Patrimônio

Panteão de Roma

Pantheum (Latin); Πάνθειον (Greek); today the Basilica of Santa Maria ad Martyres

c. 113–125 d.C. · Roma

Em uma frase

O Panteão é um templo romano construído há quase 1.900 anos. Seu enorme teto redondo de concreto, com uma abertura para o céu no topo, ainda é a maior cúpula não reforçada do mundo.

Panteão de Roma
Imagem: NikonZ7II · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

  • Fácil
  • Intermediário
  • Avançado

Para jovens leitores

Imagine uma bola enorme, da altura de um prédio de catorze andares. Agora imagine uma sala em que essa bola caberia certinho, tocando o chão e o ponto mais alto do teto. Assim é o Panteão, em Roma. Sua sala redonda tem a mesma largura e altura, e o teto parece metade de uma bola. Esse tipo de teto se chama cúpula.

No alto da cúpula há um buraco redondo, quase da largura de uma casa pequena. Ele não tem vidro. A luz do sol entra por ali e forma um círculo claro, que se move devagar pelas paredes e pelo chão ao longo do dia, como o ponteiro de um relógio. Quando chove, a água cai lá dentro e sai por pequenos ralos no chão.

Os antigos romanos fizeram a cúpula de concreto, um material que começa mole e depois endurece como pedra. Eles tiveram uma ideia esperta: usaram pedras pesadas na parte de baixo e pedras vulcânicas leves e cheias de furinhos perto do alto. Assim, o teto ficou menos pesado. A cúpula não tem barras de aço e continua de pé depois de cerca de 1.900 anos.

A palavra “Panteão” vem do grego e significa algo como “de todos os deuses”. Mais tarde, o edifício virou uma igreja cristã. Isso ajudou a conservá-lo, porque as pessoas continuaram a usá-lo e a cuidar dele. Hoje ele ainda é uma igreja e também guarda os túmulos de pessoas famosas, como o pintor Rafael e dois reis da Itália.

Na frente da sala redonda há uma entrada coberta sustentada por dezesseis colunas enormes de pedra. Cada coluna foi feita de uma única peça de granito. Elas são mais altas do que quatro adultos empilhados e vieram do Egito de navio.

Em resumo

Construção
Edifício atual construído por volta de 114–125 d.C. (possivelmente concluído alguns anos depois), iniciado sob Trajano e terminado sob Adriano; substituiu um templo construído por Marco Agripa na década de 20 a.C.
Localização
Campo de Marte, hoje Piazza della Rotonda, no centro de Roma, Itália
Tipo
Templo romano, depois transformado em igreja cristã (desde 609 d.C.)
Cúpula
Cerca de 43,3 m de diâmetro interno, medida igual à altura do chão até o topo; ainda é a maior cúpula de concreto não reforçado do mundo
Óculo
Abertura circular de cerca de 9 m de diâmetro no topo da cúpula
Pórtico
16 colunas monolíticas de granito, cada uma com cerca de 11,9 m de altura, extraídas de pedreiras no Egito
Inscrição
“M·AGRIPPA·L·F·COS·TERTIVM·FECIT” — “Marco Agripa, filho de Lúcio, cônsul pela terceira vez, fez isto”
Situação
Parte do Patrimônio Mundial da UNESCO “Centro Histórico de Roma” (1980); igreja católica em atividade

Fácil

O que é o Panteão?

O Panteão é um edifício da Roma antiga situado no centro da cidade. Ele tem três partes: uma entrada retangular com colunas (o pórtico), um bloco alto de alvenaria revestida de tijolos atrás dela e um grande salão circular (a rotunda) coberto por uma cúpula. Visto da praça, o pórtico parece a frente de um templo tradicional grego ou romano. Só depois de passar pelas portas de bronze o visitante descobre o espaço imenso, circular e iluminado do interior.

O edifício que vemos hoje foi erguido no início do século II d.C., durante os reinados dos imperadores Trajano e Adriano. Ele substituiu um Panteão anterior, construído na década de 20 a.C. por Marco Agripa, amigo, general e genro de Augusto, o primeiro imperador. Esse primeiro edifício sofreu incêndios e foi reconstruído mais de uma vez antes de ser inteiramente substituído.

