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Para jovens leitores
Goethe nasceu em 1749 na cidade alemã de Frankfurt. Seu nome se pronuncia mais ou menos “GÔE-te”. Ele cresceu em uma casa cheia de livros, aprendeu várias línguas e gostava de teatro de bonecos. Uma de suas histórias favoritas era a do doutor Fausto, um estudioso que faz um acordo com o diabo. Goethe pensou nessa história por toda a vida.
Aos 25 anos, Goethe escreveu Os sofrimentos do jovem Werther. O livro conta a triste história de um rapaz apaixonado por uma mulher com quem não podia se casar. A obra fez muito sucesso na Europa. Alguns jovens até se vestiam como Werther, com casaco azul e colete amarelo. Goethe ficou famoso muito depressa.
Pouco depois, um jovem duque convidou Goethe para morar na pequena cidade de Weimar. Ele viveu lá pelo resto da vida. Além de escrever, ajudou a governar o ducado, cuidou de minas e estradas, dirigiu um teatro e ajudou uma universidade próxima.
Goethe queria entender muitas coisas. Estudou como as plantas crescem e mudam, o que os ossos de animais e pessoas têm em comum e como enxergamos as cores. Ele acreditava que observar a natureza com muita atenção ajudava a descobrir seus segredos.
Sua obra mais famosa é Fausto, uma peça enorme dividida em duas partes. Goethe levou cerca de sessenta anos para terminá-la. Fausto quer saber e viver tudo. Por isso, faz uma aposta com um diabo chamado Mefistófeles. Hoje, escolas, ruas e o Instituto Goethe, que divulga a cultura alemã pelo mundo, levam seu nome.
Em resumo
- Nascimento
- 28 de agosto de 1749, Frankfurt am Main (cidade imperial livre do Sacro Império Romano-Germânico)
- Morte
- 22 de março de 1832, Weimar, aos 82 anos
- Idioma
- Alemão
- Principal local de trabalho
- Weimar, capital do Ducado (Grão-Ducado a partir de 1815) de Saxe-Weimar-Eisenach, a partir de 1775
- Atividades
- Poeta, dramaturgo, romancista, crítico, ministro e conselheiro privado, diretor de teatro e cientista natural
- Principais obras
- Götz von Berlichingen (1773), Os sofrimentos do jovem Werther (1774), Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1795–96), Fausto, parte I (1808) e parte II (1832), Afinidades eletivas (1809), Divã ocidental-oriental (1819)
- Obras científicas
- A metamorfose das plantas (1790), Teoria das cores (1810)
- Movimentos
- Sturm und Drang na juventude; ao lado de Schiller, principal figura do Classicismo de Weimar
Fácil
Quem foi Goethe?
Johann Wolfgang von Goethe ocupa na literatura alemã um lugar semelhante ao de Shakespeare na inglesa ou Dante na italiana: é um escritor que serve de referência para avaliar outros autores. Escreveu poemas líricos, baladas, peças, romances, uma autobiografia, relatos de viagem, ensaios sobre arte e literatura e estudos científicos. Suas obras, cartas e diários reunidos ocupam bem mais de cem volumes.
Ele viveu de 1749 a 1832, atravessando um período de grandes mudanças: o fim do Iluminismo, as Revoluções Americana e Francesa, as guerras napoleônicas, o fim do Sacro Império Romano-Germânico em 1806 e o começo da era industrial. Suas obras refletem muitas dessas transformações, sempre por meio da vida e dos sentimentos das pessoas.
Goethe também exerceu outras atividades. Durante décadas, foi um alto funcionário do pequeno Ducado de Saxe-Weimar-Eisenach e dedicou muito tempo à pesquisa científica. Acreditava que a arte, a ciência e a vida prática estavam ligadas e que cada pessoa deveria procurar desenvolver todas as suas capacidades.
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Juventude em Frankfurt, Leipzig e Estrasburgo
Goethe nasceu em 28 de agosto de 1749 em Frankfurt am Main, em uma família abastada da classe média. Seu pai, Johann Caspar Goethe, era advogado e possuía um título imperial. Ele educou os filhos em casa com professores particulares. Sua mãe, Catharina Elisabeth Textor, era filha do principal magistrado da cidade e uma contadora de histórias cheia de vivacidade. Goethe aprendeu latim, grego, francês, italiano, inglês e um pouco de hebraico; também desenhava, tocava música e lia muito.
