História

Ichadon

異次頓 (이차돈)

c. 527 d.C. · Gyeongju (Silla)

  • Religião

Em uma frase

Ichadon foi um jovem oficial da corte do reino coreano de Silla que, segundo a tradição, deu a vida em 527 para que o budismo pudesse ser aceito pelo reino, e sua história se tornou uma das lendas de martírio mais conhecidas da Coreia.

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

Há cerca de 1.500 anos, no reino de Silla, no sudeste da Coreia, o rei Beopheung queria que seu povo seguisse o budismo, uma religião que havia vindo da Índia pela China. Seus vizinhos, Goguryeo e Baekje, já a haviam aceitado. Mas muitos nobres poderosos em Silla não gostavam da nova religião. Eles cultuavam seus próprios deuses e espíritos e não queriam que as coisas mudassem.

Um dos jovens auxiliares do rei se chamava Ichadon. Ele tinha uns vinte e poucos anos. As histórias antigas dizem que ele disse ao rei: "Se me punir, os nobres verão um milagre, e vão acreditar." O rei não queria fazer isso, mas Ichadon insistiu.

Então o rei ordenou que Ichadon fosse morto. A lenda diz que, quando ele morreu, saiu leite branco em vez de sangue vermelho, o céu escureceu, o chão tremeu e flores caíram do céu. Os nobres ficaram maravilhados e assustados, e pararam de lutar contra o budismo.

Depois disso, Silla construiu seu primeiro grande templo, chamado Heungnyunsa, em uma floresta que as pessoas consideravam sagrada. O budismo cresceu e se tornou muito importante em Silla, e mais tarde Silla construiu templos famosos como Bulguksa e a caverna de pedra Seokguram.

Cerca de trezentos anos depois da morte de Ichadon, as pessoas esculpiram um pilar de pedra de seis lados para lembrá-lo. Um dos lados mostra sua história em uma imagem: sua cabeça no chão e uma fonte brotando de seu corpo. Você pode ver essa pedra hoje no Museu Nacional de Gyeongju.

Em resumo

Viveu
Início do século VI; morreu aos 22 ou 26 anos (as fontes divergem), tradicionalmente em 527 (o Samguk sagi situa o reconhecimento do budismo em 528)
Reino
Silla, capital Gyeongju (Seorabeol), durante o reinado do rei Beopheung (r. 514–540)
Cargo
Saein (舍人), um assistente e secretário próximo do rei
Outros nomes
Yeomchok (厭髑), Geochadon (居次頓); sobrenome Bak (朴)
Conhecido por
Um martírio que, segundo a tradição, levou à aceitação oficial do budismo em Silla
Memorial
Pilar de pedra de seis lados do início do século IX, antes em Baengnyulsa, hoje no Museu Nacional de Gyeongju
Principais fontes
Samguk sagi (1145), Samguk yusa (c. década de 1280), Haedong goseung jeon (1215), a inscrição do pilar memorial

Fácil

Quem foi Ichadon?

Ichadon era um membro da aristocracia de Silla que servia o rei Beopheung como saein, um assistente de confiança próximo ao rei. Fontes coreanas dizem que seu sobrenome era Bak e traçam sua descendência até a linhagem real; seu avô é identificado como Ajinjong, filho de um parente real. Ele morreu jovem, aos 22 anos segundo uma tradição, e aos 26 segundo outra.

Ele é lembrado por um único ato. Quando o desejo do rei de promover o budismo encontrou forte resistência da nobreza, Ichadon se ofereceu para ser executado como forma de romper o impasse. A tradição afirma que milagres em sua morte dominaram seus opositores e que, como resultado, Silla aceitou oficialmente o budismo. Por essa razão, ele é frequentemente chamado de primeiro mártir budista da Coreia.

Seu nome aparece em várias formas. Ichadon (異次頓) e Yeomchok (厭髑) são consideradas duas maneiras de escrever o mesmo nome nativo de Silla com caracteres chineses, uma pelo som e outra pelo significado; o elemento i-cha / yeom parece carregar o sentido de "desgostar" ou "detestar". Esse tipo de escrita dupla é típico dos nomes coreanos antigos registrados antes da invenção do alfabeto coreano.

