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Para jovens leitores
Há muito tempo, na grande ilha grega de Creta, as pessoas construíram um palácio enorme, com mais de mil cômodos. Ele tinha vários andares, escadas largas, banheiros, depósitos cheios de grandes jarros de barro e paredes pintadas com golfinhos, flores e jovens saltando sobre touros. Esse lugar se chama Cnossos. Chamamos de minoicos os povos que viviam ali.
O palácio era tão grande e tinha tantos corredores que era fácil se perder. Milhares de anos depois, os gregos antigos contaram uma história sobre ele. Diziam que o rei Minos, de Creta, guardava ali o Minotauro, um monstro metade homem, metade touro, dentro de um labirinto. Um herói chamado Teseu conseguiu sair com a ajuda de um novelo de linha dado pela princesa Ariadne.
Os minoicos não deixaram essa história por escrito. Eles usavam uma escrita chamada Linear A, que ninguém conseguiu ler até hoje. Por isso, os arqueólogos estudam seus edifícios, vasos, pinturas e ferramentas como detetives, para descobrir como eles viviam.
Os minoicos eram bons navegadores e comerciantes. Seus navios levavam azeite, vinho e belos vasos pelo mar até o Egito e outras terras. De lá, traziam cobre, estanho e ouro. Pinturas egípcias mostram até pessoas de Creta levando presentes.
Há cerca de 125 anos, um arqueólogo britânico chamado Arthur Evans escavou Cnossos. Ele reconstruiu alguns cômodos com concreto e colocou cópias pintadas das imagens nas paredes, para ajudar os visitantes a imaginar como era o palácio. Mas parte da reconstrução foi feita com base em suposições, e os arqueólogos ainda discutem essas escolhas.
Em resumo
- Período
- Ocupação desde cerca de 7000 a.C.; palácio construído por volta de 1900 a.C., reconstruído após cerca de 1700 a.C. e usado até o século XIV a.C. ou depois
- Localização
- Colina de Kefala, cerca de 5 km a sudeste do centro de Heraclião, Creta, Grécia
- Cultura
- Civilização minoica (Creta da Idade do Bronze); mais tarde, centro administrativo grego micênico
- Dimensões
- Complexo palaciano de aproximadamente 20.000 m² em torno de um grande pátio central retangular, parte de uma cidade muito maior
- Escrita
- Hieróglifos cretenses e Linear A (ainda não decifrados); tabuletas em Linear B, escritas em grego micênico
- Escavações
- Minos Kalokairinos, 1878–1879; Arthur Evans, a partir de 1900; ampla reconstrução parcial no início do século XX
- Reconhecimento
- Patrimônio Mundial da UNESCO como parte dos “Centros Palacianos Minoicos” (inscrito em 2025)
- Achados
- Afrescos, impressões de selos, cerâmica e estatuetas, em sua maioria no Museu Arqueológico de Heraclião
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O que é Cnossos?
Cnossos é um sítio arqueológico na ilha de Creta, perto da atual cidade de Heraclião. É conhecido sobretudo por um vasto conjunto de edifícios da Idade do Bronze, geralmente chamado de Palácio de Minos, o maior entre vários complexos semelhantes em Creta. Seus construtores são chamados de minoicos, nome moderno criado pelo arqueólogo Arthur Evans em referência ao lendário rei Minos.
O palácio não foi construído de uma só vez. Ele cresceu ao longo dos séculos em torno de um grande pátio aberto, com alas de cômodos de dois ou três andares em todos os lados. Havia depósitos, oficinas, santuários, salões para cerimônias, aposentos e um sofisticado sistema de drenagem e poços de luz. Ao redor ficava uma cidade com casas, ruas e cemitérios.
Cnossos também é um dos assentamentos mais antigos da Europa. As primeiras pessoas se estabeleceram na colina por volta de 7000 a.C., no período Neolítico. Antes da construção do primeiro palácio, as sucessivas camadas de casas já haviam formado um monte com vários metros de profundidade.
