Patrimônio

Yinxu

殷墟 (Yīnxū, “Ruins of Yin”)

c. 1300–1046 a.C. · Yin (perto de Anyang)

Em uma frase

Yinxu, perto da atual cidade de Anyang, na China, é o sítio da última capital da dinastia Shang. Ali, reis governaram há cerca de 3.300 a 3.000 anos e deixaram palácios, grandes túmulos, vasos de bronze e o mais antigo conjunto extenso de escrita chinesa, gravado em ossos oraculares.

Yinxu
Imagem: xiquinhosilva · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

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Para jovens leitores

Há mais de três mil anos, reis da dinastia Shang governavam parte do norte da China a partir de uma grande cidade às margens do rio Huan. Quando a dinastia acabou, a cidade foi abandonada e, aos poucos, ficou coberta por campos. Mais tarde, as pessoas chamaram o lugar de Yinxu, que significa «ruínas de Yin».

Os reis Shang queriam saber o que aconteceria no futuro. Vai chover? A colheita será boa? Vamos vencer a batalha? Para tentar descobrir, uma pessoa chamada adivinho aquecia um pedaço de casco de tartaruga ou um osso do ombro de um boi até aparecerem rachaduras. Depois, observava as rachaduras como se fossem uma resposta dos antepassados do rei. Escribas gravavam a pergunta e, às vezes, a resposta no osso.

Esses ossos oraculares formam o mais antigo grande conjunto de escrita chinesa que conhecemos. Muitos de seus sinais deram origem a caracteres que as pessoas ainda usam na China. Por exemplo, o sinal de «sol» era um círculo com um ponto, e o de «pessoa» parecia alguém visto de lado.

Em Yinxu, arqueólogos encontraram as bases de palácios e templos, oficinas onde eram feitos objetos de bronze, osso e jade, e túmulos enormes. Em um túmulo que ninguém havia saqueado estava Fu Hao, uma rainha que também comandava exércitos. Ela foi enterrada com centenas de vasos de bronze, peças de jade e quase sete mil conchas usadas como uma forma de riqueza.

Yinxu também tem uma história triste. Os Shang matavam muitas pessoas, muitas vezes prisioneiros de guerra, como oferendas a seus antepassados e deuses. Depois, enterravam as vítimas em fossas perto dos túmulos reais. Os arqueólogos estudam esses restos com cuidado para que nos lembremos das vítimas, e não apenas dos reis.

Em resumo

Período
Final da dinastia Shang, c. 1300 (ou c. 1250) a 1046 a.C.; segundo a cronologia tradicional, a capital começou com a mudança do rei Pan Geng para Yin
Localização
A noroeste de Anyang, província de Henan, China, nas duas margens do rio Huan
Governantes
Tradicionalmente, 12 reis, de Pan Geng a Di Xin; as inscrições em ossos oraculares começam no reinado de Wu Ding
Dimensão
O antigo assentamento ocupa cerca de 30 km²; a área inscrita como Patrimônio Mundial abrange 414 hectares
Áreas principais
Área dos palácios e templos ancestrais em Xiaotun (margem sul); necrópole real em Xibeigang–Houjiazhuang (margem norte)
Principais achados
Cerca de 150 mil fragmentos de ossos oraculares; o túmulo intacto de Fu Hao (1976); o ding Houmuwu, com cerca de 833 kg
Escavações
Escavações científicas desde 1928 (Academia Sinica, 15 campanhas até 1937), retomadas em 1950
Reconhecimento
Patrimônio Mundial da UNESCO (2006)

Fácil

O que é Yinxu?

Yinxu (殷墟) é o nome do sítio arqueológico da última capital da dinastia Shang, a primeira dinastia chinesa confirmada por registros escritos de sua própria época. Fica a noroeste da cidade de Anyang, na província de Henan, na planície do norte da China, a cerca de 500 km ao sul de Pequim. A antiga cidade se estendia pelas duas margens do rio Huan, que faz uma curva ao atravessar o sítio.

O nome significa «Ruínas de Yin». Yin era o nome que historiadores chineses posteriores usavam para os Shang, sobretudo em sua fase final, depois que a capital foi transferida para esse lugar. Os próprios Shang parecem ter chamado sua capital de «Shang» ou «Grande Assentamento de Shang» (Da Yi Shang).