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Fácil

Silla, a retardatária do budismo

O budismo chegou à península coreana vindo da China no século IV. Em 372, o governante Fu Jian, da Qin Anterior, enviou o monge Sundo com imagens e escrituras ao rei Sosurim de Goguryeo, e em 384 o monge Marananta chegou a Baekje pela Jin Oriental da China. Em ambos os reinos, as casas reais adotaram cedo a nova fé, e ela os ajudou a construir estados centralizados com rituais compartilhados e um clero letrado.

Silla, no sudeste da península, era mais isolada e mais conservadora. Histórias contam de monges de Goguryeo, como Mukhoja e Ado, que foram a Silla no século V e ensinaram em segredo ou com sucesso limitado. O governo de Silla ainda era moldado por um conselho de linhagens poderosas de seus seis distritos, e esses nobres estavam ligados aos cultos nativos de bosques sagrados, montanhas e ancestrais.

O rei Beopheung, cujo próprio nome de reinado significa "erguer o Dharma", propôs-se a fortalecer a autoridade real. Em 520, promulgou um código de leis e definiu postos oficiais e trajes da corte, e na década de 530 anexou Geumgwan Gaya e adotou o primeiro nome de era do reinado de Silla. Aceitar o budismo, uma religião associada a reis poderosos por toda a Ásia, se encaixava nesse programa, mas exigia o consentimento dos nobres.

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Fácil

A história do martírio

As duas principais histórias coreanas contam a história de forma diferente. No Samguk sagi, o rei deseja promover o budismo, mas seus ministros se opõem. Somente Ichadon fala a favor e diz que, se o rei o executar e o budismo for verdadeiro, haverá um sinal. O rei reúne os ministros; eles argumentam que o ensinamento dos monges é estranho; Ichadon responde que ensinamentos incomuns trazem resultados incomuns. Ele é executado, seu sangue flui branco como leite, e os ministros já não ousam se opor.

No Samguk yusa, compilado pelo monge Iryeon mais de um século depois, a história é mais elaborada. Ichadon e o rei combinam um plano secreto. Ichadon transmite uma ordem real para construir um templo em Cheongyeongnim, um bosque sagrado. Quando os nobres protestam, o rei nega ter dado a ordem, e Ichadon aceita a culpa e a pena de morte. Em sua execução, sua cabeça voa e cai em uma montanha ao norte da capital, leite branco brota de seu pescoço, o céu escurece e flores caem como chuva. Os nobres ficam apavorados e aceitam a fé.

As duas versões concordam no essencial: um conflito entre o rei e a nobreza, um jovem oficial que se sacrifica deliberadamente, e um milagre de sangue branco. O Samguk yusa situa o evento em 527, o décimo quarto ano do reinado de Beopheung, enquanto o Samguk sagi liga o reconhecimento do budismo ao décimo quinto ano do reinado de Beopheung, 528.

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Intermediário

Por que os nobres resistiram

No início do século VI, Silla ainda não era uma monarquia totalmente centralizada. Decisões importantes eram tomadas com o acordo dos principais aristocratas, que se reuniam em um conselho mais tarde conhecido como hwabaek, e o rei era, de muitas formas, o primeiro entre linhagens poderosas, e não um governante absoluto. Inscrições em pedra do reinado de Beopheung, como a estela de Uljin Bongpyeong, de 524, mostram o rei agindo junto com nobres nomeados dos seis distritos, o que se encaixa nesse quadro.

A religião fazia parte desse equilíbrio. Os cultos nativos de Silla, centrados em bosques sagrados, montanhas, o céu e os ancestrais reais, estavam ligados a lugares e linhagens específicos. Uma religião universal, introduzida e patrocinada pelo rei, ameaçava deslocar a autoridade religiosa para o trono e para uma nova classe de monges que deviam sua posição ao patrocínio real. O budismo também trazia suas próprias ideias de realeza, nas quais um governante justo protege o Dharma e é, por sua vez, protegido por ele.

