História

Suleiman, o Magnífico

سلیمان اول Süleyman I (epíteto turco-otomano قانونی Kanunî, “o Legislador”; nome de pena محبی Muhibbi)

1520–1566 · Istambul (Império Otomano)

Em uma frase

Suleiman I foi o décimo sultão do Império Otomano, que governou por quarenta e seis anos (1520–1566), liderou treze campanhas militares da Hungria ao Iraque, organizou as leis do império e presidiu uma era de ouro da arquitetura, da poesia e da arte cortesã centrada em Istambul.

Suleiman, o Magnífico
Imagem: Circle of Titian · Public domain · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Há cerca de 500 anos, um enorme império se estendia por três continentes: partes da Europa, da Ásia e da África. Ele se chamava Império Otomano, e sua capital era a grande cidade de Istambul, que fica dos dois lados de um mar estreito. O governante desse império era chamado de sultão.

Em 1520, um jovem chamado Suleiman se tornou sultão. Ele tinha cerca de vinte e cinco anos. Governou por quarenta e seis anos, mais tempo do que qualquer outro sultão otomano, tanto que uma criança nascida quando ele subiu ao trono já seria avó quando ele morreu.

Na Europa o chamavam de "o Magnífico" porque sua corte era muito rica e seus exércitos muito poderosos. Em seu próprio império, mais tarde o chamaram de "Kanuni", que significa "o Legislador", porque ele é lembrado por colocar em ordem as regras do império, um pouco como arrumar um armário bagunçado cheio de anotações antigas em um único livro claro.

Suleiman passou grande parte da vida a cavalo, à frente de seu exército. Conquistou a cidade de Belgrado e a ilha de Rodes, venceu uma batalha famosa na Hungria e avançou até Viena, no oeste, e Bagdá, no leste. As guerras também trouxeram muito sofrimento: cidades foram destruídas, e muitas pessoas morreram ou foram levadas como cativas.

Ele também amava coisas belas. Escreveu poemas sob o nome de pena Muhibbi, que significa "aquele que ama". Seu arquiteto-chefe, Sinan, construiu para ele uma enorme mesquita em uma colina de Istambul, a Süleymaniye, cercada de escolas, um hospital e uma cozinha para os pobres. Ainda hoje é possível visitá-la.

Suleiman se casou com Hürrem, uma mulher que havia chegado ao palácio como cativa e se tornou uma das pessoas mais poderosas do império. A história de sua família também teve partes muito tristes, porque Suleiman ordenou a morte de dois de seus próprios filhos. Os historiadores de hoje tentam entendê-lo como uma pessoa real: um grande construtor e legislador, mas também um governante de uma época violenta.

Em resumo

Viveu
6 de novembro de 1494 (Trebizonda) – 6 de setembro de 1566 (durante o cerco de Szigetvár, Hungria)
Reinou
30 de setembro de 1520 – 6 de setembro de 1566 (46 anos), décimo sultão otomano
Capital
Istambul (Constantinopla), com o Palácio de Topkapı como sede do governo
Pais
O sultão Selim I e Hafsa Sultan
Epítetos
"O Magnífico", no uso europeu; Kanunî, "o Legislador", em turco (título provavelmente atestado pela primeira vez no século XVIII)
Principais campanhas
Belgrado (1521), Rodes (1522), Mohács (1526), Viena (1529), Iraque e Bagdá (1534–35), guerras safávidas encerradas com a Paz de Amasya (1555), Szigetvár (1566)
Figuras-chave de seu reinado
Hürrem Sultan, Pargalı Ibrahim Pasha, o jurista Ebussuud Efendi, o arquiteto Mimar Sinan, o almirante Hayreddin Barbarossa
Sepultamento
Mausoléu no complexo Süleymaniye, em Istambul (suas vísceras foram sepultadas perto de Szigetvár)

Fácil

Quem foi Suleiman?