Yinxu não é um único edifício, mas uma vasta área de vestígios: bases de palácios e templos feitas de terra compactada, bairros residenciais, oficinas de fundição de bronze, entalhe de ossos e produção de objetos de jade e cerâmica, estradas, valas de drenagem, cemitérios de pessoas comuns e túmulos dos próprios reis.

O sítio é famoso sobretudo pelos ossos oraculares, que contêm o mais antigo conjunto extenso de escrita chinesa, e por seus bronzes, que mostram o auge da fundição da Idade do Bronze no leste da Ásia. A UNESCO inscreveu Yinxu na Lista do Patrimônio Mundial em 2006, reconhecendo-o como testemunho de uma «época de ouro» da antiga cultura chinesa.

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Fácil

Como entender a organização do sítio

O centro de Yinxu fica em Xiaotun, na margem sul do rio Huan, onde ele faz uma curva. Ali, arqueólogos encontraram mais de 80 bases de grandes construções feitas de terra compactada: camadas de solo socadas entre tábuas de madeira. Sobre essas plataformas havia salões de madeira com telhados de palha. Pesquisadores os interpretam como palácios, templos ancestrais e altares. Não havia paredes de pedra: a arquitetura Shang usava terra e madeira, e só restaram as fundações, os buracos dos postes e as bases.

Em vez de uma muralha, uma grande vala passava a oeste e ao sul da área dos palácios; o rio delimitava os outros lados. Ao redor desse núcleo havia muitos grupos de casas, oficinas e cemitérios familiares espalhados por cerca de 30 quilômetros quadrados. Isso sugere uma cidade de grupos de parentesco distribuídos pelo território, e não uma cidade cercada por muralhas.

Na margem norte, em Xibeigang, perto de Houjiazhuang, fica a necrópole real. Seus maiores túmulos são fossas enormes, com rampas inclinadas que descem de dois ou quatro lados e formam uma cruz. As câmaras funerárias ficavam a mais de dez metros de profundidade. Ao redor delas há mais de mil fossas menores com vítimas de sacrifício, cavalos, carros de guerra e outras oferendas.

Quem visita o sítio hoje pode ver edifícios reconstruídos, fossas de carros de guerra preservadas, o túmulo de Fu Hao e um museu. A maior parte do sítio, porém, fica sob campos e a cidade atual, e ainda há muito a escavar.

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Fácil

Ossos oraculares: perguntas aos antepassados

Os reis Shang acreditavam que seus antepassados mortos e outras forças, incluindo uma divindade suprema chamada Di, controlavam o clima, as colheitas, as doenças e as vitórias na guerra. Para conhecer sua vontade, os adivinhos do rei praticavam a piromancia, ou adivinhação pelo fogo. Eles preparavam escápulas de bois e as partes inferiores e planas dos cascos de tartarugas, chamadas plastrões, abriam fileiras de cavidades no verso e aqueciam essas cavidades até o osso ou casco rachar com um estalo. A forma das rachaduras, muitas vezes parecida com o caractere 卜 (bu, «adivinhar»), era interpretada como uma resposta.

Depois, escribas frequentemente gravavam um registro no osso. Uma inscrição completa pode trazer a data, o nome do adivinho, a pergunta, a previsão do rei e, às vezes, o que de fato aconteceu. Os assuntos incluem chuva e colheitas, caçadas, campanhas militares, partos, doenças, sonhos e quais antepassados deveriam receber determinados sacrifícios. Um conjunto conhecido pergunta se o parto de Fu Hao correria bem.

Foram encontrados cerca de 150 mil fragmentos de ossos e cascos oraculares com inscrições, a maioria em Yinxu. As inscrições usam aproximadamente 4 mil a 5 mil caracteres diferentes, dos quais apenas entre um quarto e um terço foram decifrados com segurança. Muitos são claramente antepassados dos caracteres chineses modernos.

Os ossos oraculares são extraordinários porque registram as preocupações de reis reais em sua própria época, em vez de histórias escritas séculos depois. Eles são a base do que sabemos sobre a história, a religião e a língua dos Shang.

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Intermediário

Bronze, carros de guerra e oficinas artesanais

Artesãos Shang fabricavam vasos de bronze para oferecer alimentos e vinho aos antepassados, além de armas, ferramentas e peças de carros de guerra. Diferentemente dos primeiros trabalhadores do metal do Oriente Próximo e da Europa, que muitas vezes martelavam o metal ou o fundiam em moldes simples, os fundidores Shang usavam moldes seccionados de argila. Com eles, podiam fundir diretamente formas e decorações complexas. Sítios de fundição em Yinxu forneceram milhares de fragmentos de moldes, evidência de uma produção organizada em grande escala.