Cnossos é importante por dois motivos. É o principal sítio para compreender os minoicos, a primeira civilização urbana complexa do Egeu. Além disso, por meio dos mitos gregos, marcou o imaginário europeu por quase três mil anos como o lar de Minos, Dédalo, o Minotauro e o Labirinto.
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Como “ler” o palácio
O centro do palácio é o Pátio Central, um retângulo pavimentado de cerca de cinquenta metros de comprimento, orientado aproximadamente de norte a sul. Todos os palácios minoicos têm um pátio desse tipo, provavelmente usado para reuniões e cerimônias. Todas as alas principais se abrem para ele.
No lado oeste ficavam os espaços de armazenamento e rituais. Um longo corredor dá acesso a depósitos estreitos onde enormes jarros de barro, chamados pitos, guardavam azeite, vinho e cereais; fossas revestidas de pedra no chão talvez guardassem objetos valiosos. Ao lado do pátio fica a chamada Sala do Trono, com um assento de pedra encostado na parede e ladeado por grifos pintados, bancos de pedra e uma área rebaixada que Evans chamou de bacia lustral. Perto dali havia pequenos santuários onde Evans encontrou estatuetas de mulheres segurando serpentes.
No lado leste, construído na encosta, fica o chamado Setor Doméstico. Uma Grande Escadaria descia por vários andares em torno de um poço de luz, uma abertura que levava luz natural e ar fresco aos cômodos inferiores. Ali, Evans identificou o “Megaron do Rei” e o “Megaron da Rainha”, além de um cômodo com o que interpretou como uma banheira e um vaso sanitário ligado ao sistema de drenagem. Esses nomes são interpretações de Evans, não denominações antigas.
Outros elementos importantes são a fachada oeste, feita de grandes blocos talhados, as entradas cerimoniais com longos corredores pintados, os “chifres de consagração” de pedra, um símbolo sagrado em forma de par de chifres de touro, e os machados duplos, ou lábris, gravados em blocos de pedra. Muito do que os visitantes veem hoje, inclusive as colunas vermelhas que se estreitam em direção à base, é uma reconstrução, mas se baseia nas bases originais das colunas e em representações pintadas de edifícios minoicos.
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Vida, arte e mar
Os pintores minoicos decoravam paredes com afrescos, pintando sobre reboco de cal ainda úmido. Entre as cenas famosas de Cnossos estão o Afresco do Salto sobre o Touro, no qual jovens agarram os chifres de um touro em movimento e dão uma cambalhota sobre seu dorso; o Afresco da Procissão, com fileiras de pessoas levando presentes; o Portador de Taça; o Afresco dos Golfinhos; e o chamado Príncipe dos Lírios. As cores seguem convenções: em geral, os homens são pintados em tons castanho-avermelhados e as mulheres, em branco.
Os artesãos minoicos também dominavam a produção de pequenos objetos. Gravavam em pedras duras selos com cenas minúsculas, faziam cerâmicas finas de paredes delgadas pintadas com animais marinhos e plantas e produziam objetos de faiança, marfim e ouro. Um vaso de pedra em forma de cabeça de touro, encontrado no Pequeno Palácio de Cnossos, tem olhos de cristal de rocha e chifres que já foram cobertos de ouro.
Os minoicos viviam da agricultura, da criação de animais e do comércio. Creta produzia azeite, vinho, lã e tecidos, mas não tinha metais em abundância. Por isso, seus navios cruzavam o Egeu e viajavam até Chipre, o Levante e o Egito. Textos egípcios mencionam uma terra chamada Keftiu, geralmente identificada como Creta, e pinturas em tumbas egípcias do século XV a.C. mostram pessoas de Keftiu levando vasos como presentes.
