Filosofia

Mozi

墨子 (Mo Di 墨翟)

c. 470–391 a.C. · Song (perto de Shangqiu)

Em uma frase

Mozi (Mestre Mo, cerca de 470–391 a.C.) foi um pensador da China antiga que ensinou que as pessoas deveriam se importar com todos, não apenas com a própria família ou o próprio Estado. Ele se opôs às guerras de conquista e treinou seus seguidores para defender cidades sob ataque.

Mozi
Imagem: Vjacheslav Rublevskiy · CC0 · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Mozi viveu na China há cerca de 2.400 anos, mais ou menos na mesma época que Sócrates, na Grécia. Naquele tempo, a China era dividida em muitos reinos que viviam lutando. Mozi se perguntava: por que as pessoas roubam, brigam e fazem guerras? Para ele, isso acontecia porque elas só se importavam consigo mesmas, com a própria família ou com o próprio país.

Por isso, ele ensinava uma ideia simples e surpreendente: cuide das famílias dos outros como cuida da sua e dos países dos outros como cuida do seu. Se todos fizessem isso, dizia ele, ninguém atacaria ninguém, e o mundo seria melhor.

Mozi era contra as guerras de conquista. Ele dizia que, se matar uma pessoa é um crime, matar milhares numa guerra é um crime muito maior, mesmo que os reis chamem isso de glória. Mas ele sabia como enfrentar ataques. Mozi e seus seguidores aprenderam a defender cidades usando muralhas, escadas, máquinas e planos inteligentes.

Há uma história famosa sobre ele. Um grande inventor chamado Gongshu Ban construiu enormes escadas para o poderoso reino de Chu atacar o pequeno Estado de Song. Mozi caminhou por dez dias e dez noites até Chu. Lá, disputou um jogo de guerra com Gongshu Ban: usou seu cinto como muralha e pequenas peças de madeira como máquinas. Mozi conseguiu defender a cidade de todos os ataques imaginados por Gongshu Ban. No fim, o rei de Chu desistiu do ataque.

Mozi também dizia que os governantes não deviam gastar dinheiro com funerais luxuosos e grandes apresentações musicais enquanto as pessoas passavam fome e frio. Ele queria que os líderes fossem escolhidos por sua capacidade e suas boas ações, não pela família em que nasceram. Seus seguidores registraram suas ideias em um livro, também chamado Mozi.

Em resumo

Época em que viveu
Cerca de 470–391 a.C. (datas estimadas; alguns estudiosos propõem 480–390 a.C.)
Lugar
China do período dos Reinos Combatentes; associado aos Estados de Lu e Song (nas atuais províncias de Shandong e Henan)
Nome pessoal
Mo Di (墨翟); “Mozi” significa “Mestre Mo”
Escola
Fundador do moísmo (墨家, Mojia), uma das principais escolas das Cem Escolas de Pensamento
Principais ensinamentos
Cuidado inclusivo (兼愛 jian ai), condenação da guerra de agressão (非攻 fei gong), promoção dos mais capazes e moderação nos gastos
Obra
O Mozi, compilado por seus seguidores; 71 capítulos no catálogo da dinastia Han, dos quais 53 sobreviveram
Também conhecido por
Técnicas de defesa de cidades; os “Cânones” dos moístas posteriores sobre lógica, óptica, geometria e mecânica
Contemporâneos
Viveu depois de Confúcio e antes de Mêncio; foi aproximadamente contemporâneo de Sócrates

Fácil

Quem foi Mozi?

Mozi, cujo nome pessoal era Mo Di, foi um filósofo chinês do século V a.C. Ele viveu no início do período dos Reinos Combatentes, quando o antigo reino de Zhou havia se dividido em Estados rivais que travavam guerras constantes. Foi uma época de sofrimento, mas também de intensa atividade intelectual, mais tarde chamada de era das “Cem Escolas de Pensamento”.

Ele fundou a escola moísta, que por cerca de dois séculos foi uma das duas correntes de pensamento mais importantes da China, ao lado da confuciana. Escritores posteriores frequentemente mencionavam “confucianos e moístas” (儒墨) juntos como representantes de ensinamentos rivais.

