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Para jovens leitores
Há cerca de mil anos, nasceu em Baçorá, uma cidade portuária no que hoje é o sul do Iraque, um homem chamado al-Hasan ibn al-Haytham. Ele amava matemática e fazia grandes perguntas: O que é a luz? Como nossos olhos enxergam? O que os livros antigos dizem é sempre verdade?
Na época dele, muita gente acreditava que nossos olhos emitiam raios invisíveis, como uma tocha, que tocavam as coisas que olhávamos. Ibn al-Haytham discordava. Ele observou que olhar para o Sol brilhante machuca os olhos — então algo deve estar entrando neles. Ele explicou que a luz ricocheteia nos objetos e viaja em linha reta até o olho.
Ele gostava de testar suas ideias. Construiu um quarto escuro com um pequeno furo numa das paredes. A luz de fora entrava pelo furo e formava, na parede oposta, uma imagem do mundo exterior — de cabeça para baixo! Isso se chama câmara escura, e funciona como o primeiro passo de uma câmera fotográfica.
Uma história famosa conta que o governante do Egito lhe pediu para controlar as enchentes do grande rio Nilo. Quando Ibn al-Haytham viu o rio, percebeu que seu plano não daria certo. A história diz que ele temeu a fúria do governante e fingiu estar com a mente perturbada até que o governante morresse. Os historiadores não têm certeza de quanto dessa história é verdade.
Ele escreveu um grande livro chamado Livro de Óptica, em sete partes. Muitos anos depois, foi traduzido para o latim, e cientistas europeus como Roger Bacon e Johannes Kepler aprenderam com ele. Seu conselho ainda soa moderno: não confie simplesmente no que pessoas famosas escreveram — verifique com raciocínio e experimento, e tenha cuidado também com suas próprias opiniões.
Em resumo
- Viveu
- c. 965 – c. 1040 d.C. (a morte às vezes é situada logo depois de 1040)
- Nasceu
- Baçorá, no atual Iraque, então sob os emires buídas
- Trabalhou em
- Cairo, capital do Califado Fatímida, durante a maior parte de sua vida produtiva
- Língua
- Árabe
- Áreas
- Óptica e percepção visual, astronomia, geometria, teoria dos números, filosofia natural
- Obra principal
- Kitāb al-Manāẓir (Livro de Óptica), sete livros, escrito c. 1011–1021; em latim, De aspectibus ou Perspectiva
- Outras obras
- Al-Shukūk ʿalā Baṭlamyūs (Dúvidas sobre Ptolomeu, c. 1025–1028); Sobre a Forma do Eclipse; Sobre a Configuração do Mundo; O Modelo dos Movimentos de Cada um dos Sete Planetas (c. 1038); tratados sobre lúnulas, números perfeitos e análise e síntese
- Produção
- Listas medievais lhe atribuem entre 90 e 200 títulos; mais de 50 sobrevivem, ao menos em parte
Fácil
Quem foi Ibn al-Haytham?
Abū ʿAlī al-Ḥasan ibn al-Ḥasan ibn al-Haytham foi um matemático, astrônomo e estudioso da luz que viveu de cerca de 965 a cerca de 1040. Nasceu em Baçorá, no sul do Iraque, e passou a maior parte de sua vida profissional no Cairo, capital dos califas fatímidas. Na Europa latina medieval, seu primeiro nome, al-Hasan, virou Alhacen, e um editor do século XVI grafou Alhazen, nome pelo qual ainda é amplamente conhecido.
Ele é lembrado sobretudo pelo Kitāb al-Manāẓir, o Livro de Óptica. Nele, explicou que enxergamos porque a luz dos objetos entra em nossos olhos, e não porque nossos olhos emitem raios. Estudou como a luz é refletida por espelhos e desviada (refratada) quando passa do ar para a água ou o vidro, e como o olho e a mente trabalham juntos para julgar tamanho, distância e cor.
Também escreveu dezenas de obras sobre geometria, números e astronomia. Várias delas criticam o grande astrônomo grego Ptolomeu, a quem admirava, mas não aceitava como acima de qualquer questionamento. Por causa de sua ênfase em testar afirmações, alguns autores modernos o chamaram de pioneiro do método científico; os historiadores debatem até que ponto esses rótulos são justos.
