História

Magna Carta

Magna Carta Libertatum (Medieval Latin, “Great Charter of Liberties”)

1215 · Runnymede (Reino da Inglaterra)

Em uma frase

A Magna Carta é o documento que o rei João da Inglaterra pactuou com barões rebeldes em Runnymede, em junho de 1215; falhou como tratado de paz, mas suas reedições, especialmente a promessa de que nenhum homem livre poderia ser punido a não ser por julgamento legal ou pela lei da terra, tornaram-se um símbolo duradouro do Estado de Direito.

Magna Carta
Imagem: Original authors were the barons and King John of England. Uploaded by Earthsound. · Public domain · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Há mais de 800 anos, a Inglaterra tinha um rei chamado João. Ele perdeu guerras na França, pediu cada vez mais dinheiro aos seus nobres e puniu pessoas de quem não gostava sem julgamentos justos. Muitos grandes proprietários de terras, chamados barões, ficaram muito irritados.

Em 1215 os barões se rebelaram e tomaram Londres. O rei João teve de se encontrar com eles em um campo chamado Runnymede, à beira do rio Tâmisa, não muito longe de seu castelo em Windsor.

Ali eles concordaram com uma longa lista de promessas escritas em latim em uma folha de pergaminho. O rei não assinou o próprio nome. Em vez disso, seu grande selo, um carimbo pressionado na cera, foi anexado às cópias para mostrar que ele concordava.

A promessa mais famosa dizia que nenhum homem livre poderia ser preso, encarcerado ou ter suas terras confiscadas, exceto por um julgamento justo ou pela lei da terra. Outra dizia que o rei não venderia justiça, nem a recusaria ou atrasaria.

A paz não durou. Poucos meses depois, o rei pediu ao Papa que anulasse a carta, e a guerra recomeçou. Mas depois que João morreu, o governo de seu filho ainda jovem emitiu a carta de novo várias vezes, e a partir de 1217 ela passou a ser chamada de Magna Carta, que significa “Grande Carta”.

Muito mais tarde, pessoas na Inglaterra, nos Estados Unidos e em muitos outros países lembraram a Magna Carta como um sinal de que até os governantes devem obedecer à lei. Quatro cópias de 1215 ainda existem: duas na Biblioteca Britânica, em Londres, uma na Catedral de Salisbury e uma no Castelo de Lincoln.

Em resumo

O que é
Carta real de liberdades, escrita em latim em pergaminho e autenticada com o grande selo do rei
Acordada
15 de junho de 1215, em Runnymede, um campo à beira do Tâmisa entre Windsor e Staines; cópias emitidas a partir de 19 de junho
Partes
O rei João da Inglaterra e barões rebeldes, com o arcebispo Stephen Langton como mediador
Conteúdo
Cerca de 63 cláusulas (numeradas apenas a partir de 1759) sobre liberdade da Igreja, pagamentos feudais, justiça, florestas, dívidas, cidades e um conselho de 25 barões
Destino em 1215
Anulada pelo papa Inocêncio III em 24 de agosto de 1215; seguiu-se a Primeira Guerra dos Barões
Reedições
1216, 1217 (quando foi chamada pela primeira vez de Magna Carta), 1225 e 1297 (incorporada como lei estatutária)
Cópias de 1215 sobreviventes
Quatro: duas na Biblioteca Britânica, uma na Catedral de Salisbury, uma (da Catedral de Lincoln) no Castelo de Lincoln; Memória do Mundo da UNESCO, 2009
Ainda em vigor
Três cláusulas da versão de 1297 continuam sendo lei na Inglaterra e no País de Gales, incluindo a cláusula do devido processo

Fácil

O que é a Magna Carta?

A Magna Carta, latim para “Grande Carta”, é uma carta real de direitos acordada pelo rei João da Inglaterra em Runnymede, perto de Windsor, em 15 de junho de 1215. Foi redigida como um acordo de paz entre o rei impopular e um grupo de barões rebeldes. Prometia proteger os direitos da Igreja, proteger os barões de prisões ilegais, oferecer justiça rápida e justa e limitar os pagamentos que a Coroa podia exigir de seus vassalos feudais.

