Filosofia

Jeong Yak-yong (Dasan)

丁若鏞 (정약용)

1801–1836 · Gangjin, Joseon

Em uma frase

Jeong Yak-yong (1762–1836), conhecido pelo pseudônimo Dasan, foi um erudito, funcionário público e engenheiro coreano do fim da dinastia Joseon que, durante dezoito anos de exílio, escreveu centenas de volumes sobre como o governo, a justiça e o ensino poderiam servir melhor às pessoas comuns.

Jeong Yak-yong (Dasan)
Imagem: Unknown authorUnknown author · Public domain · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Jeong Yak-yong nasceu em 1762 em uma aldeia perto do rio Han, não muito longe de Seul, na Coreia. Desde pequeno, gostava muito de livros e aprendia rápido. Muitas pessoas o conhecem pelo nome Dasan, que significa “montanha do chá”.

Quando cresceu, passou em um exame muito difícil para trabalhar no governo. Ele trabalhou para o rei Jeongjo, que gostava de ideias novas. O rei pediu que ele ajudasse a planejar as muralhas de uma fortaleza na cidade de Suwon. Dasan criou uma máquina parecida com um guindaste, com roldanas, para ajudar os trabalhadores a levantar pedras pesadas.

Depois, sua vida mudou. O rei morreu em 1800, e o novo governo passou a punir pessoas ligadas ao catolicismo. Essa religião tinha chegado havia pouco tempo à Coreia e era proibida. Alguns parentes e amigos de Dasan eram católicos. Um de seus irmãos foi executado, e Dasan foi mandado para longe de casa.

Ele viveu no exílio por dezoito anos, principalmente em Gangjin, no sudoeste da Coreia. Mesmo longe de casa, continuou lendo, ensinando e escrevendo muitos livros. Escreveu sobre como os funcionários do governo deveriam cuidar das pessoas, como os tribunais deveriam ser justos e como o país poderia funcionar melhor.

Seu livro mais famoso, Mongmin simseo, ensina que os funcionários locais devem ser honestos, ajudar os pobres e nunca aceitar dinheiro para fazer favores. Hoje, os coreanos lembram Dasan como um dos grandes pensadores de sua história. Muitos funcionários públicos ainda leem seu livro.

Em resumo

Nascimento
1762 (16º dia do 6º mês lunar), aldeia de Majae, condado de Gwangju, província de Gyeonggi (atual Joan-myeon, Namyangju)
Morte
1836 (22º dia do 2º mês lunar), em sua casa em Majae
Nomes
Pseudônimos Dasan (茶山), Sam (俟菴) e outros; sua casa e suas obras reunidas são chamadas Yeoyudang (與猶堂)
Dinastia
Joseon, durante os reinados de Jeongjo (1776–1800) e Sunjo (1800–1834)
Carreira
Passou no exame para o serviço público em 1789; serviu ao rei Jeongjo na biblioteca real (Gyujanggak) e em diversos cargos; ajudou a planejar a Fortaleza de Hwaseong, em Suwon
Exílio
1801–1818: por pouco tempo em Janggi e depois em Gangjin, na província de Jeolla do Sul, incluindo cerca de onze anos na casa de palha conhecida como Dasan Chodang
Obras principais
Gyeongse yupyo (1817), Mongmin simseo (1818), Heumheum sinseo (1819/1822) e extensos comentários sobre os clássicos confucionistas; cerca de 500 volumes no total
Reconhecimento
Escolhido pela UNESCO como uma das personalidades cujos aniversários foram celebrados em 2012, ano do 250º aniversário de seu nascimento

Fácil

Quem foi Jeong Yak-yong?

Jeong Yak-yong, frequentemente chamado pelo pseudônimo Dasan, viveu no fim da dinastia Joseon, que governou a Coreia de 1392 a 1897. Ele é amplamente considerado o maior representante do Silhak, nome dado posteriormente a um grupo de eruditos coreanos que defendia que o pensamento confucionista deveria tratar de problemas práticos: terras, impostos, leis, tecnologia e bem-estar da população.

Na juventude, foi um funcionário público e engenheiro brilhante. Na meia-idade, sofreu perseguição política e religiosa. Durante o exílio, tornou-se um escritor extraordinariamente produtivo. Suas obras vão de comentários sobre os clássicos confucionistas a estudos de geografia, medicina, língua, música e poesia. Estudiosos atuais estimam que somem cerca de 500 volumes (gwon).

