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Para jovens leitores
Há cerca de 750 anos, no meio do que hoje é a Tailândia, havia uma cidade chamada Sukhothai. Seu nome significa "a aurora da felicidade". A cidade tinha muralhas fortes, fossos profundos cheios de água e portões no meio de cada lado, como um castelo de livro de histórias.
Dentro das muralhas, as pessoas construíram muitos templos budistas de tijolo e os cobriram com gesso. O maior templo, Wat Mahathat, ficava bem no centro da cidade. Sua torre principal tem o topo em formato de botão de lótus que ainda não abriu. Ao redor de sua base, fileiras de pequenos monges feitos de gesso caminham em fila com as mãos unidas.
Os artistas de Sukhothai fizeram estátuas de Buda que parecem calmas e gentis, com rostos macios e arredondados e um pequeno sorriso. Também fizeram algo muito incomum: um Buda que caminha, com um pé erguido e um braço balançando suavemente, como se estivesse vindo em sua direção.
Sukhothai é lembrada por um de seus reis, Ram Khamhaeng. Uma famosa pedra antiga com escrita nela diz que, em seu tempo, "há peixes na água e arroz nos campos", e que qualquer pessoa com um problema podia tocar um sino no portão do palácio para que o rei viesse ouvir. Alguns estudiosos discutem quão antiga essa pedra realmente é, e essa discussão também faz parte da história.
Mais tarde, o reino se tornou parte de outro reino tailandês, Ayutthaya, e a cidade antiga foi abandonada. Hoje suas ruínas ficam entre lagoas e árvores em um grande parque que qualquer pessoa pode visitar de bicicleta, e é um Patrimônio Mundial da UNESCO.
Em resumo
- Período
- Cidade fundada antes; capital do reino de Sukhothai a partir dos eventos de 1238 (data tradicional) até sua absorção por Ayutthaya, concluída por volta de 1438
- Local
- Cerca de 12 km a oeste da moderna cidade de Sukhothai Thani, província de Sukhothai, no baixo norte da Tailândia
- Planta da cidade
- Retângulo murado de cerca de 2 km de leste a oeste por 1,6 km de norte a sul, com um portão em cada lado e muralhas e fossos triplos
- Monumentos
- Restos do palácio real, 26 templos dentro das muralhas e muitos outros fora; o parque conta 193 ruínas em cerca de 70 km²
- Locais-chave
- Wat Mahathat, Wat Si Chum, Wat Si Sawai, Wat Phra Phai Luang, Wat Sa Si, Wat Saphan Hin, fornos de Thuriang
- Arte
- O "estilo Sukhothai": estupas em botão de lótus, decoração de estuque e imagens idealizadas de Buda, incluindo o Buda caminhante
- Proteção
- Restauração pelo Departamento de Belas Artes da Tailândia a partir de 1961; parque histórico aberto em 1988
- Patrimônio Mundial
- Parte de "Cidade Histórica de Sukhothai e Cidades Históricas Associadas", com Si Satchanalai e Kamphaeng Phet, inscrita em 1991
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O que é o Parque Histórico de Sukhothai?
O Parque Histórico de Sukhothai preserva as ruínas da antiga cidade de Sukhothai, no baixo norte da Tailândia. Nos séculos XIII e XIV, Sukhothai foi a capital de um reino de mesmo nome, um dos vários estados de língua tai que surgiram no continente do Sudeste Asiático naquela época. O nome, formado por palavras sânscritas e páli, costuma ser traduzido como "aurora da felicidade".
O parque fica cerca de 12 km a oeste da moderna cidade provincial. Seu núcleo é a cidade murada, um retângulo de cerca de 2 km de leste a oeste e 1,6 km de norte a sul, com um portão no meio de cada muralha. Dentro estão os restos do palácio real e cerca de duas dezenas de templos; muitos outros mosteiros ficam fora das muralhas, na planície e nas colinas a oeste. Ao todo, o parque conta 193 ruínas em cerca de 70 quilômetros quadrados.