Fácil
Baçorá, o Cairo e um mundo islâmico dividido
No fim do século X, os califas abássidas de Bagdá já haviam perdido a maior parte de seu poder real. O Iraque, incluindo Baçorá, era controlado pelos buídas, uma dinastia persa. O Egito e boa parte do norte da África e da Síria eram governados pelos fatímidas, um califado rival, ismaelita xiita, que havia fundado o Cairo em 969 como sua capital.
Apesar da divisão política, os estudiosos viajavam, e livros em árabe circulavam por toda a região. Obras gregas de matemática, óptica e astronomia — de Euclides, Ptolomeu, Apolônio e outros — haviam sido traduzidas para o árabe nos dois séculos anteriores, e autores árabes como al-Kindi já haviam escrito sobre a visão. Ibn al-Haytham pôde se apoiar nessa rica biblioteca.
O califa fatímida al-Hakim (r. 996–1021) era um patrono do saber, mas também conhecido por decisões imprevisíveis e severas. As histórias mais conhecidas sobre a vida de Ibn al-Haytham se passam nesse cenário.
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Sua vida: fatos, histórias e incertezas
Nosso conhecimento sobre sua vida vem principalmente de dicionários biográficos escritos cerca de duzentos anos depois, especialmente os de al-Qifti e Ibn Abi Usaybiʿa, e de uma breve autobiografia intelectual que ele escreveu em 1027. Os relatos posteriores nem sempre concordam, e algumas partes soam como lenda.
Segundo esses relatos, ele primeiro ocupou um cargo oficial em Baçorá. Depois de estudar as visões religiosas e filosóficas conflitantes de seu tempo, decidiu se dedicar ao estudo, especialmente à filosofia de Aristóteles e à matemática. Tornou-se famoso pela matemática aplicada, e a notícia chegou a al-Hakim de que ele havia afirmado que as enchentes do Nilo poderiam ser regularizadas.
O califa o convidou para ir ao Egito. A história conta que, ao subir o Nilo, ele percebeu que seu plano não funcionaria; versões posteriores acrescentam que ele inspecionou o local perto de Assuã. Recebeu em vez disso um cargo administrativo, mas, temendo o califa, diz-se que fingiu estar louco e ficou confinado em sua casa até a morte de al-Hakim, em 1021. Nesse período, teria escrito grande parte do Livro de Óptica.
Depois disso, viveu no Cairo, perto da mesquita al-Azhar, sustentando-se ao copiar manuscritos científicos e dar aulas. Uma cópia das Cônicas de Apolônio de sua própria mão, datada de 1024, sobrevive em Istambul. Um relato o situa por um tempo na Síria; outras evidências o mostram no Egito por volta de 1038. Morreu no Cairo por volta de 1040.
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Como enxergamos? O Livro de Óptica
Os pensadores antigos tinham duas teorias principais da visão. Euclides e Ptolomeu, os matemáticos, ensinavam uma teoria de extramissão: o olho emite um cone de raios visuais. Aristóteles e seus seguidores ensinavam uma teoria de intromissão: algo do objeto — uma “forma” — entra no olho. O médico Galeno descreveu a anatomia do olho. Autores árabes anteriores haviam seguido uma ou outra dessas tradições.
Ibn al-Haytham as combinou de um jeito novo. Como os aristotélicos, sustentava que a visão acontece quando algo entra no olho — luz e cor. Como os matemáticos, tratava isso como raios que viajam em linha reta, algo que pode ser estudado pela geometria. Como Galeno, usava um modelo detalhado do olho. Contra a extramissão, argumentava, entre outras coisas, que a luz forte pode ferir o olho, e que era implausível que o olho pudesse enviar raios até as estrelas distantes no instante em que as pálpebras se abrem.
Sua teoria enfrentava um problema: cada ponto de um objeto emite luz em todas as direções, então cada ponto do olho recebe luz de cada ponto do objeto — o que deveria produzir uma imagem borrada. Sua solução foi que apenas o raio que atinge a superfície do olho perpendicularmente é percebido com nitidez, de modo que cada ponto do objeto corresponde a um ponto no olho. Essa resposta não era totalmente convincente, mas nenhuma outra teoria da época era tão completa, e ela moldou a óptica europeia até a teoria de Kepler sobre a imagem retiniana, no século XVII.