Suleiman I (em turco, Süleyman) foi o décimo sultão da dinastia otomana. Subiu ao trono em 1520 e governou até sua morte em 1566, o mais longo reinado de qualquer sultão otomano. Durante esses quarenta e seis anos, o império atingiu um de seus pontos mais altos de poder: dominava o sudeste da Europa até o centro da Hungria, a maior parte do Oriente Médio, incluindo o Iraque, a Síria e as cidades sagradas de Meca e Medina, o Egito, e longos trechos da costa norte-africana.

Ele é conhecido por dois apelidos muito diferentes. Na Europa Ocidental era chamado de "o Magnífico", nome que reflete como embaixadores e escritores europeus viam o esplendor de sua corte e a força de seus exércitos. Na Turquia é lembrado como Kanunî, "o Legislador", por causa do grande esforço, durante seu reinado, para reunir e harmonizar as leis do império. Cada nome nos conta algo sobre quem o observava e com o que se preocupava.

Suleiman não foi apenas um guerreiro e administrador. Escreveu poesia em turco otomano e persa sob o nome de pena Muhibbi, e seu reinado está ligado a alguns dos edifícios, manuscritos e artes decorativas mais admirados do mundo islâmico, muitos deles projetados pelo arquiteto Mimar Sinan e produzidos pelas oficinas da corte em Istambul.

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Fácil

O império que herdou

O estado otomano começou por volta de 1300 como um pequeno principado no noroeste da Anatólia (a parte asiática da Turquia moderna). Ao longo de dois séculos, cresceu até se tornar um grande império. Em 1453, o bisavô de Suleiman, Mehmed II, conquistou Constantinopla, a antiga capital do Império Bizantino, e a transformou na capital otomana, conhecida em turco como Istambul.

O pai de Suleiman, Selim I, reinou por apenas oito anos (1512–1520), mas nesse curto período derrotou o Sultanato Mameluco e trouxe a Síria, o Egito e o Hejaz, a região de Meca e Medina, sob domínio otomano. Assim, quando Suleiman se tornou sultão, herdou um império subitamente muito maior, muito mais rico e responsável por proteger os lugares mais sagrados do islã.

O mundo otomano era muito diverso. Muçulmanos, cristãos ortodoxos, armênios, judeus e muitos outros viviam sob o domínio do sultão e falavam turco, grego, árabe, línguas eslavas, armênio, hebraico e outras. Os grandes rivais do império eram a família Habsburgo, que governava a Áustria e a Espanha e cujo chefe, Carlos V, era imperador do Sacro Império Romano, e a dinastia safávida do Irã, a leste.

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Fácil

Crescendo para ser sultão

Suleiman nasceu em 6 de novembro de 1494 em Trebizonda, um porto no mar Negro, onde seu pai então servia como governador provincial. Sua mãe, Hafsa Sultan, era uma concubina de origem desconhecida que havia se convertido ao islã; viveu até 1534 e foi uma figura importante na corte nos primeiros anos do reinado dele.

Os príncipes otomanos eram preparados para governar sendo enviados para administrar províncias. Suleiman estudou história, literatura, religião e assuntos militares e, quando jovem, serviu como governador de Caffa (Feodósia, na Crimeia) e depois de Manisa, no oeste da Anatólia, com uma breve passagem por Edirne. Em Manisa formou uma amizade próxima com um jovem de origem grega vindo de Parga, chamado Ibrahim, que mais tarde se tornaria seu grão-vizir.

Selim I morreu em setembro de 1520, e Suleiman, seu único filho adulto sobrevivente, subiu ao trono em 30 de setembro de 1520 sem a sangrenta disputa entre irmãos que havia marcado sucessões anteriores. Tinha cerca de vinte e cinco anos.

