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Para jovens leitores
Há cerca de 450 anos, o Japão estava dividido em muitos pequenos territórios governados por senhores da guerra que lutavam uns contra os outros o tempo todo. Essa longa era de conflitos é chamada de período dos Estados Guerreiros.
Tokugawa Ieyasu nasceu em uma pequena família de senhor da guerra. Quando era um menino pequeno, foi mandado para viver com uma família mais poderosa como refém, uma espécie de garantia de que sua própria família permaneceria leal. Ele cresceu longe de casa e aprendeu a ser paciente e cuidadoso.
Quando cresceu, tornou-se aliado de Oda Nobunaga, um ousado senhor da guerra que começou a unificar o Japão. Depois que Nobunaga morreu, outro líder, Toyotomi Hideyoshi, assumiu o poder, e Ieyasu o serviu também, enquanto discretamente se fortalecia no leste do Japão, onde fez da pequena cidade de Edo seu lar. Edo é a atual Tóquio.
Depois que Hideyoshi morreu, Ieyasu venceu uma enorme batalha em um lugar chamado Sekigahara, no ano de 1600. Em 1603, o imperador lhe deu o título de xogum, o governante militar supremo. Sua família governou o Japão por mais de 250 anos, e o país teve um longo período de paz.
Os japoneses costumam comparar os três unificadores com uma história sobre um pássaro que não quer cantar. Nobunaga diria: “Se ele não canta, mate-o.” Hideyoshi diria: “Faça-o querer cantar.” Ieyasu diria: “Espere até que ele cante.” A história foi inventada muito depois de eles viverem, mas mostra como as pessoas se lembram de Ieyasu: como um homem paciente que esperou sua chance.
Em resumo
- Viveu
- 31 de janeiro de 1543 – 1 de junho de 1616
- Nasceu
- Castelo de Okazaki, Província de Mikawa (hoje Prefeitura de Aichi), como Matsudaira Takechiyo
- Morreu
- Sunpu (hoje Shizuoka), onde vivia aposentado
- Título
- Sei-i taishōgun (xogum), 1603–1605; depois disso, ōgosho (xogum aposentado) até sua morte
- Batalha decisiva
- Sekigahara, 21 de outubro de 1600 (15º dia do 9º mês, Keichō 5)
- Capital
- Edo (hoje Tóquio), sua base a partir de 1590 e sede do xogunato
- Legado
- Xogunato Tokugawa, 1603–1867; deificado como Tōshō Daigongen e consagrado em Nikkō
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Quem foi Tokugawa Ieyasu?
Tokugawa Ieyasu (1543–1616) foi um daimyo, um senhor militar regional, que se tornou o governante de todo o Japão. Ele é considerado o terceiro dos “três unificadores” que puseram fim a mais de um século de guerra civil, depois de Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi. Fundou o xogunato Tokugawa, também chamado de xogunato Edo, que governou o Japão de 1603 a 1867.
A carreira de Ieyasu foi longa e cheia de reviravoltas. Ele foi refém quando criança, aliado de Nobunaga quando jovem, rival e depois vassalo de Hideyoshi na meia-idade, e só perto dos sessenta anos se tornou o homem mais poderoso do Japão. Era conhecido pela cautela, pela paciência, pelo cuidadoso gerenciamento de seus seguidores e pela disposição de ser implacável quando julgava necessário.
O sistema que ele criou combinava o governo do xogum em Edo com cerca de 200 a 300 domínios governados por daimyos. Isso trouxe um longo período de paz interna, durante o qual cidades, comércio, educação e cultura popular floresceram, enquanto o governo controlava rigidamente a religião, o contato estrangeiro e os movimentos da classe guerreira.
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Uma infância como refém
Ieyasu nasceu no Castelo de Okazaki, na Província de Mikawa, como Matsudaira Takechiyo, filho de Matsudaira Hirotada, um senhor menor espremido entre dois vizinhos poderosos: os Oda a oeste e os Imagawa a leste. Quando ainda era bebê, sua mãe foi mandada de volta para sua própria família por razões políticas, e ele não a viu novamente por muitos anos.
Por volta dos cinco anos, Takechiyo foi enviado como refém aos Imagawa, mas no caminho foi capturado e entregue aos Oda, que o mantiveram por cerca de dois anos. Depois de uma troca de prisioneiros, ele foi levado para Sunpu, a capital dos Imagawa, onde passou o resto da infância e a juventude. Seu pai morreu em 1549, e os Imagawa efetivamente assumiram o controle das terras dos Matsudaira.