As objeções registradas no Samguk sagi, de que os monges pareciam estranhos e ensinavam doutrinas incomuns, podem refletir um desconforto genuíno com uma fé estrangeira. Mas os historiadores também apontam os interesses práticos: os templos exigiam terra e mão de obra, e o direito de autorizá-los era uma questão de quem controlava os recursos. Vista assim, a disputa sobre o budismo era também uma disputa sobre até onde o rei podia agir sem os nobres.

A posição de Ichadon como saein é importante aqui. Como servidor pessoal próximo do rei e membro de uma família nobre, ele ficava entre o trono e a aristocracia. Sua disposição de assumir a culpa permitiu ao rei perseguir seu objetivo sem derrotar abertamente o conselho, um padrão que a versão do Samguk yusa torna explícito.

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Intermediário

Depois do martírio: templos e um reino budista

O primeiro fruto da nova política foi Heungnyunsa, construído no bosque de Cheongyeongnim, onde, segundo a tradição, missionários anteriores já haviam tentado construir um templo. A obra foi concluída em 544 sob o rei Jinheung, que o chamou de Daewang Heungnyunsa, permitiu que pessoas comuns se tornassem monges e monjas naquele ano, e, já idoso, ele mesmo fez votos budistas e se tornou seu abade. Seu salão principal mais tarde abrigou pinturas dos "Dez Sábios" do budismo de Silla, um grupo do qual Ichadon fazia parte.

Construir um templo em um bosque sagrado era um símbolo poderoso. Isso colocava a nova religião real em um terreno que pertencia aos cultos antigos. Nas décadas seguintes, Silla construiu o enorme templo de Hwangnyongsa no coração da capital, enviou monges para estudar na China e desenvolveu a doutrina de que a própria Silla era uma terra onde budas haviam vivido em um passado distante.

Diz-se também que Beopheung e sua rainha se tornaram monge e monja no fim de suas vidas. Em menos de um século, o budismo se entrelaçou às ideias de realeza de Silla, à educação de seus jovens aristocratas e à sua diplomacia, e, depois das guerras de unificação, produziu obras-primas como Bulguksa e Seokguram, em Gyeongju.

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Intermediário

Lembrando Ichadon: o pilar em Baengnyulsa

No século IX, cerca de trezentos anos depois de sua morte, budistas de Silla formaram uma sociedade para homenagear Ichadon, e um texto escrito para essa sociedade é preservado no Samguk yusa. Da mesma época, aproximadamente, vem o objeto mais importante ligado a ele: um pilar de granito de seis lados, com 106 cm de altura, que ficava em Baengnyulsa, um templo em uma pequena colina ao norte de Gyeongju que a tradição identifica como o local onde sua cabeça caiu.

Uma das faces do pilar traz um relevo esculpido do martírio. Uma figura ajoelhada ou caída é mostrada com a cabeça no chão, e um jorro brota do pescoço, enquanto flores parecem cair do alto e o chão está marcado como se estivesse tremendo. As outras cinco faces trazem uma inscrição, hoje muito desgastada, que inclui a frase de que leite branco jorrou um jang (cerca de três metros) de seu pescoço, correspondendo às histórias escritas.

O pilar foi transferido para o museu de Gyeongju em 1914 e hoje está no Museu Nacional de Gyeongju. É uma das poucas representações pictóricas de um evento histórico que sobreviveram de Silla, e mostra que Ichadon já era objeto de devoção organizada muito antes de as histórias que sobreviveram serem escritas.

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Intermediário

Enquanto isso, no mundo

A década de 520 foi um período de consolidação religiosa e legal por toda a Eurásia. No sul da China, o imperador Wu de Liang (r. 502–549) era o governante budista mais devoto de sua época; construiu grandes mosteiros, deu palestras sobre escrituras e, segundo as histórias, mais de uma vez "se ofereceu" a um mosteiro, de modo que seus funcionários tiveram de resgatá-lo. A missão diplomática de Silla do início da década de 520 viajou a Liang com a ajuda de Baekje, e a cultura Liang chegou à Coreia principalmente por meio de Baekje.

