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Para jovens leitores
Wang Yangming viveu na China há cerca de 500 anos. Quando era jovem, queria se tornar um sábio, uma pessoa muito boa e inteligente. Um famoso professor chamado Zhu Xi dizia que, para ficar sábio, era preciso estudar com cuidado as coisas ao nosso redor. Conta-se que Wang e um amigo passaram dias olhando para plantas de bambu, tentando entendê-las. O amigo desistiu depois de três dias, e Wang ficou doente no sétimo dia. Eles não descobriram o que procuravam!
Mais tarde, Wang se tornou funcionário do governo. Ele defendeu pessoas que estavam sendo maltratadas por um homem poderoso da corte. Por isso, foi castigado e enviado para um vilarejo pobre nas montanhas, longe de casa. Lá, ele percebeu algo: o bem que procurava não estava escondido no bambu nem nos livros. Ele já estava dentro de sua mente e de seu coração.
Wang ensinava que todas as pessoas nascem com uma capacidade de perceber o que é certo, chamada liangzhi. Ela é como uma bússola dentro de nós. Para ouvi-la melhor, precisamos deixar de lado os desejos egoístas, como quem limpa a poeira de um espelho.
Ele também dizia que saber e fazer andam juntos. Se você diz que sabe que deve tratar bem seus pais, mas nunca os trata bem, ainda não entendeu isso de verdade. O que você sabe aparece nas suas ações.
Wang não foi apenas um pensador. Ele também governou uma região e comandou soldados para acabar rapidamente com uma grande rebelião. Suas ideias chegaram à Coreia e ao Japão e ainda são estudadas hoje.
Em resumo
- Vida
- 1472–1529 (nasceu em 26 de outubro de 1472 em Yuyao, Zhejiang; morreu em 9 de janeiro de 1529 em Nan’an, Jiangxi)
- Nomes
- Nome pessoal Wang Shouren 王守仁; nome de cortesia Bo’an 伯安; conhecido como Yangming por causa da Gruta de Yangming, perto de Shaoxing; nome póstumo Wencheng 文成
- Época
- Período intermediário da dinastia Ming (reinados dos imperadores Hongzhi, Zhengde e Jiajing)
- Atividades
- Filósofo, professor, letrado funcionário público, governador provincial e comandante militar
- Obras principais
- Chuanxi lu 傳習錄 (Instruções para a vida prática, conversas e cartas registradas); Investigação sobre o Grande Aprendizado 大學問 (1527)
- Ideias principais
- A mente é o princípio (心即理), unidade entre conhecimento e ação (知行合一), desenvolvimento do conhecimento inato (致良知)
- Escola
- Escola da Mente (心學), frequentemente chamada de escola Lu–Wang; pensamento de Yangming (陽明學)
- Influência
- Pensamento da dinastia Ming; Coreia da dinastia Joseon (escola de Ganghwa, de Jeong Je-du); Japão dos períodos Tokugawa e Meiji (Yōmeigaku); filosofia chinesa moderna
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Quem foi Wang Yangming?
Wang Yangming foi um dos pensadores mais importantes da história do confucionismo, tradição de ensinamentos éticos e políticos que remonta a Confúcio. Ele viveu durante a dinastia Ming (1368–1644), quando a China era governada por imperadores em Pequim e administrada por funcionários selecionados em exames difíceis sobre os clássicos confucionistas.
Seu nome pessoal era Wang Shouren. “Yangming” vem da Gruta de Yangming, uma caverna no monte Kuaiji, perto de Shaoxing, onde ele construiu um refúgio para estudar; seus alunos o chamavam de Mestre Yangming. Ele também é lembrado por uma combinação rara: era um filósofo, um administrador competente e um dos comandantes militares mais bem-sucedidos de sua época.
Wang contestou a interpretação oficial do confucionismo formulada por Zhu Xi no século XII. Os ensinamentos de Zhu Xi serviam de base para os exames de ingresso no serviço público. Wang não rejeitou o confucionismo, mas sustentou que o caminho para o bem começa na própria mente e no próprio coração, e não no estudo das coisas externas. Suas ideias deram início a um movimento, a Escola da Mente, que influenciou o pensamento do Leste Asiático durante séculos.
