História

Batalha de Maratona

Μάχη τοῦ Μαραθῶνος

490 a.C. · Maratona, Ática

Em uma frase

Em 490 a.C., numa planície litorânea a nordeste de Atenas, um pequeno exército de atenienses e plateenses derrotou uma força persa enviada pelo rei Dario I. Atenas nunca deixou de celebrar essa vitória, que deu nome à moderna corrida da maratona.

Batalha de Maratona
Imagem: John Steeple Davis · Public domain · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Há cerca de 2.500 anos, a Pérsia era o maior império do mundo. Seu rei, Dario, governava terras que iam do Egito à Índia. Atenas era apenas uma cidade grega, muito menor que o império, mas tinha ajudado outras cidades gregas a lutar contra o domínio persa. Dario ficou furioso e enviou navios cheios de soldados pelo mar.

Os soldados persas desembarcaram numa praia perto de um lugar chamado Maratona. Era uma área plana entre as montanhas e o mar, a cerca de 40 quilômetros de Atenas. Os atenienses marcharam para enfrentá-los, e uma pequena cidade vizinha chamada Plateia enviou soldados para ajudar. Os gregos usavam armaduras pesadas, grandes escudos redondos e lanças compridas.

Durante vários dias, os dois exércitos ficaram se observando. Então os gregos avançaram de repente, correndo no trecho final, e atingiram a linha persa. O meio da linha grega foi empurrado para trás, mas os soldados nas duas pontas venceram e cercaram os persas. Os persas fugiram para seus navios.

Depois, as pessoas contaram a história de um mensageiro que correu de Maratona até Atenas para gritar “Vencemos!” e caiu morto. O relato mais antigo da batalha não conta essa história, então talvez ela não seja verdadeira. Mas, em 1896, ela inspirou uma nova corrida nos primeiros Jogos Olímpicos modernos: a maratona.

Para os atenienses, a vitória em Maratona virou uma lembrança muito preciosa. Eles enterraram os soldados mortos no próprio campo de batalha, sob um grande monte de terra. Também pintaram cenas da batalha e contaram sua história muitas vezes. O monte ainda pode ser visto hoje.

Em resumo

Data
490 a.C., no fim do verão; costuma ser datada de cerca de 12 de setembro, embora alguns defendam uma data em agosto
Local
Planície de Maratona, no nordeste da Ática, Grécia, a cerca de 40 km de Atenas
Lados
Atenas e Plateia contra uma força expedicionária do Império Persa Aquemênida
Comandantes
Gregos: o polemarco Calímaco e dez generais atenienses, entre eles Milcíades; persas: Dátis e Artafernes
Forças
Cerca de 9.000 a 10.000 atenienses e aproximadamente 1.000 plateenses; o número de persas é desconhecido, mas estimativas modernas costumam apontar cerca de 20.000 a 25.000 soldados de infantaria
Mortos (segundo Heródoto)
192 atenienses e cerca de 6.400 persas
Resultado
Vitória grega; a expedição persa retirou-se para a Ásia
Fonte principal
Heródoto, Histórias, Livro 6, escrito cerca de duas gerações depois

Fácil

O que foi a Batalha de Maratona?

A Batalha de Maratona ocorreu no verão de 490 a.C. entre Atenas, uma cidade-Estado auxiliada por sua pequena aliada Plateia, e um exército enviado por Dario I, rei do Império Persa Aquemênida. Ela aconteceu na planície de Maratona, uma faixa de terra plana na costa leste da Ática, região onde fica Atenas.

A força persa atravessou o mar Egeu em navios, atacou ilhas pelo caminho, destruiu a cidade de Erétria, na ilha de Eubeia, e depois desembarcou em Maratona. O exército ateniense, formado por cidadãos soldados, marchou até lá e acampou diante dos persas. Após vários dias de espera, os gregos atacaram e obtiveram uma vitória decisiva. Os persas escaparam para seus navios e, por fim, voltaram para casa.

Foi a primeira vez que um exército de gregos do continente derrotou um exército persa numa grande batalha campal. A batalha não encerrou as guerras entre gregos e persas: dez anos depois, Xerxes, filho de Dario, invadiu a Grécia com um exército muito maior. Mas Maratona mostrou que as forças persas podiam ser derrotadas e tornou-se uma das lembranças de que Atenas mais se orgulhava.

