Patrimônio

Grande Mesquita de Djenné

Grande mosquée de Djenné (Djenné, Mali)

1907 · Djenné (Sudão Francês)

Em uma frase

A Grande Mesquita de Djenné, no Mali, reconstruída em 1906–1907 pela guilda de pedreiros da cidade sobre o local de uma mesquita muito mais antiga, é o maior edifício de tijolos de barro do mundo e é replastrada todos os anos por toda a comunidade.

Grande Mesquita de Djenné
Imagem: Andy Gilham · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

Imagine um prédio do tamanho de um campo de futebol, com torres altas e paredes cheias de espinhos, feito quase inteiramente de barro. Essa é a Grande Mesquita de Djenné, no país da África Ocidental chamado Mali.

Djenné é uma cidade antiga situada entre dois grandes rios, o Níger e o Bani. Todos os anos os rios transbordam, e por alguns meses a cidade vira uma ilha. Por isso, a mesquita fica sobre uma plataforma alta, como um palco, para manter os pés secos.

As paredes são feitas de tijolos de barro do rio misturado com palha, secos ao sol e depois cobertos com um reboco de barro bem liso. Varetas de madeira de palmeira saem das paredes como os espinhos de um ouriço. Parecem só decoração, mas também servem de escada, que fica sempre presa na parede.

A chuva vai lavando o barro aos poucos. Por isso, uma vez por ano a cidade inteira faz uma festa para consertar a mesquita. As crianças mexem grandes poças de reboco de barro, mulheres e meninas carregam água, os homens sobem nas paredes com cestos de barro e o espalham, e os mestres construtores dizem a todos o que fazer. Os mais velhos ficam sentados na praça do mercado observando.

Existe uma mesquita nesse local há cerca de 700 anos ou mais, mas o prédio que vemos hoje foi terminado em 1907. Diz-se que a primeira mesquita surgiu quando um rei de Djenné se converteu ao islã e transformou seu palácio em mesquita.

Hoje a mesquita é o símbolo de Djenné e do Mali. Ela aparece no brasão de armas do Mali e, junto com a cidade antiga, é um Patrimônio Mundial da UNESCO.

Em resumo

Localização
Djenné, na planície de inundação do rio Bani, no Delta Interior do Níger, região de Mopti, no centro do Mali
Edifício atual
Reconstruído em 1906–1907 sob a direção do mestre pedreiro Ismaila Traoré, no local de mesquitas anteriores
Primeira mesquita
Segundo a tradição, foi fundada quando o governante Koi Konboro se converteu ao islã; as datas propostas vão de cerca de 1200 a 1330
Materiais
Tijolos de terra secos ao sol (ferey), argamassa de terra e reboco de terra; vigas de palmeira rônier e varetas projetantes (toron)
Tamanho
Plataforma elevada de cerca de 75 × 75 m, 3 m acima da praça do mercado; torre central da qibla com cerca de 16 m de altura; salão de oração sustentado por cerca de 90 pilares de terra
Estilo
Arquitetura de terra sudano-saheliana
Status de patrimônio
Parte do Patrimônio Mundial da UNESCO “Cidades Antigas de Djenné” (1988); na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo desde 2016
Manutenção
Festival anual de replastragem comunitária (crépissage) dirigido pela guilda de pedreiros

Fácil

O que é a Grande Mesquita de Djenné?

A Grande Mesquita de Djenné é a mesquita de sexta-feira de Djenné, uma cidade pequena, mas muito antiga, no centro do Mali. É usada toda semana para as orações comunitárias e é o coração da vida religiosa da cidade. É também um dos edifícios mais famosos da África: suas altas torres de terra e paredes eriçadas aparecem em cartões-postais, filmes e jogos, e no brasão de armas nacional do Mali.

É frequentemente chamada de maior edifício de tijolos de barro (adobe) do mundo. Quase tudo nela, da plataforma ao telhado, é feito de terra retirada da planície ao redor, junto com madeira de palmeira. Como a terra é macia e a chuva é forte, o edifício só sobrevive porque as pessoas o reparam todos os anos. Isso faz da mesquita não apenas um monumento, mas uma tradição viva.

O edifício que vemos hoje foi concluído em 1907, mas fica sobre um local onde mesquitas existem há muitos séculos. Sua história liga reinos medievais da África Ocidental, o saber islâmico, um movimento reformista do século XIX, o domínio colonial francês e os desafios atuais de proteger o patrimônio.

