Arte

Mona Lisa

La Gioconda / La Joconde

1503–1519 · Florença (República de Florença)

Em uma frase

A Mona Lisa é um pequeno retrato de uma mulher florentina, Lisa Gherardini, que Leonardo da Vinci começou por volta de 1503 e no qual continuou trabalhando por anos. Ela se tornou a pintura mais famosa do mundo.

Mona Lisa
Imagem: Leonardo da Vinci · Public domain · Wikimedia Commons

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

Há mais de 500 anos, na cidade italiana de Florença, um comerciante de seda chamado Francesco del Giocondo pediu ao pintor Leonardo da Vinci que pintasse sua esposa, Lisa. Leonardo começou o retrato, mas nunca o entregou à família. Ele levou a pintura consigo pelo resto da vida e continuou acrescentando pequenos detalhes.

A pintura não é muito grande: tem mais ou menos o tamanho de um cartaz escolar grande dobrado ao meio. Foi feita com tinta a óleo sobre uma placa fina de madeira de álamo, e não sobre tela.

Olhe bem para o rosto de Lisa. Não há linhas fortes em volta da boca nem dos olhos. Leonardo misturou as cores com tanta suavidade, como se fossem fumaça, que o sorriso parece mudar quando você olha para partes diferentes da pintura. Os artistas chamam essa mistura suave de “sfumato”, uma palavra italiana ligada à fumaça.

Atrás de Lisa há uma paisagem estranha, que parece saída de um sonho. Ela tem caminhos cheios de curvas, uma ponte, montanhas rochosas e água que desaparece numa névoa azul. Leonardo percebeu que as coisas distantes parecem mais claras e azuladas. Ele as pintou assim para dar profundidade à cena.

Hoje a Mona Lisa fica no Museu do Louvre, em Paris, atrás de um vidro grosso de proteção. Em 1911, um homem a roubou. Ela ficou desaparecida por mais de dois anos, até ser encontrada em Florença. Milhões de pessoas vão vê-la todos os anos. A imagem também foi copiada, usada em brincadeiras e estampada em quase tudo que você pode imaginar.

Em resumo

Artista
Leonardo da Vinci (1452–1519)
Data
Iniciada por volta de 1503 em Florença; Leonardo trabalhou nela durante muitos anos, possivelmente até por volta de 1517 ou depois; não há uma data de conclusão confirmada
Pessoa retratada
Geralmente identificada como Lisa Gherardini (1479–1542), esposa do comerciante florentino Francesco del Giocondo
Técnica e suporte
Óleo sobre painel de madeira de álamo
Dimensões
Cerca de 77 × 53 cm (o catálogo do Louvre informa 79,4 × 53,4 cm)
Localização
Museu do Louvre, Paris (inv. 779); na coleção real francesa desde o século XVI
Outros nomes
La Gioconda (italiano), La Joconde (francês); “Mona” é uma forma abreviada de Madonna, “minha senhora”
Conhecida por
Modelagem em sfumato, sorriso enigmático, paisagem atmosférica e fama moderna sem igual

Fácil

O que é a Mona Lisa?

A Mona Lisa é um retrato de meio corpo de uma mulher sentada, pintado a óleo sobre um painel de madeira pelo artista italiano Leonardo da Vinci. Ela aparece da cintura para cima, ligeiramente voltada para nós, com uma mão apoiada sobre a outra. Usa um vestido escuro e um véu muito fino e transparente sobre o cabelo. Olha diretamente para quem observa a pintura, com um leve sorriso.

O nome vem de Giorgio Vasari, pintor e escritor do século XVI que escreveu biografias de artistas italianos. Ele chamou a pintura de retrato de “Mona Lisa”, esposa de Francesco del Giocondo. “Mona” é uma forma abreviada de “Madonna”, que significa “minha senhora”. Em italiano, a pintura se chama La Gioconda e, em francês, La Joconde. Os dois nomes fazem referência ao sobrenome Giocondo, que também significa “alegre”.

