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Para jovens leitores
Há muito tempo, na Europa, todo livro tinha que ser copiado à mão. Um copista podia levar um ano ou mais escrevendo uma única Bíblia com uma pena de pássaro. Isso fazia dos livros algo raro e muito caro.
Johannes Gutenberg, um ourives da cidade de Mainz, na Alemanha, teve uma grande ideia. Ele fez milhares de pequenas letras de metal, cada uma uma peça separada que podia ser movida de lugar. Os trabalhadores alinhavam essas letras para formar palavras e páginas, espalhavam tinta grudenta sobre elas e prensavam o papel por cima com uma máquina chamada prensa de impressão. Depois podiam desmontar as letras e usá-las de novo na página seguinte.
Por volta de 1454–55, sua oficina terminou de imprimir uma Bíblia em latim. Era enorme: cerca de 1.280 páginas, geralmente encadernadas em dois volumes pesados. Cada página tem duas colunas de 42 linhas, por isso também a chamam de Bíblia de 42 linhas. Imprimiram cerca de 180 exemplares, alguns em papel e outros em uma pele de animal bem lisa chamada pergaminho.
As páginas impressas parecem quase escritas à mão, porque Gutenberg queria que seu livro fosse tão bonito quanto os melhores livros copiados à mão. Depois da impressão, artistas pintavam letras vermelhas e azuis e flores coloridas nas margens, à mão, de modo que cada exemplar ficava um pouco diferente dos outros.
Cerca de 49 exemplares sobrevivem até hoje, alguns completos e outros em pedaços. Eles são guardados em grandes bibliotecas e museus ao redor do mundo. A Bíblia de Gutenberg mostrou que os livros podiam ser feitos muito mais rápido, e a impressão logo se espalhou por toda a Europa.
Em resumo
- Impressão
- Mainz, c. 1452–1455; concluída até 1455, o mais tardar
- Impressores
- Oficina de Johannes Gutenberg, financiada por Johann Fust; Peter Schöffer provavelmente trabalhou ali
- Texto
- A Bíblia Vulgata latina, em uma versão próxima à medieval “Bíblia de Paris”
- Formato
- Fólio grande, com cerca de 1.280 páginas (641–643 folhas), geralmente encadernado em dois volumes; duas colunas de 42 linhas
- Exemplares
- Cerca de 160–185 impressos (aproximadamente 135 em papel, 45 em pergaminho); cerca de 49 sobrevivem, cerca de 21 completos
- Tipografia
- Tipo gótico textura com cerca de 290 caracteres diferentes, incluindo ligaduras e abreviações
- Reconhecimento
- O exemplar em pergaminho de Göttingen foi inscrito no Registro Memória do Mundo da UNESCO (2001)
- Outros nomes
- Bíblia de 42 linhas (B42), Bíblia Mazarina
Fácil
O que é a Bíblia de Gutenberg?
A Bíblia de Gutenberg é uma edição da Bíblia latina impressa na cidade alemã de Mainz em meados da década de 1450. É o primeiro grande livro impresso na Europa com tipos móveis de metal, uma técnica que permitia organizar, imprimir, desmontar e reutilizar as mesmas letras. Foi produzida na oficina de Johannes Gutenberg com dinheiro emprestado pelo mercador de Mainz Johann Fust.
Como cada coluna tem 42 linhas, os bibliógrafos a chamam de Bíblia de 42 linhas, ou B42 para abreviar. Também é chamada de Bíblia Mazarina, porque o primeiro exemplar a chamar a atenção de estudiosos, no século XVIII, estava na biblioteca do cardeal Mazarino, em Paris.
A impressão não foi inventada em Mainz: a impressão em blocos de madeira já era usada na China, na Coreia e no Japão havia muitos séculos, e os tipos móveis já existiam na China desde o século XI e em metal na Coreia desde o século XIII. O que Gutenberg criou foi um sistema completo para produzir tipos de metal em grande quantidade e imprimir com eles de forma eficiente, e esse sistema se espalhou rapidamente pela Europa.
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Quem foi Johannes Gutenberg?
Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg nasceu em Mainz por volta de 1400; o ano exato é desconhecido. Vinha de uma família patrícia e adotou o nome pelo qual ficou conhecido a partir da casa da família, a Hof zum Gutenberg. Parece ter sido treinado em trabalhos com metal e pode ter trabalhado com a casa da moeda da cidade.
