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Para jovens leitores
Há muito tempo, a península da Coreia e as terras ao norte dela estavam divididas entre três reinos: Goguryeo, ao norte; Baekje, a sudoeste; e Silla, a sudeste. Eles foram vizinhos e rivais por cerca de 700 anos, até Silla se tornar o mais forte.
Centenas de anos depois, em um novo reino chamado Goryeo, o rei pediu a um ministro chamado Kim Busik que escrevesse a história daqueles três reinos antigos. Kim Busik tinha cerca de 70 anos e trabalhou com uma equipe de dez pessoas. Em 1145, eles terminaram um livro de história com 50 volumes, chamado Samguk sagi. O nome significa “Registros Históricos dos Três Reinos”.
O livro parece um enorme álbum de família dos três reinos. Uma parte conta o que cada rei fez, ano a ano. Outra mostra uma linha do tempo. Outra explica como as pessoas se vestiam, que músicas tocavam e como o governo funcionava. A última parte conta a vida de pessoas conhecidas: generais como Kim Yusin, Eulji Mundeok, que derrotou um enorme exército chinês, Gyebaek, de Baekje, e uma menina chamada Jieun, que trabalhava muito para cuidar da mãe.
Muitos livros antigos que Kim Busik leu se perderam. Por isso, o Samguk sagi é o livro de história coreana mais antigo que ainda temos. Sem ele, saberíamos muito menos sobre a Coreia antiga.
As pessoas ainda discutem o livro. Algumas dizem que Kim Busik elogiou demais a China e deu mais atenção a Silla. Outras dizem que ele tinha orgulho da história da Coreia e queria que os coreanos a conhecessem melhor. Ler o livro com cuidado, como um detetive, faz parte do estudo da história.
Em resumo
- Conclusão
- 1145 (23º ano do reinado de Injong de Goryeo)
- Compiladores
- Kim Busik (1075–1151) como compilador-chefe, com oito compiladores auxiliares e dois responsáveis pela supervisão e edição
- Local
- Gaegyeong (atual Kaesong), capital de Goryeo
- Idioma
- Chinês clássico (hanmun)
- Formato
- História em formato de anais e biografias (gijeonche), inspirada nas histórias das dinastias chinesas
- Extensão
- 50 gwon (volumes): 28 de anais, 3 de tabelas, 9 de tratados e 10 de biografias
- Período abrangido
- Goguryeo, Baekje e Silla, desde a fundação tradicional de Silla, em 57 a.C., até o fim de Silla, em 935
- Importância
- A obra de história da Coreia mais antiga que chegou até nós e uma fonte fundamental para o estudo dos Três Reinos e de Silla Unificada
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O que é o Samguk sagi?
O Samguk sagi (三國史記, “Registros Históricos dos Três Reinos”) é uma história dos três antigos reinos coreanos de Goguryeo, Baekje e Silla. Inclui o período posterior à unificação da maior parte da península por Silla. Foi compilado por ordem do rei Injong, da dinastia Goryeo, por uma equipe chefiada por Kim Busik e apresentado ao rei em 1145.
É a obra de história coreana mais antiga que chegou completa até nós. Certamente existiram obras anteriores, usadas pelos compiladores, mas elas se perderam. Escrito em chinês clássico, a língua escrita compartilhada no Leste Asiático naquela época, o Samguk sagi é, portanto, o ponto de partida para quase todos os estudos da história antiga da Coreia.
O livro foi um projeto oficial do Estado de Goryeo. Isso significa que reflete as opiniões e os interesses da corte e dos eruditos confucionistas que ocupavam cargos públicos, algo que os leitores atuais precisam levar em conta. Ao mesmo tempo, preserva uma enorme quantidade de informações que não se encontram em nenhum outro lugar.
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Os três reinos descritos no livro
Segundo as datas do Samguk sagi, Silla foi fundada em 57 a.C. por Bak Hyeokgeose; Goguryeo, em 37 a.C. por Jumong (rei Dongmyeong); e Baekje, em 18 a.C. por Onjo. Muitos historiadores consideram que essas datas tradicionais de fundação, sobretudo a data antiga atribuída a Silla, não são literalmente corretas. Elas mostram, porém, como os reinos lembravam suas origens.