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Fácil

Por que a Pérsia veio à Grécia?

Em meados do século VI a.C., o rei persa Ciro, o Grande, conquistou uma vasta região, incluindo as cidades gregas ao longo da costa da Ásia Menor (hoje o oeste da Turquia), região que os gregos chamavam de Jônia. Essas cidades eram governadas por tiranos gregos locais fiéis à Pérsia.

Por volta de 499 a.C., as cidades jônicas se rebelaram. Atenas e Erétria enviaram navios para ajudá-las e, em 498 a.C., os rebeldes e seus aliados incendiaram Sardes, uma importante capital regional persa. A revolta foi sufocada em 494 a.C., quando os persas derrotaram a frota jônica em Lade e saquearam Mileto. Heródoto diz que Dario nunca esqueceu o papel de Atenas.

Havia também um motivo pessoal e político. Hípias, o último tirano de Atenas, havia sido expulso em 510 a.C. e se refugiado na corte persa. Ele esperava que os persas o recolocassem no poder. Segundo Heródoto, foi Hípias, já idoso, quem guiou os persas até Maratona, talvez porque sua família tivesse apoiadores naquela parte da Ática e porque seu pai, Pisístrato, havia desembarcado ali décadas antes, quando buscava tomar o poder.

Antes da invasão, Dario enviou mensageiros às cidades gregas para pedir “terra e água”, sinal tradicional de submissão. Muitas cidades concordaram. Atenas e Esparta recusaram; Heródoto chega a dizer que elas mataram os mensageiros.

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Fácil

Quem lutou e como?

O exército ateniense era formado por hoplitas: cidadãos que podiam pagar por um capacete de bronze, uma couraça, grevas (proteções para as canelas), um grande escudo redondo e uma longa lança de estocada. Eles lutavam ombro a ombro numa formação compacta chamada falange, na qual o escudo de cada homem protegia em parte o companheiro ao lado. Os hoplitas não eram soldados profissionais; eram agricultores, artesãos e proprietários de terras que serviam quando a cidade os convocava.

Atenas podia reunir aproximadamente 9.000 a 10.000 hoplitas. Plateia, uma pequena cidade da vizinha Beócia que mantinha havia muito tempo boas relações com Atenas, enviou todo o seu exército, cerca de 1.000 homens. Esparta, a maior potência militar da Grécia, prometeu ajuda, mas não chegou a tempo.

O exército persa era mais variado. Reunia soldados de muitos povos do império, em geral com armaduras mais leves que as dos hoplitas gregos e escudos de vime, e dependia bastante de arqueiros e da cavalaria. Heródoto diz que a frota tinha 600 trirremes (navios de guerra), embora esse número possa ser exagerado ou tradicional. Ele não informa o número de soldados. Autores antigos posteriores falaram em centenas de milhares, o que é impossível; historiadores modernos costumam estimar cerca de 20.000 a 25.000 combatentes, além de uma força menor de cavalaria, mas qualquer número é uma suposição.

Os persas eram comandados por Dátis, um medo, e Artafernes, sobrinho de Dario. Do lado ateniense, o comando era compartilhado: havia dez generais, um de cada uma das dez tribos de Atenas, além do polemarco (arconte encarregado da guerra) Calímaco. O mais famoso dos generais era Milcíades, membro de uma poderosa família ateniense que havia governado o Quersoneso Trácio (Galípoli) sob a autoridade persa e conhecia as formas persas de combater.

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Intermediário

A campanha de 490 a.C.

A expedição persa de 490 a.C. foi a segunda tentativa de chegar à Grécia. Em 492 a.C., uma força comandada por Mardônio havia avançado pela Trácia e pela Macedônia, mas sua frota foi destruída por uma tempestade perto do monte Atos. Dessa vez, os persas atravessaram diretamente o mar Egeu. Tomaram Naxos, que havia resistido a eles dez anos antes, e receberam a submissão de outras ilhas. O santuário de Delos, sagrado para Apolo, foi tratado com respeito, o que sugere uma política deliberada de honrar os deuses gregos.

A frota então atacou Erétria, na Eubeia. Segundo Heródoto, após um cerco de seis dias, dois erétrios influentes traíram a cidade. Os persas incendiaram seus templos em vingança por Sardes e deportaram seus habitantes. Heródoto relata mais adiante que Dario estabeleceu os prisioneiros erétrios na Císsia, no coração do território persa, onde eles ainda falavam grego em sua época.

