Filosofia

Tirukkuṟaḷ (o Kural)

திருக்குறள் (Tirukkuṟaḷ)

c. 450–500 d.C. · Mylapore (Chennai), lugar tradicionalmente associado a Tiruvalluvar

Escrito por IA · verificado por IA

Escrito pelo Claude e verificado de forma independente pelo Codex (gpt-6.1-sol) com fontes públicas: fatos, datas, citações e as versões em inglês e coreano. Não foi revisado por um especialista humano. Última verificação por IA: 2026-10-03. Problemas encontrados e corrigidos: 22.

Em uma frase

O Tirukkuṟaḷ, ou Kural, é um livro tâmil de 1.330 dísticos (poemas de dois versos) sobre a virtude, a riqueza e o governo, e o amor, atribuído a um poeta conhecido como Tiruvalluvar e provavelmente composto por volta do século V d.C., embora sua data ainda seja debatida.

Tirukkuṟaḷ (o Kural)
Imagem: பேரா. சுந்தரசண்முகனார் · CC0 · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

  • Fácil
  • Intermediário
  • Avançado

Para jovens leitores

Imagine um livro em que cada lição cabe em apenas duas linhas curtas. Você poderia decorar uma no caminho para a escola e ainda se lembrar dela quando fosse adulto. O Tirukkuṟaḷ, muitas vezes chamado só de Kural, é esse tipo de livro. Ele foi escrito em tâmil, uma língua que as pessoas do sul da Índia e do Sri Lanka falam e escrevem há mais de dois mil anos.

O Kural tem 1.330 poeminhas de duas linhas, chamados dísticos. Eles estão agrupados em 133 capítulos de exatamente dez dísticos cada um, como 133 caixinhas com dez tesouros dentro. Os capítulos falam de ser gentil, dizer a verdade, agradecer, aprender, escolher bons amigos, de como um rei deve governar, de por que os agricultores são importantes e até de como é se apaixonar.

Um dístico famoso diz que o melhor jeito de “castigar” alguém que machucou você é tratar essa pessoa bem, para que ela sinta vergonha do que fez. Outro diz que quem esquece um favor que recebeu fez algo pior do que quase qualquer outro erro. São ideias fáceis de explicar, mas difíceis de colocar em prática, e é por isso que as pessoas continuam a lê-las.

Ninguém sabe ao certo quem escreveu o Kural nem exatamente quando. A tradição dá ao autor o nome de Tiruvalluvar, e muitas histórias são contadas sobre ele, mas a maioria foi escrita muitos séculos depois. Os especialistas ainda discutem se ele viveu há cerca de 2.300 anos ou há mais ou menos 1.500 anos, e qual religião ele seguia, se é que seguia alguma.

Hoje o Kural está em toda parte em Tamil Nadu, um estado do sul da Índia. As crianças aprendem dísticos na escola, e uma estátua gigante de pedra de Tiruvalluvar, alta como um prédio de 13 andares, fica sobre uma rocha no mar em Kanyakumari, a ponta sul da Índia.

Em resumo

O que é
Uma coletânea de versos curtos (dísticos) éticos e práticos em tâmil clássico
Autor
Atribuído a Tiruvalluvar (Valluvar); o próprio texto não cita nenhum autor, e nada de confiável se sabe sobre sua vida
Quando
Em disputa: as propostas modernas vão em geral de cerca de 300 a.C. ao século VI d.C. (Pope, em 1886, chegou a sugerir 800–1000 d.C.); muitos estudiosos seguem a data de 450–500 d.C. de Kamil Zvelebil
Onde
O sul de língua tâmil do subcontinente indiano; a tradição liga o poeta a Mylapore (hoje parte de Chennai) e a Madurai
Estrutura
1.330 dísticos em 133 capítulos de dez; três livros: aṟam (virtude, 38 capítulos), poruḷ (riqueza e governo, 70) e iṉpam ou kāmam (amor, 25)
Métrica
Kuṟaḷ veṇpā: duas linhas, a primeira com quatro pés métricos e a segunda com três
Comentários
A tradição cita dez comentadores medievais; cinco comentários sobrevivem quase completos, e o de Parimēlaḻakar (fim do século XIII) tornou-se o padrão
Impressão e tradução
Impresso pela primeira vez em Madras em 1812; tradução latina dos livros 1–2 por C. J. Beschi (1730); versões inglesas completas de W. H. Drew e J. Lazarus (em prosa, da década de 1840 a 1885) e de G. U. Pope (em verso, 1886); hoje em dezenas de línguas

Fácil

O que é o Tirukkuṟaḷ?

O Tirukkuṟaḷ é um livro de poesia sapiencial escrito em tâmil clássico. Seu nome junta o honorífico tiru, “sagrado” ou “excelente”, a kuṟaḷ, nome da forma poética curtíssima, de dois versos, em que cada um de seus poemas é composto. Em inglês, costuma ser chamado de Kural, e seus poemas são chamados de couplets (dísticos) ou simplesmente kurals.