O Livro de Óptica tem sete livros. Os Livros I a III tratam da visão direta, do olho e da percepção, incluindo erros de visão; os Livros IV a VI tratam da reflexão e das imagens em espelhos; o Livro VII trata da refração. Ao longo de toda a obra, ele descreve instrumentos e procedimentos que permitem aos leitores verificar suas afirmações.
Intermediário
Espelhos, refração e o quarto escuro
Ele deu uma formulação completa da lei da reflexão: o raio incidente, o raio refletido e a linha perpendicular ao espelho estão todos num mesmo plano, e os ângulos de cada lado são iguais. Estudou espelhos planos, esféricos, cilíndricos e cônicos, e descreveu a aberração esférica — o modo como um espelho curvo não consegue reunir todos os raios num único ponto.
No Livro VII, investigou a refração usando um aparelho adaptado de outro descrito por Ptolomeu. Notou que a razão entre o ângulo de incidência e o ângulo de refração não permanece constante. Explicou a refração com uma analogia mecânica — uma bola lançada em linha reta contra uma tábua fina a atravessa, enquanto uma lançada em ângulo se desvia — e argumentou que a luz se move mais rápido em meios menos densos e segue o caminho “mais fácil e mais rápido”, uma ideia que os historiadores comparam ao princípio do tempo mínimo formulado depois por Fermat.
Seu breve tratado Sobre a Forma do Eclipse traz a primeira análise física e matemática clara da imagem por orifício, ou câmara escura. Imagens formadas por pequenos furos já haviam sido notadas antes — no Mozi chinês e nos Problemas de tradição aristotélica —, mas Ibn al-Haytham variou o tamanho e o formato do furo e a distância da tela para mostrar como a imagem se forma, por que fica invertida e por que um furo grande produz uma imagem borrada. Ele usou um dispositivo desses para observar o Sol em forma de crescente durante um eclipse parcial.
O Livro V contém o que hoje se chama de problema de Alhazen: dado um espelho esférico, uma fonte de luz e um olho, encontrar o ponto no espelho onde a luz é refletida até o olho. Ptolomeu havia estudado casos particulares. Ibn al-Haytham resolveu o problema geral usando interseções de seções cônicas; ele não tem solução por régua e compasso, e uma solução puramente algébrica só foi publicada em 1965.
Intermediário
Enxergando com a mente
Uma de suas ideias mais originais é que enxergar não é apenas uma questão de luz e olho. Para reconhecer um objeto, julgar sua distância ou comparar seu tamanho, a mente precisa interpretar o que o olho recebe, muitas vezes rapidamente e sem que percebamos, usando o que aprendemos com a experiência anterior. Psicólogos modernos chamam uma ideia semelhante de inferência inconsciente.
Ele aplicou isso às ilusões de óptica. A Lua parece maior perto do horizonte do que alto no céu, embora seu ângulo no céu seja o mesmo. Ibn al-Haytham argumentou que julgamos a Lua no horizonte como mais distante porque vemos o solo e os objetos se estendendo em sua direção, e por isso a percebemos como maior. Essa explicação pela distância já havia sido sugerida antes por autores antigos, mas sua versão foi a que a Europa medieval conheceu.
Ele também descreveu a constância de cor — objetos parecem ter a mesma cor sob luzes diferentes — e escreveu sobre a visão com os dois olhos, incluindo o que mais tarde ficou conhecido como horóptero. Alguns autores modernos lhe atribuíram o mérito de antecipar muitas descobertas posteriores na ciência da visão; outros alertam que sua explicação da visão binocular segue de perto, corrigindo-a, a de Ptolomeu, e que seu feito deve ser visto nesse contexto.
Intermediário
Astronomia e matemática
Em Sobre a Configuração do Mundo, ele apresentou um quadro físico e não técnico do universo de Ptolomeu, com esferas sólidas encaixadas carregando os planetas ao redor de uma Terra parada. Esse livro foi mais tarde traduzido para o hebraico e o latim e lido na Europa renascentista. Já nas Dúvidas sobre Ptolomeu (c. 1025–1028), ele criticou duramente contradições no Almagesto, nas Hipóteses Planetárias e na Óptica de Ptolomeu — sobretudo o equante, um artifício que fazia os planetas se moverem de forma uniforme ao redor de um ponto que não era o centro de seu círculo, o que ele considerava incapaz de corresponder a qualquer movimento físico real.