Dasan escrevia em chinês clássico, a língua usada pelos eruditos de todo o Leste Asiático naquela época. Seu livro mais conhecido hoje na Coreia é Mongmin simseo, um guia para magistrados locais que ainda é lido como exemplo de ética no serviço público.

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Fácil

Família e juventude

Jeong nasceu em 1762 em Majae, uma aldeia às margens do rio Han, a leste de Seul. Sua família, do clã Jeong de Naju, pertencia aos Namin (Sulistas), uma facção política que ficou em grande parte afastada do poder durante boa parte do século XVIII. Seu pai, Jeong Jae-won, foi funcionário da administração local. Sua mãe vinha da família Yun de Haenam, descendente do poeta Yun Seon-do e do pintor Yun Du-seo.

Ele tinha três irmãos mais velhos: Jeong Yak-hyeon, Jeong Yak-jeon e Jeong Yak-jong. Por meio de parentes e amigos, conheceu as ideias de Yi Ik (1681–1763), cujos escritos sobre reformas práticas inspiraram muitos eruditos Namin. Em 1784, Yi Byeok, cunhado de seu irmão mais velho, apresentou-lhe livros católicos vindos da China. O saber ocidental (Seohak), que incluía ensinamentos cristãos e ciência europeia, fascinava muitos jovens eruditos naqueles anos.

Casou-se em 1776, passou no exame inferior para o serviço público (jinsa) em 1783 e no exame superior (mungwa) em 1789. O rei Jeongjo, que tentava fortalecer o poder real e levar ao governo homens talentosos de fora da facção dominante, passou a se interessar muito por ele.

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Fácil

A serviço do rei Jeongjo: Hwaseong e o guindaste

O rei Jeongjo (reinou de 1776 a 1800) é lembrado como um dos reis mais instruídos e favoráveis a reformas da dinastia Joseon. Ele criou o Gyujanggak, uma biblioteca real e centro de estudos, e reuniu jovens eruditos à sua volta. Jeong era um de seus favoritos.

Quando Jeongjo decidiu construir uma nova cidade fortificada em Suwon, perto do túmulo de seu pai, o príncipe herdeiro Sado, pediu a Jeong que ajudasse a elaborar os planos. Jeong estudou obras chinesas e ocidentais sobre fortificações e máquinas, incluindo um livro chinês ilustrado sobre dispositivos mecânicos ocidentais da biblioteca real. Projetou um guindaste (geojunggi) que usava roldanas, além de outros equipamentos de elevação, para ajudar os trabalhadores a mover pedras pesadas. A Fortaleza de Hwaseong foi construída entre 1794 e 1796 e inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997.

Ele também atuou como inspetor real secreto (amhaeng eosa) em 1794, viajando disfarçado para fiscalizar funcionários locais, e como magistrado de Goksan, na província de Hwanghae, a partir de 1797. Essas experiências lhe mostraram como agricultores comuns sofriam com funcionários corruptos e impostos injustos. Mais tarde, elas influenciaram seus escritos sobre a administração local.

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Intermediário

Catolicismo, facções e a perseguição de 1801

A ligação de Jeong com o catolicismo foi tanto uma fonte de ideias quanto a causa de sua queda. Na década de 1780, ele leu textos católicos e participou da comunidade católica nascente. Quando o catolicismo foi proibido e seus seguidores passaram a ser atacados por adversários dos Namin, ele foi acusado repetidas vezes. Em 1797, apresentou um memorial ao rei explicando que havia se interessado pelo novo ensinamento, mas o abandonara. Discute-se se ele voltou à fé mais tarde: alguns relatos católicos escritos no século XIX afirmam que sim, mas muitos historiadores consideram que isso não foi comprovado.

Quando Jeongjo morreu repentinamente em 1800, o jovem rei Sunjo subiu ao trono sob a regência da rainha viúva Jeongsun, aliada de facções hostis aos Namin. Em 1801, o governo iniciou uma grande perseguição aos católicos, conhecida como Perseguição de Sinyu. Centenas de pessoas foram mortas, entre elas o irmão de Jeong, Jeong Yak-jong, e Yi Seung-hun, o primeiro coreano católico batizado e cunhado de Jeong. A perseguição também serviu para afastar adversários políticos.

Jeong e seu irmão Yak-jeon foram exilados. Jeong foi enviado primeiro a Janggi, na costa leste. Ainda naquele ano, Hwang Sa-yeong, um católico casado com uma sobrinha de Jeong, foi preso com uma carta escrita em seda que pedia ao bispo em Pequim que buscasse ajuda militar ocidental para a Igreja. O escândalo levou a novos interrogatórios. Jeong foi enviado a Gangjin, no extremo sudoeste, e Yak-jeon, à ilha de Heuksando.

