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Para jovens leitores
Há cerca de 3.300 anos, um rei adolescente chamado Tutancâmon governou o Egito. Ele morreu com apenas dezoito ou dezenove anos. Os egípcios acreditavam que uma pessoa podia viver de novo depois da morte, mas seu corpo precisava ser preservado. Por isso, transformaram o corpo do rei em uma múmia e colocaram uma pesada máscara de ouro sobre sua cabeça e seus ombros.
A máscara tem mais ou menos a altura de uma régua escolar e meia. Ela pesa cerca de 10 quilos, como um saco grande de arroz. Foi feita com duas lâminas de ouro marteladas e unidas. Os olhos do rei são de pedra branca, com as pupilas feitas de uma pedra preta parecida com vidro. As sobrancelhas e as linhas ao redor dos olhos são de uma pedra azul-escura chamada lápis-lazúli.
Na cabeça, ele usa um tecido listrado que só os reis usavam. Na testa, há dois pequenos animais: uma cobra e um abutre. Eles representavam as duas partes do Egito, o norte e o sul, e mostravam que ele era rei do país inteiro. Do queixo desce uma barba longa e fina, com tranças, parecida com a barba de Osíris, o deus dos mortos.
Atrás da máscara há um feitiço escrito com desenhos chamados hieróglifos. Ele diz que cada parte do rosto pertence a um deus. Assim, o rosto do rei ficaria forte e protegido para sempre.
Por mais de 3.000 anos, a máscara ficou escondida em uma pequena tumba num vale do deserto. Em 1922, o arqueólogo inglês Howard Carter e seus trabalhadores egípcios encontraram a tumba. Em 1925, eles abriram o último de três caixões, um dentro do outro, e viram o rosto de ouro brilhando. Hoje, a máscara é um dos tesouros mais famosos do mundo. Ela pode ser vista em um museu perto das pirâmides, no Egito.
Em resumo
- Data
- Final da Décima Oitava Dinastia, Novo Império; sepultada com Tutancâmon por volta de 1323 a.C.
- Local da descoberta
- Tumba KV62, Vale dos Reis, Tebas (atual Luxor), Egito; tumba descoberta em 1922, máscara revelada em 28 de outubro de 1925
- Dimensões e peso
- Cerca de 54 cm de altura, 39,3 cm de largura e 49 cm de profundidade; cerca de 10,2 kg
- Materiais
- Duas camadas de ouro (principalmente de cerca de 23 quilates), com incrustações de lápis-lazúli, quartzo, obsidiana, cornalina, amazonita, turquesa, faiança e vidro colorido
- Inscrição
- Feitiço de proteção, mais tarde conhecido como capítulo 151 do Livro dos Mortos, em dez linhas verticais e duas horizontais na parte de trás e nos ombros
- Responsável pela escavação
- Howard Carter, financiado por George Herbert, 5.º conde de Carnarvon, com uma grande equipe de trabalhadores egípcios
- Localização atual
- Grande Museu Egípcio, Gizé (anteriormente no Museu Egípcio do Cairo)
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O que é a Máscara de Tutancâmon?
A Máscara de Tutancâmon é uma máscara funerária: um objeto feito para cobrir a cabeça e os ombros de uma múmia. Foi feita para Tutancâmon, ou pelo menos usada em seu sepultamento. Ele foi um rei (faraó) do Egito que governou de cerca de 1332 a 1323 a.C., perto do fim da Décima Oitava Dinastia. Quando o rei morreu ainda jovem, seu corpo foi embalsamado e envolto em linho. A máscara de ouro foi colocada diretamente sobre a cabeça envolta em tecido, dentro do mais interno de três caixões.
Máscaras como essa tinham uma função prática e outra religiosa. Na prática, davam à múmia um rosto idealizado e permanente. Na religião, deviam identificar o rei morto com os deuses e dar a seu espírito uma imagem reconhecível e indestrutível à qual pudesse retornar. O ouro foi escolhido porque os egípcios o consideravam a incorruptível “carne dos deuses”: ele não enferruja nem perde o brilho.