A pintura hoje pertence ao Estado francês e fica no Museu do Louvre, em Paris. Por ser muito famosa e frágil, é exposta atrás de um vidro à prova de balas, numa vitrine com temperatura e umidade controladas. Por causa da multidão, os visitantes muitas vezes têm apenas um breve momento para vê-la.

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Fácil

Como observar a pintura

Comece pelo rosto. Leonardo não contornou os lábios nem os cantos dos olhos com linhas nítidas. Em vez disso, construiu as sombras com muitas camadas de tinta muito finas, quase transparentes, fazendo a luz passar suavemente para a sombra. Como os cantos da boca e dos olhos têm contornos suaves e indefinidos, a expressão parece mudar: quando você olha diretamente para a boca, o sorriso pode parecer desaparecer; quando olha para os olhos, ele pode parecer voltar.

Depois, observe a pose. A mulher está sentada numa cadeira cujo braço aparece na parte inferior esquerda. Seu corpo está virado para um lado, enquanto a cabeça se volta mais para nós. Essa pose descontraída, com o corpo em rotação e as mãos inteiramente visíveis, era nova nos retratos feitos em Florença e logo foi copiada por outros pintores, entre eles o jovem Rafael. A figura forma uma pirâmide estável, das mãos na base até a cabeça no alto.

Em seguida, olhe para trás dela. Lisa está numa loggia, uma varanda coberta; as bases de duas colunas aparecem nas bordas esquerda e direita. Além do parapeito, abre-se uma paisagem selvagem: um caminho sinuoso, uma ponte com vários arcos à direita, rochedos e lagos. A linha do horizonte à esquerda parece mais baixa que a da direita, o que aumenta a sensação de sonho e inquietação. As colinas distantes desaparecem numa névoa azul-esverdeada. Esse efeito se chama perspectiva aérea, ou atmosférica, e foi estudado cuidadosamente por Leonardo em seus cadernos.

Por fim, repare no que falta. Lisa não usa joias, e não há brasão nem inscrição que diga quem ela é. Estudiosos também observaram que ela parece não ter sobrancelhas nem cílios visíveis. Alguns estudos técnicos sugerem que esses pelos foram pintados com muita delicadeza e desapareceram em limpezas posteriores, mas isso é incerto.

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Fácil

Quem foi Leonardo da Vinci?

Leonardo nasceu em 15 de abril de 1452 em Vinci, uma pequena cidade da Toscana, ou perto dela. Na adolescência, aprendeu seu ofício na oficina florentina do escultor e pintor Andrea del Verrocchio. Mais tarde, trabalhou para o duque de Milão (aproximadamente de 1482 a 1499), onde pintou A Última Ceia. Depois voltou a Florença, onde começou a Mona Lisa.

Leonardo tinha curiosidade por quase tudo. Seus cadernos, que somam milhares de páginas, contêm estudos de anatomia, água, voo, plantas, máquinas, luz e sombra. Ele dissecou corpos humanos para entender músculos e ossos e estudou como a luz incide sobre objetos arredondados. Tudo isso aparece na Mona Lisa: na modelagem suave do rosto, na estrutura das mãos e nas rochas e águas da paisagem.

Ele também era conhecido por deixar trabalhos inacabados. Concluiu apenas um pequeno número de pinturas e frequentemente as guardava consigo por anos. A Mona Lisa é um exemplo: em vez de entregá-la à família Giocondo, levou-a para Milão, Roma e, por fim, para a França. Lá morreu em 2 de maio de 1519, em Clos Lucé, perto de Amboise, como hóspede do rei Francisco I.

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Intermediário

A mulher retratada: Lisa Gherardini e sua família

Lisa Gherardini nasceu em Florença em 15 de junho de 1479, numa família antiga que havia perdido grande parte da riqueza e da influência que tivera. Em 1495, aos cerca de quinze anos, casou-se com Francesco del Giocondo, um comerciante bem-sucedido de seda e tecidos, bem mais velho que ela e que já havia sido casado. Eles tiveram vários filhos, e Lisa também ajudou a criar seu enteado. Pesquisas em arquivos, especialmente as do estudioso italiano Giuseppe Pallanti, reconstituíram muitos detalhes de sua vida a partir de registros de impostos, contratos e documentos da Igreja.