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Fácil

Como “ler” o edifício

Comece por fora, na praça do mercado, a leste. Você vê a parede da qibla, a parede voltada para Meca, para onde os muçulmanos se voltam ao rezar. Três torres enormes em forma de caixa se erguem dela; a central tem cerca de 16 metros de altura. Cada torre termina em pináculos cônicos encimados por ovos de avestruz, e entre elas dezoito contrafortes, cada um com seu próprio pináculo, dão à parede um ritmo semelhante a uma fileira de pilares.

A mesquita inteira fica sobre uma plataforma elevada de cerca de 75 metros quadrados de lado e 3 metros de altura, alcançada por seis lances de escada. A plataforma a protege quando o rio Bani transborda. O contorno do edifício não é um quadrado perfeito: suas paredes estão levemente desalinhadas, dando-lhe uma forma trapezoidal.

Por dentro, a metade oriental é um salão de oração coberto de cerca de 26 por 50 metros. Seu pesado telhado de terra é sustentado por nove paredes paralelas perfuradas por arcos ogivais, que juntas formam uma “floresta” de cerca de noventa pilares retangulares grossos. Pouca luz entra por pequenas janelas, então o salão é escuro e fresco. Aberturas no telhado são cobertas por tampas de cerâmica que podem ser levantadas para deixar sair o ar quente.

A metade ocidental é um pátio aberto cercado em três lados por galerias com arcadas; a galeria ocidental é reservada às mulheres. Na torre central da parede da qibla fica o mihrab principal, o nicho de onde o imã conduz a oração, e ao lado dele o minbar, o púlpito do sermão de sexta-feira.

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Fácil

Construindo com terra

Os edifícios de Djenné são feitos de terra da planície do rio, misturada com palha picada e moldada em tijolos que secam ao sol. Tradicionalmente, os pedreiros de Djenné usavam tijolos arredondados, moldados à mão, chamados djenné-ferey; tijolos retangulares feitos em fôrmas de madeira se tornaram comuns no século XX. Os tijolos são assentados com argamassa de terra e depois cobertos com reboco feito de terra misturada com materiais como casca de arroz.

Os feixes de varetas de palmeira rônier que se projetam das paredes, chamados toron, cumprem várias funções ao mesmo tempo. Decoram a superfície, ajudam as paredes grossas a lidar com rachaduras e servem de andaime permanente para os trabalhadores. Tubos de barro se projetam da linha do telhado para afastar a água da chuva das paredes.

A terra é um material inteligente em um clima quente. As paredes grossas de barro permanecem frescas durante o dia e liberam calor à noite. Mas a terra também se dissolve com chuva forte, então um edifício de terra nunca está “pronto”. Ele precisa ser cuidado como um jardim.

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Fácil

O festival anual de replastragem

Todos os anos, antes das chuvas, o povo de Djenné realiza um festival para replastrar a mesquita, muitas vezes chamado pelo nome francês, o crépissage. Nos dias anteriores, o reboco é preparado em poças e deixado para curar; precisa ser mexido regularmente, tarefa que geralmente cabe aos meninos, que brincam felizes na lama.

No dia do festival, uma corrida decide quem será o primeiro a levar reboco até a mesquita. Os homens sobem as paredes usando os toron e escadas de madeira de palmeira e espalham reboco fresco pela superfície, enquanto outros carregam reboco das poças. Mulheres e meninas trazem água. Membros da guilda de pedreiros dirigem o trabalho, e os mais velhos, que já participaram muitas vezes, observam de lugares de honra na praça do mercado.

O festival repara os danos da estação chuvosa anterior, mas faz muito mais: renova o vínculo entre o edifício e a comunidade, passa habilidades de uma geração para outra e transforma a conservação do patrimônio em uma celebração compartilhada com música e comida.

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Intermediário

Djenné: uma cidade muito antiga de comércio e saber

Djenné fica na planície de inundação entre os rios Níger e Bani, na extremidade sul do Delta Interior do Níger. Durante a inundação anual, de cerca de julho a outubro, a cidade se transforma em uma ilha alcançada por estradas elevadas. Essa paisagem alagada sustentava o cultivo de arroz, a pesca e o comércio fluvial.

