Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.
- Fácil
- Intermediário
- Avançado
Para jovens leitores
Há muito, muito tempo, na terra entre dois rios que hoje chamamos de Iraque, as pessoas não tinham papel nem lápis. Mas tinham muita lama e argila às margens dos rios. Então elas achatavam um pedaço de argila até formar uma pequena tabuinha e pressionavam marcas nela com um pedaço cortado de junco.
Cada pressão do junco deixava uma pequena forma triangular, como uma cunha ou um pequeno prego. É por isso que chamamos essa escrita de cuneiforme, palavra que vem do latim e significa “em forma de cunha”.
No começo, as pessoas usavam as marcas para controlar coisas: quantas ovelhas, quanta cevada, quantos potes de cerveja. Os primeiros sinais pareciam pequenos desenhos, por exemplo uma cabeça, um peixe ou uma espiga de trigo. Com o tempo, os desenhos se transformaram em grupos de cunhas que representavam palavras e sons.
As crianças que queriam se tornar escribas iam a uma “casa das tabuinhas” e praticavam durante anos, copiando sinais e listas repetidas vezes. Algumas de suas tabuinhas de lição de casa ainda existem, erros e tudo!
As pessoas usavam a escrita cuneiforme para cartas, leis, histórias, orações, matemática e mapas de estrelas. A famosa história de Gilgamesh e as leis do rei Hamurabi foram escritas em cuneiforme. Depois de ser esquecida por quase 2.000 anos, estudiosos habilidosos aprenderam a lê-la novamente nos anos 1800.
Em resumo
- Tipo
- Sistema de escrita logo-silábico: os sinais representam palavras inteiras, sílabas ou funcionam como classificadores mudos
- Origem
- Sul da Mesopotâmia, sobretudo a cidade de Uruk, por volta de 3350–3200 a.C. (a fase proto-cuneiforme)
- Em uso
- Mais de 3.000 anos; a última tabuinha com data segura, um texto astronômico de Uruk, é de 79/80 d.C.
- Línguas
- Sumério, acádio (babilônio e assírio), eblaíta, elamita, hitita, hurrita, luvita, urarteano e outras; o persa antigo e o ugarítico usaram sinais de estilo cuneiforme em escritas próprias
- Materiais
- Principalmente tabuinhas de argila inscritas com um estilete de junco; também pedra, metal e pranchas revestidas de cera
- Número de sinais
- Cerca de 1.500 na fase mais antiga, reduzidos a cerca de 600 em uso comum mais tarde
- Textos sobreviventes
- As estimativas vão de cerca de meio milhão a dois milhões de tabuinhas escavadas; só uma fração foi publicada
- Decifração
- Persa antigo a partir de 1802 (Grotefend); acádio nas décadas de 1840–1850, testado publicamente em 1857
Fácil
O que é a escrita cuneiforme?
A escrita cuneiforme é um sistema de escrita usado no antigo Oriente Próximo do fim do quarto milênio a.C. até o primeiro século d.C. Seu nome vem da palavra latina cuneus, “cunha”, porque seus sinais são feitos de marcas em forma de cunha. Os escribas pressionavam a ponta de um junco cortado na argila macia; cada pressão deixava uma marca com uma cabeça triangular e uma cauda fina.
A escrita cuneiforme é, junto com os hieróglifos egípcios, o sistema de escrita mais antigo conhecido no mundo. Foi desenvolvida primeiro para registrar a língua suméria do sul da Mesopotâmia, a terra entre os rios Tigre e Eufrates no que hoje é o Iraque. Ao longo de três mil anos, foi adaptada para mais de uma dezena de línguas, da Anatólia (atual Turquia) até o Irã.
A escrita cuneiforme não é um alfabeto. Um único sinal podia representar uma palavra inteira (um logograma), uma sílaba como ba ou ku, ou um “classificador” mudo (um determinativo) que informava ao leitor que a próxima palavra era, por exemplo, um deus, uma cidade ou um objeto de madeira. Ler cuneiforme significa deduzir pelo contexto qual desses papéis cada sinal desempenha.