Os touros aparecem por toda parte na arte e na religião minoicas: nos saltos sobre touros, nos chifres de consagração e nos vasos em forma de touro. Isso pode ajudar a explicar por que os gregos de épocas posteriores associaram Creta a um monstro com cabeça de touro.
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Construção, destruição e reconstrução
Os arqueólogos dividem a Idade do Bronze minoica em períodos Minoico Antigo, Médio e Recente. Essa classificação foi criada por Evans e seu assistente Duncan Mackenzie com base nos estilos de cerâmica. O primeiro palácio de Cnossos foi construído por volta de 1900 a.C., no período Minoico Médio, na mesma época dos palácios de Festo e Mália. Nesse período dos “Palácios Antigos”, usavam-se os hieróglifos cretenses e produzia-se a cerâmica fina e colorida conhecida como cerâmica de Camares.
Por volta de 1700 a.C., os palácios sofreram graves danos, provavelmente causados por terremotos. Foram reconstruídos em escala maior, dando início ao período dos “Palácios Novos”, ou Neopalacial, o auge da civilização minoica. A maior parte do que se vê hoje em Cnossos pertence a essa fase. O Linear A passou a ser a principal escrita administrativa.
Durante esse período, provavelmente no século XVI a.C., o vulcão da ilha de Tera (Santorini), cerca de 110 km ao norte de Creta, entrou em erupção com enorme força. A erupção soterrou a cidade minoica de Acrotíri, em Tera, e provocou tsunamis e queda de cinzas em Creta. A data exata é debatida, e a erupção não pôs fim imediato à civilização minoica: Cnossos continuou a existir e até prosperou.
Por volta de 1450 a.C., muitos sítios em Creta foram destruídos por incêndios. Cnossos sofreu menos e sobreviveu como principal centro da ilha, mas sua administração passou a usar o Linear B, uma escrita adaptada para registrar o grego. Isso indica que gregos micênicos do continente assumiram o controle ou, pelo menos, que uma elite de língua grega passou a administrar o palácio. A destruição final do palácio é tradicionalmente datada do século XIV a.C., por volta de 1375–1350 a.C., embora alguns estudiosos defendam uma data posterior. As pessoas continuaram a viver em Cnossos, que se tornou uma das principais cidades-Estado gregas de Creta no primeiro milênio a.C.
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Quem governava? Sociedade e religião
Como o Linear A ainda não foi decifrado, sabemos pouco diretamente sobre a política minoica. Evans imaginou um rei-sacerdote governando a partir de Cnossos sobre um pacífico império insular, uma “Pax Minoica”. Sugeriu até uma talassocracia, ou domínio do mar, retomando a ideia do historiador grego Tucídides de que Minos teria sido o primeiro a formar uma frota. Os arqueólogos atuais são mais cautelosos. Não está claro se Creta era unificada sob Cnossos, se os palácios eram centros independentes ou como o poder era dividido.
De modo incomum para a arte da Idade do Bronze, as imagens minoicas raramente mostram reis, batalhas ou governantes derrotando inimigos. Em vez disso, retratam procissões, cerimônias, a natureza e muitas mulheres em posições de destaque, frequentemente como sacerdotisas ou figuras divinas. Isso levou alguns estudiosos a sugerir que as mulheres tinham autoridade religiosa especial, embora não haja provas claras para a antiga ideia de uma sociedade matriarcal.
A religião minoica era praticada nos palácios, em santuários domésticos, em cavernas e em santuários nos cumes das montanhas, onde os fiéis deixavam estatuetas de barro. Entre os símbolos importantes estão o machado duplo, os chifres de consagração, as árvores e os pilares sagrados. As estatuetas da “deusa das serpentes” encontradas em Cnossos em 1903 estão entre os objetos minoicos mais famosos, embora seu significado exato seja debatido.