Mozi é mais conhecido por três ideias: devemos cuidar de todas as pessoas sem favorecimentos, não apenas das que são próximas de nós; as guerras de agressão são erradas; e o governo deve servir ao bem das pessoas comuns, não ao luxo dos governantes. Ele também se destacou porque seus seguidores formavam um grupo disciplinado e punham suas ideias em prática ao ajudar pequenos Estados a se defender.

Após a unificação da China sob as dinastias Qin e Han, o moísmo perdeu força e ficou quase esquecido por aproximadamente dois mil anos. Foi redescoberto por estudiosos nos séculos XVIII e XIX e hoje é visto como uma das tradições mais originais do pensamento chinês.

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Fácil

Cuidar de todos: jian ai

O ensinamento moísta mais conhecido é jian ai (兼愛). Jian significa “juntos, incluindo todos”, e ai significa “amor” ou “cuidado”. A expressão costuma ser traduzida como “amor universal”, mas muitos estudiosos hoje preferem “cuidado inclusivo” ou “cuidado imparcial”, porque Mozi não falava principalmente de sentimentos. Ele se referia à preocupação com o bem-estar dos outros e a ações que os beneficiassem.

Mozi começou com uma pergunta: de onde vem a desordem no mundo? Sua resposta foi que ela vem do “favorecimento dos seus”: ladrões estimam a própria casa e roubam outras; nobres estimam o próprio clã e atacam outros; governantes estimam o próprio Estado e invadem outros. A solução seria substituir esse favorecimento pela inclusão: considerar as famílias dos outros como a própria família e os Estados dos outros como o próprio Estado.

Críticos diziam que isso era impossível. Mozi respondia com exemplos práticos. Se você precisasse fazer uma longa viagem e deixar sua família aos cuidados de alguém, escolheria um amigo que só se importa com a própria família ou um que cuida das outras como cuida da sua? Todos, argumentava ele, escolheriam o amigo que cuida de todos, até mesmo aqueles que dizem rejeitar o cuidado inclusivo. Ele também citava antigos reis sábios, como Yu, que haviam trabalhado sem descanso pelo bem de todos.

Os moístas não diziam que as pessoas deveriam deixar de cuidar dos próprios pais. Argumentavam que o cuidado inclusivo também era a melhor maneira de beneficiá-los: se eu cuidar dos pais dos outros, os outros cuidarão dos meus.

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Fácil

Contra a guerra, mas prontos para a defesa

O segundo grande ensinamento moísta é fei gong (非攻), a “condenação da agressão”. Mozi apontava uma contradição. Se alguém rouba um pêssego de um pomar, todos dizem que isso é errado. Se alguém mata uma pessoa inocente, todos chamam isso de crime. Mas, quando um governante invade outro Estado, mata milhares de pessoas e toma suas terras, há quem elogie o ato como justo e o registre na história. Para Mozi, isso era como chamar um pouco de preto de “preto”, mas muito preto de “branco”.

Ele também argumentava que as guerras prejudicavam até mesmo quem atacava. Desperdiçavam grãos, armas, cavalos e vidas, afastavam os agricultores dos campos e deixavam viúvas e órfãos. Os ganhos eram pequenos diante das perdas.

Os moístas não defendiam simplesmente se render. Tornaram-se especialistas em guerra defensiva, e vários capítulos do Mozi descrevem como reforçar muralhas, construir máquinas de defesa, cavar túneis, organizar a população e resistir a cercos. A ideia era que, se os ataques sempre fracassassem, agredir deixaria de trazer vantagens.

A história mais famosa, no capítulo chamado “Gongshu”, conta que o engenheiro Gongshu Ban construiu “escadas de nuvem” para o Estado de Chu atacar Song. Mozi caminhou por dez dias e dez noites até a capital de Chu, discutiu com Gongshu Ban e com o rei e, então, simulou uma batalha usando seu cinto como muralha e pequenas peças como máquinas. Gongshu Ban atacou nove vezes, e Mozi repeliu os nove ataques. Mozi acrescentou que seu discípulo Qin Guli e trezentos moístas já estavam à espera nas muralhas de Song. O rei cancelou o ataque. A história termina com uma leve ironia: na volta para casa, Mozi foi surpreendido pela chuva ao passar por Song, mas os guardas da cidade que ele acabara de salvar não o deixaram entrar.

