Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.
- Fácil
- Intermediário
- Avançado
Para jovens leitores
Há cerca de 2.350 anos, o maior império do mundo era o Império Persa. Ele ia do Egito e da Turquia até o Afeganistão e as terras próximas da Índia. Seu rei era Dario III, que morava em palácios magníficos e governava muitos povos diferentes.
Um jovem rei da Macedônia, ao norte da Grécia, chamado Alexandre, entrou nesse império com seu exército. Ele já tinha vencido duas grandes batalhas. Dario reuniu soldados de várias partes de seu império: cavaleiros da Ásia Central, arqueiros, carros de guerra com lâminas afiadas nas rodas e até quinze elefantes da Índia.
Dario escolheu uma planície larga e plana perto de um povoado chamado Gaugamela, nome que significa “a casa do camelo”. Ele mandou seus trabalhadores nivelarem o terreno para que os carros de guerra pudessem correr por ali. Poucas noites antes da batalha, a Lua ficou vermelha e escura durante um eclipse. Pessoas dos dois lados se perguntaram o que aquilo significava.
No dia da batalha, Alexandre moveu seu exército para o lado, afastando-se do terreno nivelado. Quando surgiu uma abertura na linha persa, ele avançou com seus cavaleiros em direção a Dario. Dario fugiu. Muitos soldados persas também fugiram, e milhares de pessoas morreram. Foi um dia terrível para os soldados e suas famílias.
Depois de Gaugamela, grandes cidades persas, como Babilônia e Susa, abriram seus portões para Alexandre. Alguns meses depois, Dario foi morto por seus próprios nobres. O antigo Império Persa chegou ao fim, e começou uma nova época em que as culturas grega e do Oriente Médio se misturaram.
Em resumo
- Data
- 1º de outubro de 331 a.C. (um eclipse lunar em 20–21 de setembro ajuda a estabelecer a data)
- Local
- Planície perto de Gaugamela, nas planícies de Nínive, entre as atuais cidades de Mossul e Erbil, no norte do Iraque; o local exato é debatido (Tel Gomel e Karamlesh estão entre as principais possibilidades)
- Lados
- Exército macedônio e aliados gregos sob Alexandre III contra o exército persa aquemênida sob Dario III
- Comandantes
- Alexandre, Parmênion (ala esquerda macedônia); Dario, Besso (ala esquerda persa), Mazeu (ala direita persa)
- Forças
- Cerca de 47.000 macedônios; número de persas desconhecido (afirmações antigas de até um milhão são exageradas; as estimativas modernas variam muito)
- Resultado
- Vitória decisiva dos macedônios; Dario fugiu e foi assassinado por seus próprios nobres em 330 a.C.
- Consequências
- Rendição de Babilônia e Susa, incêndio de Persépolis, fim do Império Aquemênida e início da época helenística no Oriente Próximo
- Principais fontes
- Arriano, Diodoro, Quinto Cúrcio Rufo, Plutarco e Justino (todos escreveram séculos depois); um diário astronômico babilônico da época
Fácil
O que aconteceu em Gaugamela?
A Batalha de Gaugamela foi travada em 1º de outubro de 331 a.C. entre o exército de Alexandre III da Macedônia, mais tarde chamado Alexandre, o Grande, e o exército de Dario III, rei do Império Persa Aquemênida. Ocorreu numa ampla planície do norte da Mesopotâmia, perto de um povoado chamado Gaugamela, na região que hoje corresponde ao Curdistão iraquiano.
Foi a terceira e última grande batalha entre os dois reis. Alexandre havia derrotado forças persas no rio Grânico, em 334 a.C., e o próprio Dario em Isso, em 333 a.C. Em Gaugamela, Dario reuniu o maior exército que conseguiu convocar de todo o império, num terreno escolhido por ele. Mais uma vez, Alexandre venceu, e Dario fugiu.
A batalha é muitas vezes chamada de Batalha de Arbela, por causa da cidade de Arbela (atual Erbil), para onde Dario fugiu. Mas autores antigos, como Plutarco e Arriano, já observavam que o combate ocorreu em Gaugamela, a certa distância dali. Segundo Plutarco, o nome significava “a casa do camelo”.
