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Para jovens leitores
Na cidade de Edirne, no extremo noroeste da Turquia, perto da Grécia e da Bulgária, um edifício enorme fica no alto de uma colina. É uma mesquita, um lugar onde os muçulmanos rezam, e se chama Mesquita Selimiye. Dá para vê-la de quase qualquer ponto da cidade.
Ela foi construída há cerca de 450 anos para um sultão otomano chamado Selim II. O homem que a projetou foi o arquiteto mais famoso do Império Otomano, Sinan. Ele tinha cerca de oitenta anos quando a construiu, e disse que era sua melhor obra.
Lá dentro, você fica sob um enorme teto redondo chamado cúpula. É tão larga que uma baleia-azul poderia se deitar sobre ela, e parece flutuar no ar. Sinan escondeu os apoios pesados dentro das paredes, então o ambiente parece um grande espaço aberto, cheio de luz vinda de centenas de janelas.
Nos quatro cantos ficam quatro torres altas e finas chamadas minaretes, de onde tradicionalmente se cantava o chamado à oração. Cada uma tem aproximadamente a altura de um prédio de 20 andares. Parecem lápis apontando para o céu e ajudam a emoldurar a cúpula.
A mesquita não foi construída sozinha. Ao seu redor havia escolas para estudar o Alcorão e os ditos do Profeta, uma escola para crianças pequenas e um mercado coberto. Hoje, duas das antigas escolas são museus, e todo o complexo é um Patrimônio Mundial da UNESCO.
Em resumo
- Construída
- 1568/69 – 1574/75 (a inscrição dá o início como 976 AH; aberta para oração em março de 1575, após a morte de Selim II em dezembro de 1574)
- Localização
- Edirne (a histórica Adrianópolis), Trácia Oriental, Turquia; em uma colina no centro da cidade
- Patrono
- Sultão Selim II (r. 1566–1574), filho de Solimão, o Magnífico
- Arquiteto
- Mimar Sinan (c. 1488/90–1588), arquiteto-chefe da corte otomana
- Cúpula principal
- Cerca de 31,3 m de diâmetro e cerca de 42–43 m de altura (os números variam ligeiramente conforme a fonte), apoiada em oito pilares
- Minaretes
- Quatro, cada um com cerca de 70,9 m de altura (sem o pináculo), entre os mais altos já construídos no mundo otomano
- Complexo (külliye)
- Mesquita com pátio, duas madraçás, escola primária e mercado coberto (arasta), em um recinto murado de cerca de 130 × 190 m
- Status
- Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2011 (Mesquita Selimiye e seu Complexo Social)
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O que é a Mesquita Selimiye?
A Mesquita Selimiye (Selimiye Camii) é uma mesquita imperial, uma mesquita encomendada por um sultão otomano, na cidade de Edirne, no noroeste da Turquia. Foi construída para o sultão Selim II pelo arquiteto da corte, Sinan, e concluída em 1575. Seu nome simplesmente significa "a mesquita de Selim".
Uma mesquita é um lugar onde os muçulmanos se reúnem para orar, especialmente na oração congregacional de sexta-feira. As grandes mesquitas imperiais eram mais do que lugares de culto. Ficavam no centro de uma külliye, um complexo de edifícios beneficentes e educacionais mantido por uma doação religiosa (waqf), e anunciavam a piedade e o poder do governante que as construiu.
Em uma mesquita, os fiéis rezam em fileiras voltadas para Meca, direção marcada pelo mihrab. Cinco vezes ao dia, o chamado à oração era tradicionalmente cantado dos minaretes, e às sextas-feiras a comunidade se reunia para a oração e o sermão do meio-dia. Para os otomanos, construir uma mesquita assim também era um ato de caridade cuja recompensa espiritual se acreditava continuar enquanto as pessoas ali rezassem, razão pela qual os fundadores dotavam suas mesquitas tão generosamente.
A Selimiye é famosa, sobretudo, por sua cúpula, que cobre o salão de oração em um único arco, e por seus quatro minaretes muito altos. O próprio Sinan a chamou de sua obra-prima, e muitos historiadores a consideram o ápice da arquitetura otomana clássica. Em 2011, a mesquita e seu complexo foram acrescentados à Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
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Por que Edirne?
