Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.
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Para jovens leitores
Imagine um rei que quer que todo mundo conheça a versão dele de uma história, para sempre. Há cerca de 2.500 anos, o rei Dario, da Pérsia, mandou seus trabalhadores esculpirem uma enorme imagem e uma longa mensagem numa montanha rochosa, ao lado de uma estrada movimentada, no lugar que hoje é o oeste do Irã. Ela fica tão no alto que ninguém consegue chegar lá sem equipamento de escalada.
A imagem mostra Dario de pé, bem alto, com o pé em cima de um homem deitado de costas. Na frente dele há uma fila de prisioneiros pequenos, com cordas no pescoço. Acima deles flutua uma figura com asas, que geralmente se acredita ser o deus Ahuramazda, a quem Dario agradecia por suas vitórias.
A mensagem conta como Dario virou rei. Ele diz que um homem chamado Gaumata fingiu ser irmão do antigo rei e roubou o trono. Dario conta que derrotou Gaumata e depois os outros “reis” rebeldes que mentiam sobre seu direito de governar — nove “reis mentirosos” ao todo, contando Gaumata. Nem todo mundo acredita que Dario contou toda a verdade. Alguns historiadores acham que o verdadeiro mentiroso pode ter sido ele!
Dario mandou esculpir a mesma mensagem em três línguas diferentes, todas escritas com pequenas marcas em forma de cunha, chamadas cuneiforme. Durante muito tempo, ninguém conseguia ler essas marcas. No século XIX, um corajoso oficial britânico escalou o penhasco para copiá-las, e os estudiosos compararam as três versões como um quebra-cabeça com três gabaritos. Isso os ajudou a aprender de novo a ler o cuneiforme.
Mais tarde, outros povos fizeram suas próprias esculturas ali perto, como um Hércules descansando e reis partos. Hoje, o sítio arqueológico de Bisotun é protegido como Patrimônio Mundial da UNESCO.
Em resumo
- O quê
- Um relevo real na rocha com uma longa inscrição cuneiforme em três línguas: persa antigo, elamita e babilônico
- Local
- Monte Bisotun, província de Kermanshah, oeste do Irã, junto à antiga estrada entre a Babilônia e Ecbátana (Hamadã)
- Autoria
- Dario I (reinou de 522 a 486 a.C.), no início de seu reinado
- Quando
- Iniciado por volta de 520 a.C. e ampliado em etapas até cerca de 518 a.C.; a narrativa principal abrange 522–521 a.C., e uma quinta coluna em persa antigo acrescenta campanhas dos dois anos seguintes
- Dimensões
- Toda a área esculpida mede aproximadamente 15 m de altura e 25 m de largura, no alto do penhasco: cerca de 60 m acima da planície (UNESCO), cerca de 66 m acima das nascentes ao pé do rochedo (Encyclopaedia Iranica) e até 100 m acima da antiga estrada, segundo outros relatos
- Textos
- Persa antigo: 414 linhas em cinco colunas; elamita: duas versões; babilônico: 112 linhas; ao todo, cerca de 1.200 linhas
- Cópias
- Fragmentos de uma cópia babilônica encontrados na Babilônia; uma tradução aramaica em papiro de Elefantina, no Egito (cerca de 420 a.C.)
- Status
- Patrimônio Mundial da UNESCO “Bisotun” (2006)
Fácil
O que é a inscrição de Behistun?
Numa montanha de calcário no oeste do Irã, acima de uma antiga estrada que ligava a Mesopotâmia ao planalto iraniano, o rei persa Dario I mandou esculpir na rocha uma cena de vitória e um longo relato de seus feitos. Os escritores gregos chamavam a montanha de Bagistanon, nome a partir do qual os estudiosos reconstroem o topônimo em persa antigo *Bagastāna, “lugar dos deuses”. Os geógrafos árabes e persas medievais a conheciam como Behistun, a forma que os europeus adotaram mais tarde; o nome em persa moderno é Bisotun.
O monumento tem duas partes que funcionam juntas: um relevo, uma imagem talhada na pedra de modo que as figuras se destaquem, e uma inscrição que o rodeia. A inscrição está escrita em três línguas — persa antigo, elamita e babilônico —, todas em cuneiforme, a escrita em forma de cunha desenvolvida primeiro na Mesopotâmia. É a mais longa das inscrições reais aquemênidas e a única que narra uma sequência encadeada de acontecimentos.
