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Para jovens leitores
Em 1889, a França fez uma grande feira em Paris para mostrar novas invenções e comemorar os 100 anos da Revolução Francesa. Os organizadores queriam algo impressionante na entrada. A empresa de um engenheiro chamado Gustave Eiffel ofereceu construir a torre mais alta do mundo.
A torre tem cerca de 18 mil peças de ferro, unidas por milhões de pequenos pinos de metal chamados rebites. As peças foram feitas em uma fábrica, levadas até a obra em carroças puxadas por cavalos e encaixadas como um enorme brinquedo de montar. A construção levou pouco mais de dois anos.
Quando ficou pronta, a torre tinha 300 metros de altura, mais ou menos como um prédio de 100 andares. Durante 41 anos, nenhuma construção humana no mundo foi mais alta. Ela se parece com uma grande letra A: é larga embaixo e estreita em cima. Assim, o vento passa por ela sem derrubá-la.
Nem todo mundo gostou da torre. Artistas e escritores famosos assinaram uma carta dizendo que ela era “inútil e monstruosa” e estragaria a beleza de Paris. A torre deveria ficar de pé por apenas 20 anos. Ela foi preservada, em parte, porque era muito útil para transmitir sinais de rádio.
Hoje, cerca de seis a sete milhões de pessoas sobem a torre todos os anos, de elevador ou pelas escadas. À noite, ela brilha com luzes douradas e milhares de lâmpadas cintilantes. Pessoas do mundo todo a reconhecem como símbolo de Paris.
Em resumo
- Construção
- Fundações iniciadas em 28 de janeiro de 1887; estrutura concluída em 31 de março de 1889; abertura ao público em 15 de maio de 1889
- Local
- Campo de Marte, às margens do rio Sena, Paris, França
- Projetistas
- Os engenheiros Maurice Koechlin e Émile Nouguier e o arquiteto Stephen Sauvestre, da Compagnie des Établissements Eiffel, dirigida por Gustave Eiffel
- Altura
- 300 m quando concluída; cerca de 330 m atualmente, com as antenas de transmissão
- Material
- Ferro pudlado (ferro forjado), cerca de 7.300 toneladas; 18.038 peças unidas por aproximadamente 2,5 milhões de rebites
- Finalidade original
- Atração principal e entrada da Exposição Universal de 1889, que marcou o centenário da Revolução Francesa
- Reconhecimento
- Monumento histórico francês (1964); parte do patrimônio mundial da UNESCO “Paris, Margens do Sena” (1991)
- Recorde
- Estrutura construída pelo ser humano mais alta do mundo de 1889 até a conclusão do Edifício Chrysler, em Nova York (1930)
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O que é a Torre Eiffel?
A Torre Eiffel é uma torre de treliça de ferro situada no Campo de Marte, um grande parque no oeste de Paris, às margens do rio Sena. Foi construída entre 1887 e 1889 como atração principal da Exposição Universal, uma feira mundial realizada para celebrar o centenário da Revolução Francesa e apresentar a indústria e a ciência francesas.
Com 300 metros, era de longe a estrutura mais alta já construída pelo ser humano, quase duas vezes mais alta que as maiores construções da época, como o Monumento a Washington. Manteve esse recorde até 1930. Os parisienses logo a apelidaram de “La dame de fer”, a Dama de Ferro.
A torre deveria ser temporária: seu construtor recebeu permissão para explorá-la por 20 anos, depois dos quais a Prefeitura de Paris poderia desmontá-la. Ela, porém, permaneceu de pé, ganhou novos usos na ciência e no rádio e se tornou um símbolo de Paris e da França. Hoje pertence à Prefeitura de Paris e é um dos monumentos pagos mais visitados do mundo.
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Como observar a torre
Observe primeiro os quatro pilares. Eles se apoiam nos cantos de uma base quadrada com cerca de 125 metros de lado e se curvam para dentro à medida que sobem, encontrando-se no topo. Entre os pilares, na parte inferior, há quatro grandes arcos decorativos. Esses arcos quase não sustentam peso; o arquiteto Stephen Sauvestre os acrescentou para dar mais imponência à torre e criar uma entrada para a feira.