Edirne foi fundada em tempos romanos pelo imperador Adriano como Hadrianópolis, conhecida em português como Adrianópolis. Os otomanos tomaram a cidade na década de 1360 e a tornaram sua capital até a conquista de Constantinopla (Istambul) em 1453. Mesmo depois, ela continuou sendo uma das cidades mais importantes do império, residência favorita dos sultões e ponto-chave na grande estrada de Istambul para os Bálcãs.
Os sultões geralmente construíam suas grandes mesquitas em Istambul, então a escolha de Edirne por Selim II precisa de explicação. Os historiadores sugerem várias razões. Selim havia governado a cidade como príncipe e a amava; não havia mais colinas de destaque livres em Istambul sem uma desapropriação em massa; e, segundo algumas visões da época, esperava-se que um sultão tivesse vencido uma campanha antes de construir uma mesquita imperial na capital, o que Selim ainda não havia feito.
Uma história posterior, contada pelo viajante Evliya Çelebi, diz que o profeta Maomé apareceu a Selim em um sonho e lhe pediu que construísse uma mesquita para celebrar a conquista do Chipre. Como as obras começaram antes da conquista do Chipre em 1571, os historiadores tratam isso como lenda. É verdade, no entanto, que a parte do sultão nos espólios do Chipre ajudou a pagar pela mesquita e por sua dotação.
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Sinan, o arquiteto-chefe
Sinan nasceu por volta de 1488–1490 na vila de Ağırnas, perto de Kayseri, na Anatólia central, em uma família cristã; sua origem exata é disputada. Em 1512, foi recrutado para o serviço otomano por meio do devshirme, o recrutamento de meninos cristãos, convertido ao islã e treinado como janízaro. Em campanhas militares, tornou-se um construtor especialista em pontes, fortificações e navios.
Em 1539, foi nomeado arquiteto-chefe da corte, cargo que ocupou por quase cinquenta anos, até sua morte em 1588. Chefiou um grande departamento de arquitetos e construtores, sendo creditado com mais de trezentos edifícios, de mesquitas e madraçás a pontes, banhos e aquedutos por todo o império.
Em suas memórias, ditadas a seu amigo Sa'i Mustafa Çelebi, Sinan descreveu três etapas de sua carreira: a Mesquita Şehzade em Istambul como a obra de seu aprendizado, a Mesquita Süleymaniye como a obra de seus anos de oficial, e a Selimiye em Edirne como a obra de sua maestria. Ele tinha cerca de oitenta anos quando a projetou.
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Construindo a mesquita: local, dinheiro e mão de obra
O local escolhido foi uma colina no centro de Edirne, acima da Mesquita Antiga da cidade, em um terreno antes ocupado pelo primeiro palácio otomano na cidade (o Palácio Antigo) e por quarteis de guardas palacianos; as fontes também chamam a área de Sarıbayır ou Kavak Meydanı. Em março de 1568, Selim II pediu a Sinan que renovasse a Mesquita Antiga, e os planos para a nova mesquita imperial no topo da colina provavelmente foram traçados na mesma época. A inscrição de fundação data o início das obras em 976 AH, ou seja, 1568.
O reinado de Selim II foi dominado por seu poderoso grão-vizir, Sokollu Mehmed Pasha. A conquista do Chipre, tomado de Veneza em 1571, trouxe riqueza e prestígio, ainda que a frota otomana tenha sido derrotada em Lepanto no mesmo ano. A parte do sultão nos espólios cipriotas foi usada para financiar a mesquita e sua dotação. Selim morreu em dezembro de 1574; a inauguração havia sido planejada para uma sexta-feira de novembro de 1574, mas a mesquita só foi aberta para o culto em 14 de março de 1575.
Sinan não trabalhou sozinho. Como arquiteto-chefe, chefiava um grande departamento da corte de arquitetos, pedreiros e artesãos, e passou longos períodos em Edirne supervisionando as obras enquanto assistentes cuidavam de outras encomendas. Alguns elementos vieram de outros lugares: diz-se que as portas de madeira da entrada do salão de oração vieram da Grande Mesquita (Ulu Cami) de Birgi, no oeste da Anatólia. Detalhes práticos foram cuidadosamente planejados: a mesquita era originalmente iluminada por tochas, e fontes turcas descrevem uma abertura especial que criava uma corrente de ar para levar embora a fuligem.
