Literatura

Enheduana

En-ḫedu-ana (Sumerian)

c. 2285–2250 a.C. · Ur

Em uma frase

Enheduana foi uma princesa e sacerdotisa principal que viveu na cidade mesopotâmica de Ur há cerca de 4.300 anos. Ela é frequentemente chamada de primeira autora da história cujo nome conhecemos, pois a tradição antiga lhe atribui hinos à deusa Inana.

Enheduana
Imagem: Mefman00 · CC0 · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Há muito, muito tempo, na região onde hoje fica o Iraque, um rei chamado Sargão construiu um dos primeiros impérios do mundo. Ele enviou sua filha à grande cidade de Ur para se tornar a sacerdotisa mais importante de Nana, o deus da Lua.

Nós a conhecemos pelo nome de seu cargo: Enheduana. Esse nome costuma ser traduzido como “sacerdotisa principal, ornamento do céu”. Ela morava em uma casa especial ao lado do templo, dirigia cerimônias e cuidava do templo e das terras do deus.

Enheduana é famosa porque poemas foram registrados com seu nome. Em um deles, ela até diz “eu” e conta sua própria história: um rebelde a expulsou do templo, e ela pediu ajuda à deusa Inana. Por isso, ela é uma das primeiras pessoas da história cujo nome e voz conhecemos por meio da escrita.

Inana era a deusa do amor e da guerra. Ela também era associada ao astro mais brilhante do céu ao amanhecer e ao anoitecer, que hoje sabemos ser o planeta Vênus. Os poemas de Enheduana a descrevem como forte, brilhante e mais poderosa que os outros deuses.

Em 1927, arqueólogos que escavavam Ur encontraram um disco de pedra quebrado em pedaços. Quando juntaram as partes, viram a imagem de uma sacerdotisa conduzindo uma cerimônia. No verso, havia uma inscrição dizendo que ela era Enheduana, filha de Sargão. É quase como encontrar uma foto dela 4.300 anos depois.

Durante centenas de anos, estudantes copiaram seus poemas nas escolas de escribas. Hoje, pessoas do mundo todo os leem em tradução. Enheduana se tornou um símbolo da voz das mulheres nos primeiros tempos da escrita.

Em resumo

Época em que viveu
Fim do século XXIV e século XXIII a.C. (datas incertas; exerceu o cargo durante o reinado de Sargão da Acádia e até o reinado de seu neto Naram-Sin)
Local
Ur, no sul da Mesopotâmia (Tell el-Muqayyar, sul do Iraque)
Função
En (sacerdotisa principal) de Nana, deus da Lua, em Ur; filha de Sargão, fundador do Império Acádio
Língua das obras
Sumério, escrito em cuneiforme, embora sua família falasse acádio
Obras atribuídas
A Exaltação de Inana (Nin-me-šara), os hinos In-nin ša-gur-ra e Inana e Ebih, e a coletânea dos Hinos dos Templos Sumérios
Artefato principal
O Disco de Enheduana, encontrado em Ur em 1927 e hoje conservado no Penn Museum, na Filadélfia
Importância
Frequentemente descrita como a autora de nome conhecido mais antiga da história; sua autoria é debatida por estudiosos

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Quem foi Enheduana?

Enheduana era filha de Sargão da Acádia, o rei que, no século XXIV a.C., reuniu pela primeira vez as cidades-Estado da Mesopotâmia sob um único governo e fundou o que os historiadores chamam de Império Acádio. Sargão nomeou a filha en, ou sacerdotisa principal, de Nana, o deus da Lua, em Ur, um dos centros religiosos mais antigos e importantes do sul da Mesopotâmia.

O nome Enheduana é um nome-título sumério, geralmente traduzido como “sacerdotisa en, ornamento do céu”. Ela provavelmente o recebeu ao assumir o cargo; seu nome de nascimento é desconhecido. Como en, era considerada a esposa terrena do deus da Lua. Vivia no giparu, um grande edifício ao lado do templo de Ur, onde presidia rituais e administrava as propriedades do deus.