A imagem de minoicos pacíficos foi questionada por indícios de armas, fortificações em alguns sítios e possíveis sacrifícios humanos. Em Cnossos, escavações realizadas por volta de 1980 encontraram ossos de crianças com marcas de corte em um edifício do período Minoico Recente. Alguns pesquisadores interpretam os achados como sinais de uma prática ritual; outros propõem explicações diferentes. O debate mostra o quanto a visão inicial de Evans ainda influencia as perguntas dos arqueólogos.
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A escrita em Cnossos: hieróglifos, Linear A e Linear B
Em Cnossos foram encontrados exemplos de três sistemas de escrita da Idade do Bronze. Os hieróglifos cretenses, usados principalmente em selos, aparecem no período dos Palácios Antigos. O Linear A, uma escrita silábica registrada em tabuletas de argila, impressões de selos, mesas de oferendas de pedra e objetos de metal, era usado por toda Creta no período Neopalacial. Nenhum dos dois foi decifrado, e a língua minoica registrada neles continua desconhecida.
Evans também encontrou milhares de tabuletas e fragmentos de argila em uma terceira escrita, que chamou de Linear B. As tabuletas eram feitas de argila não cozida e só sobreviveram porque o incêndio que destruiu o palácio as endureceu. Em 1952, o arquiteto Michael Ventris, apoiando-se no trabalho de análise de Alice Kober e em colaboração com o filólogo John Chadwick, demonstrou que o Linear B registrava uma forma antiga do grego, hoje chamada de grego micênico.
O deciframento transformou a história de Cnossos. As tabuletas são registros administrativos: listas de trabalhadores, ovelhas e lã, tecidos, carros de guerra e armaduras, terras e oferendas aos deuses. Alguns nomes de divindades são conhecidos da religião grega posterior, como Zeus e Atena. Uma tabuleta de Cnossos registra uma oferenda de mel à “Senhora do Labirinto” (da-pu2-ri-to-jo po-ti-ni-ja), mostrando que a palavra “labirinto” já estava associada a Cnossos na Idade do Bronze.
O Linear B comprova que, na fase final do palácio, a administração de Cnossos usava o grego. Também levanta uma difícil questão cronológica, discutida adiante: quando exatamente as tabuletas em Linear B foram escritas e o palácio foi destruído?
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Do palácio ao mito: Minos e o Labirinto
Os mitos gregos falavam de Minos, poderoso rei de Creta e filho de Zeus e Europa. Sua esposa, Pasífae, deu à luz o Minotauro, um monstro com cabeça de touro que Minos manteve no Labirinto, construído pelo artesão Dédalo. Atenas era obrigada a enviar rapazes e moças para serem devorados pelo monstro, até que o herói ateniense Teseu o matou com a ajuda de Ariadne, filha de Minos.
Homero já conhecia Cnossos. Na Odisseia, Creta é descrita como uma terra de muitas cidades, entre elas Cnossos, onde Minos governava. Na Ilíada, Idomeneu, neto de Minos, lidera os cretenses na Guerra de Troia. Esses poemas foram compostos séculos depois da queda do palácio, mas preservam a lembrança da importância de Creta na Idade do Bronze.
É tentador relacionar diretamente o mito às ruínas: o palácio complexo e cheio de cômodos seria o Labirinto; os saltos sobre touros teriam dado origem à história do Minotauro; e o machado duplo, chamado lábris, teria dado origem à palavra “labirinto”. Essas relações são atraentes, mas incertas. A etimologia ligada a lábris, em particular, é debatida pelos linguistas. O que está claro é que os gregos associavam Cnossos a um poderoso reino antigo, e essa associação guiou os primeiros escavadores até o sítio.
O mito continuou a inspirar obras ao longo dos séculos, de Ovídio e dos mapas medievais aos minotauros de Picasso, romances e filmes modernos. Isso fez de Cnossos um dos lugares da Europa que mais estimulam a imaginação.