Em Baekje, o rei Muryeong morreu em 523, e seu túmulo perto de Gongju, construído no estilo de tijolo Liang, mostra o quanto Baekje seguia de perto as modas do sul da China. Seu filho, o rei Seong, transferiu a capital para Sabi em 538 e, segundo crônicas japonesas, enviou imagens e escrituras budistas à corte de Yamato, com data de 538 ou 552. O budismo no Japão então enfrentou sua própria disputa entre clãs, e a vitória do clã pró-budista Soga, em 587, levou à construção do Asuka-dera. Tanto Silla quanto o Japão mostram um padrão em que aceitar o budismo estava ligado a disputas de poder na corte.

No Mediterrâneo, Justiniano se tornou imperador em Constantinopla em 527, o ano tradicionalmente atribuído à morte de Ichadon. Em poucos anos, ele ordenou a grande codificação do direito romano, o Corpus Juris Civilis (529–534), e reconstruiu a Hagia Sophia (532–537). Na Pérsia, Cosroes I subiu ao trono em 531 e reorganizou a tributação e o exército. Como Beopheung em Silla, esses governantes usaram lei e religião juntas para tornar a autoridade real mais forte e mais uniforme.

Na Índia, o império Gupta declinava, mas o saber budista florescia em mosteiros como Nalanda, que mais tarde atrairia peregrinos da China e da Coreia. A religião pela qual Ichadon morreu era, em seu século, uma das grandes redes de conexão da Ásia, carregando textos, arte e ideias de realeza da Índia até o Japão.

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Avançado

As fontes: história, lenda e hagiografia

Todas as narrativas escritas sobre Ichadon foram compostas muito depois do evento. O Samguk sagi (1145) registra que seu relato se baseia em escritos anteriores, incluindo o Gyerim japjeon, do estudioso de Silla Kim Daemun (ativo por volta de 700), e também nota uma versão diferente em um texto de estela dedicado ao monge Ado. O Haedong goseung jeon (1215), uma coletânea de biografias de monges coreanos eminentes por Gakhun, e o Samguk yusa (c. década de 1280), de Iryeon, acrescentam mais material, incluindo o texto do século IX da sociedade que homenageava Ichadon.

A evidência física mais antiga é o pilar do início do século IX. Sua inscrição e seu relevo mostram que o núcleo da história, incluindo o leite branco, já estava fixado naquela época. O que não pode ser recuperado é o que exatamente aconteceu na década de 520. Os elementos milagrosos pertencem a um gênero bem conhecido da hagiografia budista, e os historiadores geralmente distinguem entre o provável núcleo histórico, uma execução ligada à decisão real de apoiar o budismo, e as camadas lendárias.

O motivo do leite branco em vez de sangue também é encontrado na literatura budista da Índia e da China. Em um texto chinês sobre a transmissão do Dharma, por exemplo, diz-se que o monge Simha sangrou leite branco quando executado por um rei hostil. Muitos estudiosos, portanto, veem a história de Silla como parcialmente moldada por modelos budistas familiares a seus autores, sem concluir que o próprio Ichadon tenha sido inventado.

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Avançado

Diferentes perspectivas

Uma leitura religiosa: dentro do budismo coreano, Ichadon é um mártir cujo ato altruísta abriu o caminho para o Dharma em Silla. Essa leitura enfatiza sua fé e os milagres como sinais de verdade. É a perspectiva do Samguk yusa e da sociedade do século IX que o homenageou, e ainda está viva na comemoração budista coreana de hoje.

Uma leitura política: muitos historiadores modernos, especialmente na Coreia, leem o episódio como uma luta entre um rei que buscava centralizar o poder e um conselho de aristocratas defendendo seus privilégios. Nessa visão, o budismo oferecia a ideologia de um governante universal acima dos clãs, e a resistência dos nobres dizia respeito tanto ao poder quanto à crença. As evidências citadas incluem o código de leis de Beopheung, de 520, os novos postos na corte, a anexação de Gaya e o fato de que o primeiro templo foi construído em terreno sagrado dos nobres. Críticos de uma leitura puramente política advertem contra supor que a convicção religiosa era apenas uma fachada para a política.