A vida como refém não era uma prisão. O menino recebeu uma educação adequada a um guerreiro de boa família, tornou-se adulto em uma cerimônia que lhe deu um nome de adulto, e se casou com uma mulher do clã Imagawa, mais tarde conhecida como Dama Tsukiyama. Mas ele aprendeu cedo como a lealdade e o poder podiam ser frágeis.
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Independência e aliança com Oda Nobunaga
Em 1560, o líder Imagawa, Yoshimoto, foi morto por Oda Nobunaga na Batalha de Okehazama. O jovem senhor Matsudaira, então chamado Motoyasu, aproveitou a chance para voltar a Okazaki e se libertar dos Imagawa. Em 1562, fez uma aliança com Nobunaga que durou vinte anos. Logo adotou o nome Ieyasu e, em 1566–1567, o sobrenome Tokugawa, alegando descender da famosa linhagem guerreira Minamoto.
Os primeiros anos foram difíceis. Em 1563–1564, Ieyasu teve de reprimir um levante de seguidores da seita budista Ikkō (Terra Pura Verdadeira) em Mikawa, no qual alguns de seus próprios vassalos se juntaram aos rebeldes. Depois expandiu-se para o leste, na Província de Tōtōmi, e transferiu sua base para Hamamatsu em 1570. Lutou ao lado de Nobunaga na Batalha de Anegawa em 1570 e em Nagashino em 1575, onde o fogo maciço de mosquetes ajudou a derrotar os Takeda.
Ieyasu também sofreu derrotas. No início de 1573, o grande general Takeda Shingen esmagou seu exército em Mikatagahara. Em 1579, em um dos episódios mais sombrios de sua vida, sua esposa, Dama Tsukiyama, foi morta e seu filho mais velho, Nobuyasu, foi forçado a cometer suicídio depois de acusações de que haviam conspirado com os Takeda; os motivos ainda são debatidos. Depois que os Takeda foram destruídos em 1582, Nobunaga recompensou Ieyasu com a Província de Suruga.
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Entre Nobunaga e Hideyoshi: rival, vassalo, senhor de Kantō
Em junho de 1582, Nobunaga foi atacado por seu general Akechi Mitsuhide no templo Honnō-ji, em Kyoto, e morreu. Ieyasu, que visitava a região de Sakai com uma pequena escolta, fez uma perigosa viagem de volta a Mikawa pelas montanhas de Iga. Na confusão que se seguiu, lutou contra os Hōjō e outros pelas antigas terras dos Takeda e ganhou Kai e Shinano, tornando-se senhor de cinco províncias.
O general de Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi, rapidamente assumiu a liderança entre seus sucessores. Em 1584, Ieyasu apoiou o filho de Nobunaga, Nobukatsu, contra Hideyoshi e o levou a um impasse nas Batalhas de Komaki e Nagakute. Em vez de continuar lutando, os dois homens optaram por um acordo. Em 1586, Ieyasu se submeteu formalmente a Hideyoshi, que lhe dera a irmã em casamento e enviara a própria mãe como refém para tranquilizá-lo.
Em 1590, depois que a campanha de Hideyoshi destruiu os Hōjō de Odawara, Ieyasu foi transferido de suas províncias natais para a planície de Kantō, no leste, um território maior, porém distante. Ele escolheu a pequena cidade-castelo de Edo como sua sede e começou a desenvolvê-la. Essa transferência, frequentemente vista como uma tentativa de mantê-lo longe do centro, deu-lhe uma base de poder grande e compacta.
Quando Hideyoshi invadiu a Coreia em 1592 e 1597, Ieyasu ficou estacionado no quartel-general de Nagoya, em Hizen, no norte de Kyushu, mas não enviou suas tropas para o mar. Como resultado, evitou as pesadas perdas sofridas por muitos daimyos ocidentais.
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Sekigahara, 1600
Hideyoshi morreu em 1598, deixando um filho de cinco anos, Hideyori. Ele havia nomeado um Conselho de Cinco Anciãos, do qual Ieyasu era o mais poderoso, e cinco comissários para governar até o menino crescer. Ieyasu logo começou a fazer alianças matrimoniais e a agir de forma independente, alarmando o administrador Ishida Mitsunari e outros leais à casa Toyotomi.