O parque é administrado pelo Departamento de Belas Artes da Tailândia, que começou a restaurar o local em 1961 e o abriu como parque histórico em 1988. Em 1991, a UNESCO o inscreveu na Lista do Patrimônio Mundial como parte do bem seriado "Cidade Histórica de Sukhothai e Cidades Históricas Associadas", junto com Si Satchanalai, cerca de 50 km ao norte, e Kamphaeng Phet, a sudoeste.
A UNESCO descreve as três cidades como o cenário do primeiro período da arte e da arquitetura, da língua e da literatura, da religião e do direito siameses. As ruínas de Sukhothai são especialmente admiradas pelos monumentos budistas e pela escultura que os historiadores da arte chamam de "estilo Sukhothai".
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Como "ler" a cidade: muralhas, água e uma relíquia no centro
Sukhothai foi projetada como uma imagem ordenada do mundo. A cidade é aproximadamente quadrada, cercada por três muralhas de terra com fossos entre elas, e seu templo mais importante, Wat Mahathat, fica perto do centro, ao lado dos restos do palácio real. Uma grande estupa-relicário no coração de uma cidade murada, com um reservatório do lado de fora, é um plano que os historiadores Chris Baker e Pasuk Phongpaichit comparam com as cidades da região influenciadas por Angkor.
A água era essencial para a vida na cidade. Sukhothai não ficava em uma planície de inundação junto a um grande rio, mas em terreno mais seco, e seu povo precisava armazenar a chuva. Uma represa de terra nas colinas a sudoeste, hoje conhecida como represa de Saritphong ou Thamnop Phra Ruang, retinha água que era levada por canais até a cidade, onde enchia lagoas e reservatórios como Traphang Thong e Traphang Ngoen. Muitos templos ficam em ilhas nessas lagoas, de modo que os reflexos das torres fazem parte da paisagem.
As principais estradas iam dos quatro portões até o centro. Fora das muralhas, mosteiros foram colocados em todas as direções, e nas colinas arborizadas a oeste ficavam os mosteiros dos "monges da floresta", alcançados por caminhos de ardósia. A colina do palácio dentro da cidade, conhecida como Noen Prasat, é onde o futuro rei Mongkut encontrou a famosa inscrição em pedra e um trono de pedra em 1833.
Ao caminhar ou pedalar pelo parque hoje, os visitantes passam do centro movimentado do ritual real e estatal, por templos em ilhas, até tranquilos mosteiros de colina. Isso dá uma boa noção de como a vida religiosa, política e econômica estavam entrelaçadas na cidade antiga.
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Monumentos para conhecer
Wat Mahathat ("mosteiro da grande relíquia") era o templo principal da cidade e do reino. Sua estupa principal, que guarda relíquias de Buda, tem o formato de botão de lótus típico de Sukhothai. Ao redor de sua base, 168 figuras de estuque dos discípulos de Buda caminham em procissão com as mãos unidas em respeito. Oito estupas menores cercam a principal, e dois altos Budas em pé, chamados Phra Attharot, erguem-se ao lado dela. O complexo também continha salões de assembleia, um salão de ordenação e cerca de 200 estupas menores.
Wat Si Chum, a noroeste das muralhas, é dominado por um enorme edifício quadrado (mandapa) cujas paredes, com cerca de 90 centímetros de espessura, envolvem um imenso Buda sentado, com cerca de 11 metros de largura e 15 metros de altura, conhecido como Phra Achana. Uma escada estreita dentro da parede levava antigamente ao telhado; ao longo dela foram encontradas mais de 50 lajes de ardósia gravadas mostrando histórias das vidas anteriores de Buda (jataka), os exemplos sobreviventes mais antigos do desenho tailandês.