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Juventude e busca pela sabedoria
Wang nasceu em 1472 em Yuyao, na província de Zhejiang, em uma família de funcionários públicos e estudiosos. Seu pai, Wang Hua, obteve o primeiro lugar no mais alto exame imperial em 1481, uma grande honra, e a família viveu posteriormente em Pequim e em Shaoxing.
Segundo biografias tradicionais, o jovem Wang era animado e inquieto. Interessava-se por estratégia militar, arco e flecha, técnicas taoistas de longevidade e budismo, além dos estudos confucionistas. Uma história famosa conta que, no dia de seu casamento, em 1488, ele entrou em um templo taoista, começou a conversar com um sacerdote e se esqueceu de voltar para casa até a manhã seguinte.
Wang tentou seguir o método da “investigação das coisas” (gewu), de Zhu Xi. Segundo esse método, ao examinar um a um os princípios (li) presentes nas coisas, a pessoa acabaria compreendendo o princípio de tudo. No episódio do bambu, descrito mais tarde pelo próprio Wang, ele e um amigo se sentaram diante de bambus em um pátio para tentar apreender seu princípio. O amigo adoeceu depois de três dias, e Wang, no sétimo dia. O fracasso o convenceu de que havia algo errado nessa abordagem, embora ele ainda levasse muitos anos para encontrar sua própria resposta.
Em 1499, Wang passou no exame mais alto e recebeu o título de jinshi. Trabalhou em vários ministérios em Pequim. Sofreu com problemas de saúde e, às vezes, pensou em se afastar da vida pública, mas também começou a ensinar. Defendia que o objetivo do aprendizado deveria ser tornar-se um sábio, e não apenas passar nos exames.
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Exílio e despertar em Longchang
Em 1506, durante o reinado do imperador Zhengde, o poderoso eunuco Liu Jin controlava a corte e perseguia seus críticos. Quando funcionários que haviam protestado foram presos, Wang apresentou ao imperador uma petição em defesa deles. Foi espancado publicamente com quarenta golpes de um bastão pesado e banido para Longchang, uma remota estação de correio nas montanhas de Guizhou, no sudoeste, onde ocuparia um cargo menor.
Longchang era um lugar difícil para um estudioso vindo do próspero leste da China. A maior parte da população local pertencia a povos não han cujas línguas Wang não falava; o clima era rigoroso, e seus criados adoeceram. Wang construiu um abrigo simples e, segundo sua biografia, chegou a preparar um caixão de pedra. Diante da possibilidade de morrer, procurou manter a mente tranquila.
Em uma noite de 1508, em Longchang, ele passou por um despertar repentino. Compreendeu que sua própria natureza era suficiente para que se tornasse um sábio e que havia errado ao buscar o princípio nas coisas externas. Agora acreditava que o princípio não estava lá fora, no bambu e nos livros, à espera de ser descoberto: ele estava presente na própria mente. Esse momento, conhecido como o despertar de Longchang (龍場悟道), é tradicionalmente considerado o nascimento de sua filosofia.
No ano seguinte, convidado a ensinar em uma academia de Guiyang, começou a dar aulas sobre a unidade entre conhecimento e ação. Moradores e funcionários locais vieram ouvi-lo, e ele escreveu sobre a importância de tratar os povos da região com respeito e compreensão.
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Funcionário público, governador e general
Depois que Liu Jin perdeu o poder em 1510, Wang voltou ao serviço público, primeiro como magistrado do condado de Luling, em Jiangxi, e depois em vários cargos em Nanquim e Pequim. Em 1516, foi nomeado para governar a acidentada região de fronteira do sul de Jiangxi e de províncias vizinhas, onde grupos de bandoleiros e comunidades rebeldes resistiam ao governo havia anos. Entre 1517 e 1518, ele os reprimiu em uma série de campanhas. Em seguida, adotou medidas para restabelecer a ordem local, entre elas um pacto comunitário (xiangyue), pelo qual os moradores se comprometiam a incentivar a boa conduta e resolver disputas, além da criação de escolas locais.