Em 1600, enquanto Ieyasu liderava um exército contra Uesugi Kagekatsu no nordeste, Mitsunari e seus aliados levantaram um “Exército Ocidental”. Ieyasu voltou com seu “Exército Oriental”, que incluía muitos daimyos que não gostavam de Mitsunari. Em 21 de outubro de 1600, os dois exércitos se encontraram em Sekigahara, um vale na Província de Mino. Durante a batalha, vários comandantes ocidentais, mais famosamente Kobayakawa Hideaki, mudaram de lado ou ficaram fora do combate, e o Exército Ocidental entrou em colapso em um único dia.
Depois da vitória, Ieyasu executou Mitsunari e outros líderes, confiscou ou reduziu as terras daqueles que se opuseram a ele, e redistribuiu território para recompensar seus aliados e parentes. Essa remodelação do mapa do Japão lançou as bases do poder Tokugawa.
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Fundando o xogunato e pondo fim aos Toyotomi
Em 1603, o imperador Go-Yōzei nomeou Ieyasu sei-i taishōgun, o título ocupado pelos governantes militares das eras Kamakura e Muromachi. Diferente desses regimes, ele governou a partir de Edo, e não de Kyoto. Ordenou que os daimyos fornecessem mão de obra e materiais para reconstruir o Castelo de Edo em uma escala enorme, um projeto que ao mesmo tempo fortalecia o xogunato e drenava os recursos de rivais em potencial.
Em 1605, Ieyasu passou o título de xogum a seu filho Hidetada, sinalizando que o cargo seria hereditário na casa Tokugawa. Mudou-se para Sunpu, mas como ōgosho, “senhor aposentado”, manteve o controle das grandes decisões políticas, cercado de conselheiros que incluíam funcionários, monges budistas, o erudito confucionista Hayashi Razan, mercadores e o piloto inglês William Adams.
O último obstáculo era Toyotomi Hideyori, que permanecia no Castelo de Osaka com grande riqueza e prestígio. Em 1614, Ieyasu aproveitou a inscrição em um sino de templo fundido para Hideyori, alegando que o insultava, e lançou a Campanha de Inverno contra Osaka. Depois de uma trégua e do aterramento dos fossos do castelo, a Campanha de Verão de 1615 terminou com a queda do Castelo de Osaka e a morte de Hideyori e de sua mãe, Yodo-dono. A linhagem Toyotomi foi extinta.
Em 1615, o regime emitiu leis para as casas militares (Buke shohatto), regras para a corte imperial e a nobreza, e uma ordem limitando cada domínio a um único castelo. Ieyasu morreu em Sunpu em 1 de junho de 1616, provavelmente de uma doença estomacal, talvez câncer. A história contada há muito tempo de que ele morreu por comer douradinho frito é duvidosa, já que ele adoeceu meses antes de sua morte.
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Como funcionava o sistema Tokugawa
Os historiadores chamam o sistema fundado por Ieyasu de sistema bakuhan, combinando o bakufu (o governo do xogum) e o han (os domínios). O xogunato controlava diretamente grandes territórios, cidades importantes como Kyoto, Osaka e Nagasaki, e minas importantes. Os daimyos governavam seus próprios domínios com considerável autonomia, mas sob regras definidas por Edo.
Os daimyos eram classificados por sua relação com os Tokugawa: shinpan (parentes), fudai (vassalos hereditários que haviam seguido os Tokugawa antes de Sekigahara) e tozama (senhores “de fora” que haviam se submetido depois). Os daimyos fudai eram colocados em locais estratégicos e ocupavam os cargos do xogunato, enquanto poderosos tozama, como os Shimazu de Satsuma e os Mōri de Chōshū, eram mantidos afastados do governo central. Dois séculos depois, esses mesmos domínios tozama liderariam o movimento que derrubou o xogunato.
O xogunato também regulava a relação entre guerreiros e outros grupos. Esperava-se que os guerreiros vivessem em cidades-castelo, que os camponeses cultivassem a terra e pagassem impostos em arroz, e o regime vigiava de perto as instituições religiosas. Muitas características frequentemente associadas aos Tokugawa, como o sistema de comparecimento alternado em Edo e os limites rígidos ao contato estrangeiro, tomaram sua forma madura sob o filho e o neto de Ieyasu, mas se construíram sobre suas fundações.