Por causa de conflitos políticos em Mainz, ele viveu muitos anos em Estrasburgo. Registros de um processo judicial de 1439 mostram que ele tinha um negócio secreto com sócios envolvendo a fabricação de espelhos de metal polido para peregrinos que iam a Aachen, e que esse negócio usava uma prensa, chumbo e “formas”. Muitos historiadores acham que ele já estava experimentando com a impressão.
Em 1448 ele estava de volta a Mainz. Lá ele pegou dinheiro emprestado, primeiro de parentes e depois, por volta de 1450, 800 florins de Johann Fust, seguidos de outros 800 florins alguns anos depois para o projeto da Bíblia. Essas dívidas mais tarde lhe custariam o controle da própria oficina.
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Como foi impressa?
A invenção fundamental foi uma maneira de fundir muitas letras idênticas com rapidez. Um artesão primeiro gravava uma letra invertida na ponta de uma haste de aço duro, chamada punção. A punção era cravada em um bloco de cobre mais macio para formar um molde da letra, chamado matriz. A matriz era encaixada em um molde manual ajustável, e metal fundido era despejado ali. Em poucos segundos uma pequena letra de metal, ou tipo, estava pronta. O metal era uma liga de chumbo, estanho e antimônio, que derrete facilmente, esfria rápido e é dura o suficiente para resistir à impressão.
Os compositores pegavam os tipos de caixas de tipos e os organizavam em linhas para formar uma página. A página de tipos era travada em uma moldura, molhada com uma tinta à base de óleo que aderia ao metal melhor do que as tintas à base de água usadas pelos copistas, e prensada sobre papel ou pergaminho umedecido usando uma prensa de parafuso, provavelmente adaptada de prensas usadas para vinho, papel ou linho.
Para fazer as páginas parecerem uma bela caligrafia, a oficina de Gutenberg fundiu cerca de 290 caracteres diferentes: maiúsculas, minúsculas, muitas ligaduras (letras unidas) e abreviações, e letras de larguras ligeiramente diferentes. Isso permitia que as linhas fossem perfeitamente justificadas, com margens retas à esquerda e à direita, como nos melhores manuscritos.
O trabalho foi enorme. Estudiosos calculam que várias prensas e talvez algumas dezenas de trabalhadores ficaram ocupados por dois ou três anos. As primeiras páginas foram compostas com 40 linhas por coluna, depois 41, depois 42, provavelmente para economizar papel. Algumas folhas iniciais foram impressas com títulos em vermelho em uma segunda passagem, mas isso logo foi abandonado, e o vermelho passou a ser acrescentado à mão.
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Papel e pergaminho, rubricação e decoração
Cerca de 180 exemplares foram impressos, a maioria em papel de alta qualidade importado da Itália e cerca de um quarto em pergaminho (pele de bezerro), muito mais caro. Cada exemplar em pergaminho exigia a pele de muitos bezerros.
As folhas impressas eram vendidas sem encadernação. Os compradores então pagavam artesãos locais para finalizá-las. Um rubricador acrescentava iniciais vermelhas e azuis, títulos de capítulo e cabeçalhos; um iluminador podia acrescentar ouro, iniciais pintadas e bordas decoradas; e um encadernador encadernava os volumes. Como resultado, não existem dois exemplares iguais. Alguns são ricamente pintados, enquanto o exemplar da Biblioteca do Congresso, por exemplo, tem iniciais mais simples, feitas a pena.
Um exemplar em Paris contém uma nota do rubricador Heinrich Cremer afirmando que ele terminou seu trabalho em agosto de 1456. Essa nota é uma das provas que mostram que a impressão estava concluída até essa data.
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Por que Mainz, e por que a década de 1450?
Várias condições se combinaram na região do Reno em meados do século XV. O papel, antes um produto importado do mundo islâmico, agora era fabricado na Itália e cada vez mais ao norte dos Alpes, por isso era bem mais barato que o pergaminho de pele. As cidades alemãs tinham ourives, cunhadores de moedas e fundidores de metal habilidosos, que sabiam trabalhar punções e moldes precisos. Prensas de vinho e de papel eram máquinas conhecidas. E havia um mercado crescente de leitores: universidades, escolas, mosteiros, clérigos e habitantes urbanos prósperos.