Em 1519, Zhu Chenhao, príncipe de Ning e membro da família imperial sediado em Nanchang, rebelou-se na esperança de tomar o trono. Wang, que estava nas proximidades, reuniu rapidamente forças locais, espalhou informações enganosas para atrasar o príncipe, tomou sua base em Nanchang e o derrotou e capturou em uma batalha no lago Poyang. Tudo isso ocorreu em cerca de seis semanas. Foi uma das vitórias militares mais celebradas da dinastia Ming.
O sucesso trouxe problemas. O imperador Zhengde queria comandar pessoalmente uma campanha, e membros da corte acusaram Wang de ter conspirado com o príncipe. Suas honrarias foram adiadas até que o novo imperador, Jiajing, o nomeasse conde de Xinjian em 1521. Depois da morte de seu pai, em 1522, Wang passou vários anos em Shaoxing em período de luto e dando aulas, cercado de alunos.
Suas campanhas militares também fizeram vítimas. Muitas das pessoas contra as quais lutou no sul eram colonos pobres, camponeses deslocados e membros de comunidades não han, como os povos She e Yao; as campanhas causaram numerosas mortes. Wang acreditava que restabelecer a ordem protegeria a população comum e dava ênfase à educação e à reconciliação após os combates. Historiadores atuais também examinam suas campanhas como parte da expansão violenta do Estado Ming em suas fronteiras meridionais.
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A unidade entre conhecimento e ação
A doutrina mais conhecida de Wang é a unidade entre conhecimento e ação (知行合一, zhixing heyi). Muitas pessoas pensam em saber e fazer como duas etapas: primeiro se aprende o que é certo, depois se age de acordo. Wang argumentava que essa separação é um erro. O conhecimento moral verdadeiro já inclui a motivação e a ação. Como ele dizia, o conhecimento é o começo da ação, e a ação é a realização do conhecimento.
Um de seus exemplos é a devoção filial. Quem afirma conhecer a devoção filial, mas não cuida dos pais, não a conhece de verdade: tem apenas palavras. Ele também usava o exemplo de gostar de uma bela cor ou detestar um cheiro ruim. No instante em que vemos a cor, já gostamos dela; no instante em que sentimos o cheiro, já o detestamos. Não há uma etapa separada em que decidimos gostar ou não. Para Wang, o conhecimento moral verdadeiro funciona da mesma maneira.
Wang apresentava isso como um ensinamento prático. Criticava os estudiosos que passavam a vida lendo e discutindo moralidade e planejavam agir “mais tarde”, quando tivessem estudado o suficiente. Para ele, o aprendizado moral acontece em meio à vida, nas relações familiares, no exercício de um cargo e em situações difíceis. “Aperfeiçoar-se em meio aos afazeres” (事上磨練) era uma de suas máximas.
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A mente é o princípio e o conhecimento inato
Zhu Xi ensinava que o princípio (li), o padrão que faz cada coisa ser o que deve ser, existe em todas as coisas e na mente, e que é preciso investigar as coisas externas para compreendê-lo plenamente. Wang, seguindo o pensador anterior da dinastia Song, Lu Xiangshan (Lu Jiuyuan), declarou que “a mente é o princípio” (心即理). Segundo ele, o princípio da devoção filial não está no corpo dos pais, mas na mente do filho que os ama. Os princípios morais não são encontrados fora para depois serem trazidos para dentro: surgem quando a mente responde às situações.
Por volta de 1520–1521, Wang resumiu seu ensinamento na expressão “desenvolver o conhecimento inato” (致良知, zhi liangzhi). O termo liangzhi, “conhecimento do bem” ou “conhecimento inato do bem”, vem de Mêncio, que dizia que as pessoas sabem amar os pais sem que ninguém lhes ensine. Para Wang, liangzhi é a capacidade natural da mente de reconhecer o certo e o errado em cada situação. Todos a possuem plenamente, tanto os sábios quanto as pessoas comuns, mas os desejos egoístas a encobrem. Aprender significa remover esses obstáculos e seguir o liangzhi em cada ação.
