Literatura

Jane Austen

1811–1817 · Chawton, Inglaterra

Em uma frase

Jane Austen (1775–1817) foi uma romancista inglesa que escreveu histórias espirituosas sobre famílias, amizade, dinheiro e casamento. Seus livros, como Orgulho e Preconceito, ainda são lidos e adaptados para o cinema em todo o mundo.

Jane Austen
Imagem: Cassandra Austen · Public domain · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Jane Austen foi uma escritora que viveu no interior da Inglaterra há mais de 200 anos. Ela cresceu numa casa movimentada, com muitos irmãos e uma irmã chamada Cassandra, que foi sua melhor amiga por toda a vida. Seu pai era pastor de uma pequena comunidade e também ensinava meninos em casa. Por isso, havia sempre livros e muita conversa ao seu redor.

Quando era menina, Jane escrevia histórias engraçadas para fazer a família rir e as copiava em cadernos. Depois de adulta, escreveu seis romances longos. Eles contam histórias de jovens que precisam escolher seus amigos e decidir com quem se casar. Naquela época, era difícil para as mulheres ganhar o próprio dinheiro ou estudar numa universidade.

Seus livros não têm muitas batalhas nem dragões. Eles são cheios de conversas durante jantares, bailes e passeios. Jane Austen sabia mostrar como as pessoas eram pelo jeito como falavam. Algumas personagens são bondosas, outras são bobas ou orgulhosas. Muitas vezes, as protagonistas descobrem que estavam enganadas sobre alguém.

Enquanto Jane vivia, seu nome não aparecia nos livros. No primeiro, estava escrito apenas que tinha sido escrito «por uma senhora». Poucas pessoas sabiam quem ela era. Jane morreu aos 41 anos.

Hoje, seus romances são lidos em dezenas de línguas e viraram filmes e séries de televisão. Pessoas de todas as idades gostam de suas histórias. Em 2017, seu retrato passou a aparecer na nota de 10 libras do Banco da Inglaterra.

Em resumo

Nascimento e morte
16 de dezembro de 1775, Steventon, Hampshire – 18 de julho de 1817, Winchester
País
Grã-Bretanha (a partir de 1801, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda)
Gênero literário
Romances de costumes e de cortejo; ficção realista cômica e irônica
Romances publicados em vida
Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813), Mansfield Park (1814), Emma (dez. de 1815, com data de 1816)
Publicados após sua morte
A Abadia de Northanger e Persuasão (dez. de 1817, com data de 1818); obras inacabadas e escritos de juventude publicados posteriormente
Principais lugares onde viveu
Steventon (até 1801), Bath (1801–1806), Southampton (1806–1809), Chawton (1809–1817)
Conhecida por
Ironia, diálogos perspicazes, discurso indireto livre e análise atenta do dinheiro, das classes sociais e das escolhas das mulheres
Sepultada em
Catedral de Winchester

Fácil

Quem foi Jane Austen?

Jane Austen foi uma romancista inglesa cujos seis romances concluídos estão entre os mais admirados e queridos da literatura em língua inglesa. Ela escreveu sobre um universo restrito — as famílias de proprietários rurais e membros do clero no sul da Inglaterra —, mas o observou com tanta atenção e inteligência que leitores do mundo inteiro se reconhecem em suas personagens.

Ela viveu de 1775 a 1817, período que incluiu a Revolução Francesa e as longas guerras entre a Grã-Bretanha e a França. Dois de seus irmãos foram oficiais da Marinha Real Britânica durante essas guerras. Seus romances raramente mencionam diretamente os grandes acontecimentos públicos, mas o dinheiro, a guerra, as leis de herança e as restrições impostas às mulheres moldam a vida de suas personagens.

Austen publicou seus livros anonimamente. Seu primeiro romance apareceu como obra «de uma senhora»; os seguintes foram apresentados como obras «da autora de Razão e Sensibilidade», e assim por diante. Somente depois de sua morte seu irmão Henry revelou seu nome ao público.

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Fácil

A infância em Steventon

Jane Austen nasceu em 16 de dezembro de 1775 na casa paroquial de Steventon, um povoado de Hampshire. Era a sétima dos oito filhos do reverendo George Austen e de sua esposa Cassandra (nascida Leigh). Seu pai era o pastor local e também recebia meninos como alunos, de modo que a casa era movimentada e cheia de livros.

