História

As Guerras de Unificação do Japão (1560–1615)

天下統一 (tenka tōitsu, “unification of the realm”); 戦国時代 (Sengoku jidai, “Warring States period”)

1560–1615 · Japão central, de Owari e Quioto a Sekigahara e Osaka (Japão do período Sengoku)

Em uma frase

Entre 1560 e 1615, três senhores da guerra — Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu — lutaram para unir um Japão dividido entre senhores rivais e templos armados, encerrando mais de um século de guerra civil e fundando o xogunato Tokugawa, que manteve a paz por 250 anos.

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Para jovens leitores

Há cerca de 500 anos, o Japão não tinha um governante forte. O shogun, um chefe militar em Kyoto, havia perdido seu poder, e centenas de senhores locais chamados daimyo lutavam entre si por terras. As pessoas chamam essa época de período Sengoku, a era dos “Estados em Guerra”.

Então, três homens, um após o outro, uniram o país. Oda Nobunaga venceu batalhas famosas e tomou a capital, Kyoto. Quando foi morto por um de seus próprios generais, Toyotomi Hideyoshi, que havia começado a vida como soldado de infantaria, terminou o trabalho e se tornou governante de todo o Japão.

Depois que Hideyoshi morreu, Tokugawa Ieyasu venceu a grande batalha de Sekigahara em 1600 e se tornou shogun. Em 1615, ele conquistou o Castelo de Osaka, o último reduto da família de Hideyoshi. Depois disso, o Japão viveu em paz por cerca de 250 anos.

Um ditado japonês compara os três a cozinheiros: Nobunaga socou o arroz, Hideyoshi amassou a massa, e Ieyasu sentou-se e comeu o bolo de arroz. As guerras também trouxeram armas de fogo, enormes castelos de pedra e muito sofrimento para as pessoas comuns.

Em resumo

Quando
1560 (Batalha de Okehazama) a 1615 (queda do Castelo de Osaka), a última fase do período Sengoku
Onde
Honshu, Shikoku e Kyushu, de Satsuma no sul até Mutsu no norte; o centro era a região de Kyoto–Osaka
Unificadores
Oda Nobunaga (1534–1582), Toyotomi Hideyoshi (1537–1598), Tokugawa Ieyasu (1543–1616)
Principais opositores
Imagawa, Asai e Asakura, Takeda, Uesugi, os Ikkō-ikki de Hongan-ji, Mōri, Akechi Mitsuhide, Shibata Katsuie, Shimazu, Hōjō, e em 1600–1615 o Exército Ocidental e os Toyotomi em Osaka
Batalhas decisivas
Okehazama (1560), Nagashino (1575), Yamazaki (1582), Sekigahara (1600), o Cerco de Osaka (1614–15)
Resultado
Unificação política sob Hideyoshi (até 1590) e o xogunato Tokugawa (1603–1868)
Principais fontes
O Shinchō kōki de Ōta Gyūichi, diários de cortesãos, cartas de senhores, relatos jesuítas e histórias posteriores do período Edo

A guerra dia a dia

Aperte reproduzir para acompanhar a campanha no mapa. Os marcadores são batalhas e eventos; as setas, marchas registradas.

12 de junho de 1560
1/10 · Okehazama e a ascensão de Oda Nobunaga
Oda (Nobunaga e seus generais, até 1582)Toyotomi (Hideyoshi a partir de 1582; o Exército Ocidental em 1600; Osaka em 1614-15)Tokugawa (Ieyasu; o Exército Oriental em 1600)TakedaUesugiOutros rivais (Imagawa, Saitō, Asai-Asakura, Ashikaga Yoshiaki, Ikkō-ikki, Mōri, Akechi, Shibata, Hōjō, Shimazu e outros)

Fases

  1. Em 1560, Oda Nobunaga, senhor de parte de Owari, destruiu o exército invasor de Imagawa Yoshimoto em Okehazama. Matsudaira Motoyasu (mais tarde Tokugawa Ieyasu) abandonou os Imagawa e se aliou a ele, enquanto no nordeste Takeda Shingen e Uesugi Kenshin travaram sua batalha mais sangrenta em Kawanakajima. Por volta de 1567, Nobunaga já havia conquistado Mino e fez de Gifu sua base.