Por que Francesco encomendaria um retrato por volta de 1503? Historiadores sugerem duas ocasiões: o nascimento do filho Andrea, em dezembro de 1502, e a compra de uma nova casa pela família por volta da mesma época. O retrato da esposa permitia a uma família próspera de comerciantes mostrar sua posição respeitável e sua boa fortuna. O véu fino e as roupas escuras são compatíveis com as vestimentas de uma mulher florentina casada e respeitada. Alguns autores tentaram interpretá-los como sinais de luto ou gravidez, mas essas interpretações não são geralmente aceitas.

Lisa viveu mais que o marido, que morreu em 1538 ou 1539. Seus últimos anos estiveram ligados ao convento de Sant’Orsola, em Florença, onde duas de suas filhas se tornaram freiras. Ela morreu em 15 de julho de 1542 (algumas fontes indicam 14 de julho). A família nunca recebeu o retrato; não há registro de que algum membro da família Giocondo o tenha visto concluído.

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Intermediário

Como e quando a pintura foi feita

A data de início está excepcionalmente bem documentada para uma pintura renascentista. Em 2005, Armin Schlechter, bibliotecário da Universidade de Heidelberg, identificou uma anotação manuscrita na margem de uma edição impressa de Cícero. A nota foi escrita em outubro de 1503 por Agostino Vespucci, funcionário da chancelaria florentina. Ele comparou Leonardo ao pintor da Antiguidade Apeles e mencionou que Leonardo trabalhava num retrato do rosto de Lisa del Giocondo. Isso confirmou que o retrato já estava em andamento em 1503, quando Leonardo também trabalhava no enorme mural da Batalha de Anghiari para o governo de Florença.

A data de conclusão é muito menos certa. Vasari escreveu que Leonardo trabalhou na pintura por quatro anos e a deixou inacabada. Em 1517, o secretário Antonio de Beatis visitou Leonardo na França e registrou ter visto o retrato de “certa dama florentina, pintada do natural” a pedido de Giuliano de’ Medici. Muitos estudiosos acreditam que se tratava da Mona Lisa, o que sugere que Leonardo continuou a acrescentar detalhes em Roma e na França. Por isso, o Louvre atribui à obra o período amplo de 1503 a 1519.

Leonardo pintou sobre uma única prancha de madeira de álamo, suporte comum em Florença, preparada com uma base branca. Usou tinta a óleo em veladuras extremamente finas, algumas com apenas alguns micrômetros de espessura, acrescentando camada após camada para criar profundidade e transições suaves. Exames técnicos, como estudos com infravermelho e raios X, revelaram mudanças feitas pelo artista, chamadas pentimenti, por exemplo na posição dos dedos e do véu. Com o tempo, o verniz antigo amareleceu. Assim, a pintura hoje parece mais quente e escura do que Leonardo pretendia. Até agora, o Louvre decidiu não limpá-la por causa dos riscos envolvidos.

Há muito tempo existe a crença de que o painel foi cortado nas laterais, eliminando partes das colunas. Um exame atento das bordas sugere que o painel não foi reduzido de maneira significativa e que as bases das colunas nas laterais sempre deveriam aparecer apenas parcialmente, embora a questão tenha sido debatida por muito tempo.

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Intermediário

Florença e o Alto Renascimento

Por volta de 1500, Florença era uma república. A família Medici, que havia dominado a cidade durante a maior parte do século XV, tinha sido expulsa em 1494, e o pregador Girolamo Savonarola fora executado em 1498. Nicolau Maquiavel trabalhava na chancelaria da cidade nessa época, e Michelangelo esculpia seu Davi (1501–1504). Leonardo e Michelangelo chegaram a receber encomendas para pintar cenas de batalha rivais nas paredes da mesma sala do conselho.