Wat Si Sawai e Wat Phra Phai Luang são mais antigos que o reino. Ambos têm torres (prang) no estilo khmer, construídas em laterita no fim do século XII ou início do XIII, quando a cidade estava dentro da esfera cultural de Angkor e Lavo (Lopburi). Wat Si Sawai foi primeiro um santuário hindu e depois foi adaptado para o culto budista. Wat Phra Phai Luang já foi o centro ritual da cidade, e sua decoração de estuque ajuda os estudiosos a rastrear a transição da arte khmer para a tailandesa.
Entre muitos outros, Wat Sa Si fica em uma ilha em um lago, com uma estupa em formato de sino no estilo do Sri Lanka; Wat Chang Lom e Wat Chang Rop têm estupas cercadas por elefantes esculpidos; e Wat Saphan Hin, em uma colina a oeste, tem um Buda em pé de 12,5 metros com uma mão erguida, olhando para a planície.
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O estilo Sukhothai: botões de lótus, estuque e o Buda caminhante
Os historiadores da arte usam o termo "estilo Sukhothai" para a arquitetura e a escultura produzidas no reino do fim do século XIII ao XV. Ele se baseava em várias fontes: formas khmer recebidas por meio de Lavo, tradições mon e do tai do norte (Lan Na) e, cada vez mais, modelos do Sri Lanka trazidos por monges Theravada. A partir disso, Sukhothai criou um idioma próprio que a arte tailandesa posterior considerou clássico.
A forma arquitetônica mais reconhecível é a estupa em botão de lótus, uma torre alta cujo topo se expande em forma de um lótus ainda fechado. Os templos eram construídos principalmente de tijolo e laterita, depois cobertos com gesso de cal (estuque) que era modelado em figuras e ornamentos. Grande parte do estuque fino desapareceu, mas as procissões de discípulos em Wat Mahathat e os relevos de divindades e animais em Wat Chedi Si Hong mostram sua qualidade.
As imagens de Buda de Sukhothai, em bronze e estuque, são admiradas por seus corpos idealizados, quase sem peso: rostos ovais com sobrancelhas arqueadas e um sorriso suave, um ornamento em forma de chama sobre a cabeça, membros lisos e uma túnica que se ajusta ao corpo. A UNESCO liga essas características às tradicionais "marcas de um grande ser" (mahapurisalakkhana), pelas quais os textos budistas descrevem o corpo sobre-humano de Buda.
A criação mais conhecida de Sukhothai é o Buda caminhante, mostrado em movimento, com um calcanhar erguido e um braço balançando. Em Wat Chetuphon, ao sul da cidade, quatro grandes imagens de estuque mostram Buda nas quatro posturas: caminhando, sentado, em pé e deitado. A postura caminhante, rara na arte budista anterior, tornou-se um dos emblemas da escultura tailandesa.
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O reino de Sukhothai: ascensão, apogeu e absorção
Sukhothai era uma cidade comercial em rotas entre centros de influência mon, tai e khmer muito antes de se tornar capital real. Uma inscrição em Wat Si Chum registra que, por volta de 1238, dois senhores locais, Pho Khun Bang Klang Hao e Pho Khun Pha Mueang, tomaram a cidade de um governante que ostentava um título khmer; Bang Klang Hao tornou-se rei com o nome de Si Inthrathit e fundou a dinastia frequentemente chamada de Phra Ruang. Esse evento é tradicionalmente tomado como a fundação do reino.
O filho de Si Inthrathit, Ram Khamhaeng, que reinou no fim do século XIII, é lembrado como o maior governante do reino. Segundo a inscrição a ele atribuída, ele estendeu a influência de Sukhothai sobre muitas cidades, promoveu o budismo Theravada com monges vindos de Nakhon Si Thammarat, no sul, e criou uma nova forma de escrita tai em 1283. Também abriu relações com a China Yuan. Historiadores modernos leem a lista de lugares em sua inscrição como uma rede de alianças e tributo, e não como um território sob domínio direto.