O maior bronze Shang conhecido, o ding Houmuwu, foi encontrado em Yinxu em 1939. É um caldeirão retangular de 1,33 m de altura e cerca de 833 kg, o vaso de bronze mais pesado conhecido do mundo antigo. Sua inscrição, antes lida como «Simuwu», hoje costuma ser lida como «Houmuwu» e indica uma oferenda a uma mãe da família real chamada Wu. O vaso está atualmente no Museu Nacional da China, em Pequim.

Os bronzes Shang são decorados com o taotie, um desenho simétrico semelhante a uma máscara, com olhos, chifres e mandíbulas, muitas vezes formado por dois animais vistos de perfil. Seu significado é debatido: pode representar espíritos ou simplesmente ser um motivo decorativo marcante.

Yinxu também oferece os mais antigos indícios de carros de guerra na China. Fossas com carros de duas rodas enterrados junto de seus cavalos e, às vezes, de seus condutores aparecem por volta do reinado de Wu Ding. Como o carro de guerra surge de repente e já plenamente desenvolvido, a maioria dos pesquisadores considera que foi introduzido a partir das estepes da Ásia Central. Oficinas de objetos de osso, como grampos de cabelo e pontas de flecha, de entalhe de jade e de cerâmica completam o quadro de uma grande economia urbana especializada.

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Intermediário

O túmulo de Fu Hao

Quase todos os grandes túmulos reais de Yinxu foram saqueados na Antiguidade ou em tempos modernos. Em 1976, a arqueóloga Zheng Zhenxiang e sua equipe encontraram perto da área dos palácios, em Xiaotun, um túmulo menor identificado como M5, que nunca havia sido perturbado. Descobriu-se que pertencia a Fu Hao, uma consorte do rei Wu Ding.

O túmulo era uma fossa de cerca de 5,6 por 4 metros, com uma câmara de madeira, mas guardava riquezas extraordinárias: mais de 460 objetos de bronze, incluindo cerca de 200 vasos rituais e 130 armas; aproximadamente 755 peças de jade; mais de 560 objetos de osso; taças de marfim; e cerca de 6.900 conchas de cauri, usadas como forma de riqueza. Muitos bronzes trazem seu nome. Dezesseis vítimas humanas e seis cães também foram enterrados com ela.

Fu Hao é mencionada em muitas inscrições em ossos oraculares. Elas mostram que ela comandou campanhas militares com milhares de soldados, realizou sacrifícios e possuía terras próprias. O rei consultou os oráculos sobre seus partos e suas doenças. Ela é a mulher da China Shang cuja vida está documentada com mais detalhes e mostra que mulheres da elite podiam exercer poder militar e religioso.

Como o túmulo está intacto e foi bem documentado, ele é uma referência importante para datar objetos Shang e compreender o reinado de Wu Ding, período do qual vem a maioria dos ossos oraculares.

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Intermediário

Reis, antepassados e a queda dos Shang

As histórias tradicionais chinesas, sobretudo os Registros do Grande Historiador (Shiji), de Sima Qian (c. 100 a.C.), dizem que os Shang mudaram sua capital várias vezes até que o rei Pan Geng se estabeleceu em Yin. A partir de então, doze reis governaram ali até a queda da dinastia. O último, Di Xin, foi retratado em textos posteriores da dinastia Zhou como um tirano cruel, uma imagem que ajudava a justificar a conquista pelos Zhou.

Os ossos oraculares permitiram que os pesquisadores verificassem essas tradições. Em 1917, Wang Guowei mostrou que os nomes de reis e antepassados Shang nas inscrições correspondiam, em grande parte, à lista de reis registrada por Sima Qian mil anos depois. Isso comprovou que a dinastia Shang existiu e que o Shiji preservou informações autênticas, embora com alguns erros na ordem dos governantes e em suas relações de parentesco.

As inscrições revelam um Estado centrado no rei e no culto a seus antepassados. O rei era o principal adivinho e oferecia sacrifícios a um amplo conjunto de antepassados segundo um calendário regular. O poder real dependia de alianças com grupos de parentesco e de guerras contra povos vizinhos, como os Qiang, a oeste.