Da Eubeia, os persas cruzaram o mar até Maratona. Os atenienses enviaram um corredor, Filípides (chamado de Fidípides por fontes posteriores), a Esparta para pedir ajuda; Heródoto diz que ele chegou no dia seguinte ao da partida, após percorrer cerca de 240 km. Os espartanos responderam que não podiam marchar antes da lua cheia por causa de uma festa religiosa, geralmente identificada como as Carneias. Enquanto isso, o exército ateniense marchou até Maratona e acampou perto de um santuário de Héracles, bloqueando as estradas para Atenas. Os plateenses se juntaram a ele ali.

Durante vários dias, nenhum dos lados atacou. Os gregos ocupavam uma posição forte; os persas talvez esperassem uma revolta de atenienses dentro da cidade a seu favor ou uma oportunidade para deslocar parte de suas forças por mar. Heródoto descreve um debate entre os dez generais: metade queria esperar os espartanos, e metade queria lutar. Milcíades convenceu Calímaco a votar pela batalha. Heródoto acrescenta que os generais a quem cabia o comando em cada dia cederam seus turnos a Milcíades, mas ele esperou até chegar seu próprio dia para atacar.

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Intermediário

A batalha

Para evitar que a linha persa, mais extensa, contornasse suas posições, os atenienses estenderam a própria linha até igualar seu comprimento. Para isso, deixaram o centro com apenas algumas fileiras de profundidade, mantendo as alas fortes. O polemarco Calímaco comandava a ala direita, posição de honra; os plateenses ocupavam a esquerda. Segundo Plutarco, as tribos de Temístocles e Aristides ficaram no centro.

Heródoto diz que os atenienses avançaram por cerca de 8 estádios (aproximadamente 1,5 km) e investiram “correndo”. Segundo ele, foram os primeiros gregos de que tinha conhecimento a fazer isso e os primeiros a enfrentar sem medo a visão das vestes dos medos. Autores modernos duvidam que homens com armaduras pesadas pudessem correr por toda essa distância; uma interpretação comum é que caminharam a maior parte do trajeto e correram apenas no trecho final, quando entraram no alcance dos arqueiros persas.

No longo combate que se seguiu, as melhores tropas persas — os próprios persas e os sacas, posicionados no centro — romperam o centro grego e o perseguiram para o interior. Mas os gregos venceram nas duas alas. Em vez de perseguir os inimigos derrotados, as alas se voltaram para dentro e atacaram o centro persa pelos dois lados. Os persas fugiram em direção à costa e aos navios, perseguidos pelos gregos até o mar. Houve combates intensos perto dos navios; os atenienses capturaram sete, mas os demais escaparam.

Heródoto registra 192 atenienses e cerca de 6.400 persas mortos. Entre os atenienses estavam o polemarco Calímaco, um dos generais chamado Estesilau e Cinégiro, irmão do dramaturgo Ésquilo. Cinégiro teve a mão decepada por um machado ao agarrar a popa de um navio persa. O próprio Ésquilo lutou na batalha. As perdas plateenses não foram registradas, e também é incerto o número de pessoas escravizadas que lutaram e morreram; Pausânias, escrevendo séculos depois, menciona que escravos foram enterrados em Maratona.

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Intermediário

Depois da batalha: a corrida de volta a Atenas e os espartanos

A batalha não pôs fim ao perigo. A frota persa contornou o cabo Súnio em direção a Falero, o antigo porto de Atenas, talvez esperando encontrar a cidade indefesa. Heródoto relata um boato de que alguém havia feito um sinal aos persas com um escudo a partir de uma montanha e que a família dos Alcmeônidas foi acusada; ele próprio rejeita a acusação. O exército ateniense marchou rapidamente de volta à cidade e acampou junto a outro santuário de Héracles, em Cinosarges. Quando os navios persas chegaram e viram o exército à espera, não desembarcaram e logo retornaram à Ásia.

Dois mil espartanos chegaram depois da lua cheia, após marcharem de Esparta até a Ática em três dias. Era tarde demais para participar do combate. Eles pediram para ver os persas mortos, examinaram-nos no campo de batalha, elogiaram os atenienses e voltaram para casa.