A Igreja também tinha motivos para querer textos confiáveis e uniformes. Movimentos de reforma da época reclamavam que os livros litúrgicos e as Bíblias copiados à mão continham muitos erros e variações. O legado papal Nicolau de Cusa, que viajou pela Alemanha em 1451–52 promovendo a reforma da Igreja, pedia livros de serviço corretos e uniformes. Alguns historiadores sugerem que essas exigências incentivaram Gutenberg a escolher uma Bíblia como seu grande projeto, embora não haja prova direta que ligue Cusa à oficina.
Por fim, a impressão era um negócio. Gutenberg precisava de grandes empréstimos para comprar metal, papel e pergaminho e para pagar trabalhadores muito antes que qualquer exemplar pudesse ser vendido. Uma Bíblia era uma escolha arriscada, mas potencialmente lucrativa: toda igreja e mosteiro precisava de uma, e o texto não mudava. Trabalhos menores, como indulgências, calendários e gramáticas escolares (a gramática latina de Donato foi impressa muitas vezes em Mainz), traziam uma renda mais rápida enquanto a Bíblia estava em produção.
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Datando a Bíblia: uma carta de um futuro papa
A Bíblia não tem data impressa nem colofão, então sua data precisa ser deduzida de outras evidências. A mais importante é uma carta escrita em março de 1455 por Enea Silvio Piccolomini, o futuro papa Pio II, ao cardeal Juan de Carvajal. Piccolomini relatou que, na feira de Frankfurt em outubro de 1454, tinha visto um “homem maravilhoso” exibindo cadernos (conjuntos de páginas) de uma Bíblia, escritos com tanta clareza que podiam ser lidos sem óculos. Ele acrescentou que, segundo lhe disseram, todos os exemplares já estavam vendidos.
Um segundo documento fundamental é o Instrumento Notarial de Helmasperger, de 6 de novembro de 1455, um registro legal do processo movido por Fust contra Gutenberg. Ele mostra que Fust exigiu o pagamento de seus empréstimos com juros e que o tribunal, em grande parte, lhe deu razão. Depois do processo, Fust assumiu boa parte do equipamento e, junto com Peter Schöffer, um antigo copista que havia trabalhado com Gutenberg e mais tarde se casou com a filha de Fust, tornou-se um impressor de sucesso.
Juntando essas evidências, a maioria dos estudiosos data o início do trabalho por volta de 1452 e a conclusão da impressão em 1454 ou início de 1455. A mesma oficina imprimiu outros itens nessa época, incluindo cartas de indulgência (1454–55) e um pequeno panfleto pedindo uma cruzada contra os turcos após a queda de Constantinopla, conhecido como Türkenkalender.
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O texto e o design
O texto é a Vulgata latina, a tradução associada a São Jerônimo que era a Bíblia padrão da Igreja ocidental. A edição de Gutenberg segue a tradição da “Bíblia de Paris” do século XIII, que fixou a ordem dos livros e as divisões em capítulos usadas até hoje, e inclui os prefácios de Jerônimo aos livros bíblicos.
O tipo é uma textura, a escrita gótica formal usada em manuscritos litúrgicos. Suas letras densas e escuras, com traços angulares, davam à página a aparência de um luxuoso livro manuscrito. As margens generosas, a disposição em duas colunas e o espaçamento cuidadoso refletem a estética dos melhores manuscritos da época.
O livro se destinava principalmente a igrejas e mosteiros, que precisavam de Bíblias grandes e legíveis para leitura em voz alta durante os cultos e as refeições. Custando cerca de 30 florins por um exemplar em papel, segundo uma estimativa, era caro, mas mais barato e muito mais rápido de conseguir do que um manuscrito comparável.
Intermediário
A disseminação da impressão
Depois de perder o controle da oficina da Bíblia, Gutenberg parece ter continuado a imprimir em escala menor. Fust e Schöffer produziram o Saltério de Mainz em 1457, o primeiro livro impresso europeu com data e nomes de impressores impressos, famoso por suas iniciais coloridas impressas. Uma Bíblia de 36 linhas, impressa com uma versão anterior do tipo de Gutenberg, provavelmente em Bamberg, surgiu por volta de 1458–61.