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Intermediário

Campanhas na Europa: Belgrado, Rodes, Mohács e Viena

Suleiman começou seu reinado com vitórias rápidas. Em 1521, seu exército tomou Belgrado, uma fortaleza que havia resistido a Mehmed II, abrindo o caminho para a Hungria. Em 1522, sitiou a ilha de Rodes, mantida pela ordem cruzada dos Cavaleiros Hospitalários; depois de cerca de cinco meses, os cavaleiros se renderam e tiveram permissão para partir. Eventualmente se instalaram em Malta, onde os otomanos os atacariam novamente em 1565 e fracassariam.

A batalha mais decisiva ocorreu em 29 de agosto de 1526, em Mohács, no sul da Hungria. O exército otomano, muito maior e melhor equipado com artilharia, destruiu o exército real húngaro em poucas horas. O rei Luís II morreu afogado enquanto fugia, e boa parte da nobreza e do clero húngaros morreu com ele. Na Hungria, a batalha ainda é lembrada como uma catástrofe nacional; um ditado comum sobre um infortúnio é que "mais se perdeu em Mohács".

Depois de Mohács, dois reis rivais reivindicaram a Hungria: János Zápolya, apoiado por Suleiman, e o Habsburgo Fernando, irmão de Carlos V. Em 1529, Suleiman marchou até a própria Viena. O cerco durou do final de setembro a meados de outubro, mas fortes chuvas haviam obrigado os otomanos a deixar para trás boa parte de sua artilharia pesada, os suprimentos escassearam e os defensores mantiveram suas muralhas. Um segundo avanço em 1532 foi retardado na pequena fortaleza de Güns (Kőszeg) e nunca chegou a Viena.

Em 1541, Suleiman anexou o centro da Hungria, incluindo Buda, como província otomana. A Hungria ficou dividida por cerca de um século e meio entre a Hungria Otomana, a "Hungria Real" dos Habsburgos, ao norte e a oeste, e o principado da Transilvânia, que aceitava a suserania otomana. Essas guerras causaram grande destruição às aldeias da fronteira, onde ataques, escravização e fuga eram um perigo constante.

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Intermediário

Guerras no leste e nos mares

No leste, o grande rival dos otomanos era o Irã safávida. Os dois impérios competiam por território e também representavam formas diferentes do islã: os otomanos eram sunitas, enquanto os safávidas haviam feito do xiismo duodecimano sua religião de estado. Suleiman liderou três grandes campanhas contra o xá safávida Tahmasp. Na primeira (1533–1536), entrou em Bagdá em 1534, onde restaurou o túmulo de Abu Hanifa, fundador da escola jurídica hanafita seguida pelos otomanos. Campanhas posteriores em 1548–49 e 1553–55 enfrentaram uma estratégia safávida de retirada e terra arrasada.

As guerras no leste terminaram com a Paz de Amasya em 1555, um dos primeiros tratados de paz formais entre os dois impérios. Ela dividiu a região do Cáucaso, deixando o Iraque, incluindo Bagdá, com os otomanos e dando-lhes acesso ao golfo Pérsico.

No mar, Suleiman nomeou o corsário Hayreddin Barbarossa almirante da frota otomana. Em 1538, Barbarossa derrotou uma frota da Liga Santa comandada por Andrea Doria em Preveza, na costa oeste da Grécia, dando aos otomanos uma posição forte no Mediterrâneo por décadas. Em 1535–36, os otomanos e o rei Francisco I da França, ambos inimigos dos Habsburgos, formaram uma aliança, e uma frota franco-otomana invernou em Toulon em 1543–44, o que chocou muitos observadores cristãos.

O poder otomano também alcançou o oceano Índico. Os otomanos tomaram Áden em 1538, mas não conseguiram capturar a fortaleza portuguesa de Diu, na Índia, no mesmo ano. Enviaram soldados para ajudar o Sultanato de Adal, no Chifre da África, e, mais tarde no reinado, receberam uma embaixada de Achém, em Sumatra, pedindo ajuda contra os portugueses.

