucos transformou um impasse em um desastre para os Tang.
- Expansão além da capacidade
- Historiadores chineses frequentemente interpretam Talas, junto com outras derrotas de 751, como sinal de que os Tang haviam avançado além de sua capacidade antes da Rebelião de An Lushan.
- O mito da batalha do papel
- A história de que prisioneiros de Talas introduziram o papel no mundo islâmico é atraente, mas as evidências não sustentam que essa tenha sido a única explicação.
- Ponto de virada ou conflito de fronteira?
- Os historiadores discordam sobre se Talas moldou o futuro da Ásia Central ou foi uma derrota de fronteira com efeitos limitados.
- Conhecimento transmitido pelo cativeiro
- O relato de Du Huan mostra como a guerra também levou pessoas, habilidades e conhecimentos de uma civilização a outra.
Registros
- 668 d.C. — Goguryeo cai diante de Tang e Silla; famílias como a de Gao Xianzhi se mudam para a China Tang.
- c. 705 d.C. — Exércitos árabes sob o comando de Qutayba ibn Muslim iniciam a conquista da Transoxiana.
- 747 d.C. — Gao Xianzhi atravessa o Pamir e derrota Pequeno Bolü (na região de Gilgit).
- 750 d.C. — A revolução abássida derruba os omíadas; Gao Xianzhi ataca Chach (Tashkent).
- 751 d.C. — Batalha de Talas: o exército Tang é derrotado após os carlucos mudarem de lado.
- 752 d.C. — Enviados abássidas chegam à corte Tang; os contatos diplomáticos continuam.
- 755 d.C. — Começa a Rebelião de An Lushan; os Tang retiram tropas da fronteira.
- 756 d.C. — Gao Xianzhi é executado com base em falsas acusações durante a rebelião.
- 762 d.C. — Du Huan retorna à China por mar e desembarca em Guangzhou.
- c. 794 d.C. — Há registros de fábricas de papel em Bagdá.
- 801 d.C. — Du You conclui o Tongdian, que preserva fragmentos do relato de viagem de Du Huan.
Glossário
- Dinastia Tang
- Dinastia chinesa que governou de 618 a 907 e, no auge, controlou grande parte da Ásia Central.
- Califado Abássida
- Dinastia islâmica que assumiu o poder em 750 e governou a partir do Iraque (primeiro de Kufa e, a partir de 762, de Bagdá).
- Califa
- Título do governante da comunidade islâmica, considerado sucessor do profeta Maomé.
- Transoxiana
- Terras além do rio Oxo (Amu Dária), incluindo Samarcanda e Bucara; em árabe, Ma wara’ al-nahr.
- Sogdianos
- Povo iraniano da Ásia Central famoso pelo comércio ao longo da Rota da Seda.
- Carlucos
- Confederação de tribos turcas da Ásia Central cuja mudança de lado decidiu a batalha.
- Protetorado-Geral para Pacificação do Oeste (Anxi)
- Administração militar Tang que governava a bacia do Tarim e as regiões ocidentais.
- Coração
- Grande região do nordeste do Irã e da Ásia Central que serviu de base para a revolução abássida.
- Chach
- Estado da Ásia Central situado em torno da atual Tashkent, chamado Shi em chinês.
- Tongdian
- Enciclopédia sobre as instituições do Estado compilada por Du You e concluída em 801.
Perguntas e respostas
Quem venceu a Batalha de Talas?
O Califado Abássida venceu. O exército Tang foi derrotado depois que seus aliados carlucos se voltaram contra ele, e apenas uma pequena parte conseguiu escapar.
A China e o mundo árabe continuaram lutando depois de Talas?
Não. Os dois lados voltaram a trocar enviados diplomáticos em um ou dois anos, e soldados árabes até ajudaram os Tang contra os rebeldes de An Lushan alguns anos depois.
É verdade que a batalha levou a fabricação de papel ao Ocidente?
No máximo, em parte. Um escritor do século XI afirmou que prisioneiros chineses ensinaram a fabricar papel em Samarcanda, mas o papel já era usado na Ásia Central antes de 751. Hoje, a maioria dos historiadores duvida que Talas tenha sido o momento decisivo.
Por que os coreanos se lembram dessa batalha?
Porque o comandante Tang, Gao Xianzhi, vinha de uma família de Goguryeo, um antigo reino coreano. Na Coreia, ele é lembrado como um general extraordinário, especialmente por ter atravessado o Pamir.
Onde exatamente ocorreu a batalha?
Ninguém sabe ao certo. Ela aconteceu perto do rio Talas, provavelmente não muito longe da atual Taraz, no Cazaquistão, ou de Talas, no Quirguistão, mas o campo de batalha não foi encontrado.
Talas tornou a Ásia Central muçulmana?
Não diretamente. O domínio árabe e muçulmano sobre a Transoxiana já estava estabelecido, e a conversão de povos turcos como os carlucos ocorreu gradualmente ao longo dos dois séculos seguintes.
Por que os números chineses e árabes sobre os exércitos são tão diferentes?
Cada tradição tinha motivos para aumentar ou diminuir os números, os relatos árabes foram escritos séculos depois, e os exércitos antigos raramente eram contados com precisão. Os historiadores modernos consideram todos esses números incertos.
Fontes e leituras adicionais
- Battle of Talas. Wikipedia
- 탈라스 전투. 위키백과
- Gao Xianzhi. Wikipedia
- 고선지. 위키백과
- Du Huan. Wikipedia
- Karluks. Wikipedia
- An Lushan rebellion. Wikipedia
- History of paper. Wikipedia
- Jonathan M. Bloom, Paper Before Print: The History and Impact of Paper in the Islamic World. Yale University Press, 2001
- Christopher I. Beckwith, The Tibetan Empire in Central Asia. Princeton University Press, 1987
Conteúdo relacionado
- Casa da SabedoriaNome associado a coleções eruditas e atividades de tradução abássidas em Bagdá.
- Li BaiPoeta da dinastia Tang celebrado por suas imagens vívidas e por poemas sobre amizade, viagens, vinho e o mundo natural.
- Du FuPoeta da dinastia Tang cuja obra registra dificuldades pessoais e os efeitos humanos da rebelião e do deslocamento.
- Gruta de SeokguramGruta budista do século VIII perto de Gyeongju, conhecida por seu Buda de granito e pelas esculturas ao redor.
- Cai LunFuncionário da corte Han Oriental tradicionalmente reconhecido por apresentar um método aperfeiçoado de fabricação de papel em 105 d.C.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.