Muitos sepultamentos reais já tiveram máscaras desse tipo, mas quase todas foram roubadas e derretidas na Antiguidade. A tumba de Tutancâmon foi saqueada duas vezes pouco depois de seu sepultamento, mas sua câmara funerária permaneceu praticamente intacta. Por isso a máscara sobreviveu e se tornou, nas palavras do egiptólogo Nicholas Reeves, talvez o objeto mais conhecido do Egito antigo.
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Como “ler” a máscara
Comece pelo tecido que cobre a cabeça. O rei usa o nemes, um tecido listrado usado apenas por reis. Na máscara, as listras de ouro se alternam com faixas de vidro azul que imitam lápis-lazúli. Atrás, o tecido se reúne numa espécie de cauda.
Observe a testa. Duas figuras se erguem acima das sobrancelhas: uma cobra com o capelo aberto, que representa a deusa Uadjet do Baixo Egito (ao norte), e a cabeça de um abutre, que representa a deusa Nekhbet do Alto Egito (ao sul). Juntas, anunciam que o rei governava as “Duas Terras”.
Agora, o rosto. Os olhos são de quartzo branco, com pupilas de obsidiana, um vidro vulcânico preto. As sobrancelhas e as longas linhas que saem dos olhos têm incrustações de lápis-lazúli, uma pedra azul-escura importada de muito longe, provavelmente da região que hoje é o Afeganistão. O rosto é liso, sereno e jovem. Não é um retrato fiel como uma fotografia, mas uma imagem ideal do rei. As mesmas feições aparecem em seus caixões e estátuas.
Abaixo do queixo pende uma barba estreita e curva, feita de ouro com incrustações de vidro azul em um padrão trançado. Esse tipo de barba curva era associado aos deuses, especialmente a Osíris, governante dos mortos. Ao usá-la, o rei morto aparece como o próprio Osíris. Sobre os ombros há um largo colar formado por fileiras de incrustações coloridas, e as orelhas são furadas para brincos.
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Quem foi Tutancâmon?
Tutancâmon nasceu por volta de 1342 a.C. com o nome Tutancáton, que significa “imagem viva de Aton”. Segundo estudos de DNA publicados em 2010, seu pai era o homem sepultado na tumba KV55, provavelmente o faraó Aquenáton. Sua mãe era uma mulher não identificada, conhecida por sua múmia como a “Dama Jovem”. Aquenáton tentou mudar a religião egípcia: colocou Aton, o deus do disco solar, acima de todos os outros e construiu uma nova capital em Amarna.
Tutancáton tornou-se rei quando tinha cerca de oito ou nove anos. Em poucos anos, seu governo reverteu as mudanças de Aquenáton. O rei mudou seu nome para Tutancâmon, “imagem viva de Amon”, em homenagem a Amon, o deus tradicional de Tebas. Um decreto hoje chamado Estela da Restauração descreve o conserto dos templos e a volta dos sacerdotes a suas funções. A corte deixou Amarna. Como o rei era muito jovem, autoridades poderosas, como Ay e o general Horemheb, provavelmente orientavam as decisões do governo.
Tutancâmon se casou com Anquesenamon, filha de Aquenáton. Duas filhas muito pequenas, mumificadas, que nasceram mortas ou morreram logo após o nascimento, foram encontradas em sua tumba. Ele morreu com cerca de dezoito ou dezenove anos. Estudos de sua múmia encontraram indícios de malária e de uma fratura na perna esquerda pouco antes da morte, mas a causa exata ainda é debatida. Na parede da câmara funerária, seu sucessor Ay, uma autoridade idosa, aparece realizando para ele o ritual da “Abertura da Boca”, uma forma de afirmar seu direito de governar.