Hoje, Enheduana é lembrada sobretudo como poeta. A tradição antiga lhe atribui um conjunto de hinos em língua suméria, incluindo passagens nas quais a voz poética fala em primeira pessoa e diz seu nome. Se a atribuição estiver correta, ela é a autora de nome conhecido mais antiga do mundo, cerca de mil anos antes de Homero e vários séculos antes das versões mais antigas da Epopeia de Gilgámesh que chegaram até nós.

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Fácil

O Disco de Enheduana: um retrato em pedra

Em 1927, o arqueólogo britânico Leonard Woolley encontrou fragmentos de um disco redondo de alabastro (calcita) ao escavar o giparu em Ur. Depois de remontado, o disco revelou uma cena de culto esculpida em relevo. Um sacerdote nu derrama uma libação, uma oferenda líquida, diante de um altar ou estrutura em degraus. Atrás dele, uma mulher com uma longa veste de babados e um adorno característico na cabeça ergue a mão em sinal de reverência. Dois assistentes vêm em seguida.

A inscrição no verso identifica a mulher como Enheduana, esposa de Nana e filha de Sargão. Assim, o disco é uma das pouquíssimas imagens antigas de uma mulher identificada pelo nome que datam do terceiro milênio a.C. Partes do rosto e da inscrição foram danificadas e restauradas. O disco está hoje no Penn Museum (Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia), na Filadélfia.

Outras descobertas confirmam que Enheduana foi uma pessoa real. Também foram encontrados em Ur selos do período sargônico com seu nome, pertencentes a integrantes de sua casa. Esses objetos mostram que ela ocupava um cargo importante, com equipe e administração próprias.

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Fácil

A vida em Ur: a cidade do deus da Lua

Ur ficava perto do rio Eufrates, no extremo sul da Mesopotâmia, próxima aos pântanos e à cabeceira do golfo Pérsico. Já era uma cidade antiga e rica quando Enheduana chegou. Alguns séculos antes, seus governantes haviam sido sepultados nas famosas Tumbas Reais, repletas de ouro, liras e joias, que Woolley também escavou na década de 1920.

O deus protetor da cidade era Nana, o deus da Lua, chamado Sin pelos acádios. Seu complexo de templos ficava no coração de Ur. O grande zigurate de Ur que os visitantes veem hoje foi construído mais tarde, por volta de 2100 a.C., pelo rei Ur-Nama, mas já havia um templo do deus da Lua naquele local muito antes disso.

Como sacerdotisa en, Enheduana era tanto uma líder religiosa quanto a responsável por uma grande casa. O templo do deus possuía campos, rebanhos e oficinas e empregava muitas pessoas, de agricultores e tecelões a escribas. Seus selos e os funcionários neles mencionados mostram que ela administrava essa organização. Sua vida, portanto, reunia rituais, administração e, segundo a tradição, composição literária.

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Fácil

Seus poemas

Quatro composições importantes são atribuídas a Enheduana com mais frequência. A mais conhecida é Nin-me-šara, “Senhora de todos os poderes divinos”, geralmente chamada de A Exaltação de Inana, um hino de cerca de 150 versos. A segunda, In-nin ša-gur-ra, “Senhora de coração valente”, louva o poder aterrador de Inana na batalha. A terceira, In-nin me-huš-a, conhecida como Inana e Ebih, conta como a deusa destrói uma montanha que se recusou a honrá-la.

A quarta é uma coletânea de 42 hinos curtos dedicados a templos de toda a Suméria e Acádia, conhecida como Hinos dos Templos Sumérios. Cada hino se dirige a um templo como se ele fosse um ser vivo e elogia sua beleza e seu deus. Perto do fim, dois versos identificam Enheduana como organizadora da tabuinha e declaram que foi criado algo que ninguém havia criado antes.

Esses poemas estão repletos de imagens marcantes. Inana monta feras, faz chover fogo sobre a terra e é exaltada como superior a An, o deus do céu. A poeta também fala do próprio sofrimento: foi expulsa de seu templo, sua beleza virou pó e ela pede a Inana que a salve. Essa combinação de louvor, súplica e voz pessoal tornou os poemas tão admirados.