Intermediário
As escavações e a reconstrução de Evans
Em 1878–1879, Minos Kalokairinos, comerciante e estudioso de antiguidades de Heraclião, abriu trincheiras exploratórias no sítio e encontrou depósitos cheios de pitos. Creta estava então sob domínio otomano, e as escavações posteriores foram impedidas. Heinrich Schliemann, que escavou Troia e Micenas, também tentou comprar o terreno, mas não conseguiu.
Depois que Creta se tornou autônoma, o arqueólogo britânico Arthur Evans, que havia comprado parte do terreno, iniciou grandes escavações em março de 1900 com Duncan Mackenzie e uma numerosa equipe de trabalhadores cretenses. Em poucas temporadas, eles descobriram a maior parte do palácio. Evans publicou os resultados em The Palace of Minos at Knossos, obra em quatro volumes lançados entre 1921 e 1935.
Evans foi mais longe do que qualquer escavador de sua época na reconstrução do que encontrou. Para proteger as ruínas e ajudar os visitantes a compreendê-las, mandou reconstruir paredes, colunas, escadarias e andares superiores, principalmente com concreto armado nas décadas de 1920 e 1930. Também mandou pintar cópias dos afrescos e colocá-las nas paredes. Os artistas suíços Émile Gilliéron e seu filho restauraram muitos afrescos a partir de pequenos fragmentos.
Hoje, as reconstruções fazem parte da história do sítio e também são protegidas. Elas ajudam os visitantes a imaginar um edifício de vários andares, mas também tornaram permanentes algumas interpretações de Evans. Certos afrescos restaurados, como o Príncipe dos Lírios, reúnem fragmentos que talvez não pertençam à mesma imagem, e vários nomes de cômodos refletem as suposições de Evans sobre a realeza e a religião.
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Debates: cronologia, tabuletas em Linear B e a ideia de “palácio”
A data do arquivo em Linear B. Evans situou a destruição do palácio e, portanto, as tabuletas em Linear B por volta de 1400 a.C. Na década de 1960, o filólogo Leonard Palmer questionou os registros das escavações feitos por Evans e Mackenzie. Ele argumentou que as tabuletas pertenciam a uma destruição muito posterior, mais próxima da ocorrida em Pilos, no continente, por volta de 1200 a.C. O chamado “debate Palmer–Boardman” levou a um reexame intenso dos cadernos de escavação. Hoje, a maioria dos estudiosos aceita uma data no século XIV a.C. para o arquivo principal, mas as tabuletas da Sala das Tabuletas dos Carros de Guerra podem ser anteriores. A possibilidade de ocupação e administração posteriores em Cnossos continua em discussão.
A erupção de Tera. Datações por radiocarbono, inclusive de um ramo de oliveira soterrado em Tera, tendem a indicar o fim do século XVII ou o século XVI a.C. Já as correspondências arqueológicas tradicionais com a cronologia egípcia sugerem meados do século XVI a.C. ou uma data posterior. Revisões recentes da curva de calibração do radiocarbono reduziram a diferença, mas não a eliminaram. Esse debate afeta as datas absolutas de todo o período Neopalacial e, portanto, da fase mais famosa de Cnossos.
O que era o “palácio”? Evans supôs que se tratava de uma residência real. Hoje, muitos estudiosos questionam se um rei vivia ali, se o complexo tinha funções principalmente religiosas, administrativas ou comunitárias e se o modelo dos palácios do Oriente Próximo se aplica a Creta. Alguns preferem expressões mais neutras, como “edifício organizado em torno de um pátio”. Os pátios centrais sugerem grandes cerimônias coletivas, e os depósitos sugerem a coleta e redistribuição de produtos, mas a relação entre essas funções é debatida.
Minoicos e micênicos. Ainda não está claro como falantes de grego passaram a controlar Cnossos: por conquista, infiltração gradual ou aliança com as elites locais. Estudos de sepultamentos, cerâmica e, mais recentemente, DNA antigo têm sido usados para investigar a questão, ligada ao problema mais amplo de como as culturas arqueológicas se relacionam com línguas e povos.