Reis posteriores retiraram Tutancâmon das listas oficiais de reis por causa de sua ligação com o período de Amarna. Ironicamente, esse quase esquecimento pode ter ajudado a preservar sua tumba: quando ocorreram saques posteriores, ela já estava coberta pelos entulhos da escavação de outra tumba próxima.
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Como a máscara foi feita
A máscara tem cerca de 54 cm de altura, 39,3 cm de largura e 49 cm de profundidade, e pesa cerca de 10,23 kg. Foi feita com duas lâminas de ouro, de 1,5 a 3 mm de espessura, moldadas a martelo e unidas. Uma análise de 2007 constatou que o corpo da máscara é composto principalmente de uma liga de ouro de cerca de 23 quilates com um pouco de cobre, o que facilitava moldar o metal por martelagem a frio. A superfície é coberta por uma camada extremamente fina, de cerca de 30 nanômetros, de duas ligas de ouro ligeiramente diferentes: uma mais clara (de cerca de 18,4 quilates) no rosto e no pescoço, e outra mais rica em ouro (de cerca de 22,5 quilates) nas demais partes. A diferença de cor pode ter sido intencional, para dar ao rosto um tom de pele mais claro e luminoso.
Os ourives criaram pequenas cavidades na superfície e as preencheram com pedras lapidadas e vidro. Os materiais vinham de várias regiões ligadas ao Egito: lápis-lazúli da Ásia Central, turquesa do Sinai, cornalina, amazonita, quartzo e obsidiana, além de faiança e vidro produzidos em oficinas egípcias. O vidro colorido era um material de luxo na época e era usado junto com pedras preciosas verdadeiras, não apenas como uma substituição barata.
A barba, que pesa cerca de 2,5 kg, foi feita separadamente e presa à máscara por um tubo. Quando Carter encontrou a máscara, a barba havia se soltado. Em 1944, ela foi recolocada com uma cavilha de madeira. Um colar de três fios de contas de ouro e faiança, com extremidades em forma de flor de lótus, foi colocado em volta do pescoço, mas geralmente é exposto separadamente.
Não se sabe quem fez a máscara. A arte da realeza egípcia era produzida em oficinas de palácios e templos por equipes de especialistas, e os nomes dos artistas raramente eram registrados. Artesãos das oficinas reais do fim da Décima Oitava Dinastia produziram os caixões de ouro e as joias de estilo semelhante encontrados na mesma tumba.
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Significado religioso: um rosto para a eternidade
Os egípcios acreditavam que uma pessoa era formada por várias partes, entre elas o corpo, o ka (força vital) e o ba (personalidade, muitas vezes representada como um pássaro com cabeça humana). Após a morte, essas partes precisavam se reunir para que a pessoa continuasse a viver como um espírito abençoado (akh). O corpo preservado e sua imagem eram pontos de referência essenciais, e a máscara garantia que o morto sempre tivesse um rosto perfeito.
A máscara também transformava o rei. Com sua barba divina e sua pele de ouro, Tutancâmon era mostrado como um Osíris, identificado com o deus que havia sido assassinado, trazido de volta à vida e feito governante do mundo dos mortos. Pele de ouro e cabelos de lápis-lazúli eram características das imagens divinas. Textos egípcios descrevem os deuses como seres de carne de ouro e cabelos de lápis-lazúli.
O feitiço inscrito atrás da máscara e nos ombros deixa isso claro. Ele apareceu pela primeira vez em máscaras do Médio Império, cerca de 500 anos antes, e depois foi incluído como o capítulo 151 do Livro dos Mortos, uma coletânea de feitiços para a vida após a morte. O texto se dirige à própria máscara e identifica cada parte do rosto com um ser divino: o olho direito é a barca noturna do deus solar; o esquerdo, a barca diurna; as sobrancelhas são a Enéade (os nove grandes deuses); a testa é Anúbis; e a nuca é Hórus. A máscara recebe a ordem de guiar o falecido por bons caminhos e derrotar os seguidores de Seth, o deus do caos. O texto chama o rei por seu nome de trono, Nebqueperurê.