Goguryeo, situado no norte e em parte do que hoje é o nordeste da China, tornou-se um Estado poderoso que combateu dinastias chinesas como Sui e Tang. Baekje, no sudoeste, era conhecido por sua cultura refinada e por seus vínculos com o Japão e o sul da China. Silla, no sudeste, era inicialmente o menor e mais isolado dos três, mas se fortaleceu com o tempo.
Na década de 660, Silla, aliada à China da dinastia Tang, conquistou Baekje (660) e Goguryeo (668). Depois, até 676, expulsou as forças Tang da maior parte da península. O Samguk sagi continua a história desse Estado ampliado de Silla até 935, quando seu último rei se rendeu a Goryeo.
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Como o livro é organizado
O Samguk sagi segue o formato de “anais e biografias” (gijeonche), criado pelo historiador chinês Sima Qian em seus Registros do Grande Historiador. Tem quatro partes. Os anais (bongi, 28 gwon) registram os reinados ano a ano: 12 gwon para Silla, 10 para Goguryeo e 6 para Baekje.
As tabelas (yeonpyo, 3 gwon) apresentam lado a lado os reinados dos três reinos e as dinastias chinesas. Os tratados (ji, 9 gwon) descrevem instituições: rituais e música; roupas, carruagens, utensílios e casas; geografia, incluindo nomes de lugares; e cargos oficiais.
As biografias (yeoljeon, 10 gwon) contam a vida de cerca de 69 pessoas. Só o general Kim Yusin, que comandou as guerras de unificação de Silla, ocupa três gwon. Entre os demais estão generais como Eulji Mundeok, de Goguryeo, e Gyebaek, de Baekje; eruditos como Seol Chong e Choe Chiwon; súditos leais; e exemplos de respeito e dedicação aos pais. Os dois últimos gwon tratam de pessoas que os compiladores consideravam rebeldes ou traidoras, como o poderoso líder de Goguryeo Yeon Gaesomun e os chefes militares do fim de Silla Gungye e Gyeon Hwon.
Espalhados pelos anais e pelas biografias estão 31 comentários dos historiadores (saron), nos quais Kim Busik interrompe a narrativa para julgar acontecimentos e pessoas de um ponto de vista confucionista.
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Histórias das biografias
As biografias são a parte do Samguk sagi de que as pessoas mais se lembram. Em 612, um enorme exército da dinastia chinesa Sui invadiu Goguryeo. O general de Goguryeo Eulji Mundeok atraiu os invasores para o interior do território, enviou ao comandante deles um poema de zombaria e então os atacou quando recuavam pelo rio Salsu. Segundo o Samguk sagi, apenas uma pequena parte dos soldados Sui conseguiu voltar para casa.
Em 660, quando os exércitos de Silla e Tang avançavam sobre Baekje, o general de Baekje Gyebaek levou 5 mil soldados a Hwangsanbeol para uma última resistência. Segundo o relato, primeiro matou a própria família para impedir que fosse escravizada. Depois, repeliu quatro vezes um exército de Silla muito maior, antes de morrer. Do lado de Silla, o jovem hwarang Gwanchang atacou sozinho as linhas de Baekje e foi morto; sua coragem inspirou as tropas de Silla. O livro homenageia pessoas corajosas dos dois lados.
Outras histórias são mais suaves. Ondal, de Goguryeo, que parecia tolo, casa-se com a princesa Pyeonggang, que deixou o palácio por ele, e com a ajuda dela se torna um grande general. O erudito de Silla Seol Chong conta ao rei uma parábola sobre um Rei das Flores que precisa escolher entre uma bela rosa e uma flor velha, de cabelos brancos, mas honesta. É uma lição sobre ouvir bons conselhos em vez de bajulações. A menina Jieun vende a si mesma como serva para alimentar a mãe, e o rei recompensa sua dedicação.
Essas histórias foram escolhidas para ensinar lealdade, coragem, respeito e dedicação aos pais, e sabedoria no governo. Não são relatos neutros, mas mostram o que os eruditos de Goryeo consideravam uma boa pessoa.
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Kim Busik e a corte de Goryeo
Kim Busik (1075–1151) pertencia ao clã Kim de Gyeongju, que afirmava descender da casa real de Silla. Foi aprovado no exame para o serviço público em 1096, trabalhou na Academia Hallim e em outros cargos ligados às letras, viajou como enviado à China da dinastia Song e chegou aos mais altos postos ministeriais. Diz-se que ele e seus irmãos receberam nomes inspirados no famoso escritor Song Su Shi e em seu irmão Su Zhe. Um enviado Song a Goryeo, Xu Jing, elogiou seus conhecimentos e sua habilidade literária.