Em sua forma madura, cada sinal é construído a partir de apenas alguns traços básicos: cunhas horizontais, verticais e diagonais, além de uma pequena marca em forma de gancho feita com o canto do estilete. Um sinal típico tem entre cinco e dez cunhas, enquanto sinais complicados podem ter vinte ou mais. Escribas experientes escreviam rapidamente, e sua caligrafia, como a nossa, mudava de um lugar para outro e de um século para outro, o que ajuda os estudiosos a datar as tabuinhas.
Fácil
Argila, juncos e como uma tabuinha era feita
A Mesopotâmia tinha poucas árvores e pouca pedra, mas seus rios forneciam argila e juncos sem fim. Um escriba amassava argila limpa, moldava-a em uma tabuinha que cabia na palma da mão ou podia ser tão grande quanto um livro, e alisava a superfície. Com um estilete de junco, cortado em ponta afiada, ele ou ela pressionava os sinais na argila ainda úmida.
Os primeiros sinais eram desenhados com uma ferramenta pontiaguda. Por volta de meados do terceiro milênio a.C., os escribas passaram a usar um estilete com ponta em forma de cunha que era empurrado, e não arrastado, produzindo as cunhas típicas. Girando o estilete, o escriba podia fazer cunhas horizontais, verticais e diagonais e uma pequena marca em forma de canto, e combiná-las em sinais.
A maioria das tabuinhas era simplesmente deixada para secar ao sol. A argila seca pode ser amolecida e reaproveitada, e muitas tabuinhas do dia a dia eram descartadas. Paradoxalmente, os desastres ajudaram na preservação: quando palácios e bibliotecas pegavam fogo, suas tabuinhas eram cozidas e endurecidas pelo incêndio e sobreviveram por milhares de anos. Documentos importantes às vezes eram queimados de propósito, e cartas e contratos podiam ser selados dentro de envelopes de argila para evitar adulteração.
A escrita cuneiforme também era esculpida em monumentos de pedra, como inscrições reais e estelas de leis, fundida em metal e escrita em pranchas articuladas revestidas de cera, que podiam ser apagadas e reutilizadas, mas raramente sobrevivem.
Fácil
Como a escrita foi inventada
A escrita cuneiforme começou com a contabilidade. No quarto milênio a.C., as cidades do sul da Mesopotâmia, sobretudo Uruk, cresceram até se tornarem grandes comunidades organizadas em torno de templos e instituições administrativas. Essas instituições coletavam, armazenavam e distribuíam enormes quantidades de cevada, animais, tecidos e cerveja, e precisavam de formas de controlar quem devia e recebia o quê.
Por milhares de anos antes disso, pessoas em todo o Oriente Próximo usavam pequenas fichas de argila de formatos diferentes como contadores. Por volta de meados do quarto milênio, as fichas às vezes eram seladas dentro de bolas ocas de argila (bullae), com seus formatos impressos por fora. Depois vieram tabuinhas de argila plana marcadas com sinais numéricos e, por fim, tabuinhas combinando números com sinais em forma de desenho para bens, pessoas e instituições.
Os primeiros textos verdadeiros vêm do período Uruk IV, por volta de 3350–3200 a.C. Cerca de 5.000 dessas tabuinhas proto-cuneiformes são conhecidas, a maioria de Uruk. A grande maioria são registros administrativos; a maior parte do restante são listas de sinais e palavras organizadas por tema, que os escribas usavam para treinar. Esses textos antigos registram números e substantivos, mas quase nenhuma gramática, de modo que os estudiosos ainda debatem qual língua, se alguma, estava por trás deles, embora normalmente se presuma o sumério.