A torre tem três níveis abertos ao público. A primeira plataforma fica a cerca de 57 metros do solo; a segunda, a aproximadamente 115 metros; e a plataforma superior, a cerca de 276 metros. Acima dela ficam a lanterna, o antigo apartamento que Gustave Eiffel usava para receber convidados e fazer experimentos, e as atuais antenas de rádio e televisão.
A curvatura dos pilares não serve apenas à beleza. Eiffel explicou que ela seguia cálculos da força do vento: a torre é larga e resistente perto da base e se torna mais estreita e aberta em direção ao alto. Como sua estrutura é vazada, o vento passa pelos espaços. Mesmo com ventos fortes, o topo se move apenas alguns centímetros. Em dias quentes, porém, a expansão do ferro pode fazê-lo se inclinar um pouco para o lado oposto ao sol.
Ao redor da torre, logo abaixo da primeira plataforma, estão os nomes de 72 cientistas, engenheiros e matemáticos franceses, como Lavoisier, Ampère e Laplace, pintados em letras douradas. Eiffel os escolheu para apresentar a torre como um monumento à ciência. Todos os 72 são homens; há muito tempo se comenta a ausência de mulheres como a matemática Sophie Germain.
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De onde veio a ideia?
A torre não começou com um desenho do próprio Gustave Eiffel. Em 1884, dois engenheiros experientes de sua empresa, Maurice Koechlin e Émile Nouguier, desenharam um projeto para um enorme pilone: quatro vigas de treliça separadas na base e unidas no topo. Eiffel não se entusiasmou muito a princípio, mas permitiu que desenvolvessem a ideia. O arquiteto Stephen Sauvestre acrescentou então arcos decorativos, um salão envidraçado no primeiro nível e outros detalhes.
Eiffel gostou da nova versão, comprou dos colegas os direitos da patente e promoveu o projeto intensamente em seu próprio nome. Em 1885, apresentou-o à Sociedade dos Engenheiros Civis, afirmando que simbolizaria “o século da Indústria e da Ciência” e a Revolução de 1789.
Em maio de 1886, o governo francês anunciou um concurso para a atração principal da feira. As regras, que pediam uma torre metálica de 300 metros no Campo de Marte, praticamente garantiam a vitória de Eiffel. Um contrato assinado em janeiro de 1887 lhe concedeu 1,5 milhão de francos, menos de um quarto do custo previsto, e o direito a toda a receita da torre durante a feira e pelos 20 anos seguintes. Ele precisou obter o restante do dinheiro por conta própria.
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Como foi construída
As obras das fundações começaram em 28 de janeiro de 1887. Os dois pilares mais distantes do rio foram apoiados em lajes de concreto sobre solo firme. Os dois mais próximos do Sena ficavam em terreno mais macio. Por isso, os trabalhadores afundaram caixões de ferro, grandes câmaras com ar comprimido para impedir a entrada de água, até cerca de 22 metros e construíram fundações de concreto dentro deles. Sobre o concreto, blocos de calcário sustentavam as peças de ferro nas quais cada pilar se apoiaria.
O segredo da construção estava na preparação. O escritório de projetos de Eiffel produziu cerca de 1.700 desenhos gerais e mais de 3.600 desenhos detalhados das 18.038 peças diferentes. Os furos para os rebites eram especificados com precisão de um milímetro, e os ângulos eram calculados em frações de grau. As peças eram fabricadas nas oficinas da empresa em Levallois-Perret, nos arredores de Paris, muitas vezes montadas previamente em conjuntos, e levadas à obra em carroças puxadas por cavalos. Se uma peça não se encaixasse, voltava à fábrica em vez de ser modificada no local.
Os pilares subiram primeiro como estruturas inclinadas apoiadas em uma das extremidades e depois passaram a repousar sobre andaimes temporários de madeira. Pequenos guindastes móveis avançavam pelos pilares ao longo dos futuros trilhos dos elevadores, erguendo as peças até a posição correta. O momento mais delicado ocorreu em março de 1888, quando os quatro pilares precisaram se encontrar com exatidão na primeira plataforma. Macacos hidráulicos e caixas de areia sob os pilares permitiram que os engenheiros ajustassem suas posições por frações de milímetro.
Cerca de 300 trabalhadores atuaram no canteiro de obras. Graças a guarda-corpos, telas de proteção e plataformas móveis, há registro da morte de apenas um trabalhador durante a construção, um número excepcionalmente baixo para um projeto desse porte no século XIX. Em 31 de março de 1889, Eiffel conduziu autoridades e jornalistas pelas escadas até o topo e hasteou uma bandeira francesa.