Fácil
Contexto: dois reis e um império
O Império Persa Aquemênida, fundado por Ciro, o Grande, no século VI a.C., era o maior Estado que o mundo havia conhecido até então. Seu rei governava, por meio de administradores chamados sátrapas, povos que viviam desde o Egito e a Anatólia até a Ásia Central e o vale do Indo. Estradas reais ligavam capitais como Susa, Babilônia, Ecbátana e Persépolis. No século V a.C., a Pérsia havia lutado contra as cidades-Estado gregas e, mais tarde, interveio com frequência nos assuntos gregos por meio de dinheiro e diplomacia.
No século IV a.C., sob o rei Filipe II, a Macedônia tornou-se a maior potência da Grécia. Filipe planejou uma guerra contra a Pérsia, apresentada como vingança pelas invasões persas da Grécia mais de um século antes e como libertação das cidades gregas da Ásia Menor. Ele foi assassinado em 336 a.C., e seu filho Alexandre, de vinte anos, assumiu o plano. No mesmo ano, Dario III tornou-se rei da Pérsia após uma série de assassinatos no palácio.
Alexandre atravessou para a Ásia em 334 a.C. Depois das batalhas do Grânico e de Isso, na qual a mãe, a esposa e os filhos de Dario foram capturados, Alexandre não marchou diretamente para o centro da Pérsia. Primeiro, conquistou a costa oriental do Mediterrâneo, incluindo a cidade de Tiro após um longo cerco, e depois o Egito, onde fundou Alexandria. Segundo fontes gregas, Dario ofereceu a paz, territórios e a mão de sua filha em casamento, mas Alexandre recusou. Em 331 a.C., Alexandre seguiu para o leste, rumo à Mesopotâmia.
Intermediário
Os dois exércitos
O núcleo do exército de Alexandre era a falange macedônia: uma formação compacta de infantaria armada com a sarissa, uma lança de cerca de 5 a 6 metros. Ao seu lado lutavam os hipaspistas, soldados de infantaria de elite. Nos flancos ficava a cavalaria, sobretudo a dos Companheiros, comandada pessoalmente por Alexandre, e os cavaleiros da Tessália. Completavam a força tropas leves, como os lançadores de dardos agrianos e os arqueiros cretenses, além da infantaria dos aliados gregos e de mercenários. Arriano menciona cerca de 40.000 soldados de infantaria e 7.000 cavaleiros, números que a maioria dos historiadores considera aproximadamente corretos.
O exército de Dario vinha de todas as partes do império. Arriano enumera persas, incluindo a cavalaria dos Parentes do rei e os “Portadores de Maçãs” da guarda real; medos, bactrianos e sogdianos da Ásia Central; cavaleiros sacas (citas); indianos com um pequeno número de elefantes; aracósios, armênios, capadócios, sírios, babilônios e outros, além de infantaria mercenária grega. Dario também preparou cerca de duzentos carros de guerra com foices, veículos com lâminas presas às rodas e aos eixos, para romper a linha inimiga.
Qual era o tamanho do exército persa? Os autores antigos apresentam números impossíveis: Arriano fala em um milhão de soldados de infantaria e 40.000 cavaleiros; Diodoro, em 800.000 soldados de infantaria e 200.000 cavaleiros; Cúrcio, em cerca de 245.000 homens no total. Os historiadores modernos rejeitam esses números como exageros destinados a engrandecer a vitória de Alexandre. Suas estimativas variam muito, frequentemente entre cerca de 50.000 e 120.000 homens. Em geral, há acordo de que os persas tinham muito mais cavaleiros do que os macedônios e uma linha de batalha mais extensa, capaz de contornar o flanco de Alexandre.
Intermediário
Antes da batalha: a marcha, o eclipse e a espera
No verão de 331 a.C., Alexandre atravessou o rio Eufrates em Tápsaco. Em vez de seguir o rio em direção à Babilônia, tomou uma rota mais ao norte, com melhores suprimentos e clima mais ameno, e atravessou o Tigre sem oposição. Na noite de 20 para 21 de setembro, ocorreu um eclipse lunar. Astrônomos babilônicos o registraram em seu diário, e fontes gregas dizem que Aristandro, o adivinho de Alexandre, o interpretou como um sinal de vitória para os macedônios.
Dario havia escolhido uma planície ampla e aberta perto de Gaugamela e mandado nivelar partes dela para que seus carros de guerra e sua cavalaria pudessem atuar livremente. Arriano relata que, depois do combate, foi capturada uma ordem de batalha escrita do exército persa. Diz-se que é desse documento, transmitido pelos oficiais de Alexandre, que vêm os detalhes sobre a disposição das forças persas.
