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Para jovens leitores
Há cerca de 850 anos, nasceu um menino chamado Temüjin nas amplas planícies verdes da Mongólia, onde as famílias viviam em tendas redondas de feltro chamadas gers e se deslocavam com seus cavalos, ovelhas e vacas em busca de pasto fresco.
Quando Temüjin tinha cerca de oito anos, o pai dele foi envenenado por inimigos. A família ficou abandonada e muito pobre. Comiam raízes, frutinhas e peixe para sobreviver. Temüjin cresceu forte, cauteloso e muito bom em fazer amigos e alianças.
Ao longo de muitos anos, ele lutou e negociou até que todos os povos da estepe passaram a segui-lo. Em 1206, uma grande reunião de líderes lhe deu um novo nome: Chinggis Khan, que costumamos escrever Gêngis Khan. Significa algo como “governante firme” ou “universal”.
Os cavaleiros de Gêngis Khan eram arqueiros a cavalo incríveis. Conseguiam viajar rápido, levar pouca bagagem e enviar mensagens por enormes distâncias. Seus exércitos conquistaram o norte da China e um grande império muçulmano na Ásia Central. Muitas cidades foram destruídas e um número enorme de pessoas foi morto, por isso em muitos lugares ele é lembrado com medo e tristeza.
Depois que morreu, em 1227, seus filhos e netos continuaram as conquistas até o Império Mongol se estender da Coreia até o Leste Europeu. Comerciantes, ideias, invenções e doenças então viajaram por suas estradas. Na Mongólia de hoje, ele é homenageado como o pai da nação; ninguém sabe onde está seu túmulo.
Em resumo
- Nome de nascimento
- Temüjin (Temujin)
- Nascimento
- Provavelmente em 1162 (também se propõem 1155 e 1167), perto do rio Onon, na atual Mongólia nordeste ou na Rússia vizinha
- Morte
- Agosto de 1227, durante a campanha contra o estado de Xia Ocidental, no noroeste da China
- Título
- Proclamado Chinggis Khan em uma assembleia (kurultai) junto ao rio Onon, em 1206
- Realizações
- Unificou os povos mongóis e túrquicos da estepe; reorganizou-os em um exército e um Estado disciplinados; conquistou boa parte do norte da China e da Ásia Central
- Custo humano
- Suas guerras causaram matanças em massa, destruição de cidades, fome e o deslocamento forçado de populações, da China ao Irã
- Sucessor
- Seu terceiro filho, Ögedei, eleito Grande Khan em 1229
- Principais fontes
- A História Secreta dos Mongóis (século XIII), histórias persas de Juvaini e Rashid al-Din, registros chineses como a História de Yuan
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Quem foi Gêngis Khan?
Gêngis Khan (em mongol, Chinggis Khaan) foi o fundador do Império Mongol. Nascido com o nome Temüjin no século XII, ele se ergueu de uma família que havia perdido quase tudo até se tornar o governante de todos os povos que viviam em tendas de feltro na estepe da Mongólia. Em 1206, uma assembleia desses povos o proclamou Chinggis Khan.
Nos vinte e um anos seguintes, seus exércitos invadiram o reino tangute de Xia Ocidental, a dinastia Jin dos jurchens no norte da China e o Império Corásmio, que governava o que hoje são o Uzbequistão, o Turcomenistão, o Afeganistão e o Irã. Quando morreu, em 1227, seu domínio se estendia da costa do Pacífico da Manchúria quase até o mar Cáspio.
Seus descendentes seguiram conquistando ainda mais: a Coreia, a China dos Song, a Rússia, o Irã e o Iraque. Em sua maior extensão, no fim do século XIII, o Império Mongol foi o maior império terrestre contínuo que o mundo já conheceu.
Gêngis Khan é uma das figuras mais controversas da história. Na Mongólia, ele é homenageado como fundador da nação, legislador e unificador. Na China, no Irã, na Ásia Central, na Rússia e em outros lugares, as invasões iniciadas por ele e por seus herdeiros são lembradas como uma catástrofe que matou um número enorme de pessoas. As duas memórias fazem parte da história.
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A vida na estepe
A estepe é uma vasta faixa de pastagem que atravessa a Eurásia. Na Mongólia, os invernos são amargamente frios e os verões, curtos. A maioria das pessoas vivia como pastores nômades: criavam cavalos, ovelhas, cabras, gado e camelos, e mudavam suas tendas redondas de feltro (ger) várias vezes por ano em busca de pasto e água.