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Intermediário

Vida e época: o que sabemos e o que não sabemos

Muito pouco se sabe com segurança sobre a vida de Mozi. O grande historiador da dinastia Han, Sima Qian, não escreveu uma biografia dele; acrescentou apenas uma breve frase ao fim da biografia de Mêncio e Xunzi. Nela, disse que Mo Di talvez tivesse sido um funcionário de Song, hábil na defesa, que defendia a economia nos gastos, e que alguns o situavam na época de Confúcio, enquanto outros o situavam mais tarde. Hoje, os estudiosos geralmente datam sua vida do fim do século V ao início do século IV a.C., depois de Confúcio (morto em 479 a.C.) e antes de Mêncio (nascido por volta de 372 a.C.).

Seu Estado de origem também é debatido. Muitos o situam em Lu, terra natal de Confúcio; outros o associam a Song, cuja capital ficava perto da atual Shangqiu e onde ele talvez tenha servido; alguns propuseram outros Estados. O livro que leva seu nome o apresenta viajando para Qi, Chu, Wei e outros Estados, aconselhando governantes e enviando discípulos para trabalhar no governo.

Segundo o Huainanzi, obra da época Han, Mozi estudou primeiro os ensinamentos confucianos, mas os rejeitou por considerar seus rituais complicados demais e seus longos períodos de luto um desperdício. Seja isso verdade ou não, grande parte do Mozi foi escrita em debate com os confucianos.

Até seu nome é intrigante. Mo (墨) significa “tinta” e também designava uma punição que consistia em tatuar o rosto de um criminoso. Alguns estudiosos sugeriram que “Mo” não era um sobrenome, mas um apelido ligado a um grupo de trabalhadores condenados ou artesãos. Outros acreditam que era simplesmente seu sobrenome. As muitas comparações do texto com carpinteiros, fabricantes de rodas e construtores, além de seu conhecimento técnico, levaram muitos a pensar que Mozi vinha de um meio artesanal, e não da aristocracia.

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Intermediário

As dez doutrinas centrais

A parte central do Mozi é organizada em torno de dez doutrinas, cada uma originalmente discutida em três ensaios. Elas costumam ser agrupadas em cinco pares. A promoção dos mais capazes (尚賢 shang xian) e a identificação com os superiores (尚同 shang tong): os funcionários devem ser escolhidos por sua capacidade e virtude, mesmo que sejam agricultores ou artesãos, e todos devem seguir os padrões morais de seus superiores virtuosos, até o Filho do Céu e, por fim, o próprio Céu, para que a sociedade compartilhe um conjunto de normas.

O cuidado inclusivo (兼愛 jian ai) e a condenação da agressão (非攻 fei gong), explicados acima.

A moderação no uso de recursos (節用 jie yong) e a moderação nos funerais (節葬 jie zang): os governantes devem gastar apenas com o que for útil à alimentação, ao vestuário, à moradia e à segurança das pessoas. Os moístas criticavam os funerais elaborados e os períodos de luto de três anos defendidos pelos confucianos, argumentando que eles empobreciam as famílias e impediam as pessoas de trabalhar.

A vontade do Céu (天志 tian zhi) e a compreensão dos espíritos (明鬼 ming gui): o Céu (tian) deseja a justiça e quer que as pessoas beneficiem umas às outras; recompensa quem segue sua vontade e pune quem não a segue. Espíritos e fantasmas existem e também recompensam o bem e punem o mal. Os moístas usavam essas ideias para dar à ética um padrão firme e objetivo.