Jane e sua irmã mais velha, Cassandra, passaram curtos períodos estudando fora de casa, inclusive num internato em Reading. A maior parte da educação de Jane, porém, veio da biblioteca do pai e da convivência familiar. Os Austen gostavam de ler romances em voz alta e de encenar peças no celeiro.

Por volta dos onze ou doze anos, Jane começou a escrever histórias cômicas, pequenas peças e paródias dos romances populares da época. Mais tarde, copiou esses textos em três cadernos, hoje conhecidos como seus escritos de juventude. São obras exageradas, absurdas e muito engraçadas, que mostram como ela já zombava dos clichês da ficção sentimental.

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Fácil

Os seis romances em resumo

Razão e Sensibilidade (1811) acompanha duas irmãs, a prudente Elinor e a apaixonada Marianne, depois que a família perde sua casa. Orgulho e Preconceito (1813) mostra como a animada Elizabeth Bennet e o orgulhoso sr. Darcy julgam mal um ao outro e, aos poucos, aprendem a se compreender. Sua primeira frase, sobre um homem solteiro e rico que supostamente precisa de uma esposa, é uma das aberturas mais famosas da literatura inglesa.

Mansfield Park (1814) conta a história de Fanny Price, uma jovem pobre e reservada criada por parentes ricos, que permanece fiel a seus princípios quando os outros não fazem o mesmo. Emma (1815) apresenta uma jovem inteligente e confiante que gosta de organizar a vida alheia e comete uma série de erros engraçados.

A Abadia de Northanger, publicado após a morte de Austen, zomba delicadamente da moda dos romances góticos assustadores por meio de uma protagonista que imagina mistérios por toda parte. Persuasão, também publicado depois de sua morte, acompanha Anne Elliot, que anos antes foi convencida a desistir do homem que amava e recebe uma segunda chance.

Todos os romances terminam em casamento, mas suas histórias tratam sobretudo de aprendizado: aprender a julgar as pessoas com justiça, a perceber a bajulação e a entender os próprios sentimentos.

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Intermediário

Escrever, esperar e publicar

Austen escreveu as primeiras versões de três romances quando tinha pouco mais de vinte anos e morava em Steventon. «Elinor e Marianne» (mais tarde Razão e Sensibilidade) foi esboçado antes de 1796; «Primeiras Impressões» (mais tarde Orgulho e Preconceito) foi escrito entre 1796 e 1797, e seu pai o ofereceu ao editor londrino Thomas Cadell, que o recusou sem lê-lo. «Susan» (mais tarde A Abadia de Northanger) foi vendido ao editor Crosby em 1803 por 10 libras, mas nunca foi publicado por ele; a família Austen recuperou os direitos em 1816.

Em 1801, seu pai se aposentou e levou a família para Bath. Os anos seguintes foram instáveis. Em dezembro de 1802, Jane aceitou uma proposta de casamento de Harris Bigg-Wither, um amigo rico da família, mas voltou atrás na manhã seguinte. Seu pai morreu em janeiro de 1805, deixando a viúva e as filhas financeiramente dependentes dos filhos homens. Elas se mudaram para Southampton e, em julho de 1809, para uma casa em Chawton, Hampshire, cedida por seu irmão Edward. Ele havia sido adotado por parentes ricos e era proprietário da propriedade de Chawton.

Em Chawton, Austen encontrou estabilidade e passou a escrever regularmente. Razão e Sensibilidade foi publicado por Thomas Egerton em outubro de 1811 por conta da autora, o que significava que ela assumia o risco financeiro; o livro lhe rendeu cerca de 140 libras. Ela vendeu a Egerton os direitos autorais de Orgulho e Preconceito por 110 libras, e o romance saiu em janeiro de 1813. Mansfield Park veio em maio de 1814 e Emma, publicado por John Murray, em dezembro de 1815. Por sugestão do bibliotecário do príncipe regente, Emma foi dedicado ao príncipe, que admirava seus romances.

No início de 1816, Austen começou a adoecer. Terminou Persuasão naquele verão e, no começo de 1817, iniciou um novo romance, mais tarde chamado Sanditon, mas parou depois de cerca de doze capítulos. Em maio de 1817, mudou-se para Winchester para ficar perto de seu médico e morreu ali em 18 de julho de 1817. Foi sepultada na Catedral de Winchester; a inscrição original de seu túmulo elogiava seu caráter, mas não mencionava sua obra literária.