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“Inútil e monstruosa”: o protesto dos artistas
Antes mesmo de ficar pronta, a torre provocou forte oposição. Alguns duvidavam que fosse possível construir uma torre de 300 metros. Outros a rejeitavam por motivos artísticos. Em 14 de fevereiro de 1887, o jornal Le Temps publicou um protesto assinado por artistas e escritores conhecidos, entre eles o arquiteto da Ópera de Paris, Charles Garnier, o escritor Guy de Maupassant e o compositor Charles Gounod.
Eles protestavam “em nome do gosto francês desprezado” contra “esta inútil e monstruosa Torre Eiffel”, comparando-a a uma gigantesca chaminé preta de fábrica que diminuiria Notre-Dame, o Louvre e os outros monumentos de Paris. O debate refletia uma antiga discussão francesa sobre se engenheiros, além de arquitetos, deveriam moldar a cidade e se materiais industriais como o ferro poderiam ser belos.
Eiffel respondeu que engenharia e beleza não eram opostas: segundo ele, as leis das forças naturais obedeciam às leis secretas da harmonia, e sua torre teria uma grandeza própria, como as pirâmides do Egito. Alguns críticos mudaram de opinião mais tarde. Uma história conhecida, mas impossível de confirmar, afirma que Maupassant comia com frequência no restaurante da torre porque era o único lugar de Paris de onde não podia vê-la.
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A Exposição Universal de 1889 e seus lados sombrios
A Exposição Universal abriu em 6 de maio de 1889 e terminou em 31 de outubro. Recebeu mais de 30 milhões de visitas. A torre abriu ao público em 15 de maio; antes de os elevadores começarem a funcionar, dezenas de milhares de pessoas subiram seus 1.710 degraus até o topo. Ao fim da feira, quase 1,9 milhão de pessoas haviam subido a torre. Havia restaurantes no primeiro nível, uma gráfica do jornal Le Figaro no segundo e uma agência dos correios no topo. Entre os visitantes famosos estava Thomas Edison, que deixou uma mensagem de admiração no livro de visitas de Eiffel.
Como a feira celebrava a Revolução de 1789, a maioria das monarquias europeias não participou oficialmente, embora empresas de seus países estivessem presentes. A exposição apresentava a França como uma república moderna, dedicada à ciência e ao progresso, e incluía a imensa Galeria das Máquinas, de ferro e vidro, perto da torre.
A feira também mostrou o lado sombrio dessa confiança no progresso. Exposições coloniais apresentavam pessoas de colônias francesas na África e na Ásia em “aldeias” reconstruídas para serem observadas pelos visitantes, em condições que historiadores posteriores descreveram como zoológicos humanos. Pesquisas recentes também chamaram atenção para o financiamento da torre: um banco que ajudou a custeá-la, o Crédit Industriel et Commercial, lucrava ao mesmo tempo com grandes empréstimos ao Haiti ligados à indenização que a França havia obrigado o país a pagar após sua revolução. Hoje, esses fatos também fazem parte da história da torre.
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Preservada pela ciência e pelo rádio
Eiffel sabia que sua torre poderia ser demolida quando a concessão terminasse. Por isso, empenhou-se em torná-la útil à ciência. Instalou nela instrumentos meteorológicos e usou um cabo estendido do segundo nível até o solo para deixar objetos caírem e medir a resistência do ar. Em 1909, construiu um túnel de vento ao pé da torre e, mais tarde, transferiu seu laboratório de aerodinâmica para Auteuil. Suas pesquisas ajudaram os primeiros projetistas de aeronaves.
O rádio foi decisivo. Em 1898, Eugène Ducretet transmitiu sinais sem fio entre a torre e o Panteão. Eiffel incentivou o Exército a usar a torre para comunicações militares por rádio, e o capitão Gustave Ferrié, que depois se tornaria general, desenvolveu ali uma estação potente. Em 1909, foi construído um centro permanente de rádio subterrâneo perto do pilar sul, e a torre recebeu permissão para permanecer. A partir de 1910, ela transmitiu sinais horários do Observatório de Paris para navios no mar e para outros lugares do mundo, ajudando a coordenar a hora internacional.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a estação da torre interceptou mensagens inimigas usadas pela inteligência francesa. Segundo muitos relatos, elas contribuíram para o sucesso dos Aliados na Batalha do Marne, em 1914, e para o caso contra a dançarina Mata Hari, em 1917. Mais tarde, a torre recebeu transmissores de rádio e televisão, e ainda hoje transmite sinais de rádio e televisão digital.