O livro não conta uma história. Em vez disso, oferece 1.330 sentenças separadas, cada uma completa em si mesma, sobre como viver bem. Elas vão das questões mais pessoais, como controlar a raiva ou por que não se deve invejar os outros, às públicas, como a maneira de um governante escolher ministros, cobrar impostos e defender um país. A última parte trata do amor entre um homem e uma mulher, descrito pelos sentimentos dos próprios amantes.

O Kural pertence a um grupo de dezoito obras mais curtas da literatura tâmil, em sua maioria didáticas, que a tradição posterior reuniu sob o nome de Patiṉeṇkīḻkkaṇakku (“as dezoito obras menores”). Logo se tornou a mais famosa delas. Uma epopeia budista tâmil de por volta do século VI, o Maṇimēkalai, já cita um de seus dísticos, com uma pequena mudança na redação, e chama seu autor de “o poeta que não mente”.

Como o Kural fala de conduta sem dizer ao leitor que deus adorar ou que ritual realizar, pessoas de muitas religiões o trataram como seu e o traduziram repetidas vezes.

[1][8][6][15]

Fácil

Como o livro é construído: três livros, 133 capítulos, 1.330 dísticos

O Kural é incomumente regular. Tem 133 capítulos (atikāram), e cada capítulo tem exatamente dez dísticos sobre um tema, anunciado pelo título. Os capítulos são agrupados em três livros (pāl). O primeiro, Aṟattuppāl, o Livro da Virtude, tem 38 capítulos (380 dísticos). O segundo, Poruṭpāl, o Livro da Riqueza ou do Governo, é de longe o mais extenso, com 70 capítulos (700 dísticos). O terceiro, Kāmattuppāl ou Iṉpattuppāl, o Livro do Amor, tem 25 capítulos (250 dísticos).

Dentro dos livros, as edições modernas também marcam grupos menores. O Livro da Virtude abre com quatro capítulos introdutórios, começando por “O louvor de Deus” e “A excelência da chuva”, passa por capítulos sobre as virtudes do chefe de família e sobre as virtudes do renunciante e termina com um único capítulo sobre o destino. O Livro do Amor segue as duas grandes fases da poesia amorosa tâmil clássica: o amor secreto, antes do casamento (kaḷavu), e o amor conjugal (kaṟpu). Os comentadores antigos não concordavam todos sobre esses agrupamentos menores, como explicam seções posteriores.

Todos os dísticos usam a mesma métrica, o kuṟaḷ veṇpā. A primeira linha tem quatro pés métricos (cīr) e a segunda tem três, de modo que cada dístico tem sete “pés” no total e termina numa linha curta, com som de conclusão. A forma obriga a uma compressão extrema: um argumento inteiro, uma comparação e uma conclusão precisam caber num espaço menor que uma mensagem de texto de hoje. O primeiro dístico mostra o estilo: “Assim como a letra A vem antes de todas as letras, o Senhor Primordial vem antes de tudo no mundo.”

Os três livros correspondem a três dos quatro “objetivos da vida humana” do saber sânscrito: dharma (virtude), artha (riqueza e poder) e kāma (prazer). O quarto, mokṣa ou libertação, não tem livro próprio; o comentador Parimēlaḻakar explicou que a libertação não pode ser descrita em palavras. Ainda se debate se o plano foi tomado da tradição sânscrita ou nasceu de ideias tâmeis.

[1][6][8]

Fácil

O que ele ensina? Virtude, compaixão, saber, arte de governar e amor

O Livro da Virtude constrói passo a passo o retrato de uma boa pessoa. Elogia a vida doméstica: uma família amorosa, o cuidado com os hóspedes, a fala gentil e a gratidão. Um dístico diz que quem destrói qualquer outro bem pode encontrar uma saída, mas não há saída para quem destrói a gratidão (verso 110). Outros capítulos alertam contra a inveja, a calúnia, a cobiça e a raiva, e estabelecem um padrão exigente para tratar os inimigos: “Para castigar quem lhe faz mal, envergonhe-o fazendo-lhe o bem” (verso 314).

A compaixão por todos os seres vivos é um dos temas mais fortes do livro. Um capítulo sobre “Abster-se de carne” vem logo depois do capítulo sobre a compaixão e pergunta como pode ter bondade quem engorda a própria carne comendo a carne de outros seres (verso 251). Outro capítulo, “Não matar”, começa assim: “O que é a ação virtuosa? Não matar. Matar traz consigo todos os outros males” (verso 321). Muitos estudiosos ligam essa estrita não violência e esse vegetarianismo à ética jainista, embora eles também sejam compartilhados por outras tradições da Índia.