Wang reinterpretou o clássico Grande Aprendizado à luz dessas ideias. Zhu Xi havia reorganizado o texto e acrescentado uma passagem sobre a investigação das coisas; Wang insistia no “texto antigo”, sem as alterações de Zhu, e entendia gewu como “retificar” as próprias intenções e ações, corrigindo o que há de errado na própria mente, em vez de investigar coisas externas. Sua Investigação sobre o Grande Aprendizado (1527) também apresenta a ideia de que a pessoa dotada de humanidade forma “um só corpo” com o céu, a terra e todas as coisas, sentindo o sofrimento delas como seu.
Nos últimos anos de vida, Wang resumiu seus ensinamentos no Ensinamento das Quatro Frases (1527): a essência da mente não é boa nem má; quando surgem as intenções, há bem e mal; conhecer o bem e o mal é conhecimento inato; fazer o bem e eliminar o mal é retificar as coisas. Seus principais discípulos interpretaram essas frases de maneiras diferentes, e o debate marcou a escola posteriormente.
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Obras e registro dos ensinamentos
Wang não escreveu um tratado sistemático. Seus ensinamentos sobreviveram principalmente no Chuanxi lu (傳習錄), “Registro de instruções para a prática”, uma coletânea de conversas registradas por seus alunos, além de cartas. A primeira parte foi compilada por seu discípulo Xu Ai, que morreu em 1517, e publicada por Xue Kan em 1518. Edições posteriores acrescentaram mais material, e a versão padrão em três partes tomou forma nas décadas após a morte de Wang, graças ao trabalho de seu discípulo Qian Dehong e de outros. A tradução inglesa de Wing-tsit Chan (1963) recebeu o título Instructions for Practical Living.
Outros textos importantes incluem a Investigação sobre o Grande Aprendizado, sua edição do texto antigo do Grande Aprendizado acompanhada de um prefácio, e uma compilação controversa, Conclusões finais a que Zhu Xi chegou no fim da vida (1518). Nesta última, Wang argumentava que Zhu Xi havia passado a concordar com ele no fim da vida. Críticos, entre eles o estudioso Luo Qinshun, observaram que algumas das cartas citadas por Wang não eram tardias.
Suas obras completas (Wang Wencheng gong quanshu), que incluem petições ao imperador, documentos oficiais, poemas e cartas, foram compiladas após sua morte. Os documentos oficiais são uma fonte importante para o estudo de sua carreira administrativa e militar.
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Seguidores, críticos e influência no Leste Asiático
Wang morreu em 9 de janeiro de 1529, a caminho de casa depois de uma campanha em Guangxi. Suas últimas palavras foram registradas assim: “Esta mente é luminosa e clara. O que mais há a dizer?” Pouco depois, a corte condenou seus ensinamentos como falsos e retirou seu título. Sua reputação foi restabelecida em 1567, quando recebeu o nome póstumo Wencheng, e, em 1584, sua tabuleta memorial foi colocada no Templo de Confúcio, a maior honra concedida a um estudioso confucionista.
Seus seguidores se dividiram em vários ramos, que o historiador do século XVII Huang Zongxi classificou por região em seus Registros dos estudiosos da dinastia Ming (Mingru xue’an). Alguns, como Wang Ji, destacavam a atuação espontânea do conhecimento inato; outros, como Qian Dehong e Nie Bao, enfatizavam o cultivo cuidadoso. A escola de Taizhou, fundada por Wang Gen, um ex-trabalhador do sal, levou às pessoas comuns a mensagem de que qualquer um pode se tornar um sábio. Mais tarde, pensadores radicais como Li Zhi questionaram a moral convencional. Após a queda da dinastia Ming em 1644, críticos como Gu Yanwu atribuíram à ênfase da escola de Wang na mente interior a proliferação de discussões vazias e a frouxidão moral. Os estudiosos da dinastia Qing voltaram-se então para a pesquisa textual.