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Como ler o edifício
Visto de fora, o complexo está disposto ao longo de um único eixo. A mesquita consiste em dois retângulos quase iguais, cada um com cerca de 60 por 44 metros: primeiro um pátio com arcadas, depois o salão de oração. O pátio é cercado por pórticos cobertos por pequenas cúpulas, e em seu centro fica uma fonte de abluções de mármore finamente esculpida (şadırvan). O pórtico diante do salão de oração é mais alto que os outros, para corresponder à grande altura do edifício atrás dele.
Ao entrar no salão de oração, o visitante deve sentir a cúpula imediatamente. Sinan usou o que os historiadores chamam de baldaquino octogonal: a cúpula se apoia em oito pilares maciços, colocados próximos às paredes externas, ligados por arcos. Quatro pequenas meias-cúpulas preenchem os cantos. Diferente das mesquitas otomanas anteriores, onde grandes meias-cúpulas descem em cascata ao redor da cúpula central, a Selimiye apresenta um espaço unificado, no qual a cúpula domina a visão de quase qualquer ponto.
Sinan escondeu contrafortes adicionais na espessura das paredes, o que lhe permitiu abrir as paredes entre os pilares com muitas janelas. Galerias preenchem os espaços entre os pilares por dentro, correspondidas por arcadas por fora, de modo que pouco espaço de piso fica fora do centro abobadado. A luz entra de todos os lados, fazendo a enorme estrutura parecer sem peso.
Bem embaixo da cúpula fica a plataforma elevada do muezim, sobre doze pequenos arcos de mármore, com uma fonte embaixo. Colocá-la bem no centro bloqueia a visão do mihrab a partir da entrada, algo que Sinan não fez em nenhum outro lugar; os historiadores acham que ele fez isso para enfatizar a centralidade da cúpula. O mihrab (o nicho que indica a direção de Meca) está situado em um profundo ábside iluminado por três lados, e as paredes ao redor dele e o camarote privado do sultão estão cobertos com finos azulejos de Iznik.
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A cúpula e os minaretes
A cúpula principal tem cerca de 31,3 metros de diâmetro; sua altura costuma ser dada em cerca de 42 metros, embora fontes turcas citem 43,25 metros, e as medições variam ligeiramente. Por mil anos, a cúpula de Hagia Sophia, em Istambul, construída sob o imperador bizantino Justiniano na década de 530, foi o grande referencial da arquitetura em cúpula. A biografia de Sinan o registra dizendo que ele ergueu na Selimiye uma cúpula "seis côvados mais alta e quatro côvados mais larga" que a de Hagia Sophia.
Se a cúpula da Selimiye é realmente maior é algo debatido: seu diâmetro é aproximadamente igual ao de Hagia Sophia, que não é perfeitamente circular, e ela é um pouco mais alta acima de sua base. O que importa historicamente é que os escritores otomanos a apresentaram como finalmente igualando e superando o monumento bizantino, uma afirmação ligada a anedotas segundo as quais arquitetos cristãos teriam dito que os muçulmanos nunca conseguiriam construir uma cúpula assim.
Os quatro minaretes se erguem cerca de 70,9 metros do chão até o topo do fuste — algumas fontes dão 84 ou 85 metros incluindo o pináculo. Cada um tem três varandas. Em vez de colocar minaretes de tamanhos diferentes ao redor do pátio, como era costume, Sinan colocou quatro minaretes idênticos nos cantos do salão de oração, emoldurando a cúpula como os postes de um dossel. Os dois mais próximos da entrada têm três escadarias separadas que levam às três varandas. Sinan mais tarde acrescentou um par semelhante de minaretes a Hagia Sophia, reforçando a comparação.