O Livro da Riqueza é um guia prático para reis, ministros e cidadãos. Começa listando o que um governante precisa ter: um exército, um povo, recursos, ministros, aliados e fortificações (verso 381). Depois trata da educação (“Aprenda a fundo o que deve ser aprendido; depois, viva de acordo com isso”, verso 391), do perigo dos bajuladores, do governo justo e injusto, do uso de espiões, da diplomacia, da amizade e de vícios como a bebida e o jogo. Dá honra especial à agricultura: “Gire o mundo como girar, ele segue o arado; por isso, por mais penosa que seja, a agricultura vem em primeiro lugar” (verso 1031).

O Livro do Amor é algo bem diferente de um tratado moral. É poesia dita nas vozes de um amante, de sua amada e da companheira dela, seguindo as convenções da poesia amorosa tâmil mais antiga. Um rapaz conhece uma mulher cujos olhos, diz ele, guardam dois olhares: “um causa a doença, o outro é a sua cura” (verso 1091). Capítulos posteriores descrevem a saudade durante a separação, as fofocas da aldeia e as pequenas brigas de marido e mulher apaixonados; o último capítulo celebra a alegria de fazer as pazes depois que os amantes ficam emburrados um com o outro.

[6][1][8][4]

Intermediário

Quem foi Tiruvalluvar? O que se sabe e o que é lenda

A rigor, quase nada se sabe sobre o autor. O próprio Kural não nomeia ninguém. A referência mais antiga, no Maṇimēkalai, chama-o apenas de poyyil pulavaṉ, “o poeta que não mente”. O nome Tiruvaḷḷuvar, “o sagrado Valluvar”, aparece na tradição posterior, sobretudo no Tiruvaḷḷuvamālai, uma guirlanda de versos de louvor atribuídos aos poetas da lendária academia tâmil (Caṅkam) de Madurai, que a maioria dos estudiosos data por volta dos séculos X ou XI. Até “Valluvar” pode ser um título, e não um nome pessoal: a palavra também designa uma comunidade cujos membros, na antiga sociedade tâmil, eram tamborileiros e arautos reais.

Em torno desse vazio cresceu uma rica hagiografia. Nas versões mais conhecidas, Valluvar nasce de pai brâmane e mãe de casta baixa, muitas vezes chamados Bhagavan e Ādi; o poema que conta essa história, o Kapilar Akaval, é uma composição tardia que Zvelebil situou no século XV. Outras histórias fazem dele um tecelão de Mylapore, dão-lhe uma esposa dedicada chamada Vāsuki ou um amigo entre os comerciantes marítimos, um mercador e capitão de navio muitas vezes chamado Elelasingan. Numa delas, os poetas da academia de Madurai a princípio rejeitam o autor por ter nascido numa casta baixa; quando seu livro é colocado no banco da academia, o banco encolhe até restar sobre ele apenas o Kural.

A maioria dessas histórias, na forma em que são registradas hoje, parece ter tomado forma nos séculos XVIII e XIX, quando tanto os eruditos tâmeis quanto os missionários e funcionários europeus coletavam avidamente informações sobre o poeta. O historiador da literatura Stuart Blackburn mostrou como a lenda, especialmente o tema do gênio de casta baixa que acaba reconhecido, tornou-se veículo dos debates do século XIX sobre casta, sobre o tâmil e o sânscrito e sobre a antiguidade da civilização tâmil.

O que se pode dizer com alguma segurança vem do próprio texto. Seu autor conhecia bem a poesia tâmil anterior, inclusive as convenções da poesia amorosa que o Livro do Amor pressupõe, e estava familiarizado com ideias que também aparecem em obras sânscritas sobre direito, governo e amor. Todos os comentadores medievais trataram a obra como criação de uma só pessoa, embora alguns estudiosos modernos achem que ela pode ser uma coletânea moldada por várias mãos.

[1][9][2][4][7]

Intermediário

Quando foi escrito? Uma data ainda em disputa

Nenhuma inscrição, manuscrito ou referência datável estabelece quando o Kural foi composto; por isso, toda data é uma inferência. As propostas se estendem por quase mil anos. Os tradicionalistas tâmeis, seguindo a lenda de que o Kural foi a última obra apresentada à terceira academia tâmil, chegaram a situá-lo por volta de 300 a.C. Outros defenderam o século I a.C. ou o século I d.C.

No início do século XX, os defensores do renascimento cultural tâmil liderados pelo erudito Maraimalai Adigal fixaram 31 a.C. como o ano de nascimento de Valluvar. Foi uma escolha simbólica, e não o resultado de novas evidências, mas tornou-se o ponto de partida do “ano de Thiruvalluvar”, uma era tâmil depois usada em documentos oficiais de Tamil Nadu ao lado do calendário gregoriano.