Aos dezesseis anos, foi estudar direito na Universidade de Leipzig (1765–68), onde escreveu poemas leves e peças no elegante estilo rococó da época. Depois de uma doença grave, voltou para casa e concluiu os estudos de direito em Estrasburgo (1770–71). Lá conheceu o filósofo e crítico Johann Gottfried Herder, que despertou seu interesse pelas canções populares, por Shakespeare e pela catedral gótica como expressões do espírito vivo de um povo. Seu amor por Friederike Brion, filha de um pastor da aldeia de Sesenheim, inspirou alguns dos poemas de amor mais espontâneos da literatura alemã.
De volta a Frankfurt, e por um breve período no tribunal imperial de Wetzlar, Goethe exerceu a advocacia sem muito entusiasmo e se dedicou intensamente à escrita. Sua peça Götz von Berlichingen (1773), sobre um cavaleiro rebelde do século XVI, rompeu com as regras do teatro clássico francês à maneira de Shakespeare e fez dele um líder do jovem movimento conhecido como Sturm und Drang (“Tempestade e Ímpeto”).
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Werther: um livro que conquistou a Europa
Em 1774, Goethe publicou Os sofrimentos do jovem Werther, um romance curto contado principalmente por meio das cartas de um jovem sensível. Ele se apaixona por Lotte, que está noiva de outro homem, e acaba tirando a própria vida. Goethe se inspirou em seu amor não correspondido por Charlotte Buff, em Wetzlar, e no suicídio de um conhecido, Karl Wilhelm Jerusalem.
O romance causou sensação internacional imediata. Em poucos anos, foi traduzido para o francês e o inglês, imitado, parodiado e criticado. Admiradores usavam roupas como as de Werther, e a expressão “febre de Werther” se tornou conhecida. Alguns críticos acusaram o livro de incentivar o suicídio. Houve relatos de jovens que teriam tirado a própria vida por imitação, embora não se saiba quantos casos foram reais. Muito depois, sociólogos passaram a chamar de “efeito Werther” a imitação de suicídios amplamente divulgados.
Werther é importante porque deu uma forma literária poderosa a um novo tipo de vida interior: sentimentos intensos, amor pela natureza, frustração diante das regras sociais e das barreiras de classe e a ideia de que os sentimentos individuais são a medida de todas as coisas. Mais tarde, o próprio Goethe passou a olhar para essa obra com certo distanciamento. Ele a revisou em 1787 e via seu protagonista tanto como um exemplo quanto como um alerta.
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Weimar: poeta e estadista
Em novembro de 1775, o duque Karl August, de dezoito anos, convidou Goethe para Weimar, uma cidade de apenas cerca de seis mil habitantes. Goethe permaneceu lá pelo resto da vida. Em 1776, entrou para o conselho privado do duque. Na década seguinte, assumiu responsabilidades pelas minas, incluindo uma tentativa ambiciosa de reabrir as minas de prata e cobre de Ilmenau, pelas estradas, pelo recrutamento militar e, a partir de 1782, pelas finanças do Estado. Em 1782, o imperador lhe concedeu um título de nobreza, acrescentando “von” ao seu nome.
O trabalho no governo ensinou muito a Goethe sobre a vida prática, mas também lhe deixou pouco tempo para concluir obras importantes. Sua amizade íntima com Charlotte von Stein, uma dama casada da corte, marcou sua vida afetiva e literária nesses anos e deu origem a centenas de cartas. Sua atuação como funcionário público também tem sido examinada de forma crítica. Em 1783, por exemplo, ele apoiou a decisão do duque de não poupar a vida de Johanna Höhn, jovem condenada por matar o filho recém-nascido. Estudiosos discutem esse caso em relação à tragédia de Gretchen em Fausto.
Em setembro de 1786, Goethe partiu secretamente para a Itália, onde permaneceu até junho de 1788. Em Roma, Nápoles e na Sicília, desenhou, estudou a arte e a arquitetura clássicas e viveu uma experiência que considerou um renascimento. Ao voltar, deixou a maior parte das tarefas administrativas, mas continuou a supervisionar instituições culturais e científicas, entre elas a Universidade de Jena. Passou a viver com Christiane Vulpius, uma jovem que trabalhava em uma oficina de flores artificiais. O filho dos dois, August, nasceu em 1789. Eles se casaram em 1806, depois que tropas francesas ocuparam Weimar após a Batalha de Jena. Por muito tempo, a sociedade de Weimar desprezou Christiane por sua origem humilde.