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Evidências, métodos e conservação atualmente
Grande parte do que sabemos sobre Cnossos depende de escavações realizadas no início do século XX, antes dos métodos modernos de registro. Evans e Mackenzie mantinham cadernos e diários, mas as informações sobre as camadas arqueológicas muitas vezes eram incompletas, e muitos depósitos foram inteiramente removidos. Escavadores posteriores, ligados à Escola Britânica de Atenas e ao Serviço Arqueológico Grego, reexaminaram partes do sítio, escavaram sob os pisos e na cidade ao redor e voltaram a estudar os achados guardados.
Os métodos científicos hoje contribuem bastante. A datação por radiocarbono aperfeiçoa a cronologia; análises petrográficas e químicas da cerâmica e da argila ajudam a rastrear o comércio; o estudo de ossos de animais e restos de plantas revela a alimentação e a economia; estudos de isótopos acompanham a mobilidade das pessoas; e levantamentos no vale mais amplo de Cnossos mostram como a cidade cresceu. As pinturas murais são examinadas com microscopia e análise de pigmentos, que ajudam a distinguir a pintura antiga das restaurações modernas.
A conservação apresenta desafios especiais. As primeiras reconstruções de concreto se deterioraram, e o ferro usado para reforçá-las sofreu corrosão. Os conservadores precisam proteger tanto os frágeis vestígios antigos quanto as reconstruções históricas, além de lidar com um número muito grande de visitantes. As autoridades gregas instalaram coberturas e passarelas e criaram programas de restauração.
Em 2025, Cnossos foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO junto com outros cinco sítios cretenses — Festo, Mália, Zacros, Zomintos e Cidônia — como parte dos “Centros Palacianos Minoicos”. A inscrição reconhece os palácios como um conjunto e reflete a visão atual de que Cnossos deve ser compreendida como parte de uma rede de centros minoicos.
Ideias principais
- Civilização minoica
- Cultura de Creta na Idade do Bronze, batizada por Evans em referência ao rei Minos e conhecida por seus palácios, afrescos, navegação e comércio.
- Palácio organizado em torno de um pátio
- Os palácios minoicos se organizavam em torno de um grande pátio central, cercado por alas usadas para armazenamento, rituais, trabalho e moradia.
- Destruição e renovação
- Cnossos foi danificada e reconstruída várias vezes após terremotos, incêndios e a erupção de Tera.
- Escritas não decifradas
- Os hieróglifos cretenses e o Linear A ainda não podem ser lidos. Por isso, o conhecimento da história minoica depende principalmente da arqueologia.
- Domínio micênico
- As tabuletas em Linear B mostram que falantes de grego administravam Cnossos em sua fase palaciana final.
- Mito e memória
- As histórias gregas sobre Minos, o Minotauro e o Labirinto preservam uma lembrança distante da Creta da Idade do Bronze.
- Reconstrução como interpretação
- As reconstruções de concreto feitas por Evans influenciam a maneira como os visitantes veem o sítio e hoje fazem parte de sua história.
Registros
- c. 7000 a.C. — Primeiro assentamento neolítico na colina de Kefala, em Cnossos.
- c. 1900 a.C. — Construção do primeiro palácio, na mesma época dos palácios de Festo e Mália.
- c. 1700 a.C. — Danos causados por terremotos; o palácio é reconstruído em escala maior, no período Neopalacial.
- c. 1600 a.C. — O vulcão de Tera (Santorini) entra em erupção; a data exata é debatida.
- c. 1450 a.C. — Ocorrem destruições em muitos lugares de Creta; Cnossos sobrevive sob uma administração de língua grega (micênica) que usa o Linear B.
- c. 1375 a.C. — Data tradicional da destruição final do palácio (cerca de 1375–1350 a.C.; alguns defendem uma data posterior).
- 1878 — Minos Kalokairinos realiza as primeiras escavações no sítio.
- 1900 — Arthur Evans inicia escavações de grande escala no palácio.