Intermediário
De desenhos a sons
Em sua forma mais antiga, a escrita tinha talvez 1.500 sinais, muitos deles desenhos simplificados. Ao longo do terceiro milênio, os sinais se tornaram mais abstratos e, por razões ainda pouco claras, foram girados 90 graus, de modo que as linhas de escrita passaram a correr horizontalmente da esquerda para a direita. No segundo milênio, os desenhos originais já não eram reconhecíveis.
O passo decisivo rumo a escrever a língua, não apenas listas, foi o princípio do rébus: usar um sinal por seu som, e não por seu significado. A palavra suméria para “flecha”, ti, soava como a palavra para “vida”, til, então o sinal da flecha podia ser usado para escrever “vida”, e depois para a sílaba ti em qualquer palavra. Por volta de 2800–2600 a.C., os escribas começaram a escrever nomes pessoais, terminações gramaticais e, por fim, frases completas dessa maneira.
Ao mesmo tempo, novos sinais eram criados combinando sinais antigos. O sinal de “boca” com o sinal de “água” dentro dele significava “beber”. Os escribas também acrescentavam complementos fonéticos, sinais extras de sílaba que indicavam a pronúncia, e determinativos, como o sinal em forma de estrela para “deus” colocado antes de nomes divinos. O resultado foi um sistema flexível, mas complexo, com cerca de 600 sinais em uso regular, muitos dos quais tinham várias leituras possíveis.
Intermediário
Uma escrita, muitas línguas
A escrita cuneiforme sobreviveu à própria língua suméria para a qual foi criada. A partir do século XXIV a.C., sob o Império Acádio de Sargão, os escribas a adaptaram para o acádio, uma língua semítica completamente diferente do sumério em sua estrutura. O acádio, em seus dialetos babilônio e assírio, tornou-se a principal língua cuneiforme e, por vários séculos, uma língua internacional de diplomacia. No século XIV a.C., governantes do Egito, da Babilônia, da Assíria, de Mitani, dos hititas e das cidades do Levante trocavam correspondência em cuneiforme acádio, como mostram as cartas de Amarna encontradas no Egito.
O sumério deixou de ser falado, provavelmente no início do segundo milênio a.C., mas sobreviveu por dois mil anos como língua de religião e erudição, um pouco como o latim na Europa medieval. Os escribas produziam textos bilíngues sumério-acádio e listas de palavras que mais tarde ajudaram os estudiosos modernos a compreender o sumério.
Outros povos tomaram emprestada a escrita para suas próprias línguas: os elamitas do sudoeste do Irã, os hititas e luvitas da Anatólia, os hurritas do norte da Mesopotâmia e da Síria, e os urarteanos ao redor do lago Van. Em Ugarit, na costa síria, escribas inventaram um alfabeto de 30 sinais em estilo cuneiforme, e os reis persas aquemênidas criaram um cuneiforme semi-alfabético separado para o persa antigo.
No primeiro milênio a.C., o aramaico, escrito em um alfabeto muito mais simples sobre pergaminho e papiro, foi gradualmente substituindo o acádio como língua do dia a dia no Oriente Próximo. A escrita cuneiforme se retirou para os templos, onde sacerdotes e estudiosos a usavam para rituais, presságios e astronomia. A última tabuinha cuneiforme com data segura conhecida, um almanaque astronômico de Uruk, foi escrita em 79/80 d.C.
Intermediário
O que as pessoas escreviam: de recibos a epopeias
A maioria dos textos cuneiformes são documentos comuns: recibos, listas de rações, empréstimos, vendas, contratos de casamento, adoções, processos judiciais e cartas. Arquivos privados, como os de mercadores assírios que comerciavam com a Anatólia no início do segundo milênio a.C., permitem que historiadores acompanhem famílias e negócios com riqueza extraordinária de detalhes.
A escrita cuneiforme também preservou a literatura mais antiga do mundo. Ela inclui hinos sumérios atribuídos à sacerdotisa Enheduanna, provérbios e textos de sabedoria como as Instruções de Shuruppak, lamentações por cidades destruídas e epopeias como as histórias de Gilgamesh. Coletâneas de leis, a mais famosa delas o Código de Hamurabi, de cerca de 1750 a.C., eram escritas em tabuinhas e estelas monumentais.
