Filosofia

Sócrates

Σωκράτης

470–399 a.C. · Atenas

Em uma frase

Sócrates (cerca de 470–399 a.C.) foi um filósofo ateniense que não deixou escritos, passou a vida fazendo perguntas difíceis sobre como viver bem, foi condenado à morte por sua própria cidade e se tornou, por meio dos escritos de seus discípulos, uma das figuras fundadoras da filosofia ocidental.

Sócrates
Imagem: Copy of Lysippos (?) · Public domain · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Sócrates viveu em Atenas, na Grécia, há cerca de 2.400 anos. Ele não era rico nem bonito: as pessoas faziam piadas sobre seu nariz achatado e seus olhos saltados, e ele muitas vezes andava descalço, usando um manto velho. Mas tinha um grande talento. Fazia perguntas sem parar.

Ele podia parar alguém no mercado e perguntar: “O que é coragem?” ou “O que é justiça?” A pessoa respondia, e Sócrates fazia outra pergunta, e mais outra, até ela perceber que não sabia tanto quanto pensava. Algumas pessoas gostavam disso. Outras achavam muito irritante.

Certa vez, um amigo perguntou ao famoso oráculo do deus Apolo, em Delfos, se alguém era mais sábio do que Sócrates. A resposta foi: ninguém. Sócrates ficou confuso. Depois de conversar com muitas pessoas, concluiu que era mais sábio em apenas uma coisa: sabia que não sabia, enquanto os outros achavam que sabiam coisas que não sabiam.

Quando tinha cerca de 70 anos, alguns atenienses o levaram a julgamento. Disseram que ele não respeitava os deuses da cidade e influenciava mal os jovens. Um júri de cerca de 500 cidadãos o considerou culpado e o condenou à morte. Seus amigos ofereceram ajuda para ele fugir, mas Sócrates recusou e bebeu uma taça de veneno.

Sócrates nunca escreveu um livro. Nós o conhecemos porque seus discípulos, especialmente Platão, escreveram conversas em que ele é o personagem principal. Por causa deles, pessoas do mundo inteiro ainda fazem perguntas “socráticas” hoje.

Em resumo

Período de vida
Cerca de 470/469–399 a.C.
Local
Atenas, Grécia (demo de Alopece)
Família
Filho de Sofronisco, trabalhador da pedra, e Fenarete, parteira; casado com Xantipa; três filhos
Escritos
Nenhum; conhecido por meio de Platão, Xenofonte, Aristófanes e Aristóteles
Método
Exame de crenças por meio de perguntas e respostas (o elenchos)
Frase famosa (em Platão)
“A vida sem exame não vale a pena ser vivida para um ser humano” (Apologia 38a)
Morte
Julgado por impiedade e por corromper os jovens; executado por ingestão de veneno (geralmente identificado como cicuta) em 399 a.C.
Discípulos e seguidores
Platão, Xenofonte, Antístenes, Aristipo, Euclides de Mégara e outros

Fácil

Quem foi Sócrates?

Sócrates era um cidadão de Atenas que viveu no século V a.C., quando a cidade era a mais rica e poderosa da Grécia, uma democracia e um centro de teatro, arte e conhecimento. Nasceu por volta de 470 a.C. e morreu em 399 a.C.

Ele é um dos filósofos mais famosos da história, embora não tenha deixado escritos. Não dirigia uma escola, não cobrava pelo ensino nem dava palestras. Em vez disso, passava os dias em lugares públicos — a ágora (praça do mercado), os ginásios e as casas particulares — conversando com quem aceitasse falar com ele: jovens ou idosos, ricos ou pobres, cidadãos ou estrangeiros.

Suas conversas tratavam de como viver. O que é uma vida boa? O que são virtude, justiça, coragem, piedade ou amizade? Devemos fazer mal a alguém que nos fez mal? Sócrates acreditava que o mais importante que uma pessoa podia fazer era cuidar da própria alma, de seu interior, tentando compreender o que é verdadeiramente bom.

Os filósofos anteriores a ele, hoje chamados de “pré-socráticos”, estudavam principalmente a natureza: do que o mundo é feito e como funciona. Sócrates voltou a filosofia para a vida humana e a ética. Por isso, o escritor romano Cícero disse que Sócrates “fez a filosofia descer do céu” e a levou para as cidades e os lares.