Depois da morte de Ram Khamhaeng, cidades tributárias se separaram. Seu neto Li Thai (Maha Thammaracha I), que reinou a partir de cerca de 1347, é conhecido sobretudo como mecenas do budismo: é creditado com o tratado cosmológico Trai Phum Phra Ruang ("Três Mundos"), convidou um monge treinado no Sri Lanka para chefiar um mosteiro florestal e ele próprio tornou-se monge em 1361. Sob ele e seus sucessores, o centro político se deslocou para Phitsanulok.
O reino ascendente de Ayutthaya, ao sul, tornou Sukhothai um estado subordinado no fim do século XIV; as crônicas registram a submissão do rei Thammaracha II em 1378. Depois da morte do governante de Sukhothai, Borommapan, em 1438, Ayutthaya instalou seu próprio príncipe herdeiro na região, encerrando a existência separada de Sukhothai. Como esse processo deve ser descrito, como conquista ou como incorporação gradual por meio de casamento e aliança, é debatido.
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Religião: monges Theravada, mosteiros florestais e ritos bramânicos
Os governantes de Sukhothai se apresentavam como reis budistas justos (dhammaraja). O budismo Theravada, especialmente a linhagem cingalesa conhecida em tailandês como Lankawong, foi promovido por meio de monges convidados, da construção de mosteiros e de ordenações reais. Inscrições falam de um monge treinado no Sri Lanka reordenando milhares de monges, e do príncipe Si Sattha, neto de Pha Mueang, que renunciou às armas, tornou-se monge, viajou muito e restaurou locais sagrados.
A comunidade monástica era dividida em dois grupos. Os monges "de vila" ou da cidade (kamavasi) viviam em mosteiros dentro e perto da cidade e se concentravam no estudo das escrituras. Os monges "da floresta" (araññavasi) viviam em mosteiros mais tranquilos nas colinas arborizadas a oeste da cidade, como Wat Chang Rop e Wat Saphan Hin, e se concentravam na meditação. A disposição do parque ainda reflete essa divisão.
O budismo não excluía rituais mais antigos. O santuário hindu de Wat Si Sawai foi mais tarde adaptado para uso budista, e Li Thai construiu um santuário para sacerdotes bramânicos em Wat Pa Mamuang e mandou fundir grandes estátuas de bronze de Shiva e Vishnu, hoje no Museu Nacional em Bangkok. Cerimônias bramânicas da corte continuaram ao lado da devoção budista, como ainda ocorre na monarquia tailandesa.
O Trai Phum Phra Ruang atribuído a Li Thai descrevia o universo budista de céus, infernos e o mundo humano, e o lugar do carma e do mérito dentro dele. Escrito em tailandês, é frequentemente chamado de primeira obra filosófica budista na língua tailandesa e moldou as ideias tailandesas sobre o cosmos por séculos.
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Água, comércio e os fornos de Sukhothai
A UNESCO enfatiza que as cidades de Sukhothai abrigavam engenheiros hidráulicos habilidosos, que represavam água, construíam reservatórios, lagoas e canais, e controlavam enchentes. Terraplenagens e fossos reduziam a velocidade do escoamento das monções vindas das colinas a oeste, enquanto represas e canais levavam a água armazenada até a cidade. Os estudiosos discordam sobre quão produtivas eram as terras agrícolas ao redor, e, portanto, sobre quanto da riqueza do reino vinha da agricultura e quanto vinha do comércio de produtos florestais.
A inscrição atribuída a Ram Khamhaeng afirma, de forma famosa, que o governante não cobrava pedágios e que as pessoas comerciavam livremente gado, cavalos, elefantes, prata e ouro. Os historiadores usaram essa passagem, junto com a localização das cidades citadas nas inscrições, para reconstruir rotas comerciais terrestres que iam a leste até o Mekong, ao norte até Luang Prabang, a oeste até os portos mons de Martaban e Pegu, e ao sul até o Golfo da Tailândia.
