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Para jovens leitores
Zhu Xi nasceu em 1130, nas montanhas de Fujian, no sul da China. Conta-se que, quando ele era pequeno, seu pai apontou para o céu e disse: “Aquilo é o céu.” Zhu Xi perguntou: “E o que há acima do céu?” Ele continuou fazendo grandes perguntas por toda a vida.
Aos dezoito anos, ele passou no exame mais difícil para trabalhar no governo da China. Mas preferiu passar a maior parte da vida lendo, pensando e ensinando. Gostava de dar aulas em escolas tranquilas nas montanhas, e centenas de alunos foram aprender com ele.
Zhu Xi acreditava que tudo no mundo tem um padrão, um jeito de ser, chamado li. Uma planta de bambu tem o padrão do bambu. Tudo também é feito de uma espécie de energia chamada qi. Para ele, quando estudamos as coisas com atenção, uma de cada vez, entendemos melhor o mundo e aprendemos a agir bem.
Ele escolheu quatro livros curtos sobre os ensinamentos de Confúcio e escreveu explicações para eles. Esses “Quatro Livros” foram estudados por quem queria fazer os exames do governo chinês, do século XIV até 1905. Suas ideias também influenciaram as escolas, as famílias e o governo da dinastia Joseon, na Coreia.
Nem todos concordavam com Zhu Xi. Alguns pensadores diziam que era melhor olhar para o próprio coração do que estudar tantas coisas. As pessoas ainda discutem suas ideias hoje.
Em resumo
- Vida
- Nasceu em 1130 em Youxi, Fujian; morreu em 1200 em Jianyang, Fujian
- Outros nomes
- Nomes de cortesia Yuanhui e Zhonghui; nome literário Hui'an; homenageado como Zhuzi (Mestre Zhu); nome póstumo Wen (Zhu Wengong)
- Época
- Dinastia Song do Sul (1127–1279)
- Atividades
- Filósofo, professor, comentarista dos clássicos e funcionário público local
- Obras principais
- Comentários reunidos sobre os Quatro Livros; Reflexões sobre as coisas próximas (com Lü Zuqian); Conversas classificadas do Mestre Zhu (compiladas após sua morte)
- Escola
- Neoconfucionismo: escola do princípio Cheng–Zhu (lixue)
- Ideias centrais
- Princípio (li) e energia vital (qi); investigação das coisas; reverência; os Quatro Livros
- Influência
- Base dos exames para o serviço público chinês do século XIV até 1905; doutrina oficial na Coreia da dinastia Joseon; grande influência no Japão e no Vietnã
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Quem foi Zhu Xi?
Zhu Xi (1130–1200) foi o pensador confucionista mais influente depois de Confúcio e Mêncio. Durante a dinastia Song do Sul, reuniu as ideias de filósofos Song anteriores em um sistema amplo, que explicava o universo, a natureza humana, a aprendizagem e o governo. Em português, esse sistema é chamado de neoconfucionismo; em chinês, também é conhecido como lixue, “estudo do princípio”, ou daoxue, “estudo do Caminho”.
Ele também foi um professor e editor incansável. Escreveu comentários sobre os clássicos confucionistas, organizou coletâneas, revitalizou academias e discutiu filosofia com centenas de alunos. As anotações que eles fizeram de suas conversas ocupam 140 capítulos. Segundo a Internet Encyclopedia of Philosophy, seu pensamento dominou a vida intelectual chinesa por cerca de oito séculos.
Sua escolha dos Quatro Livros e seus comentários sobre eles se tornaram o currículo oficial dos exames para o serviço público desde a dinastia Yuan até 1905. Gerações de estudantes em todo o Leste Asiático aprenderam o confucionismo por meio das interpretações de Zhu Xi.
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Sua vida: estudioso, professor e funcionário público relutante
Zhu Xi nasceu em Youxi, na província de Fujian, em 1130, pouco depois de a dinastia Jin, dos jurchéns, conquistar o norte da China e a corte Song fugir para o sul. Seu pai, um funcionário público de baixo escalão, perdeu o cargo em 1140 por se opor à paz com os Jin. Ele morreu quando Zhu Xi tinha treze anos. O menino passou então a ser educado por amigos do pai.
Em 1148, aos dezoito anos, Zhu Xi passou no exame mais elevado para o serviço público, o jinshi. Seu primeiro cargo foi o de escrivão no condado de Tong'an, em Fujian. A partir de 1153, estudou com Li Tong, um erudito ligado à tradição dos irmãos Cheng Hao e Cheng Yi, da dinastia Song do Norte. Sob a influência de Li Tong, Zhu Xi deixou de lado seu interesse juvenil pelo budismo e pelo taoismo e se dedicou aos estudos confucionistas.