Intermediário
A amizade com Schiller e o Classicismo de Weimar
De 1794 até a morte de Schiller, em 1805, Goethe e o dramaturgo e filósofo Friedrich Schiller mantiveram uma das amizades literárias mais produtivas da história. Eles eram muito diferentes: Goethe partia da observação concreta; Schiller, influenciado por Kant, partia das ideias e da liberdade moral. Suas cartas discutem em profundidade poesia, teatro e filosofia. Juntos, escreveram epigramas satíricos, as Xênias (1796). Como diretor do teatro da corte de Weimar, cargo que ocupou de 1791 a 1817, Goethe encenou as grandes peças de Schiller.
Esse período é conhecido como Classicismo de Weimar. Inspirados pela arte da Grécia e da Roma antigas, seus escritores buscavam equilíbrio, forma e um ideal humanista de desenvolvimento integral da pessoa. Essa proposta se distinguia tanto dos excessos do Sturm und Drang quanto, mais tarde, do que Goethe via como a visão limitada dos românticos. Entre as obras desses anos estão o drama em versos Ifigênia em Táurida (na versão em versos, 1787), Torquato Tasso (1790), as Elegias romanas, as baladas escritas em competição amistosa com Schiller, o poema épico idílico Hermann e Doroteia (1797) e Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1795–96).
Wilhelm Meister conta a história do filho de um comerciante que busca seu lugar no mundo primeiro pelo teatro e, por fim, por meio de uma sociedade secreta que orienta sua formação. A obra se tornou modelo do Bildungsroman, o “romance de formação”. Também contém canções famosas, como “Kennst du das Land”, de Mignon (“Conheces a terra onde florescem os limoeiros?”), musicada por muitos compositores.
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Fausto: a obra de uma vida inteira
Goethe trabalhou em Fausto por cerca de sessenta anos. Uma versão inicial, chamada Urfaust, já existia em meados da década de 1770. Ela é conhecida graças a uma cópia feita por uma dama da corte de Weimar e redescoberta em 1887. Goethe publicou um fragmento em 1790 e a parte I em 1808. Concluiu a parte II pouco antes de morrer; ela foi publicada postumamente em 1832.
A parte I começa com um “Prólogo no céu”, no qual o Senhor permite que Mefistófeles tente o estudioso Fausto, confiante de que um homem bom, mesmo em sua busca obscura, continua a reconhecer o caminho certo. Cansado dos livros e sem esperança de encontrar neles o conhecimento que procura, Fausto faz uma aposta com Mefistófeles: se algum dia disser a um instante passageiro “Detém-te, és tão belo!”, o diabo poderá levá-lo. A segunda metade apresenta a tragédia de Gretchen (Margarida), uma jovem que Fausto seduz e abandona. Ela mata seu bebê, é condenada à morte e, no fim, é salva pela graça divina.
A parte II é vasta e simbólica. Fausto visita a corte imperial, onde se inventa o papel-moeda; viaja à Antiguidade clássica, onde se casa com Helena de Troia; e, por fim, torna-se um governante que conquista terras ao mar, em um projeto que provoca a morte de um casal de idosos, Filêmon e Báucis. Cego e à beira da morte, imagina um povo livre vivendo em terra livre. Anjos levam sua alma para o alto, e o drama termina com o verso segundo o qual “o eterno feminino nos atrai para o alto”. Os leitores ainda discutem se Fausto é um herói da busca humana, um alerta sobre a ambição moderna e a dominação, ou ambas as coisas.
Intermediário
Goethe, o cientista
Goethe considerava seu trabalho científico tão importante quanto sua poesia. Em 1784, identificou o osso intermaxilar no crânio humano. Esse osso era conhecido em animais, mas sua presença em seres humanos era questionada. Goethe viu nisso uma prova da unidade das formas animais e humanas, embora o anatomista francês Félix Vicq d’Azyr o tivesse descrito de forma independente um pouco antes.
Em A metamorfose das plantas (1790), argumentou que os diferentes órgãos de uma planta com flores, como folhas, sépalas, pétalas e estames, podem ser entendidos como transformações de um órgão básico: a folha. Criou o termo “morfologia” para o estudo das formas e de suas transformações. Também imaginou uma Urpflanze, ou planta primordial, como arquétipo de todas as plantas. Quando explicou essa ideia a Schiller, em 1794, o amigo respondeu que aquilo não era uma experiência, mas uma ideia.