- 1921 — Evans publica o primeiro volume de The Palace of Minos at Knossos (obra concluída em 1935).
- 1952 — Michael Ventris decifra o Linear B e demonstra que ele registra o grego.
- 2025 — Cnossos é inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO como parte dos Centros Palacianos Minoicos.
Glossário
- Idade do Bronze
- Período em que o bronze, liga de cobre e estanho, era o principal metal usado em ferramentas e armas; no Egeu, aproximadamente de 3100 a 1100 a.C.
- Minoico
- Relativo à civilização de Creta na Idade do Bronze; termo moderno criado por Arthur Evans.
- Micênico
- Relativo à civilização grega da Idade do Bronze no continente, cujo nome vem de Micenas.
- Afresco
- Pintura mural feita sobre reboco de cal ainda úmido, de modo que as cores se fixem à parede.
- Pito (plural pitos)
- Jarro de barro muito grande usado para guardar azeite, vinho ou cereais.
- Poço de luz
- Abertura vertical dentro de um edifício que deixa entrar luz e ar nos cômodos inferiores.
- Lábris
- Machado de duas lâminas, importante símbolo religioso minoico.
- Chifres de consagração
- Símbolo sagrado minoico em forma de par de chifres de touro, colocado em edifícios e altares.
- Linear A / Linear B
- Dois sistemas de escrita silábica relacionados, usados no Egeu; o Linear A (minoico) não foi decifrado, enquanto o Linear B registra o grego micênico.
- Neopalacial
- Período dos “Palácios Novos” em Creta, de cerca de 1700 a 1450 a.C., considerado o auge da civilização minoica.
Perguntas e respostas
Existiu mesmo um Labirinto com um Minotauro?
O Minotauro é um personagem mítico. Mas o palácio era enorme e parecido com um labirinto, os touros eram importantes na religião minoica e uma tabuleta da Idade do Bronze encontrada em Cnossos menciona uma “Senhora do Labirinto”. Por isso, a história pode guardar lembranças distantes.
Conseguimos ler o que os minoicos escreveram?
Ainda não. O Linear A e os hieróglifos cretenses não foram decifrados. O Linear B, usado no fim da história palaciana de Cnossos, pode ser lido porque registra o grego.
Por que as colunas ficam mais finas na parte de baixo?
As colunas minoicas eram feitas de troncos de árvores, provavelmente colocados de cabeça para baixo. As reconstruções reproduzem a forma indicada pelas bases originais das colunas e pelas pinturas minoicas.
A erupção de Tera destruiu os minoicos?
Não diretamente. Ela causou danos graves, mas Cnossos continuou a existir por muito tempo. O declínio posterior teve várias causas que ainda são debatidas.
Quanto do que os visitantes veem é original?
As fundações, as partes inferiores das paredes, os pisos e muitas pedras são originais. Já os andares superiores, as colunas, as paredes pintadas e muitos telhados são reconstruções feitas pela equipe de Evans no século XX.
Cnossos era governada por um rei?
Evans acreditava que sim, mas a arte minoica raramente mostra governantes. Os estudiosos debatem se Cnossos tinha um rei, uma elite sacerdotal ou uma forma mais coletiva de poder.
Por que a data das tabuletas em Linear B é controversa?
Como os registros das primeiras escavações eram imperfeitos, os estudiosos discordaram sobre a camada de destruição à qual pertencem as tabuletas. Hoje, a maioria considera que o arquivo principal data do século XIV a.C.
Fontes e leituras adicionais
- Knossos. Wikipedia
- Minoan civilization. Wikipedia
- Linear B. Wikipedia
- Arthur Evans. Wikipedia
- Minoan eruption. Wikipedia
- Minoan Palatial Centres. UNESCO World Heritage Centre
- 크노소스. 위키백과
- Arthur Evans, The Palace of Minos at Knossos (4 vols.). Macmillan, 1921–1935
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