Sukhothai também era um centro de produção cerâmica. Nos fornos de Thuriang, junto ao fosso de Wat Phra Phai Luang, dezenas de fornos de tijolo foram registrados; datações por radiocarbono situam sua atividade de meados do século XIV ao XV e depois. Suas tigelas e jarros de grés, muitas vezes pintados de preto com um peixe, uma flor ou um círculo giratório, são conhecidos como cerâmica de Sukhothai. Campos de fornos muito maiores em Si Satchanalai, com quase duzentos fornos registrados, produziram os celadões e outras cerâmicas exportadas sob os nomes "Sawankhalok" ou sangkhalok.
Essas cerâmicas viajaram por longas distâncias: foram encontradas em naufrágios no Golfo da Tailândia e em sítios em Java, Sumatra, nas Filipinas, no Sri Lanka e nas ilhas Ryukyu. A indústria cerâmica mostra que a região de Sukhothai estava conectada ao comércio marítimo asiático, e a datação dos fornos ainda está sendo refinada por escavações.
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Depois do reino: abandono, redescoberta e o parque
Sukhothai continuou habitada sob Ayutthaya, mas declinou, especialmente durante as guerras com a Birmânia. Em 1583, pessoas da região foram deslocadas para o sul, e após novas guerras na década de 1760 a cidade antiga ficou, em grande parte, deserta. Em 1793, o rei Rama I fundou uma nova Sukhothai 12 km a leste, ancestral da moderna cidade provincial.
Os primeiros reis de Bangkok levaram imagens de Buda dos templos arruinados do norte para a nova capital. A mais famosa é o grande Buda de bronze Phra Si Sakyamuni, originalmente a imagem principal de Wat Mahathat em Sukhothai e hoje em Wat Suthat, em Bangkok. A UNESCO observa que Rama I retirou mais de duas mil estátuas de Buda de Sukhothai para protegê-las.
Em 1833, o príncipe Mongkut, então monge e mais tarde rei Rama IV, visitou Sukhothai e encontrou a inscrição em pedra mais tarde chamada de Inscrição de Sukhothai Nº 1, junto com o trono de pedra Manangkhasila, e os levou para Bangkok. Em 1907, o príncipe herdeiro Vajiravudh, mais tarde rei Rama VI, fez uma viagem de estudos pelas cidades antigas do norte e publicou um relato que incentivou o interesse histórico e arqueológico por Sukhothai.
A restauração sistemática pelo Departamento de Belas Artes começou em 1961, e a área foi colocada sob proteção legal em 1962. O parque histórico foi oficialmente aberto em julho de 1988, e a inscrição no Patrimônio Mundial veio a seguir, em 12 de dezembro de 1991. Hoje, o Museu Nacional Ramkhamhaeng, aberto em 1964 dentro do parque, exibe esculturas, cerâmicas e outros achados de Sukhothai e de seus vizinhos.
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A Inscrição de Ram Khamhaeng e o debate sobre a falsificação
A Inscrição de Sukhothai Nº 1 é um pilar de silte de quatro lados, com cerca de 1,15 metro de altura, encontrado por Mongkut em 1833 e datado por seu texto em 1292. Contém um relato em primeira pessoa da juventude de Ram Khamhaeng, uma descrição do reino próspero e de seu rei justo, e a afirmação de que Ram Khamhaeng criou "estas letras tai" em 1283. Sua escrita coloca todas as vogais na linha, diferente do tailandês posterior. Decifrada em etapas por estudiosos tailandeses e por George Cœdès, cuja edição de referência apareceu em 1924, ela se tornou a base da imagem moderna de Sukhothai. A UNESCO a adicionou ao Registro Memória do Mundo em 2003.