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A külliye: escolas, mercado e dotação
A mesquita fica dentro de um recinto murado de cerca de 130 por 190 metros. Duas madraçás a flanqueiam simetricamente: a Dar'ül-Kurra, uma escola de recitação do Alcorão, e a Dar'ül-Hadis, uma escola para o estudo dos ditos do Profeta. Cada uma tem um pátio cercado por pórticos, fileiras de pequenos quartos de estudante abobadados e uma sala de aula maior, também abobadada. Ambas foram concluídas enquanto Sinan estava em Edirne supervisionando a mesquita.
Ao longo do lado sul ficam uma escola primária para crianças (sıbyan mektebi) e uma rua de mercado coberta (arasta), cujos aluguéis ajudavam a sustentar a fundação. É possível que tenham sido concluídas pelo sucessor de Sinan como arquiteto-chefe, Davud Agha, embora Sinan possa tê-las projetado.
Essa combinação de culto, educação e comércio era típica das fundações imperiais otomanas. Um waqf — uma dotação beneficente inalienável sob a lei islâmica — pagava os salários do imã, dos pregadores, dos professores e da equipe, e a manutenção dos edifícios. Legalmente, a mesquita ainda pertence à fundação do sultão Selim.
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Azulejos, pedra, caligrafia e lenda
A Selimiye foi construída durante o melhor período das oficinas cerâmicas de Iznik, e seus azulejos — especialmente ao redor do mihrab e no camarote do sultão — estão entre os melhores exemplos dessa arte, com tulipas, cravos e outras flores em cores brilhantes. O mihrab e o minbar de mármore mostram a alta qualidade do entalhe em pedra otomano, com muqarnas (abóbadas em favo de mel), painéis geométricos vazados e arabescos.
Grande parte da decoração pintada visível hoje data de restaurações do século XIX, sob o sultão Abdülmecid I, e de épocas posteriores, não da época de Sinan. O programa pintado original incluía caligrafia de Hasan Karahisari, admirada pelos escritores otomanos. Parte da decoração pintada do século XVI mais bem preservada, revelada na década de 1980, sobrevive nas superfícies de madeira da plataforma do muezim. As janelas provavelmente já foram preenchidas com vidro colorido.
Os visitantes costumam ver uma tulipa de cabeça para baixo esculpida sob um dos apoios de mármore da plataforma do muezim. Uma história popular diz que o terreno havia sido um jardim de tulipas cujo proprietário teimoso concordou em vendê-lo somente se uma tulipa fosse incluída na mesquita, e Sinan a esculpiu de cabeça para baixo para marcar a obstinação do proprietário. Trata-se de uma lenda local, não de um fato documentado, mas mostra como o edifício vive na memória popular.
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História posterior: guerras, cicatrizes e restaurações
O próprio Sinan realizou os primeiros reparos em 1584, depois de danos causados por um raio. Um terremoto em 1752 causou danos menores, e o interior foi rebocado e repintado em meados do século XIX. Entre 1865 e 1868, Baháʼu'lláh, fundador da Fé Baháʼí, viveu como exilado otomano em uma casa próxima e visitava a mesquita com frequência.
A posição de Edirne em uma fronteira disputada trouxe guerra à mesquita. Durante a Guerra Russo-Turca de 1877–1878, azulejos do camarote do sultão foram retirados e levados para Moscou. No Cerco de Adrianópolis em 1913, durante a Primeira Guerra dos Bálcãs, a cúpula foi atingida por fogo de artilharia; Atatürk mais tarde ordenou que a cicatriz fosse deixada sem reparo, como lembrança para as futuras gerações. Alguns dos tapetes mais antigos da mesquita foram levados por tropas búlgaras em retirada no fim da Segunda Guerra dos Bálcãs.
A mesquita foi restaurada entre 1954 e 1971, e novamente em 1982–1984. Ela apareceu no verso das notas turcas de 10.000 liras entre 1982 e 1995. Uma grande restauração começou em 2021. A madraçá Dar'ül-Kurra hoje abriga o Museu da Fundação Selimiye (aberto em 2006), e a Dar'ül-Hadis abriga o Museu de Artes Turcas e Islâmicas de Edirne.