Os historiadores também debatem a estratégia de Dario. Ao não defender as travessias do Eufrates e do Tigre, ele permitiu que Alexandre viesse ao seu encontro. Alguns veem nisso uma escolha deliberada: depois de Isso, onde o terreno estreito entre as montanhas e o mar havia anulado a vantagem numérica persa, Dario queria lutar em campo aberto, adequado à sua cavalaria e aos seus carros de guerra, perto de suas bases de suprimentos. Outros pensam que a inesperada rota de Alexandre pelo norte obrigou os persas a mudar de posição e lutar onde não haviam planejado. De qualquer modo, os dois reis parecem ter aceitado que uma única grande batalha decidiria a guerra.
Segundo a tradição grega, o experiente general Parmênion aconselhou um ataque noturno, mas Alexandre recusou, dizendo que não iria “roubar” uma vitória. Seja ou não histórico esse diálogo, conta-se que os persas, temendo um ataque à noite, permaneceram armados durante toda a madrugada e, por isso, entraram cansados na batalha.
Intermediário
O desenrolar da batalha
Alexandre organizou seu exército com a cavalaria dos Companheiros à direita, sob seu comando, a falange no centro e Parmênion com a cavalaria tessália à esquerda. Como a linha persa era mais longa, ele posicionou uma segunda linha de infantaria atrás da primeira e colocou unidades em ângulo nos flancos, para que o exército pudesse voltar-se para fora caso fosse cercado.
No início da batalha, Alexandre conduziu sua ala direita diagonalmente para a direita, saindo do terreno nivelado. Para detê-lo, Dario enviou cavaleiros sob o comando de Besso para contorná-lo, e começou um intenso combate de cavalaria naquele flanco. Os carros de guerra com foices avançaram contra o centro macedônio, mas as tropas leves atingiram os condutores e os cavalos. A infantaria abriu suas fileiras para deixar passar os carros restantes, que foram detidos atrás da linha.
O deslocamento da cavalaria persa para o flanco abriu uma brecha na parte central da esquerda persa. Alexandre dispôs os Companheiros e a infantaria próxima em forma de cunha e avançou pela brecha em direção ao próprio Dario. Nos relatos gregos, Dario deu meia-volta e fugiu; em contraste, o diário babilônico diz que as tropas do rei o abandonaram. De todo modo, quando o rei deixou o campo, o centro persa entrou em colapso.
Enquanto isso, a esquerda macedônia corria sério perigo. Cavaleiros persas e indianos atravessaram uma brecha na falange e chegaram ao acampamento de bagagens macedônio, enquanto Mazeu pressionava fortemente Parmênion. Parmênion pediu ajuda a Alexandre, que interrompeu a perseguição e voltou. Quando chegou, os tessálios já haviam estabilizado em grande parte a situação. Alexandre então retomou a perseguição a Dario até Arbela, onde capturou as bagagens, o carro de guerra e o arco do rei, mas não o próprio Dario.
Intermediário
Consequências: a queda de um império
Os números de mortos nas fontes antigas não são confiáveis: Arriano menciona cerca de cem macedônios mortos e um número enorme de persas, enquanto outras fontes apontam perdas macedônias na casa das centenas ou dos poucos milhares e perdas persas na casa das dezenas de milhares. O que está claro é que o exército persa foi destruído como força de combate. Muitos dos que morreram eram soldados convocados de províncias distantes, com pouco interesse naquela guerra.
Babilônia se rendeu sem lutar. Seu governador, Mazeu, o mesmo general que comandara a direita persa em Gaugamela, entregou a cidade e foi reconduzido ao cargo de sátrapa. Foi o primeiro nobre persa a receber esse cargo de Alexandre. Em seguida, renderam-se Susa e seu imenso tesouro. Depois de atravessar à força as Portas Persas, nas montanhas Zagros, Alexandre tomou Persépolis, o centro cerimonial do império, no início de 330 a.C. A cidade foi saqueada e, alguns meses depois, os grandes palácios foram incendiados. Ainda se debate se isso foi uma vingança planejada pelo incêndio persa de Atenas em 480 a.C. ou um impulso causado pela embriaguez, como afirmam algumas fontes antigas.
Dario fugiu para Ecbátana e depois seguiu para o leste, na esperança de reunir um novo exército. Em julho de 330 a.C., foi preso e morto por um grupo de seus próprios nobres liderado por Besso, sátrapa da Báctria, que se proclamou rei com o nome de Artaxerxes V. Alexandre deu a Dario um sepultamento digno de um rei e se apresentou como seu vingador e sucessor. Besso foi capturado em 329 a.C. e executado.