Para a Pérsia, Maratona foi um revés, mas não um desastre. A expedição havia punido Erétria e submetido várias ilhas ao domínio persa. Dario começou a preparar uma invasão maior, mas morreu em 486 a.C.; seu filho Xerxes a comandou em 480 a.C. Essa guerra incluiu as batalhas das Termópilas, de Salamina e de Plateia e terminou com a vitória grega em Plateia, em 479 a.C.

Em Atenas, a vitória elevou o prestígio dos hoplitas e de Milcíades, mas ele logo perdeu apoio. Em 489 a.C., liderou uma expedição fracassada contra a ilha de Paros, foi processado e condenado a pagar uma multa de 50 talentos e morreu por causa de uma ferida infeccionada. Enquanto isso, Temístocles convenceu os atenienses a construir uma grande frota, e foi essa marinha, e não o exército de hoplitas de Maratona, que decidiu a guerra em Salamina.

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Intermediário

Como Atenas se lembrou de Maratona

Os atenienses fizeram algo incomum: em vez de levar os mortos para serem sepultados em casa, como se tornaria seu costume, enterraram os 192 no campo de batalha, sob um grande monte de terra chamado Soros. Ele ainda se ergue na planície, com cerca de 9 m de altura. Muitos acreditam que um monte próximo seja o túmulo dos plateenses. Os homens que lutaram, os maratonomacos (“combatentes de Maratona”), foram homenageados pelo resto da vida.

A vitória foi celebrada na arte e na religião. Uma grande pintura da batalha, que mostrava Milcíades, Calímaco, deuses e heróis como Teseu lutando por Atenas, decorava a Stoa Pintada (Stoa Poikile), na Ágora ateniense. Os atenienses dedicaram um tesouro em Delfos, que autores antigos associaram a Maratona, e instituíram o culto a Pã numa caverna na encosta da Acrópole, pois se dizia que Pã havia encontrado Filípides durante sua corrida e prometido ajuda.

Diz-se que Ésquilo, o grande poeta trágico, escolheu um epitáfio que mencionava apenas sua coragem em Maratona, e não suas peças. Para os atenienses de épocas posteriores, “os homens de Maratona” se tornaram um símbolo das virtudes do passado. Oradores voltavam a citá-los, especialmente quando Atenas enfrentou novas ameaças da Macedônia no século IV a.C.

A história do mensageiro que correu de Maratona a Atenas e morreu após anunciar a vitória aparece pela primeira vez em autores do período romano, como Plutarco e Luciano, cerca de 500 a 600 anos depois da batalha. Heródoto menciona apenas a corrida até Esparta. Quando o estudioso francês Michel Bréal propôs uma corrida de longa distância para os primeiros Jogos Olímpicos modernos, realizados em Atenas em 1896, inspirou-se nessa lenda posterior. A distância foi padronizada mais tarde em 42,195 km.

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Avançado

Maratona foi um ponto de virada? Perspectivas gregas e persas

Por muito tempo, autores europeus trataram Maratona como um momento decisivo da história mundial. No século XIX, John Stuart Mill afirmou que Maratona era mais importante para a história inglesa que a Batalha de Hastings, e Edward Creasy a incluiu entre suas “quinze batalhas decisivas do mundo” (1851). Essas visões refletiam uma narrativa, herdada dos leitores gregos de Heródoto e de leitores europeus posteriores, segundo a qual gregos livres defendiam “o Ocidente” contra um despotismo “oriental”.

Os estudos atuais são mais cautelosos. Historiadores do Império Aquemênida observam que nenhuma fonte persa menciona a batalha; para o centro do império, a expedição de 490 a.C. foi uma operação relativamente limitada numa fronteira distante. Seus objetivos principais — punir Erétria e Atenas e talvez restaurar Hípias ao poder — foram alcançados apenas em parte, mas o império perdeu pouco. Desse ponto de vista, Maratona foi uma derrota local, não uma catástrofe. A imagem dos persas como efeminados e covardes, comum em textos gregos posteriores, é hoje reconhecida em parte como produto da maneira pela qual os gregos passaram a definir sua própria identidade depois das guerras.

Ao mesmo tempo, a batalha teve consequências reais. Impediu a restauração da tirania em Atenas sob proteção persa, fortaleceu as jovens instituições democráticas criadas por Clístenes em 508/7 a.C. e deu enorme confiança aos atenienses. Alguns historiadores argumentam que, sem Maratona, seria difícil imaginar a futura marinha ateniense, a Liga de Delos e as realizações culturais da Atenas do século V a.C., incluindo o Partenon. Outros alertam que essas hipóteses sobre o que poderia ter acontecido são especulativas.