Os estudiosos escreviam em cuneiforme sobre matemática, medicina, adivinhação e astronomia. Os matemáticos babilônios usavam um sistema posicional baseado em 60, que sobrevive em nossos 60 minutos e 360 graus. Astrônomos babilônios tardios mantinham diários de observação por séculos e desenvolveram métodos matemáticos para prever os movimentos da lua e dos planetas.
Os escribas se formavam em escolas, chamadas em sumério de é-dub-ba-a, “casa das tabuinhas”. Os alunos copiavam listas de sinais, vocabulário, modelos de contratos e textos literários. Milhares dessas tabuinhas de exercício sobrevivem, algumas com o modelo de um professor de um lado e a cópia trêmula de um aluno do outro.
Intermediário
Esquecida e redescoberta
Depois do primeiro século d.C., ninguém mais conseguia ler a escrita cuneiforme. Viajantes europeus começaram a copiar inscrições das ruínas de Persépolis, no Irã, no século XVII, e em 1778 o viajante dinamarquês Carsten Niebuhr publicou cópias precisas. Ele percebeu que as inscrições continham três tipos diferentes de escrita cuneiforme.
A mais simples das três era o persa antigo. Em 1802, o professor alemão Georg Friedrich Grotefend adivinhou corretamente que certos grupos repetidos significavam “rei” e os nomes de reis persas, e vários estudiosos deram continuidade a seu trabalho. O grande avanço veio da inscrição trilíngue de Behistun, de Dario I, no oeste do Irã, esculpida em um penhasco em persa antigo, elamita e babilônio. O oficial britânico Henry Rawlinson a copiou nas décadas de 1830 e 1840 correndo riscos consideráveis, e ele e o clérigo irlandês Edward Hincks a usaram para decifrar o acádio.
Em 1857, a Sociedade Asiática Real, em Londres, testou a decifração. Quatro estudiosos, Rawlinson, Hincks, Julius Oppert e William Henry Fox Talbot, receberam cada um uma cópia de uma inscrição recém-descoberta do rei assírio Tiglate-Pileser I e a traduziram de forma independente. Suas versões coincidiam de perto, convencendo o público de que a escrita cuneiforme podia mesmo ser lida. O sumério, uma língua sem parentesco com nenhuma língua viva, foi reconhecido e decifrado mais tarde no século XIX.
Escavações em Nínive, Nimrud e outras cidades assírias em meados do século XIX revelaram vastas coleções de tabuinhas, incluindo a biblioteca do rei assírio Assurbanípal. Em 1872, George Smith, do Museu Britânico, identificou entre elas uma história de dilúvio parecida com o relato de Noé, o que causou sensação e tornou a escrita cuneiforme famosa.
Intermediário
Os estudos cuneiformes hoje
O estudo da escrita cuneiforme é chamado de assiriologia, porque as primeiras grandes descobertas vieram da Assíria. As tabuinhas estão guardadas em museus ao redor do mundo; o Museu Britânico tem a maior coleção, estimada em cerca de 130.000 tabuinhas, seguido por coleções em Berlim, Paris, Istambul, Bagdá, Yale e Filadélfia. Apenas algumas centenas de especialistas sabem lê-las, então muitas tabuinhas nunca foram publicadas.
Projetos digitais estão transformando o campo. A Cuneiform Digital Library Initiative (CDLI) cataloga e fotografa centenas de milhares de objetos, e o Open Richly Annotated Cuneiform Corpus (Oracc) publica online textos editados, traduzidos e anotados linguisticamente. Os sinais cuneiformes foram codificados no padrão Unicode, e pesquisadores vêm testando escaneamento em 3D e aprendizado de máquina para ajudar a ler tabuinhas danificadas.