    Sengoku period (English Wikipedia)Oda Nobunaga (English Wikipedia)Battle of Okehazama (English Wikipedia)Battles of Kawanakajima (English Wikipedia)稲葉山城の戦い (Japanese Wikipedia)日本の暦日データベース (NAOJ Japanese calendar database; Julian before 15 Oct 1582, Gregorian after), based on 内田正男『日本暦日原典』

Eventos recentes

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O que foram as guerras de unificação?

As guerras de unificação do Japão foram uma longa sequência de batalhas, cercos e acordos políticos pelos quais alguns poderosos senhores da guerra colocaram todo o Japão sob um único governo. Começaram em 1560, quando Oda Nobunaga, senhor de parte da província de Owari (perto da atual Nagoya), destruiu um exército invasor em Okehazama, e terminaram em 1615, quando os Tokugawa capturaram o Castelo de Osaka e morreu o último herdeiro de Toyotomi Hideyoshi.

Os historiadores japoneses chamam o objetivo dessas guerras de tenka tōitsu, “unificar o reino sob o céu”. A palavra tenka significava, a princípio, a região da capital ao redor de Kyoto, onde viviam o imperador e o shogun, e só aos poucos passou a designar o país inteiro. Os anos entre a entrada de Nobunaga em Kyoto, em 1568, e Sekigahara, em 1600, também são chamados de período Azuchi-Momoyama, em referência aos castelos de Nobunaga e Hideyoshi.

As guerras não foram um único conflito com dois lados. As alianças mudavam o tempo todo. Tokugawa Ieyasu lutou pelos Imagawa em 1560, ao lado de Nobunaga a partir de 1562, contra Hideyoshi em 1584 e a seu favor depois disso, e contra o filho de Hideyoshi em 1614. Comunidades religiosas, especialmente as ligas Ikkō-ikki da seita Jōdo Shinshū, estavam entre os mais fortes poderes armados da época.

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Fácil

Os três unificadores

Oda Nobunaga (1534–1582) era filho de um senhor de nível médio. Era ousado, rápido em adotar novas armas e, muitas vezes, impiedoso. A partir de 1567, usava um selo com os dizeres Tenka fubu, normalmente traduzido como “o reino sob domínio militar”. Na época de sua morte, controlava cerca de um terço do Japão, incluindo a capital.

Toyotomi Hideyoshi (1537–1598) nasceu numa família humilde de Owari e ascendeu a serviço de Nobunaga, de posição baixa até se tornar um de seus principais generais, sob o nome de Hashiba. Depois da morte de Nobunaga, derrotou seus rivais, assumiu os títulos da corte de kampaku (regente imperial) e daijō daijin, e, por volta de 1590, era obedecido por todos os senhores do Japão. Em seguida, lançou duas invasões da Coreia (1592–1598), conhecidas na Coreia como a Guerra Imjin, que fracassaram.

Tokugawa Ieyasu (1543–1616) passou parte da infância como refém e foi aliado de Nobunaga por vinte anos. Hideyoshi o transferiu para a região de Kantō em 1590, e ele construiu Edo (atual Tóquio) como sua base. Depois da morte de Hideyoshi, venceu em Sekigahara, tornou-se shogun em 1603 e destruiu os Toyotomi em 1615. Seus descendentes governaram o Japão até 1868.

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Fácil

Passo a passo, 1560–1582: as guerras de Nobunaga

Em 1560, Imagawa Yoshimoto marchou para o oeste através de Owari com um grande exército. Nobunaga, com uma força bem menor, atacou seu acampamento em Okehazama e o matou. Os Imagawa nunca se recuperaram, e seu jovem vassalo Matsudaira Motoyasu — mais tarde Tokugawa Ieyasu — fez sua própria aliança com Nobunaga. Em 1567, Nobunaga tomou o Castelo de Inabayama, em Mino, e o renomeou Gifu.