A maioria dos especialistas acadêmicos defende uma data mais tardia, com base na língua do texto. O Kural contém formas gramaticais e uma parcela de empréstimos do sânscrito que não aparecem na camada mais antiga da poesia tâmil, usa a métrica veṇpā, que se popularizou depois dessa camada, e parece conhecer tratados sânscritos geralmente datados dos primeiros séculos da era comum. Com base nisso, o estudioso tâmil S. Vaiyapuri Pillai situou-o no século VI ou depois, enquanto o tamilólogo tcheco Kamil Zvelebil, depois de propor primeiro 450–550 d.C. (1973), reduziu o intervalo para 450–500 d.C. (1974), faixa muito citada hoje. Blackburn descreveu uma data de cerca de 500 d.C. como o consenso acadêmico atual.

As datas mais tardias possíveis são limitadas pelo Maṇimēkalai, que cita o Kural e costuma ser datado, por sua vez, por volta do século VI, embora essa data também seja debatida. A proposta de G. U. Pope no século XIX, 800–1000 d.C., ligada à sua crença de que o poeta tinha absorvido o ensinamento cristão, não é mais defendida. Aqui, o intervalo de 450–500 d.C. proposto por Zvelebil é usado como estimativa provisória, não como fato estabelecido.

[10][1][5][17][14][7]

Intermediário

Dez comentadores medievais e a autoridade de Parimēlaḻakar

Versos curtos e densos pedem explicação, e o Kural atraiu mais comentários do que qualquer outra obra literária tâmil do período medieval. Um “verso avulso” tradicional cita dez comentadores: Tarumar, Maṇakkuṭavar, Tāmattar, Naccar, Paridhi (Paritiyār), Parimēlaḻakar, Tirumalaiyar, Mallar, Paripperumāḷ e Kāliṅkar. Os comentários de Maṇakkuṭavar, Paridhi, Kāliṅkar, Paripperumāḷ e Parimēlaḻakar sobrevivem quase completos; os de Tarumar, Tāmattar e Naccar, apenas em fragmentos, e os demais se perderam.

As datas dos comentadores são incertas, e os estudiosos os situam entre os séculos X e XV. Maṇakkuṭavar é geralmente considerado o autor do mais antigo comentário preservado, escrito por volta do fim do século X, e suas observações sugerem que outros já tinham explicado o texto antes dele. Parimēlaḻakar escreveu no fim do século XIII; costuma ser descrito como um erudito brâmane de Kanchipuram, à vontade tanto no saber sânscrito quanto no tâmil.

Os comentadores fizeram mais do que explicar palavras. Eles também organizaram o texto. Todos aceitam os três livros, os 133 capítulos e quase os mesmos dez dísticos em cada capítulo, mas diferem na divisão dos livros em subseções, na ordem dos dísticos dentro dos capítulos e, sobretudo no Livro da Virtude, na ordem e no agrupamento de alguns capítulos: Maṇakkuṭavar, por exemplo, coloca entre as virtudes do chefe de família vários capítulos que edições posteriores põem entre as do renunciante, e vice-versa. Em outras palavras, a ordem dos dísticos que os leitores veem hoje já é, ela mesma, uma interpretação.

A versão de Parimēlaḻakar venceu. Só o comentário dele recebeu subcomentários, a primeira edição impressa, de 1812, seguiu sua organização, e quase todas as edições e traduções posteriores fizeram o mesmo. Sua leitura tinha um viés: ele definia aṟam (virtude) como fazer o que textos como o código de Manu ordenam e evitar o que proíbem. No século XX, escritores tâmeis como Pulavar Kuḻantai escreveram novos comentários contra ele para libertar o Kural dos modelos de interpretação bramânicos e sânscritos.

[1][8][13][3]

Intermediário

Enquanto isso, no mundo: verso ético e ciência dos reis no Sul da Ásia

Se o Kural foi composto por volta do século V, ele pertence a uma época em que, por todo o Sul da Ásia, o ideal da boa vida era fixado em versos curtos e fáceis de lembrar e em tratados sistemáticos. As conexões mais claras não são acontecimentos políticos, mas ideias e formas compartilhadas, e podem ser rastreadas nos próprios textos.

A primeira conexão é com o śāstra sânscrito, as “ciências” da conduta. Os três livros do Kural espelham a tríade sânscrita de dharma, artha e kāma, cada um desses conceitos com sua própria literatura: códigos de leis como o Manusmṛti, o Arthaśāstra sobre o governo e o Kāmasūtra sobre o amor. Alguns paralelos são próximos: as seis coisas que um rei deve possuir no dístico de abertura do Livro da Riqueza, junto com o próprio rei, correspondem aos sete elementos do Estado listados no início do livro VI do Arthaśāstra. Mas os estudiosos também apontam diferenças: o Kural dá aos agricultores uma primazia que o Arthaśāstra não dá e, como enfatizam vários estudiosos tâmeis, dirige a virtude a todos, em vez de dividi-la por casta. No norte, enquanto isso, durante o governo da dinastia Gupta (c. 320–550), floresceu a literatura cortesã sânscrita, incluindo a poesia e o teatro de Kālidāsa, um mundo de ornamento refinado bem diferente dos aforismos simples do Kural.

