Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.
- Fácil
- Intermediário
- Avançado
Para jovens leitores
Há muito tempo, a terra que hoje chamamos de China era dividida em vários reinos que lutaram entre si por mais de duzentos anos. Os historiadores chamam essa época de período dos Reinos Combatentes. No fim, restavam sete grandes Estados.
O mais forte era Qin, no oeste. Seus governantes mudaram as leis para que os agricultores também pudessem ser soldados. Os soldados que lutavam com coragem recebiam terras e posições mais altas. Qin passou a produzir muitos alimentos e ficou forte nas guerras.
Em 230 a.C., o jovem rei de Qin, Ying Zheng, começou a conquistar os outros seis reinos: Han, Zhao, Wei, Chu, Yan e Qi. Em apenas dez anos, derrotou todos eles. Alguns lutaram com força; o último se rendeu sem batalha.
Quando as guerras terminaram, em 221 a.C., o rei criou para si um novo título: Shi Huangdi, o “Primeiro Imperador”. Ele determinou que todos usassem os mesmos tipos de escrita, dinheiro e medidas, para governar todas as terras como um só império.
As guerras foram terríveis para as pessoas comuns. Muitos soldados e moradores morreram, cidades foram inundadas ou queimadas, e famílias tiveram de se mudar. O império criado pelo Primeiro Imperador durou apenas quinze anos, mas a ideia de um país unido permaneceu por mais de dois mil anos.
Em resumo
- Quando
- 230–221 a.C., fase final do período dos Reinos Combatentes
- Onde
- Norte e centro da China, do vale do rio Wei ao rio Yangtzé e à península de Shandong
- Vencedor
- O Estado de Qin, sob o rei Ying Zheng (mais tarde Qin Shi Huang), com capital em Xianyang
- Estados conquistados
- Han (230), Zhao (228; seu Estado sucessor, Dai, em 222), Wei (225), Chu (223), Yan (222) e Qi (221 a.C.)
- Principais generais
- Wang Jian, Wang Ben, Li Xin, Meng Wu e Neishi Teng; do outro lado, Li Mu, de Zhao, e Xiang Yan, de Chu
- Resultado
- Criação do Império Qin (221–206 a.C.) e do título huangdi, “imperador”
- Fonte principal
- Registros do Grande Historiador (Shiji), de Sima Qian, de cerca de 90 a.C., além de documentos Qin encontrados em escavações
- Legado
- Um império centralizado, dividido em comandarias e distritos, cujo modelo foi herdado por dinastias posteriores
Fácil
O que foram as guerras de unificação de Qin?
As guerras de unificação de Qin foram uma série de campanhas em que o Estado de Qin conquistou os outros seis grandes Estados do período dos Reinos Combatentes, entre 230 e 221 a.C. Elas encerraram uma longa era de guerras entre Estados e criaram o primeiro império a governar a maior parte das terras onde se escrevia em chinês, do vale do rio Wei, a oeste, até o mar, a leste.
O vencedor, o rei Ying Zheng, de Qin, adotou um novo título em 221 a.C.: huangdi, geralmente traduzido como “imperador”. Chamou a si mesmo de Shi Huangdi, o “Primeiro Imperador”. A dinastia Qin, fundada por ele, ruiu em 206 a.C., apenas quatro anos depois de sua morte. Seu sistema de governo centralizado, porém, foi adotado pela dinastia Han e moldou os Estados chineses por dois milênios.
Chamar essas guerras de “unificação” reflete um ponto de vista posterior. Para os habitantes de Chu, Qi ou Zhao, elas foram guerras de conquista travadas por um Estado estrangeiro e muitas vezes temido. Hoje, os historiadores usam os dois termos e procuram mostrar as duas perspectivas.
Fácil
Os sete Estados
No século XI a.C., a dinastia Zhou havia distribuído suas terras entre parentes e aliados. Ao longo dos séculos, esses Estados vassalos se tornaram independentes, e o rei Zhou conservou apenas seu prestígio ritual. No século V a.C., alguns grandes Estados territoriais disputavam a supremacia. Os historiadores chineses chamam o período de cerca de 475 a 221 a.C. de Reinos Combatentes (Zhanguo).
Sete Estados dominavam a região. Qin ocupava o vale do rio Wei, no oeste, protegido por passagens montanhosas. Han, o menor deles, e Wei ficavam nas planícies centrais, ao longo do rio Amarelo. Zhao ficava ao norte, na fronteira com as estepes. Yan ocupava o extremo nordeste, em torno da atual Pequim. Qi era um Estado próspero na península de Shandong, junto ao mar. Chu, o maior, abrangia boa parte da região do médio Yangtzé e tinha uma cultura própria.