Em 1135, o monge Myocheong e seus partidários se rebelaram. Eles queriam transferir a capital para Pyongyang (a Capital Ocidental) e adotar uma postura mais agressiva em relação à dinastia Jin dos jurchéns. Kim Busik comandou as forças do governo que derrotaram a rebelião em 1136 e se tornou a figura dominante na corte. Deixou o cargo em 1142 e dirigiu a compilação do Samguk sagi durante a aposentadoria.
A obra não foi feita apenas por ele. A enciclopédia da Academia de Estudos Coreanos relaciona onze funcionários: Kim Busik como compilador-chefe, oito compiladores auxiliares (chamgo) e dois funcionários (gwangu) responsáveis pela supervisão e edição. Ainda assim, o papel de Kim Busik foi decisivo, sobretudo nos comentários dos historiadores e na concepção geral da obra.
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Por que foi escrito? O memorial apresentado ao rei
Kim Busik explicou seu propósito em um memorial apresentado junto com o livro (Jin Samguk sagi pyo). Nele aparecem três motivos principais: os eruditos coreanos conheciam bem os clássicos e as histórias chinesas, mas ignoravam o passado de seu próprio país; as histórias chinesas diziam muito pouco sobre os três reinos; e os registros antigos disponíveis eram rudimentares e incompletos, de modo que as boas e más ações de governantes e súditos não podiam servir de lição para as gerações futuras.
Assim, o livro pretendia preservar a memória do país e ensinar a moral política confucionista. Escrever uma história oficial das dinastias anteriores também era uma forma de uma casa reinante se apresentar como um Estado legítimo e civilizado, seguindo a prática chinesa.
O contexto político era importante. No início do século XII, Goryeo enfrentava a ascensão da dinastia Jin dos jurchéns, que conquistou o norte da China na década de 1120, e acabara de superar a rebelião de Myocheong e disputas anteriores pelo poder na corte. Muitos historiadores veem o Samguk sagi como parte de um esforço para restaurar a ordem e a autoridade real segundo princípios confucionistas após essas crises.
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Que fontes os compiladores usaram?
Os compiladores recorreram a registros coreanos que já não existem, citados por nomes como Gogi (“Registros Antigos”), Samhan gogi, Silla gosa e Haedong gogi, além de obras dos escritores de Silla Kim Daemun e Choe Chiwon. Uma história anterior dos três reinos, geralmente chamada Gu Samguk-sa (“Antiga História dos Três Reinos”), é conhecida por meio do poeta Yi Gyu-bo, que a citou em seu poema sobre o rei Dongmyeong, de 1193. A relação entre essa obra e o Samguk sagi é debatida.
Eles também usaram muitas histórias chinesas, entre elas os Registros dos Três Reinos, o Livro dos Han Posteriores, o Livro de Jin, o Livro de Wei, o Livro de Song, as Histórias das Dinastias do Sul e do Norte, o Antigo e o Novo Livro de Tang e o Espelho Abrangente para Auxiliar no Governo (Zizhi tongjian).
Quando os registros coreanos e chineses divergiam, os compiladores frequentemente preferiam o material coreano e registravam versões diferentes. Algumas passagens, porém, reproduzem fontes chinesas quase palavra por palavra, especialmente as que tratam das guerras entre os reinos coreanos e os impérios Sui e Tang. Distinguir no texto os registros coreanos do material chinês é uma das principais tarefas da pesquisa atual.
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Como o texto chegou até nós
Nenhuma cópia de 1145 chegou até nós. O livro foi impresso com blocos de madeira. Um único volume com sete gwon, proveniente de uma impressão do período Goryeo e guardado no Museu de Livros Antigos Seongam, em Seul, é o exemplar mais antigo que sobreviveu; ele foi designado Tesouro da Coreia.
No início da dinastia Joseon, o livro foi reimpresso em Gyeongju, em 1394. Uma nova impressão foi feita na mesma cidade em 1512, sob a direção do magistrado Yi Gye-bok. Essa edição de 1512, conhecida como edição Jeongdeok, tornou-se a base da maioria dos textos posteriores. Cópias impressas do início do período Joseon, guardadas na academia Oksan Seowon, em Gyeongju, e no Museu de Livros Antigos Seongam, foram designadas Tesouros Nacionais da Coreia em 2018.