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Intermediário

Dezoito anos em Gangjin

No início, Jeong morou em um pequeno quarto atrás de uma taverna na cidade de Gangjin. Chamou o quarto de Sauijae, “o quarto das quatro condutas adequadas”: pensar com clareza, manter uma aparência séria, falar pouco e agir com cuidado. Depois, ficou em um eremitério budista e na casa de um aluno. Em 1808, mudou-se para uma cabana de palha em uma colina com vista para a baía de Gangjin, em um lugar chamado Dasan, “montanha do chá”, de onde veio seu pseudônimo mais conhecido. Morou ali até ser libertado, em 1818.

Em Dasan Chodang (a cabana de palha de Dasan), montou uma biblioteca, fez um pequeno jardim com um lago, gravou o caractere jeong (丁) em uma rocha e passou a buscar água em uma nascente. Ensinou jovens da região e organizou seu trabalho de pesquisa e cópia, o que ajuda a explicar sua vasta produção. Fez amizade com monges budistas, entre eles Hyejang e o mestre do chá Choui, e trocou cartas com seu irmão Yak-jeon. Antes de morrer em Heuksando, em 1816, Yak-jeon escreveu Jasan eobo, um estudo pioneiro sobre peixes e outros seres marinhos.

As cartas que enviou do exílio a seus filhos, incentivando-os a estudar, preservar a dignidade da família e nunca desistir apesar da ruína familiar, estão entre os escritos mais comoventes do período. O edifício atual de Dasan Chodang é uma reconstrução com telhado de telhas, erguida em 1958; o local foi designado Sítio Histórico da Coreia em 1963.

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Intermediário

“Um pyo e dois seo”: planos para um Estado melhor

As três obras mais famosas de Jeong sobre a administração do Estado são conhecidas em conjunto como “il-pyo i-seo”: um memorial (pyo) e dois livros (seo). Gyeongse yupyo (aproximadamente “Memorial legado sobre a organização do mundo”, 1817) apresenta um plano para reorganizar todo o governo central, o sistema de terras, os impostos e as forças militares, inspirado no antigo clássico chinês Ritos de Zhou. A obra ficou inacabada. Jeong a chamou de “memorial legado” porque não pôde apresentá-la ao rei.

Mongmin simseo (Advertências sobre o governo do povo, 1818), em 48 volumes, é um manual prático para magistrados de condado. Suas doze partes, cada uma dividida em seis artigos, acompanham o magistrado desde a posse, passando pela disciplina pessoal, pelo serviço ao Estado, pelo cuidado com a população e pela administração de pessoal, receitas, ritos, assuntos militares, justiça e obras públicas, até o socorro em tempos de fome e a saída do cargo. O livro reúne muitos casos concretos que mostram como funcionários enganavam agricultores e como um administrador honesto poderia impedi-los.

Heumheum sinseo (aproximadamente “Novo livro sobre o julgamento cuidadoso”, concluído por volta de 1819 e com prefácio de 1822) trata de casos de homicídio. Seu título vem de uma expressão que recomenda cuidado e respeito ao julgar. A obra reúne casos chineses e coreanos, discute exames periciais e alerta os magistrados contra decisões descuidadas ou cruéis. Juntas, essas obras mostram a convicção de Jeong de que as reformas precisavam alcançar tanto a corte quanto as aldeias.

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Intermediário

Poeta, estudioso da medicina e geógrafo

Jeong também deixou cerca de 2.500 poemas, muitos escritos no exílio. Vários descrevem a vida de agricultores e pescadores com um realismo amargo. O mais conhecido, Aejeoryang (“Lamento por uma masculinidade decepada”, 1803), conta a história de um homem pobre de Gangjin que se mutilou em desespero depois que funcionários exigiram imposto militar por seu filho recém-nascido e por seu pai já morto — uma prática ilegal, porém comum. Jeong declarou que um poema que não lamenta os problemas de seu tempo nem se indigna com a corrupção não é um verdadeiro poema.

Sua curiosidade também abrangia medicina, geografia e língua. Magwa hoetong (1798) reuniu conhecimentos chineses e coreanos sobre o sarampo e doenças relacionadas, um tema que o atingia pessoalmente porque vários de seus filhos morreram pequenos. Abang gangyeokgo (1811) examinou a geografia histórica dos antigos Estados coreanos, e Aeon gakbi (1819) corrigiu erros comuns no uso de palavras e caracteres. Ele também estudou música, ritos e organização militar.