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A Exaltação de Inana: um poema de exílio e retorno

A Exaltação de Inana começa celebrando Inana como rainha de todos os me, os poderes divinos que compõem a civilização, e como uma deusa guerreira cuja fúria ninguém consegue enfrentar. Em seguida, o poema apresenta uma crise. Um homem chamado Lugal-Ane tomou o poder em Ur. A poeta diz que foi expulsa do templo e de seu cargo e que nem mesmo seu deus, Nana, veio ajudá-la.

Na parte central, a poeta apela diretamente a Inana, pedindo que julgue seu caso e castigue o rebelde. Alguns estudiosos, especialmente Annette Zgoll, interpretam a estrutura do poema como a de uma petição judicial, na qual a sacerdotisa apresenta sua causa a um tribunal divino. No ponto culminante, a poeta diz que compôs o hino durante a noite e o oferece à deusa; nos versos finais, Inana aceita a prece, e a sacerdotisa recupera seu cargo.

O contexto histórico parece ser o das revoltas contra os reis acádios, sobretudo contra Naram-Sin, neto de Sargão, quando várias cidades sumérias se levantaram contra o domínio acádio. Naram-Sin reprimiu as rebeliões. O poema pode, portanto, refletir acontecimentos reais nos quais Enheduana, como representante da dinastia acádia em Ur, foi expulsa e depois retornou. Os estudiosos discordam sobre a precisão com que o poema pode ser ligado a acontecimentos históricos específicos.

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Intermediário

A leitura dos poemas: imagens, voz e estrutura

Os hinos atribuídos a Enheduana usam amplamente os recursos da poesia suméria. Os versos muitas vezes aparecem em pares paralelos, nos quais a segunda parte repete ou intensifica a primeira. Listas de epítetos se acumulam para transmitir ao ouvinte a grandeza da deusa. As imagens vêm da natureza e da guerra: Inana é comparada a uma tempestade, uma inundação, um leão e um fogo violento; também aparece montando feras e dispersando inimigos.

O que chama a atenção é a presença da própria poeta. Em A Exaltação de Inana, a voz poética passa do louvor em terceira pessoa ao lamento em primeira pessoa e, depois, à fala dirigida à deusa, contando o que lhe aconteceu e o que deseja. Ela descreve o próprio hino como algo a que “deu à luz” durante a noite, tornando o ato de compor parte do poema. Essa consciência da criação de um texto é rara na literatura da época.

Os Hinos dos Templos funcionam de outra maneira. Cada hino curto segue um padrão semelhante: nomeia um templo, louva seu esplendor e termina nomeando o deus que ali habita. Juntos, formam um mapa sagrado da região, de Eridu, no extremo sul, até cidades do norte. Lidos como coletânea, apresentam a Suméria e a Acádia como uma única paisagem religiosa, o que combina com o projeto político dos reis acádios.

Para os leitores de hoje, os poemas podem ser difíceis. Muitos versos estão incompletos ou são obscuros, e os tradutores precisam fazer escolhas diante de palavras difíceis. Comparar várias traduções é uma boa maneira de perceber tanto a força dos poemas quanto as incertezas presentes em cada versão.

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Intermediário

Religião e política: por que uma princesa se tornou sacerdotisa

Sargão era acádio, falante de uma língua semítica, e vinha do norte da Mesopotâmia. Seu império reuniu as antigas cidades sumérias do sul, cada uma com seus deuses e tradições. Nomear sua filha sacerdotisa principal em Ur, a cidade do deus da Lua, foi um ato político: ligou uma instituição religiosa suméria de prestígio à nova dinastia e deu à família real acádia uma presença no centro da religião suméria.

Os poemas atribuídos a Enheduana também parecem reunir diferentes tradições religiosas. A deusa suméria Inana era estreitamente identificada com a deusa acádia Ishtar, e os hinos exaltam Inana acima dos outros deuses. Alguns estudiosos sugerem que sua poesia ajudou a promover uma visão religiosa unificada para um império unido, embora seja difícil comprovar essa intenção.