Esses Estados compartilhavam uma língua escrita e muitas tradições, mas diferiam nos dialetos, nas formas de escrita, nas leis, nas moedas e nas medidas. Todos os seus governantes haviam adotado o título de rei (wang), sinal de que nenhum aceitava a superioridade dos demais.
Fácil
Dez anos, seis reinos: as campanhas passo a passo
Han caiu primeiro. Em 230 a.C., um exército de Qin comandado por Neishi Teng capturou a capital e o rei de Han, e o território se tornou uma comandaria de Qin. Zhao, o rival mais difícil de Qin, veio em seguida. Seu general Li Mu derrotou exércitos de Qin várias vezes, mas agentes de Qin subornaram um ministro de Zhao para acusá-lo de traição, e o rei mandou afastá-lo e matá-lo. Em 228 a.C., Handan, a capital de Zhao, caiu. Um príncipe de Zhao fugiu para o norte e resistiu como rei de Dai até 222 a.C.
Yan fez uma tentativa desesperada. Em 227 a.C., seu príncipe herdeiro Dan enviou o espadachim Jing Ke à corte de Qin, disfarçado de emissário que levava um mapa com uma adaga envenenada enrolada dentro dele. A tentativa de assassinato fracassou, e os exércitos de Qin tomaram a capital de Yan no ano seguinte. O rei de Yan fugiu para a península de Liaodong e foi capturado em 222 a.C.
Wei caiu em 225 a.C., quando o general Wang Ben, de Qin, desviou a água de um rio para inundar sua capital, Daliang, forçando o rei a se render. Chu foi o adversário mais difícil. Uma primeira invasão, comandada pelo jovem general Li Xin, foi derrotada pelo general Xiang Yan, de Chu. O rei então entregou ao veterano Wang Jian um exército enorme, que, segundo o Shiji, tinha 600 mil homens. Wang Jian esperou atrás de fortificações até que o exército de Chu recuasse e então atacou. Em 223 a.C., Chu havia sido conquistado e Xiang Yan estava morto.
Qi, que havia ficado fora das guerras por décadas, foi o último. Em 221 a.C., um exército de Qin avançou pelo norte, e o rei de Qi se rendeu sem lutar. Pela primeira vez, um único governante controlava todos os Estados Combatentes.
Intermediário
Por que Qin venceu: reformas, recursos e estratégia
A ascensão de Qin começou com as reformas de Shang Yang, um ministro originário de Wei que serviu ao duque Xiao, de Qin, a partir da década de 350 a.C. Ele organizou a população em grupos de cinco e dez famílias, cujos membros respondiam pelo comportamento uns dos outros; recompensou a agricultura e o serviço militar; criou uma hierarquia de posições conquistadas por mérito na guerra, especialmente pelo número de cabeças de inimigos obtidas; e substituiu senhores hereditários por distritos administrados por funcionários nomeados. Leis severas, mas aplicadas de maneira consistente, valiam para todos. Pensadores posteriores ligados a essa abordagem são chamados de legalistas (fajia).
Qin também ganhou força econômica. Em 316 a.C., conquistou a fértil bacia de Sichuan, onde ficavam os Estados de Ba e Shu. Ali foi construído, no século III a.C., o sistema de irrigação de Dujiangyan. O canal de Zheng Guo, iniciado em 246 a.C., irrigou grandes áreas da planície do rio Wei. Esses projetos deram a Qin os cereais necessários para alimentar grandes exércitos.
As vitórias militares enfraqueceram seus rivais. Na Batalha de Changping, em 260 a.C., o general Bai Qi, de Qin, cercou um enorme exército de Zhao. Segundo o Shiji, cerca de 400 mil soldados que se renderam foram mortos depois. O número provavelmente é exagerado, mas Zhao nunca se recuperou. Em 256 a.C., Qin também pôs fim ao último domínio real de Zhou.
A diplomacia foi tão importante quanto as batalhas. Os estadistas de Qin seguiram a política de “aproximar-se dos distantes e atacar os próximos”, enquanto os outros Estados repetidamente deixaram de manter alianças contra Qin. Agentes de Qin usaram subornos para dividir as cortes inimigas. Quando Ying Zheng assumiu plenamente o poder, em 238 a.C., após esmagar uma rebelião liderada por Lao Ai e afastar o poderoso chanceler Lü Buwei, herdou um Estado que já era muito mais forte que seus vizinhos. Conselheiros como Li Si, antigo aluno do filósofo Xunzi, ajudaram a planejar as conquistas finais.