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Intermediário

Lei e governo: por que é chamado de Legislador

O Império Otomano tinha dois tipos de lei. Uma era a sharia, a lei religiosa islâmica interpretada por juristas muçulmanos. A outra era o kanun, a lei administrativa do próprio sultão, que tratava de impostos, posse de terras, penas criminais, o exército e a organização das províncias. Sultões anteriores haviam emitido muitos decretos de kanun, mas eles estavam dispersos, repetitivos e às vezes contraditórios.

Durante o reinado de Suleiman, esses regulamentos foram reunidos, comparados e reeditados em códigos de lei mais uniformes (kanunname) para o império e para províncias específicas. O trabalho foi realizado pela chancelaria imperial e por estudiosos do direito, e não pelo sultão sozinho, dando continuidade a ideias já iniciadas sob governantes anteriores. O arcabouço resultante moldou a administração otomana por séculos.

A figura central foi Ebussuud Efendi, que serviu como şeyhülislam (mufti-chefe) de 1545 a 1574. Ebussuud trabalhou para mostrar que o kanun do sultão era compatível com a sharia, especialmente nas áreas difíceis de posse de terras e tributação, e organizou a emissão de fatwas (pareceres jurídicos) por meio de um cargo formal com procedimentos claros. Suas fatwas também deram legitimidade religiosa às guerras de Suleiman e à perseguição a grupos considerados heréticos, como os apoiadores kizilbash dos safávidas.

O governo de Suleiman era administrado por uma vasta casa de funcionários, muitos dos quais haviam entrado no serviço por meio do devşirme, o recrutamento de meninos cristãos que eram convertidos ao islã e treinados como soldados ou administradores. O grão-vizir chefiava o conselho imperial. Um ato conhecido do reinado, em 1553 ou 1554, foi um decreto que denunciava as acusações de libelo de sangue contra judeus, aparentemente motivado pelo médico judeu do sultão, Moses Hamon.

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Intermediário

Corte e família: Ibrahim, Hürrem e os príncipes

Em 1523, Suleiman nomeou seu amigo Ibrahim grão-vizir, passando à frente de funcionários mais graduados de uma forma que rompia com o costume. Ibrahim Pasha liderou exércitos na Hungria e contra os safávidas e conduziu a diplomacia com as potências europeias. Mas em 15 de março de 1536 foi estrangulado no palácio por ordem do sultão. Os historiadores ainda debatem o motivo: as explicações incluem o crescente orgulho e poder de Ibrahim, suas rivalidades com outros estadistas e o desejo do sultão de governar de forma mais direta.

O relacionamento mais famoso de Suleiman foi com Hürrem Sultan, conhecida na Europa como Roxelana. Ela nasceu na Rutênia (na atual Ucrânia ocidental), foi capturada em um ataque de escravização tártaro-criméia e levada ao harém do palácio. Rompendo com o costume otomano, Suleiman a libertou e se casou formalmente com ela, provavelmente em 1534, mantendo-a na corte em Istambul. Ela foi sua conselheira política, correspondeu-se com governantes estrangeiros como o rei Sigismundo II Augusto da Polônia e fundou instituições de caridade, incluindo um complexo de mesquita em Istambul e uma cozinha pública em Jerusalém. Morreu em 1558. Sobreviveram alguns dos poemas de amor que Suleiman escreveu para ela.

A sucessão ao trono era um assunto perigoso na dinastia otomana, já que apenas um filho podia governar. Em 1553, Suleiman mandou executar seu filho mais velho, Mustafa, um príncipe popular nascido de outra consorte, Mahidevran, acusando-o de conspirar uma rebelião em seu acampamento militar. Mais tarde, dois filhos de Hürrem, Selim e Bayezid, lutaram entre si; Bayezid fugiu para o Irã safávida e foi executado lá com seus filhos em 1561, por acordo com o xá. Selim se tornou o sucessor de Suleiman como Selim II.