Essa variedade de interesses tinha um propósito comum. Para Jeong, todas essas áreas ajudavam a compreender o mundo com precisão para que o governo pudesse aliviar sofrimentos reais. Seus estudos ligavam continuamente os textos antigos aos detalhes concretos da vida cotidiana.

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Intermediário

Ideias centrais: a terra, o governante e a natureza humana

Jeong se preocupava profundamente com a questão da terra. Em um ensaio sobre o tema (Jeollon, escrito em 1799), propôs o sistema yeojeon: aldeias de cerca de trinta famílias cultivariam a terra em conjunto e dividiriam a colheita conforme o trabalho de cada família, de modo que somente quem trabalhasse na terra recebesse seus frutos. Mais tarde, em Gyeongse yupyo, desenvolveu uma reforma mais gradual baseada no antigo sistema dos campos em poço (jeongjeon).

Em ensaios curtos como Wonmok (Sobre a origem dos governantes) e Tangnon (Sobre o rei Tang), argumentou que os governantes surgiram originalmente do povo, que escolhia líderes para resolver disputas, e que um governante que falhasse com o povo poderia ser legitimamente substituído. Esses ensaios foram muitas vezes comparados a ideias europeias de soberania popular, embora Jeong escrevesse dentro de uma tradição confucionista e não defendesse o fim da monarquia.

Sobre a natureza humana, rejeitou a visão neoconfucionista associada a Zhu Xi, segundo a qual a natureza humana é idêntica a um princípio cósmico (li). Em vez disso, argumentou que ela consiste em inclinações ou preferências, em uma teoria conhecida como seonggiho-seol: as pessoas sentem naturalmente prazer no bem e vergonha do mal, mas têm liberdade para escolher, e a virtude só se realiza pela prática. Também destacou um Sangje pessoal e vigilante (Senhor Supremo), diante do qual cada pessoa deveria ter cuidado com seus pensamentos e ações.

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Fácil

Volta para casa e últimos anos

Em 1818, Jeong foi libertado e voltou a Majae. Nunca mais ocupou um cargo público. Continuou revisando suas obras, escreveu em 1822 um epitáfio sobre a própria vida e seus escritos e recebeu a visita de eruditos. Chamou sua casa de Yeoyudang, nome inspirado em uma passagem do Daodejing que descreve a cautela de quem atravessa um riacho congelado no inverno e teme os vizinhos.

Morreu em 1836, no sexagésimo aniversário de seu casamento, e foi sepultado na colina atrás de sua casa em Majae. Suas obras circularam em manuscritos durante sua vida e depois dela, mas a maioria só foi impressa no século XX.

Hoje, sua casa, seu túmulo e um museu fazem parte do sítio histórico de Dasan em Namyangju. Dasan Chodang, em Gangjin, recebe muitos visitantes todos os anos. Na Coreia, seu nome é usado em escolas, ruas e prêmios, e Mongmin simseo é frequentemente recomendado a funcionários públicos.

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Avançado

O estudo dos clássicos e a crítica ao neoconfucionismo

Embora hoje seja mais conhecido por seus escritos sobre a administração do Estado, a maior parte da obra de Jeong consiste em comentários sobre os clássicos confucionistas: os Analectos, Mêncio, a Doutrina do Meio, o Grande Aprendizado, o Livro dos Documentos, o Livro das Mutações, o Livro das Odes e os textos sobre ritos. Ele comparou as interpretações de estudiosos das dinastias Han, Song, Ming e Qing, além das de confucionistas japoneses como Itō Jinsai e Ogyū Sorai, cujos escritos haviam chegado à Coreia. Procurou recuperar o que considerava o sentido original dos antigos sábios.

Ao fazer isso, rompeu com a ortodoxia de Zhu Xi que dominava os estudos em Joseon. Criticou a interpretação metafísica de li e qi e insistiu que virtudes como a benevolência (ren) não são substâncias inatas, mas nomes dados a relações construídas por meio da ação. Também participou do debate da era Qing sobre a autenticidade dos capítulos de “texto antigo” do Livro dos Documentos, argumentando, como os estudiosos chineses da pesquisa documental, que eram falsificações posteriores.