O Panteão é famoso por três motivos. O primeiro é sua cúpula, com cerca de 43,3 m de diâmetro: ela permaneceu a maior do mundo por mais de 1.300 anos e ainda é a maior já construída em concreto não reforçado. O segundo são suas proporções: a altura do chão até o topo da cúpula é igual ao diâmetro da rotunda, de modo que uma esfera imaginária caberia exatamente no interior. O terceiro é sua preservação: ele é o grande edifício da Roma antiga mais bem conservado, ainda coberto e em uso.

Desde 609 d.C., o Panteão é uma igreja cristã, chamada oficialmente Basílica de Santa Maria dos Mártires. Ele integra o Patrimônio Mundial da UNESCO que abrange o centro histórico de Roma e é um dos monumentos mais visitados da Itália.

[1][2]

Fácil

Como observar o edifício: da frente do templo à cúpula que evoca o céu

Entrar no Panteão é passar do familiar ao surpreendente. O pórtico tem oito colunas na frente e mais duas fileiras de quatro atrás, totalizando dezesseis. Acima delas fica um frontão triangular, que já abrigou esculturas de bronze, e a famosa inscrição com o nome de Agripa. Para os romanos, essa era uma frente facilmente reconhecível como a de um templo.

Entre o pórtico e a rotunda há um bloco retangular alto, muitas vezes chamado de bloco intermediário. Ele une duas formas muito diferentes: as linhas retas da frente do templo e a parede curva da rotunda. Há muito tempo os arquitetos observam que essa união não é perfeitamente contínua. Por exemplo, acima do teto do pórtico aparece o contorno discreto de um segundo frontão, mais alto. Isso levou à hipótese de que os construtores mudaram os planos durante a obra.

No interior, a rotunda tem um piso circular de mármores e granitos coloridos, dispostos em padrões de quadrados e círculos. Sua parede se divide em dois níveis. O inferior tem oito grandes espaços recuados: a entrada, uma grande abside no lado oposto e outros seis emoldurados por colunas. O nível superior, chamado ático, tinha originalmente uma faixa de painéis de mármore e pequenas janelas. Boa parte do que vemos hoje foi redesenhada em 1747, embora um trecho do projeto original tenha sido reconstruído no século XX.

Acima se ergue a cúpula. Sua superfície interna tem cinco anéis de 28 painéis rebaixados, chamados caixotões, que diminuem de tamanho em direção ao topo. Eles fazem a cúpula parecer mais leve, reduzem seu peso e conduzem o olhar até o óculo, a abertura no ponto mais alto. Muitos estudiosos interpretam a cúpula como uma imagem do céu. O historiador romano Cássio Dião, escrevendo cerca de um século depois da reconstrução, já sugeria que o nome do edifício poderia vir de sua cobertura abobadada, semelhante ao céu.

A luz é o principal elemento decorativo do edifício. Como o óculo é sua única janela, um círculo de luz solar se move pelos caixotões e pelas paredes conforme o sol atravessa o céu, transformando o Panteão em uma espécie de enorme relógio de sol.

[1][6][8]

Fácil

A cúpula: o que o concreto romano tornou possível

O concreto romano (opus caementicium) era feito com uma mistura de cal, água e uma cinza vulcânica chamada pozolana, encontrada perto de Roma e da baía de Nápoles, além de pedaços de pedra ou tijolo chamados agregados. A pozolana reage quimicamente com a cal e forma uma argamassa resistente, capaz de endurecer até em condições úmidas. Esse material permitiu que os construtores romanos fizessem abóbadas e cúpulas em uma escala nunca vista antes.

Os construtores do Panteão variaram os agregados conforme a altura. Nas fundações e nas paredes inferiores usaram travertino pesado; mais acima, fragmentos de telha e tufo vulcânico; perto do topo da cúpula, pedras vulcânicas muito leves, como a pedra-pomes. A cúpula também fica mais fina à medida que sobe: tem cerca de 6,4 m de espessura na base e cerca de 1,2 m ao redor do óculo. Materiais mais leves no alto reduzem o peso que empurra a estrutura para fora e pode causar rachaduras ou desabamentos.

Do lado de fora, a cúpula apresenta uma série de anéis em degraus perto da base. Eles acrescentam peso justamente onde ele ajuda a resistir ao empuxo para fora. As paredes da rotunda, com cerca de 6 m de espessura, não são maciças: contêm câmaras ocultas e arcos de descarga de tijolos que conduzem a carga até os oito pilares principais e as fundações, formadas por um anel de concreto com cerca de 7 m de largura.