Como tratado de paz, fracassou em poucas semanas. Nenhum dos lados confiava no outro, o Papa declarou a carta nula, e estourou uma guerra civil. Ainda assim, a carta não desapareceu. Depois da morte de João, foi reeditada em formas revisadas em 1216, 1217 e 1225, e em 1297 foi incorporada à lei estatutária inglesa. Ao longo dos séculos, tornou-se um dos documentos mais famosos da história do direito e do governo.

Hoje os historiadores destacam duas histórias diferentes. Uma é a própria carta de 1215: um acordo prático, muitas vezes técnico, sobre os direitos dos barões e homens livres em um reino feudal. A outra é o “mito” ou lenda da Magna Carta, construído principalmente a partir do século XVII, que a via como uma garantia antiga de liberdade para todos. Ambas as histórias importam para entender por que ela ainda é lembrada.

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Fácil

Por que os barões se rebelaram?

O rei João era o terceiro rei da dinastia angevina, que também detinha extensas terras na França. Em 1204 ele perdeu a Normandia e a maior parte dessas terras francesas para o rei Filipe II da França. Por dez anos, ele arrecadou pesados impostos e taxas de seus barões para financiar uma guerra para recuperá-las. Em 1214 seus aliados foram derrotados na Batalha de Bouvines, e a campanha terminou em fracasso caro.

Os reis angevinos costumavam governar pelo que os historiadores chamam de vis et voluntas, “força e vontade”, tomando decisões arbitrárias e às vezes se dizendo acima da lei. João usou seus poderes para exigir grandes somas dos barões quando estes herdavam terras, se casavam ou queriam justiça nos tribunais reais, e muitos barões estavam profundamente endividados com a Coroa. Ele também era pessoalmente desconfiado.

Barões rebeldes, especialmente no norte e no leste da Inglaterra, juraram “permanecer firmes pela liberdade da igreja e do reino”. Exigiram que João confirmasse a Carta de Liberdades emitida pelo rei Henrique I cerca de um século antes. Em maio de 1215 renunciaram à sua lealdade ao rei e marcharam sobre Londres, que capturaram. João concordou em negociar.

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Fácil

O encontro em Runnymede

Em 10 de junho de 1215, João se encontrou com os líderes rebeldes em Runnymede, um prado alagadiço na margem sul do Tâmisa. Era um local tradicional para assembleias e ficava em terreno neutro entre a fortaleza real de Windsor Castle e a base rebelde em Staines. A própria carta nomeia o local como “Ronimed, entre Windsor e Staines”.

Os rebeldes apresentaram suas exigências em um documento conhecido como os Artigos dos Barões. Ao longo de cerca de dez dias, Stephen Langton, arcebispo da Cantuária, ajudou a transformar essas exigências em uma carta completa. Em 15 de junho um texto havia sido acordado, e em 19 de junho os rebeldes renovaram seus juramentos de lealdade a João e cópias da carta foram formalmente emitidas.

Ao contrário da imagem popular, João não assinou a Magna Carta, e os barões não acrescentaram seus selos. Escrivães reais copiaram os textos em latim abreviado em folhas de pergaminho, e cada uma foi autenticada com o grande selo do rei em cera. Pelo menos treze cópias foram enviadas a xerifes e bispos por todo o reino.

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Intermediário

O que a carta dizia

O texto original é contínuo, sem parágrafos ou números; a numeração de cláusulas usada hoje foi introduzida pelo jurista William Blackstone em 1759. A maior parte da carta trata dos direitos feudais da Coroa sobre os barões. As cláusulas 2 e 3 fixavam o “alívio” (relief) que um herdeiro devia pagar para herdar uma propriedade. As cláusulas 12 e 14 diziam que o scutage (dinheiro pago no lugar do serviço militar) e certos outros auxílios só poderiam ser cobrados com o conselho comum do reino, reunido em um conselho de bispos, abades, condes e grandes barões.

A cláusula 1 prometia que a Igreja inglesa seria livre. Outras cláusulas protegiam viúvas de serem forçadas a se casar de novo, confirmavam as liberdades da cidade de Londres e de outras cidades, ordenavam a remoção de armadilhas de pesca dos rios, fixavam medidas padrão para vinho, cerveja e tecido, e prometiam reverter extensões recentes das florestas reais, cujas leis especiais eram amplamente odiadas. As cláusulas 10 e 11 tratavam de dívidas devidas a credores judeus, que estavam sob proteção especial do rei; as cláusulas 56 e 57 tratavam de terras e reféns galeses.