Dario escolheu um ponto que podia ser visto de longe, mas não alcançado com facilidade. Ao que parece, os trabalhadores antigos cortaram o acesso abaixo da escultura depois de terminada, e a dificuldade da subida provavelmente a poupou de muitos danos intencionais ao longo dos séculos — embora a chuva e a água que se infiltra na rocha tenham desgastado partes do texto, e ninguém consiga lê-lo do pé do penhasco.
No século XIX, a inscrição ficou famosa por um segundo motivo: como repete um mesmo texto em três escritas, ajudou os estudiosos a aprender a ler o cuneiforme, e costuma ser comparada à Pedra de Roseta. Em 2006, o sítio de Bisotun, com seus muitos monumentos posteriores, entrou para a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
Fácil
Como ler o relevo
Comece pela figura maior. Dario, representado mais ou menos em tamanho natural, segura um arco, símbolo da realeza, e apoia o pé no peito de um homem deitado de costas. A inscrição identifica esse homem caído como Gaumata, o “mago” que Dario acusa de ter roubado o trono. Atrás do rei estão dois nobres persas que carregam suas armas.
Diante de Dario há uma fila de prisioneiros, bem menores que o rei, com as mãos amarradas e os pescoços unidos por uma corda; o tamanho indica importância, uma antiga convenção da arte do Oriente Próximo. Pequenas legendas dão o nome de cada prisioneiro e a sua “mentira” — um deles, por exemplo, afirmou ser Nabucodonosor, filho de Nabonido, rei da Babilônia. A última figura, com um gorro alto e pontudo, é Skunkha, líder de um povo cita (saka), encaixado na cena mais tarde.
Acima de tudo paira uma figura alada dentro de um anel. Dario repete que venceu “pela graça de Ahuramazda”, e a figura costuma ser identificada como esse deus velando pela cena. A composição como um todo — um governante vitorioso pisando um inimigo diante de uma fila de prisioneiros — ecoa relevos rupestres muito mais antigos nas mesmas montanhas, sobretudo o relevo do rei lulubi Anubanini em Sar-e Pol-e Zahab, cerca de 150 km a oeste.
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A história que Dario conta
O texto começa com Dario se apresentando: seu nome, seus títulos e sua genealogia, que remonta, por meio de seu pai Histaspes, a um ancestral chamado Aquêmenes. Desse ancestral a família real tirou o nome de aquemênidas. Em seguida, ele enumera vinte e três terras que, segundo diz, lhe pertenciam quando se tornou rei, da Pérsia e da Babilônia ao Egito, aos gregos jônios, à Báctria e a Gandara.
Depois vem a história de como ele chegou ao poder. Segundo Dario, o rei Cambises, filho de Ciro, o Grande, matou em segredo o próprio irmão, Bárdia. Enquanto Cambises estava no Egito, um mago chamado Gaumata se rebelou em 522 a.C., dizendo ser Bárdia, e muita gente o aceitou. Cambises morreu, e ninguém ousou desafiar o falso rei — até que Dario, com alguns companheiros, matou Gaumata numa fortaleza na Média e se tornou rei. A data que ele dá corresponde a 29 de setembro de 522 a.C.
Então começaram as rebeliões. Província após província — Elam, Babilônia, Média, a própria Pérsia, Armênia, Margiana e outras —, homens se proclamaram reis. Dario descreve como os derrotou em dezenove batalhas e insiste em que tudo aconteceu num único ano. Ele explica as rebeliões com uma só palavra, drauga, “a Mentira”: os rebeldes mentiram, e a Mentira fez as terras se rebelarem. Termina advertindo os reis futuros a punir os mentirosos, a proteger o monumento e a honrar os seis nobres que o ajudaram.
Intermediário
Nove “reis mentirosos” e um ano de guerra
O relevo mostra os rivais derrotados na ordem em que caíram, enquanto o texto os agrupa, grosso modo, por região. Depois de Gaumata vêm Açina, no Elam; Nidintu-Bel, que governou a Babilônia por alguns meses como “Nabucodonosor”; Fravartish, que dizia descender dos antigos reis medos; Martiya, um segundo rebelde elamita; Chissantakhma, na Sagártia; Vahyazdata, um segundo “Bárdia”, na Pérsia; Arakha, um armênio que voltou a se proclamar Nabucodonosor na Babilônia; e Frada, na Margiana, na Ásia Central.