O cargo de sacerdotisa en de Nana tornou-se uma tradição duradoura. Durante séculos, reis mesopotâmicos posteriores continuaram a nomear suas filhas para o posto. Ainda no século VI a.C., o rei Nabonido da Babilônia restabeleceu o cargo para sua filha, recorrendo a inscrições antigas sobre sacerdotisas anteriores. Enheduana estava no início dessa longa sucessão.

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Intermediário

Como seus poemas sobreviveram

Quase todos os manuscritos dos poemas atribuídos a Enheduana datam do período paleobabilônico, aproximadamente entre 1900 e 1700 a.C., vários séculos depois de sua vida. Eles vêm de escolas de escribas em Nipur, Ur e outras cidades, onde os alunos copiavam a literatura suméria como parte de sua formação, embora o sumério já não fosse uma língua falada naquela época.

A Exaltação de Inana foi uma das obras mais copiadas nas escolas paleobabilônicas, o que mostra que era considerada um clássico. Mais tarde, alguns dos hinos também foram copiados com traduções para o acádio.

Depois que a escrita cuneiforme deixou de ser usada, nos primeiros séculos da era cristã, os poemas foram esquecidos. Eles foram redescobertos no século XX em tabuinhas encontradas durante escavações. William W. Hallo e J. J. A. van Dijk publicaram uma edição e uma tradução inglesa de A Exaltação de Inana em 1968, e Åke Sjöberg e outros pesquisadores editaram os Hinos dos Templos. Hoje, também há traduções disponíveis no Corpus Eletrônico de Textos da Literatura Suméria, da Universidade de Oxford.

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Intermediário

Legado e recepção moderna

No fim do século XX, Enheduana tornou-se uma figura importante também fora da assiriologia. Em 1976, a folclorista e antropóloga Marta Weigle apresentou-a a um público feminista mais amplo como a primeira autora conhecida da literatura mundial. Desde então, ela tem sido amplamente celebrada como uma pioneira entre as escritoras, e seus poemas foram traduzidos e adaptados por poetas e estudiosos.

Pesquisadores da retórica estudaram A Exaltação de Inana como um exemplo antigo de composição persuasiva, e Hallo comparou as estratégias de persuasão do poema às de obras posteriores, incluindo os textos dos profetas bíblicos. Seus poemas também foram comparados a tradições posteriores de hinos e orações de todo o antigo Oriente Próximo.

Em 2023, Sophus Helle publicou uma tradução inglesa completa dos poemas atribuídos a ela, acompanhada de ensaios, levando sua obra a um público amplo. Ao mesmo tempo, muitos especialistas recomendam cautela: celebrá-la como a “primeira autora” não deve ocultar as incertezas reais sobre quem compôs os poemas e sobre o significado da ideia de autoria na Mesopotâmia antiga.

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Avançado

O debate sobre a autoria

A defesa da autoria se apoia principalmente em evidências internas. Em A Exaltação de Inana, a voz poética se identifica como Enheduana e descreve sua própria situação; os Hinos dos Templos incluem versos que a identificam como organizadora. Hallo e van Dijk (1968), assim como Åke Sjöberg, argumentaram que essas afirmações deveriam ser aceitas como verdadeiras. Mais tarde, Hallo alertou contra o que considerava um ceticismo excessivo.

As dúvidas se baseiam nas características dos manuscritos. Todas as cópias substanciais datam de séculos depois da vida de Enheduana; foram feitas em contextos escolares; e sua linguagem não apresenta traços claros do sumério do período acádio. Jeremy Black e seus colegas observaram que os textos, na forma em que chegaram até nós, podem ter sido compostos ou amplamente retrabalhados no período paleobabilônico. Miguel Civil sugeriu que “Enheduana” talvez designasse mais um cargo sacerdotal do que uma autora individual. Black também argumentou que os versos dos Hinos dos Templos talvez se refiram apenas ao último hino.

Entre essas posições, vários estudiosos sugerem que a própria atribuição é significativa. Em uma época em que as obras literárias quase sempre eram anônimas, nomear Enheduana como autora pode ter conferido autoridade especial a essas composições, associando-as a uma respeitada princesa e sacerdotisa da dinastia sargônica. Continua em aberto se essa atribuição preserva uma memória histórica, representa uma construção literária posterior ou combina as duas coisas.