Durante a maior parte da vida, Zhu Xi ocupou apenas cargos menores ou honorários, muitas vezes postos em templos que lhe permitiam estudar. Exerceu cargos administrativos efetivos por apenas cerca de nove anos, mas atuou com energia: como prefeito de Nankang (1179–1181), revitalizou a Academia da Gruta do Cervo Branco; organizou ajuda durante períodos de fome e incentivou a criação de celeiros comunitários; como prefeito de Zhangzhou (1190) e de Tanzhou (1194), reformou costumes e escolas locais. Em 1194, tornou-se brevemente professor do novo imperador Ningzong, mas foi dispensado depois de cerca de quarenta dias por criticar os conselheiros imperiais.
Seus últimos anos foram difíceis. O poderoso ministro Han Tuozhou atacou o grupo de Zhu Xi e, a partir de 1196, seus ensinamentos foram proibidos como “falso saber” (weixue); seus seguidores foram incluídos em uma lista de proscritos. Zhu Xi morreu em 1200, enquanto a proibição ainda vigorava. Ela foi revogada pouco depois e, em 1209, ele recebeu o nome póstumo Wen, “o Culto”. Em 1241, sua tabuleta memorial foi colocada no templo confucionista.
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Princípio e energia vital: li e qi
Zhu Xi explicava o mundo por meio de duas ideias. Qi é a energia ou matéria de que tudo é feito: rochas, plantas, animais, pessoas e até pensamentos e sentimentos. Está sempre em movimento, concentrando-se e dispersando-se, podendo ser mais densa ou mais leve, mais límpida ou mais turva. Li, geralmente traduzido como “princípio” ou “padrão”, é o que faz cada coisa ser o que é e indica como ela deve ser: o padrão de uma árvore, de um barco ou de um pai amoroso.
Os dois nunca existem separados. Não há qi sem li, nem li sem qi. Ainda assim, Zhu Xi dizia que, em certo sentido, li vem antes, pois é a razão pela qual as coisas são como são. Os estudiosos ainda debatem o significado exato dessa precedência.
Zhu Xi adotou uma fórmula famosa de Cheng Yi: “o princípio é um, suas manifestações são muitas” (liyi fenshu). Existe um grande princípio para todo o universo, que Zhu Xi identificava com o Supremo Último (taiji), descrito pelo pensador anterior Zhou Dunyi. No entanto, esse princípio se manifesta de modo diferente em cada coisa e em cada relação, assim como uma única lua se reflete em inúmeros rios — imagem usada pelo próprio Zhu Xi.
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A natureza humana, a mente-coração e o cultivo moral
Seguindo Mêncio, Zhu Xi sustentava que a natureza humana é boa. Nossa natureza é o princípio tal como existe em nós: a capacidade de exercer a benevolência (ren), a retidão, a conduta ritual apropriada e a sabedoria. Por que, então, as pessoas fazem coisas erradas? Porque cada pessoa também é feita de qi, e o qi com que nascemos pode ser límpido ou turvo. Zhu Xi distinguia a natureza original, igual em todos, da natureza física, moldada pela quantidade e pelas características de qi que cada um recebe.
A mente-coração (xin) é onde essas dimensões se encontram. Adotando uma expressão de Zhang Zai, Zhu Xi dizia que a mente-coração “une a natureza e os sentimentos” (xin tong xing qing). Os sentimentos não são ruins em si, mas devem ser guiados pelo princípio. Desejos egoístas que ultrapassam o que é apropriado encobrem nossa natureza boa. Seu conhecido lema, “preservar o princípio celeste e eliminar os desejos humanos”, referia-se à eliminação desses excessos egoístas, não de todos os desejos naturais, embora críticos posteriores o tenham interpretado de forma mais severa.
O cultivo pessoal, portanto, tem dois lados. Um é a reverência ou atenção consciente (jing): um estado mental calmo, concentrado e atento, mantido tanto no repouso quanto na atividade. O outro é a investigação das coisas (gewu), que leva à ampliação do conhecimento (zhizhi). Zhu Xi resumia o método assim: preservar a mente com reverência e ampliar o conhecimento investigando o princípio. Nenhum dos dois lados basta sozinho.