A máscara era a camada mais interna de todo um sistema de proteção: três caixões encaixados uns nos outros (o mais interno de ouro maciço, com cerca de 110 kg), um sarcófago de pedra e quatro capelas de madeira dourada que ocupavam a câmara funerária. Cada camada repetia a imagem do rei e a proteção dos deuses, como as camadas de uma boneca que guarda outras dentro de si.
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Descoberta, 1922–1925
No início do século XX, muitos arqueólogos acreditavam que já não havia mais tumbas a encontrar no Vale dos Reis. O arqueólogo britânico Howard Carter, financiado por George Herbert, 5.º conde de Carnarvon, continuou procurando. Em 4 de novembro de 1922, seus trabalhadores descobriram um degrau escavado na rocha sob os restos de cabanas de operários. Em 26 de novembro, Carter abriu um pequeno buraco na porta selada e, segurando uma vela, viu a antecâmara repleta de móveis dourados, carruagens e estátuas.
Esvaziar e registrar a tumba exigiu dez temporadas de trabalho. A câmara funerária foi aberta oficialmente em 16 de fevereiro de 1923. Lorde Carnarvon morreu de uma infecção no Cairo em abril daquele ano, o que alimentou a história popular de uma “maldição dos faraós”, para a qual não há provas. O trabalho foi interrompido em 1924 por uma disputa acirrada entre Carter e o Serviço de Antiguidades do Egito sobre o acesso à tumba e o controle da escavação.
A equipe só chegou à múmia no segundo semestre de 1925. Em 28 de outubro daquele ano, levantou a tampa do caixão de ouro mais interno e viu a máscara sobre o corpo envolto em tecido. Carter escreveu em seu diário sobre a expressão “triste, mas serena” da máscara. A múmia e a máscara estavam grudadas ao caixão por resinas e unguentos despejados sobre elas durante o funeral e depois endurecidos. A equipe usou calor e ferramentas para soltá-las, danificando a múmia. Em dezembro de 1925, a máscara foi levada ao Museu Egípcio do Cairo.
A equipe de Carter incluía o fotógrafo Harry Burton, o químico Alfred Lucas e o conservador Arthur Mace, além de muitos trabalhadores e chefes de equipe egípcios cujos nomes frequentemente ficaram de fora dos relatos publicados. Estudos e exposições recentes têm procurado reconhecer a participação desses trabalhadores egípcios na descoberta.
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De quem é o tesouro? A máscara e o Egito moderno
A descoberta ocorreu num momento decisivo da história egípcia. A Grã-Bretanha havia declarado o Egito nominalmente independente em fevereiro de 1922, poucos meses antes de a tumba ser encontrada, mas mantinha um controle considerável. Até então, escavadores estrangeiros no Egito costumavam receber uma parte de seus achados. O governo egípcio e os nacionalistas do país defendiam que uma tumba real intacta pertencia inteiramente ao Egito.
Após a disputa de 1924, chegou-se a um acordo: os objetos da tumba não seriam divididos entre o governo egípcio e os financiadores da escavação. Quase todo o conjunto foi para o Museu Egípcio do Cairo. Essa decisão foi um marco na história da arqueologia no Egito e nos debates mais amplos sobre quem é dono do passado.
Tutancâmon logo se tornou um símbolo da identidade egípcia moderna. Sua imagem apareceu na arte, na arquitetura e nas representações públicas do Egito na década de 1920, num movimento às vezes chamado de faraonismo. Ao mesmo tempo, na Europa e nas Américas, a “tutmania” influenciou a moda, o design, o cinema e a publicidade. A máscara está no centro dessas duas histórias: é um emblema nacional para os egípcios e um ícone mundial do “Egito antigo”.