Em 1987, o historiador Michael Vickery apresentou um artigo comparando a inscrição ao embuste de Piltdown, reunindo dúvidas sobre sua escrita, vocabulário e conteúdo. O historiador da arte Piriya Krairiksh foi além, argumentando que o próprio Mongkut a havia produzido. As alegações implicavam que boa parte da história tailandesa precisaria ser reescrita, e provocaram anos de debate intenso, publicações especiais e seminários; a reação pública foi por vezes hostil.
Um estudo de 1990, usando microscopia eletrônica de varredura, constatou que o intemperismo da estela era consistente com o de outras inscrições de Sukhothai de idade semelhante. A maioria dos especialistas hoje considera a inscrição pelo menos parcialmente autêntica, mas alguns defensores da teoria da falsificação permanecem não convencidos, e os estudiosos continuam a debater se partes do texto, especialmente as passagens sobre a escrita e a sociedade idealizada, foram acrescentadas ou compostas mais tarde, por exemplo sob Li Thai, para glorificar seu avô.
A controvérsia produziu um corpo de estudos muito mais rico. Leituras recentes tratam a inscrição menos como uma descrição transparente e mais como um texto composto: um estudioso comparou sua imagem do rei com modelos das escrituras páli sobre o justo governante universal; outros leem sua lista de cidades como lealdades pessoais, e seu relato de comércio livre como evidência de que o comércio, e não o arroz, era a principal fonte de receita do reino.
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"A primeira capital tailandesa"? Sukhothai na história nacional
No início do século XX, Sukhothai foi colocada no início de uma única linha de capitais tailandesas: Sukhothai, depois Ayutthaya, Thonburi e Bangkok. A ideia foi formulada pelo príncipe herdeiro Vajiravudh após sua viagem de 1907 e desenvolvida pelo príncipe Damrong Rajanubhab na década de 1910, tornando-se o relato padrão nos livros escolares. Sukhothai foi apresentada como uma era de ouro da liberdade tailandesa e do governo paternal, às vezes contrastada com uma Ayutthaya supostamente influenciada pelos khmers.
A história de 1238 foi por muito tempo contada como uma libertação tai do domínio khmer. Estudos mais recentes questionam tanto a moldura étnica quanto a ideia de uma administração khmer: há pouca evidência de controle administrativo angkoriano tão a oeste, e ambos os lados do conflito parecem ter sido senhores locais com laços com Angkor. Baker e Pasuk, por exemplo, leem o evento como a vitória de um senhor ligado a Angkor sobre outro, e não como um levante nacional.
Os usos políticos de Sukhothai mudaram ao longo do tempo. A imagem de um rei paternal, próximo de seu povo, foi citada como semente da democracia tailandesa depois de 1932, como modelo de liberdade em relação à ideologia estrangeira durante a Guerra Fria, e por escritores radicais como o início da libertação de Angkor. Arqueólogos como Srisakra Vallibhotama, em vez disso, colocam Sukhothai como uma entre várias entidades políticas iniciais da região, e as publicações mais recentes do Departamento de Belas Artes se afastaram de chamá-la de primeiro reino tailandês.
Os festivais mostram um processo semelhante. Costuma-se dizer que o festival de Loy Krathong começou em Sukhothai com uma dama da corte chamada Nang Nopphamat, mas os historiadores mostraram que sua história vem de um poema do início do período de Bangkok; Baker e Pasuk a chamam de ficção literária. Assim como o debate sobre a inscrição, essas descobertas não diminuem a importância de Sukhothai, mas mostram como o sítio foi usado para contar histórias sobre a nação.
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Conservação e autenticidade
A avaliação da UNESCO enfatiza que a integridade de Sukhothai reside tanto nas muitas estruturas ainda de pé em cada cidade quanto na engenharia da paisagem — os reservatórios, canais e estradas que ligavam as três cidades. Também observa que a integridade é desafiada pelo programa contínuo de escavações, e que objetos foram removidos no passado, incluindo as imagens de Buda levadas por Rama I e a inscrição e o trono levados por Mongkut.