O próprio óculo, com cerca de 9 m de diâmetro, é contornado por um anel de tijolos que trabalha sob compressão. Deixar o topo aberto eliminou a parte mais pesada e difícil de construir de uma cúpula. Engenheiros ainda estudam o Panteão porque ele mostra como o uso cuidadoso dos materiais e das formas pode compensar a ausência de reforço de aço.

[1][5][6]

Intermediário

O Panteão de Agripa e o enigma da inscrição

O primeiro Panteão foi construído por Marco Vipsânio Agripa como parte de um programa de obras no Campo de Marte, uma área baixa ao norte da cidade antiga onde ele também construiu termas e outras obras públicas. Cássio Dião situa sua conclusão em 25 a.C. Segundo ele, Agripa queria colocar uma estátua de Augusto no interior e dar ao edifício o nome do imperador, mas Augusto recusou. Agripa então instalou ali uma estátua de Júlio César divinizado e pôs estátuas de Augusto e de si próprio no pórtico. O relato mostra a estreita ligação do edifício com a nova família imperial.

Escavações realizadas no fim do século XIX e no século XX revelaram vestígios do edifício anterior sob o pórtico atual. Eles indicam que o templo de Agripa estava voltado para a mesma direção, o norte, mas sua forma exata — e até se era circular — é incerta. O edifício foi danificado por um incêndio em 80 d.C. e restaurado sob Domiciano. Por volta de 110 d.C., durante o reinado de Trajano, voltou a queimar após ser atingido por um raio.

A inscrição da fachada atual traz o nome de Agripa, e não o do imperador que de fato reconstruiu o edifício. Segundo a História Augusta, uma coletânea de biografias imperiais da Antiguidade tardia, Adriano restaurou muitos edifícios, entre eles o Panteão, e colocou neles os nomes dos construtores originais em vez do seu. Durante séculos, a inscrição levou estudiosos a acreditar, equivocadamente, que todo o edifício datava da época de Agripa.

Uma segunda inscrição, menor e situada abaixo da primeira, registra uma restauração feita em 202 d.C. pelos imperadores Septímio Severo e Caracala. Ao contrário das letras de bronze da inscrição de Agripa, que são substituições modernas encaixadas nos furos originais, esse texto posterior nos lembra que o edifício recebeu manutenção e reparos durante todo o período romano.

[1][4][3]

Intermediário

A construção do Panteão: datas, materiais e transporte

A principal prova da data do edifício atual vem dos carimbos impressos nos tijolos quando a argila ainda estava úmida. Muitas olarias romanas marcavam seus produtos com nomes e, às vezes, com o ano indicado pelos cônsules em exercício. Em um estudo publicado em 1959, o historiador germano-americano Herbert Bloch analisou os carimbos dos tijolos do Panteão e mostrou que a maioria pertence aos anos próximos de 115 a 125 d.C. Isso estabeleceu que o edifício atual foi concluído no período de Adriano, e não no de Augusto.

Mais recentemente, estudiosos como Lise Hetland defenderam que os carimbos apontam para o início da construção por volta de 114 d.C., sob Trajano, e que Adriano, imperador a partir de 117, concluiu o projeto herdado. Nessa interpretação, o arquiteto poderia ter sido Apolodoro de Damasco, grande engenheiro de Trajano e projetista do Fórum e dos Mercados de Trajano. A atribuição é atraente, mas não foi comprovada: nenhuma fonte antiga informa o nome do arquiteto do Panteão. O próprio Adriano se interessava por arquitetura, e alguns autores também lhe atribuíram o projeto, igualmente sem provas diretas.

As colunas de granito do pórtico revelam uma rede de abastecimento que atravessava o império. Os fustes de granito cinza vieram de Mons Claudianus, no deserto oriental do Egito, e os rosados, de Assuã. Cada fuste tem cerca de 11,9 m de altura e pesa aproximadamente 60 toneladas. Eles precisaram ser arrastados até o Nilo, transportados pelo rio e pelo mar Mediterrâneo até Óstia e, depois, levados pelo rio Tibre até Roma.