Os estudiosos divergem sobre as fontes dessas ideias. Alguns ressaltam a influência de obras católicas como O Verdadeiro Significado do Senhor do Céu, de Matteo Ricci, especialmente sobre a concepção de Sangje e da liberdade de escolha moral em Jeong. Outros enfatizam a continuidade com o pensamento confucionista anterior, a tradição Namin de Yi Ik e o movimento mais amplo de pesquisa documental no Leste Asiático. O estudo Chong Yagyong: Korea’s Challenge to Orthodox Neo-Confucianism (1997), de Mark Setton, é uma referência em inglês sobre esse debate.

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Avançado

Fontes, edições e a imagem moderna de Dasan

O que sabemos sobre a vida de Jeong vem principalmente de seus próprios escritos: epitáfios escritos por ele, cartas, poemas e prefácios, além de documentos oficiais como os Anais Verídicos da Dinastia Joseon e os registros da perseguição de 1801. O retrato que fez de si mesmo é uma fonte valiosa, mas reflete a perspectiva de um homem preocupado com sua reputação e com a defesa do nome de sua família.

Como a maioria de suas obras permaneceu em manuscrito, sua publicação foi um acontecimento da época moderna. Mongmin simseo foi impresso em 1901. As obras reunidas, Yeoyudang jeonseo, foram organizadas por seu descendente Kim Seong-jin, com a participação de Jeong In-bo e An Jae-hong, e publicadas pela Sinjoseonsa entre 1934 e 1938, em 154 volumes distribuídos por 76 livros. Isso coincidiu com o centenário de sua morte, em 1936, e com o “movimento de estudos coreanos” (Joseonhak undong) durante o domínio colonial japonês, quando estudiosos buscavam no passado da Coreia fontes de pensamento moderno autônomo. Edições críticas atuais continuam corrigindo os textos e identificando obras escritas por seus alunos.

A própria categoria Silhak foi construída em grande parte no século XX. Durante muito tempo, historiadores tanto da Coreia do Sul quanto da Coreia do Norte apresentaram Jeong como um precursor do pensamento moderno, cujas ideias mostrariam que a Coreia avançava por conta própria em direção à modernidade. Essa visão se ligava à teoria do “desenvolvimento interno”, que contestava as alegações coloniais de estagnação coreana. Estudiosos mais recentes questionaram essa interpretação, destacando que Jeong era um reformador confucionista que atuava dentro da monarquia e que o Silhak não formava uma escola unificada. Também continuam os debates sobre sua relação com o catolicismo e com a ciência ocidental. Essas discussões situam suas realizações com mais precisão em sua própria época.

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Ideias principais

Silhak (aprendizado prático)
Nome moderno dado a eruditos do fim da dinastia Joseon que voltaram o pensamento confucionista para reformas práticas das terras, dos impostos, das leis e da tecnologia. Jeong é considerado seu maior representante.
Mongmin (cuidar do povo como um pastor)
O ideal de que os funcionários públicos existem para cuidar das pessoas, assim como um pastor cuida de seu rebanho; a expressão aparece no título de seu manual para magistrados.
Sistema yeojeon
Sua proposta de que as aldeias cultivassem a terra coletivamente e dividissem a colheita conforme o trabalho realizado, para que aqueles que trabalham na terra recebessem seus frutos.
Governantes escolhidos pelo povo
O argumento apresentado em Wonmok e Tangnon de que os governantes surgiram originalmente da escolha do povo e podem ser substituídos se falharem.
Natureza humana como inclinação
Sua teoria de que a natureza humana inclui preferência pelo bem e vergonha diante do mal, e de que a virtude só se realiza por meio de ações escolhidas livremente.
Sangje
O Senhor Supremo pessoal dos clássicos antigos, que, segundo Jeong, observa a conduta humana e motiva o cuidado moral.
Pesquisa documental
O estudo filológico cuidadoso de textos antigos para recuperar seu sentido original, usado por Jeong para contestar interpretações neoconfucionistas posteriores.

Registros

  1. 1762 — Nasce em Majae, no condado de Gwangju, província de Gyeonggi.
  2. 1784 — Conhece o catolicismo por meio de Yi Byeok.
  3. 1789 — Passa no exame superior para o serviço público e começa a servir ao rei Jeongjo.
  4. 1792 — Ajuda a planejar a Fortaleza de Hwaseong e projeta o guindaste geojunggi; a construção ocorre de 1794 a 1796.
  5. 1797 — Apresenta um memorial em que renuncia ao catolicismo; é nomeado magistrado de Goksan.
  6. 1800 — Morre o rei Jeongjo.
  7. 1801 — Perseguição de Sinyu: seu irmão Yak-jong é executado; Jeong é exilado primeiro em Janggi e depois em Gangjin.
  8. 1808 — Muda-se para Dasan Chodang, onde vive até 1818.
  9. 1817 — Escreve Gyeongse yupyo.
  10. 1818 — Conclui Mongmin simseo; é libertado do exílio e volta para casa.
  11. 1836 — Morre em Majae no sexagésimo aniversário de seu casamento.
  12. 1934 — Começa a publicação de suas obras reunidas, Yeoyudang jeonseo (concluída em 1938).