Em 1568, Nobunaga escoltou Ashikaga Yoshiaki, irmão de um shogun assassinado, até Kyoto, e Yoshiaki se tornou o décimo quinto shogun. Os dois logo brigaram. Yoshiaki incentivou um cerco de inimigos contra Nobunaga: os Asai e Asakura, os mosteiros de Enryaku-ji no monte Hiei, os Ikkō-ikki de Hongan-ji e Takeda Shingen, que esmagou Ieyasu em Mikatagahara em 1573. Nobunaga revidou, queimou o monte Hiei em 1571 e, em 1573, expulsou Yoshiaki de Kyoto e destruiu os Asakura e os Asai. Shingen morreu em campanha no mesmo ano.

Em 1575, tropas Oda e Tokugawa, usando arcabuzes em massa atrás de paliçadas de madeira, derrotaram Takeda Katsuyori em Nagashino. Nobunaga construiu um grande e novo castelo em Azuchi, no lago Biwa, cercou o templo fortificado de Ishiyama Hongan-ji, em Osaka, por dez anos, até sua rendição em 1580, e enviou Hideyoshi para o oeste contra os Mōri. Na primavera de 1582, seus exércitos destruíram os Takeda.

No segundo dia do sexto mês de 1582 (21 de junho no calendário ocidental então usado), Nobunaga estava hospedado no templo Honnō-ji, em Kyoto, com poucos guardas. Seu general Akechi Mitsuhide cercou o templo com seu exército, e Nobunaga morreu no incêndio. Seu filho mais velho e herdeiro morreu no mesmo dia.

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Fácil

Passo a passo, 1582–1615: Hideyoshi e Ieyasu

Hideyoshi estava cercando o castelo Mōri de Bitchū Takamatsu quando recebeu a notícia. Rapidamente fez as pazes, marchou seu exército cerca de 200 quilômetros de volta em direção a Kyoto em cerca de uma semana e derrotou Mitsuhide em Yamazaki onze dias após Honnō-ji. Em 1583, venceu o principal general de Nobunaga, Shibata Katsuie, em Shizugatake, e começou a construir o Castelo de Osaka.

Em 1584, Hideyoshi lutou contra Ieyasu e o filho de Nobunaga, Nobukatsu, em Komaki e Nagakute. Ieyasu venceu a batalha principal, mas Hideyoshi venceu a guerra ao fazer uma paz separada com Nobukatsu, e Ieyasu mais tarde se tornou seu vassalo. Hideyoshi conquistou Shikoku em 1585 e Kyushu em 1587, quando os poderosos Shimazu de Satsuma se submeteram. Em 1590, cercou os Hōjō em Odawara, e os senhores do norte vieram jurar lealdade. Pela primeira vez em mais de um século, todas as regiões do Japão obedeciam a um único governante.

Quando Hideyoshi morreu em 1598, seu filho Hideyori tinha cinco anos. Ieyasu, o mais forte dos regentes, e Ishida Mitsunari, um dos administradores de Hideyoshi, tornaram-se rivais ferrenhos. Em 1600, seus exércitos — o Exército Oriental e o Exército Ocidental — se encontraram em Sekigahara. Vários senhores ocidentais mudaram de lado durante a batalha, e Ieyasu venceu em um único dia.

Ieyasu se tornou shogun em 1603, mas Hideyori ainda vivia no Castelo de Osaka com grande riqueza e prestígio. No inverno de 1614, Ieyasu cercou Osaka; os defensores resistiram, e uma trégua foi acordada. No verão de 1615, os Tokugawa atacaram novamente, venceram as batalhas de Dōmyōji e Tennōji e capturaram o castelo em chamas. Hideyori e sua mãe se suicidaram, e a era das guerras civis chegou ao fim.

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Intermediário

Antecedentes: por que o Japão havia se fragmentado

Os shoguns Ashikaga governavam o Japão a partir de Kyoto desde o século XIV, mas sua autoridade dependia de grandes governadores provinciais (shugo). A Guerra Ōnin de 1467–1477, travada dentro e ao redor de Kyoto entre facções desses governadores, deixou a capital em ruínas e o xogunato sem poder. Os historiadores costumam datar o início do período Sengoku a partir dessa guerra.