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Uma obra-prima em contexto: leituras acadêmicas
Os historiadores da arquitetura otomana concordam sobre a importância da Selimiye, mas a enquadram de maneiras diferentes. Gülru Necipoğlu, em The Age of Sinan (2005), situa as mesquitas de Sinan dentro de um sistema preciso de decoro: o tamanho, o número de minaretes, os materiais e a localização de cada edifício refletiam a hierarquia de seu patrono, de sultões a vizires e princesas. A Selimiye, com quatro minaretes de três varandas cada, está no topo dessa hierarquia, embora sua localização provincial exigisse uma justificativa especial.
Doğan Kuban e outros enfatizam a conquista espacial e estrutural: o baldaquino octogonal, que Sinan já havia testado antes em escala menor, alcançou aqui sua forma mais completa, produzindo um espaço unificado e centralizado. A maestria de Sinan em resolver problemas assim é uma das razões pelas quais ele é frequentemente comparado a seu contemporâneo Michelangelo. Os estudiosos discordam sobre detalhes — por exemplo, se a fonte de abluções sem teto ficou inacabada (Kuban) ou foi deixada aberta intencionalmente para emoldurar a visão da cúpula (Necipoğlu).
A comparação com Hagia Sophia é, em si, uma fonte histórica. Ela reflete as ambições otomanas de apresentar seu império como herdeiro e rival de Roma e de Bizâncio. Os escritores modernos não devem tomar as afirmações dos biógrafos de Sinan ao pé da letra, nem reduzir o edifício a uma disputa de dimensões: sua conquista está tanto na integração de estrutura, luz e no espaço unificado da oração comunitária.
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Fontes, legado e questões de conservação
Nosso conhecimento da história do edifício se baseia em vários tipos de evidência: a inscrição de fundação e os registros de dotação; os textos autobiográficos de Sinan, especialmente o Tezkiretü'l-Bünyan, compilado por Sa'i Mustafa Çelebi, que elogia suas obras em um estilo literário e às vezes exagerado; o relato de viagem de Evliya Çelebi, rico em lendas; e o próprio tecido físico do edifício, que foi alterado por reparos e repinturas ao longo de quatro séculos.
A conservação levanta suas próprias questões. Grande parte do que os visitantes veem por dentro é pintura do século XIX, não decoração do século XVI, e os restauradores precisam decidir até que ponto revelar ou reconstruir camadas anteriores. A preservação deliberada dos danos de guerra na cúpula é um exemplo de um monumento usado para a memória nacional. A remoção de azulejos para a Rússia e de tapetes por exércitos em retirada também ilustra como os conflitos de fronteira moldaram o objeto que vemos hoje.
O projeto da Selimiye influenciou edifícios posteriores, da Mesquita Laleli do século XVIII, em Istambul, a mesquitas modernas como a Mesquita Central Sabancı em Adana (1998) e a Mesquita Nizamiye, na África do Sul. Sua inscrição na UNESCO em 2011 reconheceu a mesquita e seu complexo social juntos, refletindo uma visão acadêmica mais ampla de que as mesquitas otomanas devem ser compreendidas como partes de instituições urbanas, não como monumentos isolados.
Ideias principais
- Cúpula única e dominante
- O salão de oração é projetado para que uma grande cúpula seja visível e dominante de quase qualquer ponto interno.
- Baldaquino octogonal
- Oito pilares ligados por arcos sustentam a cúpula, reduzindo o espaço ocupado pelos apoios.
- Contraforte oculto
- Contrafortes são embutidos nas paredes, liberando as paredes entre eles para muitas janelas.
- Minaretes que emolduram
- Quatro minaretes idênticos nos cantos do salão de oração emolduram a cúpula à distância.
- Külliye e waqf
- Mesquita, escolas e mercado formam um único complexo financiado por uma dotação perpétua.
- Rivalidade com Hagia Sophia
- Os escritores otomanos apresentaram a cúpula como igualando e superando a grande igreja bizantina.
- Decoro arquitetônico
- Tamanho, minaretes e localização das mesquitas de Sinan refletiam a hierarquia de seus patronos.
Registros
- c. 124 d.C. — O imperador Adriano refunda a cidade como Hadrianópolis.
- c. 1369 — Os otomanos tomam Adrianópolis (datas entre 1361 e 1369 são propostas) e a tornam sua capital.
- 1453 — A capital otomana se muda para Istambul após a conquista de Constantinopla.