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Fácil

O questionador: como funciona o método socrático

A maneira como Sócrates praticava a filosofia é chamada de elenchos, palavra grega que significa “exame” ou “teste”. Em geral, funcionava assim: Sócrates pedia a alguém que definisse uma ideia importante, como a coragem. A pessoa respondia: “Coragem é manter a posição na batalha.” Então Sócrates fazia mais perguntas e levava a pessoa a concordar com outras afirmações, por exemplo, que a coragem é sempre algo bom ou que, às vezes, recuar é a escolha sensata. Passo a passo, ficava claro que a primeira resposta não combinava com as outras crenças da pessoa.

A pessoa precisava então tentar uma definição melhor, que era examinada da mesma maneira. Muitos dos primeiros diálogos de Platão terminam sem uma resposta definitiva, num estado que os gregos chamavam de aporia: “perplexidade” ou “falta de saída”. Isso pode ser frustrante, mas, para Sócrates, era um avanço: é melhor saber que não se sabe do que continuar acreditando em algo falso.

Sócrates muitas vezes afirmava que ele próprio não sabia nada de importante e que apenas ajudava os outros a pensar. No Teeteto, de Platão, compara-se a uma parteira, como sua mãe: ele não dá à luz ideias, mas ajuda os outros a trazer as suas ao mundo e verifica se são boas. Muitos leitores suspeitam que essa modéstia era em parte irônica, pois Sócrates era claramente muito inteligente. Essa mistura de humildade sincera e provocação é chamada de “ironia socrática”.

A história do oráculo explica sua missão. Segundo a Apologia de Platão, seu amigo Querefonte perguntou ao oráculo de Delfos se alguém era mais sábio do que Sócrates, e a sacerdotisa respondeu que não. Sócrates pôs essa resposta à prova interrogando políticos, poetas e artesãos. Descobriu que eles pensavam saber coisas importantes que, na verdade, não sabiam. Concluiu que sua única sabedoria era reconhecer a própria ignorância e passou a ver suas perguntas como um serviço ao deus.

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Fácil

O homem por trás do filósofo

Sofronisco, pai de Sócrates, trabalhava com pedra ou era escultor, e sua mãe, Fenarete, era parteira. Ele pertencia ao demo (distrito) de Alopece, logo além das muralhas da cidade. Talvez tenha exercido o ofício do pai quando jovem, mas, durante a maior parte da vida, parece ter tido pouco dinheiro e nenhum trabalho regular. Vivia de modo simples e dependia em parte dos amigos.

Casou-se com Xantipa, e os dois tiveram três filhos: Lamprocles, Sofronisco e Menêxeno. Dois deles ainda eram crianças pequenas quando Sócrates morreu. Autores posteriores transformaram Xantipa na imagem de uma esposa que vivia reclamando, mas essa descrição vem sobretudo de histórias escritas muito depois, não de Platão.

Autores antigos descrevem sua aparência incomum: nariz achatado, olhos saltados e lábios grossos. No Banquete de Platão, Alcibíades o compara a uma estátua de sátiro, feia por fora, mas cheia de imagens douradas de deuses por dentro. Sócrates era conhecido por sua resistência física: andava descalço até no inverno. Também era conhecido pelo autocontrole e podia beber muito sem ficar bêbado.

Ele também dizia que, desde a infância, percebia um daimonion, um “sinal divino” ou voz interior que às vezes o impedia de fazer algo, mas nunca lhe dizia o que fazer.

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Intermediário

Atenas durante a vida de Sócrates

Sócrates nasceu cerca de vinte anos depois da Batalha de Maratona, numa cidade que crescia em poder e riqueza. Quando jovem, viu a construção do Partenon, as tragédias de Ésquilo, Sófocles e Eurípides e a liderança de Péricles. Atenas era uma democracia direta: os homens que eram cidadãos votavam na assembleia e participavam de grandes júris escolhidos por sorteio.

Nesse mundo também surgiram os sofistas, professores itinerantes como Protágoras e Górgias, que cobravam para ensinar retórica, a arte de falar de modo persuasivo, essencial para obter sucesso numa democracia. Muitos atenienses confundiam Sócrates com eles, embora ele não cobrasse e criticasse a afirmação dos sofistas de que ensinavam a virtude.

A segunda metade de sua vida foi marcada pela Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta (431–404 a.C.). Atenas sofreu uma terrível epidemia em 430 a.C., na qual Péricles morreu, e depois enfrentou derrotas desastrosas. Em 404 a.C., rendeu-se. Uma oligarquia apoiada por Esparta, os “Trinta Tiranos”, tomou o poder e matou muitos cidadãos antes de a democracia ser restaurada, em 403 a.C.