Ao longo do século seguinte, o poder real passou para senhores regionais, os daimyo sengoku. Muitos deles — os Hōjō em Kantō, os Mōri no oeste, até mesmo os Oda — eram homens novos que haviam derrubado ou substituído seus antigos superiores, uma tendência que os contemporâneos chamavam de gekokujō, “os de baixo derrubando os de cima”. Os mais fortes construíram Estados territoriais com seus próprios códigos de leis, levantamentos de terras, cidades-castelo e exércitos de vassalos e camponeses recrutados.

Outros poderes não eram daimyo. Ligas de aldeões e samurais locais (ikki) governavam províncias inteiras, como Kaga e Iga. A rede de templos Jōdo Shinshū (Terra Pura Verdadeira), centrada em Ishiyama Hongan-ji, em Osaka, podia convocar dezenas de milhares de crentes armados. Grandes mosteiros como o Enryaku-ji possuíam propriedades e mantinham forças armadas. Cidades como Sakai eram administradas por conselhos de mercadores.

Por que Nobunaga, e não um senhor mais poderoso, iniciou a unificação? Os historiadores apontam para as ricas terras arrozeiras e rotas comerciais de Owari e Mino, próximas de Kyoto, para o uso que ele fez do shogun e do imperador para legitimar suas ações, e para a sorte: as mortes de Takeda Shingen em 1573 e Uesugi Kenshin em 1578 removeram seus inimigos mais perigosos em momentos críticos.

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Intermediário

Armas de fogo, castelos e exércitos de massa

Comerciantes portugueses levaram arcabuzes de mecha à ilha de Tanegashima em 1543, e ferreiros japoneses logo passaram a fabricá-los em grande número em locais como Sakai e Kunitomo. Na década de 1570, os arcabuzes (teppō) já eram equipamento padrão para os soldados de infantaria (ashigaru), usados junto com longas lanças e arcos. Nagashino, em 1575, tornou-se o símbolo dessa mudança, embora os historiadores hoje considerem que a história de uma saraiva de tiros perfeitamente cronometrada, disparada em três fileiras alternadas, seja um enfeite posterior.

Os exércitos cresceram enormemente. As batalhas do início do período Sengoku frequentemente envolviam alguns milhares de homens; diz-se que Hideyoshi mobilizou bem mais de 200 mil na campanha de Odawara, em 1590, e ambos os lados em Sekigahara reuniram dezenas de milhares cada. Esses exércitos exigiam estradas, depósitos de suprimentos, frotas e logística cuidadosa, e Hideyoshi, em particular, era mestre em cercos por fome e inundação, como em Miki, Tottori e Bitchū Takamatsu.

Os castelos também mudaram. As fortalezas mais antigas eram, em sua maioria, obras de terra no alto de colinas. O Castelo de Azuchi, de Nobunaga (iniciado em 1576), combinava altas muralhas de pedra com uma torre de vários andares (tenshu) ricamente decorada por dentro, e servia como residência, palco político e símbolo de poder. Os castelos de Osaka e Fushimi de Hideyoshi, e os castelos Tokugawa que vieram depois, espalharam esse estilo por todo o Japão. Cidades-castelo cresceram ao redor deles e se tornaram as ancestrais de muitas cidades japonesas modernas.

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Intermediário

A religião e as guerras

A guerra mais longa de Nobunaga não foi contra um daimyo, mas contra Hongan-ji. De 1570 a 1580, seu líder, Kennyo, convocou os fiéis à resistência, e as forças Ikkō-ikki lutaram contra Nobunaga em Osaka, Nagashima, Echizen e Kaga. Nobunaga respondeu com violência extrema. Em Nagashima, em 1574, ele ordenou a morte das comunidades cercadas quando estas saíram para se render. Em 1580, Hongan-ji finalmente aceitou um acordo mediado pelo imperador e deixou Osaka.