Em 1462 Mainz foi saqueada durante um conflito entre arcebispos rivais, e muitos impressores deixaram a cidade. Eles levaram o novo ofício a outras cidades da Alemanha e depois à Itália, à França, aos Países Baixos e além. Em 1465 o arcebispo vencedor, Adolfo II de Nassau, deu a Gutenberg um título de corte com um subsídio anual de tecido, grãos e vinho. Ele morreu em Mainz em 3 de fevereiro de 1468.
Por volta de 1500 havia prensas de impressão ativas em mais de 250 cidades europeias, e elas já haviam produzido dezenas de milhares de edições. Livros impressos antes de 1501 são chamados de incunábulos, de uma palavra latina que significa “berço”, porque vêm da infância da impressão.
Intermediário
Exemplares sobreviventes
Cerca de 49 exemplares sobrevivem de forma substancial, embora alguns estejam incompletos; cerca de 21 são completos. Eles estão guardados em bibliotecas na Alemanha, nos Estados Unidos, no Reino Unido, na França, na Espanha, na Polônia, na Rússia, no Japão e em outros lugares. A Morgan Library & Museum, em Nova York, tem três exemplares, e exemplares únicos estão na Biblioteca do Congresso, na Biblioteca Britânica, na Bibliothèque nationale de France e na Universidade Keio, em Tóquio, entre outras. O Harry Ransom Center, da Universidade do Texas em Austin, adquiriu seu exemplar completo em papel em 1978 e o mantém em exibição permanente.
O exemplar em pergaminho da Biblioteca Estadual e Universitária de Göttingen é especial porque é preservado junto com dois documentos relacionados: o Livro de Modelos de Göttingen, um manual para iluminadores que corresponde à decoração do exemplar, e o Instrumento Notarial de Helmasperger. Juntos, foram inscritos no Registro Memória do Mundo da UNESCO em 2001. Göttingen também disponibilizou gratuitamente seu exemplar on-line, em formato digital.
O último exemplar completo vendido, em 1978, alcançou cerca de 2,4 milhões de dólares americanos. Folhas individuais, separadas de exemplares danificados no passado, ocasionalmente aparecem no mercado; bibliotecários modernos consideram o desmembramento de livros antigos para venda uma perda para a pesquisa acadêmica.
Intermediário
A impressão no Leste Asiático e a questão da precedência
Muito antes de Gutenberg, a impressão floresceu no Leste Asiático. O livro impresso com data mais antigo que sobrevive é o Sutra do Diamante, de 868, encontrado em Dunhuang, na China. O artesão chinês Bi Sheng fez tipos móveis de argila cozida na década de 1040, segundo o estudioso Shen Kuo. Na Coreia, tipos móveis de metal foram usados durante a dinastia Goryeo, e o Jikji, um texto budista impresso no templo Heungdeoksa em 1377, é o livro sobrevivente mais antigo impresso com tipos móveis de metal. O enorme Tripitaka Koreana, em blocos de madeira, foi esculpido no século XIII.
Não se sabe se algum conhecimento sobre a impressão asiática chegou até Gutenberg. Não há evidência documental de transmissão, e seus métodos, especialmente o molde manual, a liga metálica, a tinta à base de óleo e a prensa, diferem das técnicas do Leste Asiático. Por isso, a maioria dos historiadores considera a impressão europeia um desenvolvimento independente, ao mesmo tempo em que reconhece as conquistas asiáticas muito anteriores. Alguns autores defenderam a ideia de uma transmissão indireta pelas rotas comerciais, mas isso continua especulativo.
Uma razão pela qual os tipos móveis tiveram efeitos diferentes no Leste Asiático e na Europa é o sistema de escrita. O chinês exige milhares de caracteres distintos, então os blocos de madeira eram muitas vezes mais práticos, enquanto um alfabeto com poucas dezenas de letras se adapta bem aos tipos reutilizáveis. É interessante notar que, na Coreia, o alfabeto Hangeul foi criado em 1443–46, exatamente quando Gutenberg estava desenvolvendo sua prensa.
Avançado
Debate: quão revolucionária foi a impressão?
A impressão costuma ser chamada de revolução. A historiadora Elizabeth Eisenstein, em The Printing Press as an Agent of Change (1979), argumentou que a impressão transformou a cultura europeia ao tornar os textos padronizados, amplamente disponíveis e permanentemente preservados. Em sua visão, essas mudanças ajudaram a tornar possíveis a recuperação dos textos clássicos pelo Renascimento, a Reforma Protestante e a Revolução Científica.