Na Coreia da dinastia Joseon, onde o pensamento de Zhu Xi era a doutrina oficial do Estado, o grande estudioso Yi Hwang (Toegye) escreveu uma crítica ao Chuanxi lu e condenou as ideias de Wang como heterodoxas, o que limitou sua difusão. Ainda assim, Jeong Je-du (1649–1736) desenvolveu a primeira filosofia coreana sistemática baseada em Yangming e, depois de se mudar para a ilha de Ganghwa em 1709, fundou o que ficou conhecido como escola de Ganghwa. No início do século XX, estudiosos nacionalistas coreanos como Park Eun-sik e Jeong In-bo recorreram ao pensamento de Yangming como uma filosofia da prática para a renovação nacional.
No Japão, o pensamento de Yangming (Yōmeigaku) foi adotado por Nakae Tōju e Kumazawa Banzan no século XVII. Inspirou Ōshio Heihachirō, que liderou uma revolta em Osaka em 1837 em defesa dos pobres que passavam fome, e costuma-se afirmar que influenciou ativistas da Restauração Meiji. Na China moderna, pensadores como Mou Zongsan desenvolveram as ideias de Wang no âmbito do Novo Confucionismo. Mais recentemente, Wang tem sido apresentado na vida pública como um modelo de união entre pensamento e ação.
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Debates filosóficos
Fraqueza da vontade. Se conhecer o bem já é agir de acordo com ele, como alguém pode fazer o mal sabendo que está errado? A resposta de Wang é que, nesses casos, o conhecimento não é verdadeiro: foi encoberto por desejos egoístas. Filósofos, inclusive autores da Enciclopédia de Filosofia de Stanford, debatem se isso equivale a negar por completo a fraqueza da vontade (akrasia), como frequentemente se atribui a Sócrates, ou se Wang está redefinindo o conhecimento em um sentido prático específico. Philip J. Ivanhoe e outros compararam a posição de Wang à de Mêncio e a teorias ocidentais da psicologia moral.
Budismo e Chan. Desde a época de Wang, críticos o acusaram de ensinar o budismo Chan (Zen) sob uma aparência confucionista, devido à sua ênfase no despertar repentino, na mente e na expressão “sem bem nem mal” do Ensinamento das Quatro Frases. Seus defensores argumentam que o foco de Wang na família, na sociedade e na ação moral é profundamente confucionista e que ele empregava uma linguagem semelhante à budista para fins confucionistas. Estudiosos continuam a investigar em que medida ele tomou elementos das práticas budistas e taoistas, que havia estudado intensamente na juventude.
O Ensinamento das Quatro Frases. Na famosa discussão da ponte Tianquan, em 1527, Wang Ji argumentou que, se a essência da mente está além do bem e do mal, então as intenções, o conhecimento e as coisas também devem estar além do bem e do mal (os “quatro nãos”). Qian Dehong, por sua vez, sustentou que a primeira frase descreve o estado original, enquanto as demais descrevem a prática necessária às pessoas comuns (os “quatro sins”). Segundo relatos, Wang disse que as duas interpretações eram úteis para diferentes tipos de alunos. O debate se tornou uma questão central do pensamento do fim da dinastia Ming.
Idealismo? Intérpretes modernos às vezes chamaram Wang de idealista subjetivo, citando sua observação de que as flores em uma montanha não estão fora da mente. Muitos especialistas consideram essa descrição enganosa: Wang não negava a existência do mundo exterior, mas afirmava que o valor e o significado surgem na relação entre a mente e as coisas. Permanece em aberto como descrever sua metafísica em termos modernos.
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Fontes e confiabilidade dos relatos biográficos
A principal fonte sobre a vida de Wang é a biografia cronológica (nianpu) compilada após sua morte por seus discípulos, especialmente Qian Dehong. Ela é detalhada e se baseia em documentos e lembranças pessoais, mas foi escrita para apresentar Wang como um sábio e um modelo. Contém histórias que podem ter sido modificadas ou enriquecidas, como a conversa com um sacerdote taoista na noite de seu casamento, o caixão de pedra em Longchang e alguns episódios de sua juventude. Historiadores a comparam com as cartas do próprio Wang, suas petições oficiais e registros como os Registros Verídicos da dinastia Ming (Ming shilu) e a História da dinastia Ming.
