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Para jovens leitores
Rabindranath Tagore nasceu em 1861 na grande cidade de Calcutá, hoje chamada Kolkata, na Índia. Ele era o caçula de muitos irmãos e irmãs. Sua família gostava de música, livros e ideias. Ele não gostava da escola, pois se sentia preso ali. Por isso, aprendeu muito em casa e explorando o mundo por conta própria.
Ele começou a escrever poemas quando tinha cerca de oito anos e continuou escrevendo a vida toda. Criou milhares de poemas e mais de dois mil canções, além de histórias, peças de teatro e romances. Escrevia principalmente em bengali, sua língua. Até hoje, pessoas na Índia e em Bangladesh cantam suas músicas em casamentos, festas e escolas.
Dois países usam canções dele como hinos nacionais: a Índia usa “Jana Gana Mana”, e Bangladesh usa “Amar Shonar Bangla”. Isso quer dizer que milhões de pessoas cantam suas palavras todos os dias.
Como se lembrava de ter sido infeliz na escola, ele criou uma escola em um lugar tranquilo chamado Santiniketan. Lá, as crianças muitas vezes tinham aulas ao ar livre, debaixo das árvores. Elas estudavam música, arte e natureza, além de leitura e matemática.
Quando ele traduziu alguns poemas para o inglês, leitores da Europa ficaram encantados. Em 1913, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Viajou por muitos países, como Japão, China, Argentina e Estados Unidos. Nessas viagens, dizia que os países não deveriam se odiar e que todas as pessoas fazem parte da mesma humanidade.
Em resumo
- Vida
- 7 de maio de 1861 – 7 de agosto de 1941, Calcutá (Kolkata), Índia britânica
- Nome
- Rabindranath Thakur em bengali; “Tagore” é a forma anglicizada do sobrenome; muitas vezes chamado de Gurudev (“mestre venerado”)
- Idioma
- Escreveu principalmente em bengali; também traduziu e escreveu em inglês
- Gêneros e artes
- Poesia, cerca de 2.230 canções (Rabindra Sangeet), contos, romances, peças de teatro, ensaios e cartas; pintura na maturidade
- Obras principais
- Gitanjali (1910; versão inglesa Gitanjali: Song Offerings, 1912), Gora (1910), O lar e o mundo (Ghare Baire, 1916), O correio (1912), Galpaguchchha (contos), Nacionalismo (1917)
- Instituições
- Escola em Santiniketan (1901); Visva-Bharati (1921; universidade central desde 1951); centro de desenvolvimento rural em Sriniketan (década de 1920)
- Honrarias
- Prêmio Nobel de Literatura em 1913; recebeu o título de cavaleiro em 1915 e renunciou a ele em 1919, após o massacre de Jallianwala Bagh
- Hinos
- Compôs a letra e a música de “Jana Gana Mana”, hino da Índia, e de “Amar Shonar Bangla”, hino de Bangladesh
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Quem foi Rabindranath Tagore?
Rabindranath Tagore (1861–1941) foi um escritor de Bengala, região do leste do sul da Ásia hoje dividida entre a Índia e Bangladesh. É mais conhecido como poeta, mas atuou em muitas áreas: escreveu canções e compôs suas melodias, criou contos, romances e peças de teatro, deu palestras, fundou uma escola e uma universidade, trabalhou para melhorar a vida nas aldeias e, depois dos sessenta anos, tornou-se pintor.
Em bengali, seu nome é Rabindranath Thakur. “Tagore” é a forma como os britânicos escreviam o sobrenome da família. No sul da Ásia, muitas pessoas o chamam de Gurudev, “mestre venerado”, ou Kabiguru, “poeta-mestre”. Em Bangladesh e em Bengala Ocidental, ele é conhecido simplesmente como Rabindranath ou até como “Robi Thakur”.