Uma leitura crítico-textual: alguns estudiosos se concentram em como a história cresceu ao longo do tempo, comparando o Samguk sagi, o Haedong goseung jeon, o Samguk yusa e a inscrição do pilar. Eles apontam que o plano com a ordem real forjada aparece apenas em versões posteriores, e que o milagre do leite branco tem paralelos budistas no exterior. Essa abordagem não nega o evento, mas trata as narrativas como evidência de como os budistas posteriores de Silla e Goryeo lembravam suas origens.

Quanto à cronologia, os historiadores ainda discordam se o reconhecimento deve ser datado de 527, seguindo o Samguk yusa e a tradição do pilar, ou de 528, seguindo o Samguk sagi; alguns sugerem que o martírio e o reconhecimento formal foram etapas separadas, com o apoio estatal pleno visível apenas quando Heungnyunsa foi concluído, em 544. Comparações pelo leste asiático também são debatidas: o conflito no Japão entre os pró-budistas Soga e os antibudistas Mononobe, que terminou em 587, é frequentemente colocado ao lado do caso de Silla, mas o quanto os dois se assemelham depende de como se lê cada conjunto de fontes.

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Avançado

Legado

A adoção do budismo por Silla, seja qual for sua data e forma exatas, moldou a civilização coreana por mais de mil anos. Templos budistas, escultura, impressão e erudição floresceram durante Silla Unificada e Goryeo, e os monumentos budistas de Gyeongju hoje fazem parte das Áreas Históricas de Gyeongju e do sítio Seokguram-Bulguksa, listados pela UNESCO.

A história de Ichadon se tornou parte da memória coreana muito além do budismo. Ela aparece em livros escolares de história, livros infantis e comemorações locais em Gyeongju, incluindo rituais no sítio de Baengnyulsa. Sua mensagem de autossacrifício por uma causa foi lida de formas diferentes em épocas diferentes, da devoção budista à virtude cívica.

Para os historiadores, o caso de Ichadon é um exemplo valioso de como uma religião entra em uma sociedade: não simplesmente pela difusão de ideias, mas por meio de negociação entre governantes, elites e crenças mais antigas, e por meio de histórias que gerações posteriores contam para explicar por que seu mundo mudou.

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Ideias principais

Martírio
Morrer pela própria fé. A morte voluntária de Ichadon é apresentada como o evento que convenceu os nobres de Silla a aceitar o budismo.
Poder real e religião
O rei Beopheung usou o budismo, junto com leis e postos na corte, para elevar o rei acima das poderosas famílias nobres.
Bosque sagrado
Cheongyeongnim era uma floresta sagrada da religião nativa. Construir Heungnyunsa ali mostrava que a nova fé tomava o lugar da antiga.
Hagiografia
Escritos sobre pessoas santas que combinam história com milagres. Os relatos sobre Ichadon pertencem a esse gênero e devem ser lidos com cuidado.
Redes budistas
O budismo ligava Índia, China, Coreia e Japão por meio de monges, textos e arte. Silla se juntou a essa rede mais tarde do que seus vizinhos.
Camadas de memória
A história foi recontada ao longo de sete séculos, do pilar do século IX ao Samguk yusa do século XIII, e cada versão acrescentou detalhes.