Observadores europeus, sobretudo os embaixadores venezianos, escreveram relatos vívidos sobre esses eventos, muitas vezes culpando Hürrem pelas mortes de Ibrahim e Mustafa. Os historiadores modernos tratam essas histórias com cautela, pois os diplomatas estrangeiros raramente viam o interior do harém e dependiam de boatos.

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Intermediário

Poesia, arquitetura e as artes

Suleiman foi um poeta talentoso que escreveu em turco otomano e persa sob o nome de pena Muhibbi, "o amante". Uma coletânea de seus poemas (um divã) sobreviveu. Alguns de seus versos se tornaram provérbios em turco. Seu reinado também está associado aos importantes poetas Bâkî e Fuzûlî, este último escrevendo principalmente em Bagdá, e ao historiador e pintor Matrakçı Nasuh, que ilustrou os trajetos das campanhas de Suleiman.

A corte sustentava uma grande organização de artesãos chamada Ehl-i Hiref, a "comunidade dos talentosos". Registros de pagamento de 1526 listam cerca de quarenta grupos com mais de seiscentos membros, incluindo pintores, encadernadores, ourives e tecelões. Seu trabalho deu origem a um estilo otomano característico de ornamentação com tulipas, cravos e longas folhas curvas. A tugra do sultão, um elaborado monograma caligráfico colocado no topo dos documentos oficiais, tornou-se uma obra de arte por si só.

A maior figura da época na arquitetura foi Mimar Sinan, arquiteto-chefe da corte de 1538 até sua morte em 1588. Para Suleiman construiu a Mesquita Şehzade (1543–48) em memória do filho do sultão, Mehmed, e depois o complexo Süleymaniye (1550–57) em uma das colinas de Istambul. Sua mesquita responde à grande cúpula da Hagia Sophia com uma vasta cúpula central e semicúpulas, e ao redor Sinan colocou colégios (madraças), uma escola de medicina, um hospital, uma cozinha pública, um caravançará, um banho e lojas. Suleiman e Hürrem estão sepultados em mausoléus ao lado dela.

O programa de construções de Suleiman foi muito além de Istambul. Ele mandou reconstruir as muralhas de Jerusalém, praticamente como estão hoje, restaurou a Cúpula da Rocha com novos azulejos, realizou obras em Meca e fundou um complexo em Damasco. Esses projetos o apresentavam como protetor do islã e de seus lugares sagrados.

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Intermediário

A última campanha e a morte em Szigetvár

Em maio de 1566, aos setenta e um anos, Suleiman partiu para sua décima terceira campanha, novamente rumo à Hungria. O exército sitiou a fortaleza de Szigetvár, defendida pelo comandante croata-húngaro Nikola Zrinski (Zrínyi Miklós). Suleiman morreu em sua tenda na noite de 6 para 7 de setembro de 1566, pouco antes de a fortaleza cair; os defensores morreram em uma última investida.

Sua morte foi mantida em segredo por semanas pelo grão-vizir Sokollu Mehmed Pasha, para que o exército não perdesse o ânimo e Selim II pudesse viajar para assumir o trono com segurança. As vísceras de Suleiman foram sepultadas perto de Szigetvár, onde mais tarde surgiu um memorial, e seu corpo foi levado de volta a Istambul e sepultado em seu mausoléu na Süleymaniye.

O cerco de Szigetvár se tornou uma história heroica na memória croata e húngara; o bisneto de Zrinski, o poeta Miklós Zrínyi, escreveu um poema épico sobre o episódio no século XVII. Na memória turca, o mesmo evento é a morte pacífica do velho sultão em campanha, à frente de seu exército.