Também é preciso lembrar as pessoas cujas histórias quase não são contadas: os erétrios deportados para a Pérsia, os plateenses cuja participação a memória ateniense tendia a diminuir, os escravos que lutaram e os muitos soldados do exército persa vindos da Jônia, do Egito, do Levante e da Ásia Central, que não escolheram participar dessa guerra.

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Avançado

Fontes, números e questões em aberto

Quase tudo o que sabemos vem de Heródoto de Halicarnasso, cujas Histórias foram escritas entre meados e o fim do século V a.C., cerca de 40 a 60 anos depois da batalha. Heródoto conversou com pessoas cujos pais e avós se lembravam da guerra, mas seu relato de Maratona é breve e omite muitos detalhes que um historiador militar gostaria de conhecer: a posição exata dos acampamentos, o papel da cavalaria persa e o momento em que os acontecimentos ocorreram. Fontes posteriores, como Cornélio Nepos, Plutarco e Pausânias, acrescentam detalhes, mas é difícil saber se eles vêm de fontes antigas confiáveis ou de acréscimos posteriores.

A questão da cavalaria é o enigma mais conhecido. Heródoto nunca menciona cavaleiros persas no combate, embora os persas tivessem levado cavalos. Um dicionário bizantino, a Suda, preserva o provérbio “a cavalaria está ausente” (chōris hippeis) e o explica com uma história segundo a qual desertores jônicos informaram aos atenienses que a cavalaria persa havia partido, levando Milcíades a atacar. Alguns historiadores acham que os persas estavam embarcando novamente sua cavalaria para seguir de navio até Atenas, o que explicaria por que os atenienses finalmente atacaram; outros duvidam dessa fonte tardia.

A data também é debatida. Ela depende de quando ocorreram a lua cheia e a festa espartana em 490 a.C. A data tradicional de 12 de setembro foi calculada pelo estudioso do século XIX August Böckh; se o calendário espartano estivesse um mês adiantado, a batalha teria ocorrido em agosto. O tamanho dos exércitos, a extensão da linha grega e a possibilidade de os gregos terem corrido por todos os 1,5 km são questões discutidas com base nas poucas palavras de Heródoto, na topografia e nos limites físicos de homens com armaduras.

A arqueologia fornece algumas evidências. O Soros foi escavado no fim do século XIX e revelou restos queimados, cinzas e cerâmica da época adequada, o que reforça sua identificação como o túmulo dos atenienses mortos. Outro monte perto de Vrana, escavado em 1970, foi identificado por alguns como o túmulo dos plateenses, embora isso não seja certo. Uma lista inscrita dos mortos da tribo Erecteida, encontrada em 2000 na vila de Herodes Ático, no Peloponeso, é considerada por vários estudiosos uma cópia ou um original de um monumento de Maratona; essa identificação continua em debate. A antiga linha da costa e o pântano da planície mudaram, o que dificulta a reconstituição do campo de batalha.

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Ideias principais

Falange de hoplitas
Formação compacta de cidadãos armados com lanças, em que os escudos sobrepostos protegiam uns aos outros; era a base dos exércitos gregos em Maratona.
Duplo envolvimento
As alas gregas derrotaram seus adversários e depois se voltaram para dentro, atacando o centro inimigo pelos dois lados.
Expedição punitiva
Do ponto de vista persa, a campanha buscava punir Erétria e Atenas por seu papel na Revolta Jônica, em vez de conquistar toda a Grécia.
Memória cívica
Atenas transformou a vitória numa parte central de sua identidade por meio de túmulos, pinturas, oferendas e discursos.
Lenda e história
O corredor que morreu após anunciar a vitória só aparece em autores muito posteriores; Heródoto conta outra corrida, até Esparta.
Grandes narrativas históricas
As ideias modernas de Maratona como um confronto entre “Oriente e Ocidente” refletem interpretações europeias posteriores tanto quanto os acontecimentos de 490 a.C.