Gaugamela marcou, assim, o fim do domínio aquemênida. Alexandre continuou suas campanhas na Ásia Central e na Índia até morrer na Babilônia, em 323 a.C. Seu império logo se dividiu em reinos governados por seus generais, entre eles os selêucidas na Mesopotâmia e no Irã e os ptolomeus no Egito. Começava a época helenística, na qual a língua e as instituições gregas se espalharam pelo Oriente Próximo ao lado de tradições locais mais antigas.
Intermediário
Memória: visões gregas, persas e babilônicas
Quase tudo o que sabemos sobre Gaugamela vem do lado vencedor. Calístenes, historiador da corte de Alexandre, escreveu um relato que o enaltecia, e autores posteriores recorreram às memórias de oficiais de Alexandre. O retrato de Dario como um covarde que fugiu duas vezes, em Isso e em Gaugamela, servia à propaganda macedônia. Muitos historiadores modernos argumentam que Dario era um governante capaz diante de um adversário excepcional e que as fontes gregas são injustas com ele.
No Irã, Alexandre foi lembrado de maneira muito diferente. Textos zoroastristas escritos em persa médio muito tempo depois o chamam de “Alexandre, o Maldito” e o acusam de matar sacerdotes e destruir escritos sagrados. O épico persa Shahnameh, concluído por Ferdusi por volta de 1010, segue outro caminho: apresenta Iskandar (Alexandre) como meio-irmão de Dara (Dario), tornando o conquistador um rei iraniano legítimo. Essas tradições mostram como a memória da conquista foi reformulada para se ajustar a identidades religiosas e nacionais posteriores.
Para os povos da Mesopotâmia, a batalha significou uma mudança de governantes, não o fim de seu mundo. O diário astronômico babilônico registra a derrota, a fuga das tropas do rei e a entrada de Alexandre na Babilônia como “rei do mundo”, no mesmo estilo objetivo em que registra os movimentos dos planetas. Templos, escribas e elites locais continuaram a atuar sob novos governantes.
Na Europa, Gaugamela tornou-se um episódio clássico da história militar. Há séculos, a batalha é estudada em academias militares como exemplo de como um exército menor e bem treinado pode derrotar um maior por meio de manobras, da escolha do momento certo e da concentração de forças num ponto decisivo. Também foi retratada em pinturas e filmes que celebram Alexandre e raramente mostram a perspectiva persa.
Avançado
As fontes e seus problemas
Não sobreviveu nenhum relato escrito por uma testemunha ocular. O relato mais completo está no Livro 3 da Anábase de Alexandre, de Arriano, escrito no século II d.C., quase quinhentos anos depois da batalha. Arriano diz ter se baseado principalmente em Ptolomeu, um dos generais de Alexandre que depois se tornou rei do Egito, e em Aristóbulo, que acompanhou a campanha. Ambos escreveram após a morte de Alexandre e tinham seus próprios motivos para moldar a narrativa.
Os outros relatos principais são o Livro 17 de Diodoro Sículo (século I a.C.), o Livro 4 de Quinto Cúrcio Rufo (provavelmente século I d.C.), a Vida de Alexandre, de Plutarco, e o resumo da obra de Justino. Costuma-se considerar que Diodoro, Cúrcio e Justino compartilham uma fonte, talvez o historiador Clitarco, conhecido por narrativas dramáticas. Esses relatos divergem em detalhes como os números de soldados, o momento em que Parmênion pediu ajuda e a conduta de Dario.
A única fonte da época é babilônica. Um diário astronômico mantido por estudiosos na Babilônia, hoje no Museu Britânico, registra o eclipse lunar, a batalha, o abandono do rei por suas tropas e a aproximação de Alexandre da Babilônia. Como foi escrito perto dos acontecimentos e não tinha interesse em glorificar Alexandre, ele é valioso para datar a batalha e corrigir o retrato grego do comportamento de Dario.
Alguns detalhes antigos devem ser tratados com cautela: os discursos antes da batalha, a conversa com Parmênion sobre um ataque noturno e as cartas de Dario oferecendo a paz são passagens literárias que podem conter lembranças reais, mas foram moldadas pelas convenções da escrita histórica grega e romana.