As cláusulas mais famosas são a 39 e a 40. A cláusula 39 diz, em paráfrase, que nenhum homem livre será preso, encarcerado, despojado de sua propriedade, colocado fora da lei, exilado ou arruinado de qualquer forma, nem o rei procederá contra ele, exceto pelo julgamento legal de seus pares ou pela lei da terra. A cláusula 40 diz: “A ninguém venderemos, a ninguém negaremos ou atrasaremos direito ou justiça.” Em 1215 essas eram exigências voltadas contra o abuso de João na justiça real; gerações posteriores as leram como princípios gerais do devido processo.

A cláusula 61, a “cláusula de segurança”, criou um conselho de vinte e cinco barões. Se o rei quebrasse a carta e não a corrigisse em quarenta dias, o conselho poderia tomar seus castelos e terras até que a reparação fosse feita. Esse meio formal de coagir coletivamente um rei era algo novo, e ajudou a tornar o acordo de 1215 impossível de aceitar para João.

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Intermediário

O fracasso e a Primeira Guerra dos Barões

Nenhum dos lados pôs a paz em prática. Os vinte e cinco barões escolhidos para o conselho eram todos rebeldes, e muitos rebeldes mantiveram suas forças armadas. João, que havia se tornado vassalo do Papa em 1213, apelou ao papa Inocêncio III em julho, argumentando que a carta prejudicava os direitos do Papa como seu senhor feudal. Em uma carta datada de 24 de agosto de 1215, o Papa declarou a carta “vergonhosa e degradante, ilegal e injusta”, e “nula e sem qualquer validade para sempre”.

Àquela altura, os combates já haviam começado. Os barões rebeldes ofereceram a coroa inglesa a Luís, filho do rei Filipe II da França, que desembarcou na Inglaterra em 1216, foi proclamado rei pelos barões em Londres (embora nunca tenha sido coroado) e logo controlava mais da metade do reino. A guerra chegou a um impasse. João adoeceu e morreu em outubro de 1216, deixando seu filho de nove anos, Henrique III, como herdeiro.

O governo de regência do jovem rei, liderado pelo famoso cavaleiro William Marshal e pelo legado papal Guala Bicchieri, adotou astutamente a carta como sua. Reeditou uma versão resumida em novembro de 1216, removendo a cláusula 61 e outras disposições, para reconquistar os rebeldes. Após vitórias realistas em Lincoln e em uma batalha naval ao largo de Sandwich em 1217, Luís concordou com o Tratado de Lambeth e deixou a Inglaterra.

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Intermediário

Como ela se tornou “a Grande Carta”

Em 1217 o governo emitiu a carta novamente, junto com uma Carta da Floresta separada, tratando das florestas reais. Para distingui-las, os escrivães chamaram o documento maior de magna carta libertatum, “a grande carta das liberdades”, e com o tempo passou a ser simplesmente Magna Carta. O nome originalmente significava “carta grande” em contraste com a carta menor da floresta.

Em 1225, precisando de dinheiro para defender suas terras na Gasconha, Henrique III reeditou as duas cartas em troca de um grande imposto. Desta vez o rei declarou que as concedia por sua própria “vontade espontânea e livre”, o que deu à versão de 1225 muito mais autoridade. Tornou-se o texto definitivo, e é a versão que os juristas posteriores geralmente conheciam. O National Archives conserva um original desta edição.

Os reis confirmaram as cartas muitas vezes, geralmente em troca de tributação. Em 1297 Eduardo I reeditou o texto de 1225, que foi lançado nos registros de estatutos como parte da lei inglesa. A Confirmatio Cartarum do mesmo ano ordenou que cópias fossem enviadas às catedrais e lidas ao povo duas vezes por ano. Segundo Sir Edward Coke, a carta foi reconfirmada 32 vezes entre os séculos XIII e XV.