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História posterior: guerras, luzes e milhões de visitantes
De 1925 a 1934, a fabricante de automóveis Citroën iluminou a torre com um enorme anúncio elétrico. Quando as tropas alemãs ocuparam Paris, em junho de 1940, os franceses cortaram os cabos dos elevadores para que os ocupantes tivessem de subir pelas escadas. Em agosto de 1944, com a aproximação das forças aliadas, há relatos de que Hitler ordenou a destruição dos monumentos de Paris. O comandante alemão Dietrich von Choltitz não cumpriu a ordem; historiadores debatem até que ponto a torre era um alvo específico e por que Choltitz desobedeceu.
Um incêndio no transmissor de televisão danificou o topo em 1956, e uma nova antena aumentou a altura da torre em 1957. Em 1964, ela foi declarada monumento histórico. Os elevadores foram modernizados várias vezes, um piso de vidro foi instalado no primeiro nível em 2014 e a torre é repintada por completo aproximadamente a cada sete anos, com cerca de 60 toneladas de tinta, para proteger o ferro da ferrugem.
Desde o fim de 1985, a torre é iluminada por dentro com luzes douradas. Desde a virada do milênio, com algumas interrupções, milhares de lâmpadas piscam nela por alguns minutos a cada hora após o anoitecer. Tornou-se palco de celebrações nacionais, fogos de Ano-Novo e eventos dos Jogos Olímpicos de Paris de 2024. Mais de 300 milhões de pessoas a visitaram desde 1889.
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Um símbolo na arte e na cultura
Os artistas logo adotaram a torre como tema. Georges Seurat a pintou em 1889; Henri Rivière criou a série de gravuras Trinta e seis vistas da Torre Eiffel (1902), em homenagem às Trinta e seis vistas do monte Fuji, de Hokusai; Robert Delaunay a pintou repetidas vezes a partir de 1909 como símbolo da energia moderna; e o poeta Guillaume Apollinaire escreveu, em 1918, um poema com a forma da torre. Cineastas, fotógrafos e publicitários fizeram dela uma imagem imediatamente associada a Paris.
Em um famoso ensaio de 1964, o crítico francês Roland Barthes argumentou que a torre é quase um signo puro: como edifício, tem pouca utilidade, mas pode representar tudo o que as pessoas desejam, da ciência ao amor e à própria Paris. Ela é ao mesmo tempo um objeto que observamos e um lugar de onde observamos a cidade.
A torre também inspirou construções semelhantes pelo mundo, da Torre de Blackpool, na Inglaterra (1894), à Torre de Tóquio (1958), além de réplicas em Las Vegas e em um conjunto habitacional chinês. Sua imagem se tornou uma das mais reproduzidas do planeta, em lembranças, logotipos e emojis.
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Debates: autoria, engenharia e significado
Quem a projetou? A torre leva o nome de Eiffel, mas a ideia original veio de Koechlin e Nouguier, e o tratamento arquitetônico, de Sauvestre. Eiffel comprou os direitos da patente dos colegas e recebeu o reconhecimento público. Também contribuiu com a experiência em engenharia de sua empresa, a organização do projeto e a disposição de assumir riscos financeiros. Hoje, historiadores geralmente descrevem a torre como uma realização coletiva de uma empresa de engenharia, em consonância com debates mais amplos sobre como atribuir o mérito em grandes projetos técnicos.
Como sua forma foi calculada? Eiffel afirmou que a curvatura dos pilares resultava das cargas do vento. Sua equipe usou métodos gráficos e hipóteses conservadoras, tratando a metade superior como se fosse sólida. Engenheiros posteriores propuseram modelos matemáticos para explicar por que o perfil funciona tão bem. Um estudo publicado em 2004, baseado em um texto apresentado por Eiffel à Sociedade dos Engenheiros Civis em 1885, descreveu a forma como solução de uma equação integral não linear que equilibra a pressão do vento e a tensão na estrutura. Ainda não está definido se Eiffel projetou conscientemente a torre com uma equação desse tipo ou se chegou à forma por experiência prática.