A arte do retrato estava mudando. Retratos florentinos de mulheres mais antigos frequentemente as mostravam de perfil rigoroso, como figuras numa moeda, e indicavam sua posição social por meio de joias e roupas finas. Pintores flamengos haviam introduzido figuras vistas em três quartos e paisagens ao fundo, características admiradas pelos artistas italianos. Leonardo combinou essas ideias com seus estudos da luz e da anatomia para criar um retrato que parece mostrar uma pessoa viva, pensando e retribuindo nosso olhar.

A Mona Lisa logo influenciou outros artistas. Rafael, que esteve em Florença por volta de 1504 a 1508, fez um desenho baseado nela e usou sua pose em retratos como o de Maddalena Doni. Artistas do círculo de Leonardo fizeram cópias. Acredita-se que uma versão conservada no Museu do Prado, em Madri, limpa em 2012, tenha sido pintada na oficina de Leonardo ao mesmo tempo que o original, talvez por um de seus alunos. Ela mostra como as cores podem ter sido antes de o verniz escurecer.

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Intermediário

Da oficina de Leonardo ao Louvre

Após a morte de Leonardo, a pintura entrou na coleção do rei francês Francisco I. Ainda se discute exatamente como isso aconteceu. Salaì, assistente de Leonardo por muitos anos, parece ter possuído a pintura, ou uma versão dela, em algum momento. Um inventário de seus bens feito em 1525 relaciona uma pintura chamada “La Gioconda”. Alguns historiadores acreditam que Francisco I comprou o original de Salaì enquanto Leonardo ainda vivia; o catálogo do próprio Louvre afirma que o rei a adquiriu em 1518.

Durante quase três séculos, a pintura pertenceu aos reis da França e foi mantida no Palácio de Fontainebleau e, mais tarde, em Versalhes. Depois da Revolução Francesa, as coleções reais tornaram-se patrimônio nacional, e a pintura foi destinada ao novo museu público do Louvre. Napoleão Bonaparte mandou pendurá-la em seu quarto no Palácio das Tulherias por alguns anos, por volta de 1800, antes de ela voltar ao museu.

Durante as guerras, a pintura foi transferida para lugares seguros. Em 1870–1871 e durante as duas Guerras Mundiais, foi retirada de Paris. Na Segunda Guerra Mundial, ficou escondida em vários castelos no interior da França, entre eles Chambord, para protegê-la de bombardeios e saques.

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Intermediário

O roubo de 1911 e a criação de um ícone

Até o século XIX, a Mona Lisa era admirada por artistas e conhecedores de arte, mas não era mais famosa que muitas outras pinturas renascentistas. Escritores românticos começaram a descrever a mulher como uma figura misteriosa e sedutora. Um famoso texto de 1869 do crítico inglês Walter Pater ajudou a transformar seu sorriso num símbolo de enigma.

Em 21 de agosto de 1911, a pintura desapareceu do Louvre. O ladrão era Vincenzo Peruggia, um trabalhador italiano que havia ajudado a instalar vidros de proteção no museu. Num dia em que o museu estava fechado, ele tirou o painel da parede, retirou a moldura e saiu do prédio com a obra escondida sob sua roupa de trabalho. Ela ficou desaparecida por mais de dois anos. O poeta Guillaume Apollinaire chegou a ser preso por pouco tempo, e Pablo Picasso foi interrogado. Em dezembro de 1913, Peruggia tentou vender a pintura ao negociante de arte florentino Alfredo Geri, que avisou as autoridades. Peruggia afirmou que queria devolvê-la à Itália. Após ser exibida em Florença, Roma e Milão, a pintura voltou a Paris em janeiro de 1914.