Sua obra científica mais longa, Teoria das cores (1810), contestou a explicação de Newton de que a luz branca é composta por raios coloridos. Goethe estudou como as cores surgem no limite entre luz e escuridão e dedicou longas seções a sombras coloridas, pós-imagens e efeitos psicológicos das cores. Os físicos rejeitaram sua crítica a Newton, mas suas descrições cuidadosas da percepção das cores influenciaram pintores, fisiologistas e filósofos.
Intermediário
Obras tardias e literatura mundial
Depois da morte de Schiller, Goethe tornou-se uma espécie de instituição nacional, visitada por admiradores de toda a Europa. Em 1808, em Erfurt, conheceu Napoleão, que havia lido Werther várias vezes e, segundo relatos, o cumprimentou com as palavras “Vous êtes un homme” (“O senhor é um homem”). Em 1812, encontrou Beethoven na cidade termal de Teplitz. Os dois admiravam as obras um do outro, mas não se tornaram próximos.
Suas obras tardias estão entre as mais originais. O romance Afinidades eletivas (1809) usa uma metáfora da química para explorar o casamento e a paixão. Na autobiografia Poesia e verdade (publicada a partir de 1811), Goethe deu forma artística à história de sua juventude. Inspirado por uma tradução alemã do poeta persa Hafez, do século XIV, escreveu o Divã ocidental-oriental (1819), um ciclo de poemas em diálogo com a poesia persa e a cultura islâmica. Os anos de peregrinação de Wilhelm Meister (1821, revisto em 1829) transformou o romance de formação em um livro de estrutura livre e experimental sobre trabalho, renúncia e emigração.
Em conversas registradas por seu jovem secretário Johann Peter Eckermann, Goethe declarou em 1827, depois de ler um romance chinês traduzido, que a literatura nacional já significava pouco e que “a época da literatura mundial” (Weltliteratur) estava próxima. Com isso, referia-se a um intercâmbio crescente entre escritores e leitores de diferentes nações, e não a uma lista de obras-primas. Sua esposa Christiane havia morrido em 1816, e seu filho August morreu em Roma em 1830. Goethe terminou Fausto em 1831 e morreu em Weimar em 22 de março de 1832.
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O pensamento de Goethe: natureza, forma e “empirismo delicado”
Goethe desconfiava dos sistemas abstratos, mas sua obra tinha uma dimensão filosófica importante. Da leitura de Spinoza na década de 1780, adotou a ideia de um Deus imanente à natureza, em vez de separado dela. Leu Kant, sobretudo a Crítica da faculdade de julgar (1790), com simpatia por sua abordagem dos organismos e da arte, mas resistiu à ideia de que a mente jamais pode conhecer a natureza em si.
Seu método científico, que às vezes chamava de “empirismo delicado” (zarte Empirie), pedia ao observador que estudasse um fenômeno pacientemente, em muitas variações e séries, até que se tornasse visível um “fenômeno primordial” (Urphänomen): um padrão básico, como a polaridade entre luz e escuridão na formação das cores, além do qual a explicação não deveria avançar. Entre os conceitos centrais de seu pensamento estão a metamorfose, a polaridade (a tensão entre opostos) e a Steigerung (intensificação ou elevação a um nível superior).
Filósofos interpretaram esse legado de maneiras diferentes. Hegel valorizou a ideia goethiana do fenômeno primordial. Schopenhauer iniciou seus estudos sobre a visão em diálogo com a teoria das cores de Goethe, o que acabou esfriando a relação entre os dois. Wittgenstein escreveu observações sobre as cores que dialogam com Goethe. No século XX, alguns filósofos da ciência retomaram sua abordagem como uma forma de fenomenologia da natureza. Outros consideram sua rejeição da física matemática um caminho sem saída. O debate diz respeito não só a Goethe, mas também ao que se considera conhecimento científico.
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Fontes, edições e a formação do “mito de Goethe”
Poucos escritores deixaram um acervo tão grande. Além das obras, sobreviveram inúmeras cartas, diários e documentos oficiais de Goethe, e muitos contemporâneos registraram suas conversas. A edição completa de referência do século XIX, chamada edição de Weimar ou edição “Sophie” (1887–1919), tem 143 volumes. Edições críticas modernas, como as de Frankfurt e Munique, continuam a aprimorar os textos. O Arquivo Goethe e Schiller, em Weimar, guarda as principais coleções de manuscritos.