Intermediário
O custo humano
O período dos Reinos Combatentes esteve entre as épocas mais violentas da história antiga, e as guerras finais não foram exceção. O sistema de recompensas de Qin incentivava os soldados a contar os inimigos mortos, e o Shiji registra muitas campanhas com dezenas ou centenas de milhares de vítimas. Esses números muitas vezes são arredondados ou exagerados, mas não há dúvida de que a matança foi enorme.
A arqueologia ajuda a revelar as vítimas. Perto de Gaoping, em Shanxi, local tradicionalmente associado a Changping, escavações na década de 1990 encontraram fossas com restos mortais de muitas pessoas, algumas com sinais de ferimentos. Esses achados são amplamente associados ao massacre ocorrido após a batalha. A inundação de Daliang, em 225 a.C., matou soldados e civis. Populações conquistadas foram deslocadas: segundo o Shiji, após a unificação, 120 mil famílias abastadas foram reassentadas em Xianyang, onde podiam ser vigiadas.
Soldados comuns de Qin também deixaram vestígios. Em outra tumba em Shuihudi, arqueólogos encontraram duas cartas de madeira enviadas para casa por dois irmãos, Hei Fu e Jing, que serviam na campanha contra Chu por volta de 223 a.C. Eles pedem à família dinheiro e roupas de verão, mandam lembranças aos parentes e se preocupam com as notícias de casa. Essas estão entre as cartas particulares mais antigas conhecidas da China e lembram que os exércitos da unificação eram formados por agricultores longe de suas famílias, cujas vidas também dependiam do resultado das batalhas.
A resistência continuou após as derrotas. Um ditado atribuído ao povo de Chu afirmava que, “mesmo que restem apenas três famílias em Chu, será Chu quem destruirá Qin”. Ele expressava um ressentimento que ressurgiu nas rebeliões após a morte do Primeiro Imperador, lideradas por homens de Chu como Xiang Yu, neto do general Xiang Yan. Para muitos habitantes dos Estados conquistados, a unificação significou a perda de seus reis, de suas leis e, às vezes, de suas casas.
Intermediário
Resultados: a construção de um império
Em 221 a.C., Ying Zheng rejeitou propostas de entregar reinos a seus filhos para governar, como os Zhou haviam feito. Seguindo o conselho de Li Si, dividiu todo o território em comandarias (jun), inicialmente 36, cada uma subdividida em distritos (xian), administrados por funcionários assalariados nomeados e destituídos pelo governo central. Esse sistema de comandarias e distritos se tornou a estrutura básica da administração chinesa.
O império padronizou muitas coisas. O Shiji resume essa política com a expressão: “carroças com a mesma largura entre os eixos, escrita com os mesmos caracteres”. A escrita de selo pequeno de Qin se tornou o padrão; pesos e medidas foram unificados; e a moeda redonda de Qin com um furo quadrado (banliang) substituiu as muitas moedas locais. As armas dos Estados conquistados foram recolhidas e fundidas, algumas delas para produzir doze estátuas gigantes de bronze. As fortificações entre os antigos Estados foram demolidas.
O imperador também iniciou grandes obras e novas guerras: estradas que partiam de Xianyang, canais, a ligação de muralhas do norte para defesa contra os xiongnu sob o comando do general Meng Tian, campanhas no extremo sul, um vasto palácio e seu próprio mausoléu, com o Exército de Terracota. Em 213 a.C., por proposta de Li Si, foi proibida a posse privada de muitos livros, especialmente histórias de outros Estados, o Clássico da Poesia e o Livro dos Documentos, embora cópias oficiais fossem permitidas. Em 212 a.C., segundo o Shiji, mais de 460 estudiosos foram mortos na capital.
Intermediário
Queda e legado duradouro
O Primeiro Imperador morreu em 210 a.C. durante uma viagem pelo leste. Seu principal ministro, Li Si, e o eunuco Zhao Gao esconderam a morte, falsificaram ordens que levaram o herdeiro Fusu a cometer suicídio e colocaram no trono um filho mais novo, Huhai. Em 209 a.C., trabalhadores convocados pelo Estado, liderados por Chen Sheng e Wu Guang, revoltaram-se ao se verem ameaçados de execução por chegar atrasados. As rebeliões se espalharam, muitas delas com a promessa de restaurar os antigos Estados. Em 206 a.C., o último governante Qin se rendeu a Liu Bang. Após uma guerra civil contra Xiang Yu, Liu Bang fundou a dinastia Han em 202 a.C.