A cerca de três quilômetros da cidade moderna fica Djenné-Djeno (“Djenné antiga”), escavada por Susan e Roderick McIntosh a partir de 1977. O trabalho deles mostrou que pessoas viviam ali desde cerca de 250 a.C., que o povoado tinha uma muralha e muitos milhares de habitantes no fim do primeiro milênio d.C., e que comerciava a longas distâncias antes da chegada dos comerciantes árabes do norte da África. Isso derrubou a ideia mais antiga de que as cidades da África Ocidental foram criadas por contato externo. O sítio antigo foi gradualmente abandonado por volta de 1400, enquanto a cidade atual, ocupada pela primeira vez depois de cerca de 1000 d.C., prosperou.

Entre os séculos XV e XVII, Djenné foi um elo fundamental no comércio transaariano. Sal de Taghaza, no Saara, e ouro da zona florestal ao sul, além de pessoas escravizadas, passavam por Djenné e Tombuctu. O governante songai Sonni Ali tomou a cidade em 1471 após um longo cerco. O cronista al-Saadi, escrevendo no século XVII, chamou Djenné de “um dos grandes mercados dos muçulmanos”. Djenné e Tombuctu também eram centros de saber islâmico, com muitas escolas corânicas.

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Intermediário

As primeiras mesquitas: um palácio transformado em lugar de oração

O relato escrito mais antigo sobre a mesquita está no Tarikh al-Sudan, de al-Saadi, concluído em meados do século XVII e presumivelmente baseado em tradição oral. Ele diz que o sultão Kunburu (Koi Konboro) se converteu ao islã, mandou demolir seu palácio e transformou o local em mesquita, construindo para si um novo palácio nas proximidades. Seu sucessor acrescentou as torres, e o governante seguinte, o muro ao redor.

Ninguém sabe exatamente quando isso aconteceu. As datas sugeridas vão de cerca de 1200 a 1330; a tradição em língua francesa costuma indicar 1238. Como a história vem de uma crônica escrita séculos depois, os historiadores a tratam como uma tradição fundadora, e não como um registro preciso.

O historiador da arquitetura Labelle Prussin propôs uma história mais complicada, na qual a mesquita foi reconstruída várias vezes: sob governantes posteriores de Djenné, pelo governante songai Askia Muhammad por volta de 1500, e novamente após a invasão marroquina da década de 1590. O que é certo é que, no século XIX, havia no local uma grande e muito antiga mesquita de terra.

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Intermediário

Reforma, ruína e conquista no século XIX

Por volta de 1818–1819, o reformador fula Seku Amadu (Ahmadu Lobbo), fundador do Estado de Massina e inspirado pelo jihad de Usman dan Fodio na terra hauçá, tomou Djenné. Ele considerava a antiga mesquita, um palácio convertido e ricamente decorado, luxuosa demais para o islã austero que pregava. Deixou-a cair em ruínas, fechou as pequenas mesquitas de bairro e, na década de 1830, construiu uma nova mesquita grande e baixa, sem torres, em outra parte do local.

Quando o explorador francês René Caillié visitou Djenné em 1828, disfarçado de viajante muçulmano, ele descreveu uma mesquita de terra com duas torres enormes, “construídas de forma rudimentar, embora muito grandes”, abandonada a milhares de andorinhas. Djenné passou depois para o império toucouleur de al-Hajj Umar Tal (1861), e em abril de 1893 as forças francesas comandadas por Louis Archinard a ocuparam.

O jornalista francês Félix Dubois a visitou logo depois e descreveu as ruínas da antiga mesquita, cujo interior era então usado como cemitério. Seu livro Tombouctou la mystérieuse (1897), com uma planta e um desenho reconstituídos, tornou Djenné famosa na Europa e nos Estados Unidos.

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Intermediário

A reconstrução de 1906–1907

Em 1906, a cidade organizou a reconstrução da antiga mesquita em seu local original e a construção de uma escola (madrasa) para substituir a mesquita de Seku Amadu. Segundo relatos em língua francesa, o governador colonial William Ponty aprovou o projeto a pedido de um líder religioso local. A obra foi concluída em 1907 sob a direção de Ismaila Traoré, chefe da guilda de pedreiros de Djenné, famoso em toda a região. A administração colonial apoiou o projeto administrativa e financeiramente, e trabalho forçado foi utilizado.