Vários estudiosos observaram que as colunas do pórtico parecem baixas demais para o edifício. O contorno do frontão mais alto no bloco intermediário sugere que os projetistas planejaram inicialmente colunas de 50 pés romanos, mas usaram fustes de 40 pés. O historiador da arquitetura Mark Wilson Jones argumenta que não foi possível obter as colunas maiores a tempo, o que obrigou a mudar o projeto. Rabun Taylor sugere que a dificuldade estava em erguer fustes tão grandes no local. Também foram propostas outras explicações, ligadas a mudanças no plano ou ao desenho da praça dianteira. O debate lembra que até edifícios célebres resultaram de escolhas práticas e concessões.

[1][3][7][8]

Intermediário

Para que servia? Religião, império e céu

Apesar de sua fama, não se sabe ao certo como o Panteão era usado na Antiguidade. Seu nome, que em grego significa “de todos os deuses”, sugere um templo dedicado a muitos deuses ou a todos eles. O próprio Cássio Dião tinha dúvidas: escreveu que o nome talvez se devesse às estátuas de vários deuses no interior, incluindo Marte e Vênus, ou à semelhança entre a cúpula e o céu. Não há registro de um culto a “todos os deuses” com sacerdotes próprios, e o edifício não aparece nas listas dos templos oficiais regulares de Roma.

Dião também relata que Adriano realizava audiências no Panteão, julgando casos e recebendo autoridades. Por isso, muitos historiadores veem o edifício como algo além de um templo: um espaço em que o imperador aparecia entre imagens dos deuses e de seus antecessores divinizados, expressando a ideia de que o domínio romano fazia parte de um cosmos ordenado pelos deuses. A localização do edifício perto de outros monumentos da família imperial e suas ligações com Augusto sustentam essa interpretação.

O jogo de luz motivou interpretações astronômicas. Alguns pesquisadores, entre eles Robert Hannah e Giulio Magli, defendem que o edifício foi projetado para que, em certas datas, como 21 de abril — o aniversário tradicional de Roma —, a luz do óculo atingisse a entrada ao meio-dia e iluminasse um imperador que entrasse. Outros consideram essas posições da luz coincidências ou impossíveis de comprovar. O que está claro é que a cúpula devia evocar o céu e que a luz fazia parte do projeto.

Para os romanos, o círculo e a esfera tinham fortes associações com o cosmos e a perfeição. A geometria do Panteão — um cilindro coberto por uma semiesfera, com espaço para uma esfera imaginária — deu forma arquitetônica a essas ideias de um modo que os visitantes podiam experimentar ao percorrer o edifício.

[1][6][8]

Intermediário

De templo a igreja: o Panteão depois da Roma antiga

Muitos templos dedicados aos antigos deuses de Roma foram abandonados, desmontados para o aproveitamento de seus materiais ou destruídos depois que o cristianismo se tornou a religião oficial do império, no fim do século IV. O Panteão escapou desse destino. Em 609, o imperador bizantino Focas entregou o edifício ao papa Bonifácio IV, que o consagrou em 13 de maio como igreja dedicada a Santa Maria e a todos os mártires. Segundo a tradição, muitas carroças com ossos de mártires foram trazidas das catacumbas e depositadas sob o altar. Assim, o Panteão se tornou um dos primeiros templos de Roma convertidos em igreja.

A conversão não impediu todas as perdas. Em 663, durante uma visita a Roma, o imperador bizantino Constante II retirou as telhas de bronze dourado do teto e as enviou em direção a Constantinopla. Mais tarde, na década de 730, o papa Gregório III revestiu a cúpula de chumbo. Na Idade Média, o edifício foi fortificado, cercado de casas e lojas e recebeu uma torre sineira.

Na década de 1620, o papa Urbano VIII, da família Barberini, retirou as vigas de bronze do teto do pórtico. A maior parte do metal foi fundida para fazer canhões para o Castelo de Santo Ângelo. A história popular de que ele foi usado no baldaquino de bronze de Bernini, na Basílica de São Pedro, é, no máximo, parcialmente verdadeira. Os romanos criticaram a ação com uma famosa frase em latim: “Quod non fecerunt barbari, fecerunt Barberini” — “O que os bárbaros não fizeram, os Barberini fizeram”. Duas pequenas torres sineiras acrescentadas ao pórtico na mesma época, apelidadas de “orelhas de burro” e por muito tempo atribuídas a Bernini, foram removidas em 1883.