Esse contexto político é importante para a história de Sócrates. Alguns homens com quem ele conversava se tornaram famosos por seus atos: Alcibíades, o brilhante general que traiu Atenas e passou para o lado de Esparta, e Crítias e Cármides, líderes dos Trinta. A ligação deles com Sócrates ajuda a explicar por que muitos atenienses desconfiavam dele.

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Intermediário

Soldado e cidadão

Sócrates serviu como hoplita, um soldado de infantaria com armamento pesado, em três campanhas da Guerra do Peloponeso: em Potideia, no norte da Grécia (a partir de 432 a.C.), onde salvou a vida de Alcibíades, que estava ferido; em Délio (424 a.C.), onde manteve a calma durante a retirada ateniense; e em Anfípolis (422 a.C.). Os diálogos de Platão elogiam sua coragem e resistência.

Ele raramente participava da política, pois dizia que seu sinal divino o advertia contra isso. Mas, em duas ocasiões, recusou-se a apoiar medidas que considerava injustas. Em 406 a.C., após a batalha naval de Arginusas, a assembleia ateniense quis julgar em conjunto os generais vitoriosos por não terem resgatado marinheiros náufragos. Sócrates, que naquele dia integrava a comissão que presidia o conselho, objetou que um julgamento coletivo era ilegal. Mesmo assim, os generais foram condenados e executados.

Em 404 a.C., sob o governo dos Trinta, Sócrates e outros quatro homens receberam a ordem de prender Leão de Salamina para que ele fosse executado e seus bens fossem confiscados. Os outros foram; Sócrates simplesmente voltou para casa. Mais tarde, ele disse que poderia ter sido morto por isso se o regime não tivesse caído pouco depois.

Esses episódios mostram um homem que respeitava as leis e a cidade, mas colocava a justiça acima da obediência a qualquer maioria ou governante.

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Intermediário

Ideias principais

O cuidado da alma. Para Sócrates, a alma é o que nos torna quem somos. Ela se torna melhor pela virtude e pior quando praticamos o mal. Na Apologia, ele diz ao júri que passou a vida incentivando os atenienses a se preocuparem menos com dinheiro, prestígio e honrarias e mais com a sabedoria, a verdade e o melhor estado possível da própria alma.

A virtude é conhecimento. Sócrates parece ter defendido que a virtude, ou seja, ser uma boa pessoa, é um tipo de conhecimento: saber o que é verdadeiramente bom e mau. Ligados a essa ideia estão os chamados “paradoxos socráticos”: ninguém faz o mal voluntariamente, pois todos desejam o bem e só erram por ignorância; e as diferentes virtudes, como coragem, justiça e sabedoria, são de alguma forma uma só.

É melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. No Górgias e no Críton, de Platão, Sócrates argumenta que cometer uma injustiça prejudica a alma de quem a pratica. Por isso, nunca se deve fazer o mal, nem mesmo em resposta ao mal recebido. Essa era uma afirmação surpreendente numa cultura que muitas vezes admirava a ajuda aos amigos e o dano aos inimigos.

A vida examinada. Sócrates acreditava que todos deveriam pôr suas crenças à prova raciocinando com outras pessoas. Na Apologia, ele afirma que “a vida sem exame não vale a pena ser vivida para um ser humano”. Pedir definições, seguir os argumentos aonde quer que levem e admitir a ignorância tornaram-se hábitos fundamentais da filosofia.

Aristóteles, que não conheceu Sócrates pessoalmente, mas foi aluno de Platão, atribuiu mais tarde a ele duas contribuições: argumentos que partem de casos particulares para chegar a conclusões gerais e a busca de definições universais. Também afirmou que, diferentemente de Platão, Sócrates não tratava esses universais como “Formas” com existência separada.

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Intermediário

O julgamento e a morte

Em 399 a.C., quando Sócrates tinha cerca de 70 anos, um jovem chamado Meleto, apoiado por Ânito, um importante político democrata, e por Lícon, apresentou uma acusação pública contra ele. Segundo relatos posteriores, a acusação afirmava que Sócrates não reconhecia os deuses reconhecidos pela cidade, introduzia novas divindades e corrompia os jovens. A pena proposta era a morte.