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Intermediário

As cópias sobreviventes

Das treze ou mais cópias da carta de 1215, quatro sobrevivem, todas na Inglaterra. A Biblioteca Britânica possui duas. Uma foi dada ao antiquário Sir Robert Cotton em 1629 por um advogado que talvez a tenha encontrado na loja de um alfaiate; a outra foi encontrada no Castelo de Dover em 1630 e ficou seriamente danificada no incêndio da biblioteca Cotton, em 1731, e por uma tentativa malsucedida de conservação nos anos 1830. É a única cópia de 1215 que ainda tem seu grande selo preso, embora derretido.

A cópia da Catedral de Lincoln está em Lincoln desde 1215. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi guardada em Fort Knox, nos Estados Unidos, por segurança. Hoje é exibida no Castelo de Lincoln, ao lado de uma Carta da Floresta original de 1217. A cópia da Catedral de Salisbury, entregue primeiro à antiga catedral em Old Sarum, é muitas vezes descrita como a mais bem preservada; sua caligrafia difere das outras, sugerindo que foi escrita por funcionários da catedral e depois autenticada pela corte real.

Edições posteriores também sobrevivem em vários lugares, incluindo uma única cópia de 1216 em Durham, cópias de 1217 na Bodleian Library e em Hereford, e cópias de 1297 no National Archives, em Londres, no Guildhall, na Parliament House em Canberra e no National Archives em Washington, D.C., onde uma exemplificação de 1297 está emprestada por seu proprietário. Em 2009 a UNESCO acrescentou as quatro cópias de 1215 ao seu Registro da Memória do Mundo.

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Avançado

Coke, a “constituição antiga” e a construção de um mito

Em meados do século XV, a Magna Carta já havia perdido grande parte de seu papel político central, embora os advogados ainda a usassem, especialmente para proteger direitos de propriedade, e edições impressas a partir de 1508 espalharam seu texto. Os primeiros impressores trabalhavam a partir da versão de 1225 e muitas vezes atribuíam a carta a Henrique III em vez de a João.

A partir do final do século XVI, antiquários desenvolveram a ideia de uma “constituição antiga”: um conjunto de liberdades anglo-saxônicas derrubadas pela Conquista Normanda e restauradas em 1215. No início do século XVII, o juiz e parlamentar Sir Edward Coke usou a Magna Carta repetidamente contra as pretensões dos reis Stuart de governar por direito divino. Ele e seus aliados argumentavam que ela garantia julgamento por júri, habeas corpus e os poderes do Parlamento. A Petição de Direito de 1628 a citou em seu preâmbulo. Historiadores modernos, como Ralph Turner e Claire Breay, criticaram a leitura de Coke como anacrônica, enquanto J. C. Holt observou que a história da carta já havia sido distorcida na época de Coke.

A visão whig da história depois da Revolução Gloriosa de 1688 fez da Magna Carta um documento fundador da liberdade inglesa. A Constitutional History of England, de William Stubbs, na década de 1870, marcou o ponto alto dessa interpretação. A partir dos anos 1890, historiadores como F. W. Maitland e Edward Jenks, cujo artigo de 1904 se intitulava “O Mito da Magna Carta”, devolveram a carta ao seu contexto do século XIII, como um documento sobre os direitos dos barões, e não sobre as liberdades do povo em geral.

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Avançado

A Magna Carta na América e no mundo

Colonos ingleses levaram a ideia da Magna Carta através do Atlântico. A Carta da Virgínia de 1606, redigida em grande parte por Coke, prometia aos colonos as mesmas liberdades das pessoas nascidas na Inglaterra, e o Massachusetts Body of Liberties ecoava a cláusula do devido processo da carta. Em 1687, William Penn publicou a primeira cópia da Magna Carta impressa na América. Durante a Revolução Americana, os colonos argumentavam que estavam defendendo direitos que acreditavam ser garantidos pela Magna Carta.

A Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que diz que ninguém pode ser “privado da vida, da liberdade ou da propriedade sem o devido processo legal”, usa uma frase que descende da carta por meio de um estatuto de 1354 que reformulou “julgamento legal de seus pares ou a lei da terra” como “devido processo legal”. O National Archives dos Estados Unidos apresenta essa ligação aos visitantes ao lado de sua cópia de 1297. Em 1957 a American Bar Association ergueu um memorial em Runnymede.