A condenação da música (非樂 fei yue) e a condenação do fatalismo (非命 fei ming): Mozi não negava que a música fosse agradável, mas condenava as apresentações caras da corte, com grandes sinos e orquestras, que consumiam recursos necessários aos pobres. Ele também rejeitava a crença de que o sucesso e o fracasso, a riqueza e a pobreza fossem determinados pelo destino. Para ele, essa crença desestimulava o esforço e servia de desculpa para maus governos.

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Intermediário

Como os moístas raciocinavam: padrões e benefício

Uma das grandes contribuições dos moístas foi a ideia de que os argumentos deveriam ser avaliados por padrões claros, como o compasso e o esquadro de um carpinteiro. Eles propuseram “três padrões” (三表 san biao, também chamados 三法 san fa) para julgar uma afirmação: sua raiz, isto é, se concorda com os atos dos antigos reis sábios; sua fonte, isto é, se concorda com o que as pessoas comuns de fato viram e ouviram; e seu uso, isto é, se colocá-la em prática beneficia o Estado e o povo.

O teste mais importante era o benefício (利 li). Os moístas julgavam ações, costumes e políticas conforme promovessem o bem do mundo e eliminassem danos: mais especificamente, conforme enriquecessem o povo, aumentassem a população e trouxessem ordem à sociedade. Por isso, muitos estudiosos modernos comparam a ética moísta ao consequencialismo ou ao utilitarismo da filosofia ocidental, embora a comparação tenha limites: os moístas se concentravam no bem-estar da comunidade como um todo, e não no prazer individual.

Os moístas também tomavam o Céu como modelo: ele é imparcial, cuida de todas as pessoas e provê para todas; por isso, é o melhor padrão (法 fa) para a conduta humana. Dessa maneira, o pensamento moísta combinava crenças religiosas com uma ética prática voltada ao bem de todos.

Seu estilo de escrita reflete isso. Os capítulos centrais são diretos, repetitivos e argumentativos, construídos com analogias e exemplos, em vez de um estilo elegante. Críticos da Antiguidade os consideravam enfadonhos; leitores modernos muitas vezes os veem como os primeiros ensaios argumentativos sistemáticos em chinês.

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Intermediário

A comunidade moísta

Os moístas não eram apenas uma escola de ideias, mas também uma comunidade organizada. Esperava-se que seus membros vivessem de modo simples, usassem roupas grosseiras, trabalhassem muito e obedecessem a seu líder, chamado juzi (鉅子), “grande mestre”. Moístas serviam como funcionários ou especialistas em defesa em vários Estados e deveriam compartilhar parte de sua renda com o grupo.

O Lüshi chunqiu, compilação do século III a.C., conta histórias que ilustram sua disciplina: um líder moísta cujo filho havia matado alguém insistiu que o filho fosse executado segundo a lei moísta, embora o rei tivesse oferecido perdão; diz-se que outro líder e muitos seguidores morreram defendendo uma cidade que haviam prometido proteger. Essas histórias podem ter sido idealizadas, mas mostram como os moístas eram lembrados.

Após a morte de Mozi, o movimento se dividiu. O filósofo legalista Han Feizi, que escreveu no século III a.C., afirma que os moístas haviam se separado em três facções, cada uma dizendo ser a verdadeira herdeira de Mozi. Outros textos mencionam moístas de diferentes regiões que discordavam sobre a doutrina e chamavam uns aos outros de hereges.

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Intermediário

O livro Mozi

O Mozi não foi escrito pelo próprio Mozi. É uma coleção de textos produzidos por várias gerações de seus seguidores entre os séculos V e III a.C. O catálogo da biblioteca imperial Han registrava 71 capítulos (pian); 53 sobreviveram. Como poucas pessoas leram a obra durante séculos, o texto foi mal preservado, e muitas passagens estão corrompidas ou são difíceis de entender.

O livro tem várias partes. Alguns capítulos iniciais são ensaios curtos de épocas diferentes. Os capítulos centrais apresentam as dez doutrinas, cada uma originalmente em três versões (“superior”, “intermediária” e “inferior”), embora várias tenham se perdido. Depois vêm os “Cânones” moístas e capítulos relacionados sobre lógica, ética e ciência; diálogos e histórias sobre Mozi e seus seguidores, incluindo a história de Gongshu; e, por fim, um grupo de capítulos técnicos sobre a defesa de cidades.