As crianças aprendiam a montar quase assim que aprendiam a andar. Homens e muitas mulheres sabiam disparar um poderoso arco composto a cavalo. Caçar, pastorear e mudar de acampamento treinavam as pessoas a cooperar em grandes grupos, a ler o terreno e a viajar depressa — habilidades que também tornavam formidáveis os exércitos da estepe.
No século XII, a estepe estava dividida entre muitos povos e clãs rivais: mongóis, tártaros, kereits, naimans, merkits e outros, alguns falantes de línguas túrquicas e outros de línguas mongólicas, alguns budistas, outros xamanistas e outros ainda cristãos da Igreja do Oriente. Estados sedentários vizinhos, sobretudo a dinastia Jin no norte da China, muitas vezes incentivavam esses grupos a lutar entre si.
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Uma infância difícil e a ascensão de Temüjin
Segundo a História Secreta dos Mongóis, Temüjin nasceu à beira do rio Onon, filho de Yesügei, chefe do clã Borjigin, e de Hö’elün, que Yesügei havia tomado de um homem merkit. A história conta que o bebê nasceu segurando um coágulo de sangue na mão, sinal de um futuro conquistador. O ano de nascimento é incerto: 1162 é a data mais aceita, mas também se defenderam 1155 e 1167.
Quando Temüjin tinha cerca de oito anos, Yesügei o levou para ser prometido a uma menina chamada Börte, do povo Onggirat. No caminho de volta, Yesügei foi envenenado por tártaros. Seus seguidores abandonaram a viúva Hö’elün e seus filhos, que sobreviveram colhendo plantas e pescando. A História Secreta também conta que o jovem Temüjin matou seu meio-irmão Begter numa briga por comida, e que mais tarde foi capturado pelo clã rival Tayichiud e escapou.
Depois de se casar com Börte, Temüjin se aliou a Toghrul, khan do poderoso povo kereit e antigo irmão jurado do pai. Quando os merkits invadiram seu acampamento e levaram Börte, Toghrul e o próprio irmão jurado (anda) de infância de Temüjin, Jamukha, ajudaram a resgatá-la. Seu primeiro filho, Jochi, nasceu logo depois; se Temüjin era mesmo seu pai foi questionado mais tarde por parte de sua família, mas Temüjin aceitou Jochi como filho próprio.
Nas duas décadas seguintes, Temüjin construiu uma base de seguidores recompensando lealdade e capacidade, e não nascimento nobre. Rompeu com Jamukha, que o derrotou em batalha por volta de 1187, e mais tarde também com Toghrul. Em 1203 derrotou os kereits, e em 1204 destruiu os naimans; Jamukha foi capturado e executado. Em 1205 já não restava nenhum poder rival na estepe mongol.
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Construindo um novo Estado em 1206
Em 1206, uma grande assembleia (kurultai) na nascente do rio Onon proclamou Temüjin como Chinggis Khan. O significado do título é debatido: com frequência foi ligado a uma palavra túrquica para “oceano”, sugerindo um governante universal, enquanto outros o leem como governante “firme” ou “feroz”. A partir desse momento, os povos que ele governava passaram a ser chamados coletivamente de “mongóis”.
Chinggis reorganizou a sociedade. Os antigos clãs e tribos foram desfeitos, e as pessoas foram redistribuídas em unidades decimais de 10, 100, 1.000 e 10.000 famílias, cada uma devendo fornecer soldados e comandada por homens escolhidos por lealdade e habilidade, muitos dos quais tinham começado como simples seguidores. Isso enfraqueceu as antigas lealdades tribais e ligou todos diretamente ao khan.
Ele criou uma guarda imperial (keshig) de cerca de dez mil homens, recrutada em parte entre os filhos de comandantes; ela protegia o khan, administrava sua casa e treinava futuros oficiais, ao mesmo tempo em que servia de garantia da lealdade dos pais desses jovens. Nomeou seu irmão adotivo Shigi Qutuqu como juiz-chefe, que registrava as decisões por escrito. Os mongóis adotaram uma escrita emprestada dos uigures, e a tradição diz que um escriba uigur capturado, chamado Tatar-Tonga, a ensinou aos filhos do khan.