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Viagens, danos e uma nova casa
Durante a maior parte do século XX, a máscara ficou exposta no Museu Egípcio, na Praça Tahrir, no Cairo. Ela viajou ao exterior na década de 1970 para a exposição “Tesouros de Tutancâmon”, que atraiu multidões em Londres e em várias cidades dos Estados Unidos. Desde então, o Egito não permite que a máscara saia do país, e exposições internacionais posteriores sobre Tutancâmon viajaram sem ela.
Em agosto de 2014, a barba se soltou enquanto a máscara era manuseada para manutenção. Funcionários do museu a recolocaram às pressas com cola epóxi, deixando-a um pouco torta e com o adesivo visível. Quando o problema foi percebido, em janeiro de 2015, uma equipe de conservação alemã e egípcia retirou a cola epóxi e recolocou a barba com cera de abelha, material que os próprios egípcios antigos usavam. Em 2016, vários funcionários do museu receberam punições disciplinares. O episódio provocou uma discussão mais ampla sobre padrões de conservação e treinamento.
O Grande Museu Egípcio, construído a cerca de 2 km das pirâmides de Gizé, foi inaugurado oficialmente em 1.º de novembro de 2025. Pela primeira vez, toda a coleção de Tutancâmon, com mais de 5.000 objetos, é exposta no mesmo lugar, tendo a máscara de ouro como peça central.
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Debate: a máscara foi feita para outra pessoa?
Desde cerca de 2001, Nicholas Reeves e alguns outros egiptólogos defendem que a máscara, ou pelo menos parte dela, foi originalmente feita para outro governante: Neferneferuáton, um faraó de identidade incerta que reinou brevemente perto do fim do período de Amarna e que muitas vezes é identificado com Nefertiti ou com uma das filhas de Aquenáton. Sabe-se que vários objetos da tumba de Tutancâmon, incluindo pequenos caixões para seus órgãos internos, foram feitos para Neferneferuáton e receberam novas inscrições. Portanto, o reaproveitamento de objetos funerários reais anteriores é plausível.
Entre os argumentos de Reeves sobre a máscara estão os seguintes: o rosto parece ser uma peça separada, unida ao tecido que cobre a cabeça; há pequenas diferenças na composição do ouro do rosto e desse tecido; as orelhas furadas são mais típicas das representações de rainhas e crianças na arte egípcia; e marcas nos cartuchos da inscrição foram interpretadas como sinais de que um nome anterior foi alterado para o de Tutancâmon.
Outros especialistas discordam. O conservador Christian Eckmann, que trabalhou no reparo da barba em 2015 e examinou a máscara de perto, declarou não ter visto sinais de que o rosto fosse feito de um ouro diferente do restante ou de que os cartuchos tivessem sido alterados. Zahi Hawass argumentou que reis da Décima Oitava Dinastia usavam brincos; portanto, as orelhas furadas não provam nada. A questão permanece em aberto e está ligada a debates mais amplos sobre a sucessão após Aquenáton e a identidade de Neferneferuáton e Semencaré.
Uma hipótese relacionada, proposta por Reeves, dizia que haveria câmaras ocultas atrás das paredes pintadas da câmara funerária e que uma delas poderia conter o sepultamento de Nefertiti. A ideia atraiu a atenção do mundo em 2015. Levantamentos com radar produziram resultados contraditórios, e um estudo posterior, de 2018, concluiu que essas câmaras não existiam. Alguns pesquisadores, porém, continuam a defender novas investigações.
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Evidências e métodos
Registros da escavação. As anotações, fichas de objetos, desenhos e diários de Carter, junto com as fotografias de Harry Burton, estão no Instituto Griffith, da Universidade de Oxford. Grande parte desse arquivo foi publicada na internet. Esses documentos fazem da KV62 uma das escavações mais bem registradas de sua época e permitem aos pesquisadores reconstruir a posição de cada objeto. O relato de Carter para o grande público, The Tomb of Tut.ankh.Amen (volume 1 escrito com Arthur Mace, 1923), deve ser lido junto com esses registros, pois omite muitos detalhes.