Por volta de 1046 a.C., segundo a data proposta pelo Projeto de Cronologia Xia–Shang–Zhou, o rei Wu de Zhou derrotou Di Xin na Batalha de Muye, e a capital Shang foi abandonada. Os Zhou permitiram que descendentes Shang continuassem a realizar ritos ancestrais no Estado de Song. A data exata da conquista continua em debate, com propostas que diferem em várias décadas.

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Intermediário

Sacrifícios humanos e a história das vítimas

O sacrifício humano era uma prática regular da religião da realeza Shang. Inscrições em ossos oraculares registram oferendas de pessoas aos antepassados, às vezes dezenas ou centenas de uma só vez. Muitas vítimas eram prisioneiros capturados em guerras, especialmente pessoas do povo Qiang. As estimativas do número de vítimas mencionadas nas inscrições chegam aos milhares.

A arqueologia confirma esses registros. Ao redor dos túmulos reais de Xibeigang há bem mais de mil fossas de sacrifício, muitas delas com esqueletos decapitados dispostos em fileiras. Os grandes túmulos também continham acompanhantes enterrados com os mortos, possivelmente parentes, guardas ou servos. Sacrifícios de animais, incluindo cavalos, cães e bois, também eram comuns.

Estudos científicos dos esqueletos, incluindo análises de isótopos de estrôncio e oxigênio nos dentes e de DNA antigo, começaram a mostrar de onde vinham as vítimas, que idade tinham e como viviam. Esse trabalho ajuda a recuperar a identidade de pessoas que aparecem nas inscrições apenas como números.

O sacrifício humano diminuiu depois dos Shang e passou a ser cada vez mais criticado no pensamento chinês posterior, embora o enterro de acompanhantes tenha continuado em alguns Estados durante séculos. Em Yinxu, lembrar as vítimas é essencial para compreender uma sociedade que também produziu grandes obras de arte e os primórdios da escrita chinesa.

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Intermediário

«Ossos de dragão» e o nascimento da arqueologia chinesa

Durante séculos, agricultores perto de Anyang desenterraram ossos antigos e os venderam a farmácias como «ossos de dragão», um remédio tradicional moído até virar pó. Uma história popular conta que, em 1899, Wang Yirong, ao tratar uma doença, percebeu caracteres antigos em ossos comprados para seu remédio. Os detalhes dessa história provavelmente são lendários, mas Wang de fato esteve entre os primeiros a reunir ossos com inscrições e reconhecê-los como escrita antiga.

Em 1903, Liu E publicou o primeiro livro de decalques de ossos oraculares. Luo Zhenyu rastreou a origem dos ossos até a aldeia de Xiaotun, em Anyang, e identificou o lugar como as ruínas da capital Shang. Em seguida, o trabalho de Wang Guowei confirmou o valor histórico das inscrições.

Em 1928, o recém-criado Instituto de História e Filologia da Academia Sinica iniciou escavações científicas em Yinxu, dirigidas em diferentes momentos por Dong Zuobin, Li Ji e Liang Siyong. Em quinze campanhas até 1937, as equipes descobriram bases de palácios e túmulos reais. Em 1936, encontraram a fossa YH127, que continha mais de 17 mil fragmentos de casco com inscrições. Essas escavações estiveram entre as primeiras pesquisas arqueológicas científicas de grande escala realizadas por arqueólogos chineses. Por isso, Yinxu é frequentemente chamado de berço da arqueologia chinesa moderna.

A invasão japonesa interrompeu o trabalho em 1937. Após a guerra civil, os achados e registros das escavações da Academia Sinica foram levados para Taiwan, enquanto as escavações em Yinxu foram retomadas em 1950 pelo Instituto de Arqueologia em Pequim. Os dois acervos continuam essenciais para a pesquisa e refletem as divisões da China no século XX.