A partir do Renascimento, o Panteão também se tornou um lugar de sepultamento. O pintor Rafael foi enterrado ali em 1520, a seu pedido, seguido por outros artistas e músicos. Depois da unificação da Itália, o primeiro rei, Vítor Emanuel II, foi sepultado no local em 1878; seu filho Humberto I e a rainha Margarida também foram enterrados ali. O edifício continua a funcionar como igreja, com celebração de missas. Desde 2023, os visitantes pagam uma pequena taxa de entrada que ajuda a financiar sua conservação.

[1]

Intermediário

Influência: um dos edifícios mais copiados do mundo

Por ter sobrevivido praticamente intacto, o Panteão se tornou o modelo mais direto da arquitetura romana para construtores de épocas posteriores. Arquitetos renascentistas o mediram e desenharam repetidas vezes. Filippo Brunelleschi estudou edifícios romanos antes de construir a cúpula da Catedral de Florença, concluída em 1436. Ela tem um vão semelhante, embora sua estrutura seja muito diferente. Andrea Palladio publicou desenhos detalhados do Panteão em seus Quatro Livros da Arquitetura (1570), difundindo sua imagem pela Europa.

A combinação de um pórtico de templo com uma rotunda coberta por cúpula tornou-se uma solução comum para igrejas, bibliotecas, museus e parlamentos. Entre os exemplos estão a igreja de Bernini em Ariccia, a Catedral de Santa Edviges em Berlim, a Rotunda da Universidade da Virgínia projetada por Thomas Jefferson, a Rotunda de Mosta em Malta e inúmeros edifícios universitários e governamentais. O Panteão de Paris adotou tanto o nome quanto a ideia de abrigar os túmulos de personalidades nacionais.

O Panteão também influenciou formas de representar o poder nacional e imperial. No século XX, Albert Speer inspirou-se nele para projetar um enorme salão com cúpula para a Berlim de Hitler, que nunca foi construído. Isso mostra como um mesmo edifício pode servir de referência para expressar valores muito diferentes em épocas distintas.

Para os engenheiros, o Panteão continua sendo um importante exemplo da durabilidade dos materiais. Pesquisas atuais sobre o concreto romano, inclusive sobre sua resistência a rachaduras e ao desgaste causado pelo tempo, muitas vezes partem da pergunta: como essa cúpula permaneceu de pé por quase dezenove séculos sem aço?

[1][5][8]

Avançado

Debates acadêmicos: data, arquiteto, mudanças no projeto e função

Cronologia. O estudo dos carimbos dos tijolos feito por Bloch (1959) estabeleceu que a obra foi concluída no período de Adriano. No entanto, os carimbos indicam quando os tijolos foram produzidos, não quando foram usados, e tijolos estocados podiam ser empregados anos depois. A distribuição dos carimbos da década de 110 alimenta o argumento de que a construção começou sob Trajano, por volta de 114 d.C.; costuma-se situar a dedicação do edifício entre cerca de 125 e 128. Como Adriano esteve em Roma apenas em determinados períodos, os historiadores também tentam relacionar a obra a suas viagens, sem chegar a uma conclusão segura.

Autoria. A hipótese de que Apolodoro de Damasco projetou o Panteão se apoia em semelhanças de estilo e de técnica com edifícios do período de Trajano, especialmente os Mercados de Trajano, e na possível data de início da obra. Cássio Dião conta que Adriano discutiu com Apolodoro por questões de arquitetura e depois mandou exilá-lo e matá-lo, mas a confiabilidade desse episódio é duvidosa. Talvez seja mais adequado entender o Panteão como resultado do trabalho de uma equipe ligada à administração imperial de obras, e não de um único arquiteto genial.

O problema do pórtico. A diferença entre o pórtico e o bloco intermediário foi examinada em levantamentos detalhados. O argumento de Mark Wilson Jones de que o projeto previa fustes de 50 pés romanos, mas usou fustes de 40 pés, é muito citado. Ainda assim, alguns estudiosos questionam se o edifício realmente apresentava uma “falha” ou se a disposição foi intencional. O debate ilustra uma questão de método: para reconstruir as intenções dos projetistas a partir do edifício concluído, é preciso examinar com cuidado a sequência da construção, as juntas da alvenaria e o transporte dos materiais.