Glossário

Joseon
Dinastia coreana que governou de 1392 a 1897 e tinha o neoconfucionismo como ideologia oficial.
Namin (Sulistas)
Facção política de funcionários da dinastia Joseon à qual pertencia a família de Jeong; muitos dos primeiros católicos coreanos vieram de seus círculos.
Gyujanggak
Biblioteca real e centro de estudos fundados pelo rei Jeongjo em 1776.
Hwaseong
Fortaleza de Suwon, construída entre 1794 e 1796 sob Jeongjo; Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1997.
Geojunggi
Guindaste com roldanas projetado por Jeong para levantar pedras durante a construção de Hwaseong.
Perseguição de Sinyu
Perseguição aos católicos em 1801 (o ano sinyu), que também afastou adversários políticos das facções governantes.
Carta de seda de Hwang Sa-yeong
Carta secreta escrita em seda em 1801 que pedia ajuda ocidental para os católicos coreanos; sua descoberta agravou a perseguição.
Dasan Chodang
Cabana de palha em Gangjin onde Jeong viveu e escreveu de 1808 a 1818.
Magistrado (suryeong)
Funcionário nomeado pelo rei para governar um condado; é o principal destinatário de Mongmin simseo.
Yeoyudang jeonseo
Obras completas de Jeong, publicadas entre 1934 e 1938.

Perguntas e respostas

Por que ele é chamado de Dasan?

Dasan significa “montanha do chá”. Era o nome da colina em Gangjin onde ele viveu no exílio, e ele o adotou como pseudônimo.

Ele realmente inventou um guindaste?

Ele projetou uma máquina de elevação com roldanas, o geojunggi, com base em livros chineses e ocidentais sobre máquinas. Ela ajudou os trabalhadores a levantar pedras pesadas durante a construção da Fortaleza de Hwaseong.

Por que ele foi exilado?

Porque ele e sua família tinham ligações com o catolicismo, que era proibido, e porque seus adversários políticos chegaram ao poder após a morte do rei Jeongjo. Seu exílio durou dezoito anos.

O que ensina Mongmin simseo?

Ensina os funcionários locais a governar com honestidade e cuidado: controlar a própria conduta, impedir a corrupção de subordinados, cobrar impostos de forma justa, julgar os casos com justiça e cuidar dos pobres, dos doentes e dos famintos.

Jeong Yak-yong era católico?

Na juventude, ele participou da comunidade católica nascente, mas renunciou formalmente ao catolicismo em 1797. Há debates sobre uma possível volta à fé mais tarde, que não pode ser confirmada por fontes confiáveis.

Ele era um pensador “moderno”?

Suas ideias sobre os governantes, a terra e a natureza humana foram muitas vezes comparadas ao pensamento moderno. Hoje, porém, muitos estudiosos ressaltam que ele foi um reformador confucionista de sua época e que chamá-lo de precursor da modernidade reflete preocupações do século XX.

Como o saber ocidental o influenciou?

Ele estudou traduções chinesas de obras ocidentais sobre mecânica, astronomia e religião. Os estudiosos debatem quanto essas obras influenciaram sua filosofia em comparação com os clássicos confucionistas e a pesquisa documental do Leste Asiático.

Fontes e leituras adicionais

  1. 조광 (Cho Kwang), 정약용 (丁若鏞). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  2. 목민심서 (牧民心書). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  3. 강진 정약용 유적 (Historic Sites of Jeong Yak-yong in Gangjin). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  4. Jeong Yak-yong. Wikipedia
  5. 정약용. 위키백과
  6. Catholic Persecution of 1801. Wikipedia
  7. Hwaseong Fortress. Wikipedia
  8. Silhak. Wikipedia
  9. Mark Setton, Chong Yagyong: Korea’s Challenge to Orthodox Neo-Confucianism. State University of New York Press, 1997
  10. Chŏng Yag-yong, translated by Choi Byonghyon, Admonitions on Governing the People: Manual for All Administrators. University of California Press, 2010

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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