A maioria dos estudiosos concorda com uma posição intermediária: Enheduana foi uma pessoa histórica que ocupou o cargo de sacerdotisa en, e os poemas pertenciam a uma tradição associada a seu nome. Com as evidências atuais, não é possível provar se ela compôs pessoalmente os textos que lemos hoje nem em que forma o teria feito.

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Avançado

Evidências e métodos

Três tipos de evidência se encontram no estudo de Enheduana. Primeiro, as evidências arqueológicas de sua época: o disco e os selos de Ur, que comprovam sua existência histórica, seu título e seus vínculos familiares. Segundo, os manuscritos literários, que exigem estudo filológico: reconstituir textos a partir de muitas cópias paleobabilônicas, analisar a língua, a grafia e as variantes e perguntar que características poderiam indicar um original mais antigo. Terceiro, o contexto histórico do Império Acádio, conhecido por inscrições reais e tradições posteriores.

A interpretação depende muito da maneira como esses tipos de evidência são combinados. A análise linguística, por si só, dificilmente consegue datar uma composição que foi atualizada ao longo de séculos de cópias. As leituras históricas de A Exaltação de Inana dependem da identificação de Lugal-Ane e da datação da revolta. As abordagens feministas e literárias investigam como autoria, gênero e voz foram construídos nos poemas e em sua recepção.

Estudos recentes ressaltam que o conceito de “autor” na Mesopotâmia antiga difere da ideia moderna de um criador individual. Estudar Enheduana, portanto, levanta questões mais amplas sobre autoria, anonimato, autoridade e formação do cânone na literatura mais antiga do mundo.

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Ideias principais

Sacerdotisa en
O cargo sacerdotal mais alto dedicado ao deus de uma cidade; em Ur, a en de Nana era considerada a esposa terrena do deus.
Autora identificada pelo nome
Enheduana é frequentemente chamada de autora de nome conhecido mais antiga da história, embora essa atribuição seja debatida.
Voz pessoal
A Exaltação de Inana fala em primeira pessoa sobre o exílio e a súplica da poeta, algo incomum na literatura antiga.
Religião e império
Sua nomeação ligou a dinastia acádia ao antigo culto sumério ao deus da Lua.
Supremacia de Inana
Seus hinos exaltam Inana como rainha dos poderes divinos e superior aos outros deuses.
Transmissão pelas escolas
Seus poemas sobreviveram principalmente em cópias escolares paleobabilônicas feitas séculos depois de sua época.
Autoria como autoridade
Associar um nome famoso a um texto podia conferir prestígio à obra, mesmo que essa pessoa não tivesse escrito todos os versos.
Consciência da composição
A poeta descreve a criação do próprio hino, fazendo do ato de escrever parte do poema — uma característica marcante na literatura mais antiga do mundo.

Registros

  1. c. 2334 a.C. — Sargão da Acádia chega ao poder (cronologia média) e começa a construir seu império.
  2. c. 2285 a.C. — Enheduana exerce o cargo de sacerdotisa en de Nana em Ur (datas aproximadas).
  3. c. 2254 a.C. — Naram-Sin, neto de Sargão, torna-se rei; mais tarde, eclodem rebeliões contra o domínio acádio.
  4. c. 2250 a.C. — Por volta dessa época, ou mais tarde durante o reinado de Naram-Sin, a revolta de Lugal-Ane em Ur leva Enheduana ao exílio.
  5. c. 1800 a.C. — As escolas de escribas paleobabilônicas copiam amplamente seus hinos; a maioria dos manuscritos sobreviventes data desse período.
  6. c. 554 a.C. — O rei Nabonido da Babilônia restabelece o cargo de sacerdotisa en em Ur para sua filha.
  7. 1927 — Leonard Woolley encontra o Disco de Enheduana em Ur.
  8. 1968 — Hallo e van Dijk publicam A Exaltação de Inana.
  9. 1976 — Marta Weigle apresenta Enheduana aos estudos feministas como a primeira autora conhecida.
  10. 2023 — Sophus Helle publica uma tradução completa de seus poemas.