Função e significado. As interpretações vão de um templo convencional dedicado a muitos deuses a um santuário da dinastia ligado a Augusto e aos imperadores divinizados, uma sala de audiências imperiais ou um monumento que representa o cosmos. Essas funções podem ter coexistido. A obra organizada por Tod Marder e Mark Wilson Jones (2015) reúne estudos recentes sobre essas questões e sobre a história posterior do edifício.

[1][7][8][6]

Avançado

Fontes, conservação e a ciência do concreto romano

São poucas as fontes escritas sobre o Panteão. Cássio Dião, no início do século III, apresenta o principal relato sobre o edifício de Agripa e sobre o uso do novo edifício por Adriano. A História Augusta menciona a restauração feita por Adriano. Fontes cristãs posteriores, como o Liber Pontificalis, registram a conversão sob Bonifácio IV e a retirada das telhas de bronze por Constante II. Todo o restante precisa ser deduzido da própria estrutura.

Por isso, o edifício tem sido estudado com métodos da arqueologia da arquitetura: levantamentos de medidas, análise das juntas de construção e dos carimbos dos tijolos, estudo das rochas usadas no granito e no mármore e escavações ao redor e sob o pórtico. Desde o fim do século XX, o escaneamento a laser e os modelos de computador permitem aos pesquisadores testar hipóteses estruturais, como a distribuição das cargas da cúpula e o efeito das rachaduras surgidas na Antiguidade sobre sua estabilidade.

A cúpula apresenta rachaduras, provavelmente causadas por acomodações do terreno logo após a construção e por terremotos, mas permanece estável. Os engenheiros explicam isso em parte pelo modo como, depois de rachada, a cúpula se comporta como uma série de arcos, contidos pelo anel pesado das paredes da rotunda e pelos anéis em degraus em sua base. A conservação moderna incluiu a remoção de revestimentos posteriores na década de 1930, reparos no teto e a consolidação do reboco interno no início dos anos 2000, além do monitoramento contínuo dos movimentos da estrutura.

Pesquisas sobre o concreto romano, incluindo estudos das partículas de cal e das reações químicas da cinza vulcânica, têm atraído atenção como possível caminho para produzir materiais modernos mais duráveis e com menor emissão de carbono. É preciso cautela, porém: a sobrevivência do Panteão também depende do uso e da manutenção constantes, da ausência de aço sujeito à ferrugem e das circunstâncias históricas, não apenas da composição química de seu concreto.

[1][5][8]

Ideias principais

Rotunda e cúpula
Um salão circular coberto por uma cúpula hemisférica; no Panteão, a altura é igual ao diâmetro, de modo que o interior comporta uma esfera imaginária.
Óculo
A abertura no topo da cúpula, única janela do edifício, pela qual a luz do sol entra e forma um círculo luminoso que se move.
Concreto com materiais de diferentes pesos
Agregados mais pesados embaixo, pedras vulcânicas mais leves no alto e uma estrutura que fica mais fina à medida que sobe reduzem o peso da cúpula e seu empuxo para fora.
Frente de templo e espaço abobadado
O pórtico tradicional com colunas anuncia um templo, enquanto a rotunda atrás dele mostra as novas possibilidades da arquitetura romana em concreto.
Cosmos e poder imperial
O edifício associa os deuses, o céu e a família imperial, e Adriano o usava para realizar audiências.
Preservação pelo uso
A conversão em igreja em 609 d.C. contribuiu para que o edifício recebesse manutenção por catorze séculos.
Modelo arquitetônico
A combinação de pórtico e cúpula foi copiada em igrejas, bibliotecas, universidades e edifícios públicos no mundo todo.

Registros

  1. c. 25 a.C. — Marco Agripa conclui o primeiro Panteão no Campo de Marte (Cássio Dião o situa em 25 a.C.).
  2. 80 d.C. — O edifício de Agripa é danificado por um incêndio; depois, é restaurado sob Domiciano.
  3. c. 110 d.C. — O edifício volta a queimar após ser atingido por um raio, durante o reinado de Trajano.
  4. c. 114 d.C. — A construção do Panteão atual provavelmente começa sob Trajano.
  5. c. 125 d.C. — O novo Panteão é concluído sob Adriano, que mantém o nome de Agripa na fachada.
  6. 202 d.C. — Septímio Severo e Caracala restauram o edifício, como registra uma segunda inscrição.
  7. 609 d.C. — O papa Bonifácio IV consagra o Panteão como igreja de Santa Maria dos Mártires.
  8. 663 d.C. — O imperador Constante II retira as telhas de bronze dourado do teto.
  9. 1520 — O pintor Rafael é sepultado no Panteão.
  10. c. 1625 — O papa Urbano VIII retira o bronze do teto do pórtico, dando origem à frase sobre os Barberini.
  11. 1883 — As torres sineiras do século XVII, apelidadas de “orelhas de burro”, são removidas.
  12. 1980 — O centro histórico de Roma, que inclui o Panteão, é inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Glossário