Intermediário
Relações exteriores: Coreia, Europa e cristianismo
Ieyasu herdou uma relação hostil com a Coreia depois das invasões de Hideyoshi. Ele agiu para restaurar a paz, em parte por causa do comércio por meio da família Sō, de Tsushima. Em 1604–1605, o monge e enviado coreano Samyeong (Yujeong) viajou ao Japão, encontrou-se com Ieyasu em Fushimi e organizou o retorno de cativos. Em 1607, uma embaixada coreana veio a Edo e Sunpu, oficialmente descrita como uma missão para responder a uma carta e trazer cativos de volta, e em 1609 o Tratado de Kiyū (Giyu) com Tsushima reabriu o comércio regulado em Busan. Embaixadas coreanas posteriores ao Japão surgiram desse acordo.
Ieyasu era curioso sobre a Europa. Em 1600, o navio holandês De Liefde chegou a Kyushu, e seu piloto inglês, William Adams, tornou-se seu conselheiro em assuntos de navios, comércio e relações exteriores. Os holandeses abriram um posto comercial em Hirado em 1609, e os ingleses em 1613. O xogunato também licenciava mercadores japoneses para comerciar por todo o Sudeste Asiático em “navios de selo vermelho”.
No início, Ieyasu tolerou missionários cristãos em benefício do comércio, mas sua atitude se endureceu. Depois de um escândalo de suborno envolvendo um funcionário cristão, o xogunato proibiu o cristianismo em suas próprias terras em 1612 e em todo o país a partir do final de 1613, expulsou missionários em 1614 e exilou proeminentes cristãos japoneses, como Takayama Ukon. A perseguição que se seguiu, e as restrições posteriores da década de 1630, moldaram as relações do Japão com o mundo exterior por dois séculos.
Em 1609, com permissão do xogunato, os Shimazu de Satsuma invadiram o Reino de Ryukyu, que a partir de então prestava tributo tanto à China quanto a Satsuma.
Intermediário
Livros, erudição e deificação
Ieyasu valorizava o conhecimento prático. Contemporâneos registraram que ele gostava dos Analectos, da Doutrina do Meio, dos Registros do Grande Historiador de Sima Qian, do clássico político chinês Fundamentos de Governo da Era Zhenguan e do Azuma kagami, uma crônica do xogunato Kamakura. Ele patrocinou projetos de impressão, primeiro com tipos móveis de madeira em Fushimi e depois, em Sunpu, com tipos móveis de cobre; a impressão de tipos móveis japonesa nesse período se apoiou em tipos e técnicas coreanas trazidos durante as invasões.
Ele empregou o erudito confucionista Hayashi Razan, discípulo de Fujiwara Seika, cujo estudo neoconfucionista fora estimulado pelo contato com o erudito coreano Kang Hang, um cativo no Japão depois das invasões. A família Hayashi mais tarde dirigiu o estudo confucionista oficial sob o xogunato, embora o budismo e o xintoísmo continuassem centrais no mundo religioso de Ieyasu.
Ieyasu desejava se tornar uma divindade protetora para seus descendentes. Depois de sua morte, foi sepultado em Kunōzan, perto de Sunpu, e, em 1617, consagrado em Nikkō sob o título divino de Tōshō Daigongen, “Grande Avatar que Ilumina o Leste”. Seu neto Iemitsu reconstruiu o Nikkō Tōshōgū de forma suntuosamente decorada na década de 1630. Junto com santuários e templos próximos, é Sítio do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1999.
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Imagens de Ieyasu: deus, conspirador, modelo de gestão
Sob os Tokugawa, Ieyasu era venerado como Tōshō Daigongen, e as histórias oficiais o apresentavam como um fundador sábio. Depois da Restauração Meiji de 1868, o novo governo, que havia derrubado seus descendentes, promoveu uma história centrada no imperador, na qual o xogunato aparecia como um obstáculo, e Ieyasu era frequentemente retratado como um “velho texugo” (tanuki oyaji) astuto e calculista que havia enganado os Toyotomi.
No século XX, sua imagem mudou de novo. Um longo romance popular de Yamaoka Sōhachi, publicado a partir de 1950, o retratou como um paciente buscador da paz, e no Japão do pós-guerra ele foi amplamente lido como um modelo de liderança e gestão. Dramas televisivos continuam a reinterpretá-lo, às vezes como um jovem hesitante e ansioso que amadurece até se tornar um governante.