Ele viveu sob o domínio colonial britânico e passou boa parte da vida refletindo sobre como a Índia poderia ser livre e moderna sem se tornar intolerante. Orgulhava-se das tradições indianas, mas também acreditava no encontro e na troca de ideias entre todas as culturas. O lema de sua universidade, tirado de um antigo verso em sânscrito, falava de um lugar “onde o mundo inteiro se reúne em um só ninho”.
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A infância na casa de Jorasanko
Tagore nasceu em 7 de maio de 1861 na mansão da família em Jorasanko, no norte de Calcutá, então capital da Índia britânica. Era o caçula dos treze filhos de Debendranath Tagore que sobreviveram à infância. Seu pai era um rico proprietário de terras e reformador religioso que liderava o Brahmo Samaj, movimento que buscava uma forma simples de hinduísmo, sem culto a ídolos e baseada nos Upanishads.
A casa dos Tagore era um dos centros do “Renascimento de Bengala”, período de florescimento da literatura, da religião, da ciência e das reformas sociais na Bengala do século XIX. Entre seus irmãos e irmãs havia um filósofo, um músico e dramaturgo, o primeiro indiano a integrar o prestigiado serviço público imperial da Índia e uma das primeiras romancistas bengalis. A família produzia peças, concertos e revistas em casa.
Rabindranath detestava a escola tradicional e deixou várias instituições. Teve professores particulares em casa e aprendeu muita coisa por conta própria. Em 1878, foi enviado à Inglaterra para estudar, primeiro numa escola em Brighton e, por pouco tempo, na University College London. Voltou em 1880 sem obter um diploma. Em 1883, casou-se com Mrinalini Devi; tiveram cinco filhos, dois dos quais morreram na infância.
Várias mortes marcaram profundamente sua vida: a de Kadambari Devi, sua cunhada e amiga próxima, em 1884; e, mais tarde, em poucos anos, as de sua esposa (1902), uma filha (1903), seu pai (1905) e seu filho mais novo (1907). O luto e a busca de paz além da dor tornaram-se temas importantes de sua poesia.
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Rios, aldeias e contos
Em 1890, o pai de Tagore o enviou para administrar as propriedades da família na zona rural de Bengala Oriental, perto de Shelaidaha, às margens do rio Padma, região que hoje fica em Bangladesh. Ele passou boa parte da década seguinte morando em um barco, viajando pelos rios e conhecendo agricultores, barqueiros e famílias das aldeias.
Essa experiência transformou sua escrita. Ele escreveu belas cartas sobre as paisagens fluviais, reunidas mais tarde em Glimpses of Bengal, e uma série de contos sobre pessoas comuns das aldeias: um funcionário dos correios solitário e a menina órfã que trabalha para ele, um vendedor de frutas de Cabul que faz amizade com uma garotinha em Calcutá e jovens esposas presas a casamentos infelizes. Tagore é frequentemente chamado de criador do conto bengali moderno; suas histórias foram reunidas em Galpaguchchha (“um buquê de histórias”).
Os contos são delicados, mas também críticos. Mostram a crueldade do sistema de dotes, a solidão causada pelo casamento infantil e a distância entre os moradores instruídos das cidades e os pobres do campo. Muitos foram adaptados para o cinema, inclusive pelo diretor bengali Satyajit Ray.
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Santiniketan e Visva-Bharati: uma escola sob as árvores
Em 1901, Tagore abriu uma pequena escola em Santiniketan (“morada da paz”), um ashram criado por seu pai na região rural e seca de Birbhum, a cerca de 160 km ao norte de Calcutá. No começo, havia apenas alguns alunos. Tagore queria que as crianças aprendessem em harmonia com a natureza, por meio da música, do teatro, da arte e da observação direta, em vez de apenas decorar conteúdos para as provas. As aulas muitas vezes aconteciam ao ar livre, debaixo das árvores, costume que continua até hoje.
