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Para jovens leitores
William Shakespeare nasceu em 1564 em Stratford-upon-Avon, uma pequena cidade comercial da Inglaterra. Seu pai fabricava luvas e era uma pessoa importante na cidade. William estudou na escola local. Lá, as crianças passavam muitas horas por dia aprendendo latim e lendo poemas e peças da Roma antiga.
Quando era jovem, ele se mudou para Londres, uma cidade grande e movimentada. Lá, virou ator e começou a escrever peças. Os teatros de Londres eram lugares barulhentos e animados. Milhares de pessoas, ricas e pobres, iam ver lutas de espada, fantasmas, reis, palhaços e casais apaixonados. Como não havia luz elétrica, as peças costumavam ser apresentadas à tarde, em teatros ao ar livre.
Shakespeare escreveu cerca de 39 peças. Algumas são comédias: são engraçadas e terminam em casamentos. Em Sonho de uma Noite de Verão, por exemplo, fadas pregam peças em pessoas apaixonadas numa floresta. Outras são tragédias, histórias tristes que terminam com mortes, como Romeu e Julieta, Hamlet e Macbeth. Há também peças sobre os reis da Inglaterra. Ele escreveu ainda 154 poemas curtos chamados sonetos.
Ele sabia usar muito bem as palavras. Escreveu muitos versos com um ritmo parecido com o das batidas do coração: ta-TUM, ta-TUM, ta-TUM, ta-TUM, ta-TUM. Muitas expressões que as pessoas ainda usam em inglês apareceram pela primeira vez por escrito em suas peças ou ficaram famosas por causa delas.
Shakespeare morreu em 1616. Sete anos depois, dois amigos atores reuniram suas peças num livro grande, hoje chamado Primeiro Fólio. Sem esse livro, cerca de metade das peças poderia ter se perdido para sempre. Hoje elas são traduzidas para muitas línguas e apresentadas em vários lugares, do reconstruído Teatro Globe, em Londres, a palcos de Seul, Tóquio, Lagos e São Paulo.
Em resumo
- Vida
- Batizado em 26 de abril de 1564, em Stratford-upon-Avon; morreu em 23 de abril de 1616, em Stratford-upon-Avon (datas do calendário juliano)
- Período de atividade
- Cerca de 1589–1613, como ator, dramaturgo e sócio de companhias teatrais de Londres
- País
- Reino da Inglaterra sob Elizabeth I e Jaime I
- Companhias
- Lord Chamberlain’s Men (a partir de 1594), rebatizada King’s Men (1603)
- Obras
- Cerca de 39 peças (algumas escritas em colaboração), 154 sonetos e poemas narrativos, entre eles Vênus e Adônis (1593) e O Rapto de Lucrécia (1594)
- Teatros
- The Theatre, o Globe (construído em 1599) e o teatro fechado Blackfriars (a partir de 1608)
- Edição reunida
- O Primeiro Fólio (1623), organizado por John Heminges e Henry Condell, com 36 peças
- Língua
- Inglês moderno inicial, em versos brancos, versos rimados e prosa
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Quem foi Shakespeare?
William Shakespeare (1564–1616) foi um dramaturgo, poeta e ator inglês. Escreveu comédias, tragédias, peças históricas e romances tardios para os teatros comerciais de Londres. Também era um dos sócios da companhia de atores que as apresentava. Muitas vezes é considerado o maior escritor da língua inglesa.
Shakespeare já era famoso em vida. Na década de 1590, seus poemas vendiam muito, e o escritor Francis Meres o incluiu, em 1598, entre os melhores autores ingleses tanto de comédias quanto de tragédias. Mas ele também era um profissional que escrevia para atores, plateias e a bilheteria, e não um gênio isolado que escrevia pensando na posteridade.
Hoje suas obras são estudadas em escolas do mundo inteiro, encenadas em quase todas as línguas e adaptadas para filmes, óperas, balés, musicais, romances e histórias em quadrinhos. Palavras e expressões de suas peças entraram no inglês cotidiano.
Shakespeare viveu num momento de mudanças na história inglesa. A Inglaterra era um reino protestante após décadas de conflitos religiosos, Londres crescia rapidamente, e o inglês se firmava como língua de uma literatura ambiciosa, ao lado do latim, do italiano e do francês. Sua carreira coincidiu com a de outros dramaturgos talentosos, como Christopher Marlowe, Ben Jonson, Thomas Middleton e John Webster. Ele aprendeu com eles e competiu com eles.