Vários ditos famosos atribuídos a Ieyasu são invenções posteriores. Os versos do hototogisu (cuco) que comparam os três unificadores vêm de escritos posteriores. O conhecido “testamento” que começa “A vida é como caminhar por uma longa estrada carregando um fardo pesado” é considerado por estudiosos japoneses uma falsificação da era Meiji, modelada em um texto atribuído a Tokugawa Mitsukuni; um conjunto relacionado de ensinamentos, o Tōshōgū goikun, também tem autenticidade duvidosa. Esses ditos nos dizem mais sobre como as gerações posteriores queriam ver Ieyasu do que sobre o próprio homem.
Na Coreia, as visões sobre Ieyasu tendem a ser relativamente favoráveis em comparação com as de Hideyoshi, porque ele pôs fim ao regime Toyotomi e restaurou as relações diplomáticas. Os funcionários de Joseon também entendiam seu governo como uma continuação dos antigos xogunatos Kamakura e Muromachi.
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Fontes e debates
Grande parte do que se conta sobre Ieyasu vem de fontes escritas por seus seguidores ou pelo xogunato. O Mikawa monogatari, um memorial do vassalo Tokugawa Ōkubo Tadataka escrito na década de 1620, é vívido mas parcial. O Tokugawa jikki oficial, compilado no século XIX, apoiou-se em registros anteriores, mas foi escrito para glorificar a dinastia. Diários contemporâneos como o Ietada nikki, de um vassalo Matsudaira, cartas e documentos, e registros do lado Oda, como o Shinchō kōki, fornecem verificações importantes.
Os historiadores ainda debatem episódios-chave. As mortes de 1579 da Dama Tsukiyama e de Nobuyasu foram explicadas ora como uma exigência de Nobunaga, ora como resultado de uma conspiração real com os Takeda, ora como consequência de um conflito dentro da casa Tokugawa entre facções de Okazaki e Hamamatsu. Pesquisas recentes sobre Sekigahara questionaram detalhes dramáticos, como a história de que Ieyasu ordenou que suas tropas disparassem contra a posição de Kobayakawa Hideaki para forçá-lo a desertar, e reexaminaram quando as deserções realmente aconteceram.
A política externa do início do xogunato também é debatida. A ideia mais antiga de um “país fechado” (sakoku) foi contestada por historiadores como Ronald Toby, que destacou que o xogunato mantinha relações administradas com a Coreia, as ilhas Ryukyu, os ainu, a China e os holandeses, e usava a diplomacia para sustentar sua própria legitimidade. Pesquisas sobre as relações Japão-Coreia também mostraram que a família Sō de Tsushima alterou cartas oficiais no início do século XVII para facilitar a restauração das relações, um fato exposto na década de 1630.
Por fim, os historiadores avaliam o quanto da ordem Tokugawa foi desenho de Ieyasu e o quanto foi desenvolvido por seus sucessores. A maioria o vê como o fundador que garantiu a supremacia militar e estabeleceu princípios básicos, enquanto as instituições do xogunato maduro tomaram forma ao longo das décadas seguintes.
Ideias principais
- Três unificadores
- Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu, que sucessivamente puseram fim ao período dos Estados Guerreiros e unificaram o Japão.
- Xogunato (bakufu)
- Um governo chefiado pelo xogum, o representante militar do imperador; o xogunato Tokugawa governou a partir de Edo de 1603 a 1867.
- Sistema bakuhan
- O equilíbrio entre o governo do xogum e os domínios semiautônomos dos daimyos.
- Paciência e cálculo
- A reputação de Ieyasu se apoia em esperar oportunidades, administrar alianças e evitar perdas desnecessárias.
- Restauração das relações com a Coreia
- Depois das invasões de Hideyoshi, o governo de Ieyasu devolveu cativos e reabriu a diplomacia e o comércio com Joseon.
- Contato estrangeiro controlado
- A abertura inicial ao comércio europeu deu lugar à proibição do cristianismo e a relações exteriores cada vez mais administradas.
- Fundador deificado
- Ieyasu foi adorado após a morte como Tōshō Daigongen, o que deu à dinastia legitimidade tanto religiosa quanto política.
Registros
- 1543 — Nasce no Castelo de Okazaki, na Província de Mikawa.
- 1549 — É levado como refém para Sunpu, capital dos Imagawa, depois de dois anos com os Oda.
- 1560 — Imagawa Yoshimoto é morto em Okehazama; Ieyasu retorna a Okazaki.
- 1562 — Aliança com Oda Nobunaga.
- 1573 — Derrotado por Takeda Shingen em Mikatagahara.