Jornais de todo o mundo noticiaram o roubo e a recuperação, e a pintura passou a ser conhecida por todos. No século XX, artistas a usaram como símbolo da arte consagrada para questioná-la ou fazer humor: em 1919, Marcel Duchamp desenhou um bigode e um cavanhaque numa reprodução em cartão-postal (L.H.O.O.Q.); em 1963, Andy Warhol a repetiu numa serigrafia intitulada Thirty Are Better Than One. A pintura viajou para os Estados Unidos em 1962–1963, onde bem mais de um milhão de pessoas a viram, e para Tóquio e Moscou em 1974.

Ela também foi alvo de ataques. Em 1956, um visitante atirou uma pedra que danificou uma pequena área pintada perto do cotovelo esquerdo. Desde então, a obra é exposta atrás de vidro de proteção. Incidentes mais recentes, como um bolo espalhado no vidro em 2022 e sopa jogada contra ele em 2024, não danificaram a pintura.

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Avançado

Debates acadêmicos: identidade, encomenda e conclusão

Identidade. A identificação da mulher como Lisa del Giocondo feita por Vasari foi publicada em 1550, décadas depois dos acontecimentos, por um autor que nunca viu a pintura. Por isso, durante muito tempo foi tratada com cautela. Outras identidades foram propostas, entre elas Isabella d’Este, Costanza d’Avalos, uma amante de Giuliano de’ Medici, uma mulher idealizada e até um autorretrato disfarçado de Leonardo. Hoje, a nota de Vespucci de 1503 é geralmente considerada uma forte confirmação de que Leonardo pintava Lisa del Giocondo naquela data. Ainda se discute se a pintura do Louvre é exatamente aquele retrato e o quanto ela foi transformada depois.

A questão do relato de de Beatis. A descrição feita por de Beatis em 1517 relaciona o retrato da dama florentina a Giuliano de’ Medici, e não a Francesco del Giocondo. Estudiosos explicam isso de maneiras diferentes: Giuliano, que vivia em Roma enquanto Leonardo trabalhava lá sob seu patrocínio, pode ter incentivado o artista a continuar o retrato; de Beatis ou quem lhe passou a informação pode ter se confundido; ou a pintura vista na França pode ter sido outra obra. Foi proposta a existência de dois retratos, um para a família Giocondo e outra versão posterior, mas a maioria dos especialistas considera a pintura do Louvre o único original, iniciado em 1503.

A Mona Lisa de Isleworth e outras versões. Uma pintura conhecida como Mona Lisa de Isleworth, que mostra uma mulher de aparência mais jovem com colunas nas laterais, é apresentada desde o início do século XX como uma versão anterior feita por Leonardo. A maioria dos especialistas em Leonardo não aceita essa atribuição. Já a cópia do Prado é amplamente aceita como uma réplica feita na oficina ao mesmo tempo que o original. Ela fornece pistas valiosas sobre a aparência da pintura do Louvre antes do envelhecimento do verniz.

Significado. Historiadores da arte discordam sobre até que ponto se deve interpretar elementos da pintura como símbolos. Alguns veem a paisagem como uma imagem da Terra viva e da passagem do tempo, em consonância com as anotações em que Leonardo compara o corpo da Terra ao corpo humano. Outros destacam elementos convencionais de um retrato florentino de casamento ou de família. O famoso sorriso também recebeu explicações da óptica e da neurociência, segundo as quais o efeito depende de como a visão periférica percebe sombras de baixo contraste. Essas explicações podem descrever o funcionamento da ilusão, mas não o que Leonardo pretendia.

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Avançado

Documentos, ciência e conservação

Documentos. As principais fontes escritas são a nota de Vespucci à margem de um livro, de 1503; o diário de viagem de de Beatis, de 1517; Vidas dos Artistas, de Vasari (1550, revisado em 1568); o inventário dos bens de Salaì, de 1525; e inventários posteriores da realeza francesa. Os arquivos florentinos sobre a família Giocondo, examinados por Pallanti e outros pesquisadores, fornecem contexto, mas não mencionam diretamente a pintura.