Registros

  1. c. 546 a.C. — Ciro, o Grande, conquista a Lídia, e as cidades gregas da Jônia passam ao domínio persa.
  2. 510 a.C. — Hípias, tirano de Atenas, é expulso e depois se refugia na corte persa.
  3. 508 a.C. — As reformas de Clístenes lançam as bases da democracia ateniense (508/7 a.C.).
  4. 499 a.C. — Começa a Revolta Jônica (499 a.C.); Atenas e Erétria enviam navios.
  5. 498 a.C. — Rebeldes jônicos e seus aliados atenienses e erétrios incendeiam Sardes (498 a.C.).
  6. 494 a.C. — A vitória persa em Lade e o saque de Mileto encerram a revolta (494 a.C.).
  7. 492 a.C. — Expedição de Mardônio; a frota persa é destruída perto do monte Atos (492 a.C.).
  8. 490 a.C. — Dátis e Artafernes tomam Naxos e Erétria e são derrotados em Maratona (490 a.C.).
  9. 489 a.C. — Milcíades lidera uma expedição fracassada a Paros, é multado e morre (489 a.C.).
  10. 480 a.C. — Xerxes invade a Grécia: batalhas das Termópilas e de Salamina (480 a.C.).
  11. 479 a.C. — A vitória grega em Plateia encerra a invasão persa (479 a.C.).
  12. 1896 — A primeira maratona moderna é disputada nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Glossário

Hoplita
Cidadão soldado grego armado com um grande escudo redondo, capacete, armadura e lança.
Falange
Formação de combate compacta, com hoplitas dispostos em fileiras.
Polemarco
“Chefe de guerra”: um dos arcontes anuais de Atenas que, em 490 a.C., ainda exercia formalmente um comando militar.
Estratego (general)
Um dos dez generais atenienses eleitos a cada ano, um de cada tribo.
Império Aquemênida
Império Persa fundado por Ciro, o Grande, que em sua maior extensão ia do Egito e da Anatólia até o rio Indo.
Jônia
Região central da costa oeste da Ásia Menor, com muitas cidades gregas, como Mileto.
Trirreme
Navio de guerra veloz movido por três níveis de remadores.
Terra e água
Símbolos exigidos pelos enviados persas como sinal de que uma cidade aceitava a autoridade do rei.
Soros
“Monte”: túmulo dos atenienses mortos na planície de Maratona.
Carneias
Festa religiosa espartana durante a qual o exército não deveria marchar.

Perguntas e respostas

Um corredor realmente foi de Maratona a Atenas e morreu?

Provavelmente não como conta a lenda. Heródoto, nossa fonte mais antiga, relata que Filípides correu até Esparta antes da batalha. A história do mensageiro que morreu aparece apenas em autores muito posteriores.

Qual é a distância entre Maratona e Atenas?

Cerca de 40 km por estrada. A distância da maratona moderna, 42,195 km, foi fixada no século XX.

Por que os espartanos não chegaram a tempo?

Eles disseram que a lei religiosa não permitia que marchassem antes da lua cheia, durante uma festa. Alguns historiadores também suspeitam de motivos políticos, mas as fontes antigas apresentam o motivo religioso.

Quantos soldados havia?

Cerca de 10.000 atenienses e 1.000 plateenses. O número de persas é desconhecido; estimativas modernas costumam apontar cerca de 20.000 a 25.000, mas as afirmações antigas de que havia centenas de milhares são impossíveis.

Onde estava a cavalaria persa?

Ninguém sabe. Heródoto não a menciona durante a batalha. Uma fonte tardia diz que ela havia partido antes do combate, o que pode explicar o momento escolhido pelos atenienses para atacar.

Os persas consideraram Maratona uma grande derrota?

Nenhuma fonte persa menciona a batalha. Para o império, provavelmente foi um revés limitado numa fronteira distante; sua grande importância vem da memória grega e, depois, europeia.

É possível visitar o campo de batalha?

Sim. O túmulo dos atenienses ainda se ergue na planície de Maratona, e há um museu arqueológico nas proximidades.

Fontes e leituras adicionais

  1. Herodotus, The Histories, Book 6 (Greek text and English translation by A. D. Godley). Perseus Digital Library, Tufts University
  2. Battle of Marathon. Wikipedia
  3. 마라톤 전투. 위키백과
  4. Battle of Marathon. Encyclopaedia Britannica
  5. Pheidippides. Wikipedia
  6. Edward Shepherd Creasy, The Fifteen Decisive Battles of the World. Richard Bentley, 1851

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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