A dinastia Han condenou a crueldade de Qin, mas manteve a maior parte de suas instituições: comandarias e distritos, uma burocracia assalariada, leis escritas e um único imperador. Durante a maior parte dos dois mil anos seguintes, a unidade política sob um governante foi vista como a condição normal e adequada da China, e os períodos de divisão, como rupturas temporárias. Qin também deu à China seu nome em muitas línguas estrangeiras, provavelmente por meio de formas como o sânscrito Cīna, embora essa origem seja debatida.
A unificação também afetou as regiões vizinhas. A expansão de Qin e Han levou as comandarias ao extremo sul e, sob a dinastia Han, ao nordeste. Ela criou um Estado poderoso com o qual os povos vizinhos, dos xiongnu das estepes aos reinos da península Coreana, tiveram de lidar por séculos.
Intermediário
Memória e mudanças de avaliação
Por cerca de dois mil anos, a imagem predominante de Qin veio de autores confucionistas da dinastia Han e de períodos posteriores. O ensaio As Falhas de Qin (Guo Qin lun), do estadista Han Jia Yi, argumentava que Qin caiu porque, depois de conquistar pela força, não governou com humanidade. A queima de livros e a morte de estudiosos fizeram do Primeiro Imperador um símbolo de tirania na tradição confucionista, e essa visão se espalhou pelo Leste Asiático.
Alguns pensadores, porém, elogiaram as realizações de Qin. Autores próximos do legalismo e reformadores posteriores admiraram sua eficiência. No século XX, nacionalistas viram a unificação como o ato fundador da nação chinesa. Na República Popular da China, Mao Zedong comparou-se abertamente ao Primeiro Imperador e, no início da década de 1970, campanhas oficiais elogiaram Qin e o legalismo em oposição ao confucionismo. Desde então, os estudos chineses se tornaram mais variados e, em geral, reconhecem a importância da unificação e sua brutalidade.
A cultura popular continua a reinterpretar essa história. A tentativa de assassinato por Jing Ke já foi apresentada como uma resistência heroica e, em filmes como Herói (2002), de Zhang Yimou, como parte de um debate sobre se a paz obtida pela unificação justifica a tirania. Fora da China, historiadores frequentemente comparam Qin a outros impérios antigos, como Roma ou o Império Máuria de Ashoka, e perguntam como os Estados construíram e justificaram seu domínio sobre grandes territórios.
Avançado
Fontes: o Shiji e os documentos escavados
A principal narrativa vem do Shiji, de Sima Qian, concluído por volta de 90 a.C., especialmente dos Anais Básicos de Qin e do Primeiro Imperador e das biografias de generais e ministros como Wang Jian, Bai Qi, Li Si e Jing Ke. Sima Qian usou registros da corte de Qin, que, segundo ele, sobreviveram quando as histórias dos outros Estados foram queimadas. No entanto, escreveu sob a dinastia Han, cuja legitimidade se apoiava no fracasso de Qin. Suas datas para as campanhas são geralmente aceitas; seus discursos, episódios e números elevados exigem leitura crítica.
Outros textos transmitidos ao longo dos séculos incluem as Estratégias dos Reinos Combatentes (Zhanguo ce), uma coletânea de argumentos e histórias cuja confiabilidade histórica varia, além do Livro do Senhor Shang e do Han Feizi, que preservam o pensamento legalista. Inscrições em pedra erguidas pelo Primeiro Imperador durante suas viagens, citadas no Shiji, apresentam a visão do próprio regime sobre suas realizações.
Documentos encontrados em escavações transformaram esse campo de estudos. As tiras de bambu de Shuihudi, descobertas em 1975 na tumba de um funcionário local de Qin, contêm leis de Qin, processos judiciais e uma crônica ano a ano que menciona campanhas das guerras de unificação. As tiras de Liye, encontradas em 2002 em Hunan e em número superior a 37 mil, preservam registros cotidianos de um distrito de Qin no sul conquistado. Esses textos revelam uma burocracia preocupada com registros, metas e procedimentos legais e permitem aos historiadores comparar o Shiji com testemunhos da época.