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Intermediário

Dinheiro, classes sociais e a vida das mulheres na Inglaterra de Austen

O mundo de Austen é o da pequena nobreza rural inglesa: proprietários de terras, membros do clero, oficiais da marinha e profissionais, com suas famílias. Nesse meio, posição social e renda eram avaliadas com cuidado. As personagens são frequentemente apresentadas por sua renda anual, como as famosas «dez mil libras por ano» do sr. Darcy, porque os leitores da época entendiam exatamente o que esses valores significavam para o modo de vida de uma família.

As leis de herança tinham grande importância. Muitas propriedades estavam vinculadas legalmente à sucessão pelo parente homem mais próximo, de modo que as filhas podiam ficar com muito pouco. Esse é o problema enfrentado pelas irmãs Bennet em Orgulho e Preconceito e pelas irmãs Dashwood em Razão e Sensibilidade. Mulheres de famílias respeitáveis raramente conseguiam ganhar a vida, exceto como governantas, e o casamento muitas vezes era o único caminho para a segurança financeira. Austen trata esse fato com humor e seriedade.

A própria Austen não se casou e dependia financeiramente da família. Seus livros lhe renderam uma renda modesta, mas concreta — algumas centenas de libras ao longo da vida —, que lhe deu um pouco de independência.

O mundo mais amplo aparece em seus romances de maneiras discretas. A marinha, na qual serviram seus irmãos Francis e Charles, que mais tarde se tornaram almirantes, ocupa um lugar central em Persuasão. Em Mansfield Park, a fortuna da família depende de uma propriedade em Antígua, no Caribe, que naquele período provavelmente era explorada com trabalho de pessoas escravizadas. Fanny Price pergunta ao tio sobre o tráfico de escravizados, mas não recebe resposta.

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Intermediário

Como ela escrevia: ironia, diálogo e discurso indireto livre

Austen é famosa pela ironia: dizer algo de uma maneira que permite ao leitor perceber outra coisa. Seus narradores muitas vezes parecem concordar educadamente com a opinião de uma personagem, enquanto mostram discretamente como ela é tola. Isso torna os romances engraçados, mas também aguça seu julgamento moral, pois o leitor é constantemente convidado a avaliar o que vê.

Ela também dominava o diálogo. As personagens se revelam pelo modo como falam: a conversa interminável da srta. Bates em Emma, os discursos pomposos do sr. Collins em Orgulho e Preconceito, as respostas afiadas trocadas por Elizabeth e Darcy. Muitas cenas quase parecem peças de teatro, o que ajuda a explicar por que seus romances se adaptam tão bem ao palco e às telas.

Para a história do romance, uma de suas contribuições mais importantes foi o desenvolvimento do discurso indireto livre. A voz do narrador se mistura aos pensamentos de uma personagem sem anunciar «ela pensou». Assim, vemos o mundo pelos olhos da personagem e, ao mesmo tempo, percebemos a avaliação do narrador. Essa técnica permitiu a Austen mostrar alguém que julga mal uma situação e depois corrige seu erro, como faz Emma Woodhouse. Romancistas posteriores, de George Eliot a Virginia Woolf, desenvolveram esse método.

Austen descreveu sua própria arte com modéstia. Numa carta, comparou seu trabalho a um pequeno pedaço de marfim, com cinco centímetros de largura, sobre o qual trabalhava com um pincel muito fino. Há muito tempo os críticos discutem se a imagem expressa modéstia sincera, uma defesa irônica de si mesma ou uma descrição precisa de seu método, baseado numa escala pequena e num acabamento cuidadoso.

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Intermediário

De «uma senhora» à fama mundial

Os romances de Austen receberam boas críticas enquanto ela vivia, mas ela não era amplamente famosa. Em 1816, Walter Scott elogiou Emma na Quarterly Review e admirou sua capacidade de retratar a vida comum como ela realmente é. Depois da morte de Austen, a «Nota biográfica» escrita por seu irmão Henry e impressa com A Abadia de Northanger e Persuasão revelou seu nome ao público pela primeira vez.

Sua reputação cresceu lentamente. Em 1833, o editor Richard Bentley lançou novas edições de seus romances, que continuam a ser publicados desde então. Alguns escritores vitorianos não se entusiasmaram: Charlotte Brontë achava sua obra fria e contida demais. Um marco de sua popularidade foi Uma memória de Jane Austen, escrita por seu sobrinho James Edward Austen-Leigh e publicada em 1869 (com data de 1870). O livro a apresentava como uma gentil e caseira «querida tia Jane». Seus admiradores mais dedicados passaram a ser chamados de «janeítas».