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Sua vida: de Stratford a Londres e de volta
Shakespeare foi batizado na Igreja da Santíssima Trindade, em Stratford-upon-Avon, em 26 de abril de 1564. Sua data exata de nascimento é desconhecida, embora seu aniversário seja tradicionalmente celebrado em 23 de abril. Seu pai, John Shakespeare, fabricava luvas, comerciava lã e exerceu o cargo de administrador principal da cidade, equivalente ao de prefeito. Sua mãe, Mary Arden, vinha de uma família de agricultores. William provavelmente estudou na King’s New School, em Stratford, onde os alunos aprendiam gramática latina, retórica e literatura clássica, embora não tenham sobrevivido registros escolares.
Em novembro de 1582, aos dezoito anos, casou-se com Anne Hathaway, que tinha 26 anos. A filha Susanna foi batizada em maio de 1583, e os gêmeos Hamnet e Judith, em fevereiro de 1585. Hamnet morreu em 1596, aos onze anos. Depois do nascimento dos gêmeos, os registros ficam em silêncio por vários anos, período que os estudiosos chamam de «anos perdidos» (1585–1592).
Em 1592, Shakespeare já era conhecido em Londres: um panfleto atribuído ao dramaturgo Robert Greene zombava de um «corvo arrivista» que se achava «o único Shake-scene do país», numa passagem geralmente entendida como um ataque motivado por ciúme. A partir de 1594, Shakespeare integrou a Lord Chamberlain’s Men, a principal companhia da época. Em 1599, membros da companhia construíram o Teatro Globe na margem sul do Tâmisa.
Shakespeare prosperou. Em 1597, comprou New Place, a segunda maior casa de Stratford, um ano depois de seu pai receber um brasão de armas. Após cerca de 1610, parece ter passado mais tempo em Stratford, embora ainda colaborasse na escrita de peças. Morreu em 23 de abril de 1616, aos 52 anos, e foi sepultado na Igreja da Santíssima Trindade. Em seu testamento, deixou à esposa, numa disposição que se tornou famosa, sua «segunda melhor cama».
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O mundo do teatro na Londres elisabetana e jacobina
As primeiras casas de espetáculos comerciais construídas especialmente para esse fim abriram em Londres nas décadas de 1560 e 1570. Os teatros ao ar livre, como o Globe, eram edifícios de madeira redondos ou de muitos lados. Tinham um palco que avançava em direção à plateia, cercado em três lados por espectadores em pé, que pagavam um penny, e por galerias para quem pagava mais. As apresentações aconteciam à luz do dia e usavam poucos cenários; por isso, as palavras precisavam criar a noite, as tempestades, os campos de batalha e as florestas.
Todos os atores eram homens ou meninos; os papéis femininos eram interpretados por meninos. As companhias precisavam de patronos, e a Lord Chamberlain’s Men tinha a proteção de um alto funcionário da corte. Quando Jaime I se tornou rei, em 1603, assumiu o patrocínio da companhia, que passou a se chamar King’s Men. A partir de 1608, ela também usou o Blackfriars, um teatro fechado iluminado por velas, adequado a música mais suave e a efeitos mais intimistas.
O teatro causava controvérsia. Autoridades municipais e pregadores puritanos atacavam as casas de espetáculos como lugares de ociosidade e desordem. Os teatros também fechavam por longos períodos durante surtos de peste, como em 1592–1594 e 1603. Durante uma apresentação de Henrique VIII em 1613, um disparo de canhão incendiou o telhado de palha do Globe, e o teatro foi destruído pelo fogo. Ele foi reconstruído no ano seguinte.
Ser sócio fazia diferença. Shakespeare não recebia apenas pelos textos: tinha uma participação na companhia e, a partir de 1599, no próprio edifício do Globe. Assim, recebia parte dos lucros. Esse modelo de negócios, incomum entre dramaturgos, ajuda a explicar tanto sua riqueza quanto a produção constante de cerca de duas peças por ano para o mesmo grupo de atores. Entre eles estavam o célebre ator trágico Richard Burbage e os atores cômicos Will Kemp e, mais tarde, Robert Armin.