- 1582 — Nobunaga morre em Honnō-ji; Ieyasu escapa pela região de Iga e se expande para cinco províncias.
- 1590 — Transferido para a região de Kantō; faz de Edo sua base.
- 1600 — Vence a Batalha de Sekigahara.
- 1603 — Nomeado xogum; começa o xogunato Tokugawa.
- 1607 — Uma embaixada coreana visita Edo e Sunpu, restaurando as relações após as invasões.
- 1615 — O Castelo de Osaka cai; a linhagem Toyotomi termina; leis para as casas militares são emitidas.
- 1616 — Morre em Sunpu; é consagrado em Nikkō no ano seguinte como Tōshō Daigongen.
Glossário
- Daimyo
- Um senhor militar regional que governava um domínio e comandava seus próprios guerreiros.
- Xogum
- Abreviação de sei-i taishōgun, o título do governante militar supremo do Japão, concedido pelo imperador.
- Período Sengoku
- O período dos Estados Guerreiros da guerra civil japonesa, aproximadamente do final do século XV ao final do século XVI.
- Ōgosho
- Um xogum aposentado que continuava a exercer o poder, como Ieyasu fez em Sunpu a partir de 1605.
- Fudai e tozama
- Vassalos hereditários dos Tokugawa e senhores “de fora” que se submeteram depois de Sekigahara.
- Buke shohatto
- As leis para as casas militares, emitidas pela primeira vez em 1615, regulando a conduta dos daimyos.
- Edo
- A cidade-castelo que se tornou a capital do xogum e, depois de 1868, foi renomeada Tóquio.
- Tōshō Daigongen
- O título divino de Ieyasu após a morte, “Grande Avatar que Ilumina o Leste”.
- Navios de selo vermelho
- Navios mercantes japoneses licenciados pelo xogunato para navegar até o Sudeste Asiático no início do século XVII.
Perguntas e respostas
Ieyasu era o imperador do Japão?
Não. O imperador permaneceu em Kyoto como a fonte formal de autoridade. Ieyasu ocupava o título de xogum, que lhe dava poder militar e político em nome do imperador.
Por que Ieyasu escolheu Edo?
Hideyoshi o transferiu para a região de Kantō em 1590, e ele escolheu Edo como sua base. Tinha um bom porto e espaço para crescer, e se tornou uma das maiores cidades do mundo.
Ieyasu lutou nas invasões da Coreia?
Não. Ele ficou estacionado no quartel-general japonês no norte de Kyushu, mas não enviou suas tropas para a Coreia. Depois da morte de Hideyoshi, trabalhou para restaurar as relações com Joseon.
A história do hototogisu é verdadeira?
Não. Os versos que comparam Nobunaga, Hideyoshi e Ieyasu pelo tratamento que dariam a um cuco que não canta foram escritos muito depois, mas refletem imagens populares dos três homens.
Por que Ieyasu se aposentou apenas dois anos depois de se tornar xogum?
Passar o título a seu filho Hidetada mostrou que o cargo permaneceria na família Tokugawa, enquanto Ieyasu mantinha o poder real como xogum aposentado.
Ieyasu fechou o Japão para o mundo?
Não completamente. Ele incentivou o comércio exterior e contratou um conselheiro europeu, mas proibiu o cristianismo. Os limites mais rígidos ao contato estrangeiro vieram na década de 1630, sob seu neto, e mesmo assim o Japão manteve relações administradas com vários vizinhos.
Quão confiáveis são as histórias sobre Ieyasu?
Muitas vêm de relatos escritos por seus seguidores ou pelo xogunato, que tendiam a glorificá-lo, ou de ficção posterior. Os historiadores as comparam com diários, cartas e registros de outros lados.
Fontes e leituras adicionais
- Tokugawa Ieyasu. Wikipedia
- 徳川家康. ウィキペディア
- 도쿠가와 이에야스. 위키백과
- Battle of Sekigahara. Wikipedia
- Tokugawa shogunate. Wikipedia
- Joseon missions to Japan. Wikipedia
- Nikkō Tōshō-gū. Wikipedia
- Shrines and Temples of Nikko. UNESCO World Heritage Centre
- Ronald P. Toby, State and Diplomacy in Early Modern Japan: Asia in the Development of the Tokugawa Bakufu. Princeton University Press, 1984
- Conrad Totman, Tokugawa Ieyasu: Shogun. Heian International, 1983
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