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A investigação das coisas e a arte da leitura
A expressão “investigar as coisas e ampliar o conhecimento” vem do Grande Aprendizado, um breve texto clássico. Zhu Xi acreditava que parte do texto havia se perdido. Por isso, reorganizou-o e escreveu uma passagem complementar para explicar o sentido da investigação: ao examinar, uma após outra, as coisas que encontramos e o princípio presente nelas, e ao acumular compreensão ao longo do tempo, chegamos a um ponto em que tudo se conecta de repente e o princípio como um todo se torna claro.
As “coisas” incluem objetos naturais, mas, acima de tudo, assuntos humanos: relações, acontecimentos históricos e os clássicos. Para Zhu Xi, a forma mais importante de investigação era a leitura cuidadosa. Ele dava orientações detalhadas sobre como ler: devagar, repetidas vezes e sem impor ao texto as próprias ideias, até que seu significado se tornasse parte de nós. Suas conversas sobre leitura estão entre os trechos mais práticos de sua obra.
Ele também tinha curiosidade pela natureza. Observou conchas fossilizadas no alto das montanhas e concluiu que aquela terra já estivera sob a água. Além disso, discutiu astronomia, calendários e geografia. Os estudiosos atuais divergem quanto à semelhança entre sua investigação das coisas e a pesquisa científica; seu principal objetivo era a compreensão moral.
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Os Quatro Livros e seus outros escritos
Antes de Zhu Xi, a educação confucionista se concentrava nos Cinco Clássicos, obras antigas extensas e difíceis. Seguindo os irmãos Cheng, Zhu Xi colocou quatro textos mais curtos no centro do currículo: o Grande Aprendizado e a Doutrina do Meio (dois capítulos do Livro dos Ritos), os Analectos de Confúcio e o Mêncio. Ele recomendava lê-los nesta ordem: Grande Aprendizado, Analectos, Mêncio e, por fim, Doutrina do Meio. Em 1190, como prefeito de Zhangzhou, publicou os quatro juntos e continuou revisando seus Comentários reunidos sobre eles até morrer.
Com seu amigo Lü Zuqian, compilou Reflexões sobre as coisas próximas (Jinsi lu, 1175), uma coletânea de ensinamentos dos mestres da dinastia Song do Norte Zhou Dunyi, Zhang Zai, Cheng Hao e Cheng Yi. A obra se tornou uma introdução básica ao neoconfucionismo. Zhu Xi também escreveu comentários sobre o Livro das Mutações e o Livro das Odes, organizou o Aprendizado Elementar (Xiaoxue) para os jovens e dirigiu uma versão resumida, com explicações detalhadas, da grande obra histórica Espelho Abrangente para Auxiliar no Governo.
Os Ritos Familiares (Jiali), um guia para cerimônias de maioridade, casamentos, funerais e ritos ancestrais de famílias comuns, são atribuídos a ele desde a dinastia Song, embora alguns estudiosos da dinastia Qing tenham questionado sua autoria. Muitos historiadores atuais consideram que a obra foi escrita em grande parte por ele. Suas cartas, ensaios e poemas formam uma vasta coletânea, e os registros de suas conversas feitos por discípulos foram compilados em 1270 como as Conversas classificadas do Mestre Zhu (Zhuzi yulei).
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Academias, debates e o encontro do Lago dos Gansos
Zhu Xi acreditava que a educação deveria buscar o desenvolvimento moral de cada pessoa, e não apenas a aprovação em exames. Fundou ou revitalizou academias particulares (shuyuan), entre elas o Estúdio Hanquan, perto de sua casa, e o Estúdio Wuyi, nas montanhas Wuyi (1183). Em 1179, revitalizou a Academia da Gruta do Cervo Branco, perto do monte Lu. Suas breves regras de estudo, que destacavam as cinco relações humanas e o cultivo pessoal, fizeram da academia um modelo em todo o Leste Asiático.
Em 1175, Lü Zuqian organizou um encontro no Templo do Lago dos Gansos, em Jiangxi, entre Zhu Xi e os irmãos Lu Jiuyuan e Lu Jiuling. Lu Jiuyuan defendia que a própria mente é o princípio e que se deve primeiro firmar a mente moral; o estudo amplo vinha em segundo plano. Zhu Xi insistia na aprendizagem paciente e na investigação. O debate não resolveu suas divergências e passou a simbolizar a divisão entre a escola do princípio de Zhu Xi e a escola da mente, desenvolvida mais tarde por Wang Yangming.