Fotografias antigas sugerem que pelo menos algumas paredes externas seguem as linhas da mesquita anterior, mas não está claro se os pilares internos mantiveram o arranjo antigo. O que quase certamente era novo era o conjunto simétrico de três grandes torres na parede da qibla.

Desde 1907, o desenho mudou pouco. A torre do mihrab já teve um par de grandes reentrâncias; as paredes originalmente tinham muito menos toron, e duas fileiras extras foram acrescentadas no início da década de 1990. Em 1930, o exército francês construiu uma cópia imprecisa em cimento, a mesquita Missiri, em Fréjus, no sul da França, para os soldados coloniais da África Ocidental.

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Intermediário

Significado religioso e cívico

Para o povo de Djenné, a mesquita é, antes de tudo, um lugar de culto e o centro de uma comunidade islâmica com uma longa tradição erudita. O terraço em frente à parede oriental abriga dois túmulos, incluindo o de Almany Ismaïla, um importante imã do século XVIII. O mercado realizado toda semana na praça em frente à mesquita une a vida religiosa e a econômica, como acontece há séculos.

A mesquita também se tornou um símbolo nacional. Ela aparece no brasão de armas do Mali e é amplamente usada como emblema da cultura maliana e da África Ocidental. Sua forma influenciou outras mesquitas da região, como a Grande Mesquita de Mopti (1935), e um estilo “neossudanês” mais amplo.

A população local tem defendido repetidamente sua própria ideia sobre a mesquita. Resistiu a modernizações que mudaram outras mesquitas malianas, como o revestimento das paredes com azulejos, ainda que um sistema de alto-falantes tenha sido instalado. Segundo fontes em língua francesa, a mesquita foi fechada a não muçulmanos depois que um ensaio fotográfico de moda em seu interior e no telhado foi considerado uma violação de um acordo com as autoridades locais.

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Intermediário

Conservação, conflito e patrimônio em perigo

Em 1988, a UNESCO inscreveu as “Cidades Antigas de Djenné” na Lista do Patrimônio Mundial. A propriedade inclui a cidade histórica, com sua mesquita e quase duas mil casas tradicionais construídas sobre pequenos montículos (toguere) acima da inundação, além dos sítios arqueológicos de Djenné-Djeno, Hambarketolo, Kaniana e Tonomba.

A conservação nem sempre transcorreu sem problemas. Em janeiro de 2006, a visão de trabalhadores inspecionando o telhado para um projeto de restauração financiado pela Fundação Aga Khan para a Cultura provocou um tumulto na cidade, no qual uma pessoa morreu. Em novembro de 2009, a parte superior da torre sul da qibla desabou após chuva forte; a Fundação Aga Khan financiou sua reconstrução.

Em julho de 2016, o Comitê do Patrimônio Mundial colocou as Cidades Antigas de Djenné na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. Citou a insegurança na região, que impedia o trabalho de proteção, além da deterioração dos materiais de construção, da urbanização e da erosão dos sítios arqueológicos. O conflito armado no centro do Mali também reduziu o turismo, uma importante fonte de renda para a cidade.

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Avançado

Autoria de quem? O debate sobre a influência colonial

O edifício de 1907 levantou um debate que ainda molda a interpretação da mesquita. Félix Dubois, retornando em 1910, ficou chocado; culpou a administração francesa pelo desenho e zombou das torres, dizendo que pareciam um cruzamento entre um ouriço e um órgão de igreja. O etnógrafo Michel Leiris, viajando em 1931, também a chamou de obra de europeus e relatou insatisfação local.

Contra essa visão, Jean-Louis Bourgeois, em um estudo detalhado publicado na revista African Arts em 1987, argumentou que a influência francesa foi mínima, talvez limitada aos arcos internos, e que o desenho é “basicamente africano”, construído pela guilda tradicional de pedreiros com técnicas tradicionais. Outros autores sobre a arquitetura sudano-saheliana afirmam que engenheiros franceses deram orientação e que arquitetos coloniais promoveram um estilo “neossudanês” simétrico e monumental, do qual a mesquita reconstruída se tornou um modelo.