Pórtico
Entrada coberta por um teto sustentado por colunas, na frente de um edifício.
Frontão
Parte triangular acima das colunas na frente de um templo clássico.
Rotunda
Edifício ou salão circular, geralmente coberto por uma cúpula.
Caixotão
Painel rebaixado em um teto ou cúpula, usado para decorar e reduzir o peso.
Óculo
Palavra latina para “olho”; uma abertura circular, neste caso no topo da cúpula.
Pozolana
Cinza vulcânica da região de Pozzuoli, perto de Nápoles, e dos arredores de Roma, usada no concreto romano.
Agregado
Pedaços de pedra, tijolo ou telha misturados ao concreto.
Carimbo de tijolo
Marca impressa em um tijolo pela olaria, às vezes com uma data; ajuda a determinar a idade de edifícios romanos.
Monólito
Bloco único e grande de pedra, como os fustes das colunas do Panteão.
Campo de Marte
Área plana da Roma antiga que passou a abrigar muitos edifícios públicos.
Consagração
Cerimônia que dedica um edifício ou objeto ao uso religioso, como ocorreu quando o Panteão se tornou uma igreja.

Perguntas e respostas

A chuva cai dentro do Panteão?

Sim. O óculo não tem vidro, então a chuva entra por ele. O piso de mármore é levemente curvado e tem pequenos ralos que levam a água embora.

Por que a cúpula não desabou?

Os construtores usaram materiais mais leves perto do topo, fizeram a cúpula ficar mais fina à medida que subia, acrescentaram peso ao redor da base e deixaram o topo aberto. Os cuidados contínuos desde a Antiguidade também ajudaram.

Quem construiu o Panteão?

Marco Agripa construiu o primeiro Panteão na década de 20 a.C. A construção do edifício atual começou por volta de 114 d.C., sob Trajano, e foi concluída sob Adriano. O nome do arquiteto é desconhecido.

Por que a inscrição traz o nome de Agripa se Adriano construiu o edifício?

Segundo a História Augusta, Adriano colocava o nome dos construtores originais nos edifícios que restaurava. A inscrição homenageia a fundação original de Agripa.

O Panteão ainda é uma igreja?

Sim. Ele é uma igreja católica desde 609 d.C., e ainda são celebradas missas ali.

Qual é o grau de certeza de que o edifício data do período de Adriano?

Os carimbos dos tijolos indicam que a obra foi concluída sob Adriano, mas mostram quando os tijolos foram feitos, não quando foram usados. Muitos estudiosos hoje acreditam que o projeto começou sob Trajano, por volta de 114 d.C.

Por que o pórtico e a rotunda parecem não combinar?

O contorno de um frontão mais alto sugere que foram planejadas colunas maiores. Os estudiosos debatem se o resultado se explica por dificuldades para obter ou erguer as colunas ou por uma mudança no projeto.

Fontes e leituras adicionais

  1. Pantheon, Rome. Wikipedia
  2. Historic Centre of Rome, the Properties of the Holy See in that City Enjoying Extraterritorial Rights and San Paolo Fuori le Mura. UNESCO World Heritage Centre
  3. Hadrian. Wikipedia
  4. Marcus Agrippa. Wikipedia
  5. Roman concrete. Wikipedia
  6. William L. MacDonald, The Pantheon: Design, Meaning, and Progeny. Harvard University Press, 1976
  7. Mark Wilson Jones, Principles of Roman Architecture. Yale University Press, 2000
  8. Tod A. Marder and Mark Wilson Jones (eds.), The Pantheon: From Antiquity to the Present. Cambridge University Press, 2015

Conteúdo relacionado

Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

← Voltar ao mapa