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As peças e os poemas
No início da década de 1590, Shakespeare escreveu peças sobre a história inglesa (as três partes de Henrique VI e Ricardo III), comédias iniciais como A Comédia dos Erros e A Megera Domada, e a sangrenta tragédia romana Tito Andrônico. Quando a peste fechou os teatros, publicou dois longos poemas narrativos, Vênus e Adônis (1593) e O Rapto de Lucrécia (1594), dedicados ao jovem conde de Southampton.
Na segunda metade da década de 1590 vieram Romeu e Julieta, Sonho de uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, o ciclo histórico que vai de Ricardo II a Henrique V e as comédias da maturidade Muito Barulho por Nada, Como Gostais e Noite de Reis. Por volta de 1599–1608 surgiram as grandes tragédias: Júlio César, Hamlet, Otelo, Rei Lear, Macbeth, Antônio e Cleópatra e Coriolano, além de «peças problemáticas» mais sombrias, como Medida por Medida.
Seu período final inclui os romances Péricles, Cimbelino, O Conto do Inverno e A Tempestade, histórias de perda, viagens, reconciliação e magia. Suas últimas obras foram escritas em colaboração com John Fletcher: Henrique VIII, Os Dois Nobres Parentes e uma peça perdida, Cardênio, aparentemente baseada num episódio de Dom Quixote, de Cervantes.
Os 154 sonetos de Shakespeare foram publicados em 1609. A maioria se dirige a um jovem ou fala dele, e os sonetos posteriores tratam de uma misteriosa «dama morena». Eles exploram o amor, o tempo, a beleza, o ciúme e o poder da poesia de sobreviver à morte. Ainda não se sabe quem eram as pessoas por trás dos poemas nem se Shakespeare autorizou sua ordem e publicação.
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Linguagem, personagens e técnica dramática
Grande parte das peças de Shakespeare foi escrita em versos brancos: versos sem rima em pentâmetro iâmbico, com cinco pares de sílabas átonas e tônicas. Ele usava essa forma com liberdade, dividindo versos entre personagens, mudando os acentos e, nas peças tardias, enchendo os versos de pensamentos densos e interrompidos. Passava para a prosa em cenas cômicas, nas falas de criados, em cartas e nas falas de personagens loucos ou disfarçados. Usava rimas em canções, feitiços e finais de cena.
Seu vocabulário é excepcionalmente rico, e o Dicionário Oxford da Língua Inglesa registra muitas palavras e expressões cujo primeiro uso escrito conhecido está em suas obras. É provável que ele tenha criado algumas; outras talvez já fossem usadas na fala, e buscas digitais em textos de outros escritores encontraram ocorrências anteriores de certas palavras. De todo modo, suas peças ajudaram a fixar muitas expressões na língua.
Shakespeare tomou emprestados os enredos da maioria de suas peças. Entre suas fontes estão as Crônicas de Raphael Holinshed, usadas nas peças históricas inglesas e em Macbeth; a tradução inglesa das Vidas de Plutarco feita por Thomas North, usada nas peças romanas; as Metamorfoses de Ovídio; novelas italianas; e peças inglesas mais antigas. Sua contribuição foi acrescentar complexidade: personagens cujos solilóquios parecem revelar uma vida interior em mudança, enredos que entrelaçam várias histórias e uma mistura de tons cômicos e trágicos que as regras clássicas manteriam separados.
Ele também escrevia pensando nos atores e nos espaços disponíveis. Os papéis dos palhaços mudaram quando mudou o principal ator cômico da companhia; papéis longos e complexos, como Hamlet, Otelo e Lear, foram moldados para Burbage; e os romances tardios, com música e espetáculo, combinavam com o Blackfriars iluminado por velas. As indicações de cena são escassas, de modo que boa parte da ação está nas falas. Essa é uma das razões pelas quais diretores encontram tantas possibilidades de reinterpretar as peças em diferentes épocas, línguas e estilos de encenação.
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Grandes questões presentes nas peças
As peças históricas e romanas perguntam o que torna o poder legítimo, o que acontece quando um governante é derrubado e como as pessoas comuns sofrem numa guerra civil. Elas foram escritas numa monarquia preocupada com quem sucederia a rainha Elizabeth, que não tinha filhos, e na qual a censura limitava o que podia ser dito abertamente.