Em O Modelo dos Movimentos de Cada um dos Sete Planetas (c. 1038), que sobrevive apenas em parte, ele propôs um modelo geométrico que mantinha um universo centrado na Terra e movimentos circulares, mas eliminava o equante. Também escreveu sobre a determinação do meridiano, sobre encontrar a direção de Meca e sobre a distância da Via Láctea, que ele argumentou ficar muito além da Lua.
Em matemática, investigou o postulado das paralelas de Euclides, usando uma figura de quatro lados mais tarde associada a Johann Lambert; Omar Khayyam depois criticou seu uso de movimento em geometria. Escreveu sobre as “lúnulas de Alhazen”, sobre a construção do heptágono regular, e sobre encontrar o volume de um paraboloide somando quartas potências de números inteiros. Em teoria dos números, usou a propriedade hoje chamada de teorema de Wilson, resolveu sistemas de congruências e pode ter sido o primeiro a afirmar que todo número perfeito par tem uma forma particular, provada mais tarde por Euler.
Intermediário
Dúvida e experimento
Nas Dúvidas sobre Ptolomeu, ele escreveu que quem busca a verdade não é aquele que simplesmente confia nos autores antigos, mas aquele que os questiona e se submete ao argumento e à demonstração. Acrescentou que esse crítico também deveria desconfiar de si mesmo, para evitar preconceito ou indulgência.
O Livro de Óptica recorre repetidamente a “testes”: procedimentos que verificam uma afirmação diante da observação. Ele combinava a filosofia natural com a geometria: uma afirmação física sobre a luz era expressa geometricamente e depois verificada com instrumentos como tubos de mira, telas e dispositivos graduados.
Ele também tinha convicções religiosas. As fontes medievais geralmente o descrevem como um muçulmano sunita, e ele escreveu que buscar a verdade e o conhecimento era a melhor forma de se aproximar de Deus. Escreveu um tratado sobre como calcular a qibla, a direção da oração. Para ele, a investigação rigorosa e a fé não eram apresentadas como opostas.
Intermediário
Influência no mundo islâmico e na Europa
No mundo islâmico, sua óptica era conhecida principalmente por meio de uma revisão posterior, o Tanqīḥ al-Manāẓir, do estudioso persa Kamal al-Din al-Farisi (m. c. 1320), que a usou para explicar o arco-íris. Em al-Andalus, o matemático-rei al-Muʾtaman ibn Hud de Saragoça usou sua obra no século XI.
Na Europa latina, o Livro de Óptica foi traduzido por um tradutor desconhecido, provavelmente no fim do século XII ou início do XIII, como De aspectibus ou Perspectiva. Tornou-se a base da tradição “perspectivista” do século XIII, de Roger Bacon, John Pecham e Witelo. Em 1572, Friedrich Risner o imprimiu em Basileia junto com a óptica de Witelo, sob o título Opticae thesaurus, e foi lido por Kepler, Descartes, Huygens e outros.
Hoje uma cratera lunar e um asteroide levam seu nome, seu retrato aparece numa nota iraquiana, e o Ano Internacional da Luz de 2015 marcou o milésimo aniversário de sua obra óptica. Ele é frequentemente chamado de “pai da óptica”.
Avançado
Um Ibn al-Haytham ou dois? Biografia e atribuição
As bibliografias medievais listam obras sob dois nomes ligeiramente diferentes: al-Ḥasan ibn al-Ḥasan ibn al-Haytham e Muḥammad ibn al-Ḥasan ibn al-Haytham. Roshdi Rashed argumentou que talvez fossem duas pessoas diferentes — um filósofo-médico, Muhammad, do Iraque, e o matemático al-Hasan, que trabalhou no Egito — e que os biógrafos os fundiram numa só. Outros estudiosos, incluindo A. I. Sabra, defenderam uma única pessoa. A maioria dos especialistas hoje trata o conjunto matemático e óptico como obra de um único autor, mas a questão afeta quais obras e quais detalhes biográficos pertencem a ele.