No século XX, o Samguk sagi foi editado, anotado e traduzido para o coreano moderno muitas vezes. Traduções parciais também apareceram em inglês e em outros idiomas. Hoje, edições digitais tornam o texto amplamente acessível.
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Debate: história “sinocêntrica” ou patriotismo de Goryeo?
A crítica mais conhecida veio do ativista pela independência e historiador Sin Chae-ho (1880–1936). Ele acusou Kim Busik de sadaejuui, isto é, de submissão à China. Em um ensaio de 1925, chamou a rebelião de Myocheong, reprimida por Kim Busik, de maior acontecimento da história coreana em mil anos. Argumentou que seu fracasso marcou a vitória de uma visão confucionista e sinocêntrica sobre um espírito independente. Os críticos apontaram para comentários dos historiadores que julgam os reinos segundo padrões chineses de conduta, para o ponto de vista centrado em Silla e para omissões como Gojoseon, Gaya (que não tem anais próprios) e Balhae, o reino que sucedeu Goguryeo no norte.
Desde a década de 1970, muitos historiadores, entre eles especialistas como Shin Hyung-sik, autor do verbete sobre o livro na enciclopédia da Academia de Estudos Coreanos, apresentam uma visão mais equilibrada. Eles observam que o livro chama os registros dos reis coreanos de bongi, “anais fundamentais”, termo reservado aos imperadores nas histórias chinesas; que concede aos três reinos o mesmo status formal de Estados independentes; que Kim Busik declarou expressamente desejar que os coreanos conhecessem sua própria história; e que os compiladores conservaram títulos reais locais e tradições coreanas. Nessa interpretação, o Samguk sagi expressa o nacionalismo confucionista da Goryeo do século XII, e não mera servilidade.
A crítica de que a obra privilegia Silla também é debatida. Silla durou mais tempo e deixou mais registros, e Goryeo se via, em parte, como sua sucessora. Por isso, a diferença de espaço dedicado aos reinos pode refletir tanto as fontes disponíveis quanto uma preferência dos compiladores. Por outro lado, o livro dedica dez gwon de anais a Goguryeo e trata sua resistência a Sui e Tang com evidente admiração.
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Os primeiros anais são confiáveis?
A confiabilidade dos anais sobre os primeiros séculos de cada reino é uma questão antiga. No início do século XX, alguns estudiosos japoneses, especialmente Tsuda Sōkichi, argumentaram que os registros iniciais de Silla e Baekje eram em grande parte inventados. Essa interpretação, conhecida em coreano como teoria da desconfiança dos registros iniciais (chogi girok bulsillon), teve influência nos estudos do período colonial.
Pesquisas coreanas e internacionais posteriores passaram a defender o uso crítico desses registros. As evidências arqueológicas do desenvolvimento dos primeiros Estados da península e as comparações com registros chineses, como o relato sobre os povos orientais nos Registros dos Três Reinos, sugerem que os primeiros anais preservam tradições autênticas, embora sua cronologia tenha sido muitas vezes condensada ou ajustada. Propostas de correção das datas, por exemplo considerando que alguns reinados iniciais se sobrepuseram, continuam em debate.
Do ponto de vista metodológico, os historiadores analisam o Samguk sagi em camadas: registros coreanos locais, material chinês e escolhas editoriais e comentários dos compiladores. Eles o comparam com inscrições como a Estela de Gwanggaeto, de Goguryeo (414), e monumentos de pedra de Silla, com tabuletas de madeira (mokgan) escavadas nas últimas décadas e com textos japoneses e chineses. Cada nova escavação pode confirmar, corrigir ou tornar mais complexa a imagem apresentada pelo livro.
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Os tratados como fonte de pesquisa
Os nove gwon de tratados são breves em comparação com os das histórias chinesas, e os compiladores reconheceram que muitas informações sobre as instituições de Goguryeo e Baekje haviam se perdido. Mesmo assim, têm valor inestimável. O tratado sobre cargos oficiais preserva o sistema de títulos de Silla baseado na hierarquia dos ossos; o tratado sobre roupas e carruagens registra regras de ostentação que variavam conforme essa hierarquia; e o tratado sobre música cita instrumentos como o gayageum e o geomungo e explica suas origens.