A maioria dos capítulos centrais começa com as palavras “Nosso mestre Mozi disse”, o que mostra que foram escritos por discípulos que apresentavam os ensinamentos em seu nome. A existência de três versões de cada doutrina é um dos grandes enigmas do texto.

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Avançado

Os moístas posteriores: lógica, linguagem e ciência

Nos séculos IV e III a.C., moístas posteriores produziram um conjunto notável de textos conhecidos como Cânones moístas (墨經 Mo jing), acompanhados de suas Explicações e de mais dois capítulos, “Grande seleção” (Da qu) e “Pequena seleção” (Xiao qu). Foram escritos de forma extremamente concisa e muitas vezes chegaram até nós danificados; para compreendê-los, foi necessária uma reconstrução textual moderna.

Esses textos contêm o mais antigo tratamento sistemático chinês do que podemos chamar de lógica e filosofia da linguagem. Discutem a disputa argumentativa (辯 bian), prática de distinguir “isto” de “não isto”; a relação entre nomes (名 ming) e coisas (實 shi); diferentes tipos de conhecimento; e as maneiras pelas quais argumentos por analogia podem falhar. A “Pequena seleção” examina padrões de inferência e mostra que frases com a mesma forma podem se comportar de maneiras diferentes.

Eles também incluem definições e proposições de geometria (como definições de pontos, linhas e círculos), mecânica (alavancas, equilíbrio e roldanas) e óptica. Os cânones sobre óptica descrevem sombras, espelhos planos e curvos e a formação de uma imagem invertida quando a luz passa por um pequeno orifício. Por isso, Mozi muitas vezes recebe o crédito pela mais antiga descrição conhecida do princípio da câmara escura, embora essas passagens tenham sido escritas por moístas posteriores.

Um estudo moderno de referência é Later Mohist Logic, Ethics and Science (1978), de A. C. Graham, que reconstruiu e traduziu esses capítulos. Desde então, estudiosos como Chris Fraser têm investigado como as concepções moístas de linguagem e conhecimento diferem da lógica ocidental, destacando a habilidade prática de fazer distinções, mais do que a verdade abstrata.

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Avançado

Rivais, declínio e debates acadêmicos

O moísmo provocou fortes reações. Mêncio, o grande pensador confuciano, disse que o cuidado inclusivo de Mozi significava “não reconhecer o próprio pai” (無父) e que essa doutrina e os ensinamentos de Yang Zhu eram ideias perigosas que ele precisava refutar. Ainda assim, Mêncio admitiu que Mozi se desgastaria da cabeça aos pés se isso beneficiasse o mundo. Xunzi criticou Mozi por valorizar a utilidade e ignorar o refinamento cultural. O último capítulo do Zhuangzi diz que seu caminho era duro demais para a natureza humana, embora o elogie como um homem verdadeiramente notável.

Por que o moísmo desapareceu? Entre as explicações propostas estão: a unificação da China em 221 a.C. pôs fim ao mundo de vários Estados que precisava de especialistas em defesa; o Estado Han passou a favorecer cada vez mais o pensamento confuciano; a organização moísta, com sua disciplina rígida e suas lealdades independentes, talvez parecesse ameaçadora ao poder imperial; e algumas ideias moístas, como a escolha de pessoas por mérito e um padrão comum do que é correto, foram incorporadas por outras tradições. Os estudiosos discordam sobre o peso de cada fator.

A composição dos capítulos centrais é outro grande tema de debate. A. C. Graham sugeriu que as três versões de cada doutrina representam as três facções mencionadas por Han Feizi. Outros estudiosos, incluindo colaboradores de The Mozi as an Evolving Text (2013), argumentam que as versões refletem o desenvolvimento de uma tradição ao longo do tempo, e não seitas rivais. A tradução também importa: “amor universal” pode sugerir um amor emotivo semelhante ao cristão, enquanto “cuidado inclusivo” ou “preocupação imparcial” destacam o benefício prático.