O patrimônio cuneiforme também sofreu com guerras e saques. Sítios no Iraque e na Síria foram escavados ilegalmente durante períodos de conflito, e muitas tabuinhas sem procedência conhecida entraram no mercado de antiguidades. Os estudiosos debatem a ética de estudar essas tabuinhas sem procedência, e várias delas foram devolvidas ao Iraque nos últimos anos.
Avançado
Debates sobre as origens da escrita
A ligação entre fichas de argila e a escrita é uma das teorias mais conhecidas do campo. A arqueóloga Denise Schmandt-Besserat, apoiando-se em trabalhos anteriores, argumentou que os formatos das fichas neolíticas eram os ancestrais diretos de muitos sinais proto-cuneiformes, de modo que a escrita evoluiu de uma longa tradição contábil. A conexão entre fichas, bullae, tabuinhas numéricas e os primeiros sinais numéricos é amplamente aceita. Críticos, porém, questionaram se a maioria dos formatos de fichas corresponde a sinais posteriores, observando que muitas fichas vêm de contextos não administrativos, como túmulos, e que o repertório de sinais proto-cuneiformes era muito maior e mais sistemático do que qualquer sistema de fichas.
Por isso, muitos especialistas descrevem a escrita como uma invenção rápida e deliberada de administradores em Uruk por volta de 3300 a.C., construída sobre notações numéricas já existentes e sobre a iconografia de selos, e não como uma evolução lenta. Robert Englund e Hans Nissen, que estudaram em detalhe os textos arcaicos de Uruk, destacaram os sistemas metrológicos: sistemas de contagem diferentes eram usados para mercadorias diferentes, como grãos, animais e terra, o que mostra que o proto-cuneiforme foi concebido como uma tecnologia contábil antes de se tornar uma forma de registrar a língua.
Uma questão relacionada é se a escrita foi inventada uma vez e se espalhou, ou várias vezes de forma independente. Os hieróglifos egípcios aparecem mais ou menos na mesma época, ou um pouco depois, do proto-cuneiforme. Alguns estudiosos acham que a ideia da escrita passou da Mesopotâmia para o Egito, enquanto outros destacam os sinais e a estrutura muito diferentes dos dois sistemas e veem invenções independentes. A escrita chinesa e a escrita maia são geralmente consideradas invenções separadas.
A língua das tabuinhas mais antigas também é debatida. Como o proto-cuneiforme registra pouca gramática, é difícil provar que seus usuários falavam sumério. Os argumentos se apoiam em algumas poucas grafias fonéticas possíveis e na continuidade com textos posteriores, claramente sumérios. Alguns estudiosos sugeriram a presença de outras línguas na Uruk mais antiga, mas as evidências continuam escassas.
Avançado
O ofício do estudioso: transliteração e incerteza
Como os sinais cuneiformes são polivalentes, editar uma tabuinha envolve muitas decisões. Os assiriólogos publicam os textos em transliteração, uma transcrição sinal por sinal em letras latinas. As convenções mostram a interpretação do estudioso: leituras silábicas em itálico minúsculo, logogramas em maiúsculas (por exemplo, KÙ.BABBAR, sumério para “prata”, lido em acádio como kaspum), determinativos em sobrescrito, e números-índice ou acentos para distinguir sinais com o mesmo som, como u, ú e ù. Uma transliteração registra, assim, tanto o que está na tabuinha quanto a forma como o editor optou por lê-la.
A pronúncia é em parte reconstruída. O acádio é relativamente bem compreendido graças a seus parentes semíticos, mas o sumério não tem parentes conhecidos, e seus sons e sua gramática são reconstruídos a partir de textos bilíngues e antigas listas gramaticais. As leituras de nomes sumérios mudaram à medida que o conhecimento avançou: o rei antes lido como Ur-Engur agora é lido como Ur-Namma.