Análises científicas. Estudos por raios X e da composição dos materiais, como a análise das ligas de ouro de 2007, além do exame minucioso durante a conservação de 2015, forneceram dados sobre a fabricação da máscara. Essas análises têm limites: examinam apenas a superfície ou pequenas áreas, e o museu, por razões compreensíveis, restringiu os testes que exigem a retirada de material.
Contexto e comparação. Como poucos sepultamentos reais do Novo Império sobreviveram, a máscara precisa ser interpretada por comparação com máscaras de pessoas que não eram da realeza, com outros objetos da mesma tumba, como os caixões de ouro e os pequenos caixões canópicos, e com textos como o Livro dos Mortos. Os vestígios de saques antigos na tumba, incluindo objetos recolocados por funcionários após as invasões, lembram que nem mesmo a KV62 é um conjunto perfeitamente “intocado”.
Estudos da múmia. Uma tomografia computadorizada realizada em 2005 e uma análise de DNA publicada em 2010 mudaram o entendimento sobre a saúde e a família de Tutancâmon. Suas conclusões, especialmente sobre os parentescos e a causa da morte, ainda são debatidas devido à dificuldade de trabalhar com DNA antigo e aos danos causados à múmia em 1925. A história da máscara também é, portanto, uma história da evolução dos métodos científicos e de seus limites.
Ideias principais
- Máscara funerária
- Imagem colocada sobre o rosto de uma múmia para dar ao morto um rosto perfeito e duradouro e identificá-lo com os deuses.
- Ouro como carne divina
- Os egípcios associavam o ouro, que não perde o brilho, ao corpo dos deuses; o rosto de ouro tornava o rei divino e eterno.
- O rei como Osíris
- A barba curva e o contexto funerário mostram o rei morto como Osíris, deus dos mortos e do renascimento.
- Feitiço de proteção
- A inscrição, mais tarde incluída como capítulo 151 do Livro dos Mortos, associa cada parte do rosto a um deus para proteger o rei.
- Camadas de proteção
- A máscara, três caixões, um sarcófago e quatro capelas formavam camadas encaixadas em torno do corpo do rei.
- Reaproveitamento de objetos reais
- Alguns objetos da tumba foram feitos para um governante anterior; ainda se debate se a máscara era um deles.
- Patrimônio e identidade nacional
- A decisão de manter os objetos da tumba reunidos no Egito fez da máscara um símbolo do direito dos egípcios a seu passado.
Registros
- c. 1342 a.C. — Tutancáton nasce, provavelmente em Amarna, durante o reinado de Aquenáton.
- c. 1332 a.C. — Tutancáton torna-se rei ainda criança; pouco depois, muda seu nome para Tutancâmon e restaura o culto a Amon.
- c. 1323 a.C. — Tutancâmon morre com cerca de 18 ou 19 anos e é sepultado na KV62 com a máscara de ouro; Ay o sucede.
- 1922 — 4 de novembro: a equipe de Howard Carter encontra o primeiro degrau da KV62; em 26 de novembro, Carter olha para dentro da antecâmara.
- 1923 — 16 de fevereiro: a câmara funerária é aberta oficialmente; lorde Carnarvon morre em abril.
- 1925 — 28 de outubro: o caixão mais interno é aberto e a máscara é revelada; em dezembro, ela é levada ao Museu Egípcio do Cairo.
- 1944 — A barba solta é recolocada na máscara com uma cavilha de madeira.
- 1972 — A exposição “Tesouros de Tutancâmon” é inaugurada em Londres; mais tarde na mesma década, percorre os Estados Unidos.
- 2014 — Agosto: a barba se solta durante o manuseio e é recolocada às pressas com cola epóxi.
- 2015 — Uma equipe alemã e egípcia retira a cola epóxi e recoloca a barba com cera de abelha.