A datação de suas doutrinas levanta outras questões. O nianpu apresenta uma sequência bem definida: o despertar em Longchang em 1508, a unidade entre conhecimento e ação em 1509, o conhecimento inato em 1521 e o Ensinamento das Quatro Frases em 1527. Estudiosos como Tu Weiming, em seu estudo sobre a juventude de Wang (1976), e Julia Ching (1976) usaram cartas e poemas para examinar e tornar esse quadro mais preciso, mostrando que as ideias de Wang se desenvolveram gradualmente e em diálogo com amigos e críticos.
Por fim, o Chuanxi lu é um registro feito por alunos, e não uma obra composta pelo próprio Wang. Diferentes discípulos anotaram e editaram suas palavras segundo sua própria compreensão, e editores posteriores selecionaram e organizaram o material. Uma análise cuidadosa compara edições e registros para distinguir as ideias de Wang das de seus seguidores.
Ideias principais
- A mente é o princípio (xin ji li)
- Os princípios morais não são objetos externos a descobrir: surgem na mente e no coração quando respondem às situações.
- Unidade entre conhecimento e ação (zhixing heyi)
- O conhecimento moral verdadeiro já inclui a ação; saber sem fazer não é conhecer de verdade.
- Conhecimento inato (liangzhi)
- Capacidade com a qual todos nascem de reconhecer o certo e o errado em cada situação.
- Desenvolver o conhecimento inato (zhi liangzhi)
- Afastar os desejos egoístas para que o liangzhi guie cada ação; é a síntese dos ensinamentos da maturidade de Wang.
- Retificar as coisas (gewu)
- Interpretação de Wang para o Grande Aprendizado: corrigir as próprias intenções e ações, em vez de investigar objetos externos.
- Formar um só corpo com todas as coisas
- A pessoa dotada de humanidade sente-se ligada a todos os seres e responde ao sofrimento deles como se fosse seu.
- Aperfeiçoar-se em meio aos afazeres
- O cultivo moral acontece na vida e no trabalho cotidianos, não apenas no estudo silencioso.
Registros
- 1472 — Wang Shouren nasce em Yuyao, Zhejiang (26 de outubro).
- 1499 — Wang passa no exame metropolitano e se torna jinshi.
- 1506 — Wang defende funcionários perseguidos pelo eunuco Liu Jin; é espancado e banido para Longchang, em Guizhou.
- 1508 — Wang passa por seu despertar em Longchang.
- 1509 — Ao ensinar em Guiyang, começa a falar da unidade entre conhecimento e ação.
- 1517 — Como governador no sul de Jiangxi, inicia campanhas contra bandoleiros e rebeldes, que prosseguem até 1518.
- 1518 — É publicada a primeira parte do Chuanxi lu.
- 1519 — Wang reprime a rebelião de Zhu Chenhao, príncipe de Ning, em cerca de seis semanas.
- 1521 — Wang ensina a “desenvolver o conhecimento inato” e recebe o título de conde de Xinjian.
- 1527 — Wang compõe a Investigação sobre o Grande Aprendizado e apresenta o Ensinamento das Quatro Frases antes de partir para Guangxi.
- 1529 — Wang morre em Nan’an, Jiangxi (9 de janeiro).
- 1584 — Wang recebe uma homenagem no Templo de Confúcio.
Glossário
- Neoconfucionismo
- Renovação e reinterpretação do confucionismo a partir da dinastia Song, abrangendo tanto a escola de Zhu Xi quanto a de Wang.
- Princípio (li 理)
- O padrão ou a razão que faz as coisas serem o que são e o que devem ser.
- Mente e coração (xin 心)
- Na tradição do pensamento chinês, o centro tanto do pensamento quanto dos sentimentos; costuma ser traduzido como “mente” ou “coração”.
- Liangzhi 良知
- “Conhecimento do bem” ou conhecimento inato do bem, expressão de Mêncio central para os ensinamentos de Wang.