Estudo científico. Desde o século XX, a pintura é examinada por radiografia, reflectografia infravermelha, imagens multiespectrais e outros métodos. Estudos mediram as finas veladuras do sfumato de Leonardo e revelaram desenhos sob a pintura e alterações. Em 2004–2005, o Louvre organizou uma ampla campanha de exames técnicos com o laboratório nacional francês para museus (C2RMF). Afirmações baseadas em métodos de imagem mais recentes, como a proposta do engenheiro Pascal Cotte de que existe outro retrato sob o que vemos, receberam grande atenção da imprensa, mas não são aceitas por muitos especialistas. Eles alertam que é fácil atribuir significados excessivos a imagens multiespectrais de camadas de tinta.

Conservação. O painel de álamo tem uma rachadura na parte superior, estabilizada há muito tempo, e a madeira reage à umidade. A pintura é mantida numa vitrine fechada, com umidade e temperatura controladas, e normalmente não é emprestada a instituições no exterior. Qualquer limpeza do verniz alterado é muito controversa: os favoráveis argumentam que revelaria as cores de Leonardo, enquanto os contrários temem danos às veladuras, que têm apenas alguns micrômetros de espessura.

Exposição. A pintura está exposta na Salle des États desde 2005. Com um número de visitantes que chega a cerca de dez milhões por ano, as condições para observá-la são reconhecidamente difíceis. Em 2025, o governo francês anunciou planos para criar um espaço exclusivo para a Mona Lisa como parte de uma reforma maior do Louvre; os detalhes e o cronograma de projetos desse tipo podem mudar.

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Ideias principais

Sfumato
Técnica de Leonardo que mistura os tons com tanta suavidade, sem linhas ou limites nítidos, que as formas parecem surgir da sombra como fumaça.
Perspectiva aérea
Representação da distância que torna os objetos afastados mais claros, azulados e menos nítidos, como na paisagem atrás de Lisa.
O sorriso enigmático
Os cantos da boca e dos olhos, suaves e pouco definidos, fazem a expressão parecer mudar conforme o lugar para onde o observador olha.
Um novo tipo de retrato
A pose de meio corpo em três quartos, com as mãos visíveis e uma paisagem ao fundo, tornou-se um modelo para os retratos renascentistas.
A obra-prima inacabada
Leonardo guardou a pintura e voltou a trabalhá-la durante anos em vez de entregá-la, tornando incerta a distinção entre uma encomenda e um projeto pessoal.
A fama como parte da história
A condição da pintura como a obra de arte mais famosa do mundo se deve, em grande parte, aos textos do século XIX, ao roubo de 1911 e aos meios de comunicação de massa modernos.
O dilema da conservação
O painel frágil e o verniz amarelado levantam a questão de preservar a pintura como está ou tentar recuperar sua aparência original.

Registros

  1. 1452 — Leonardo da Vinci nasce em Vinci, na Toscana, ou perto dela (15 de abril).
  2. 1479 — Lisa Gherardini nasce em Florença (15 de junho).
  3. 1495 — Lisa se casa com o comerciante Francesco del Giocondo.
  4. 1503 — Em outubro, Agostino Vespucci registra que Leonardo está pintando um retrato do rosto de Lisa del Giocondo.
  5. 1517 — Antonio de Beatis vê o retrato de uma dama florentina na oficina de Leonardo, na França.
  6. 1519 — Leonardo morre em Clos Lucé, perto de Amboise (2 de maio); a pintura passa para a coleção real francesa.
  7. 1550 — Giorgio Vasari publica suas Vidas, identificando a mulher retratada como Mona Lisa, esposa de Francesco del Giocondo.
  8. c. 1797 — Depois da Revolução, a pintura é colocada no novo museu público do Louvre.
  9. 1911 — Vincenzo Peruggia rouba a pintura do Louvre (21 de agosto).
  10. 1913 — A pintura é recuperada em Florença em dezembro e volta a Paris em janeiro de 1914.
  11. 1963 — A pintura é exibida em Washington e Nova York durante sua viagem pelos Estados Unidos (1962–1963).
  12. 2005 — A nota de Vespucci é identificada em Heidelberg; a pintura é transferida para a Salle des États reformada.