A segunda conexão é com o ensinamento em verso budista e jainista. O Dhammapada páli, uma antologia de 423 versos em 26 capítulos temáticos, já era um texto antigo no século V, quando foi compilado seu grande comentário, tradicionalmente atribuído ao erudito Buddhaghosa, que trabalhava no Sri Lanka. Como o Kural, ele organiza versos éticos curtos sob títulos temáticos de capítulo, e estudiosos modernos escreveram estudos comparativos dos dois livros. Dentro do próprio tâmil, o Nālaṭiyār jainista, quatrocentas quadras morais também organizadas segundo virtude, riqueza e amor, ficou tão associado ao Kural que um provérbio tâmil os coloca lado a lado.

Uma terceira conexão mostra o Kural atravessando fronteiras religiosas quase desde o início. O Maṇimēkalai budista cita um dístico do Kural para sustentar sua própria narrativa, e muito depois um comentador jainista do século XIV chamou o Kural de “nossa escritura”. O Kural fez parte, assim, de uma cultura sul-asiática compartilhada de verso moral, na qual hindus, jainistas e budistas se valiam do mesmo repertório de ideias sobre não violência, autocontrole e bom governo, e disputavam esse repertório.

[1][30][28][29][15]

Intermediário

O Kural em Tamil Nadu na era moderna: monumentos, retratos e política

No século XX, o Kural tornou-se um símbolo da identidade tâmil. Líderes do movimento dravidiano, que se opunha ao que via como dominação bramânica e sânscrita, apresentaram-no como prova de uma civilização tâmil independente e ética; o reformador Periyar E. V. Ramasamy, que a princípio o descartara por ser próximo demais dos códigos bramânicos, mais tarde o elogiou como fundamento da cultura dravidiana. Tamil Nadu comemora todo mês de janeiro o Dia de Thiruvalluvar, e dísticos ficam expostos em lugares públicos, inclusive nos ônibus.

A imagem do poeta foi moldada de propósito. Um retrato do pintor K. R. Venugopal Sharma, que mostra Valluvar de túnica branca, barba longa e sem marcas religiosas ou de casta, ganhou reconhecimento oficial na década de 1960; foi inaugurado em 1964 por Zakir Husain, então vice-presidente da Índia, e tornou-se a versão reproduzida em repartições e publicações do governo. O artista explicou que deixou de fora os sinais sectários porque o Kural ensina como as pessoas devem viver com retidão, e não um credo específico.

Vieram depois os monumentos. Em Chennai, o Valluvar Kottam, construído em meados da década de 1970 sob o ministro-chefe M. Karunanidhi e projetado pelo arquiteto V. Ganapati Sthapati, tem uma réplica em pedra de um carro cerimonial de templo e salões onde os 1.330 dísticos estão gravados em granito; foi aberto em 1976 e reaberto após uma reforma em 2025. Em 1º de janeiro de 2000, Karunanidhi inaugurou a estátua de pedra de Tiruvalluvar de 133 pés (cerca de 41 metros), obra de Ganapati Sthapati, sobre uma rocha diante de Kanyakumari: seu pedestal de 38 pés representa os 38 capítulos sobre a virtude, e a figura de 95 pés, os livros sobre a riqueza e o amor.

Como a imagem do poeta carrega tanto significado, mudá-la provoca conflito. Em novembro de 2019, a seção de Tamil Nadu do Bharatiya Janata Party publicou uma imagem de Valluvar com túnica cor de açafrão, cinza sagrada e contas de rudrākṣa. Partidos de oposição, liderados pelo DMK, acusaram-no de tentar apropriar-se de um poeta universal em favor do nacionalismo hindu, enquanto líderes do BJP responderam que os partidos dravidianos já o tinham despojado de seus símbolos hindus. Pouco depois, uma estátua de Valluvar em Pillaiyarpatti, perto de Thanjavur, foi vandalizada, aprofundando a polêmica sobre quem pode definir a imagem do poeta.

[1][21][9][22][23][24][25][26][27][20]

Avançado

Diferentes perspectivas

Escolas de datação. Uma escola tradicional e nacionalista tâmil situa Valluvar nos últimos séculos antes da era comum, ligando-o à lenda do Caṅkam e, para alguns, ao simbólico ano de 31 a.C. Uma escola filológica, representada por Vaiyapuri Pillai e Zvelebil, usa a língua, a métrica, os empréstimos e as relações com outros textos para defender aproximadamente o século V ou VI d.C. Por trás dos números há uma questão mais profunda: se o Kural é visto como produto do passado tâmil mais antigo ou de uma cultura posterior e mais mesclada. Nenhum dos extremos pode ser provado; uma data do século V ou do início do VI tem o maior apoio acadêmico, mas os especialistas ainda consideram a questão em aberto.