Zhu Xi também manteve longas trocas de ideias com o estudioso Zhang Shi, de Hunan, e debateu com o pensador utilitarista Chen Liang se os grandes governantes das dinastias Han e Tang haviam realmente seguido o Caminho. Esses debates mostram que sua filosofia tomou forma em discussões com contemporâneos talentosos.
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Influência em todo o Leste Asiático
Na China, a dinastia Yuan determinou em 1313 que os exames seriam baseados nos Quatro Livros acompanhados dos comentários de Zhu Xi. Os primeiros exames desse tipo ocorreram em 1315. As dinastias Ming e Qing mantiveram o sistema. Assim, até a extinção dos exames em 1905, as interpretações de Zhu Xi foram a leitura oficial do confucionismo para centenas de milhares de candidatos.
Na Coreia, os ensinamentos de Zhu Xi foram introduzidos no fim do século XIII; tradicionalmente, An Hyang recebe o crédito por tê-los trazido da China Yuan. Eles se tornaram a ideologia dominante da dinastia Joseon (1392–1897), influenciando o governo, a educação, os ritos familiares e o culto aos ancestrais. Pensadores coreanos como Yi Hwang (Toegye) e Yi I (Yulgok) desenvolveram profundamente as ideias de Zhu Xi, sobretudo no Debate das Quatro e das Sete, sobre a relação entre os sentimentos morais, li e qi. Em coreano, a escola é chamada seongnihak, “estudo da natureza e do princípio”.
No Japão do período Tokugawa (1603–1868), estudiosos como Hayashi Razan promoveram os ensinamentos de Zhu Xi, que receberam apoio oficial, e Yamazaki Ansai desenvolveu uma escola rigorosa baseada neles. No Vietnã, os comentários de Zhu Xi também tiveram papel central na educação e nos exames sob dinastias posteriores. A ética neoconfucionista influenciou a vida familiar, os papéis de gênero e as ideias de lealdade em toda a região, com consequências positivas e negativas.
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Fontes sobre sua vida
Em comparação com a maioria dos pensadores anteriores à era moderna, a vida de Zhu Xi é excepcionalmente bem documentada. Milhares de suas cartas, memoriais, prefácios e poemas sobreviveram em suas obras reunidas. As Conversas classificadas registram suas palavras conforme foram anotadas por dezenas de discípulos, muitas vezes com datas e nomes, permitindo aos estudiosos acompanhar as mudanças em suas ideias. A primeira biografia completa é o Relato da Conduta (xingzhuang), escrito por seu discípulo e genro Huang Gan. A História da Dinastia Song o inclui em um capítulo especial sobre o “estudo do Caminho” (Daoxue zhuan).
Essas fontes também têm limites. O Relato da Conduta e muitas biografias cronológicas (nianpu) posteriores foram escritos por admiradores que o apresentavam como um sábio exemplar. O estudioso Wang Maohong, da dinastia Qing, produziu uma biografia cronológica mais crítica, na qual esclareceu datas e questionou algumas tradições. Os registros de conversas variam em confiabilidade, pois diferentes discípulos ouviram e anotaram suas palavras de maneiras distintas. Por isso, os biógrafos atuais dão maior peso às cartas datadas.
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Críticos e interpretações rivais
A escola da mente. Wang Yangming (1472–1529), seu mais importante crítico da dinastia Ming, contou que, quando jovem, tentou investigar o princípio do bambu olhando para ele durante dias, até adoecer. Concluiu que o princípio não deveria ser buscado fora da mente. Defendeu a unidade entre conhecimento e ação e reuniu cartas tardias de Zhu Xi para sustentar que o próprio Zhu Xi havia passado a favorecer uma visão centrada na mente — uma alegação que a maioria dos estudiosos considera baseada em uma seleção parcial dos textos.
Críticos da dinastia Qing. Os estudiosos do movimento de pesquisa baseada em evidências (kaozheng) criticavam os neoconfucionistas da dinastia Song por introduzirem ideias metafísicas budistas e taoistas na interpretação dos clássicos. Dai Zhen (1724–1777) argumentava que a rígida separação entre princípio e desejo feita por Zhu Xi permitia aos poderosos “matar pessoas com o princípio”, condenando os desejos naturais dos mais fracos em nome da moralidade. Wang Fuzhi e Dai Zhen afirmavam a primazia de qi sobre li.