- Gewu 格物
- Expressão do Grande Aprendizado interpretada por Zhu Xi como “investigar as coisas” e por Wang como “retificar as coisas”.
- Jinshi 進士
- O título mais alto concedido nos exames imperiais, que habilitava seu detentor a ocupar cargos elevados.
- Eunuco
- Homem castrado que servia no palácio imperial; alguns eunucos da dinastia Ming detinham grande poder político.
- Chuanxi lu 傳習錄
- Coletânea de conversas e cartas de Wang Yangming, principal fonte para o estudo de seu pensamento.
- Escola da Mente (xinxue 心學)
- Tradição de Lu Xiangshan e Wang Yangming que destaca a mente como fonte do princípio moral.
- Yōmeigaku
- Nome japonês dado ao estudo do pensamento de Wang Yangming.
Perguntas e respostas
Wang Yangming realmente olhou para bambus durante sete dias?
Foi assim que ele próprio contou a história, muitos anos depois. Sejam ou não exatos todos os detalhes, ele a usou para mostrar por que o método de investigação das coisas de Zhu Xi não havia funcionado para ele.
O que significa dizer que “saber e fazer são uma só coisa”?
Significa que, se você realmente sabe que algo é bom, age de acordo com isso. Se não age, ainda não sabe de verdade.
Wang Yangming era contra o estudo dos livros?
Não. Ele leu muitos livros e deu aulas sobre os clássicos. O que criticava era o estudo que se tornava um fim em si mesmo, separado do esforço para ser uma pessoa melhor.
Por que ele é chamado tanto de filósofo quanto de general?
Além de ensinar, ele foi funcionário público e comandante militar. Ficou famoso por derrotar a rebelião do príncipe de Ning em 1519, em cerca de seis semanas.
Como suas ideias chegaram à Coreia e ao Japão?
Seus livros foram levados por estudiosos e enviados oficiais. Na Coreia, suas ideias foram criticadas por Yi Hwang, mas desenvolvidas por Jeong Je-du. No Japão, foram adotadas por Nakae Tōju e, mais tarde, por reformadores.
A filosofia de Wang é uma forma de budismo Zen?
Seus críticos diziam que sim, apontando suas referências ao despertar repentino e a uma mente “sem bem nem mal”. A maioria dos estudiosos o considera um confucionista que aprendeu com o budismo, mas colocou a família, a sociedade e a ação moral no centro de seu pensamento.
A unidade entre conhecimento e ação nega a fraqueza da vontade?
Essa questão é debatida. Wang dizia que quem faz o mal sabendo que está errado não conhece verdadeiramente o bem. Os filósofos discordam sobre se isso nega a fraqueza da vontade ou redefine o que significa conhecer.
Fontes e leituras adicionais
- Wang Yangming. Stanford Encyclopedia of Philosophy
- Wang Yangming (1472–1529). Internet Encyclopedia of Philosophy
- Wang Yangming. Wikipedia
- Yangmingism. Wikipedia
- 전습록. 위키백과 (Korean Wikipedia)
- 정제두 (Jeong Je-du). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- 전습록논변 (Jeonseuprok nonbyeon). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- Wing-tsit Chan (trans.), Instructions for Practical Living and Other Neo-Confucian Writings by Wang Yang-ming. Columbia University Press, 1963
- Philip J. Ivanhoe, Readings from the Lu-Wang School of Neo-Confucianism. Hackett, 2009
Conteúdo relacionado
- Zhu XiFilósofo da dinastia Song que deu uma forma duradoura ao pensamento neoconfuciano.
- MêncioPensador confucionista que argumentava que as pessoas têm os princípios da bondade moral e que os governantes devem cuidar de seus súditos.
- ConfúcioMestre do estado de Lu cujas palavras, reunidas nos Analectos, moldaram a ética e o governo em todo o Leste Asiático.
- Chŏng Yag-yongErudito e pensador reformista de Joseon que escreveu extensamente sobre governo, direito e as responsabilidades práticas dos funcionários públicos.
- LaoziAutor a quem a tradição atribui o Daodejing. Ainda se debate se foi uma única pessoa histórica.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