Com o passar dos anos, a escola cresceu e se tornou uma universidade internacional, a Visva-Bharati, fundada formalmente em 1921. Tagore convidou estudiosos da Europa e da Ásia para lecionar ali, incluindo especialistas em estudos chineses, tibetanos e islâmicos. Investiu na instituição o dinheiro do Prêmio Nobel e grande parte de sua renda. Sua escola de arte, Kala Bhavana, tornou-se um centro da arte moderna indiana. Em 1951, depois da morte de Tagore, a Visva-Bharati tornou-se uma universidade central da Índia.
Nas proximidades, em Sriniketan, Tagore e o economista agrícola inglês Leonard Elmhirst começaram, no início da década de 1920, um instituto de desenvolvimento rural. Ele atuava na agricultura, na saúde, no artesanato e em cooperativas, refletindo a convicção de Tagore de que a liberdade da Índia precisava começar por aldeias capazes de sustentar a si mesmas, e não apenas pela política das cidades. Em 2023, Santiniketan foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
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Gitanjali e o Prêmio Nobel
Gitanjali (“oferenda de canções”) foi publicado em bengali em 1910, com 157 poemas e canções de devoção dirigidos a uma presença divina que é, ao mesmo tempo, Deus, amigo, amado e a vida do mundo. Em 1912, durante uma viagem à Inglaterra, Tagore fez suas próprias traduções em prosa inglesa de alguns desses poemas e de outros. Em Londres, o pintor William Rothenstein mostrou os textos ao poeta irlandês W. B. Yeats, que se comoveu profundamente e escreveu uma introdução.
A versão inglesa, Gitanjali: Song Offerings, saiu em novembro de 1912 com 103 poemas em prosa: 53 do Gitanjali bengali e os demais de outras coletâneas. As traduções eram bastante livres: Tagore encurtou, reorganizou e até combinou poemas, transformando canções bengalis rimadas em prosa rítmica inglesa. Leitores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos admiraram a simplicidade e a profundidade espiritual da obra.
Em 13 de novembro de 1913, a Academia Sueca anunciou que Tagore havia recebido o Prêmio Nobel de Literatura. A instituição elogiou seus versos profundamente sensíveis, novos e belos, que ele havia incorporado à literatura do Ocidente com grande habilidade, usando suas próprias palavras em inglês. Ele foi o primeiro não europeu a receber o prêmio. Tornou-se mundialmente famoso de um dia para o outro, e o prêmio foi celebrado em toda a Ásia como sinal de que escritores asiáticos podiam ocupar um lugar ao lado dos europeus.
Um dos poemas mais conhecidos do Gitanjali inglês (nº 35) começa imaginando um lugar onde a mente está livre do medo e a cabeça se mantém erguida. Ele sonha com um país livre, onde o conhecimento é acessível a todos e o mundo não é dividido por barreiras estreitas. Ainda hoje é recitado nas escolas indianas.
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Romances, canções, peças de teatro e pinturas
Tagore escreveu oito romances e várias novelas. Chokher Bali (1903) explora os desejos de uma jovem viúva numa sociedade que proibia as viúvas de se casar novamente. Gora (publicado em capítulos entre 1907 e 1910) acompanha um nacionalista hindu rigorosamente ortodoxo que descobre ter nascido de pais irlandeses, revelação que abala suas ideias sobre pureza e castas. O lar e o mundo (Ghare Baire, 1916) se passa durante o movimento Swadeshi contra a divisão de Bengala e mostra como um líder nacionalista carismático manipula uma jovem esposa e divide uma família.
A música estava no centro da vida criativa de Tagore. Ele compôs cerca de 2.230 canções, conhecidas como Rabindra Sangeet, inspirando-se na música clássica indiana, em tradições populares bengalis como as canções dos bauls itinerantes e até em melodias ocidentais. Elas expressam sentimentos e temas variados, da devoção e do amor às estações do ano e ao patriotismo, e continuam sendo parte essencial da cultura bengali dos dois lados da fronteira.