Duas dessas reivindicações são reveladoras. Dois rebeldes na Babilônia se chamaram Nabucodonosor, filho de Nabonido, tomando emprestado o nome do rei mais famoso do Império Neobabilônico e dizendo descender de seu último governante independente, derrubado por Ciro em 539 a.C.; a lembrança da independência claramente ainda tinha muita força. E dois homens disseram ser Bárdia, o filho de Ciro, o que sugere que a lealdade à família de Ciro continuou sendo uma força política importante depois que sua linhagem se extinguiu.
A afirmação orgulhosa de Dario de que venceu todas essas batalhas “num só e mesmo ano” foi por muito tempo posta em dúvida. O assiriólogo Rykle Borger argumentou que, deixando de lado a morte de Gaumata, as campanhas datadas — da primeira vitória sobre os babilônios, em 13 de dezembro de 522 a.C., à derrota de Frada, em 28 de dezembro de 521 a.C. — cabem de fato num único ano tal como o calendário babilônico o contava, um ano alongado por um mês extra (intercalar). Nessa leitura, a afirmação do rei é menos exagerada do que parece, embora só se sustente com essa ressalva.
As versões babilônica e aramaica acrescentam detalhes ausentes do persa antigo, como o número de inimigos mortos e capturados. As punições são descritas sem rodeios: alguns líderes rebeldes foram mutilados, expostos no portão do palácio e empalados. A inscrição pretendia intimidar, além de informar.
Intermediário
Um monumento, três línguas, várias etapas
O monumento não foi planejado desde o início como um texto trilíngue acabado. Estudos feitos a partir de andaimes na década de 1960, sobretudo por Heinz Luschey, seguidos pelos trabalhos de Leo Trümpelmann, Walther Hinz e Rykle Borger, mostraram que ele cresceu em etapas. O trabalho provavelmente começou no início de 520 a.C., depois que a última das rebeliões foi esmagada. Primeiro veio o relevo, depois uma curta legenda em elamita ao lado do rei e o texto elamita principal à direita do relevo.
O elamita, a língua do antigo reino de Elam, no sudoeste do Irã, era nessa época a língua dos registros administrativos da corte persa, por isso fazia sentido como primeira versão escrita. Seguiu-se uma versão babilônica numa face inclinada à esquerda do relevo e, por fim, o texto em persa antigo foi esculpido logo abaixo da cena. Esses textos em persa antigo, na língua do próprio Dario, são os exemplos mais antigos com data segura da escrita cuneiforme persa antiga.
Depois, os acontecimentos obrigaram a mudanças. Após novas campanhas em seu segundo e terceiro anos — contra um novo rebelde elamita, Atamaita, e contra os citas liderados por Skunkha —, Dario mandou acrescentar a figura de Skunkha no fim da fila de prisioneiros. A nova figura invadiu o primeiro texto elamita, que teve de ser abandonado e esculpido de novo em outro lugar. Uma quinta coluna, descrevendo essas campanhas posteriores, foi acrescentada apenas à versão em persa antigo.
Por isso, as três versões não são idênticas. O persa antigo, que Dario parece ter tratado como definitivo, encerra suas quatro colunas originais com um parágrafo sobre a escrita e as cópias (parágrafo 70) que falta nos textos principais elamita e babilônico; um equivalente elamita foi espremido num espaço livre acima do relevo, e em seguida vem a quinta coluna, sobre as campanhas posteriores. O monumento provavelmente foi concluído por volta de 518 a.C.
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Uma nova escrita e cópias por todo o império
No parágrafo acrescentado ao texto em persa antigo, Dario diz, em tradução livre: “Pela graça de Ahuramazda, esta é a forma de escrita que eu fiz, em ariano.” Ele continua dizendo que ela foi registrada em tabuletas de argila e em pergaminho, lida em voz alta diante dele e depois enviada “a toda parte, pelas terras”. Muitos estudiosos entendem isso como a afirmação de que o cuneiforme persa antigo foi criado por ordem dele para este mesmo monumento.
A escrita confirma isso até certo ponto. O cuneiforme persa antigo tem apenas cerca de trinta e seis sinais para sons, além de alguns logogramas e um divisor de palavras — muito menos que as centenas usadas no babilônico. Embora pareça cuneiforme, é um sistema novo e simplificado. Em Bisotun, dois sinais, entre eles o divisor de palavras, têm formas ligeiramente diferentes das de todas as inscrições posteriores em persa antigo, um indício de que essa foi a primeira experiência com a escrita. O persa antigo era usado quase só em inscrições reais de exibição; a administração cotidiana funcionava em elamita e, cada vez mais, em aramaico.