A cronologia é outro desafio. As datas do terceiro e do segundo milênio a.C. dependem de listas de reis, nomes de ano e algumas poucas observações astronômicas, como as observações de Vênus da época do rei Ammi-saduqa. Há muito os estudiosos debatem cronologias alternativas “alta”, “média” e “baixa”, que diferem entre si em décadas ou mais; a Cronologia Média é usada por convenção, embora estudos recentes com anéis de árvores e radiocarbono venham refinando a discussão.
Por fim, o registro que sobreviveu é desigual. Algumas cidades e períodos são documentados por dezenas de milhares de tabuinhas, outros quase nada, e o contexto arqueológico muitas vezes se perdeu em escavações antigas e em saques. Os historiadores precisam, portanto, ter cuidado para não confundir os acasos da sobrevivência com as realidades da vida antiga.
Ideias principais
- Escrita logo-silábica
- Um sistema que mistura sinais de palavra (logogramas) com sinais de som (silabogramas), como faz a escrita cuneiforme.
- Princípio do rébus
- Usar um sinal por seu som, e não por seu significado, o que permitiu aos escribas escrever nomes, gramática e, por fim, qualquer palavra.
- Determinativo
- Um sinal mudo que classifica a palavra seguinte, por exemplo como um deus, uma cidade ou algo feito de madeira.
- Polivalência
- Um mesmo sinal pode ter várias leituras, tanto como sons quanto como palavras; os leitores escolhem pelo contexto.
- Origens contábeis
- A escrita serviu primeiro para registrar bens, pessoas e obrigações nas instituições das primeiras cidades mesopotâmicas.
- Escrita versus língua
- A escrita cuneiforme é um sistema de escrita, não uma língua; foi usada para o sumério, o acádio, o hitita e muitas outras línguas.
- Decifração
- A recuperação moderna de uma escrita esquecida, alcançada para o cuneiforme com inscrições trilíngues como a de Behistun.
Registros
- c. 3300 a.C. — Tabuinhas proto-cuneiformes do período Uruk IV, a escrita mais antiga conhecida na Mesopotâmia.
- c. 2600 a.C. — A escrita cuneiforme passa a ser cada vez mais usada para escrever a língua suméria, incluindo nomes e primeiros textos literários.
- c. 2334 a.C. — Sob o Império Acádio, a escrita cuneiforme é adaptada para escrever o acádio.
- c. 1750 a.C. — O Código de Hamurabi é inscrito em cuneiforme babilônio antigo.
- c. 1350 a.C. — As cartas de Amarna mostram o cuneiforme acádio como a língua da diplomacia internacional.
- c. 650 a.C. — Assurbanípal reúne sua grande biblioteca de tabuinhas em Nínive.
- c. 520 a.C. — Dario I esculpe a inscrição trilíngue de Behistun em persa antigo, elamita e babilônio.
- 79 d.C. — A última tabuinha cuneiforme com data segura, um texto astronômico de Uruk (79/80 d.C.).
- 1778 — Carsten Niebuhr publica cópias precisas das inscrições de Persépolis.
- 1802 — Grotefend dá os primeiros passos bem-sucedidos na leitura do cuneiforme persa antigo.
- 1857 — O teste da Sociedade Asiática Real confirma que o cuneiforme acádio pode ser lido.
- 1872 — George Smith identifica uma história babilônia de dilúvio em uma tabuinha de Nínive.
Glossário
- Mesopotâmia
- Do grego, “entre rios”: a terra do Tigre e do Eufrates, hoje em grande parte no Iraque.
- Estilete
- Uma ferramenta de escrita; na escrita cuneiforme, um junco cortado pressionado na argila.
- Tabuinha
- Um pedaço plano de argila (ou outro material) usado para escrever.
- Escriba
- Uma pessoa treinada para ler e escrever, trabalhando para templos, palácios ou clientes particulares.
- Sumério
- A língua das primeiras cidades do sul da Mesopotâmia; não tem parentes conhecidos.
- Acádio
- Uma língua semítica da Mesopotâmia, com dialetos babilônio e assírio; a principal língua escrita em cuneiforme.
- Transliteração
- Escrever cada sinal de um texto em outra escrita, como letras latinas, para mostrar como ele é lido.