As tragédias exploram a ambição (Macbeth), o ciúme e o racismo (Otelo), o luto, a vingança e a dúvida (Hamlet), e a ruína da família e do reino (Rei Lear). As comédias brincam com disfarces, gênero e identidades confundidas, muitas vezes por meio de heroínas como Rosalinda e Viola, que se vestem de rapazes — papéis originalmente interpretados por meninos.
Leitores atuais também estudam como as peças tratam personagens vistos como de fora e outras pessoas que retratam: o agiota judeu Shylock, em O Mercador de Veneza; o general negro Otelo; Caliban, na ilha de A Tempestade; e as mulheres que são silenciadas ou resistem. As peças refletem os preconceitos de sua época, mas também dão a esses personagens algumas das falas mais poderosas. Por isso, continuam a provocar debates quando são encenadas.
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Como as peças sobreviveram: quartos e o Primeiro Fólio
Não sobreviveu nenhum manuscrito de uma peça de Shakespeare escrito por ele próprio, com a provável exceção de três páginas da peça coletiva Sir Thomas More, nas quais uma passagem conhecida como «Mão D» é amplamente atribuída a ele. As peças pertenciam às companhias teatrais, não aos autores, e apenas algumas foram impressas durante sua vida.
Cerca de metade de suas peças apareceu primeiro em pequenos livros baratos, publicados individualmente e chamados quartos. Alguns textos em quarto diferem muito de versões posteriores; o primeiro quarto de Hamlet, de 1603, por exemplo, é bem mais curto e tem falas diferentes. Antigamente, estudiosos chamavam esses textos de «quartos ruins» e acreditavam que tinham sido produzidos a partir de lembranças falhas. Hoje, muitos os veem como possíveis sinais de adaptações para o teatro ou de versões iniciais. A questão continua em aberto.
Em 1623, John Heminges e Henry Condell, colegas atores da King’s Men, publicaram Comédias, Histórias e Tragédias do Sr. William Shakespeare, obra conhecida como Primeiro Fólio. O volume reunia 36 peças, das quais 18 nunca tinham sido impressas, entre elas Macbeth, A Tempestade, Noite de Reis e Júlio César. Incluía um poema de Ben Jonson que elogiava Shakespeare como alguém «não de uma época, mas de todos os tempos». Sabe-se da sobrevivência de cerca de 235 exemplares.
Como os textos diferem, toda edição moderna resulta de escolhas. Os editores decidem se seguem o quarto ou o Fólio, se combinam os dois — como se faz há muito tempo com Rei Lear e Hamlet —, como atualizar a ortografia e a pontuação e como explicar palavras difíceis. Desde a década de 1980, muitos estudiosos defendem que algumas diferenças refletem revisões feitas pelo próprio Shakespeare. Assim, por exemplo, as versões em quarto e em fólio de Rei Lear podem ser tratadas como duas versões da peça.
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Posteridade e influência mundial
Depois da reabertura dos teatros em 1660, as peças de Shakespeare foram muitas vezes reescritas para agradar a novos gostos. Por mais de um século, Rei Lear foi encenada com um final feliz. No século XVIII, editores como Nicholas Rowe, Alexander Pope e Samuel Johnson produziram edições acadêmicas, e o ator David Garrick organizou o Jubileu de Shakespeare de 1769, em Stratford, um marco na transformação do dramaturgo em símbolo nacional.
Escritores do romantismo alemão, entre eles Goethe e os tradutores A. W. Schlegel e Ludwig Tieck, acolheram Shakespeare como modelo de gênio natural. Escritores e compositores franceses, russos e italianos seguiram esse exemplo, e as óperas Macbeth, Otello e Falstaff, de Verdi, estão entre as muitas adaptações musicais. Shakespeare também foi ensinado em escolas de todo o Império Britânico, onde sua obra pôde servir tanto como instrumento colonial quanto como material que escritores locais reelaboraram para seus próprios fins.
No Leste Asiático, Tsubouchi Shōyō concluiu até 1928 a tradução de todas as peças para o japonês, e Akira Kurosawa transportou Macbeth e Rei Lear para o Japão feudal nos filmes Trono Manchado de Sangue (1957) e Ran (1985). Profissionais do teatro coreanos, chineses, indianos e africanos criaram versões que combinam Shakespeare com tradições locais de apresentação. O reconstruído Shakespeare’s Globe, inaugurado em Londres em 1997, recebeu companhias de dezenas de países.