Ele escreveu muitas peças, entre elas O correio (Dak Ghar, 1912), sobre um menino doente que sonha com o mundo além de sua janela. Em 1942, no Gueto de Varsóvia, o educador Janusz Korczak a encenou com os órfãos sob seus cuidados, pouco antes de serem deportados e assassinados em Treblinka. Mais tarde, a partir dos sessenta anos, Tagore também se tornou pintor e produziu muitos desenhos e pinturas marcantes, semelhantes a sonhos, que foram expostos na Europa a partir de 1930.
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Liberdade sem ódio: Tagore e o nacionalismo
Quando os britânicos dividiram Bengala em 1905, Tagore participou do movimento de protesto. Escreveu canções patrióticas como “Amar Shonar Bangla” e liderou passeatas nas quais hindus e muçulmanos amarravam fios nos pulsos uns dos outros como sinal de fraternidade. Mas, quando o movimento passou a promover boicotes que prejudicavam comerciantes pobres e a recorrer à violência, ele se afastou. Em O lar e o mundo, explorou suas dúvidas.
Durante viagens ao Japão e aos Estados Unidos em 1916 e 1917, deu palestras publicadas em Nacionalismo (1917). Nelas, distinguia a cultura viva de um povo da “Nação” entendida como uma máquina organizada para obter poder, lucro e meios de fazer guerra. Elogiava as conquistas do Japão, mas alertava os japoneses para que não imitassem o nacionalismo agressivo do Ocidente. A mensagem não foi bem recebida no país, especialmente porque o Japão expandia seu império. Ele apresentou argumentos semelhantes na Índia, onde muitos nacionalistas o consideravam cauteloso demais.
Em 1919, depois que tropas britânicas atiraram contra uma multidão desarmada em Jallianwala Bagh, na cidade de Amritsar, matando centenas de pessoas, Tagore escreveu ao vice-rei para renunciar ao título de cavaleiro que recebera em 1915. Disse que queria ficar ao lado de seus compatriotas, tratados como se valessem menos que outros seres humanos. Foi um dos protestos públicos mais conhecidos contra o massacre.
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Tagore, Gandhi e o mundo
Tagore e Mahatma Gandhi admiravam um ao outro. Costuma-se dizer que cada um deu ao outro seu título célebre, Gurudev e Mahatma, embora a origem exata desses títulos seja debatida. Eles também discordavam em público. No início da década de 1920, Tagore criticou o movimento de não cooperação de Gandhi e seu apelo para que todos fiassem tecido na charkha, a roda de fiar. Argumentava que isso desestimulava o pensamento independente e rejeitava o conhecimento ocidental de maneira ampla demais. Em 1934, repreendeu Gandhi por chamar um terrível terremoto em Bihar de castigo divino pelo pecado da intocabilidade, insistindo que desastres naturais não deveriam receber significados morais. Seus debates ainda são lidos como exemplo de discordância respeitosa.
Tagore viajou para mais de trinta países. Visitou o Japão várias vezes, deu palestras na China em 1924, onde alguns jovens radicais protestaram que sua mensagem espiritual estava ultrapassada, e foi à América do Sul, ao Sudeste Asiático, ao Irã, ao Iraque e à União Soviética. Encontrou personalidades como Romain Rolland, H. G. Wells e Albert Einstein, com quem teve uma conversa célebre sobre a natureza da realidade em 1930.
A Coreia tem uma ligação especial com ele. Em 1929, enquanto estava no Japão, escreveu um poema curto para leitores coreanos que foi publicado no jornal Dong-A Ilbo. O poema descreve a Coreia como uma das portadoras da luz da era de ouro da Ásia e expressa a esperança de que essa luz volte a brilhar no Oriente. Sob o domínio colonial japonês, essa “Lâmpada do Oriente” tornou-se uma mensagem de esperança muito estimada. Algumas versões mais longas que circulam hoje acrescentam versos de Gitanjali que não faziam parte do poema original.