Escritores posteriores falaram de um grande código de leis, o Yasa, promulgado por Chinggis. Historiadores modernos debatem se algum dia existiu um único código escrito, ou se “Yasa” se referia a um conjunto crescente de suas ordens e decisões. Da mesma forma, o famoso sistema de postos de revezamento (yam), com estações para cavalos frescos, cresceu sob Chinggis, mas foi sistematizado por seu filho Ögedei.
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As conquistas: Xia Ocidental, Jin e Corásmia
Chinggis voltou-se primeiro para o estado tangute de Xia Ocidental, no noroeste da atual China. Depois de incursões iniciadas em 1205 e de uma invasão completa em 1209, o rei tangute se submeteu em 1210 e concordou em pagar tributo. Em 1211, os mongóis atacaram a dinastia Jin, muito maior, no norte da China. Sua cavalaria derrotou os exércitos de campo dos Jin e devastou o interior; em 1215 capturaram a capital dos Jin, Zhongdu, perto da atual Pequim, e a corte Jin fugiu para o sul, para Kaifeng. A guerra na China continuou sob o general de Chinggis, Muqali, e só foi concluída por Ögedei em 1234.
No oeste, os mongóis absorveram os uigures e destruíram o reino de Kara Kitai. Isso os levou à fronteira do Império Corásmio do xá Muhammad II. Em 1218, uma caravana de mercadores sob proteção mongol foi massacrada na cidade fronteiriça de Otrar, e um enviado mongol enviado para exigir justiça foi morto. Chinggis respondeu com uma invasão em 1219.
A campanha corásmia (1219–1221) foi uma das mais destrutivas da história medieval. Bukhara, Samarcanda, Urgench, Merv, Nishapur e outras grandes cidades caíram. Onde as cidades se rendiam, muitos habitantes eram poupados, mas artesãos habilidosos eram deportados para a Mongólia; onde resistiam, a população era muitas vezes massacrada, e os cativos eram levados à frente do exército como escudos humanos. Os sistemas de irrigação dos quais a agricultura dependia foram danificados. O xá Muhammad morreu fugindo, numa ilha do mar Cáspio; seu filho Jalal al-Din resistiu até ser derrotado no rio Indo, em 1221.
Enquanto isso, os generais Jebe e Subutai lideraram uma força de reconhecimento em torno do mar Cáspio, atravessando o Cáucaso, e derrotaram um exército de príncipes rus’ e cumanos no rio Kalka, em 1223. Chinggis voltou à Mongólia e, em 1226, liderou uma última campanha contra Xia Ocidental, que se recusara a enviar tropas. Ele morreu em agosto de 1227, enquanto o cerco à capital tangute estava em curso; a cidade caiu logo depois, e o estado tangute foi destruído.
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Como os mongóis lutavam, e a que custo
Os exércitos mongóis eram formados quase inteiramente por arqueiros montados, cada um com vários cavalos, o que lhes dava velocidade extraordinária. Usavam batedores, retiradas fingidas, cercos e movimentos coordenados de colunas separadas ao longo de grandes distâncias. Igualmente importante era a inteligência: recolhiam informações de mercadores e desertores, e usavam o terror de forma deliberada, oferecendo às cidades a escolha entre a rendição e a destruição, para que outras se entregassem sem lutar.
A princípio os mongóis não tinham máquinas de cerco, mas logo recrutaram engenheiros chineses, khitans e muçulmanos que construíam catapultas e outras máquinas. O exército se tornou multiétnico, incluindo soldados e funcionários túrquicos, khitans, jurchens, chineses e iranianos.
O custo humano foi imenso. Escritores contemporâneos, como Ibn al-Athir no mundo islâmico e cronistas chineses, descreveram massacres, fome e a despovoação de regiões inteiras. Os números dados por fontes medievais, às vezes mais de um milhão de mortos numa única cidade, são quase certamente exagerados, e as estimativas modernas do total de mortos nas conquistas mongóis variam enormemente. Mas os historiadores concordam que as guerras causaram matanças em massa, escravização e migração forçada, e que partes do norte da China e do Coração levaram gerações para se recuperar. Para as vítimas, isso não era uma história de construção de império, mas de catástrofe.
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Morte, sepultamento e herdeiros
Chinggis Khan morreu em agosto de 1227. A causa não é conhecida com certeza. A História Secreta menciona que ele se feriu numa queda de cavalo enquanto caçava, no inverno de 1226–27, e adoeceu; outras fontes falam de doença, e lendas posteriores inventaram histórias ainda mais coloridas. Ele foi levado de volta à Mongólia e enterrado em segredo. O local de seu túmulo é desconhecido e nunca foi encontrado, embora tradicionalmente se busque perto da montanha sagrada Burkhan Khaldun, nas montanhas Khentii.