A história do Nilo e a loucura fingida vêm de fontes escritas muito tempo depois de sua morte e têm a forma de uma fábula moral sobre um estudioso e um tirano. Podem preservar uma memória real, mas não podem ser confirmadas. As datas de seu nascimento e morte também derivam dessas fontes posteriores, e alguns estudiosos situam sua morte depois de 1040.
A atribuição também importa para a tradição latina. Alguns tratados circularam em latim sob seu nome, enquanto outros, como Sobre a Forma do Eclipse, permaneceram em árabe até o século XX e não tiveram influência na Europa medieval. Ao avaliar sua influência, os historiadores precisam perguntar quais textos estavam de fato disponíveis para quais leitores.
Avançado
“O primeiro verdadeiro cientista”? Debatendo seu lugar na história
Ibn al-Haytham costuma ser descrito em textos de divulgação como o fundador do método científico ou o primeiro verdadeiro cientista. Os historiadores da ciência são mais cautelosos. Matthias Schramm argumentou que ele foi o primeiro a variar sistematicamente as condições experimentais. G. J. Toomer, ao resenhar Schramm, alertou que, naquela época, a Óptica ainda não havia sido totalmente traduzida, que passagens isoladas podiam ser lidas de forma anacrônica, e que Ibn al-Haytham deveria ser entendido ao lado de autores gregos e islâmicos anteriores, e não isoladamente.
Grande parte do conhecimento moderno se apoia em edições críticas. A. I. Sabra editou e traduziu o texto árabe dos Livros I–III (tradução para o inglês publicada pelo Instituto Warburg em 1989) e, mais tarde, os Livros IV–V. A. Mark Smith editou a versão latina medieval, De aspectibus, com traduções para o inglês e comentários numa série de volumes iniciada em 2001. A comparação entre o árabe e o latim mostra que a tradução medieval difere do original em alguns pontos, de modo que os europeus medievais liam um Alhacen um pouco diferente.
Alguns autores modernos afirmaram que ele fundou a psicologia experimental ou a psicofísica, mas os críticos apontam que seus relatos sobre a percepção eram qualitativos, não quantitativos. Da mesma forma, sua explicação da ilusão da Lua não era nova, embora tenha se tornado a versão medieval padrão. Uma visão equilibrada o vê como um extraordinário matemático-físico que transformou a óptica numa ciência experimental e geométrica unificada, trabalhando dentro de uma tradição grega e árabe — e remodelando-a de forma crítica.
Ideias principais
- Intromissão da luz
- Enxergamos porque a luz e a cor viajam de cada ponto de um objeto, em linha reta, até o olho.
- Raios perpendiculares
- Apenas o raio que atinge o olho perpendicularmente é percebido com nitidez, dando uma correspondência de um para um entre objeto e olho.
- Lei da reflexão
- O raio incidente, o raio refletido e a normal estão num mesmo plano, com ângulos iguais.
- Análise da câmara escura
- A luz que passa por uma pequena abertura forma uma imagem invertida cuja nitidez depende do tamanho do furo.
- Percepção como inferência
- A mente interpreta o que os olhos recebem usando experiências anteriores para julgar tamanho, distância e cor.
- Teste e experimento
- Afirmações sobre a luz são verificadas com instrumentos e observação controlada.
- Crítica à autoridade
- Até Ptolomeu deve ser questionado quando seus modelos contradizem a realidade física ou a si mesmos.
Registros
- c. 965 d.C. — Ibn al-Haytham nasce em Baçorá, sob os buídas.
- 969 d.C. — Os fatímidas conquistam o Egito e fundam o Cairo.
- 996 d.C. — Al-Hakim se torna califa fatímida.
- c. 1011 — Ele começa o Livro de Óptica; a tradição diz que estava então confinado no Cairo.
- 1021 — Morte de al-Hakim; o Livro de Óptica é concluído por volta dessa época.
- 1024 — Ele copia as Cônicas de Apolônio; o manuscrito sobrevive em Istambul.
- c. 1025 — Dúvidas sobre Ptolomeu é escrito (c. 1025–1028).