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Avançado

"Magnífico" ou "Legislador"? Nomes e imagens

Os dois epítetos vêm de tradições diferentes. "O Magnífico" reflete o uso europeu renascentista, no qual a magnificência era uma virtude principesca expressa por meio da ostentação, e combina com o tom admirado de muitos relatos venezianos e habsburgos. Ogier Ghiselin de Busbecq, o enviado dos Habsburgos em Istambul na década de 1550, deixou cartas influentes que contrastavam a disciplina otomana e o mérito com o privilégio aristocrático europeu, embora escrevesse com seus próprios objetivos políticos em mente.

O título turco Kanunî é surpreendentemente tardio. Não aparece em fontes otomanas dos séculos XVI e XVII e parece datar de cerca do século XVIII, quando escritores olhavam para trás, para o reinado de Suleiman, como modelo de ordem. Isso significa que a imagem de Suleiman como legislador foi em parte criada por gerações posteriores, que projetaram sobre ele seus próprios ideais.

Também há uma ambiguidade quanto ao seu número de reinado. Algumas obras ocidentais mais antigas o chamam de Suleiman II, contando Süleyman Çelebi, um dos filhos de Bayezid I que governou parte do território otomano durante a guerra civil após 1402. O uso otomano e a pesquisa moderna não consideram Süleyman Çelebi um sultão legítimo, de modo que Suleiman, o Magnífico, é Suleiman I.

O próprio Suleiman trabalhou muito para moldar sua imagem. Textos otomanos da época o apresentavam como um governante universal, o "Salomão da era" (um jogo com seu nome, a forma turca de Salomão), e, no início do reinado, alguns escritores o ligaram a ideias apocalípticas sobre um último governante do mundo. Historiadores como Cornell Fleischer estudaram como essa ideologia imperial mudou ao longo do reinado, de reivindicações messiânicas para uma imagem mais sóbria do sultão sunita justo e obediente à lei.

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Avançado

Era de ouro e "declínio": um debate historiográfico

Por muito tempo, os historiadores trataram o reinado de Suleiman como o auge da grandeza otomana, seguido por um longo "declínio". Essa visão foi construída em parte com base nas próprias fontes otomanas. A partir do final do século XVI, autores de literatura de conselho (nasihatname), como Mustafa Âlî e mais tarde Koçi Bey, reclamavam de corrupção e desordem e apontavam de volta para a época de Suleiman como uma era ideal de justiça.

Desde a década de 1980, a maioria dos historiadores otomanos rejeitou a simples tese do declínio. Eles observam que os autores de conselho muitas vezes falavam em nome de grupos específicos, como cavaleiros detentores de concessões de terras timar, cuja posição foi enfraquecida por mudanças militares e fiscais; sua nostalgia da era de ouro era um argumento, não uma descrição neutra. O império, depois de 1566, mudou seu exército, seu sistema tributário e sua política, mas também continuou a funcionar e até a se expandir por mais um século.

Hoje, os estudiosos costumam descrever o período posterior a Suleiman como uma época de transformação. Baki Tezcan, por exemplo, argumentou que surgiu um "Segundo Império Otomano", no qual o poder era compartilhado mais amplamente entre a dinastia, o palácio, os janízaros e os estudiosos do direito. Vista assim, a época de Suleiman é menos um pico antes de uma queda do que uma etapa em um longo processo de construção do estado.

O estudo de Leslie Peirce sobre o harém imperial também mudou a forma como o reinado é entendido. Em vez de ver a influência de Hürrem como o começo de uma prejudicial "política de saias", Peirce mostra como a casa da dinastia, incluindo as mulheres reais, fazia parte da estrutura da soberania. O posterior "Sultanato das Mulheres" pode então ser lido como uma nova forma de organizar o poder dinástico, em vez de um sintoma de fraqueza.

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Avançado

Fontes e perspectivas

Os historiadores de Suleiman podem contar com um conjunto de evidências incomumente rico. Do lado otomano há crônicas e histórias ilustradas, incluindo o Süleymannâme produzido na corte, registros do conselho imperial e do tesouro, códigos de lei, coletâneas de fatwas, atos de fundação de suas construções e a própria poesia e cartas do sultão. Do lado europeu há relatórios de embaixadores venezianos (relazioni), correspondência diplomática dos Habsburgos e cartas como as de Busbecq.