Essas fontes exigem cuidado. Poesia e verdade é uma autobiografia deliberadamente artística, como seu título indica, escrita décadas depois dos acontecimentos. Conversações com Goethe, de Eckermann (1836–48), é um registro valioso, mas foi editado e organizado por Eckermann anos mais tarde. O próprio Goethe administrou sua imagem: queimou alguns documentos e preparou a edição definitiva de suas obras. Biógrafos posteriores, do século XIX ao amplo estudo em vários volumes de Nicholas Boyle, Goethe: The Poet and the Age (1991– ), tiveram de distinguir a imagem que o escritor construiu de si mesmo das provas documentais.
A reputação de Goethe também tem uma história. No século XIX, ele foi transformado em monumento nacional, símbolo da grandeza cultural alemã. Depois de 1871, às vezes foi usado para sustentar reivindicações nacionalistas que provavelmente não apoiaria. Após 1945, os dois Estados alemães o apresentaram como representante da cultura humanista, às vezes tendo em mente o fato incômodo de que o campo de concentração de Buchenwald havia sido construído na colina de Ettersberg, perto de Weimar, onde Goethe passeara. Estudos recentes examinaram seu conservadorismo político, suas posições diante da Revolução Francesa, seu papel como ministro de um pequeno Estado absolutista e sua maneira de tratar as mulheres, juntamente com sua abertura a outras culturas e sua visão de literatura mundial.
Avançado
Influência no mundo
A influência de Goethe foi muito além da Alemanha. Seus poemas líricos foram musicados centenas de vezes por Mozart, Beethoven, Schubert (O rei dos elfos, Gretchen à roca), Schumann, Wolf e muitos outros. Fausto inspirou óperas de Berlioz e Gounod, obras sinfônicas de Liszt e Mahler e inúmeras adaptações para o palco e as telas. Escritores de Thomas Carlyle e Ralph Waldo Emerson a Thomas Mann dialogaram com sua obra. No romance Lotte em Weimar (1939), Mann fez dele um personagem.
No Leste Asiático, Goethe tornou-se uma referência importante durante a modernização. Werther e Fausto foram traduzidos e amplamente lidos no Japão desde o período Meiji. Werther foi traduzido para o chinês em 1922 pelo poeta Guo Moruo e se tornou, para jovens leitores, um modelo do indivíduo moderno e do amor romântico. Na Coreia, Werther e Fausto foram apresentados no início do século XX e passaram a integrar os currículos escolares e universitários.
Sua ideia de Weltliteratur tornou-se um conceito fundamental da literatura comparada, e seu diálogo com Hafez no Divã ocidental-oriental é frequentemente citado como exemplo de aproximação respeitosa entre a Europa e o mundo islâmico. O Instituto Goethe, fundado em 1951, promove internacionalmente a língua e a cultura alemãs sob seu nome.
Ideias principais
- Sturm und Drang
- Movimento literário alemão da década de 1770 que valorizava o gênio, os sentimentos intensos, a natureza e a rebeldia contra as regras. Götz e Werther, de Goethe, estão entre suas obras mais conhecidas.
- Classicismo de Weimar
- Estilo da fase madura de Goethe e Schiller (aproximadamente 1786–1805), inspirado pela arte antiga e voltado ao equilíbrio, à forma e ao desenvolvimento harmonioso da pessoa como um todo.
- Bildung
- Formação de si mesmo, ou educação em sentido amplo: o desenvolvimento de todas as capacidades por meio da experiência. Wilhelm Meister fez disso o tema do romance de formação.
- Busca fáustica
- O desejo inquieto de conhecer, viver e realizar cada vez mais, sem jamais se satisfazer com o momento; admirado por sua criatividade e temido por seu potencial destrutivo.
- Metamorfose
- Ideia de Goethe segundo a qual as formas vivas se desenvolvem pela transformação de um padrão básico, assim como os órgãos de uma planta podem ser vistos como variações da folha.
- Urphänomen
- “Fenômeno primordial”: padrão básico da natureza encontrado por meio da observação paciente, além do qual a explicação não deveria avançar.
- Weltliteratur
- “Literatura mundial”: visão de Goethe de uma época em que as literaturas de diferentes nações são lidas, traduzidas e compartilhadas entre si.
Registros
- 1749 — 28 de agosto: nasce em Frankfurt am Main.
- 1765 — Começa a estudar direito em Leipzig.
- 1770 — Estuda em Estrasburgo e conhece Herder.
- 1773 — Götz von Berlichingen é publicado.
- 1774 — Os sofrimentos do jovem Werther o torna famoso em toda a Europa.
- 1775 — Chega a Weimar a convite do duque Karl August.
- 1786 — Parte para a Itália, onde permanece até 1788.