Críticas modernas. No início do século XX, reformistas do Movimento de Quatro de Maio atacaram a ortodoxia confucionista, em especial a ética de Zhu Xi, por considerá-la uma fonte de normas opressivas na família e nas relações de gênero, como a pressão para que viúvas não se casassem novamente. Seus defensores respondem que a ortodoxia posterior tornou seus ensinamentos muito mais rígidos do que ele pretendia.
Influência budista. Zhu Xi criticava fortemente o budismo por, segundo ele, negar a realidade do mundo e das relações humanas. Ainda assim, muitos historiadores observam que a abrangência metafísica do neoconfucionismo e práticas como a meditação sentada em silêncio se desenvolveram em diálogo com o budismo Chan e Huayan. A profundidade dessa influência continua em debate.
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Interpretações modernas e questões em aberto
O que é li? Na década de 1930, Feng Youlan comparou li às Formas platônicas, apresentando Zhu Xi como um racionalista que admitia um domínio de princípios eternos. Joseph Needham interpretou Zhu Xi como um naturalista organicista, para quem li seria o padrão organizador presente nas coisas. A. C. Graham argumentou que li é mais bem entendido como um padrão que depende do contexto do que como uma lei abstrata; outros o descrevem como “coerência”. Essas interpretações refletem tanto diferentes formas de comparação quanto os próprios textos.
Ortodoxia ou ramo secundário? O filósofo do novo confucionismo Mou Zongsan argumentou que Zhu Xi, ao separar a mente do princípio, se afastou da principal corrente da metafísica moral confucionista, que iria de Mêncio a Lu Jiuyuan e Wang Yangming. Chamou seu sistema de “ramo secundário que se tornou a ortodoxia”. Qian Mu, por sua vez, produziu um estudo monumental que apresentou Zhu Xi como o grande sintetizador do pensamento chinês. As traduções e pesquisas de Wing-tsit Chan tornaram Zhu Xi acessível aos leitores de inglês.
Política e sociedade. Historiadores como Yu Ying-shih destacaram o lado político da carreira de Zhu Xi: o grupo do daoxue como uma facção reformista de letrados e funcionários públicos que buscava orientar os imperadores, e a proibição do “falso saber” como parte de uma disputa política. Outros estudam sua atuação local em celeiros comunitários, academias e ritos familiares, que ajudou a formar a cultura das elites locais na China imperial posterior.
Os filósofos de hoje também estudam Zhu Xi em relação à ética das virtudes, à psicologia moral e ao pensamento ambiental. A Stanford Encyclopedia of Philosophy descreve os estudos sobre Zhu Xi como um campo ativo, amplo e marcado por debates.
Ideias principais
- Princípio (li)
- O padrão que faz cada coisa ser o que é e indica o que ela deve ser; uno em essência, múltiplo em suas manifestações.
- Energia vital (qi)
- A energia e matéria que compõe todas as coisas e explica suas diferenças.
- Supremo Último (taiji)
- A totalidade do princípio, fonte última da ordem no universo.
- Investigação das coisas (gewu)
- O estudo do princípio das coisas, uma a uma, sobretudo pela leitura, até alcançar uma compreensão abrangente.
- Reverência (jing)
- Um estado mental concentrado e atento, mantido tanto no repouso quanto na atividade.
- A natureza humana é boa
- Nossa natureza original é o próprio princípio; o qi turvo e os desejos egoístas a encobrem.
- Os Quatro Livros
- O Grande Aprendizado, a Doutrina do Meio, os Analectos e o Mêncio, que se tornaram o centro da educação confucionista.
Registros
- 1127 — Os Jin conquistam o norte da China; a corte Song se restabelece no sul.
- 1130 — Zhu Xi nasce em Youxi, Fujian.
- 1148 — Aos dezoito anos, passa no exame jinshi.
- 1153 — Encontra seu professor Li Tong pela primeira vez e assume o cargo de escrivão de Tong'an.
- 1175 — Compila Reflexões sobre as coisas próximas com Lü Zuqian e encontra Lu Jiuyuan no Templo do Lago dos Gansos.
- 1179 — Como prefeito de Nankang, revitaliza a Academia da Gruta do Cervo Branco.
- 1183 — Constrói o Estúdio Wuyi nas montanhas Wuyi.
- 1190 — Como prefeito de Zhangzhou, publica os Quatro Livros juntos.
- 1196 — A proibição do “falso saber”, decretada durante a era Qingyuan, atinge sua escola.
- 1200 — Zhu Xi morre em Jianyang enquanto a proibição ainda vigora.