O caso foi julgado por um júri de cerca de 500 ou 501 cidadãos em um único dia. Sobreviveram dois relatos da defesa de Sócrates, ambos chamados Apologia (do grego apologia, “discurso de defesa”): um de Platão e outro de Xenofonte. Na versão de Platão, Sócrates não implora por misericórdia. Explica sua missão, argumenta que é um presente do deus para Atenas, como um moscardo que desperta um cavalo sonolento, e diz que não deixará de filosofar nem para salvar a própria vida.

Ele foi considerado culpado por uma margem relativamente pequena, cerca de 280 votos contra 220 ou 221. Num julgamento ateniense desse tipo, o réu propunha então uma pena alternativa. Platão relata que Sócrates primeiro disse merecer refeições gratuitas no edifício público da cidade, como um campeão olímpico, e depois ofereceu pagar uma multa modesta, elevada com a ajuda de Platão e de outros amigos para 30 minas. O júri votou pela pena de morte, segundo relatos, por uma maioria maior.

A execução foi adiada por cerca de um mês porque ninguém podia ser executado enquanto um navio sagrado estivesse fora em sua missão anual à ilha de Delos. Nesse período, seu amigo Críton organizou uma fuga, mas, no Críton de Platão, Sócrates se recusa: fugir violaria seu compromisso com as leis da cidade onde vivera a vida inteira. No Fédon de Platão, que se passa em seu último dia, ele conversa com os amigos sobre a imortalidade da alma e depois bebe o veneno com calma. O Fédon o chama apenas de “droga”; em geral, ele é identificado como cicuta. Segundo o relato, suas últimas palavras foram um pedido a Críton para oferecer um galo a Asclépio, o deus da cura.

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Intermediário

Influência e legado

Depois de sua morte, muitos seguidores escreveram “conversas socráticas” (sokratikoi logoi), criando um novo gênero literário. Apenas as obras de Platão e Xenofonte sobreviveram completas. Por meio de Platão, que fundou a Academia por volta de 387 a.C., e de Aristóteles, aluno de Platão, Sócrates ocupa um lugar no início da principal tradição da filosofia grega.

Quase todas as escolas posteriores do pensamento grego o reivindicaram. Antístenes admirava sua resistência e seu desapego ao conforto e mais tarde foi visto como precursor dos cínicos; Aristipo de Cirene, fundador da escola cirenaica, tirou uma lição muito diferente, centrada no prazer; Euclides fundou a escola megárica de lógica. Os estoicos consideravam Sócrates o exemplo mais próximo de um verdadeiro sábio.

Épocas posteriores reinterpretaram Sócrates repetidas vezes. Alguns dos primeiros escritores cristãos compararam sua morte injusta à de Jesus; os humanistas do Renascimento o elogiaram como modelo de sabedoria moral; pensadores do Iluminismo o viram como mártir da liberdade de pensamento. No século XIX, Søren Kierkegaard escreveu sua tese sobre a ironia socrática, e Friedrich Nietzsche o criticou como símbolo de um racionalismo excessivo.

Hoje, o “método socrático” é usado em faculdades de direito, salas de aula e terapias, e o questionamento “socrático” é ensinado como uma habilidade básica do pensamento crítico. Sócrates é muitas vezes citado ao lado de Confúcio e Buda como um grande mestre da mesma época que não deixou escritos próprios e cujas palavras foram preservadas por seguidores.

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Avançado

O “problema socrático”: qual Sócrates?

Como Sócrates não deixou escritos, tudo o que sabemos vem de outras pessoas, e as fontes não concordam entre si. Isso é chamado de “problema socrático”. As quatro principais testemunhas são Aristófanes, Xenofonte, Platão e Aristóteles, e cada uma apresenta uma figura diferente.

A comédia As Nuvens, de Aristófanes (encenada pela primeira vez em 423 a.C., quando Sócrates ainda vivia), retrata-o como um professor ridículo que estuda os céus, nega os deuses tradicionais e ensina alunos a vencer discussões injustas em troca de dinheiro. É uma caricatura que mistura características dos filósofos da natureza e dos sofistas. Na Apologia de Platão, Sócrates responsabiliza esse tipo de imagem por ter criado preconceitos no júri. Xenofonte, soldado e escritor, apresenta um conselheiro moral prático, religioso e convencional, que dá orientações sensatas sobre a administração da casa e a liderança. O Sócrates de Platão é o mais complexo e filosófico, mas suas opiniões parecem mudar de um diálogo para outro. Nas obras posteriores, ele expõe teorias, como a das Formas, que Aristóteles atribui a Platão, não a Sócrates.