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Últimos anos e legado
Tagore continuou a escrever, pintar e viajar depois dos setenta anos. Nos últimos anos de vida, manifestou-se contra o fascismo e o militarismo japonês. Em seu aniversário de oitenta anos, em 1941, fez uma palestra intitulada “Crise na civilização”, na qual condenou a crueldade do domínio britânico e a violência que se espalhava pelo mundo, mas terminou reafirmando sua fé na humanidade. Morreu na casa de Jorasanko em 7 de agosto de 1941.
Seu legado é imenso. Mais do que qualquer outro escritor, ajudou a moldar a língua e a literatura bengalis modernas, e suas canções são cantadas diariamente em dois países. Tanto a Índia quanto Bangladesh usam composições suas como hinos nacionais. O hino nacional do Sri Lanka foi escrito por Ananda Samarakoon, que estudou em Santiniketan; há quem afirme que Tagore compôs sua melodia ou letra, mas essa afirmação é contestada.
Sua fama no Ocidente cresceu rapidamente e depois diminuiu a partir da década de 1920, em parte porque as traduções inglesas o faziam parecer um místico de ideias vagas. Desde o fim do século XX, novas traduções, biografias e pesquisas têm mostrado uma figura mais complexa: um escritor que experimentava formas modernas em bengali, um crítico do nacionalismo e um pensador da educação e da cidadania mundial.
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Debates acadêmicos: o “místico”, a tradução e o cosmopolitismo
A tradução é uma questão central para os estudiosos. A fama internacional de Tagore se apoiou em suas próprias versões em prosa inglesa, que simplificaram seus versos bengalis, retiraram rimas e musicalidade e deram mais destaque à devoção do que à variedade de temas sociais e experimentações de sua obra. Críticos de língua bengali há muito argumentam que leitores que não conhecem o idioma leem um “Tagore ocidental” bastante diferente do poeta conhecido em Bengala. Tradutores posteriores, como William Radice e Ketaki Kushari Dyson, procuraram recuperar a diversidade e a elaboração formal dos originais.
Um segundo debate diz respeito à sua política. Alguns críticos de sua época viam sua oposição ao nacionalismo como ingênua ou elitista: a opinião de um proprietário de terras afastado da luta popular. Autores posteriores, especialmente Ashis Nandy em The Illegitimacy of Nationalism (1994) e Amartya Sen em ensaios reunidos em The Argumentative Indian (2005), reinterpretaram Tagore como um importante crítico do nacionalismo que defendia, ao mesmo tempo, a razão, o pluralismo e a liberdade diante do colonialismo. Outros alertam que seu universalismo cosmopolita podia deixar de lado as realidades de casta e classe, embora ele também tenha combatido a intocabilidade.
Por fim, historiadores da religião discutem até que ponto a espiritualidade de Tagore pertence à tradição Brahmo de seu pai, aos Upanishads, à poesia devocional vaishnava de Bengala ou aos cantores bauls e místicos influenciados pelo sufismo, como Kabir, cujos poemas ele traduziu com Evelyn Underhill em 1915. Hoje, a maioria dos estudiosos vê seu pensamento religioso como uma síntese criativa, e não como uma doutrina fixa.
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Fontes: um arquivo imenso
Tagore deixou um dos maiores conjuntos de escritos de qualquer autor moderno: milhares de poemas e canções, peças, romances, contos, ensaios, palestras proferidas em vários países e muitos milhares de cartas, além de manuscritos cheios de rabiscos que se transformaram em sua arte. A edição padrão de suas obras reunidas em bengali, Rabindra Rachanabali, ocupa muitos volumes. O arquivo Rabindra Bhavana, na Visva-Bharati, guarda manuscritos, cartas, fotografias e pinturas.