As cópias que sobreviveram confirmam que o texto circulou. Na Babilônia, fragmentos de um monumento de basalto trazem parte da versão babilônica, talvez com uma cópia do relevo. Em Elefantina, uma ilha do Nilo no sul do Egito onde uma colônia militar judaica servia aos reis persas, fragmentos de papiro preservam uma tradução aramaica copiada por volta de 420 a.C., sob Dario II, cerca de um século depois dos acontecimentos. A história oficial ainda era copiada numa guarnição distante.
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Desvendando o cuneiforme: de Persépolis a Behistun
Já na época aquemênida, o médico grego da corte Ctésias, citado mais tarde por Diodoro, tomou o relevo por um monumento da lendária rainha Semíramis. Depois da queda do império, a capacidade de ler o cuneiforme foi se perdendo, e os viajantes europeus que passaram por ali a partir de 1598 fizeram suas próprias conjecturas. A decifração séria não começou aqui, mas em Persépolis, cujas curtas inscrições reais foram copiadas e publicadas em 1778 por Carsten Niebuhr, membro da expedição dinamarquesa. Ele percebeu que elas usavam três tipos de cuneiforme, o mais simples com apenas algumas dezenas de sinais.
O primeiro grande avanço veio em 1802, com Georg Friedrich Grotefend, um jovem professor escolar de Göttingen. Trabalhando apenas com as cópias de Persépolis — Behistun ainda não tinha sido copiada —, ele supôs que os textos pertenciam a reis aquemênidas e seguiam o modelo de inscrições reais sassânidas muito posteriores, lidas pouco antes por Silvestre de Sacy: “X, grande rei, rei dos reis, filho de Y”. Apoiando-se em observações de Oluf Tychsen e Friedrich Münter, notou que, em um dos textos, o pai do rei não era chamado de rei. Isso combinava com Dario, filho de Histaspes, que não era rei, e com Xerxes, filho de Dario. Assim, identificou os nomes Dario, Xerxes e Histaspes e atribuiu valores aproximados a cerca de dez sinais, nem todos corretos. Apresentou seu trabalho à Academia de Ciências de Göttingen em 4 de setembro de 1802; o texto não foi impresso na época, e seu primeiro relato publicado saiu em 1805.
Rasmus Rask, Eugène Burnouf, Christian Lassen e outros aperfeiçoaram então o alfabeto persa antigo com a ajuda do avéstico e do sânscrito. Enquanto isso, Henry Rawlinson, oficial da Companhia Britânica das Índias Orientais que servia como conselheiro militar na Pérsia, começou a trabalhar em Bisotun. Ele viu o rochedo pela primeira vez em 1835; em 1836–37 subiu várias vezes até a saliência e copiou todo o texto em persa antigo, terminando em setembro de 1837. Em setembro de 1844, copiou-o de novo e fez moldes de papel (estampagens) do elamita, e em 1847 obteve o texto babilônico principal, muito danificado, em parte com um telescópio e em parte por meio de estampagens feitas por um menino curdo contratado, que atravessou a face do penhasco se agarrando à rocha. Publicou o persa antigo em 1846–47 e o babilônico em 1851.
O babilônico era muito mais difícil: sua escrita tem centenas de sinais, muitos com mais de um valor. O clérigo irlandês Edward Hincks mostrou em 1846 que essas escritas eram em parte silábicas e reconheceu que a língua era semítica. Rawlinson, Hincks, Julius Oppert e outros avançaram a partir dos trabalhos uns dos outros, ajudados por novos textos escavados em sítios assírios como Nínive. Em 1857, a Sociedade Asiática Real, em Londres, pediu a Rawlinson, Hincks, Oppert e William Henry Fox Talbot que traduzissem, de forma independente, a mesma inscrição recém-descoberta do rei assírio Tiglate-Pileser I; os examinadores consideraram as versões próximas o bastante para mostrar que a decifração era real. O acádio, a língua da Babilônia e da Assíria, podia enfim ser lido.
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Uma montanha de muitas camadas: esculturas posteriores e conservação
O relevo de Dario é apenas uma camada de uma longa história. Cavernas próximas foram usadas no Paleolítico, e uma fortaleza na encosta pode ser a praça-forte meda onde, segundo Dario, Gaumata foi morto, embora isso não seja certo. Em 148 a.C., sob os reis selêucidas que sucederam Alexandre, um Héracles reclinado, com uma inscrição grega datada, foi esculpido junto à estrada. Os partos acrescentaram relevos de Mitrídates II e, mais tarde, de Gotarzes II.