No século XX, Austen tornou-se uma autora central nos estudos universitários de literatura inglesa e na cultura popular. Adaptações para o cinema e a televisão, sobretudo a partir da década de 1990, apresentaram suas histórias a novos públicos. Releituras modernas situaram essas histórias em cenários que vão de escolas de Los Angeles a famílias indianas e paquistanesas. Seus romances foram traduzidos para dezenas de línguas, entre elas o coreano, o japonês e o chinês, nas quais Orgulho e Preconceito está entre os romances ingleses mais lidos.

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Intermediário

O lugar de Austen na história do romance

Quando Austen começou a escrever, o romance ainda era um gênero relativamente novo e tinha uma reputação um tanto duvidosa na Inglaterra. Os leitores gostavam dos longos romances em cartas de Samuel Richardson, dos amplos retratos cômicos da sociedade feitos por Henry Fielding, das comédias sociais de Frances Burney e Maria Edgeworth e dos emocionantes romances góticos de Ann Radcliffe. Muitos moralistas advertiam que ler romances era perda de tempo, sobretudo para as jovens. Numa passagem famosa de A Abadia de Northanger, a narradora de Austen defende o romance como uma obra capaz de mostrar as maiores capacidades da mente.

Austen aprendeu com todos esses escritores, mas restringiu seu foco. Deixou de lado o melodrama, as coincidências e as longas digressões comuns na ficção de seu tempo e se concentrou em algumas famílias de um povoado rural. Numa carta à sobrinha Anna, que queria ser romancista, descreveu esse cenário como ideal para trabalhar: três ou quatro famílias num povoado do interior. Dentro desse espaço pequeno, alcançou um novo tipo de realismo: acontecimentos comuns, como um piquenique, um baile ou uma discussão durante um jogo de cartas, ganham grande peso moral e emocional.

É difícil exagerar sua influência na ficção posterior. Historiadores do romance muitas vezes a consideram uma figura essencial na passagem do romance do século XVIII, centrado nos acontecimentos, para o romance do século XIX, voltado à vida interior das personagens. Essa trajetória conduz a George Eliot, Henry James e Virginia Woolf. Em Um Teto Todo Seu (1929), Woolf elogiou Austen por escrever sem amargura nem medo, com sua própria voz e segundo seus próprios critérios, apesar de trabalhar numa sala compartilhada onde podia ser interrompida a qualquer momento.

A casa de Chawton onde Austen escreveu e revisou seus romances da maturidade é hoje um museu, a Casa de Jane Austen. A pequena mesa em que, segundo a tradição, ela escrevia é um de seus objetos mais conhecidos. A casa paroquial de Steventon, onde nasceu, foi demolida no século XIX.

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Avançado

As fontes: cartas, manuscritos e os desafios da biografia

Grande parte do que sabemos sobre Austen vem de suas cartas, mas esse registro está muito incompleto. Sua irmã Cassandra destruiu a maioria delas após a morte de Jane e cortou trechos de outras. Das talvez três mil cartas, cerca de 160 sobreviveram. Não restaram cartas de certos períodos, por exemplo de boa parte dos anos entre 1801 e 1804. A edição acadêmica de referência é a das cartas organizada por Deirdre Le Faye e publicada pela Oxford University Press. Por isso, os biógrafos precisam reconstruir a vida interior de Austen a partir de fragmentos, memórias da família e dos próprios romances. Eles discordam sobre até que ponto esses romances podem ser lidos como autobiografia.

As memórias escritas pela família também exigem cuidado. A nota de Henry Austen e a memória escrita por James Edward Austen-Leigh buscavam, em parte, apresentar uma imagem respeitável e religiosa da autora, reduzindo a importância de sua perspicácia e de sua ambição profissional. Biografias modernas, como Jane Austen: A Life (1997), de Claire Tomalin, procuram ir além desses retratos familiares. Até os únicos retratos cuja autenticidade é comprovada — desenhos feitos por Cassandra — são poucos. O mais conhecido, na National Portrait Gallery de Londres, foi suavizado em gravuras posteriores.

Poucos manuscritos dos romances sobreviveram. Dos seis romances publicados, restaram apenas dois capítulos descartados de Persuasão em manuscrito. O que se conserva de sua própria mão é, principalmente, seus escritos de juventude, Lady Susan, os romances inacabados The Watsons e Sanditon e alguns outros textos. Hoje eles estão reunidos na edição digital Jane Austen’s Fiction Manuscripts, organizada por Kathryn Sutherland e mantida pela Universidade de Oxford e pelo King’s College London. Os rascunhos de trabalho, com rasuras e pontuação irregular, puseram em dúvida a antiga ideia de que Austen escrevia com perfeição sem esforço e levantaram questões sobre a influência de impressores e editores nos textos publicados.