- 1539 — Sinan se torna arquiteto-chefe da corte otomana.
- 1566 — Selim II sucede Solimão, o Magnífico.
- 1568 — Começa a construção da Selimiye (976 AH; algumas fontes dizem 1569).
- 1571 — Conquista do Chipre; os espólios ajudam a financiar a dotação da mesquita.
- 1574 — Selim II morre em dezembro, antes de a mesquita ficar pronta.
- 1575 — A mesquita é aberta para oração (14 de março de 1575).
- 1588 — Morte de Sinan.
- 1913 — A cúpula é danificada por artilharia durante o Cerco de Adrianópolis.
- 2011 — A mesquita e seu complexo social são inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
Glossário
- Mesquita (cami)
- Um lugar de oração muçulmano; um cami é uma grande mesquita para a oração congregacional de sexta-feira.
- Külliye
- Um complexo otomano de edifícios religiosos, educacionais e beneficentes agrupados em torno de uma mesquita.
- Waqf (vakıf)
- Uma dotação beneficente permanente sob a lei islâmica que financia uma mesquita ou outra instituição.
- Minarete
- Uma torre alta ao lado de uma mesquita, de onde se faz o chamado à oração.
- Mihrab
- Um nicho na parede de uma mesquita que mostra a direção de Meca.
- Minbar
- O púlpito escalonado de onde o sermão de sexta-feira é proferido.
- Meia-cúpula
- Uma cúpula pela metade que sustenta ou estende uma cúpula principal.
- Madraçá (medrese)
- Uma escola de estudos islâmicos superiores.
- Azulejos de Iznik
- Azulejos de cerâmica vidrada da cidade de Iznik, famosos no século XVI por suas cores brilhantes.
- Devshirme
- O recrutamento otomano de meninos cristãos que eram convertidos e treinados para o serviço estatal ou militar.
Perguntas e respostas
Por que se chama Selimiye?
Significa "de Selim": foi construída para o sultão Selim II, filho de Solimão, o Magnífico.
A cúpula é maior que a de Hagia Sophia?
Os biógrafos de Sinan afirmavam que era um pouco mais alta e mais larga. Na verdade, as duas cúpulas têm aproximadamente o mesmo diâmetro, e as medições diferem; a cúpula da Selimiye é um pouco mais alta.
Por que há quatro minaretes?
Na época de Sinan, mesquitas com vários minaretes de múltiplas varandas eram geralmente reservadas aos sultões. Quatro minaretes altos e iguais nos cantos mostravam hierarquia imperial e emolduravam a cúpula.
As pessoas ainda podem rezar lá?
Sim. É uma mesquita ativa, além de ser um Patrimônio Mundial, então os visitantes devem respeitar os horários de oração e se vestir adequadamente.
Quão confiável é a história de que Sinan a construiu para superar Hagia Sophia?
A afirmação vem das próprias memórias de Sinan e da tradição posterior. Ela certamente reflete as ambições otomanas, mas as anedotas sobre arquitetos cristãos zombando dos muçulmanos devem ser tratadas como evidência literária, e não documental.
Quanto da decoração interna é original?
Os azulejos e a pedra esculpida são, em grande parte, do século XVI, mas a maior parte da decoração pintada data de restaurações do século XIX e posteriores; a pintura original sobrevive principalmente na plataforma do muezim.
Por que a mesquita foi construída em Edirne, e não em Istambul?
As razões sugeridas incluem o apego de Selim à cidade, a falta de locais livres no alto de colinas em Istambul, a importância estratégica de Edirne, e a visão de que um sultão precisava de uma campanha vitoriosa antes de construir na capital.
Fontes e leituras adicionais
- Selimiye Mosque, Edirne. Wikipedia
- Mimar Sinan. Wikipedia
- Selimiye Camii. Wikipedia (Turkish)
- Edirne. Wikipedia
- Selim II. Wikipedia
- 셀리미예 모스크 (에디르네). Wikipedia (Korean)
- Gülru Necipoğlu, The Age of Sinan: Architectural Culture in the Ottoman Empire. Reaktion Books, London, 2005
- Doğan Kuban (trans. Adair Mill), Ottoman Architecture. Antique Collectors' Club, 2010
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