Registros

  1. 372 d.C. — O budismo é oficialmente introduzido em Goguryeo pelo monge Sundo, vindo da Qin Anterior.
  2. 384 d.C. — O monge Marananta traz o budismo a Baekje.
  3. 514 d.C. — O rei Beopheung sobe ao trono de Silla.
  4. 520 d.C. — Beopheung promulga um código de leis e estabelece postos oficiais e trajes da corte.
  5. 527 d.C. — Data tradicional do martírio de Ichadon (Samguk yusa); o Samguk sagi data o reconhecimento do budismo em 528.
  6. 532 d.C. — Silla anexa Geumgwan Gaya.
  7. 544 d.C. — Heungnyunsa, o primeiro grande templo estatal de Silla, é concluído sob o rei Jinheung.
  8. 553 d.C. — Começa a construção de Hwangnyongsa na capital de Silla.
  9. c. 817 d.C. — Forma-se uma sociedade para homenagear Ichadon e o pilar memorial é erguido em Baengnyulsa (início do século IX).
  10. 1145 — O Samguk sagi registra a história, citando escritos anteriores de Silla.
  11. c. 1281 — O Samguk yusa, do monge Iryeon, traz a versão mais completa da lenda (c. década de 1280).
  12. 1914 — O pilar memorial é transferido de Baengnyulsa para o museu de Gyeongju.

Glossário

Silla
Um reino no sudeste da Coreia, um dos Três Reinos, com capital em Gyeongju; mais tarde unificou a maior parte da península.
Beopheung
O 23º rei de Silla (r. 514–540), que fortaleceu o poder real e aceitou oficialmente o budismo.
Saein (舍人)
Um cargo na corte ocupado por Ichadon: um assistente ou secretário próximo do rei.
Heungnyunsa
O primeiro grande templo de Silla, construído após o martírio e concluído em 544.
Cheongyeongnim
Um bosque sagrado da religião nativa de Silla, onde Heungnyunsa foi construído.
Mártir
Uma pessoa que sofre a morte por uma crença ou causa.
Samguk yusa
Uma coletânea de histórias, lendas e relatos budistas dos Três Reinos, compilada pelo monge Iryeon por volta da década de 1280.
Pilar de pedra (seokdang)
Uma coluna de pedra com vários lados, trazendo inscrições ou entalhes; o memorial de Ichadon é um exemplo de seis lados.

Perguntas e respostas

Realmente saiu leite em vez de sangue?

É o que diz a lenda. Os historiadores veem isso como uma história de milagre religioso; histórias semelhantes foram contadas sobre outros santos budistas na Índia e na China.

Por que os nobres não queriam o budismo?

Eles seguiam a própria religião de Silla, de bosques sagrados, montanhas e ancestrais, e seu poder estava ligado a ela. Uma nova religião apoiada pelo rei poderia tornar o rei mais forte e os nobres mais fracos.

Ichadon era monge?

As fontes coreanas o descrevem como um oficial da corte, um saein a serviço do rei, e um budista devoto, e não um monge ordenado. Alguns livros em inglês o chamam de monge.

O budismo foi aceito em 527 ou 528?

O Samguk yusa e a tradição memorial dão 527; o Samguk sagi dá 528. Os historiadores ainda debatem qual data está certa, e alguns pensam que o martírio e a decisão oficial foram etapas separadas.

Onde posso ver hoje algo ligado a Ichadon?

O pilar memorial de seis lados de Baengnyulsa está no Museu Nacional de Gyeongju. O sítio de Baengnyulsa fica em uma colina ao norte do centro de Gyeongju.

Quão confiáveis são as histórias sobre ele?

Foram escritas séculos depois e incluem milagres, então os historiadores separam um provável núcleo de eventos da lenda. O pilar do início do século IX mostra que os traços principais da história já estavam fixados dentro de cerca de três séculos.

Isso foi algo exclusivo da Coreia?

Não. No Japão também, o budismo só foi aceito depois de uma disputa entre clãs no século VI, e em muitos lugares a difusão de uma nova religião envolveu conflito entre governantes e elites.

Fontes e leituras adicionais

  1. 이차돈 (異次頓). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  2. 이차돈 순교비 (異次頓 殉敎碑). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  3. 경주 흥륜사 (Heungnyunsa, Gyeongju). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  4. Ichadon. The Concise Oxford Dictionary of World Religions, via Encyclopedia.com
  5. Ichadon. Wikipedia
  6. 이차돈. Korean Wikipedia
  7. Beopheung of Silla. Wikipedia
  8. Korean Buddhism. Wikipedia
  9. Samguk yusa. Wikipedia

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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