Outros estudiosos criticaram essa visão. Adrian Johns, em The Nature of the Book (1998), argumentou que os primeiros livros impressos não eram automaticamente confiáveis ou uniformes: pirataria, erros e práticas locais eram comuns, e a confiança na impressão teve que ser construída por pessoas e instituições ao longo do tempo. Outros observam que a cópia manuscrita continuou por séculos, e que os efeitos da impressão dependiam da alfabetização, da religião, do comércio e da política.
A própria Bíblia de Gutenberg mostra os dois lados da história. É um avanço tecnológico, mas foi deliberadamente projetada para imitar manuscritos, vendida em pequenas quantidades a igrejas, e finalizada à mão. Seu público imediato era a Igreja medieval, não um leitorado de massa. As mudanças mais dramáticas vieram nas décadas seguintes, à medida que livros mais baratos, panfletos e textos em línguas vernáculas se multiplicaram.
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Evidências e métodos
Quase tudo o que sabemos sobre Gutenberg vem de um pequeno número de documentos legais e financeiros, como o processo de Estrasburgo de 1439, registros de empréstimos e o Instrumento de Helmasperger. Nenhuma de suas obras impressas sobreviventes traz seu nome. Seu papel é reconstruído combinando esses documentos com o estudo físico dos livros.
Os bibliógrafos comparam os exemplares sobreviventes em detalhe. Variações no tipo, a mudança de 40 para 42 linhas, diferenças entre exemplares em papel e em pergaminho, marcas d’água no papel e locais onde páginas foram recompostas revelam como o trabalho foi organizado e quantos compositores e prensas foram usados. As notas dos rubricadores e as encadernações ajudam a estabelecer datas e primeiros proprietários.
Novas técnicas continuam a lançar luz sobre como os tipos foram feitos. Em 2001 os estudiosos Paul Needham e Blaise Agüera y Arcas usaram análise digital de formas de letras em impressões antigas de Mainz para argumentar que o tipo mais antigo pode não ter sido fundido a partir de uma única matriz permanente para cada letra, como tradicionalmente se supunha, mas por um método mais improvisado. Suas conclusões ainda são debatidas. A análise científica das tintas também mostrou que a tinta de Gutenberg continha componentes metálicos como cobre e chumbo, o que ajuda a explicar sua duradoura aparência preta e brilhante.
Ideias principais
- Tipos móveis de metal
- Letras individuais fundidas em metal que podem ser organizadas, impressas e reutilizadas.
- Molde manual
- Um molde ajustável que permitia a um fundidor fazer rapidamente grandes quantidades de letras idênticas.
- Imitação de manuscritos
- O tipo, a disposição e a decoração manual da Bíblia foram projetados para rivalizar com os melhores livros manuscritos.
- Acabamento manual
- Rubricação, iluminação e encadernação eram acrescentadas à mão, de modo que cada exemplar é único.
- Impressão como sistema
- Gutenberg combinou fundição de tipos, tinta, papel e prensa em um sistema de produção eficiente.
- Invenção independente
- O Leste Asiático teve impressão e tipos móveis muito antes; a impressão europeia parece ter se desenvolvido separadamente.
- Cultura impressa
- Historiadores debatem até que ponto a impressão mudou a forma como o conhecimento era preservado, confiado e difundido.
- Datação sem uma data
- Como a Bíblia não traz data impressa, os estudiosos a datam combinando cartas, registros legais, notas de rubricadores e evidências físicas dos exemplares sobreviventes.
Registros
- 1377 — O Jikji é impresso com tipos móveis de metal em Goryeo, na Coreia.
- c. 1400 — Johannes Gutenberg nasce em Mainz.
- 1439 — Um processo judicial em Estrasburgo revela o negócio secreto de Gutenberg envolvendo uma prensa.
- 1448 — Gutenberg está de volta a Mainz e pega dinheiro emprestado.
- c. 1450 — Gutenberg pega emprestados 800 florins de Johann Fust.
- c. 1452 — Começa o trabalho na Bíblia de 42 linhas.
- 1454 — Piccolomini vê cadernos da Bíblia na feira de Frankfurt, em outubro.