O desacordo é, em parte, sobre evidências (o que os funcionários franceses realmente fizeram) e, em parte, sobre categorias. Os pedreiros de Djenné sempre reconstruíram e remodelaram edifícios de terra; um edifício “tradicional” renovado todos os anos nunca é um original fixo. Estudos recentes tendem a ver a mesquita como uma criação local realizada sob condições coloniais, na qual a própria política de Djenné também importou: boa parte da elite islâmica, humilhada pela destruição da antiga mesquita por Seku Amadu, queria vê-la restaurada em seu local original.

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Avançado

Autenticidade, fontes e patrimônio vivo

A Grande Mesquita desafia as ideias ocidentais de patrimônio que valorizam o material original. Quase nada de sua superfície tem mais do que alguns anos, e ainda assim sua autenticidade está na continuidade da forma, do material, da habilidade e do ritual comunitário. O antropólogo Trevor Marchand, que se formou com os pedreiros de Djenné, mostrou como o conhecimento passa pelo aprendizado com mestres e pela guilda, e como o festival anual reproduz relações sociais além das paredes.

O status de patrimônio teve efeitos mistos. Um levantamento da cidade em 1984 identificou 134 casas de dois andares arquitetonicamente importantes, mas em 1995 cerca de 30% delas já tinham sido demolidas e substituídas, apesar das restrições do Patrimônio Mundial. Um projeto financiado pelos Países Baixos, de 1996 a 2003, restaurou cerca de cem casas antigas, às vezes com reconstrução completa. Os moradores às vezes se ressentiram de regras que limitam como podem modernizar suas próprias casas.

Para a história antiga, as principais fontes escritas são as crônicas de Tombuctu do século XVII, especialmente o Tarikh al-Sudan de al-Saadi (traduzido por John Hunwick), e elas discordam sobre a relação de Djenné com o império do Mali: uma afirma que o Mali atacou Djenné noventa e nove vezes sem sucesso, enquanto o Tarikh al-fattash apresenta o governante de Djenné como um vassalo. O testemunho europeu começa apenas com Antonio Malfante (1447), escritores portugueses e, para o edifício em si, Caillié (1828) e Dubois (década de 1890). O trabalho arqueológico na cidade e em Djenné-Djeno continua sendo a principal verificação independente dessas narrativas.

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Ideias principais

Arquitetura de terra
Construir com tijolo de barro seco ao sol e reboco de terra, bem adaptado a climas quentes e secos, mas dependente de manutenção constante.
Manutenção como tradição
A mesquita sobrevive porque a comunidade a replastra todos os anos; o ritual é parte do patrimônio tanto quanto o próprio edifício.
Estilo sudano-saheliano
Uma tradição arquitetônica da África Ocidental de paredes de terra, contrafortes, pináculos e vigas de madeira projetantes, vista de Djenné a Tombuctu e além.
De palácio a mesquita
Segundo a tradição, a primeira mesquita foi fundada quando um governante convertido abriu mão de seu palácio, uma história que liga a realeza ao islã em Djenné.
Autoria colonial versus local
Estudiosos debatem até que ponto o desenho de 1907 reflete o gosto colonial francês ou as tradições dos pedreiros de Djenné.
Patrimônio vivo
Autenticidade entendida como continuidade de habilidade, uso e comunidade, e não como preservação do material original.
Patrimônio em perigo
Insegurança, urbanização e erosão colocaram as Cidades Antigas de Djenné na lista de perigo da UNESCO desde 2016.

Registros

  1. c. 250 a.C. — Djenné-Djeno, a cidade predecessora perto da atual Djenné, é permanentemente ocupada pela primeira vez.
  2. c. 1250 — Segundo a tradição, o governante Koi Konboro se converte ao islã e transforma seu palácio em mesquita (datas propostas entre c. 1200–1330).
  3. 1471 — O governante songai Sonni Ali toma Djenné após um longo cerco.
  4. c. 1655 — O Tarikh al-Sudan, de al-Saadi, registra a história fundadora da mesquita e elogia Djenné como um grande mercado.
  5. c. 1818 — Seku Amadu, de Massina, toma Djenné e deixa a antiga mesquita cair em ruínas.
  6. 1828 — René Caillié visita a cidade e descreve a mesquita antiga, então abandonada.
  7. c. 1834 — Seku Amadu constrói uma nova mesquita austera em outra parte do local.
  8. 1893 — Forças francesas comandadas por Louis Archinard ocupam Djenné.
  9. 1907 — A mesquita atual é concluída sob o mestre pedreiro Ismaila Traoré (obra iniciada em 1906).
  10. 1988 — As Cidades Antigas de Djenné são inscritas na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.
  11. 2009 — Chuva forte derruba a parte superior da torre sul da qibla; ela é reconstruída.
  12. 2016 — As Cidades Antigas de Djenné são colocadas na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