A influência da carta também viajou pelo Império Britânico. O capítulo 29 do estatuto de 1297 continua em vigor na Nova Zelândia e em vários estados e territórios australianos. Ativistas e tribunais em todo o mundo já invocaram a Magna Carta, embora muitas vezes mais como símbolo do que como lei em vigor. Seu legado está, assim, ligado à difusão do direito consuetudinário inglês, inclusive em sociedades colonizadas cujas próprias tradições jurídicas foram substituídas.

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Avançado

Os debates dos historiadores hoje

A pesquisa moderna trata a Magna Carta como uma entre muitas cartas de sua época, na Inglaterra e em outras partes da Europa, que estabeleciam direitos e limitavam o poder real. Sua linguagem se baseava na Carta de Liberdades de Henrique I, em cartas concedidas a cidades e na prática eclesiástica e baronial. Os historiadores debatem até que ponto era um documento estritamente baronial e até que ponto ia além dos barões: falava de “homens livres”, uma categoria limitada, mas algumas cláusulas também tratavam de viúvas, mercadores, cidades e até dos vilões (servos) nas cláusulas 16, 20 e 28.

A Magna Carta, de J. C. Holt (publicada pela primeira vez em 1965), situou a carta dentro do pensamento político e da prática administrativa de sua época. David Carpenter, que observou que a carta “não perdeu tempo com teoria política”, trabalhou sobre sua redação e cópias; em 2015 ele argumentou que a cópia danificada da Biblioteca Britânica, encontrada em Dover, era provavelmente a que fora enviada à Catedral da Cantuária. A descoberta em 2013 de um rascunho em um registro da Abadia de Peterborough, e a identificação em 2025 de uma cópia de Harvard da confirmação de 1300 como um original, mostram que a pesquisa sobre os documentos continua.

Os historiadores também estudam o tratamento que a carta dá a grupos marginais: suas cláusulas sobre credores judeus refletem a posição precária da comunidade judaica da Inglaterra, que seria expulsa em 1290, e suas promessas foram feitas a “homens livres” em uma sociedade onde muitas pessoas não eram livres. Ao mesmo tempo, como observou W. L. Warren, muitos que pouco conheciam de seu conteúdo invocavam seu nome, porque ela passou a significar mais do que dizia.

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Ideias principais

Estado de Direito
O próprio rei deveria agir dentro da lei e do costume do reino, e não por “força e vontade”. Essa ideia deu à carta seu poder duradouro.
Julgamento legal e a lei da terra
A promessa da cláusula 39 de que homens livres não seriam punidos exceto por processo legal adequado, mais tarde ligada ao “devido processo legal”.
Justiça que não se vende
O compromisso da cláusula 40 de que o rei não venderia, negaria ou atrasaria a justiça, dirigido contra a prática de João de cobrar pelo acesso aos tribunais reais.
Consentimento à tributação
Certas taxas feudais exigiam o “conselho comum do reino”, ideia mais tarde usada para argumentar que os impostos precisam do consentimento do parlamento.
Cumprimento por conselho
O conselho de 25 barões da cláusula 61 foi uma tentativa radical de criar um meio legal de obrigar um rei a manter suas promessas.
Carta e mito
A carta de 1215 foi um acordo feudal; sua reputação posterior como garantia de liberdade universal foi construída em grande parte no século XVII.
Símbolo vivo
Embora quase todo o seu texto tenha sido revogado, a Magna Carta continua sendo um símbolo poderoso invocado em debates sobre liberdade e poder do Estado.

Registros

  1. 1100 — Henrique I emite sua Carta de Liberdades, que os rebeldes de 1215 mais tarde exigem que seja confirmada.
  2. 1204 — O rei João perde a Normandia e a maior parte das terras angevinas na França para Filipe II.
  3. 1214 — Os aliados de João são derrotados em Bouvines; sua campanha francesa fracassa.
  4. 1215 — Os rebeldes tomam Londres (maio); a carta é acordada em Runnymede em 15 de junho; o papa Inocêncio III a anula em 24 de agosto; começa a Primeira Guerra dos Barões.
  5. 1216 — Luís da França invade; João morre em outubro; a regência de Henrique III reedita uma carta revisada em novembro.
  6. 1217 — Vitórias realistas em Lincoln e Sandwich; Tratado de Lambeth; a carta é reeditada com a Carta da Floresta e chamada de Magna Carta.
  7. 1225 — Henrique III reedita a Magna Carta por sua “livre vontade” em troca de um imposto; esse se torna o texto definitivo.
  8. 1297 — Eduardo I reedita a carta, que é incorporada aos registros de estatutos.
  9. 1628 — A Petição de Direito, apoiada por Sir Edward Coke, cita a Magna Carta contra Carlos I.
  10. 1759 — William Blackstone publica uma edição da carta de 1215 e introduz a numeração de cláusulas usada hoje.
  11. 1791 — A Declaração de Direitos dos EUA, incluindo a cláusula do devido processo da Quinta Emenda, é ratificada.
  12. 2015 — 800º aniversário; as quatro cópias de 1215 são exibidas juntas na Biblioteca Britânica.