- Assiriologia
- O estudo acadêmico dos textos cuneiformes e das civilizações que os produziram.
- Bulla
- Uma bola oca de argila que continha fichas contábeis, usada antes da escrita.
Perguntas e respostas
A escrita cuneiforme é uma língua?
Não. É uma forma de escrever. As pessoas a usavam para escrever várias línguas, como sumério, acádio e hitita, um pouco como o alfabeto latino é usado para o português, o francês e o vietnamita.
Por que escreviam em argila?
A argila era barata e abundante na Mesopotâmia, e os juncos para as penas cresciam ao longo dos rios. As tabuinhas de argila também duram muito tempo, especialmente se forem cozidas.
Quantos sinais era preciso aprender?
Em períodos posteriores, um escriba precisava conhecer várias centenas de sinais, cerca de 600 em uso regular, e muitos tinham mais de uma leitura. Levava anos de escola para aprender.
A escrita cuneiforme é mais antiga que os hieróglifos egípcios?
As tabuinhas proto-cuneiformes mais antigas têm mais ou menos a mesma idade dos primeiros hieróglifos egípcios, ou são um pouco mais antigas. Os estudiosos debatem se um influenciou o outro.
Como os estudiosos aprenderam a lê-la de novo?
Começaram pela escrita persa antiga, mais simples, de Persépolis, e depois usaram inscrições trilíngues, especialmente a inscrição de Behistun, para decifrar o acádio. Um teste público em 1857 mostrou que a decifração funcionava.
A escrita se desenvolveu a partir de fichas de argila?
As fichas e as tabuinhas numéricas foram precursoras importantes, mas muitos estudiosos veem as primeiras tabuinhas proto-cuneiformes de Uruk como uma invenção deliberada de administradores, e não uma simples evolução a partir das fichas.
Quantas tabuinhas cuneiformes existem?
As estimativas vão de cerca de meio milhão a dois milhões de tabuinhas escavadas. Só uma pequena parte foi totalmente publicada, e novas ainda estão sendo encontradas.
Por que é difícil datar os primeiros textos cuneiformes?
As datas dependem de listas de reis, nomes de ano e alguns poucos registros astronômicos, e os estudiosos debatem cronologias concorrentes. Estudos de anéis de árvores e radiocarbono estão ajudando agora a restringir as opções.
Fontes e leituras adicionais
- Cuneiform. Wikipedia
- 쐐기 문자 (Cuneiform). Korean Wikipedia
- Proto-cuneiform. Wikipedia
- Decipherment of cuneiform. Wikipedia
- Behistun Inscription. Wikipedia
- Cuneiform Digital Library Initiative (CDLI). CDLI
- Assyriology. Wikipedia
- C. B. F. Walker, Cuneiform (Reading the Past). British Museum Publications, 1987
- Irving Finkel and Jonathan Taylor, Cuneiform. British Museum Press, 2015
Conteúdo relacionado
- Epopeia de GilgameshA amizade de um rei com Enkidu e sua busca pela imortalidade, reunidas em uma epopeia babilônica a partir de poemas sumérios anteriores.
- Código de HamurabiColetânea de decisões jurídicas promulgadas sob Hamurabi, rei da Babilônia, no século XVIII a.C.
- EnheduanaAlta sacerdotisa do deus da Lua em Ur e filha de Sargão da Acádia, frequentemente chamada de primeira autora conhecida pelo nome.
- Instruções de ShuruppakUma das obras literárias mais antigas que sobreviveram: os conselhos de um pai sumério ao filho, preservados em tabuletas de argila.
- Cilindro de CiroCilindro de fundação de argila inscrito em escrita cuneiforme babilônica depois que Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia em 539 a.C., apresentando-o como um rei justo escolhido pelo deus Marduque.
- PersépolisCentro cerimonial e administrativo do Império Aquemênida no sudoeste do Irã, cuja construção começou sob Dario I.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