Os reis sassânidas deixaram os vestígios mais ambiciosos: grandes capitéis esculpidos que mostram um rei, provavelmente Cosroes II (r. 590–628), e a deusa Anahita, e uma vasta parede de rocha alisada, com cerca de 200 m de largura e 30 m de altura, aparentemente preparada para um projeto que nunca foi concluído. A tradição local e o romance Khosrow e Shirin, do poeta Nizami, do século XII, associaram essas obras a Farhad, o escultor apaixonado que abriu caminho através da montanha por amor a Shirin; o penhasco ainda é chamado de Farhad Tarash, “o corte de Farhad”.
Governantes posteriores também construíram ali. Um edifício do período mongol está ligado ao governante ilcânida Öljeitü, no início do século XIV, e em 1681–85 o governador Shaikh Ali Khan Zangana construiu um grande caravançará. Sua inscrição de doação, de 1684–85, destruiu boa parte do relevo parto de Mitrídates.
O monumento de Dario sofreu com a chuva, as enxurradas sazonais e a água que se infiltra pela rocha; crostas minerais cobrem alguns sinais, mas também protegeram outros. No século XX, soldados na estrada abaixo teriam usado as figuras como alvo de tiro. A descrição publicada pela UNESCO aponta a infiltração de água atrás do relevo como a principal ameaça e diz que as medidas emergenciais precisavam ser transformadas numa solução permanente; registra também um plano de gestão aprovado em 2004 e um novo adotado em 2010.
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Enquanto isso, no mundo
A lista de terras de Dario inclui os yauna, os gregos jônios do oeste da Anatólia, sob domínio persa desde as conquistas de Ciro. Os gregos também trabalhavam para o império: em sua inscrição de fundação de Susa, Dario cita jônios e lídios como os canteiros. Uma geração depois, as cidades jônias se revoltaram (499–493 a.C.), e a campanha punitiva da Pérsia levou à batalha de Maratona, em 490 a.C. Heródoto de Halicarnasso, escrevendo décadas depois, deu uma versão da ascensão de Dario tão próxima, em alguns trechos, do texto de Behistun que alguns estudiosos acham que relatos oficiais chegaram até ele, direta ou indiretamente.
No Egito, conquistado por Cambises em 525 a.C., o funcionário Udjahorresnet mandou inscrever sua carreira numa estátua erguida em Saís, provavelmente no terceiro ano de Dario (cerca de 519 a.C.) — enquanto Bisotun estava sendo esculpida. Ele se apresenta como um servidor leal que ensinou os reis persas a respeitar os templos egípcios. Lidos lado a lado, os dois textos mostram os mesmos anos a partir do centro e a partir de uma província: um rei proclamando sua legitimidade e uma elite local explicando por que o servia.
Em Judá, o livro de Ageu data suas profecias do “segundo ano do rei Dario” — 520 a.C., se, como pensa a maioria dos estudiosos, trata-se de Dario I —, quando foram retomadas as obras de reconstrução do Templo de Jerusalém; o livro de Esdras diz que o Templo foi concluído no sexto ano de seu reinado.
Dario também trabalhava dentro de uma antiga tradição de propaganda real do Oriente Próximo. Quando Ciro tomou a Babilônia em 539 a.C., o Cilindro de Ciro o apresentou como escolhido pelo deus Marduk para substituir um rei ímpio; Dario se apresentou como escolhido por Ahuramazda para substituir um impostor mentiroso. Ambos se inspiraram em modelos mesopotâmicos.
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Perspectivas diferentes
Gaumata ou Bárdia? Dario e Heródoto concordam nas linhas gerais: o assassinato secreto do filho mais novo de Ciro, um impostor mago e sete conspiradores que o mataram. Heródoto acrescenta detalhes vívidos — um impostor desmascarado porque tivera as orelhas cortadas, um debate entre os conspiradores sobre a melhor forma de governo, Dario conquistando o trono com um truque envolvendo seu cavalo —, e apenas um nome em sua lista dos sete difere da lista de Dario. Mas concordância não é prova, porque Heródoto pode depender de versões que nasceram da própria propaganda de Dario. Documentos babilônicos confirmam apenas que um rei chamado Barziya (Bárdia) foi reconhecido durante alguns meses em 522 a.C.