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Avançado

Debates: a datação de Yinxu, Huanbei e a natureza do Estado Shang

Quando Yinxu se tornou a capital? As histórias tradicionais situam a mudança de Pan Geng para Yin por volta de 1300 a.C. No entanto, as inscrições em ossos oraculares só começam no reinado de Wu Ding, e a fase arqueológica mais antiga de Yinxu é modesta. Em 1999, uma grande cidade murada foi descoberta a nordeste de Yinxu, do outro lado do rio Huan. Hoje ela é chamada de Huanbei («ao norte do Huan»). Ocupava cerca de 470 hectares, foi habitada por algumas décadas por volta de 1350–1300 a.C. e depois foi incendiada e abandonada. Muitos pesquisadores consideram que Huanbei foi a predecessora de Yinxu, talvez a cidade de Pan Geng ou de um rei anterior, e que a capital foi transferida para a área de Xiaotun por volta do reinado de Wu Ding (c. 1250 a.C.).

Cronologia absoluta. O Projeto de Cronologia Xia–Shang–Zhou (1996–2000) combinou textos, registros astronômicos em inscrições, como eclipses lunares, datação por radiocarbono e arqueologia para propor datas como 1046 a.C. para a conquista Zhou e c. 1250–1192 a.C. para Wu Ding. Seus métodos e conclusões foram criticados por alguns pesquisadores de fora da China. Datas alternativas para a conquista, como as tradicionais 1122 a.C. ou 1027 a.C. (derivada dos Anais de Bambu), continuam a ser citadas; estudos anteriores haviam proposto dezenas de datas entre aproximadamente 1130 e 1018 a.C. As datas permanecem aproximadas.

Divisão dos ossos em períodos. Dong Zuobin dividiu os ossos oraculares em cinco períodos com base nos nomes dos adivinhos, na caligrafia e no conteúdo das inscrições. Pesquisadores posteriores aperfeiçoaram esse esquema, agrupando as inscrições segundo os grupos de adivinhos e o contexto arqueológico de sua descoberta. As inscrições do «grupo Li», por exemplo, foram atribuídas por diferentes pesquisadores a reinados muito distintos. Esse longo debate afeta as reconstruções da história Shang.

Que tipo de Estado era o Shang? Alguns historiadores descrevem um reino territorial com províncias. Outros, com base nas inscrições, veem uma área central menor, governada diretamente pelo rei e cercada por outras entidades políticas, aliadas ou inimigas, cuja lealdade mudava. As inscrições mostram apenas as preocupações da corte real em Yinxu e podem exagerar o alcance de seu poder. Outras culturas da Idade do Bronze da mesma época, como Sanxingdui, em Sichuan, mostram que os Shang eram uma entre várias sociedades complexas no território da atual China.

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Avançado

Fontes e métodos

Fontes escritas. Os ossos oraculares são fontes primárias de um tipo especial: registram adivinhações, não narrativas, e foram produzidos para a corte real e por ela. Estão reunidos em grandes coletâneas, especialmente o Jiaguwen heji, e são estudados por meio da paleografia, da gramática e da reconstituição de conjuntos de inscrições relacionadas. Sources of Shang History (1978), de David Keightley, continua a ser uma introdução clássica, em inglês, aos métodos de estudo dessas fontes. As inscrições em bronze, ainda curtas em Yinxu, tornam-se muito mais longas no período Zhou.

Fontes arqueológicas. A estratigrafia e os estilos da cerâmica e dos bronzes permitem dividir Yinxu em quatro fases principais. Levantamentos do assentamento mapeiam bairros, oficinas e cemitérios por todo o sítio e mostram uma cidade organizada em torno de grupos de parentesco. Escavações de fundições e oficinas revelam os métodos de produção e a organização do trabalho.

Métodos científicos. A datação por radiocarbono, inclusive dos próprios ossos oraculares, tem sido usada para estabelecer pontos de referência na cronologia. A análise de isótopos ajuda a investigar a alimentação e a mobilidade; estudos de DNA antigo exploram as origens da população e das vítimas de sacrifício; análises metalúrgicas investigam a procedência do cobre, do estanho e do chumbo usados nos bronzes, parte dos quais pode ter vindo de regiões distantes.

Leitura crítica de textos posteriores. Os relatos sobre os Shang em textos dos períodos Zhou e Han, incluindo o Shiji, foram escritos muito depois da queda da dinastia e foram moldados em parte pela ideologia Zhou, como a ideia do Mandato do Céu usada para justificar a conquista. Compará-los com inscrições da própria época mostra tanto o que a tradição posterior preservou quanto a maneira como ela reformulou o passado.