A maioria dos monumentos eram mosteiros budistas, e muitos foram mantidos e reparados ao longo de séculos com materiais tradicionais. Desde a década de 1960, o Departamento de Belas Artes controla todo o trabalho de conservação, e os limites do parque coincidem com as zonas protegidas: não é permitido nenhum desenvolvimento além de proteção, conservação e interpretação, e não há tráfego de passagem.
Restaurar monumentos de tijolo e estuque levanta questões difíceis. Consolidar paredes desabadas, reconstruir pináculos de estupas e reparar imagens de Buda pode tornar um sítio legível e seguro, mas também pode impor interpretações modernas; algumas estátuas do parque foram amplamente reconstruídas. Pesquisadores que estudam cabeças de estuque que saíram do local antes de a restauração começar em 1961 as usaram para datar a escultura original, um lembrete de quanto se perdeu ou foi alterado.
Novos trabalhos científicos continuam a mudar o quadro. Datações por radiocarbono e termoluminescência de sítios de fornos, levantamentos de antigos fornos de fundição de ferro nas colinas a noroeste da cidade, e estudos geológicos das pedras usadas em marcos de fronteira mostram que a economia e a tecnologia de Sukhothai eram mais complexas, e sua cronologia mais longa, do que sugeria a antiga versão dos livros didáticos.
Ideias principais
- Estilo Sukhothai
- A arte e a arquitetura distintivas do reino: estupas em botão de lótus, ornamentos de estuque e imagens idealizadas de Buda, consideradas um estilo clássico tailandês.
- Buda caminhante
- Um Buda mostrado em movimento, com um calcanhar erguido; uma criação característica da escultura de Sukhothai.
- Dhammaraja
- O ideal do rei budista justo que governa pelo Dhamma, central na imagética real de Sukhothai.
- Cidade hidráulica
- Represas, canais, fossos e reservatórios armazenavam e administravam a água em uma região sem um grande rio.
- Estado-mandala
- O poder entendido como redes de lealdade em torno de um centro, e não como fronteiras fixas; leituras modernas do 'império' de Sukhothai.
- Inscrição contestada
- A Inscrição Nº 1 moldou a história tailandesa, mas foi debatida como parcial ou totalmente posterior; o próprio debate enriqueceu os estudos.
- Patrimônio e nação
- Sukhothai foi transformada na 'primeira capital tailandesa' no século XX; historiadores hoje examinam como essa história foi construída.
Registros
- 1191 — Uma inscrição angkoriana registra imagens de Buda enviadas a 23 cidades; um tipo parece ter sido consagrado em Wat Phra Phai Luang.
- 1238 — Data tradicional da fundação do reino de Sukhothai sob Si Inthrathit (alguns historiadores a datam alguns anos depois).
- 1283 — Data dada na Inscrição Nº 1 para a criação, por Ram Khamhaeng, de uma nova escrita tai.
- 1292 — Data da Inscrição de Sukhothai Nº 1, atribuída a Ram Khamhaeng.
- 1347 — Li Thai (Maha Thammaracha I) torna-se rei de Sukhothai; mecenas do budismo e autor do Trai Phum Phra Ruang.
- 1361 — Li Thai é ordenado monge, o primeiro rei siamês conhecido a fazê-lo.
- 1378 — O rei Thammaracha II se submete ao crescente reino de Ayutthaya.
- 1438 — Após a morte de Borommapan, Ayutthaya instala seu príncipe herdeiro na região; termina a existência separada de Sukhothai.
- 1793 — Rama I funda a Nova Sukhothai 12 km a leste; a cidade antiga é abandonada.
- 1833 — O príncipe Mongkut encontra a Inscrição Nº 1 e um trono de pedra no monte do palácio.
- 1961 — O Departamento de Belas Artes começa a restaurar a cidade antiga.
- 1988 — O Parque Histórico de Sukhothai é oficialmente inaugurado.