Em 1571, as tropas de Nobunaga incendiaram os templos de Enryaku-ji, no monte Hiei, o mais importante centro do budismo Tendai, que havia abrigado seus inimigos. Diários da época descrevem milhares de vítimas. Escavações modernas encontraram menos vestígios de incêndio do que esses relatos sugerem, então a escala é debatida, mas o ataque chocou os contemporâneos e moldou a imagem posterior de Nobunaga como destruidor do budismo.

O cristianismo chegou com Francisco Xavier em 1549. Nobunaga permitiu que missionários jesuítas pregassem em Kyoto e Azuchi, em parte para equilibrar as instituições budistas e em parte por interesse em produtos europeus, e alguns daimyo se converteram. Em 1587, ao fim da campanha de Kyushu, Hideyoshi emitiu um edito ordenando que os missionários deixassem o país, embora inicialmente não fosse rigorosamente aplicado; os Tokugawa mais tarde proibiram o cristianismo por completo. A unificação, assim, encerrou o poder militar das instituições religiosas e colocou todas as religiões sob o controle do Estado.

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Intermediário

Resultados: uma nova ordem política

Hideyoshi transformou a vitória militar em um sistema duradouro. Seus levantamentos de terras em todo o país (Taikō kenchi) mediram os campos e os avaliaram em koku de arroz, de modo que o valor do domínio de cada senhor ficasse conhecido. Sua caça às espadas de 1588 ordenou que os camponeses entregassem suas armas, e decretos posteriores fixaram a linha entre os guerreiros, que viviam em cidades-castelo, e os camponeses, que permaneciam nas aldeias. Os senhores podiam ser transferidos de um domínio para outro por ordem sua.

Os Tokugawa mantiveram e aperfeiçoaram essas políticas. O xogunato controlava as principais cidades e minas, organizava os daimyo entre vassalos de confiança (fudai) e antigos rivais (tozama), e mais tarde exigiu que passassem anos alternados em Edo. As Leis para as Casas Militares de 1615, emitidas logo após a queda de Osaka, limitaram a construção de castelos e as alianças entre senhores.

O resultado foi uma paz incomumente longa. De 1615 até a década de 1860, não houve grande guerra dentro do Japão, à parte a rebelião de Shimabara de 1637–38. Os samurais se tornaram administradores, as cidades e o comércio cresceram, e a cultura do período Edo floresceu. O mesmo poder militar unificado também havia possibilitado as invasões de Hideyoshi à Coreia em 1592–1598, cujos resultados são descritos no artigo sobre a Guerra Imjin.

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Intermediário

O custo humano

As crônicas da unificação tendem a celebrar grandes generais, mas as guerras recaíram mais pesadamente sobre as pessoas comuns. Os exércitos viviam da terra, queimavam aldeias para negar suprimentos ao inimigo e capturavam tanto pessoas quanto bens. Fontes da época descrevem cativos sendo vendidos, às vezes a comerciantes estrangeiros, uma prática mencionada nos éditos de 1587.

Os cercos por fome, que fizeram a reputação de Hideyoshi, significavam morte lenta para os defensores e para os moradores e camponeses que haviam fugido para dentro dos castelos. Relatos de Tottori, em 1581, descrevem uma fome terrível dentro das muralhas. Comunidades religiosas sofreram massacres no monte Hiei, em Nagashima e em Echizen, e a invasão de Iga, em 1581, é lembrada localmente como uma catástrofe.

Os números de mortos nas fontes costumam ser cifras redondas, escritas para impressionar, e os historiadores modernos os tratam com cautela. O que é claro é que a paz que se seguiu foi construída sobre a destruição de muitas comunidades independentes — aldeias, ligas, templos e cidades — que haviam se autogovernado durante o período Sengoku.

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Intermediário

Memória e imagens em transformação

Durante o período Edo, o xogunato Tokugawa incentivou histórias que apresentavam Ieyasu como um fundador paciente e sábio, e ele foi cultuado como uma divindade (Tōshō Daigongen) em Nikkō. Hideyoshi, cuja linhagem os Tokugawa haviam destruído, foi oficialmente minimizado, mas livros populares como o Taikōki fizeram de sua ascensão de camponês a governante uma história muito apreciada.