Uma solução influente foi desenvolvida por Gregory Vlastos (Socrates: Ironist and Moral Philosopher, 1991). Ele argumentou que os primeiros diálogos de Platão, como a Apologia, o Críton, o Eutífron, o Laques e o Cármides, representam a filosofia do Sócrates histórico, enquanto os diálogos intermediários e tardios expressam as ideias do próprio Platão. Essa abordagem, baseada na ordem em que os diálogos teriam sido escritos e no testemunho de Aristóteles, dominou os estudos de língua inglesa durante décadas.

Hoje, muitos estudiosos duvidam que seja possível datar os diálogos com tanta segurança ou que algum escrito de Platão tenha sido concebido como registro histórico. Alguns preferem estudar o “Sócrates” de cada autor como uma criação literária e filosófica. Outros examinam criticamente todas as fontes para reconstruir ao menos as linhas gerais de sua vida e de seu julgamento. Como disse W. K. C. Guthrie, existe, e sempre existirá, um problema socrático.

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Avançado

Por que Sócrates foi realmente condenado?

Os historiadores ainda discutem os motivos reais do julgamento. A acusação formal era religiosa, e alguns estudiosos a levam a sério: o sinal divino de Sócrates e suas perguntas sobre as histórias tradicionais dos deuses talvez parecessem de fato perigosos a uma comunidade que acreditava que os deuses protegiam ou puniam a cidade inteira.

Outros destacam a política. Sócrates havia criticado aspectos da democracia, como a escolha de autoridades por sorteio e a confiança na opinião da maioria, e tinha sido próximo de Alcibíades e Crítias. Mas uma anistia estabelecida em 403 a.C., após a queda dos Trinta, proibia processos por atos cometidos antes daquela data. Alguns historiadores acreditam que a acusação religiosa foi, em parte, uma maneira de contornar a anistia. O jornalista I. F. Stone, em The Trial of Socrates (1988), argumentou que Sócrates era antidemocrático, uma tese provocadora rejeitada pela maioria dos especialistas, mas que estimulou o debate.

Uma terceira interpretação, defendida, por exemplo, por Thomas Brickhouse e Nicholas Smith em Socrates on Trial (1989), é que as acusações devem ser entendidas tal como foram apresentadas e que a defesa de Sócrates relatada por Platão é uma resposta genuína e séria a elas, não uma provocação. Os estudiosos também discutem em que medida a Apologia de Platão reproduz o que Sócrates realmente disse, pois Platão escreveu uma obra literária depois do acontecimento, embora tenha estado presente no julgamento.

Os detalhes médicos da morte também foram examinados. A dormência gradual e tranquila descrita no Fédon foi comparada aos sintomas do envenenamento por cicuta (Conium maculatum). Alguns médicos argumentam que a descrição é idealizada, enquanto outros a consideram compatível com os efeitos da planta. Seja o que for que tenha acontecido, o relato de Platão fez da morte de Sócrates uma das cenas mais influentes da literatura ocidental.

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Ideias principais

Elenchos
Método de Sócrates para pôr à prova as crenças de uma pessoa por meio de perguntas e respostas e verificar se elas são coerentes.
Ignorância socrática
Reconhecer que não se sabe aquilo que se pensava saber; para Sócrates, o começo da sabedoria.
Cuidado da alma
Ideia de que a tarefa mais importante da vida é tornar bom o próprio interior, em vez de buscar riqueza ou fama.
A virtude é conhecimento
Ideia de que ser bom depende de saber o que é verdadeiramente bom e de que o mal resulta da ignorância.
Nunca cometer injustiça
Não se deve cometer uma injustiça nem mesmo em resposta a outra, porque agir mal prejudica a alma de quem o faz.
A vida examinada
Uma vida constantemente posta à prova pelo raciocínio e pela conversa é a única que vale a pena ser vivida por um ser humano.
Ironia socrática
Hábito de Sócrates de afirmar que não sabia enquanto conduzia os outros por meio de perguntas, em parte sincero e em parte provocador.