Glossário

Império Acádio
Império fundado por Sargão da Acádia no século XXIV a.C., que unificou grande parte da Mesopotâmia.
Sumério
Língua da antiga Suméria, usada em textos religiosos e literários muito depois de deixar de ser falada.
Ur
Antiga cidade suméria no sul do Iraque, centro do culto a Nana, o deus da Lua.
Nana
Deus sumério da Lua (Sin em acádio) e deus protetor de Ur.
Inana
Deusa suméria do amor, da guerra e do planeta Vênus, identificada com a deusa acádia Ishtar.
Giparu
Residência e edifício de culto da sacerdotisa en em Ur.
Me
Poderes ou decretos divinos que, no pensamento sumério, compõem a civilização.
Libação
Oferenda ritual de um líquido derramado para um deus.
Colofão
Nota ao final de um texto com informações sobre sua escrita ou autoria.
Período paleobabilônico
Período entre aproximadamente 2000 e 1600 a.C., quando grande parte da literatura suméria foi copiada nas escolas.
Zigurate
Enorme plataforma de templo construída em degraus com tijolos de barro nas cidades mesopotâmicas; o grande zigurate de Ur foi construído por volta de 2100 a.C., depois da época de Enheduana.
Selo cilíndrico
Pequeno cilindro de pedra esculpida que era rolado sobre a argila para deixar uma marca, usado como assinatura por funcionários e famílias.

Perguntas e respostas

Enheduana foi mesmo a primeira autora?

Ela é a pessoa de nome conhecido mais antiga à qual se atribuem obras literárias. Discute-se se ela própria as compôs, pois as cópias que temos foram feitas séculos depois.

Por que uma princesa se tornou sacerdotisa?

Seu pai, Sargão, usou a nomeação para ligar sua nova dinastia acádia a Ur, um antigo centro da religião suméria. Foi tanto uma honra religiosa quanto uma decisão política.

O que significa o nome dela?

É um nome-título sumério geralmente traduzido como “sacerdotisa en, ornamento do céu”. Seu nome de nascimento é desconhecido.

Inana é a mesma deusa que Ishtar?

Elas eram estreitamente identificadas. Inana é o nome sumério, e Ishtar, o nome acádio; com o tempo, seus mitos e cultos se fundiram, e os hinos atribuídos a Enheduana ajudaram a formar a imagem dessa poderosa deusa.

O que aconteceu com Enheduana durante a rebelião?

Segundo A Exaltação de Inana, um rebelde chamado Lugal-Ane tomou Ur e a expulsou do templo. Ela pediu ajuda a Inana e, por fim, recuperou seu cargo.

Onde está hoje o Disco de Enheduana?

No Penn Museum, na Filadélfia. Ele foi encontrado em Ur em 1927, durante uma escavação conjunta do Museu Britânico e da Universidade da Pensilvânia.

Por que os estudiosos duvidam de sua autoria?

Todas as cópias substanciais são do período paleobabilônico; a língua não apresenta sinais claros do sumério mais antigo, do período acádio; e atribuir textos a pessoas famosas era uma forma de lhes conferir autoridade.

Ela escreveu em sua própria língua?

Sua família falava acádio, mas os poemas estão em sumério, a língua de prestígio da religião e da literatura no sul da Mesopotâmia.

Fontes e leituras adicionais

  1. Enheduanna. Wikipedia
  2. Sargon of Akkad. Wikipedia
  3. Inanna. Wikipedia
  4. Ur. Wikipedia
  5. The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL): hymns to Inana and the temple hymns. University of Oxford
  6. William W. Hallo, J. J. A. van Dijk, The Exaltation of Inanna. Yale University Press, 1968
  7. Annette Zgoll, Der Rechtsfall der En-ḫedu-Ana im Lied nin-me-šara. Ugarit-Verlag, 1997
  8. Jeremy Black, Graham Cunningham, Eleanor Robson, Gábor Zólyomi, The Literature of Ancient Sumer. Oxford University Press, 2004
  9. Sophus Helle, Enheduana: The Complete Poems of the World’s First Author. Yale University Press, 2023

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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