Engenharia e arquitetura. O protesto de 1887 fazia parte de uma discussão do século XIX sobre se estruturas de ferro projetadas por engenheiros, como pontes, estações ferroviárias e pavilhões de exposição, poderiam ser consideradas arquitetura. A empresa de Eiffel já havia construído grandes pontes, como a Ponte Maria Pia, no Porto (1877), e o Viaduto de Garabit (1884), além de projetar a estrutura interna da Estátua da Liberdade (1886). Historiadores da arquitetura hoje costumam ver a torre como uma obra fundamental no caminho para a expressão estrutural moderna.
Que histórias são contadas? Pesquisas e reportagens recentes ampliaram a narrativa para além do orgulho nacional, relacionando a feira de 1889 às exposições coloniais e o financiamento da torre à dívida de indenização do Haiti. Alguns consideram essa ampliação uma correção necessária; outros receiam aplicar valores posteriores ao passado. A maioria dos historiadores concorda que o significado da torre deve incluir tanto sua conquista de engenharia quanto o mundo imperial em que foi produzida.
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Conservação e administração hoje
A torre é um monumento histórico que pertence à Prefeitura de Paris e é administrado pela empresa Société d’Exploitation de la Tour Eiffel (SETE). Manter em uso uma estrutura de ferro forjado com mais de 135 anos exige trabalho constante de engenharia. A corrosão precisa ser controlada por meio da repintura, e cada campanha requer a remoção de camadas antigas de tinta, algumas com chumbo, utilizado até 2001.
A repintura levanta questões de cor e de conservação. Originalmente, a torre tinha um tom castanho-avermelhado. Depois recebeu diferentes tons de amarelo e ocre e, desde 1968, uma cor de bronze conhecida como “marrom Torre Eiffel”. Ela é pintada em três tons, mais escuros embaixo e mais claros em cima, para parecer uniforme diante do céu. A escolha das cores gera debates sobre fidelidade histórica.
Outros debates envolvem acréscimos à torre e o controle de sua imagem. Em 2024, o plano da cidade de manter permanentemente os anéis olímpicos na torre foi criticado por descendentes de Eiffel e por alguns moradores, que o consideraram uma alteração de um monumento protegido. A empresa administradora também reivindica direitos autorais sobre a iluminação noturna, embora a própria torre esteja em domínio público desde 1993. Isso criou incerteza jurídica sobre o uso comercial de fotografias noturnas.
Por fim, a pressão dos milhões de visitantes, as necessidades de segurança — como as barreiras de vidro construídas ao redor da base a partir de 2018 — e as exigências de manutenção precisam ser equilibradas com a ideia da torre como um monumento público e aberto a todos.
Ideias principais
- Estrutura de treliça de ferro
- Uma armação feita de muitas peças pequenas de ferro unidas em triângulos, resistente, leve e aberta à passagem do vento.
- Pré-fabricação
- Produção de peças medidas com precisão em uma fábrica para montagem no local, método que permitiu erguer a torre em cerca de dois anos.
- Engenharia como arte
- O debate, intensificado pela torre, sobre se estruturas projetadas por engenheiros poderiam ser belas e consideradas arquitetura.
- Exposição Universal
- Uma grande mostra internacional de indústria, ciência e cultura; a exposição de Paris de 1889 celebrou o centenário da Revolução Francesa.
- Do temporário ao permanente
- Construída com uma autorização de 20 anos, a torre permaneceu de pé por demonstrar sua utilidade, especialmente para o rádio.
- Símbolo e signo
- A torre se tornou uma imagem que representa Paris e a própria modernidade, como analisou Roland Barthes.
- Histórias pouco conhecidas
- As exposições coloniais da feira e o financiamento da torre relacionam o monumento ao imperialismo e à dívida do Haiti.
Registros
- 1884 — Maurice Koechlin e Émile Nouguier esboçam a ideia de um gigantesco pilone de treliça.
- 1886 — O concurso do governo para a atração principal da feira praticamente seleciona o projeto de Eiffel.
- 1887 — O contrato é assinado (8 de janeiro); começam as fundações (28 de janeiro); é publicado o protesto dos artistas (14 de fevereiro).
- 1888 — Os quatro pilares são unidos na primeira plataforma (março).