Antes de morrer, Chinggis havia dividido suas terras e povos entre a família. Seus filhos com Börte foram Jochi, Chagatai, Ögedei e Tolui. As disputas entre Jochi e Chagatai levaram Chinggis a escolher Ögedei como sucessor, e um kurultai o confirmou como Grande Khan em 1229.
Sob Ögedei e seus sucessores, o império se expandiu para a Coreia, a Rússia e o Leste Europeu, o Irã e o Iraque (onde Bagdá foi saqueada em 1258) e, finalmente, toda a China, onde o neto de Chinggis, Khubilai, fundou a dinastia Yuan. Na década de 1260, o império já havia se dividido em quatro grandes canatos: o Yuan na China, o Ilcanato no Irã, o Canato de Chagatai na Ásia Central e a Horda de Ouro na estepe ocidental.
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Legado: conexão e destruição
Alguns historiadores destacam que, depois das conquistas, o domínio mongol criou uma zona de deslocamento relativamente seguro pela Eurásia, às vezes chamada de Pax Mongolica. Mercadores, diplomatas, missionários e artesãos se moviam entre a China, o Irã e a Europa; figuras como Marco Polo e Ibn Battuta viajaram em sua esteira. Conhecimentos de medicina, astronomia, cartografia, impressão e pólvora circulavam por essas rotas. Os mongóis, em geral, toleravam religiões diferentes e empregavam pessoas talentosas de muitas origens.
Outros historiadores ressaltam que essa “paz” foi construída sobre a conquista e que seus benefícios foram principalmente para a elite governante e os mercadores. As mesmas redes que levavam mercadorias também espalhavam doenças; muitos estudiosos pensam que a Peste Negra da década de 1340 viajou para o oeste pelas rotas moldadas pelo mundo mongol, embora os detalhes ainda estejam sendo pesquisados.
Politicamente, o legado de Chinggis foi duradouro. Durante séculos, em toda a Ásia Central e na estepe, apenas seus descendentes, a “linhagem dourada”, eram considerados khans legítimos. Governantes, dos timúridas aos mogóis e aos khans da Crimeia, alegavam algum tipo de ligação com ele. Um estudo genético amplamente citado, publicado em 2003, encontrou uma linhagem do cromossomo Y compartilhada por cerca de 8% dos homens em uma vasta região da Ásia e sugeriu que ela poderia remontar à família de Chinggis Khan, embora esse elo seja uma hipótese, e não uma prova.
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Memória e perspectivas nacionais
Mongólia: durante o período socialista (1924–1990), a veneração aberta de Chinggis Khan era desencorajada; planos, em 1962, de celebrar o 800º aniversário de seu nascimento levaram a expurgos políticos. Desde 1990 ele se tornou o símbolo central da identidade nacional mongol: sua imagem aparece nas notas de dinheiro, o principal aeroporto de Ulan Bator leva seu nome, e uma gigantesca estátua equestre está de pé em Tsonjin Boldog. A historiografia mongol tende a enfatizar a construção do Estado, a lei e a unidade.
China: a historiografia dinástica chinesa o trata como Taizu, fundador póstumo da dinastia Yuan, e a República Popular da China o apresenta como um herói da nação chinesa como um todo, mantendo um mausoléu em Ordos, na Mongólia Interior, que abriga relíquias tradicionalmente associadas a ele. Essa interpretação é contestada por muitos mongóis, que o veem como um herói especificamente mongol.
Irã, Ásia Central, mundo árabe e Rússia: na historiografia persa e árabe, as invasões mongóis são lembradas como um dos maiores desastres da história do mundo islâmico. Na memória histórica russa, o domínio mongol-tártaro posterior sobre os principados rus’ (o chamado “jugo tártaro”) tem sido visto como causa de atraso, uma visão que alguns pensadores eurasianistas e historiadores contestaram. Na Europa, imagens antigas do “conquistador bárbaro” deram lugar, em obras populares como Genghis Khan and the Making of the Modern World (2004), de Jack Weatherford, a retratos de um estadista modernizador; muitos especialistas consideram esses retratos exagerados na direção oposta.
Os historiadores hoje geralmente tentam manter as duas faces juntas: um organizador talentoso e líder militar cujo Estado remodelou a Eurásia, e um conquistador cujas campanhas causaram sofrimento em escala massiva. Os julgamentos sobre ele muitas vezes revelam tanto sobre as histórias nacionais de quem escreve quanto sobre o próprio homem.