Glossário

Carta
Uma concessão formal e escrita de direitos ou privilégios, emitida por um governante e autenticada com um selo.
Barão
Um poderoso proprietário de terras que as detinha diretamente do rei em troca de serviço militar e outras obrigações.
Grande selo
O selo oficial do rei, pressionado na cera e anexado a documentos para mostrar aprovação real.
Exemplificação
Uma cópia oficial de uma carta emitida sob o selo real; cada cópia sobrevivente de 1215 é uma delas.
Alívio (relief)
Um pagamento devido ao senhor quando um herdeiro herdava uma propriedade feudal.
Scutage
“Dinheiro do escudo”: um pagamento feito ao rei em vez de prestar serviço militar.
Floresta real
Terra, não necessariamente arborizada, submetida a uma lei real especial para proteger a caça e a receita real.
Devido processo
O princípio de que o Estado deve seguir procedimentos legais justos e estabelecidos antes de punir alguém.
Habeas corpus
Uma ordem legal que exige que uma pessoa detida seja levada a um tribunal para verificar se sua prisão é legal.
Regência
Governo em nome de um monarca jovem demais ou incapaz de governar.

Perguntas e respostas

O rei João assinou a Magna Carta?

Não. Os reis medievais não assinavam cartas. As cópias eram autenticadas com o grande selo do rei, pressionado na cera. Pinturas de João assinando com uma caneta são invenções posteriores.

A Magna Carta deu direitos a todos?

Não em 1215. A maioria das cláusulas dizia respeito aos barões, à Igreja e aos “homens livres”, e muitas pessoas na Inglaterra não eram livres. Gerações posteriores interpretaram seus princípios de forma muito mais ampla.

A Magna Carta ainda é lei?

Apenas três cláusulas da versão de 1297 continuam em vigor na Inglaterra e no País de Gales: as sobre a liberdade da Igreja, as liberdades da cidade de Londres, e o julgamento legal e a justiça. Todo o resto foi revogado.

Por que ela é chamada de “Grande” Carta?

Em 1217 foi emitida junto com a Carta da Floresta, menor, então os escrivães chamaram a maior de grande carta. O nome refletia seu tamanho antes de refletir sua fama.

Onde ela foi acordada?

Em Runnymede, um prado à beira do Tâmisa, em Surrey. Era terreno neutro entre o rei em Windsor e os rebeldes em Staines. O local exato dentro dos prados não é conhecido.

Como ela influenciou os Estados Unidos?

Os colonos a viam como garantia das liberdades inglesas, e a frase “devido processo legal” da Quinta Emenda descende de sua linguagem. Uma cópia de 1297 é exibida no National Archives dos EUA.

Por que os historiadores chamam parte de sua história de mito?

Advogados do século XVII alegavam que ela restaurava antigas liberdades anglo-saxônicas e garantia julgamento por júri e habeas corpus. Pesquisas desde o século XIX mostram que essas alegações interpretavam mal um documento feudal do século XIII, ainda que o próprio mito tenha moldado a história política real.

Fontes e leituras adicionais

  1. Magna Carta. Wikipedia
  2. 마그나 카르타. Wikipedia (Korean)
  3. Magna Carta 1214–1225. The National Archives (UK)
  4. Magna Carta. U.S. National Archives
  5. Magna Carta. Salisbury Cathedral
  6. First Barons’ War. Wikipedia
  7. Runnymede. Wikipedia
  8. Charter of the Forest. Wikipedia
  9. J. C. Holt, Magna Carta (3rd edition). Cambridge University Press, 2015
  10. David Carpenter, Magna Carta. Penguin Classics, 2015

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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