Avançado
Debates entre estudiosos
Onde, exatamente? O campo de batalha nunca foi localizado por meio da arqueologia, e as fontes antigas fornecem poucos detalhes precisos sobre o terreno. Todos os locais propostos ficam nas planícies de Nínive, entre Mossul e Erbil, nas proximidades da cadeia de Jebel Maqlub. Entre eles estão Tel Gomel, cujo nome foi associado a “Gaugamela”, e Karamlesh, defendida pelo arqueólogo Aurel Stein após seu reconhecimento da área em 1938. Estudos recentes usaram modelos do terreno e da visibilidade para avaliar essas possibilidades, mas nenhum vestígio material da batalha foi identificado.
Qual era o tamanho do exército persa e por que ele perdeu? Depois de descartar os números antigos, os historiadores ainda debatem o tamanho e a qualidade reais do exército persa. Alguns destacam a habilidade tática de Alexandre no avanço diagonal e no ataque em cunha; outros enfatizam as dificuldades persas: um exército reunido entre muitos povos, com pouco treinamento em conjunto, exausto após uma noite em armas e dependente da presença do rei. A afirmação do diário babilônico de que as tropas abandonaram o rei levou alguns estudiosos a considerar a perda de ânimo dos soldados, e não a fuga pessoal do rei, como o fator decisivo.
A reputação de Dario. Em Darius in the Shadow of Alexander (Harvard University Press, 2015), Pierre Briant examinou como a imagem de Dario como fraco e covarde foi construída na historiografia antiga e moderna. Seu trabalho e o de outros especialistas no Império Aquemênida incentivaram os historiadores a estudar o império em seus próprios termos, usando evidências persas, babilônicas e aramaicas, em vez de vê-lo apenas como vítima de Alexandre.
Libertação ou conquista? Estudos europeus mais antigos frequentemente apresentavam Alexandre como alguém que levou a civilização grega ao Oriente. Muitos historiadores mais recentes, como A. B. Bosworth em Conquest and Empire (Cambridge University Press, 1988), enfatizam a violência da conquista e seu custo para as populações locais, bem como a continuidade da administração aquemênida sob o domínio macedônio.
Ideias principais
- Batalha decisiva
- Uma única batalha cujo resultado transformou o mapa político; Gaugamela pôs fim ao Império Aquemênida como potência.
- Emprego combinado de forças
- Alexandre coordenou infantaria pesada, cavalaria e tropas leves, cada qual com sua função.
- Avanço diagonal e abertura na linha
- Ao avançar para a direita, Alexandre atraiu a cavalaria persa, abrindo uma brecha na linha inimiga para sua carga decisiva.
- Escolha do campo de batalha
- Dario escolheu um terreno aberto e nivelado para aproveitar sua superioridade numérica, sua cavalaria e seus carros de guerra, após aprender com a derrota no terreno estreito de Isso.
- Presença do rei
- Nos exércitos aquemênidas, o rei era a figura central; quando Dario deixou o campo, a unidade do exército se desfez.
- História contada pelos vencedores
- Quase todas as fontes narrativas são gregas ou romanas e favorecem Alexandre; um diário babilônico oferece uma rara visão independente.
- Continuidade após a conquista
- Alexandre manteve governadores persas, como Mazeu, e instituições aquemênidas, combinando conquista e continuidade.
Registros
- 336 a.C. — Filipe II é assassinado; Alexandre torna-se rei da Macedônia. Dario III torna-se rei da Pérsia.
- 334 a.C. — Alexandre atravessa para a Ásia e vence a Batalha do Grânico.
- 333 a.C. — Alexandre derrota Dario em Isso; a família de Dario é capturada.
- 332 a.C. — Cerco de Tiro; Alexandre entra no Egito.
- 331 a.C. — Alexandre funda Alexandria, no Egito, depois marcha para a Mesopotâmia e atravessa os rios Eufrates e Tigre.
- 331 a.C. — 20–21 de setembro: astrônomos babilônicos registram um eclipse lunar.
- 331 a.C. — 1º de outubro: Batalha de Gaugamela; Dario foge. Babilônia e Susa se rendem pouco depois.
- 330 a.C. — Alexandre toma Persépolis; os palácios são incendiados. Em julho, Dario é morto por Besso e outros nobres.
- 329 a.C. — Besso é capturado e, mais tarde, executado.
- 323 a.C. — Alexandre morre na Babilônia.
- c. 130 d.C. — Arriano escreve a Anábase de Alexandre, o relato mais completo da batalha que chegou até nós.
- 1938 — O reconhecimento feito por Aurel Stein no norte do Iraque o leva a propor um local para o campo de batalha.