Avançado
Debates entre estudiosos
A unificação era inevitável? Narrativas tradicionais apresentam a vitória de Qin como o resultado natural de suas instituições superiores ou da vontade do Céu. Hoje, muitos historiadores destacam que o resultado poderia ter sido diferente: Qin sofreu derrotas importantes, como em Handan, em 257 a.C., e diante de Li Mu, e os outros Estados talvez tivessem sobrevivido com alianças ou líderes melhores. Historiadores que fazem comparações entre regiões também perguntam por que o mundo chinês, ao contrário da Europa após Roma, voltou a se unificar repetidas vezes depois de períodos de divisão.
Quão severo foi o governo de Qin? A imagem de Qin como excepcionalmente cruel vem, em grande parte, de fontes da dinastia Han. Os documentos de Shuihudi e Liye mostram leis severas, mas também detalhadas e baseadas em procedimentos, com regras sobre provas e recursos. Isso leva alguns estudiosos a argumentar que o governo de Qin era mais burocrático do que arbitrário. Outros ressaltam que o trabalho forçado, as punições coletivas e as penas de mutilação eram reais e disseminados.
A queima de livros e o chamado “enterramento de estudiosos” aconteceram como se conta? Estudiosos como Michael Nylan e Martin Kern questionaram o relato tradicional, observando que a corte de Qin empregava estudiosos dos clássicos e que essas obras ainda eram citadas em textos de Qin e do início da dinastia Han. Alguns argumentam que a palavra geralmente traduzida como “enterrados vivos” pode significar simplesmente “mortos” e que as vítimas não eram especificamente confucionistas. Outros aceitam que houve uma proibição de livros e um expurgo, mas consideram que autores posteriores ampliaram esses acontecimentos.
Unificação ou conquista? Apresentar as guerras como “unificação” pressupõe que uma China única já existia como ideal. Estudiosos como Mark Edward Lewis enfatizam que as elites dos Reinos Combatentes compartilhavam uma cultura escrita e ideais de uma ordem mundial única — “tudo sob o Céu”, tianxia —, o que tornava a unificação concebível. Outros destacam a diversidade regional que as guerras suprimiram. As duas perspectivas ajudam a entender por que o Império Qin caiu tão rapidamente, mas seu modelo perdurou.
Ideias principais
- Reinos Combatentes
- Época de Estados territoriais rivais (cerca de 475–221 a.C.) que terminou com as conquistas de Qin.
- Legalismo
- Tradição de pensamento político que enfatizava leis claras, recompensas, punições e um governante central forte, associada a Shang Yang, Han Fei e Li Si.
- Mobilização total
- Sistema de Qin que ligava agricultura, serviço militar, posição social e registros da população, permitindo ao Estado reunir enormes exércitos.
- Sistema de comandarias e distritos
- Administração por funcionários nomeados pelo governo central, em vez de senhores hereditários, estendida a todo o império em 221 a.C.
- Padronização
- Unificação da escrita, dos pesos, das medidas, das moedas e da largura entre os eixos das carroças para governar um território diverso como um só.
- Imperador (huangdi)
- Novo título criado em 221 a.C. para colocar o governante acima dos reis; foi usado por governantes chineses até 1912.
- Unidade como ideal
- Crença duradoura, reforçada pelas dinastias Qin e Han, de que o mundo chinês deveria ser governado por um único Estado.
Registros
- 356 a.C. — Shang Yang inicia suas reformas em Qin (356 a.C.).
- 260 a.C. — Batalha de Changping: Qin derrota o exército de Zhao (260 a.C.).
- 256 a.C. — Qin põe fim ao último domínio real de Zhou (256 a.C.).
- 246 a.C. — Ying Zheng se torna rei de Qin aos 13 anos (246 a.C.).
- 230 a.C. — Qin conquista Han, o primeiro dos seis Estados (230 a.C.).
- 228 a.C. — Qin captura Handan, capital de Zhao (228 a.C.).
- 227 a.C. — Fracassa a tentativa de Jing Ke de assassinar o rei de Qin (227 a.C.).
- 225 a.C. — Wang Ben inunda Daliang; Wei se rende (225 a.C.).
- 223 a.C. — Wang Jian conclui a conquista de Chu (223 a.C.).
- 222 a.C. — Qin captura o rei de Yan e conquista Dai, Estado sucessor de Zhao (222 a.C.).
- 221 a.C. — Qi se rende; Ying Zheng se proclama Primeiro Imperador (221 a.C.).
- 206 a.C. — O último governante de Qin se rende a Liu Bang; termina a dinastia Qin (206 a.C.).
Glossário
- Qin
- Estado do oeste da China que conquistou seus rivais e deu nome à primeira dinastia imperial (221–206 a.C.).