Até a causa de sua morte é incerta. Desde a década de 1960, a hipótese mais comum tem sido a doença de Addison, uma insuficiência das glândulas suprarrenais. Outros sugeriram linfoma de Hodgkin ou outras doenças. As informações disponíveis, principalmente as descrições dos sintomas em suas últimas cartas, são limitadas demais para resolver a questão.

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Avançado

Debates: conservadora, feminista ou nenhuma das duas?

Há muito tempo os críticos discutem as posições políticas de Austen. Em Jane Austen and the War of Ideas (1975), Marilyn Butler a situou na reação conservadora e antijacobina à Revolução Francesa. Para Butler, seus romances defendem a ordem social herdada e a autodisciplina diante do individualismo radical. Em Jane Austen: Women, Politics, and the Novel (1988), Claudia L. Johnson argumentou, por sua vez, que Austen usava as convenções do romance conservador para expor as falhas da autoridade paterna e as injustiças sofridas pelas mulheres. Nessa leitura, ela estaria mais próxima de escritoras como Mary Wollstonecraft do que se costumava supor.

A crítica feminista também pergunta se os enredos centrados no casamento aceitam ou questionam o sistema que fazia do casamento o principal caminho de vida para as mulheres. Alguns leitores veem os finais como soluções cômicas que recompensam o amadurecimento moral. Outros percebem neles a consciência irônica de que finais felizes são exceções raras e afortunadas. Os próprios romances permitem ambas as leituras, uma das razões pelas quais continuam a provocar debates.

A crítica pós-colonial trouxe outra questão. Em Cultura e Imperialismo (1993), Edward Said argumentou que Mansfield Park trata como natural a riqueza colonial vinda de Antígua que sustenta a casa de campo inglesa, e que o silêncio do romance sobre a escravidão tem significado. Outros críticos responderam que Austen, segundo uma de suas cartas, admirava Thomas Clarkson, escritor contrário à escravidão, e que ela levanta a questão deliberadamente por meio da pergunta de Fanny que fica sem resposta. Essa discussão tornou Mansfield Park um dos romances mais estudados nos debates sobre literatura e império.

Por fim, estudiosos do estilo, como D. A. Miller em Jane Austen, or The Secret of Style (2003), investigaram o funcionamento da voz narrativa impessoal e rigorosamente controlada de Austen. Também perguntaram o que significa uma mulher solteira e de recursos modestos ter criado uma voz de tamanha autoridade. Esses estudos relacionam suas técnicas à longa história do romance, de Samuel Richardson e Frances Burney, que ela admirava, até o romance psicológico moderno.

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Ideias principais

Ironia
Dizer uma coisa deixando o leitor entender outra; os narradores de Austen usam esse recurso para revelar a vaidade, o esnobismo e o autoengano.
Discurso indireto livre
Modo de narrar em que a voz do narrador se mistura aos pensamentos de uma personagem, mostrando sua vida interior sem perder a distância irônica.
Primeiras impressões e julgamento
As protagonistas de Austen muitas vezes julgam mal os outros no início e precisam aprender a enxergá-los com mais clareza. Esse é um padrão moral central em seus romances.
Casamento e segurança financeira
Para as mulheres da pequena nobreza rural, o casamento muitas vezes decidia todo o seu futuro financeiro, o que dá consequências reais às comédias de Austen.
Vínculo hereditário e herança
Disposições legais que transferiam propriedades a herdeiros homens, deixando as filhas em situação vulnerável, como em Orgulho e Preconceito.
Romance de costumes
Ficção que explora os hábitos, as conversas e as regras sociais de uma comunidade, bem como a vida das pessoas dentro dela.
Realismo da vida cotidiana
Austen encontrava conflitos morais em acontecimentos comuns — visitas, bailes e conversas — em vez de recorrer à aventura ou ao melodrama.