- 1991 — Inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, junto com Si Satchanalai e Kamphaeng Phet.
- 2003 — A Inscrição de Ram Khamhaeng é adicionada ao Registro Memória do Mundo da UNESCO.
Glossário
- Wat
- Um mosteiro ou complexo de templo budista na Tailândia.
- Estupa (chedi)
- Um monumento, muitas vezes contendo relíquias, que representa Buda e seu ensinamento.
- Prang
- Uma torre alta, em forma de espiga de milho, derivada da arquitetura de templos khmer.
- Mandapa (mondop)
- Um edifício quadrado que abriga uma imagem sagrada, como o que envolve o grande Buda em Wat Si Chum.
- Estuque
- Gesso de cal modelado em figuras e ornamentos sobre tijolo.
- Laterita
- Uma pedra avermelhada, rica em ferro, que endurece quando exposta ao ar, usada nas primeiras torres de Sukhothai.
- Theravada
- O "Caminho dos Anciãos", a forma de budismo predominante no Sri Lanka e no continente do Sudeste Asiático.
- Jataka
- Histórias das vidas anteriores de Buda, ilustradas em lajes de ardósia em Wat Si Chum.
- Celadão
- Grés com esmalte verde-acinzentado; os celadões da região de Sukhothai eram amplamente exportados.
- Phra Attharot
- Um tipo de alto Buda em pé, dito ter dezoito côvados de altura, encontrado em vários templos de Sukhothai.
Perguntas e respostas
O que significa "Sukhothai"?
Costuma-se traduzir como "aurora da felicidade", a partir de palavras de origem sânscrita e páli.
Sukhothai foi o primeiro reino tailandês?
Por muito tempo se ensinou assim, mas os historiadores hoje a veem como um entre vários estados tai iniciais. Outras entidades políticas tai, como as das terras altas do norte, existiam antes ou ao mesmo tempo.
O que há de especial no Buda caminhante?
A maioria das imagens de Buda anteriores está sentada, em pé ou deitada. Os escultores de Sukhothai fizeram Buda caminhar, com um calcanhar erguido e um braço balançando, o que dá uma sensação de movimento suave.
Por que a cidade foi abandonada?
Depois que Sukhothai se tornou parte de Ayutthaya, o centro político se deslocou. Guerras com a Birmânia e o deslocamento de pessoas esvaziaram a cidade, e em 1793 uma nova cidade foi fundada mais a leste.
A Inscrição de Ram Khamhaeng é falsa?
Alguns estudiosos argumentaram, no fim da década de 1980, que ela foi feita muito depois, até mesmo pelo rei Mongkut. Testes científicos e novos estudos convenceram a maioria dos especialistas de que é ao menos parcialmente genuína, mas o debate não está totalmente resolvido.
Por que Sukhothai é listada junto com outras duas cidades?
Si Satchanalai e Kamphaeng Phet compartilhavam a língua, a escrita, as leis, a arte e os sistemas de água de Sukhothai, e eram ligadas por uma estrada, então a UNESCO trata as três como um único bem histórico.
Loy Krathong começou em Sukhothai?
Histórias populares dizem que sim, mas os historiadores mostraram que a lenda da dama da corte Nopphamat foi escrita no início do período de Bangkok, e não há evidência firme de que o festival tenha começado em Sukhothai.
Fontes e leituras adicionais
- Historic Town of Sukhothai and Associated Historic Towns. UNESCO World Heritage Centre
- Sukhothai Historical Park. Wikipedia
- Sukhothai Kingdom. Wikipedia
- Ram Khamhaeng Inscription. Wikipedia
- Maha Thammaracha I (Li Thai). Wikipedia
- Si Satchanalai. Wikipedia
- Loy Krathong. Wikipedia
- Chris Baker, Pasuk Phongpaichit, A History of Ayutthaya: Siam in the Early Modern World. Cambridge University Press, 2017
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