- Período dos Reinos Combatentes
- Período de cerca de 475 a 221 a.C., cujo nome vem de uma coletânea de histórias, o Zhanguo ce.
- Dinastia Zhou
- Dinastia real (cerca de 1046–256 a.C.) cujos reis perderam o poder efetivo à medida que seus Estados vassalos cresceram.
- Comandaria (jun)
- Grande região administrativa de Qin e de impérios posteriores, dividida em distritos.
- Distrito (xian)
- Unidade administrativa local governada por um funcionário nomeado.
- Legalismo (fajia)
- Nome dado posteriormente a pensadores que enfatizavam as leis, a administração e o poder do Estado.
- Escrita de selo pequeno
- Forma padronizada de escrita chinesa promovida pela dinastia Qin.
- Shiji
- Os Registros do Grande Historiador, de Sima Qian, principal fonte narrativa sobre o período.
- Tiras de bambu
- Tiras finas de bambu usadas para escrever e amarradas umas às outras para formar documentos e livros.
- Tianxia
- “Tudo sob o Céu”: ideia de uma única ordem mundial sob um governante legítimo.
Perguntas e respostas
Quanto tempo duraram as guerras de unificação?
As conquistas finais levaram cerca de dez anos, de 230 a 221 a.C., mas Qin já combatia e enfraquecia seus vizinhos havia mais de um século.
Por que Qin era tão forte?
Suas reformas transformaram agricultores em soldados e recompensaram as vitórias nas guerras. Qin controlava terras agrícolas férteis, tinha fortes defesas naturais e enfrentava rivais que não conseguiram permanecer unidos contra ele.
Quem foi Jing Ke?
Um assassino enviado pelo príncipe herdeiro de Yan, em 227 a.C., para matar o rei de Qin com uma adaga escondida em um mapa. Ele fracassou e foi morto, e Yan foi conquistado pouco depois.
O Primeiro Imperador realmente queimou todos os livros?
Não. Em 213 a.C., muitos livros em mãos de particulares foram proibidos e queimados, mas cópias oficiais e obras práticas foram preservadas. Alguns estudiosos também questionam partes do relato tradicional.
Por que o Império Qin caiu tão depressa?
As pesadas exigências de trabalho e serviço militar, as punições severas, o ressentimento nos Estados conquistados e uma crise sucessória após a morte do Primeiro Imperador levaram a rebeliões em 209 a.C.
É correto chamar essas guerras de “unificação”?
A palavra reflete o ideal posterior de uma China única. Para os Estados derrotados, foram guerras de conquista. Por isso, os historiadores usam os dois termos e consideram as duas perspectivas.
Como os historiadores verificam o relato de Sima Qian?
Eles o comparam com documentos de Qin encontrados em escavações, como as tiras de bambu de Shuihudi e Liye, além de inscrições em armas e vestígios arqueológicos.
Fontes e leituras adicionais
- Qin’s wars of unification. Wikipedia
- Qin dynasty. Wikipedia
- Qin Shi Huang. Wikipedia
- Battle of Changping. Wikipedia
- Burning of books and burying of scholars. Wikipedia
- Shuihudi Qin bamboo texts. Wikipedia
- Liye Qin Slips. Wikipedia
- Derk Bodde, The State and Empire of Ch’in, in The Cambridge History of China, vol. 1: The Ch’in and Han Empires, 221 B.C.–A.D. 220. Cambridge University Press, 1986
- Mark Edward Lewis, The Early Chinese Empires: Qin and Han. Belknap Press of Harvard University Press, 2007
- Sima Qian, Records of the Grand Historian: Qin Dynasty (translated by Burton Watson). Columbia University Press, 1993
Conteúdo relacionado
- Exército de terracotaMilhares de figuras de argila em tamanho natural enterradas perto do túmulo de Qin Shi Huang, primeiro imperador da China.
- Sima QianHistoriador da dinastia Han que compilou os Registros do Historiador, uma ampla história do mundo chinês antigo.
- A Arte da GuerraAntigo tratado chinês sobre a guerra tradicionalmente atribuído a Sunzi; sua autoria e data são debatidas.
- ConfúcioMestre do estado de Lu cujas palavras, reunidas nos Analectos, moldaram a ética e o governo em todo o Leste Asiático.
- MêncioPensador confucionista que argumentava que as pessoas têm os princípios da bondade moral e que os governantes devem cuidar de seus súditos.
- AsokaImperador máuria cujas inscrições descrevem seu compromisso com o dhamma após uma conquista devastadora de Kalinga.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