Glossário

Pintura sobre painel
Pintura feita sobre uma placa plana de madeira, em vez de uma tela ou parede.
Veladura a óleo
Camada muito fina e transparente de tinta a óleo aplicada sobre outra camada para alterar sua cor ou profundidade.
Sfumato
Do italiano fumo, “fumaça”: maneira de pintar transições suaves entre luz e sombra.
Loggia
Galeria ou varanda coberta, aberta em um ou mais lados e sustentada por colunas.
Pentimento
Vestígio visível ou detectável de uma mudança feita pelo artista sob a superfície final da pintura (plural: pentimenti).
Verniz
Camada transparente de proteção aplicada sobre uma pintura; o verniz antigo costuma ficar amarelo ou marrom.
Reflectografia infravermelha
Técnica de obtenção de imagens que pode revelar desenhos e mudanças escondidos sob camadas de tinta.
Cópia de oficina
Versão de uma pintura feita no ateliê do artista, muitas vezes por assistentes e, às vezes, ao mesmo tempo que o original.
Alto Renascimento
Período por volta de 1490 a 1520 associado a Leonardo, Michelangelo e Rafael.

Perguntas e respostas

Por que ela está sorrindo?

Ninguém sabe o que Lisa estava pensando. Vasari afirmou que Leonardo contratou músicos e artistas cômicos para mantê-la alegre, mas essa história pode ter sido inventada. O efeito do sorriso vem principalmente das sombras suaves que Leonardo pintou ao redor da boca e dos olhos.

Por que a pintura é tão pequena?

Ela foi feita como retrato particular para a casa de uma família, não para a parede de uma igreja ou de um palácio. Com cerca de 77 × 53 cm, tinha um tamanho normal para esse tipo de retrato.

A Mona Lisa é mesmo Lisa Gherardini?

A maioria dos estudiosos pensa que sim. Vasari afirmou isso em 1550, e uma nota escrita por Agostino Vespucci em outubro de 1503, encontrada em 2005, confirma que Leonardo pintava Lisa del Giocondo naquela época.

Por que Leonardo não entregou a pintura ao marido de Lisa?

Não sabemos ao certo. Leonardo muitas vezes guardava obras para aperfeiçoá-las, deixou Florença rumo a Milão em 1506 e talvez tenha passado a valorizar a pintura como uma criação artística própria, mais do que como uma encomenda.

Por que ela parece tão amarela e escura?

As camadas antigas de verniz amarelaram ao longo de cinco séculos. O Louvre decidiu não removê-las porque as veladuras de Leonardo são extremamente finas e poderiam ser danificadas.

Como o roubo de 1911 a tornou mais famosa?

A história ocupou jornais do mundo inteiro por mais de dois anos, e até o espaço vazio na parede do Louvre atraía multidões. Quando a pintura foi encontrada, já tinha se tornado uma celebridade mundial.

Por que os estudiosos atribuem a ela um período tão amplo, de 1503 a 1519?

O início está documentado em 1503, mas um visitante a viu na oficina de Leonardo em 1517, e indícios técnicos sugerem que ele voltou a trabalhá-la mais tarde. Por isso, não é possível comprovar um único ano de conclusão.

Fontes e leituras adicionais

  1. Portrait de Lisa Gherardini, épouse de Francesco del Giocondo, dite La Joconde ou Monna Lisa (INV 779). Musée du Louvre, Collections
  2. Mona Lisa. Wikipedia
  3. Lisa del Giocondo. Wikipedia
  4. Leonardo da Vinci. Wikipedia
  5. Sfumato. Wikipedia
  6. Martin Kemp and Giuseppe Pallanti, Mona Lisa: The People and the Painting. Oxford University Press, 2017
  7. Donald Sassoon, Mona Lisa: The History of the World’s Most Famous Painting. HarperCollins, 2001

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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