Depois da Restauração Meiji de 1868, os três unificadores foram reinterpretados como heróis nacionais. Hideyoshi, em particular, foi celebrado na era do imperialismo japonês por suas invasões da Coreia — as mesmas guerras que os coreanos lembram como uma catástrofe nacional e uma história de resistência. Nobunaga se tornou o modelo do inovador modernizador, uma imagem ainda popular em romances, dramas de televisão, filmes e videogames.

As visões fora do Japão diferem. Para a Coreia e a China, a figura central do período é Hideyoshi o invasor, não Hideyoshi o unificador. Dentro do Japão também, os historiadores se afastaram da narrativa dos “grandes homens” em direção ao estudo de aldeias, comunidades religiosas, comércio e da experiência das pessoas comuns, e muitas lendas antigas sobre os três unificadores têm sido questionadas.

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Avançado

Fontes: crônicas, diários, cartas e histórias posteriores

A fonte narrativa mais importante sobre Nobunaga é o Shinchō kōki (Crônica do senhor Nobunaga), de seu antigo vassalo Ōta Gyūichi, compilada depois de 1582 a partir de anotações que ele mantinha na época. Os historiadores a consideram geralmente confiável em datas e locais, embora apresente Nobunaga de forma favorável; uma tradução em inglês de J. S. A. Elisonas e J. P. Lamers foi publicada em 2011. Sobre Hideyoshi, o Taikōki de Oze Hoan (década de 1620) é mais vivaz, mas menos confiável.

Diários de cortesãos e sacerdotes da época, como o Tokitsugu kyōki, o Kanemi kyōki e o Tamon’in nikki do templo Kōfuku-ji, registram os acontecimentos dia a dia do ponto de vista de Kyoto e Nara. Milhares de cartas e ordens emitidas pelos próprios senhores da guerra sobreviveram e formam a espinha dorsal documental da pesquisa moderna. Cartas jesuítas e a História de Japam de Luís Fróis oferecem descrições externas de Nobunaga, Hideyoshi e suas cidades.

Grande parte da imagem popular das guerras, porém, vem de obras posteriores: o Kōyō gunkan, um texto militar dos Takeda compilado no início do século XVII; histórias do período Tokugawa, como o Mikawa monogatari e o Tokugawa jikki oficial; e histórias militares escritas pelo Estado-Maior Geral do Exército Imperial Japonês no final do século XIX e início do XX. Seus detalhes dramáticos — números de tropas, discursos, estratagemas engenhosos — muitas vezes não são confirmados por fontes anteriores.

As datas são outro problema para leitores fora do Japão. As fontes japonesas usam nomes de eras e o calendário lunissolar, então o segundo dia do sexto mês de Tenshō 10 (Honnō-ji) corresponde a 21 de junho de 1582 no calendário juliano então usado na Europa. As obras em inglês costumam dar datas julianas antes de outubro de 1582 e datas gregorianas depois; tabelas de conversão, como a publicada pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão, são a ferramenta padrão, e pequenas discrepâncias entre livros são comuns.

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Avançado

Debates acadêmicos

Revolucionário ou convencional? A visão mais antiga de Nobunaga como um inovador radical que deliberadamente buscou destruir a ordem medieval tem sido contestada. Japonius Tyrannus (2000), de Jeroen Lamers, e boa parte da pesquisa japonesa recente destacam o quanto Nobunaga trabalhou dentro das instituições existentes, cooperando com a corte e, por anos, com o shogun, e como muitas de suas “inovações” tinham precedentes entre outros daimyo.

Batalhas e lendas. Em Okehazama, a história tradicional de um ataque surpresa contornando a retaguarda do acampamento Imagawa vem principalmente de obras posteriores, e alguns historiadores defendem um ataque mais direto. Em Nagashino, a famosa saraiva de tiros em três fileiras disparada por 3 mil arcabuzeiros não é descrita nas fontes mais antigas, e os historiadores duvidam tanto dos números quanto da tática, destacando em vez disso as fortificações de campo e a decisão dos Takeda de atacá-las. Em Sekigahara, a história de que Ieyasu forçou Kobayakawa Hideaki a desertar disparando contra sua posição foi questionada por Fujimoto Masayuki já em 1984, e o famoso conselho de Oyama, antes da campanha, também tem sido posto em dúvida por conflitar com cartas da época.