- 1889 — A estrutura é concluída (31 de março); a Exposição Universal abre (6 de maio); a torre abre ao público (15 de maio).
- 1898 — Eugène Ducretet transmite sinais de rádio entre a torre e o Panteão.
- 1909 — Uma estação permanente de rádio é construída na base, e a torre recebe permissão para permanecer; Eiffel inaugura um túnel de vento no Campo de Marte.
- 1910 — A torre começa a transmitir sinais horários como parte de um serviço internacional de hora.
- 1930 — O Edifício Chrysler, em Nova York, supera a torre como a estrutura mais alta do mundo.
- 1940 — Os cabos dos elevadores são cortados durante a ocupação alemã de Paris; os elevadores só são reparados em 1946.
- 1964 — A torre é oficialmente declarada monumento histórico francês.
- 1991 — As margens do Sena em Paris, incluindo a torre, são inscritas como patrimônio mundial da UNESCO.
Glossário
- Treliça
- Armação de barras cruzadas que deixa espaços abertos entre elas.
- Ferro forjado (pudlado)
- Ferro resistente e com pouco carbono, produzido ao mexer o ferro fundido em um forno, muito usado antes de o aço se tornar barato.
- Rebite
- Pino de metal aquecido e martelado para unir permanentemente duas peças metálicas.
- Caixão pneumático
- Câmara impermeável, muitas vezes cheia de ar comprimido, usada para construir fundações abaixo do nível da água.
- Estrutura em balanço
- Viga ou estrutura apoiada em apenas uma extremidade e projetada para fora.
- Concessão
- Direito concedido por um governo para administrar algo, como a torre, por um período determinado.
- Exposição Universal
- Grande feira internacional dedicada a apresentar realizações de diferentes países.
- Campo de Marte
- Grande parque público de Paris, antigo campo de desfiles militares, onde fica a torre.
- Túnel de vento
- Túnel no qual o ar é soprado sobre modelos para estudar a força do vento sobre eles.
Perguntas e respostas
Qual é a altura da Torre Eiffel?
Ela tinha 300 metros quando foi concluída, em 1889. Com as antenas acrescentadas depois, mede atualmente cerca de 330 metros.
Gustave Eiffel a projetou sozinho?
Não. O primeiro projeto veio dos engenheiros Maurice Koechlin e Émile Nouguier, com detalhes arquitetônicos de Stephen Sauvestre. A empresa de Eiffel construiu a torre, e ele defendeu e financiou o projeto.
Por que ela foi construída?
Para ser a atração principal da Exposição Universal de 1889, em Paris, que comemorou os 100 anos da Revolução Francesa e apresentou a engenharia francesa.
Ela deveria mesmo ser desmontada?
A autorização de Eiffel valia por 20 anos após a feira. Depois disso, a Prefeitura de Paris poderia removê-la. A torre foi mantida, em grande parte, por sua utilidade para o rádio.
Quantos degraus há na torre?
Em 1889, os visitantes subiam 1.710 degraus até o topo. Hoje, o público só pode usar as escadas até o segundo nível; o topo é alcançado de elevador.
A torre se move?
Um pouco. Com ventos fortes, o topo oscila alguns centímetros. Em dias quentes, o lado aquecido pelo sol se expande, e o topo pode se deslocar até cerca de 18 cm.
Por que historiadores relacionam a torre ao Haiti?
Um banco que ajudou a financiar a torre lucrava, na mesma época, com empréstimos ao Haiti ligados à indenização imposta pela França após a independência haitiana. Investigações recentes destacaram essa relação.
O que os manifestantes de 1887 criticavam?
Eles achavam que a enorme torre de ferro era feia e dominaria a paisagem, prejudicando a beleza histórica de Paris. Muitos também duvidavam que engenheiros pudessem criar arte.
Fontes e leituras adicionais
- Eiffel Tower. Wikipedia
- Gustave Eiffel. Wikipedia
- Exposition Universelle (1889). Wikipedia
- Paris, Banks of the Seine. Wikipedia
- Paris, Banks of the Seine. UNESCO World Heritage Centre
- Roland Barthes, La Tour Eiffel (The Eiffel Tower), 1964
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- Azul...A coletânea de prosa e poesia de Rubén Darío, publicada em 1888, ajudou a estabelecer o modernismo hispano-americano.
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