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O que realmente sabemos? As provas biográficas
A vida de Shakespeare é mais documentada do que a da maioria das pessoas comuns de sua época, mas os registros dizem pouco sobre seus pensamentos. Entre os documentos preservados estão registros paroquiais de batismo, casamento e sepultamento; a garantia ligada à licença de casamento de 1582; registros de compras de imóveis e processos judiciais; registros fiscais; um depoimento que ele prestou em 1612 no processo Belott–Mountjoy, em Londres; seis assinaturas; e seu testamento. Registros de pagamentos e de patrocínio oficial o ligam à Lord Chamberlain’s Men e à King’s Men, enquanto páginas de rosto impressas e referências literárias o identificam como autor.
Muito do que se costuma contar sobre ele vem de histórias registradas posteriormente. O ensaio biográfico de Nicholas Rowe, de 1709, transmitiu relatos que não podem ser comprovados, como o de que Shakespeare teria fugido de Stratford na juventude depois de caçar veados ilegalmente. Os biógrafos precisam separar documentos de tradição, e os estudos documentais de Samuel Schoenbaum foram influentes ao insistir nessa distinção.
Muitas biografias interpretam a vida por meio das obras, associando, por exemplo, a morte de Hamnet a Hamlet ou os sonetos a relacionamentos reais. Essas ligações são possíveis, mas especulativas, e os estudiosos discordam sobre até que ponto as peças podem ser usadas como autobiografia. Questões como as simpatias religiosas de Shakespeare — cuja família tinha vínculos católicos num Estado protestante — têm sido debatidas em diferentes sentidos.
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Colaboração, cronologia e atribuição de autoria
Hoje os estudiosos concordam que Shakespeare frequentemente trabalhava com outras pessoas, como era normal na época. Acredita-se amplamente que Tito Andrônico inclua trechos de George Peele; Péricles, de George Wilkins; Timão de Atenas, de Thomas Middleton; e as peças tardias, de John Fletcher. Middleton também parece ter revisado Macbeth e, provavelmente depois da morte de Shakespeare, Medida por Medida. A edição The New Oxford Shakespeare (2016) foi além e creditou Christopher Marlowe como coautor das peças Henrique VI, atribuição aceita por alguns estudiosos e contestada por outros.
Essas conclusões se apoiam na estilometria e na análise linguística: comparam vocabulário, palavras gramaticais, hábitos métricos, contrações e preferências ortográficas em grandes conjuntos digitais de peças do início da era moderna. As edições de Oxford organizadas por Stanley Wells e Gary Taylor na década de 1980, acompanhadas de Textual Companion (1987), deram destaque a essas provas. Continua o debate sobre a confiabilidade dos métodos para trechos curtos ou revisados.
As datas da maioria das peças também são aproximadas. Elas são reconstruídas a partir de registros de impressão e apresentação, referências em outras obras, alusões a acontecimentos da época e mudanças no estilo métrico de Shakespeare. As cronologias mais usadas concordam quanto às linhas gerais, mas diferem em um ano ou mais para muitas peças.
Ideias principais
- Verso branco
- Pentâmetro iâmbico sem rima, forma versificada flexível usada na maior parte das falas dramáticas de Shakespeare.
- Solilóquio
- Fala em que um personagem sozinho no palco pensa em voz alta, como em «Ser ou não ser», de Hamlet, permitindo à plateia conhecer seu conflito interior.
- Mistura de gêneros
- Shakespeare combinou comédia e tragédia, reis e palhaços, rompendo regras clássicas e influenciando o teatro posterior.
- Teatro comercial
- Suas peças foram escritas para plateias pagantes de todas as classes sociais nos teatros de Londres, o que ajudou a moldar sua variedade e energia.
- Colaboração
- Como outros dramaturgos de sua época, Shakespeare escreveu algumas peças com outros autores, e outras pessoas revisaram sua obra.
- Legitimidade do poder
- As peças históricas e as tragédias perguntam repetidamente o que torna legítimo um governante e o que acontece quando a ordem se desfaz.
- Instabilidade textual
- Muitas peças sobreviveram em versões diferentes; por isso, toda edição moderna exige escolhas dos editores.
Registros
- 1564 — Shakespeare é batizado em Stratford-upon-Avon em 26 de abril.
- 1582 — Casa-se com Anne Hathaway.