Por que Honnō-ji? O motivo de Akechi Mitsuhide gerou muitas teorias: rancor pessoal, ambição, medo por sua própria posição, lealdade à corte ou ao shogun, ou conspiração de terceiros. Cartas encontradas nos documentos da família Ishigai, publicadas em 2014, chamaram atenção para a “teoria de Shikoku”: a decisão de Nobunaga de atacar Chōsokabe Motochika, com quem o círculo de Mitsuhide tinha laços estreitos. Nenhuma teoria é aceita por todos os historiadores.

Periodização e a ideia de unificação. Os historiadores discordam sobre se o processo deveria ser datado a partir de 1560, 1568 ou 1573, e se terminou em 1590, 1600 ou 1615. Alguns questionam o próprio termo teleológico “unificação”, já que os participantes não sabiam como as coisas terminariam e muitos lutavam para preservar a autonomia local. Historiadores comparativos situam a unificação do Japão ao lado de outros processos de construção de Estados na era moderna inicial, como a consolidação de Joseon, da China Ming e Qing, do império mogol e das monarquias europeias.

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Ideias principais

Tenka tōitsu
“Unificação do reino”: o objetivo de trazer a região da capital, e por fim todo o Japão, sob um único governo militar.
Daimyo sengoku
Senhores regionais que governavam territórios por meio de seus próprios vassalos, leis e exércitos após o colapso da autoridade Ashikaga.
Gekokujō
“Os de baixo derrubando os de cima”: a derrubada de senhores por seus próprios vassalos, típica do período Sengoku.
Armas de fogo e fortificação de campo
Arcabuzes em massa combinados com paliçadas, valas e acampamentos fortificados mudaram a forma como batalhas e cercos eram travados.
O poder religioso quebrado
As guerras encerraram o poder militar independente de templos e ligas religiosas como Hongan-ji e Enryaku-ji.
Separação entre guerreiros e camponeses
Levantamentos de terras, a caça às espadas e decretos de status fizeram dos samurais uma classe urbana separada dos aldeões armados.
Pax Tokugawa
A longa paz de 1615 até a década de 1860, que se seguiu à destruição dos Toyotomi em Osaka.

Registros

  1. 1467 — A Guerra Ōnin começa em Kyoto, dando início ao período Sengoku.
  2. 1543 — Comerciantes portugueses levam arcabuzes de mecha a Tanegashima.
  3. 1560 — Oda Nobunaga derrota e mata Imagawa Yoshimoto em Okehazama.
  4. 1568 — Nobunaga entra em Kyoto; Ashikaga Yoshiaki se torna shogun.
  5. 1571 — Nobunaga incendeia os templos do monte Hiei.
  6. 1573 — Yoshiaki é expulso de Kyoto; os Asakura e os Asai são destruídos; Takeda Shingen morre.
  7. 1575 — Batalha de Nagashino: o exército Oda–Tokugawa derrota Takeda Katsuyori.
  8. 1580 — Ishiyama Hongan-ji deixa Osaka após dez anos de guerra.
  9. 1582 — Os Takeda são destruídos; Nobunaga morre em Honnō-ji; Hideyoshi vence em Yamazaki.
  10. 1590 — Cerco de Odawara: os Hōjō se rendem e Hideyoshi completa a unificação.
  11. 1600 — Batalha de Sekigahara: o Exército Oriental de Tokugawa Ieyasu vence.
  12. 1615 — Queda do Castelo de Osaka; Toyotomi Hideyori morre e as guerras terminam.