Registros

  1. c. 470 a.C. — Sócrates nasce em Atenas (470/469 a.C.).
  2. 432 a.C. — Serve no cerco de Potideia, onde salva Alcibíades (a partir de 432 a.C.).
  3. 431 a.C. — Começa a Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta (431 a.C.).
  4. 424 a.C. — Luta durante a retirada em Délio (424 a.C.).
  5. 423 a.C. — A peça As Nuvens, de Aristófanes, ridiculariza Sócrates no palco (423 a.C.).
  6. 422 a.C. — Participa de sua última campanha, em Anfípolis (422 a.C.).
  7. 406 a.C. — Opõe-se ao julgamento coletivo ilegal dos generais após a batalha de Arginusas (406 a.C.).
  8. 404 a.C. — Atenas se rende; sob o governo dos Trinta Tiranos, Sócrates se recusa a prender Leão de Salamina (404 a.C.).
  9. 403 a.C. — A democracia é restaurada e uma anistia é proclamada (403 a.C.).
  10. 399 a.C. — Sócrates é julgado, condenado e executado (399 a.C.).
  11. c. 387 a.C. — Platão funda a Academia em Atenas (cerca de 387 a.C.).

Glossário

Ágora
Praça pública central e mercado de uma cidade grega.
Sofista
Professor profissional itinerante de retórica e outras habilidades na Grécia do século V a.C.
Aporia
“Perplexidade”: estado de quem não consegue encontrar uma resposta, no qual terminam muitos dos primeiros diálogos de Platão.
Daimonion
“Sinal divino” de Sócrates, uma voz interior que o advertia contra certas ações.
Areté
“Excelência” ou “virtude”: qualidade que torna algo ou alguém bom naquilo que é.
Psique
A alma ou o interior da pessoa, que Sócrates incentivava todos a cuidar.
Asebeia
“Impiedade”: acusação legal de ofensa aos deuses apresentada contra Sócrates.
Diálogo
Conversa escrita entre personagens; as obras de Platão sobre Sócrates são diálogos.
Trinta Tiranos
O governo oligárquico favorável a Esparta que dominou Atenas em 404–403 a.C.
Pré-socráticos
Pensadores gregos anteriores a Sócrates ou seus contemporâneos que estudavam principalmente a natureza e o cosmos.

Perguntas e respostas

Por que Sócrates não escreveu nada?

Não sabemos ao certo. No Fedro de Platão, Sócrates diz que as palavras escritas não podem responder nem se defender, ao contrário de uma conversa ao vivo. Muitos acreditam que ele dava mais valor ao diálogo do que aos livros.

Sócrates disse “Só sei que nada sei”?

Não exatamente com essas palavras. Na Apologia de Platão, ele diz que não pensa saber o que não sabe. Essa ideia se tornou mais tarde a frase famosa.

Por que os atenienses o mataram?

Oficialmente, por impiedade e por corromper os jovens. Historiadores também apontam a indignação causada por sua ligação com Crítias e Alcibíades e por suas críticas à democracia.

Ele poderia ter fugido?

Sim. Segundo Platão, seus amigos organizaram uma fuga, mas Sócrates recusou, argumentando que não devia desobedecer às leis de sua cidade.

O que é o problema socrático?

Como nossas fontes — Platão, Xenofonte, Aristófanes e Aristóteles — discordam entre si, é difícil saber quais ideias pertenciam ao Sócrates histórico.

Sócrates era um sofista?

Muitos atenienses pensavam que sim, mas ele não cobrava, dizia que não ensinava nada e criticava os sofistas. Platão o apresenta como o oposto deles.

Sócrates acreditava nos deuses?

Nas obras de Platão e Xenofonte, ele é religioso: obedece ao oráculo de Delfos, oferece sacrifícios e fala de seu sinal divino. Mas suas ideias sobre os deuses davam mais importância à moral do que as crenças tradicionais.

Fontes e leituras adicionais

  1. Debra Nails, Socrates. Stanford Encyclopedia of Philosophy
  2. Socrates. Internet Encyclopedia of Philosophy
  3. Socrates. Wikipedia
  4. 소크라테스. 위키백과
  5. Trial of Socrates. Wikipedia
  6. Socratic problem. Wikipedia
  7. Plato, Apology (Greek text and English translation by H. N. Fowler). Perseus Digital Library, Tufts University
  8. Gregory Vlastos, Socrates: Ironist and Moral Philosopher. Cambridge University Press, 1991
  9. Thomas C. Brickhouse and Nicholas D. Smith, Socrates on Trial. Princeton University Press, 1989
  10. I. F. Stone, The Trial of Socrates. Little, Brown, 1988

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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