Glossário
- Império Aquemênida
- Império persa fundado por Ciro, o Grande (c. 550 a.C.), e encerrado pela conquista de Alexandre (330 a.C.).
- Sátrapa
- Governador de uma província do Império Persa.
- Falange
- Formação compacta de infantaria pesada; a versão macedônia usava lanças muito longas.
- Sarissa
- Lança longa, de cerca de 5 a 6 metros, usada pelos soldados da falange macedônia.
- Cavalaria dos Companheiros
- Cavalaria pesada de elite da Macedônia, comandada pessoalmente por Alexandre.
- Carro de guerra com foices
- Carro de guerra com lâminas presas às rodas, usado pelos persas para romper as linhas inimigas.
- Diário astronômico
- Registro babilônico de observações noturnas do céu, muitas vezes acompanhado de notas sobre preços, clima e acontecimentos políticos.
- Época helenística
- Período após Alexandre (323–31 a.C.) em que reinos governados por gregos se espalharam pelo Mediterrâneo oriental e pelo Oriente Próximo.
- Anábase
- Palavra grega que significa “marcha para o interior”; é o título da obra de Arriano sobre as campanhas de Alexandre.
Perguntas e respostas
Por que Alexandre venceu se os persas tinham mais soldados?
Seu exército era bem treinado e coordenado. Alexandre escolheu o momento e o lugar para atacar e, quando Dario deixou o campo, o exército persa perdeu sua figura central. Os soldados persas também estavam cansados depois de passarem a noite inteira de prontidão.
Dario realmente fugiu?
Os autores gregos dizem que ele fugiu e o apresentam como covarde. Um registro babilônico escrito na época diz, em vez disso, que suas tropas o abandonaram. Muitos historiadores consideram injusto o retrato feito pelos gregos.
O que eram carros de guerra com foices?
Eram carros com lâminas afiadas presas às rodas. Serviam para atravessar as fileiras inimigas, mas, em Gaugamela, as tropas leves macedônias atingiram muitos condutores, e a infantaria abriu corredores para deixar os carros passar.
Como sabemos a data exata?
Fontes antigas dizem que a batalha ocorreu onze dias depois de um eclipse lunar. Astrônomos babilônicos registraram esse eclipse, e a astronomia moderna permite datá-lo na noite de 20 para 21 de setembro de 331 a.C.
O campo de batalha foi encontrado?
Não com certeza. Estudiosos o situam nas planícies de Nínive, entre Mossul e Erbil, e Tel Gomel e Karamlesh estão entre os principais locais propostos. Mas nenhum vestígio arqueológico da batalha foi identificado.
Como Alexandre é lembrado no Irã?
De diferentes maneiras. Alguns textos zoroastristas o chamam de “maldito” por destruir conhecimentos sagrados, enquanto o Shahnameh o apresenta como Iskandar, meio-irmão de Dara, incluindo-o na linhagem dos reis iranianos.
Por que também é chamada de Batalha de Arbela?
Após a batalha, Dario fugiu para a cidade de Arbela (Erbil), e esse nome permaneceu em alguns relatos antigos e modernos, embora o combate tenha ocorrido em Gaugamela.
Fontes e leituras adicionais
- Battle of Gaugamela. Wikipedia
- Gaugamela (331 BCE). Livius.org
- Battle of Gaugamela. World History Encyclopedia
- Darius III. Wikipedia
- Arrian. Wikipedia
- Arrian, Anabasis (Greek text, ed. A. G. Roos). Perseus Digital Library, Tufts University
- Pierre Briant, Darius in the Shadow of Alexander. Harvard University Press, 2015
- A. B. Bosworth, Conquest and Empire: The Reign of Alexander the Great. Cambridge University Press, 1988
Conteúdo relacionado
- PersépolisCentro cerimonial e administrativo do Império Aquemênida no sudoeste do Irã, cuja construção começou sob Dario I.
- AristótelesDiscípulo de Platão e tutor de Alexandre. Fundou o Liceu e escreveu sobre lógica, ética, política e o mundo natural.
- Batalha de MaratonaBatalha travada em 490 a.C. na qual uma força grega liderada pelos atenienses derrotou uma expedição persa em Maratona.
- Biblioteca de AlexandriaAntigo centro de coleta e estudo de textos na Alexandria ptolemaica.
- ShahnamehEpopeia persa de Ferdusi que narra a história dos reis lendários e do passado histórico do Irã.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