Desde A. T. Olmstead, em 1938, muitos historiadores — entre eles Muhammad Dandamayev e Pierre Briant — suspeitam que Dario matou o verdadeiro Bárdia e inventou “Gaumata” para justificar um golpe dado por um parente distante, de direitos frágeis. Briant observa que governantes que tomam o poder pela força muitas vezes retratam o antecessor como um impostor que destruiu a tradição. Outros, como A. Shapur Shahbazi, defendem Dario: sua cronologia se mostrou exata, a versão babilônica chama Gaumata de medo, e nenhum escritor antigo acusou Dario de usurpação. As evidências não permitem resolver a questão, por isso a narrativa de Dario deve ser apresentada como a versão oficial do rei, e não como simples fato.
Quem inventou a escrita persa antiga? A declaração de Dario e as etapas de construção do monumento, nas quais todos os textos em persa antigo são acréscimos posteriores, convenceram muitos estudiosos de que a escrita foi criada sob Dario, por volta de 520 a.C. Outros acham que o trabalho já havia começado sob Ciro, apontando, por exemplo, as formas simples dos sinais necessários para escrever seu nome, Kuruš. Textos curtos em persa antigo em nome de Ciro em Pasárgada e tabuletas de ouro em nome de ancestrais de Dario já foram tomados como prova de um uso anterior, mas a maioria dos especialistas hoje os considera posteriores. Até a palavra-chave do parágrafo 70 é discutida — traduções mais antigas a vertem como “inscrição”, as mais recentes como “escrita” —, e novas leituras continuam sendo propostas.
Uma “Pedra de Roseta” do cuneiforme? A comparação é útil, mas simplificada. A versão em persa antigo deu aos estudiosos um texto longo e confiável, e as cópias de Rawlinson serviram depois de base para edições das outras versões. Mas o historiador Kevin Cathcart ressalta que o texto babilônico de Bisotun feito por Rawlinson só foi publicado no fim de 1851, depois que Hincks e outros já tinham feito avanços decisivos usando inscrições de Persépolis, da Mesopotâmia e do lago de Van, e Peter Daniels observa que os fac-símiles das cópias elamita e babilônica só apareceram em 1855 e depois de 1866. O acádio foi decifrado por vários estudiosos rivais, e os relatos populares que dão todo o crédito a Rawlinson são parciais.
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Evidências e método: como ler um texto real danificado
Nenhuma versão está completa; a erosão atingiu mais duramente o texto babilônico. As edições modernas combinam as cópias de Rawlinson com trabalhos posteriores: fotografias de A. V. Williams Jackson (1903), uma expedição do Museu Britânico liderada por L. W. King e R. C. Thompson (1904) e os moldes de látex de George G. Cameron (1948), que recuperaram grande parte da primeira versão elamita, antes considerada ilegível. Entre as edições de referência estão os textos em persa antigo de Roland Kent (1950, revistos em 1953), a edição babilônica de Elizabeth von Voigtlander (1978), a versão aramaica de Jonas Greenfield e Bezalel Porten (1982) e a edição em persa antigo de Rüdiger Schmitt (1991). Como as cópias mais antigas contêm erros e lacunas não lidas, o trabalho continua: desde 2013, Saber Amiri Parian faz novas cópias para uma nova edição da versão elamita, publicada em partes a partir de 2017.
Comparar as versões é, em si, um método de pesquisa. As versões babilônica e aramaica se parecem entre si, compartilhando números de inimigos mortos e capturados e formas de nomes; as versões elamita e persa antiga formam outro par. Alguns estudiosos sugeriram que o texto foi redigido primeiro em aramaico, a língua de trabalho do império, mas as evidências não são conclusivas. Rüdiger Schmitt deduz que o persa antigo foi lido em voz alta para o rei e aprovado por ele, o que explicaria suas pequenas omissões e alterações.
O texto também é literatura. Ele segue os anais reais mesopotâmicos, sobretudo os assírios, mas cada parágrafo começa com “Diz o rei Dario”, o que lhe dá o ritmo de uma proclamação oral; algumas fórmulas, como “pela graça de Ahuramazda”, já foram comparadas a inscrições reais de Urartu, no leste da Anatólia. Por isso, os historiadores precisam lê-lo em dois níveis: como evidência de acontecimentos, conferida com documentos babilônicos e escritores gregos, e como um argumento cuidadosamente construído em favor do direito de um homem de governar.
A datação combina evidências internas — anos de reinado, etapas da escultura visíveis na rocha, diferenças nos títulos do rei entre as versões — com o calendário babilônico. O resultado é um intervalo, aproximadamente de 520 a 518 a.C. A descrição da UNESCO dá 521 a.C. para a criação do monumento, de modo que as obras de referência nem sempre concordam.