Cada tipo de fonte tem seus próprios vieses. As histórias da corte otomana elogiam o sultão e descrevem as guerras como vitórias da fé; os relatos venezianos e habsburgos misturam observação aguçada com boatos e estereótipos sobre "o turco". Os registros de arquivo são menos dramáticos, mas mais confiáveis para questões de tributação, posse de terras e funcionamento do estado, razão pela qual os historiadores modernos dependem muito deles.

A memória de Suleiman também varia de país para país. Na Turquia, ele é um herói nacional e símbolo da grandeza imperial, e sua vida foi tema de séries de televisão populares, criticadas por historiadores e por alguns conservadores por sua representação do palácio. Na Hungria, na Croácia, na Sérvia e na Grécia, seu reinado também é lembrado pela perda da independência, pela destruição da guerra e pela escravização de cativos. Um retrato equilibrado mantém em vista tanto as realizações quanto a violência.

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Ideias principais

Kanun e sharia
O governo otomano se apoiava em dois tipos de lei: a lei administrativa do sultão (kanun) e a lei religiosa islâmica (sharia). O reinado de Suleiman, com Ebussuud Efendi, buscou harmonizá-las.
Soberania universal
Suleiman e sua corte o apresentavam como um governante mundial e um novo Salomão, herdeiro de Roma e protetor do islã, competindo com a reivindicação habsburga de império universal.
Guerra de fronteira
A Hungria e o Mediterrâneo eram fronteiras de longa duração entre os mundos otomano e habsburgo, marcadas por cercos, ataques e captura de cativos, além de comércio e diplomacia.
Rivalidade sunita-xiita
As guerras com o Irã safávida eram territoriais, mas também ideológicas, e ajudaram a definir o estado otomano como campeão do islã sunita.
Mecenato e o estilo clássico
Por meio de Sinan e das oficinas da corte, o reinado de Suleiman produziu um reconhecível estilo otomano "clássico" na arquitetura, na caligrafia, na cerâmica e nas artes do livro.
Casa dinástica
O palácio, o harém e os príncipes faziam parte do governo; as disputas de sucessão e o papel das mulheres reais moldaram a política.
Era de ouro como imagem posterior
A imagem do reinado de Suleiman como uma era de ouro perfeita foi acentuada por escritores posteriores e pelo nacionalismo moderno, e os historiadores agora a tratam de forma crítica.

Registros

  1. 1494 — Suleiman nasce em Trebizonda em 6 de novembro, filho do futuro Selim I.
  2. 1520 — Torna-se sultão em 30 de setembro, após a morte do pai.
  3. 1521 — Os otomanos tomam Belgrado.
  4. 1522 — Rodes se rende após um cerco de cerca de cinco meses; os Cavaleiros Hospitalários deixam a ilha.
  5. 1526 — Vitória otomana em Mohács, em 29 de agosto; o rei Luís II da Hungria morre.
  6. 1529 — O cerco de Viena (do final de setembro a meados de outubro) fracassa.
  7. 1534 — Suleiman entra em Bagdá; por volta desse ano se casa com Hürrem.
  8. 1536 — O grão-vizir Pargalı Ibrahim Pasha é executado em 15 de março.
  9. 1538 — A frota de Barbarossa vence a Batalha de Preveza; Sinan se torna arquiteto-chefe da corte.
  10. 1541 — Buda e o centro da Hungria se tornam uma província otomana.
  11. 1555 — Paz de Amasya com o Irã safávida.
  12. 1566 — Suleiman morre durante o cerco de Szigetvár em 6–7 de setembro; Selim II o sucede.