Por fim, os estudiosos debatem como classificar a ética moísta. Ela já foi chamada de uma forma antiga de consequencialismo, de uma teoria do mandamento divino baseada na vontade do Céu ou de uma ética própria voltada ao benefício social. Hoje, muitos consideram que cada classificação representa apenas parte do quadro.

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Intermediário

Redescoberta e legado

Durante quase dois mil anos, o Mozi foi pouco estudado, mas permaneceu preservado no cânone taoista. Na dinastia Qing, estudiosos interessados na pesquisa baseada em evidências começaram a editar a obra. Bi Yuan publicou uma edição anotada em 1783, e o Mozi xiangu (墨子閒詁), de Sun Yirang, concluído na década de 1890, tornou-se o comentário de referência.

No fim do século XIX e no início do século XX, intelectuais chineses como Liang Qichao e Hu Shi encontraram no moísmo uma tradição chinesa de lógica, ciência, igualdade e compromisso com o bem público, que compararam com o pensamento ocidental. Mozi passou a ser celebrado como um pensador do povo e, mais tarde, no século XX, como exemplo de cientista e engenheiro.

O nome de Mozi é homenageado de muitas maneiras hoje. Em 2016, a China lançou um satélite de ciência quântica chamado Micius, forma latinizada do nome de Mozi, em reconhecimento a seus antigos estudos sobre óptica. Sua oposição à guerra de agressão e seu ideal de cuidar de todas as pessoas também são frequentemente discutidos em debates atuais sobre ética, relações internacionais e a ideia de um ponto de vista moral imparcial.

Na Coreia e no Japão, o moísmo foi conhecido principalmente pelas críticas confucianas durante a maior parte da história. Hoje, porém, estudiosos desses países, assim como de outros lugares, voltaram a se interessar por Mozi como pensador da paz e do bem-estar social.

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Ideias principais

Cuidado inclusivo (jian ai)
Preocupar-se de modo imparcial com o bem-estar de todas as pessoas, considerando as famílias e os Estados dos outros como os próprios.
Condenação da agressão (fei gong)
Guerras de conquista são crimes em grande escala e prejudicam até quem ataca; a guerra defensiva é justificada.
Benefício (li)
O principal critério do que é correto: é bom aquilo que enriquece o povo, aumenta a população e traz ordem.
Três padrões (san biao)
Critérios para avaliar uma afirmação com base nos antigos reis sábios, na experiência das pessoas e em seu benefício prático.
Promoção dos mais capazes (shang xian)
Os cargos de governo devem ser ocupados por pessoas capazes e virtuosas, independentemente de sua origem familiar.
O Céu como padrão
O Céu é imparcial e cuidadoso; sua vontade é o modelo objetivo para a conduta humana.
Moderação
Os governantes devem evitar funerais luxuosos, grandes apresentações musicais e outros luxos que desperdiçam os recursos do povo.
Disputa argumentativa (bian)
O estudo sistemático, pelos moístas posteriores, de como fazer distinções e chegar a conclusões válidas.

Registros

  1. 551 a.C. — Nasce Confúcio (551 a.C.).
  2. 479 a.C. — Morre Confúcio (479 a.C.).
  3. 475 a.C. — Início convencional do período dos Reinos Combatentes (475 a.C.).
  4. c. 470 a.C. — Nasce Mozi, provavelmente em Lu ou Song (cerca de 470 a.C.).
  5. c. 391 a.C. — Morre Mozi (cerca de 391 a.C.); seus seguidores continuam como escola organizada.
  6. c. 372 a.C. — Nasce Mêncio, crítico severo do moísmo (cerca de 372 a.C.).
  7. c. 300 a.C. — Moístas posteriores compõem os Cânones sobre lógica, óptica e mecânica (séculos IV–III a.C.).
  8. c. 239 a.C. — O Lüshi chunqiu registra histórias de líderes moístas (cerca de 239 a.C.).
  9. 221 a.C. — Qin unifica a China (221 a.C.); pouco depois, o moísmo entra em declínio.
  10. 1783 — Bi Yuan publica uma edição anotada do Mozi.
  11. c. 1894 — Sun Yirang conclui o Mozi xiangu, comentário que se tornou referência.
  12. 2016 — A China lança o satélite de ciência quântica Micius, batizado em homenagem a Mozi.