O tratado de geografia é especialmente importante para os linguistas. Em 757, o rei Gyeongdeok de Silla substituiu muitos nomes locais de lugares por nomes de dois caracteres ao estilo chinês, e o tratado frequentemente registra tanto os nomes novos quanto os antigos. Como muitos nomes antigos foram escritos com caracteres chineses escolhidos pelo som ou pelo significado, os estudiosos usam esses pares para reconstruir palavras das línguas faladas nos três reinos, inclusive fragmentos da língua de Goguryeo. A interpretação desses dados e o que eles revelam sobre a relação entre as línguas da península continuam em debate.
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Legado, o Samguk yusa e a historiografia do Leste Asiático
O Samguk sagi costuma ser lido junto com o Samguk yusa (“Memórias dos Três Reinos”), compilado por volta de 1281 pelo monge budista Iryeon, mais de um século depois. As duas obras são muito diferentes. O Samguk sagi é uma história oficial e confucionista; o Samguk yusa é uma coletânea particular de lendas, histórias de milagres budistas, tradições populares e canções.
O Samguk yusa inclui materiais ausentes do Samguk sagi, como o mito de fundação de Dangun e Gojoseon, a história da confederação de Gaya e catorze hyangga, canções de Silla em língua local. Iryeon escreveu, em parte, para complementar o que a história oficial havia deixado de fora.
O Samguk sagi estabeleceu na Coreia a tradição de escrever histórias patrocinadas pelo Estado. Mais tarde, a dinastia Joseon compilou a História de Goryeo (Goryeosa) no mesmo formato de anais e biografias, além de extensas crônicas de seus próprios reinados. Historiadores particulares posteriores, como An Jeong-bok no século XVIII, reelaboraram e criticaram o Samguk sagi. O apelo de Yu Deuk-gong, em Balhaego (1784), para incluir Balhae na história coreana também pode ser entendido, em parte, como uma resposta às omissões da obra.
No contexto mais amplo do Leste Asiático, o livro pode ser comparado ao Nihon shoki (720), uma história oficial japonesa anterior, escrita em chinês clássico, que também combinava tradições locais com modelos chineses, e às histórias das dinastias chinesas que serviram de modelo para o Samguk sagi. A comparação mostra como diferentes Estados adaptaram uma forma comum de escrever história às suas próprias necessidades políticas.
Hoje, o Samguk sagi continua indispensável, mas os leitores o tratam como uma interpretação, feita no século XII, de um passado muito mais antigo. Suas histórias, como as de Ondal e da princesa Pyeonggang, de Seol Chong e dos guerreiros hwarang, também fazem parte da cultura coreana viva e são recontadas em livros escolares, romances e séries de televisão.
Ideias principais
- História oficial
- História compilada por ordem do rei e por funcionários do Estado, que reflete os valores da corte e do confucionismo.
- Anais e biografias (gijeonche)
- Formato criado por Sima Qian que combina anais dos governantes, tabelas, tratados e biografias individuais.
- A história como lição moral
- Kim Busik queria que as ações de governantes e súditos servissem de exemplos e advertências para as gerações futuras.
- Comentários dos historiadores (saron)
- 31 passagens nas quais o compilador julga acontecimentos e pessoas de um ponto de vista confucionista.
- Fontes perdidas
- O livro preserva materiais de registros coreanos anteriores que já não existem.
- Debate sobre o sadae
- Discussão atual sobre se o livro é sinocêntrico ou uma expressão do patriotismo de Goryeo.
- Crítica das fontes
- Os leitores atuais distinguem os registros locais, o material chinês e as interpretações dos compiladores.
Registros
- 57 a.C. — Data tradicional da fundação de Silla (57 a.C.), segundo o Samguk sagi.
- 37 a.C. — Data tradicional da fundação de Goguryeo (37 a.C.).
- 18 a.C. — Data tradicional da fundação de Baekje (18 a.C.).
- 668 d.C. — Silla e Tang conquistam Goguryeo, após a queda de Baekje em 660.
- 935 d.C. — O último rei de Silla se rende a Goryeo; termina a narrativa do Samguk sagi.
- 1075 — Nasce Kim Busik.
- 1135 — Começa a rebelião de Myocheong; Kim Busik a reprime até 1136.