- 1313 — A dinastia Yuan estabelece seus comentários sobre os Quatro Livros como base dos exames, realizados nesse formato pela primeira vez em 1315.
- 1905 — A dinastia Qing extingue os exames para o serviço público, encerrando o currículo oficial baseado em Zhu Xi.
Glossário
- Neoconfucionismo
- Revitalização e reinterpretação do confucionismo a partir da dinastia Song.
- Li (princípio, padrão)
- O padrão ou a razão que faz as coisas serem o que são.
- Qi
- Energia vital ou matéria de que todas as coisas são feitas.
- Taiji
- O Supremo Último, fonte de todo princípio.
- Ren
- Benevolência ou humanidade, a mais elevada virtude confucionista.
- Jinshi
- O mais alto grau obtido nos exames imperiais para o serviço público.
- Shuyuan
- Academia particular ou semiparticular dedicada ao estudo e ao ensino.
- Daoxue
- “Estudo do Caminho”, nome usado pelo movimento de Zhu Xi e por seus críticos.
- Seongnihak
- Nome coreano dos ensinamentos de Zhu Xi sobre natureza e princípio.
- Kaozheng
- Pesquisa baseada em evidências da dinastia Qing, apoiada na filologia e na crítica textual.
Perguntas e respostas
Zhu Xi é tão importante quanto Confúcio?
Ele não fundou o confucionismo, mas teve enorme importância nos séculos seguintes: durante cerca de 600 anos, a maioria dos estudantes do Leste Asiático aprendeu os ensinamentos de Confúcio por meio dos comentários de Zhu Xi.
O que significa li?
Geralmente é traduzido como “princípio” ou “padrão”: aquilo que faz uma coisa ser o que é e indica como ela deve ser. Os estudiosos debatem qual é a melhor tradução.
Zhu Xi queria que as pessoas reprimissem todos os seus sentimentos?
Não. Ele considerava os sentimentos naturais e achava que deviam ser guiados pelo princípio. Sua advertência era contra desejos egoístas que ultrapassassem o que é correto, embora críticos posteriores tenham afirmado que seus ensinamentos foram usados para justificar a opressão.
Por que seus ensinamentos foram proibidos?
Em 1196, seu grupo perdeu uma disputa política com o ministro Han Tuozhou, que classificou seus ensinamentos como “falso saber”. A proibição foi revogada após a morte de Zhu Xi.
Como Zhu Xi influenciou a Coreia?
Seus ensinamentos se tornaram a ideologia dominante da dinastia Joseon e influenciaram o governo, as escolas e os ritos familiares. Estudiosos coreanos como Yi Hwang e Yi I os desenvolveram ainda mais.
Sobre o que foi o debate do Lago dos Gansos?
Em 1175, Zhu Xi e Lu Jiuyuan discordaram sobre o ponto de partida da aprendizagem moral: um estudo amplo com investigação ou o fortalecimento da mente moral dentro de cada pessoa.
Zhu Xi escreveu os Ritos Familiares?
A obra é atribuída a ele há muito tempo. Alguns estudiosos da dinastia Qing duvidaram dessa autoria, mas muitos historiadores atuais consideram que foi escrita em grande parte por ele.
Fontes e leituras adicionais
- Zhu Xi. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Zhu Xi (Chu Hsi) (1130–1200). Internet Encyclopedia of Philosophy
- Zhu Xi. Wikipedia
- Neo-Confucianism. Wikipedia
- Four Books and Five Classics. Wikipedia
- White Deer Grotto Academy. Wikipedia
- 주희. 위키백과 (Korean Wikipedia)
- 성리학. 위키백과 (Korean Wikipedia)
- Wing-tsit Chan (trans.), Reflections on Things at Hand: The Neo-Confucian Anthology Compiled by Chu Hsi and Lü Tsu-ch'ien. Columbia University Press, 1967
- Patricia Buckley Ebrey (trans.), Chu Hsi's Family Rituals: A Twelfth-Century Chinese Manual for the Performance of Cappings, Weddings, Funerals, and Ancestral Rites. Princeton University Press, 1991
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- Wang YangmingFilósofo e funcionário da dinastia Ming que ensinava que o conhecimento moral deve se concretizar na ação.
- Chŏng Yag-yongErudito e pensador reformista de Joseon que escreveu extensamente sobre governo, direito e as responsabilidades práticas dos funcionários públicos.
- Clássico da PoesiaA mais antiga antologia de poesia da China: canções populares, odes da corte e hinos de templo posteriormente incluídos entre os clássicos confucionistas.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