Glossário

Adobe (banco)
Terra seca ao sol usada como material de construção; no Mali, é frequentemente chamada de banco.
Ferey
Tijolos de terra; djenné-ferey são os tradicionais tijolos arredondados e moldados à mão de Djenné.
Toron
Feixes de varetas de palmeira rônier que se projetam das paredes de terra, usados como decoração e andaime permanente.
Crépissage
Palavra francesa para “rebocar”; nome comumente usado para o festival anual de replastragem da mesquita em Djenné.
Qibla
A direção de Meca, para a qual os muçulmanos se voltam ao rezar; a parede da qibla é a parede voltada para essa direção.
Mihrab
Um nicho na parede da qibla que indica a direção da oração, onde o imã se posiciona.
Minbar
O púlpito de onde é pregado o sermão de sexta-feira.
Delta Interior do Níger
Uma vasta área alagada sazonal no centro do Mali, onde os rios Níger e Bani se espalham a cada ano.
Tarikh al-Sudan
“História do Sudão”, uma crônica árabe do século XVII escrita por al-Saadi, de Tombuctu.
Toguere
Pequenos montículos sobre os quais as casas da região de Djenné são construídas para ficar acima da inundação.

Perguntas e respostas

A mesquita inteira é mesmo feita de barro?

Quase. As paredes, a plataforma, os pilares e o reboco são de terra, com madeira de palmeira para as vigas do telhado e as varetas das paredes. Alguns acréscimos modernos, como um sistema de alto-falantes, foram instalados.

Por que a mesquita não derrete na chuva?

A chuva realmente leva parte dela embora. É por isso que a cidade a replastra todos os anos. A plataforma a mantém acima das inundações, e tubos de barro escoam a água da chuva do telhado.

Qual é a idade dela?

O edifício atual data de 1906–1907, mas existe uma mesquita no local desde algum momento entre cerca de 1200 e 1330, segundo a tradição.

Quem projetou a mesquita atual?

A obra foi dirigida por Ismaila Traoré, chefe da guilda de pedreiros de Djenné. O quanto os funcionários coloniais franceses influenciaram o desenho é debatido: alguns autores o veem como amplamente africano, outros destacam a orientação francesa.

Os visitantes podem entrar?

Não muçulmanos não têm sido autorizados a entrar há anos; fontes em língua francesa associam isso a um controverso ensaio fotográfico. As regras podem mudar, então os visitantes devem seguir as orientações locais.

Por que Djenné está na lista de perigo da UNESCO?

Em 2016, o Comitê do Patrimônio Mundial citou a insegurança no centro do Mali, que impedia o trabalho de proteção, além da deterioração dos materiais de construção, da urbanização e da erosão dos sítios arqueológicos.

O que torna Djenné-Djeno importante para os historiadores?

As escavações ali mostraram que uma grande cidade murada com comércio de longa distância existia desde os últimos séculos a.C., antes da chegada dos comerciantes do norte da África, mudando a forma como os historiadores entendem as origens das cidades da África Ocidental.

Fontes e leituras adicionais

  1. Great Mosque of Djenné. Wikipedia
  2. Grande mosquée de Djenné. Wikipédia (French)
  3. Djenné. Wikipedia
  4. Djenné-Djenno. Wikipedia
  5. Sudano-Sahelian architecture. Wikipedia
  6. Mali site added to List of World Heritage in Danger – UNESCO. UN News, 2016
  7. Jean-Louis Bourgeois, The History of the Great Mosques of Djenné. African Arts 20 (3), 1987
  8. John O. Hunwick, Timbuktu and the Songhay Empire: Al-Saʿdi’s Taʾrīkh al-Sūdān down to 1613 and Other Contemporary Documents. Brill, 1999
  9. Trevor H. J. Marchand, The Masons of Djenné. Indiana University Press, 2009
  10. Rogier Bedaux, Boubacar Diaby and Pierre Maas (eds.), L’architecture de Djenné (Mali): la pérennité d’un patrimoine mondial. Rijksmuseum voor Volkenkunde, Leiden, 2003

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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