Glossário

Moísmo (Mojia)
Escola de pensamento fundada por Mozi e continuada por seus seguidores.
Período dos Reinos Combatentes
Época (475–221 a.C.) em que Estados chineses rivais lutaram até Qin unificar a China.
Cem Escolas de Pensamento
As muitas correntes filosóficas concorrentes dos períodos das Primaveras e Outonos e dos Reinos Combatentes.
Jian ai (兼愛)
Cuidado inclusivo ou imparcial; frequentemente traduzido como “amor universal”.
Tian (天)
O Céu, entendido pelos moístas como um poder dotado de vontade, cuidadoso e imparcial.
Juzi (鉅子)
Líder de um grupo moísta.
Li (利)
Benefício ou bem-estar, critério moísta para julgar se uma ação é correta.
Bian (辯)
Disputa argumentativa; debate sobre quais distinções estão corretas.
Cânones moístas (墨經)
Capítulos técnicos do Mozi sobre lógica, ética, geometria, mecânica e óptica.
Consequencialismo
Conjunto de teorias éticas que julgam as ações por seus resultados.

Perguntas e respostas

Mozi dizia que devemos amar desconhecidos tanto quanto nossos pais?

Ele dizia que devemos cuidar das famílias dos outros como cuidamos da nossa. Os moístas argumentavam que essa também era a melhor forma de cuidar dos próprios pais, pois os outros fariam o mesmo por eles.

Mozi era pacifista?

Não exatamente. Ele condenava as guerras de agressão, mas apoiava a defesa, e seus seguidores sabiam proteger cidades contra ataques.

Mozi inventou a câmera?

Não. Mas os Cânones dos moístas posteriores descrevem como a luz que atravessa um pequeno orifício forma uma imagem de cabeça para baixo, o princípio da câmara escura. Estão entre as descrições mais antigas conhecidas desse princípio.

Por que o moísmo ficou esquecido por tanto tempo?

Depois da unificação da China, diminuiu a necessidade de especialistas em defesa, o Estado favoreceu o confucionismo e a organização moísta talvez parecesse uma ameaça. Os estudiosos ainda debatem as razões.

Em que confucianos e moístas discordavam?

Os confucianos destacavam um amor que começa pela família e se estende aos demais, além dos rituais e da música. Os moístas enfatizavam o cuidado imparcial, a economia de recursos e o benefício prático, e criticavam rituais caros.

Por que há três versões de cada capítulo central?

Ninguém sabe ao certo. A. C. Graham as associou a três facções moístas; outros estudiosos as veem como camadas de um texto desenvolvido ao longo do tempo.

Mozi se parece com Sócrates?

Eles viveram aproximadamente na mesma época, discutiram como as pessoas deveriam viver, não deixaram escritos próprios e se tornaram conhecidos pelos textos de seus seguidores. Mas suas ideias e seus métodos eram bem diferentes.

Fontes e leituras adicionais

  1. Chris Fraser, Mohism. Stanford Encyclopedia of Philosophy
  2. Chris Fraser, Mohist Canons. Stanford Encyclopedia of Philosophy
  3. Hui-chieh Loy, Mozi (Mo-tzu, c. 400s–300s B.C.E.). Internet Encyclopedia of Philosophy
  4. Mozi. Wikipedia
  5. Mohism. Wikipedia
  6. 묵자. 위키백과
  7. Mozi (Chinese text with partial English translation). Chinese Text Project
  8. Micius (satellite). Wikipedia
  9. A. C. Graham, Later Mohist Logic, Ethics and Science. Chinese University Press, 1978
  10. Carine Defoort and Nicolas Standaert (eds.), The Mozi as an Evolving Text: Different Voices in Early Chinese Thought. Brill, 2013

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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