Filiação religiosa. Quase todas as comunidades religiosas do sul da Índia reivindicaram o poeta. Muitos estudiosos, entre eles Zvelebil e o estudioso jainista A. Chakravarti, identificam uma base jainista na ênfase em não matar, no vegetarianismo e no autocontrole, e em epítetos de Deus como “aquele que caminhou sobre a flor” e “o das oito qualidades”. Outros leem a obra como hindu, apontando o plano dharma–artha–kāma, uma referência a “aquele que tem olhos de lótus” (em geral Vishnu) e o comentário de Parimēlaḻakar; alguns sustentam, mais especificamente, que a obra pertence à tradição do Śaiva Siddhānta. O reformador budista dalit Iyothee Thass reivindicou-o como budista, Pope viu influência cristã, e muitos leitores modernos ressaltam seu caráter não sectário. Como observou o estudioso François Gros, até a imagem do lótus é compartilhada por Vishnu, Brahmā, os tīrthaṅkaras jainistas e o Buda.

Sânscrito ou tâmil? Um debate relacionado pergunta quanto o Kural deve à literatura sânscrita. Num extremo, R. Nagaswamy defendeu que ele é essencialmente um resumo de tratados sânscritos; no outro, autores da tradição dravidiana o leram como uma rejeição deliberada dos valores sânscritos e bramânicos. Entre esses polos, muitos estudiosos aceitam que o Kural conhece ideias sânscritas e às vezes as ecoa de perto, como na lista dos elementos de um reino, mas divergem sobre o quanto ele as remodela em formas poéticas tâmeis. Alguns, como S. Maharajan, defendem que sua ideia de aṟam é universal, ao contrário dos deveres específicos de cada casta dos Dharmaśāstras; outros o leem dentro do quadro bramânico, como fez Parimēlaḻakar.

Escolhas de tradução. As escolhas de tradução podem moldar a interpretação, e algumas traduções refletem posições identificáveis. Beschi deixou de fora o Livro do Amor; Pope apresentou o poeta como um eclético tocado pelo cristianismo; os tradutores precisam decidir se traduzem aṟam como “virtude”, “retidão” ou por “dharma”, termo carregado de associações com a tradição sânscrita, e se o Ādi Bhagavan do primeiro dístico é “Deus”, “o Senhor Primordial” ou um nome não traduzido. Seguir a ordem e as subseções de Parimēlaḻakar, como fazem quase todas as traduções, também transporta uma leitura medieval específica. Comparar versões pode, portanto, revelar pressupostos diferentes sobre a religião do Kural e sua relação com a cultura sânscrita.

[1][10][8][4][3][7][2]

Avançado

Indícios e método: ler um texto sem autor nem data

O estudo do Kural se apoia em indícios incomuns. Não há autógrafo, nem manuscrito antigo, nem biografia externa. Entre a época provável da composição e os manuscritos mais antigos que sobreviveram há um intervalo de talvez mil anos. Por isso os estudiosos dependem de três tipos de testemunho: as citações em outras obras (a citação do verso 55 no Maṇimēkalai e as centenas de versos citados em comentários gramaticais como o de Iḷampūraṇar ao Tolkāppiyam), os comentários medievais, que apresentam ordenações diferentes dos dísticos, e os indícios internos de língua e conteúdo.

Cada tipo tem limites. As citações provam que um dístico já existia em determinada data, mas não que o livro inteiro existisse, nem em que ordem. Os comentários mostram como o texto era lido, mas também o remodelaram, e a imprensa moderna escondeu suas divergências ao seguir apenas Parimēlaḻakar. A datação linguística depende das datas de outros textos tâmeis, que também são debatidas. Por isso alguns estudos recentes, como o de Jason W. Smith, deixam de lado a busca pelo autor histórico e por sua religião e perguntam, em vez disso, como o texto, na forma que os leitores de fato têm, atua sobre seu público. Rastrear como as lendas, os retratos e os monumentos foram produzidos nos séculos XIX e XX, como Blackburn fez com a lenda, tornou-se um campo de estudo à parte.