Registros

  1. 1775 — Jane Austen nasce em 16 de dezembro na casa paroquial de Steventon, Hampshire.
  2. c. 1787 — Começa a escrever os textos cômicos que mais tarde copia nos cadernos de seus escritos de juventude.
  3. 1796 — Começa «Primeiras Impressões», primeira versão de Orgulho e Preconceito; termina o texto em 1797, mas um editor o recusa sem lê-lo.
  4. 1801 — A família se muda para Bath após a aposentadoria de seu pai.
  5. 1803 — «Susan» (mais tarde A Abadia de Northanger) é vendido a Crosby por 10 libras, mas não é publicado.
  6. 1805 — Morre seu pai, o reverendo George Austen.
  7. 1809 — Muda-se com a mãe, a irmã e a amiga Martha Lloyd para uma casa em Chawton.
  8. 1811 — Razão e Sensibilidade é publicado como obra «de uma senhora».
  9. 1813 — Orgulho e Preconceito é publicado em janeiro.
  10. 1814 — Mansfield Park é publicado em maio.
  11. 1815 — Emma é publicado em dezembro, com dedicatória ao príncipe regente.
  12. 1817 — Morre em Winchester em 18 de julho; A Abadia de Northanger e Persuasão são publicados em dezembro com a nota biográfica escrita por seu irmão.

Glossário

Pequena nobreza rural
Famílias proprietárias de terras, abaixo da nobreza titulada, que viviam da renda de propriedades, investimentos ou profissões ligadas, por exemplo, à Igreja ou à marinha.
Casa paroquial
Casa onde mora o responsável por uma paróquia; Austen nasceu na casa paroquial de Steventon.
Escritos de juventude
Obras que um autor escreveu quando era criança ou adolescente; os textos de Austen ocupam três cadernos.
Vínculo hereditário
Disposição legal que restringe quem pode herdar uma propriedade, muitas vezes limitando a herança aos homens.
Romance gótico
Tipo popular de ficção cheio de castelos em ruínas, segredos e situações assustadoras, parodiado em A Abadia de Northanger.
Príncipe regente
O futuro rei Jorge IV, que governou no lugar de seu pai, Jorge III, que estava doente, de 1811 a 1820.
Publicação por conta do autor
Acordo em que o autor pagava os custos da impressão e assumia os riscos financeiros, enquanto o editor recebia uma remuneração.
Janeíta
Admirador dedicado de Jane Austen; o termo se tornou comum no fim do século XIX.

Perguntas e respostas

Jane Austen se casou?

Não. Ela aceitou uma proposta de casamento em 1802, mas mudou de ideia no dia seguinte. Viveu com a mãe e a irmã pelo resto da vida.

Por que o nome dela não aparecia nos livros?

Era comum que mulheres, assim como muitos outros escritores, publicassem anonimamente. Isso protegia sua privacidade e reputação. Seu irmão Henry revelou seu nome depois que ela morreu.

Qual livro de Jane Austen devo ler primeiro?

Muitos leitores começam por Orgulho e Preconceito porque é engraçado, ágil e fácil de acompanhar. A Abadia de Northanger também é curto e divertido.

Jane Austen era rica ou famosa enquanto vivia?

Não era rica nem famosa. Ganhou algumas centenas de libras com seus romances. Embora o príncipe regente e alguns críticos a admirassem, a maioria dos leitores não sabia quem ela era.

De que doença ela morreu?

Não sabemos ao certo. A hipótese mais comum é a doença de Addison, mas outras doenças, como o linfoma de Hodgkin, também foram sugeridas.

Até que ponto é confiável a imagem familiar da «querida tia Jane»?

Só em parte. A maioria de suas cartas foi destruída, e as memórias da família procuravam retratá-la como uma mulher modesta e religiosa. As cartas e os manuscritos que sobreviveram mostram uma escritora profissional mais perspicaz e ambiciosa.

Mansfield Park realmente diz algo sobre a escravidão?

O romance menciona a propriedade da família em Antígua e a pergunta de Fanny sobre o tráfico de escravizados. Os críticos discordam se isso revela uma aceitação pouco questionada do império ou uma crítica deliberada.

Fontes e leituras adicionais

  1. Jane Austen. Wikipedia
  2. Pride and Prejudice. Wikipedia
  3. Mansfield Park. Wikipedia
  4. Kathryn Sutherland (ed.), Jane Austen’s Fiction Manuscripts: A Digital Edition. University of Oxford and King’s College London
  5. Jane Austen, Pride and Prejudice (full text). Project Gutenberg
  6. Claire Tomalin, Jane Austen: A Life. Viking, 1997
  7. Deirdre Le Faye (ed.), Jane Austen’s Letters. Oxford University Press
  8. Marilyn Butler, Jane Austen and the War of Ideas. Clarendon Press, 1975
  9. D. A. Miller, Jane Austen, or The Secret of Style. Princeton University Press, 2003

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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