- 1145 — Kim Busik e sua equipe apresentam o Samguk sagi ao rei Injong.
- 1151 — Morre Kim Busik.
- c. 1281 — O monge Iryeon compila o Samguk yusa, complementando a história oficial.
- 1512 — A edição Jeongdeok é impressa em Gyeongju e se torna a base da maioria dos textos posteriores.
- 2018 — Cópias impressas do início do período Joseon são designadas Tesouros Nacionais da Coreia.
Glossário
- Três Reinos
- Goguryeo, Baekje e Silla, reinos rivais da Coreia antiga.
- Goryeo
- Dinastia coreana (918–1392) que encomendou o Samguk sagi; o nome “Coreia” deriva de Goryeo.
- Gwon
- “Rolo” ou divisão em volumes de um texto tradicional do Leste Asiático.
- Bongi (anais)
- Registros dos reinados dos governantes organizados ano a ano.
- Yeoljeon (biografias)
- Relatos da vida de pessoas de destaque.
- Ji (tratados)
- Capítulos temáticos sobre instituições, como ritos, geografia e cargos públicos.
- Chinês clássico
- Língua escrita compartilhada pelas pessoas instruídas do Leste Asiático antes da era moderna.
- Sadaejuui
- “Servir ao grande”: termo crítico moderno para a submissão à China.
- Rebelião de Myocheong
- Revolta de 1135–1136 liderada pelo monge Myocheong, com base em Pyongyang e reprimida por Kim Busik.
- Samguk yusa
- Coletânea particular de história e lendas compilada pelo monge Iryeon por volta de 1281.
Perguntas e respostas
O Samguk sagi foi a primeira obra de história coreana já escrita?
Não, mas é a mais antiga que chegou até nós. Existiram obras anteriores, usadas pelos compiladores, mas elas se perderam.
Por que foi escrito com caracteres chineses?
A Coreia não tinha um alfabeto próprio até a criação do hangul, na década de 1440. Por isso, os coreanos instruídos escreviam em chinês clássico, a língua escrita compartilhada no Leste Asiático.
Quem é a pessoa mais conhecida das biografias?
Provavelmente o general Kim Yusin, cuja biografia ocupa três dos dez gwon de biografias.
Kim Busik realmente desprezava a Coreia?
Sin Chae-ho e outros o acusaram de submissão à China, mas muitos historiadores atuais argumentam que ele queria que os coreanos conhecessem sua própria história e tratava os três reinos como Estados independentes. As duas interpretações se apoiam em características reais do texto.
Podemos confiar nas primeiras datas de fundação?
Os historiadores as tratam com cautela. As datas de 57, 37 e 18 a.C. refletem tradições posteriores, e muitos estudiosos consideram que a cronologia inicial, sobretudo a de Silla, foi ajustada.
Qual é a diferença entre o Samguk sagi e o Samguk yusa?
O Samguk sagi é uma história oficial confucionista produzida por ordem do rei em 1145; o Samguk yusa é uma coletânea particular de lendas e histórias budistas compilada pelo monge Iryeon por volta de 1281.
Por que Balhae não foi incluído?
Os compiladores se limitaram aos três reinos e a Silla. Historiadores posteriores, como Yu Deuk-gong em 1784, criticaram essa escolha e defenderam a inclusão de Balhae na história coreana.
Fontes e leituras adicionais
- 신형식 (Shin Hyung-sik), 삼국사기 (三國史記). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- 정구복 (Chung Ku-bok), 김부식 (金富軾). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- 옥영정 (Ok Young-jeong), 삼국유사 (三國遺事). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
- Samguk sagi. Wikipedia
- Kim Busik. Wikipedia
- 삼국사기. 위키백과 (Korean Wikipedia)
- Samguk yusa. Wikipedia
Conteúdo relacionado
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- Gruta de SeokguramGruta budista do século VIII perto de Gyeongju, conhecida por seu Buda de granito e pelas esculturas ao redor.
- Tripitaka KoreanaCânone budista de Goryeo gravado em matrizes de madeira no século XIII.
- KojikiCompilação japonesa concluída em 712 d.C. que reúne relatos sobre divindades, origens e os primeiros governantes.
- ConfúcioMestre do estado de Lu cujas palavras, reunidas nos Analectos, moldaram a ética e o governo em todo o Leste Asiático.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