- 2025 — 1.º de novembro: o Grande Museu Egípcio é inaugurado, com a máscara no centro da coleção completa de Tutancâmon.
Glossário
- Faraó
- Nome usado atualmente para os reis do Egito antigo, derivado de uma expressão egípcia que significa “casa grande” (o palácio).
- Novo Império
- Período de cerca de 1550 a 1070 a.C., que abrange da Décima Oitava à Vigésima Dinastia, quando o Egito era uma grande potência imperial.
- Período de Amarna
- O reinado de Aquenáton e os anos seguintes, quando Aton foi colocado acima dos outros deuses e a capital foi transferida para Amarna.
- Nemes
- Tecido real listrado usado na cabeça pelos reis egípcios.
- Ureu
- Cobra erguida usada na testa de um rei como símbolo do poder real e de proteção.
- Lápis-lazúli
- Pedra azul-escura importada da Ásia Central para o Egito, usada nas sobrancelhas e nas linhas dos olhos da máscara.
- Cartucho
- Contorno oval que envolve o nome de um rei escrito em hieróglifos.
- Livro dos Mortos
- Nome atual de uma coletânea de feitiços egípcios escritos para ajudar os mortos na vida após a morte.
- KV62
- Número oficial da tumba de Tutancâmon: a 62.ª tumba registrada no Vale dos Reis.
- Sarcófago
- Grande recipiente de pedra para guardar caixões; o de Tutancâmon é feito de quartzito.
Perguntas e respostas
A máscara é de ouro maciço?
Ela é feita de duas lâminas de ouro marteladas, cada uma com alguns milímetros de espessura. Portanto, não é um bloco maciço, mas ainda contém cerca de 10 kg de ouro. Também tem incrustações de pedras e vidro.
A máscara se parece mesmo com Tutancâmon?
Ela mostra um rosto real idealizado que combina com outras imagens do rei. Os retratos da realeza egípcia não eram fotografias: mostravam como o rei deveria ser visto para sempre.
Por que a barba caiu?
A barba foi feita separadamente. Já estava solta quando foi encontrada em 1925 e foi recolocada em 1944. Em 2014, soltou-se de novo durante o manuseio e foi colada de forma inadequada; especialistas a repararam em 2015.
Existe uma maldição sobre a tumba?
Não. A história da “maldição” se espalhou pelos jornais depois que lorde Carnarvon morreu de uma infecção em 1923. A maioria das pessoas envolvidas na escavação viveu por muitos anos, incluindo Howard Carter.
Por que a máscara foi encontrada dentro de três caixões?
Os sepultamentos da realeza egípcia usavam várias camadas encaixadas para proteger o corpo e repetir a imagem divina do rei: a máscara, três caixões, um sarcófago de pedra e quatro capelas douradas.
A máscara foi feita originalmente para outro faraó?
Alguns estudiosos, especialmente Nicholas Reeves, acreditam que ela foi feita primeiro para Neferneferuáton, governante do período de Amarna, e depois adaptada. Outros especialistas que a examinaram de perto não veem sinais de alteração. A questão continua sem resposta definitiva.
Por que a máscara permaneceu no Egito?
Após uma disputa em 1924, ficou decidido que os objetos da tumba não seriam divididos com os financiadores da escavação. Essa decisão refletiu a recente independência política do Egito e sua reivindicação de seu próprio patrimônio.
Fontes e leituras adicionais
- Mask of Tutankhamun. Wikipedia
- Tutankhamun. Wikipedia
- KV62 (Tomb of Tutankhamun). Wikipedia
- Howard Carter. Wikipedia
- Neferneferuaten. Wikipedia
- Book of the Dead. Wikipedia
- Nemes. Wikipedia
- Grand Egyptian Museum. Wikipedia
- Howard Carter and A. C. Mace, The Tomb of Tut.ankh.Amen, Volume 1. Cassell, 1923
- Nicholas Reeves, The Complete Tutankhamun. Thames & Hudson, 1990
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