[1][2][3][8]

Ideias principais

Aṟam (virtude)
A conduta correta, tema do primeiro livro; abrange deveres domésticos como a hospitalidade e a gratidão e, para os renunciantes, o autocontrole e a não violência. Debate-se se o conceito de aṟam deve ser equiparado ao dharma sânscrito.
Poruḷ (riqueza e governo)
O mundo prático de governantes, ministros, aliados, exércitos, dinheiro, amizade e trabalho, tratado no livro mais longo, de setenta capítulos.
Iṉpam ou kāmam (amor)
O amor entre homem e mulher, no namoro e no casamento, apresentado nas vozes dos amantes segundo as convenções da poesia amorosa tâmil clássica.
Não matar e vegetarianismo
Os capítulos 26 (“Abster-se de carne”) e 33 (“Não matar”) fazem da compaixão por todos os seres vivos uma virtude central, posição muitas vezes ligada à ética jainista.
Gratidão
O capítulo 11 trata a lembrança de um favor como dever fundamental; esquecê-lo é apresentado quase como o único erro sem saída.
Retribuir o mal com o bem
O ideal de responder ao dano com bondade para que quem o causou sinta vergonha (verso 314), citado por defensores modernos da não violência.
A primazia da agricultura
O capítulo sobre a agricultura a chama de primeira das ocupações, porque todas as outras dependem de quem ara a terra.

Registros

  1. c. 31 a.C. — 31 a.C.: ano de nascimento atribuído mais tarde a Valluvar pelos defensores do renascimento cultural tâmil; uma convenção moderna, não um indício histórico, hoje base do “ano de Thiruvalluvar”.
  2. c. 450 d.C. — Período provável da composição segundo Kamil Zvelebil (450–500 d.C.); outras propostas modernas vão em geral de cerca de 300 a.C. ao século VI.
  3. c. 550 d.C. — A epopeia budista tâmil Maṇimēkalai, geralmente datada por volta do século VI, cita um dístico do Kural e chama seu autor de “o poeta que não mente”.
  4. c. 975 d.C. — Maṇakkuṭavar escreve aquele que é geralmente considerado o comentário mais antigo do Kural que sobreviveu (fim do século X).
  5. c. 1275 — Parimēlaḻakar escreve seu comentário (fim do século XIII), que mais tarde se torna a organização e a leitura padrão do texto.
  6. 1730 — O missionário jesuíta C. J. Beschi traduz para o latim os livros sobre a virtude e a riqueza.
  7. 1812 — O Kural é impresso pela primeira vez, em Madras, seguindo a organização de Parimēlaḻakar.
  8. 1886 — G. U. Pope publica em Londres a primeira tradução inglesa completa em verso feita por um único tradutor, reimprimindo nas notas as versões latina de Beschi e inglesa de Ellis.
  9. 1908 — Liev Tolstói cita “o Kural hindu” em sua “Carta a um hindu” (14 de dezembro), para a qual Gandhi depois escreveu uma introdução e que traduziu para o guzerate.
  10. 1964 — O retrato de Valluvar de túnica branca e sem marcas sectárias, de K. R. Venugopal Sharma, é inaugurado pelo vice-presidente Zakir Husain e se torna a imagem oficial.
  11. 1976 — O memorial Valluvar Kottam, com os 1.330 dísticos gravados em granito, é aberto em Chennai.
  12. 2000 — Em 1º de janeiro, uma estátua de pedra de Tiruvalluvar de 133 pés é inaugurada sobre uma rocha diante de Kanyakumari.

Glossário

Kuṟaḷ veṇpā
A métrica tâmil de duas linhas do Kural: quatro pés métricos na primeira linha e três na segunda.
Atikāram
Um capítulo do Kural; são 133, cada um com dez dísticos sobre um tema.
Pāl
Cada um dos três livros do Kural: Aṟattuppāl (virtude), Poruṭpāl (riqueza) e Kāmattuppāl (amor).
Caṅkam
As lendárias academias de poetas tâmeis de Madurai; o nome também é usado para a camada mais antiga da poesia tâmil.
Patiṉeṇkīḻkkaṇakku
“As dezoito obras menores”, um agrupamento posterior de textos tâmeis, em sua maioria didáticos, que inclui o Kural e o Nālaṭiyār.
Urai
Um comentário em prosa que explica um texto tâmil verso por verso; o Kural tem dez comentadores tradicionais.
Puruṣārtha (trivarga)
Os “objetivos da vida humana” sânscritos: dharma, artha e kāma (o trivarga), mais mokṣa, a libertação.
Akam e puṟam
“Interior” e “exterior”: as duas grandes categorias da poesia tâmil clássica, o amor e a vida pública, que ecoam nos livros do Kural sobre o amor e o governo.

Perguntas e respostas

Por que cada capítulo tem exatamente dez dísticos?

Ninguém sabe se o autor planejou isso ou se editores posteriores regularizaram o texto. Todos os comentários medievais que sobreviveram já têm 133 capítulos de dez dísticos; portanto, essa organização tem pelo menos cerca de mil anos.

Tiruvalluvar existiu de verdade?

Alguém compôs o Kural, e todos os comentadores medievais o trataram como obra de um único autor, mas seu nome verdadeiro e sua vida são desconhecidos. As histórias sobre seus pais, sua esposa e seus milagres foram escritas muito depois e são tratadas pelos historiadores como lenda.

O Kural foi escrito por um jainista, um hindu ou outra pessoa?