Glossário

Daimyo
Um senhor regional que governava um domínio e comandava seus próprios guerreiros.
Shogun
O governante militar hereditário do Japão, nomeado pelo imperador; os Ashikaga ocuparam o cargo até 1573 (formalmente 1588) e os Tokugawa a partir de 1603.
Kampaku
Regente imperial, o mais alto cargo da corte para um imperador adulto; Hideyoshi o ocupou a partir de 1585.
Ikkō-ikki
Ligas armadas de seguidores da seita budista Jōdo Shinshū (Terra Pura Verdadeira), lideradas pelo templo de Hongan-ji.
Ashigaru
Soldados de infantaria, muitas vezes de origem camponesa, armados com lanças, arcos ou arcabuzes.
Teppō
O arcabuz de mecha japonês, fabricado pela primeira vez no Japão depois de 1543.
Tenshu
A torre principal de vários andares de um castelo japonês, construída em grande escala pela primeira vez em Azuchi.
Koku
Uma medida de arroz (cerca de 180 litros) usada para avaliar o valor de terras e domínios.
Caça às espadas (katanagari)
A ordem de Hideyoshi, de 1588, exigindo que camponeses e instituições religiosas entregassem suas armas.
Exércitos Oriental e Ocidental
As coalizões lideradas por Tokugawa Ieyasu e por Ishida Mitsunari (em nome de Toyotomi Hideyori) em Sekigahara, em 1600.

Perguntas e respostas

Por que essas guerras são chamadas de guerras de “unificação”?

Porque, no fim, o Japão, que havia sido dividido entre muitos senhores, passou a ser governado por um único governo. Os historiadores usam a palavra com cautela, já que quem lutou não sabia como as coisas terminariam, e muitos lutavam para manter sua independência.

Nobunaga realmente venceu em Nagashino com um novo tipo de tiro de arma de fogo?

Suas tropas certamente usaram muitos arcabuzes atrás de paliçadas. A famosa história de 3 mil atiradores disparando em três fileiras alternadas, porém, aparece apenas em relatos posteriores, e muitos historiadores hoje duvidam dela.

Por que Akechi Mitsuhide matou Nobunaga?

Ninguém sabe ao certo. As explicações vão de rancores pessoais e ambição a temores sobre os planos de Nobunaga para Shikoku. Mitsuhide morreu menos de duas semanas depois, antes de poder explicar suas razões por escrito de forma que sobrevivesse até hoje.

Hideyoshi era realmente um camponês?

Ele veio de uma família humilde de Owari, possivelmente de origem camponesa ou de soldado de infantaria. Sua ascensão ao topo da sociedade japonesa foi única, e histórias posteriores a exageraram ainda mais.

Como as pessoas comuns foram afetadas?

Aldeias foram queimadas e saqueadas, pessoas foram capturadas e às vezes vendidas, e os cercos causaram fome. Depois de 1615, porém, a longa paz permitiu que a agricultura, o comércio e as cidades crescessem.

Por que os livros em inglês às vezes dão datas diferentes para a mesma batalha?

As fontes japonesas usam um calendário lunissolar com nomes de eras. Converter para o calendário ocidental exige tabelas, e os autores diferem sobre usar o calendário juliano ou o gregoriano antes de 1582. Por isso, uma diferença de um a dez dias é comum.

Como esse período está ligado à Coreia?

Depois de unificar o Japão, Hideyoshi usou seus exércitos para invadir a Coreia em 1592 e 1597. Essas guerras, a Guerra Imjin, são tratadas em um artigo separado.

Fontes e leituras adicionais

  1. Sengoku period. Wikipedia
  2. Oda Nobunaga. Wikipedia
  3. Toyotomi Hideyoshi. Wikipedia
  4. Battle of Nagashino. Wikipedia
  5. Honnō-ji Incident. Wikipedia
  6. Battle of Sekigahara. Wikipedia
  7. Siege of Osaka. Wikipedia
  8. Mary Elizabeth Berry, Hideyoshi. Harvard University Press, 1982
  9. Jeroen P. Lamers, Japonius Tyrannus: The Japanese Warlord Oda Nobunaga Reconsidered. Hotei Publishing, 2000
  10. Ōta Gyūichi, The Chronicle of Lord Nobunaga (Shinchō kōki), translated by J. S. A. Elisonas and J. P. Lamers. Brill, 2011

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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