Os registros em inglês são complexos porque Tagore frequentemente reescrevia suas obras em vez de simplesmente traduzi-las e porque alguns textos ingleses foram editados por outras pessoas. Por isso, os estudiosos comparam os originais bengalis, as versões inglesas e os rascunhos manuscritos. Reminiscences (Jiban-smriti, 1912) e My Boyhood Days são fontes importantes sobre seus primeiros anos, mas são memórias cuidadosamente elaboradas, escritas décadas depois dos acontecimentos.
A biografia moderna em inglês mais conhecida é Rabindranath Tagore: The Myriad-Minded Man, de Krishna Dutta e Andrew Robinson (1995), baseada em fontes bengalis e inglesas. Os estudos em bengali, especialmente a biografia em vários volumes de Prasanta Kumar Pal, são ainda mais ricos. Quem depende apenas do inglês deve levar em conta essa diferença.
Ideias principais
- Unidade da humanidade
- Tagore acreditava que todas as culturas pertencem a uma mesma família humana e devem aprender umas com as outras, em vez de competir.
- Crítica à “Nação”
- Ele distinguia as culturas vivas do Estado-nação moderno visto como uma máquina de poder, lucro e guerra, e alertava contra o nacionalismo agressivo tanto na Ásia quanto no Ocidente.
- Educação com liberdade e contato com a natureza
- Suas escolas buscavam desenvolver a criança por inteiro por meio da natureza, da arte, da música e da curiosidade, em vez da memorização mecânica.
- Jivan-devata (“senhor da vida”)
- Uma presença divina pessoal em sua poesia, que guia a vida do poeta e é, ao mesmo tempo, próxima e universal.
- Autossuficiência rural
- Em Sriniketan, ele defendia que a verdadeira liberdade precisava começar por aldeias saudáveis, instruídas e organizadas de modo cooperativo.
- Harmonia dos opostos
- Sua obra reúne alegria e tristeza, Oriente e Ocidente, tradição e inovação, o finito e o infinito.
- Coragem de seguir a consciência
- Ao renunciar ao título de cavaleiro e debater com Gandhi, ele defendeu o direito de discordar abertamente e sem violência.
Registros
- 1861 — Nasce em Jorasanko, Calcutá, em 7 de maio.
- 1878 — Vai estudar na Inglaterra; volta em 1880 sem obter um diploma.
- 1890 — Começa a administrar as propriedades da família em Shelaidaha, em Bengala Oriental; escreve muitos contos na década de 1890.
- 1901 — Funda uma escola em Santiniketan.
- 1905 — Participa dos protestos contra a divisão de Bengala; escreve “Amar Shonar Bangla”.
- 1910 — Publica Gitanjali em bengali; termina a publicação de Gora em capítulos.
- 1912 — Gitanjali: Song Offerings é publicado em inglês, em Londres, com introdução de Yeats.
- 1913 — Recebe o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro laureado não europeu.
- 1916 — Publica O lar e o mundo; dá palestras sobre nacionalismo no Japão e nos Estados Unidos (1916–1917).
- 1919 — Renuncia ao título de cavaleiro em protesto contra o massacre de Jallianwala Bagh.
- 1921 — A Visva-Bharati é fundada formalmente em Santiniketan.
- 1941 — Faz a palestra “Crise na civilização” e morre em Calcutá em 7 de agosto.
Glossário
- Bengali (bangla)
- Língua de Bengala, falada hoje por mais de 200 milhões de pessoas em Bangladesh e na Índia.
- Renascimento de Bengala
- Período de florescimento da literatura, da reforma religiosa, da ciência e das reformas sociais em Bengala, no século XIX e no início do século XX.
- Brahmo Samaj
- Movimento de reforma do hinduísmo fundado em 1828 que rejeitava o culto a ídolos e dava destaque aos Upanishads; o pai de Tagore foi um de seus líderes.
- Rabindra Sangeet
- Conjunto de cerca de 2.230 canções compostas por Tagore, com letras e músicas de sua autoria.