O texto nunca diz. Há argumentos fortes de que a obra tem uma base jainista, e as leituras hindus também são antigas e difundidas, enquanto outros veem a obra como deliberadamente não sectária. A maioria dos estudiosos concorda que os indícios não permitem resolver a questão.

O Kural é mais antigo que a Bíblia ou os Analectos?

Provavelmente não. Algumas tradições tâmeis o datam dos últimos séculos antes da era comum, mas a maioria dos especialistas o situa por volta do século V ou VI d.C., depois da maior parte da Bíblia hebraica e dos Analectos de Confúcio.

Por que os primeiros tradutores deixaram de fora o Livro do Amor?

Beschi traduziu apenas os dois primeiros livros em 1730, escolha geralmente explicada por sua opinião de que um missionário não deveria traduzir poesia erótica. Tradutores posteriores, entre eles Pope, publicaram os três livros.

Quão confiável é o texto que lemos hoje?

A redação da maioria dos versos é estável, embora os comentadores registrem variantes. O que mais mudou foi a organização: a ordem dos dísticos dentro dos capítulos, as subseções e, no Livro da Virtude, a ordem de alguns capítulos nas edições modernas vêm de Parimēlaḻakar, e outros comentadores os organizaram de outro modo.

Por que a estátua de Kanyakumari tem 133 pés de altura?

A altura corresponde aos 133 capítulos do Kural; o pedestal de 38 pés representa os 38 capítulos do Livro da Virtude, e a figura de 95 pés, os outros dois livros.

Fontes e leituras adicionais

  1. Jason William Smith, Tacit Tirukkuṟaḷ: Religion, Ethics, and Poetics in a Tamil Literary Tradition (Th.D. dissertation). Harvard Divinity School, Harvard University, 2020
  2. Stuart Blackburn, Corruption and Redemption: The Legend of Valluvar and Tamil Literary History. Modern Asian Studies 34(2): 449–482, 2000
  3. Norman Cutler, Interpreting Tirukkuṟaḷ: The Role of Commentary in the Creation of a Text. Journal of the American Oriental Society 112(4): 549–566, 1992
  4. Kamil Zvelebil, The Smile of Murugan: On Tamil Literature of South India. E. J. Brill, Leiden, 1973
  5. Kamil Zvelebil, Tamil Literature (A History of Indian Literature, vol. X, fasc. 1). Otto Harrassowitz, Wiesbaden, 1974
  6. Tirukkuṟaḷ of Tiruvaḷḷuvar (Tamil text). Project Madurai
  7. G. U. Pope, The ‘Sacred’ Kurral of Tiruvalluva-Nayanar, with Introduction, Grammar, Translation, Notes. W. H. Allen & Co., London (Internet Archive scan), 1886
  8. Kural. Wikipedia
  9. Valluvar. Wikipedia
  10. Dating the Tirukkural. Wikipedia
  11. Tirukkuṟaḷ translations into Latin. Wikipedia
  12. Tirukkural translations into English. Wikipedia
  13. Manakkudavar. Wikipedia
  14. Valluvar year. Wikipedia
  15. Nālaṭiyār. Wikipedia
  16. First page of the 1812 Madras edition of the Thirukkural (image and description). Wikimedia Commons
  17. Ramanathan S., Is Tamil New Year really ‘Tamil’? Politics of Thai vs Chitirai. The News Minute, 2017
  18. Leo Tolstoy, A Letter to a Hindu (with an introduction by M. K. Gandhi). Project Gutenberg, 1908
  19. ‘Thirukkural’ translation to be made available in 30 more languages by Jan 2026, says official. The Week (PTI), 2025
  20. Tamil Nadu observes birth anniversary of poet-saint Thiruvalluvar. All India Radio News (newsonair.gov.in), 2026
  21. How did Venugopal Sharma create the official portrait of Thiruvalluvar? (in Tamil). Vikatan, 2019
  22. Valluvar Kottam. Chennai District Administration, Government of Tamil Nadu
  23. Valluvar Kottam back to glory; CM Stalin unveils 2.0 on June 21. DT Next, 2025
  24. Thiruvalluvar Statue. Kanniyakumari District Administration, Government of Tamil Nadu
  25. Thiruvalluvar Statue. Wikipedia
  26. Thiruvalluvar in orange robes: DMK and CPI(M) slam BJP for ‘saffronising’ legendary poet. The News Minute, 2019
  27. Venerated Tamil poet dragged into ugly political row in Tamil Nadu. Deccan Chronicle, 2019
  28. Acharya Buddharakkhita (trans.), The Dhammapada: The Buddha’s Path of Wisdom (introduction by Bhikkhu Bodhi). Access to Insight
  29. Dhammapada. Wikipedia
  30. Gupta Empire. World History Encyclopedia, 2015

Conteúdo relacionado

Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

← Voltar ao mapa