- 1027 — Ele escreve uma breve autobiografia e uma lista de suas obras.
- c. 1038 — O Modelo dos Movimentos de Cada um dos Sete Planetas.
- c. 1040 — Ele morre no Cairo.
- c. 1200 — O Livro de Óptica é traduzido para o latim como De aspectibus.
- 1572 — Friedrich Risner imprime a Óptica em latim, em Basileia, como Opticae thesaurus.
Glossário
- Óptica (ʿilm al-manāẓir)
- A ciência da visão e da luz.
- Teoria da extramissão
- A ideia antiga de que o olho emite raios para enxergar os objetos.
- Teoria da intromissão
- A ideia de que algo do objeto entra no olho para causar a visão.
- Refração
- O desvio da luz ao passar de um material transparente para outro.
- Câmara escura
- Um espaço escurecido onde a luz que passa por um pequeno furo projeta uma imagem invertida.
- Califado Fatímida
- Uma dinastia ismaelita xiita que governou o Egito e terras vizinhas a partir do Cairo (969–1171).
- Equante
- Um ponto nos modelos planetários de Ptolomeu ao redor do qual um planeta se move com velocidade angular uniforme.
- Seções cônicas
- Curvas — elipse, parábola, hipérbole — formadas ao cortar um cone; usadas em sua solução do problema de Alhazen.
- Perspectivistas
- Autores europeus de óptica do século XIII, como Bacon, Pecham e Witelo, que seguiram sua obra.
- Inferência inconsciente
- A ideia de que a percepção envolve julgamentos rápidos e despercebidos feitos pela mente.
Perguntas e respostas
Por que ele é chamado de Alhazen?
Escritores latinos medievais transformaram seu primeiro nome, al-Hasan, em Alhacen. A grafia Alhazen foi popularizada pela edição impressa de Friedrich Risner, de 1572.
Ele inventou a câmera fotográfica?
Não. Imagens formadas por pequenos furos já haviam sido notadas muito antes dele, na China e na Grécia. Ele deu a primeira explicação científica clara de como a imagem se forma, o que é o princípio básico de uma câmera.
Ele realmente fingiu estar louco?
Essa história vem de biógrafos que escreveram cerca de dois séculos depois. Pode conter alguma verdade, mas os historiadores não conseguem confirmá-la.
Por que a Lua parece maior perto do horizonte?
Ele argumentou que é um truque da mente: achamos que a Lua no horizonte está mais distante, então nosso cérebro a faz parecer maior.
Ele foi o primeiro cientista a usar experimentos?
Não foi o primeiro a experimentar — Ptolomeu também usava instrumentos —, mas usou experimento e geometria juntos de forma incomumente sistemática. Chamá-lo de primeiro cientista é uma simplificação moderna que os historiadores debatem.
Quais partes de sua obra eram conhecidas na Europa medieval?
Principalmente o De aspectibus em latim e algumas obras cosmológicas. Tratados como Sobre a Forma do Eclipse permaneceram em árabe e foram desconhecidos na Europa até tempos modernos.
Há dúvida sobre se todas as obras atribuídas a ele são de uma só pessoa?
Sim. Rashed sugeriu que as bibliografias fundem dois homens chamados Ibn al-Haytham; Sabra e outros defenderam que era um só. A questão afeta a atribuição de alguns títulos filosóficos e médicos.
Fontes e leituras adicionais
- Ibn al-Haytham. Wikipedia
- J. J. O'Connor and E. F. Robertson, Abu Ali al-Hasan ibn al-Haytham. MacTutor History of Mathematics Archive, University of St Andrews
- Book of Optics. Wikipedia
- Alhazen's problem. Wikipedia
- Camera obscura. Wikipedia
- 이븐 알하이삼. Wikipedia (Korean)
- A. I. Sabra, The Optics of Ibn al-Haytham, Books I–III: On Direct Vision (translation and commentary). The Warburg Institute, University of London, 1989
- A. Mark Smith, Alhacen's Theory of Visual Perception: A Critical Edition, with English Translation and Commentary, of the First Three Books of Alhacen's De aspectibus. American Philosophical Society (Transactions, vol. 91), 2001
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