- 1592 — Um panfleto de Greene ataca um «corvo arrivista», mostrando que Shakespeare atua em Londres.
- 1593 — Publica Vênus e Adônis enquanto os teatros estão fechados por causa da peste.
- 1594 — Passa a integrar a Lord Chamberlain’s Men.
- 1596 — Seu filho Hamnet morre aos onze anos.
- 1599 — O Teatro Globe é construído na margem sul do Tâmisa.
- 1603 — Jaime I se torna rei; a companhia passa a se chamar King’s Men.
- 1609 — Os Sonetos de Shakespeare são publicados.
- 1613 — O Globe é destruído por um incêndio durante uma apresentação de Henrique VIII.
- 1616 — Shakespeare morre em Stratford em 23 de abril.
- 1623 — O Primeiro Fólio reúne 36 peças, 18 delas impressas pela primeira vez.
Glossário
- Pentâmetro iâmbico
- Verso com cinco pés métricos, cada um formado por uma sílaba átona seguida de uma sílaba tônica.
- Quarto
- Livro pequeno feito com folhas de impressão dobradas duas vezes; muitas peças individuais foram impressas primeiro nesse formato.
- Fólio
- Livro grande feito com folhas dobradas uma vez; o Primeiro Fólio é a primeira coletânea de peças de Shakespeare.
- Espectadores do pátio
- Pessoas que pagavam o menor preço para assistir de pé, no pátio ao redor do palco.
- Soneto
- Poema de 14 versos; a forma «shakespeariana» tem três quartetos e um dístico final.
- Romance
- Neste contexto, peça tardia que combina perda, viagens, magia e reconciliação, como A Tempestade.
- Estilometria
- Estudo estatístico do estilo de escrita, usado para investigar quem escreveu cada parte de um texto.
- Jacobino
- Relativo ao reinado de Jaime I da Inglaterra (1603–1625).
Perguntas e respostas
Shakespeare realmente inventou muitas palavras?
Suas peças contêm o primeiro registro escrito conhecido de muitas palavras e expressões, mas algumas provavelmente já eram usadas na fala antes dele. Sem dúvida, ele popularizou muitas expressões.
Por que meninos interpretavam os papéis femininos?
As mulheres não podiam atuar nos palcos públicos da Inglaterra até 1660. Por isso, meninos treinados interpretavam os papéis femininos.
Quantas peças Shakespeare escreveu?
Cerca de 38 ou 39, dependendo de como são contadas as peças escritas em colaboração. O Primeiro Fólio contém 36; Péricles e Os Dois Nobres Parentes costumam ser acrescentadas.
É verdade que Shakespeare e Cervantes morreram no mesmo dia?
A morte dos dois é associada à data de 23 de abril de 1616, mas eles não morreram no mesmo dia: a Inglaterra usava o calendário juliano e a Espanha, o gregoriano. Cervantes morreu, na verdade, em 22 de abril e foi sepultado no dia 23.
Outra pessoa escreveu as peças de Shakespeare?
Existem teorias que atribuem as peças a Bacon, Oxford ou Marlowe, mas historiadores e estudiosos da literatura as rejeitam amplamente com base nas provas documentais.
Até que ponto os textos que lemos hoje são confiáveis?
Eles passam por um trabalho editorial cuidadoso, mas muitas peças sobreviveram em versões diferentes em quarto e no Fólio. Por isso, os editores precisam escolher entre variantes, e algumas passagens continuam incertas.
Qual é a melhor prova de que Shakespeare escreveu em colaboração?
A análise estilométrica do vocabulário, da métrica e da ortografia de peças do início da era moderna, combinada com provas externas, como páginas de rosto e registros da época.
Fontes e leituras adicionais
- William Shakespeare. Wikipedia
- William Shakespeare. Shakespeare Birthplace Trust
- Shakespeare’s works. Folger Shakespeare Library
- First Folio. Wikipedia
- Globe Theatre. Wikipedia
- Shakespeare’s sonnets. Wikipedia
- S. Schoenbaum, William Shakespeare: A Compact Documentary Life. Oxford University Press, 1977
- Stanley Wells and Gary Taylor, with John Jowett and William Montgomery, William Shakespeare: A Textual Companion. Clarendon Press, 1987
- James Shapiro, Contested Will: Who Wrote Shakespeare?. Simon & Schuster, 2010
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