- 1455 — Carta de Piccolomini (março); o Instrumento Notarial de Helmasperger registra o processo de Fust (6 de novembro).
- 1456 — O rubricador Heinrich Cremer termina de decorar um exemplar hoje em Paris (agosto).
- 1457 — Fust e Schöffer imprimem o Saltério de Mainz, o primeiro livro impresso datado da Europa.
- 1468 — Gutenberg morre em Mainz, em 3 de fevereiro.
- 2001 — O exemplar de Göttingen é inscrito no Registro Memória do Mundo da UNESCO.
Glossário
- Tipo móvel
- Letras ou caracteres individuais que podem ser reorganizados para imprimir textos diferentes.
- Punção
- Uma haste de aço com uma letra gravada em relevo na ponta, usada para fazer uma matriz.
- Matriz
- Um bloco de cobre com o molde de uma letra, usado como forma para fundir tipos.
- Tipo (sort)
- Uma única peça de tipo de metal.
- Compositor
- Um trabalhador que organiza tipos em linhas e páginas.
- Pergaminho (vellum)
- Pergaminho fino feito de pele de bezerro, usado em livros de luxo.
- Rubricação
- Acrescentar títulos e iniciais em vermelho (e muitas vezes azul) a um livro, à mão.
- Iluminação
- Decoração pintada em um livro, muitas vezes com ouro.
- Vulgata
- A tradução latina da Bíblia, associada a São Jerônimo, usada na Igreja ocidental.
- Incunábulos
- Livros impressos na Europa antes de 1501.
- Caderno (quire)
- Um grupo de folhas dobradas que forma uma seção de um livro.
- Colofão
- Uma nota ao final de um livro dando informações como o impressor, o local e a data; a Bíblia de Gutenberg não tem nenhuma, enquanto o Saltério de Mainz de 1457 tem uma.
Perguntas e respostas
A Bíblia de Gutenberg foi o primeiro livro impresso?
Não. Livros impressos já existiam muito antes no Leste Asiático, e alguns itens pequenos foram impressos na Europa antes dela. É o primeiro grande livro impresso na Europa com tipos móveis de metal.
Quantos exemplares restam?
Cerca de 49, dos quais cerca de 21 são completos. O restante são exemplares incompletos ou fragmentos.
Por que cada exemplar é diferente?
As iniciais coloridas, as decorações e as encadernações foram acrescentadas à mão depois da impressão, por artistas diferentes escolhidos por cada comprador.
Em que idioma ela está escrita?
Em latim. Ela imprime a Vulgata, a Bíblia latina usada pela Igreja ocidental na Idade Média.
Gutenberg ficou rico com sua invenção?
Não. Ele perdeu boa parte de sua oficina para seu credor Johann Fust depois de um processo judicial em 1455, embora mais tarde tenha recebido uma pensão do arcebispo de Mainz.
Gutenberg sabia sobre os tipos de metal coreanos?
Não há evidência de que soubesse. A maioria dos historiadores pensa que a impressão europeia se desenvolveu de forma independente, ainda que a Coreia tenha usado tipos de metal antes.
Como sabemos quando foi impressa, se não tem data?
Pela carta de Piccolomini de março de 1455, pelo registro legal do processo de Fust em novembro de 1455 e por uma nota de rubricador de agosto de 1456 em um exemplar de Paris.
Por que também é chamada de Bíblia Mazarina?
Porque o exemplar que primeiro chamou a atenção dos estudiosos, no século XVIII, pertencia à biblioteca do cardeal Mazarino, em Paris.
Fontes e leituras adicionais
- Gutenberg Bible. Wikipedia
- Johannes Gutenberg. Wikipedia
- Movable type. Wikipedia
- Incunable. Wikipedia
- Memory of the World Register – Europe and North America (entry: 42-line Gutenberg Bible, printed on vellum, and its contemporary documentary background). Wikipedia
- The Gutenberg Bible. Harry Ransom Center, University of Texas at Austin
- The Gutenberg Bible at the Library of Congress: A Resource Guide. Library of Congress
- 구텐베르크 성서. 위키백과 (Korean Wikipedia)
- Elizabeth L. Eisenstein, The Printing Press as an Agent of Change. Cambridge University Press, 1979
- Albert Kapr (translated by Douglas Martin), Johann Gutenberg: The Man and His Invention. Scolar Press, 1996
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.