Ideias principais
- A Mentira (drauga)
- Dario explica cada rebelião como obra da Mentira e se apresenta como o defensor da verdade escolhido por Ahuramazda.
- Legitimidade pela linhagem
- A inscrição começa com uma genealogia que liga Dario a Aquêmenes, para responder às dúvidas sobre seu direito ao trono.
- Um império, muitas línguas
- Usar o elamita, o babilônico e a nova escrita persa antiga permitia ao rei falar às antigas culturas escritas de seu reino em seus próprios termos.
- Publicar é poder
- Dario mandou copiar o texto em tabuletas e pergaminho e enviá-lo por todo o império; cópias chegaram à Babilônia e ao Egito.
- Um monumento em etapas
- O relevo e os textos foram ampliados e alterados à medida que novas vitórias eram conquistadas, o que explica as diferenças entre as versões.
- Chave do cuneiforme
- O texto trilíngue, ao lado de outras inscrições, ajudou os estudiosos do século XIX a decifrar o persa antigo, o elamita e o acádio.
- Camadas de memória
- Governantes selêucidas, partos, sassânidas e posteriores, além de contadores de histórias, acrescentaram à montanha suas próprias esculturas, construções e lendas.
Registros
- 522 a.C. — Segundo Dario, em 522 a.C. Gaumata, fazendo-se passar por Bárdia, filho de Ciro, rebelou-se contra Cambises; depois da morte de Cambises, Dario o matou em 29 de setembro e se tornou rei.
- 521 a.C. — Dario e seus generais derrotam os reis rebeldes; o último, Frada da Margiana, cai em 28 de dezembro de 521 a.C.
- c. 520 a.C. — Começa o trabalho no relevo de Bisotun (cerca de 520 a.C.); o texto elamita é esculpido primeiro.
- c. 519 a.C. — São acrescentadas as versões babilônica e em persa antigo; depois das campanhas contra o Elam e os citas, são acrescentadas a figura de Skunkha e uma quinta coluna em persa antigo (c. 519–518 a.C.).
- c. 420 a.C. — Uma tradução aramaica da inscrição é copiada em papiro em Elefantina, no Egito, sob Dario II (cerca de 420 a.C.).
- 148 a.C. — Um Héracles reclinado, com uma inscrição grega datada, é esculpido em Bisotun sob domínio selêucida (148 a.C.).
- c. 600 d.C. — São esculpidos capitéis sassânidas que mostram um rei, provavelmente Cosroes II, e a deusa Anahita; uma vasta parede de rocha é preparada para um projeto inacabado.
- 1802 — Em 4 de setembro, Grotefend apresenta à Academia de Göttingen sua leitura dos nomes reais nas inscrições de Persépolis.
- 1835 — Henry Rawlinson vê a inscrição de Bisotun pela primeira vez; em 1836–37, copia todo o texto em persa antigo.
- 1847 — Rawlinson faz estampagens de papel da versão babilônica; sua edição do babilônico sai em 1851.
- 1857 — O teste da Sociedade Asiática Real: quatro estudiosos traduzem de forma independente uma inscrição de Tiglate-Pileser I, confirmando a decifração do acádio.
- 2006 — Bisotun é inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
Glossário
- Cuneiforme
- Escrita formada por marcas em forma de cunha, desenvolvida primeiro na Mesopotâmia e depois adaptada a muitas línguas.
- Persa antigo
- A língua da família real persa, escrita numa forma simplificada de cuneiforme usada principalmente em inscrições reais.
- Elamita
- A língua do Elam, no sudoeste do Irã; era usada nos registros administrativos da corte persa.
- Babilônico (acádio)
- Uma forma do acádio, a língua semítica da Babilônia e da Assíria, escrita num cuneiforme complexo.
- Relevo
- Escultura em que as figuras se destacam de um fundo plano.
- Trilíngue
- Escrito em três línguas; em Bisotun, o mesmo texto aparece em três versões.
- Mago (magus)
- Membro de um grupo medo associado a funções sacerdotais; Dario chama Gaumata de “o mago”.
- Estampagem (squeeze)
- Impressão de uma inscrição feita pressionando papel molhado (ou, mais tarde, látex) contra a pedra.
- Res gestae
- Expressão latina que significa “coisas feitas”: o relato oficial de um governante sobre suas próprias realizações.
- Ahuramazda
- O deus supremo a quem Dario atribui cada vitória.