- Santiniketan
- “Morada da paz”: o ashram e a escola fundados pela família Tagore na zona rural de Bengala, hoje Patrimônio Mundial da UNESCO.
- Visva-Bharati
- Universidade fundada por Tagore em 1921, cujo nome sugere “o mundo em comunhão com a Índia”.
- Swadeshi
- “Do próprio país”: movimento de boicote aos produtos britânicos, especialmente após a divisão de Bengala em 1905.
- Baul
- Cantores místicos itinerantes de Bengala, cujas canções sobre a devoção interior influenciaram muito Tagore.
- Jallianwala Bagh
- Jardim em Amritsar onde tropas britânicas mataram centenas de indianos desarmados em 13 de abril de 1919.
- Gurudev
- Título honorífico que significa “mestre venerado”, muito usado para se referir a Tagore.
Perguntas e respostas
Tagore realmente escreveu dois hinos nacionais?
Sim. Ele compôs a letra e a música de “Jana Gana Mana”, hino da Índia, e de “Amar Shonar Bangla”, hino de Bangladesh. Escreveu as duas canções muito antes da independência desses países.
Por que Tagore não gostava da escola?
Ele achava que as escolas de sua época pareciam prisões, onde as crianças decoravam conteúdos sem alegria. Por isso, criou uma escola em que elas aprendiam ao ar livre, por meio da música, da arte e da natureza.
Por qual obra ele recebeu o Prêmio Nobel?
Por Gitanjali: Song Offerings, a versão inglesa de seus poemas. A Academia Sueca elogiou seus versos sensíveis, novos e belos, que ele havia expressado em suas próprias palavras em inglês.
Tagore e Gandhi se davam bem?
Eles se respeitavam profundamente, mas discordavam em público sobre o nacionalismo, a roda de fiar e o significado dos desastres naturais. Para ambos, uma discordância sincera podia fazer parte da amizade.
Por que ele renunciou ao título de cavaleiro?
Para protestar contra o massacre de Jallianwala Bagh, em 1919, quando tropas britânicas mataram centenas de pessoas desarmadas em Amritsar.
O Gitanjali em inglês é uma tradução fiel?
Não em sentido estrito. Tagore selecionou, reorganizou e reescreveu livremente seus poemas bengalis em prosa inglesa. Os estudiosos consideram o Gitanjali inglês, em parte, uma obra nova.
Sobre o que é o poema “Lâmpada do Oriente”, dedicado à Coreia?
É um poema curto que Tagore escreveu em 1929 para leitores coreanos e que foi publicado no Dong-A Ilbo. Ele chama a Coreia de portadora da luz da era de ouro da Ásia. Algumas versões populares acrescentam, por engano, versos de Gitanjali.
Fontes e leituras adicionais
- Rabindranath Tagore. Wikipedia
- 라빈드라나트 타고르. 위키백과 (Korean Wikipedia)
- Rabindranath Tagore – Facts. NobelPrize.org
- Gitanjali. Wikipedia
- Visva-Bharati University. Wikipedia
- Krishna Dutta and Andrew Robinson, Rabindranath Tagore: The Myriad-Minded Man. Bloomsbury, 1995
- Ashis Nandy, The Illegitimacy of Nationalism: Rabindranath Tagore and the Politics of Self. Oxford University Press, 1994
- Amartya Sen, The Argumentative Indian. Allen Lane, 2005
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- Natsume SosekiRomancista japonês cuja ficção explora a mudança social, a solidão e a tensão entre desejos pessoais e obrigações.
- Lu XunEscritor e crítico chinês cuja ficção e cujos ensaios examinaram a hierarquia social, os costumes e as pressões da mudança moderna.
- Movimento Primeiro de MarçoUm movimento coreano pela independência começou com declarações públicas e manifestações em 1º de março de 1919 e se espalhou pela península.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