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As fontes e seus problemas
A História Secreta dos Mongóis é o único grande relato escrito pelos próprios mongóis. Composta em mongol no século XIII, sobrevive principalmente numa transcrição em caracteres chineses com uma glosa em chinês feita sob a dinastia Ming. Sua data é debatida: o colofão menciona um Ano do Rato, que já foi lido como 1228 (logo depois da morte de Chinggis), 1240, 1252 ou 1264, e muitos estudiosos pensam que o texto cresceu em etapas. É vívida e íntima, incluindo histórias pouco lisonjeiras para o khan, mas mistura história com narrativa épica, e sua cronologia é frequentemente vaga. A tradução inglesa anotada de Igor de Rachewiltz (Brill, 2004) é uma edição acadêmica padrão.
As histórias persas são o segundo pilar principal. Ata-Malik Juvaini, que serviu os mongóis, concluiu sua História do Conquistador do Mundo por volta de 1260; Juzjani, escrevendo em Delhi como refugiado, dá uma visão hostil. O Compêndio de Crônicas (Jami al-tawarikh) de Rashid al-Din, compilado no Ilcanato no início do século XIV, baseou-se numa crônica mongol oficial hoje perdida, o Altan Debter (“Livro Dourado”). As fontes chinesas incluem o Shengwu qinzheng lu (Registro das Campanhas Pessoais do Imperador Santo-Marcial) e a História de Yuan (Yuanshi), compilada às pressas em 1369–70 sob os Ming.
Cada tradição tem sua própria agenda: as fontes mongóis glorificam a linhagem; os escritores persas serviram ou fugiram dos conquistadores; as histórias oficiais chinesas encaixam os mongóis numa estrutura dinástica. As fontes foram escritas em mais de uma dezena de línguas, de modo que uma pesquisa séria sobre Chinggis exige cooperação filológica entre o mongol, o persa, o chinês, o árabe, as línguas túrquicas e outros campos. Estudos modernos clássicos incluem a biografia de Paul Ratchnevsky, Genghis Khan: His Life and Legacy (tradução inglesa, Blackwell, 1991).
Novas evidências também estão mudando o quadro. A arqueologia em Karakorum e em outros sítios mongóis, estudos ambientais que sugerem que anos incomumente úmidos no início do século XIII podem ter produzido pasto abundante para os cavalos, e a pesquisa de DNA antigo estão acrescentando ao que se pode aprender pelos textos. Cada um desses métodos, porém, tem suas próprias incertezas, e nenhum ainda pode responder a perguntas como a localização do túmulo de Chinggis.
Ideias principais
- Kurultai
- Uma assembleia de líderes mongóis que elegia khans e decidia sobre a guerra; Temüjin foi proclamado Chinggis Khan em uma delas, em 1206.
- Organização decimal
- Chinggis dividiu seu povo em unidades de 10, 100, 1.000 e 10.000, desfazendo as antigas tribos e ligando todos ao Estado.
- Lealdade acima do nascimento
- Ele promovia comandantes por lealdade e capacidade, mesmo os de famílias humildes ou inimigos derrotados.
- Conquista e terror
- As campanhas mongóis combinavam habilidade militar com massacres deliberados para forçar a rendição, causando enorme perda de vidas.
- Linhagem dourada
- Durante séculos, apenas os descendentes de Chinggis Khan foram aceitos como khans legítimos em toda a estepe.
- Pax Mongolica
- A ideia de que o domínio mongol facilitou a viagem e o intercâmbio transeuroasiático; os historiadores debatem quão pacífico e benéfico ele de fato foi.
- Memória contestada
- Ele é um fundador nacional na Mongólia, um fundador dinástico na historiografia chinesa e um destruidor em boa parte da Ásia Ocidental e Central.
Registros
- c. 1162 — Temüjin nasce à beira do rio Onon (também se propõem 1155 e 1167).
- c. 1171 — Seu pai Yesügei é envenenado por tártaros; a família é abandonada.
- c. 1187 — Temüjin é derrotado por seu antigo irmão jurado Jamukha.
- 1203 — Temüjin derrota Toghrul e os kereits.
- 1204 — Ele derrota os naimans; Jamukha é capturado e executado.
- 1206 — Um kurultai na nascente do Onon o proclama Chinggis Khan.