- 1790 — Publica A metamorfose das plantas e Fausto: um fragmento.
- 1794 — Começa sua amizade com Schiller, que dura até a morte do amigo em 1805.
- 1808 — A parte I de Fausto é publicada; Goethe conhece Napoleão em Erfurt.
- 1819 — O Divã ocidental-oriental é publicado.
- 1832 — 22 de março: morre em Weimar; a parte II de Fausto é publicada postumamente.
Glossário
- Weimar
- Pequena cidade da Turíngia, capital do Ducado de Saxe-Weimar-Eisenach, onde Goethe viveu de 1775 até sua morte.
- Conselho privado
- Pequeno grupo de conselheiros de alto escalão que governava o ducado com o duque; Goethe passou a integrá-lo em 1776.
- Romance de formação
- Romance sobre o desenvolvimento do caráter de uma pessoa jovem e a busca de seu lugar no mundo.
- Mefistófeles
- Figura diabólica de Fausto, espirituosa e cínica, que faz uma aposta com o protagonista.
- Tragédia de Gretchen
- Parte da primeira parte de Fausto sobre Margarida, seduzida por Fausto e condenada por matar o filho.
- Urfaust
- A versão mais antiga de Fausto que chegou até nós, escrita na década de 1770 e conhecida por uma cópia encontrada em 1887.
- Morfologia
- Estudo da forma e da estrutura dos seres vivos; Goethe criou o termo.
- Osso intermaxilar
- Osso da mandíbula superior; o estudo que Goethe fez dele em seres humanos, em 1784, reforçou sua crença em um plano comum às formas animais.
- Divã
- Nas tradições persa e relacionadas, um volume que reúne as obras de um poeta; Goethe tomou emprestada a palavra para o título Divã ocidental-oriental.
- Instituto Goethe
- Instituto cultural da Alemanha, fundado em 1951, que ensina alemão e promove o intercâmbio cultural no mundo todo.
Perguntas e respostas
Como se pronuncia o nome Goethe?
Em alemão, soa aproximadamente como “GÔE-te”, com o som alemão ö na primeira sílaba. Não há um som forte de r.
Por que ele demorou tanto para escrever Fausto?
Goethe começou a obra quando tinha pouco mais de vinte anos e voltou a ela muitas vezes, à medida que sua vida e suas ideias mudavam. A parte I saiu quando ele tinha quase 60 anos, e ele só terminou a parte II poucos meses antes de morrer, aos 82.
Goethe foi mesmo um cientista?
Sim. Ele pesquisou cuidadosamente plantas, ossos, rochas e cores. Algumas de suas ideias, como a metamorfose das plantas e o termo “morfologia”, permaneceram importantes. Sua crítica à teoria da luz de Newton não foi aceita pela física.
Goethe era romântico?
Não exatamente. Na juventude, liderou o Sturm und Drang, que preparou o caminho para o Romantismo, e muitos românticos o admiravam. Mas, na maturidade, desenvolveu com Schiller o Classicismo de Weimar e criticou algumas tendências românticas.
O que Goethe queria dizer com “literatura mundial”?
Ele imaginava uma nova época em que escritores e leitores de diferentes nações leriam e traduziriam as obras uns dos outros e aprenderiam entre si. Não se referia apenas a uma lista de livros famosos.
A autobiografia de Goethe é confiável?
Poesia e verdade é valiosa, mas foi escrita décadas depois dos acontecimentos e com liberdade artística, como sugere o título. Historiadores a comparam com cartas, diários e documentos oficiais.
Como Goethe reagiu à Revolução Francesa?
Ele desconfiava da violência revolucionária e preferia reformas graduais. Acompanhou o duque na campanha militar de 1792 contra a França revolucionária e depois escreveu sobre ela. Sua posição é debatida: alguns a veem como moderação sensata; outros, como conservadorismo.
Fontes e leituras adicionais
- Johann Wolfgang von Goethe. Wikipedia
- 요한 볼프강 폰 괴테. 위키백과
- Anthony K. Jensen, Johann Wolfgang von Goethe. Internet Encyclopedia of Philosophy
- Goethe’s Faust. Wikipedia
- The Sorrows of Young Werther. Wikipedia
- Theory of Colours. Wikipedia
- Weltliteratur. Wikipedia
- Nicholas Boyle, Goethe: The Poet and the Age. Oxford University Press, 1991–2000
- Rüdiger Safranski, Goethe: Kunstwerk des Lebens. Carl Hanser Verlag, 2013
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