Glossário

Sultão
O título do governante otomano; Suleiman foi o décimo sultão da dinastia.
Grão-vizir
O principal ministro do sultão, chefe do conselho imperial e muitas vezes comandante do exército.
Kanun / kanunname
A lei administrativa do sultão, e um código escrito reunindo essas leis.
Şeyhülislam
O mufti-chefe do Império Otomano, a mais alta autoridade em lei islâmica.
Fatwa
Um parecer jurídico dado por um jurista muçulmano qualificado em resposta a uma pergunta.
Devşirme
O recrutamento de meninos cristãos, principalmente dos Bálcãs, que eram convertidos e treinados para o serviço no palácio, no exército ou no governo.
Janízaros
O corpo de infantaria de elite do sultão, recrutado em grande parte por meio do devşirme.
Haseki Sultan
O título da principal consorte do sultão, ocupado pela primeira vez por Hürrem.
Tugra
O monograma caligráfico do sultão, colocado nos documentos oficiais.
Nasihatname
"Literatura de conselho" otomana dirigida a governantes, muitas vezes contrastando o presente com um passado ideal.

Perguntas e respostas

Por que ele era chamado de "o Magnífico"?

Os europeus usavam o nome para descrever o esplendor de sua corte e o poder de seus exércitos. Na Turquia é chamado de Kanunî, "o Legislador", embora esse título apareça apenas em textos otomanos posteriores.

Suleiman escreveu todas as leis sozinho?

Não. A coleta e a harmonização das leis foi um longo projeto realizado por funcionários e juristas, sobretudo Ebussuud Efendi, com base nos decretos de sultões anteriores. A autoridade do sultão respaldava o resultado.

Ele conquistou Viena?

Não. Seu cerco a Viena em 1529 fracassou, e um segundo avanço em 1532 não chegou à cidade. Viena marcou o limite ocidental de suas conquistas.

Quem foi Hürrem Sultan?

Uma mulher da Rutênia que chegou ao harém como cativa e se tornou esposa legal e conselheira de Suleiman. Foi mãe de seu sucessor Selim II e fundou importantes edifícios de caridade.

Por que ele mandou executar os próprios filhos?

No sistema otomano, apenas um filho podia herdar o trono, e príncipes rivais podiam levantar exércitos. Suleiman executou Mustafa em 1553 sob a acusação de conspirar uma rebelião, e Bayezid foi executado em 1561 depois de se rebelar contra o herdeiro escolhido, Selim. As mortes foram controversas até mesmo na época.

O Império Otomano entrou em declínio após Suleiman?

Histórias mais antigas diziam que sim, mas a maioria dos historiadores hoje descreve o período seguinte como de transformação e adaptação, e não de declínio. O império durou até 1922.

Qual é a melhor evidência para seu reinado?

Os registros de arquivo, os códigos de lei e as fatwas otomanas são os mais confiáveis para entender como o estado funcionava; as crônicas da corte e os relatos de embaixadores europeus são vívidos, mas precisam ser lidos criticamente por causa de seus vieses.

Fontes e leituras adicionais

  1. Suleiman the Magnificent. Wikipedia
  2. Hürrem Sultan. Wikipedia
  3. Ebussuud Efendi. Wikipedia
  4. Battle of Mohács. Wikipedia
  5. Süleymaniye Mosque. Wikipedia
  6. Transformation of the Ottoman Empire. Wikipedia
  7. Halil İnalcık, The Ottoman Empire: The Classical Age 1300–1600. Weidenfeld & Nicolson, 1973
  8. Leslie P. Peirce, The Imperial Harem: Women and Sovereignty in the Ottoman Empire. Oxford University Press, 1993
  9. Cornell H. Fleischer, Bureaucrat and Intellectual in the Ottoman Empire: The Historian Mustafa Âli (1541–1600). Princeton University Press, 1986
  10. Baki Tezcan, The Second Ottoman Empire: Political and Social Transformation in the Early Modern World. Cambridge University Press, 2010

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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