Perguntas e respostas
Por que Dario mandou esculpir a inscrição tão no alto?
Provavelmente para que ela pudesse ser vista da estrada, mas não fosse danificada com facilidade. Ao que parece, os trabalhadores cortaram o acesso abaixo dela depois que a escultura ficou pronta.
Dá para lê-la do chão?
Não. As figuras podem ser vistas, mas o texto está alto demais e é pequeno demais para ser lido sem escalar ou sem usar fotografias.
A história sobre Gaumata é verdadeira?
Ninguém sabe ao certo. Dario e Heródoto contam uma história parecida sobre um impostor, mas muitos historiadores suspeitam que Dario matou o verdadeiro Bárdia e inventou o impostor para justificar a tomada do poder. Outros aceitam o relato de Dario.
Grotefend decifrou a inscrição de Behistun em 1802?
Não. Em 1802, ele trabalhou com inscrições curtas copiadas em Persépolis e identificou corretamente os nomes Dario, Xerxes e Histaspes. Os textos de Behistun só foram copiados a partir da década de 1830, por Rawlinson.
Ela é mesmo a “Pedra de Roseta” do cuneiforme?
Teve um papel parecido, sobretudo para o persa antigo e o elamita, mas a decifração do acádio também dependeu de muitas outras inscrições e de vários estudiosos, em especial Edward Hincks.
Dario inventou a escrita persa antiga?
Ele afirma ter criado uma nova forma de escrita, e o monumento sugere que os textos em persa antigo foram os últimos a ser acrescentados. Alguns estudiosos acham que a escrita já vinha sendo desenvolvida sob Ciro, por isso a questão continua em debate.
O que mais há em Bisotun?
Um Héracles selêucida, relevos partos, esculturas sassânidas e uma enorme parede de rocha inacabada, um edifício ilcânida e um caravançará safávida, entre outros vestígios.
Fontes e leituras adicionais
- Rüdiger Schmitt, BISOTUN iii. Darius’s Inscriptions. Encyclopaedia Iranica, 2000 (online edition)
- Rüdiger Schmitt, BISOTUN i. Introduction. Encyclopaedia Iranica
- Heinz Luschey, BISOTUN ii. Archeology. Encyclopaedia Iranica
- Bisotun. UNESCO World Heritage Centre
- Jona Lendering, Behistun. Livius.org
- Behistun, Persian Text (adapted from the King/Thompson translation). Livius.org
- Pierre Briant, GAUMĀTA. Encyclopaedia Iranica
- A. Shapur Shahbazi, DARIUS iii. Darius I the Great. Encyclopaedia Iranica
- Rüdiger Schmitt, CUNEIFORM SCRIPT. Encyclopaedia Iranica, 1993
- GROTEFEND, GEORG FRIEDRICH. Encyclopaedia Iranica
- CTESIAS. Encyclopaedia Iranica
- Peter T. Daniels, RAWLINSON, HENRY ii. Contributions to Assyriology and Iranian Studies. Encyclopaedia Iranica
- Arthur John Booth, The Discovery and Decipherment of the Trilingual Cuneiform Inscriptions. Longmans, Green, and Co. (Project Gutenberg edition), 1902
- Kevin J. Cathcart, The Earliest Contributions to the Decipherment of Sumerian and Akkadian. Cuneiform Digital Library Journal 2011:1, 2011
- Kathryn E. Kelley, Bīsitūn Inscription. Cuneiform Digital Library Initiative
- Saber Amiri Parian, A New Edition of the Elamite Version of the Behistun Inscription (I). Cuneiform Digital Library Bulletin 2017:3, 2017
- Herodotus, The Histories, Book 3 (from 3.61), tr. A. D. Godley. Perseus Digital Library, Tufts University
- DSf: Darius’s foundation charter from Susa. Livius.org
- Behistun inscription. Wikipedia
- Decipherment of cuneiform. Wikipedia
- Bardiya. Wikipedia
- Udjahorresnet. Wikipedia
- Ionian Revolt. Wikipedia
- Alan B. Lloyd, The Inscription of Udjahorresnet: A Collaborator’s Testament. Journal of Egyptian Archaeology 68, 1982
- Haggai, chapter 1 (Hebrew–English, JPS 1917 translation). Mechon Mamre
- Ezra, chapter 6 (Hebrew–English, JPS 1917 translation). Mechon Mamre
- Book of Haggai. Wikipedia
- Cyrus Cylinder. Wikipedia
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