- 1209 — Invasão em grande escala de Xia Ocidental, que se submete em 1210.
- 1211 — Os mongóis invadem a dinastia Jin no norte da China.
- 1215 — Cai a capital dos Jin, Zhongdu (perto da atual Pequim).
- 1219 — Depois do massacre de Otrar de 1218, começa a invasão do Império Corásmio (até 1221).
- 1223 — Jebe e Subutai derrotam exércitos rus’ e cumanos no rio Kalka.
- 1227 — Chinggis Khan morre durante a campanha final contra Xia Ocidental.
Glossário
- Estepe
- Uma vasta pastagem seca; a estepe eurasiática se estende da Hungria até a Manchúria.
- Ger
- A tenda redonda e portátil de feltro dos nômades mongóis (também chamada de iurta).
- Khan
- Um título para um governante entre os povos túrquicos e mongóis; um Grande Khan (khagan) governava sobre outros khans.
- Anda
- Um irmão jurado; Jamukha foi o anda de Temüjin antes de se tornarem rivais.
- Keshig
- A guarda imperial de Chinggis Khan, que também servia como sua equipe doméstica e uma escola de treinamento para oficiais.
- Yasa
- As ordens ou leis atribuídas a Chinggis Khan; se formavam um único código escrito é objeto de debate.
- Yam
- O sistema mongol de postos de revezamento, com estações de cavalos frescos para mensageiros e funcionários.
- Xia Ocidental
- Um estado tangute (1038–1227) na atual região noroeste da China, destruído pelos mongóis.
- Dinastia Jin
- Uma dinastia fundada pelo povo jurchen que governou o norte da China de 1115 até os mongóis a destruírem em 1234.
- Império Corásmio
- Um império turco-persa na Ásia Central e no Irã, destruído pela invasão de Chinggis Khan em 1219–1221.
Perguntas e respostas
Gêngis é seu nome verdadeiro?
Não. Seu nome de nascimento era Temüjin. “Chinggis Khan” é um título que recebeu em 1206; “Gêngis” é uma grafia ocidental mais antiga.
Gêngis Khan foi uma pessoa boa ou má?
Os historiadores geralmente não respondem com uma única palavra. Ele foi um organizador brilhante que unificou a estepe e construiu um novo Estado, mas suas guerras mataram um número enorme de pessoas e destruíram muitas cidades. Países diferentes o lembram de formas muito diferentes.
Onde Gêngis Khan está enterrado?
Ninguém sabe. Ele foi enterrado em segredo na Mongólia, provavelmente perto das montanhas Khentii, e o túmulo nunca foi encontrado.
Quão grande era o seu império?
Quando ele morreu, o império ia da Manchúria ao mar Cáspio. Sob seus netos, tornou-se o maior império terrestre contínuo da história, da Coreia ao Leste Europeu.
Quantas pessoas morreram nas conquistas mongóis?
Não existe um número confiável. As fontes medievais dão cifras enormes que provavelmente são exageradas, e as estimativas modernas variam muito, mas todos concordam que as perdas na China, na Ásia Central e no Irã foram enormes.
Quando foi escrita a História Secreta dos Mongóis?
Seu colofão dá um Ano do Rato, interpretado como 1228, 1240, 1252 ou 1264. Muitos estudiosos pensam que foi composta em etapas, começando logo depois da morte de Chinggis.
Gêngis Khan escreveu um código de leis chamado Yasa?
Fontes posteriores dizem que sim, mas nenhuma cópia sobrevive. Muitos historiadores pensam que o Yasa era um conjunto de ordens e precedentes, e não um único código escrito.
Fontes e leituras adicionais
- Genghis Khan. Wikipedia
- The Secret History of the Mongols. Wikipedia
- Mongol Empire. Wikipedia
- Mongol conquest of the Khwarazmian Empire. Wikipedia
- Jami' al-tawarikh. Wikipedia
- Igor de Rachewiltz (trans.), The Secret History of the Mongols: A Mongolian Epic Chronicle of the Thirteenth Century. Brill, 2004
- Paul Ratchnevsky (trans. Thomas Nivison Haining), Genghis Khan: His Life and Legacy. Blackwell, 1991
- Michal Biran, Chinggis Khan. Oneworld, 2007
- Timothy May, The Mongol Conquests in World History. Reaktion Books, 2012
- Jack Weatherford, Genghis Khan and the Making of the Modern World. Crown, 2004
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