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Ideias principais

Capital do final da dinastia Shang
Yinxu foi o centro político e religioso dos últimos reis Shang, do século XIII a.C. até cerca de 1046 a.C.
Adivinhação com ossos oraculares
Os reis consultavam os antepassados aquecendo ossos e cascos até racharem e registravam por escrito as perguntas e os resultados.
Primeiros registros extensos de escrita chinesa
A escrita dos ossos oraculares é o mais antigo conjunto extenso de escrita chinesa e deu origem diretamente aos caracteres modernos.
Culto aos antepassados
A religião real se concentrava em sacrifícios regulares a reis e rainhas mortos, que, segundo a crença, podiam ajudar ou prejudicar os vivos.
Artesanato da Idade do Bronze
A fundição em moldes seccionados produzia enormes vasos rituais com decorações complexas em oficinas organizadas.
Sacrifício humano
Milhares de pessoas, muitas delas prisioneiras de guerra, foram mortas em rituais reais; a arqueologia hoje estuda suas vidas e origens.
Textos e arqueologia
Yinxu comprovou a existência da dinastia Shang descrita nas histórias tradicionais e revelou erros nesses relatos.

Registros

  1. c. 1350 a.C. — A cidade murada de Huanbei, do outro lado do rio Huan em relação a Yinxu, é ocupada (até c. 1300 a.C.).
  2. c. 1300 a.C. — Data tradicional da transferência da capital Shang para Yin pelo rei Pan Geng.
  3. c. 1250 a.C. — Começa o reinado de Wu Ding; as mais antigas inscrições em ossos oraculares e o túmulo de Fu Hao datam de seu reinado.
  4. c. 1046 a.C. — O rei Wu de Zhou derrota Di Xin em Muye; a capital Shang é abandonada (data segundo o Projeto de Cronologia Xia–Shang–Zhou).
  5. c. 100 a.C. — O Shiji, de Sima Qian, registra a lista de reis Shang, mais tarde confirmada pelos ossos oraculares.
  6. 1899 — Wang Yirong reconhece as inscrições nos «ossos de dragão» como escrita antiga.
  7. 1917 — Wang Guowei mostra que os ossos oraculares confirmam a lista de reis do Shiji.
  8. 1928 — A Academia Sinica inicia escavações científicas em Yinxu (15 campanhas até 1937).
  9. 1936 — A fossa YH127 fornece mais de 17 mil fragmentos com inscrições.
  10. 1976 — O túmulo intacto de Fu Hao é escavado.
  11. 1999 — A cidade de Huanbei, do período médio da dinastia Shang, é descoberta.
  12. 2006 — Yinxu é inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Glossário

Dinastia Shang
Dinastia da Idade do Bronze que governou parte do norte da China no segundo milênio a.C.; é a mais antiga confirmada por registros escritos de sua própria época.
Osso oracular
Escápula de boi ou plastrão de tartaruga usado para adivinhação pelo calor e frequentemente gravado com o resultado.
Piromancia
Adivinhação pelo fogo; neste caso, pela interpretação de rachaduras produzidas ao aquecer um osso ou casco.
Terra compactada
Solo socado em camadas entre tábuas, usado em fundações e paredes na China antiga.
Ding
Caldeirão ritual com pés, usado para cozinhar ou apresentar oferendas de alimentos aos antepassados.
Taotie
Motivo simétrico em forma de máscara de animal, comum nos bronzes Shang.
Fundição em moldes seccionados
Técnica em que o bronze derretido é despejado em um molde de argila formado por várias partes encaixadas.
Concha de cauri
Pequena concha marinha usada como objeto de valor e forma de riqueza na China Shang.
Decalque
Cópia de uma inscrição feita pressionando-se papel sobre ela e aplicando tinta na superfície.
Di
Divindade suprema da religião Shang que controlava o clima e outras forças.

Perguntas e respostas

O que significa «Yinxu»?

Significa «Ruínas de Yin». Yin é outro nome para a dinastia Shang, especialmente em seu período final.

Por que as pessoas escreviam em ossos?

Para registrar as perguntas feitas aos antepassados e as respostas interpretadas a partir das rachaduras nos ossos.

Hoje conseguimos ler a escrita dos ossos oraculares?

Em parte. Dos cerca de 4 mil a 5 mil sinais diferentes, apenas entre um quarto e um terço foram decifrados com segurança, mas eles incluem a maioria das palavras comuns.

Quem foi Fu Hao?

Uma consorte do rei Wu Ding que comandou exércitos e realizou rituais. Seu túmulo, encontrado intacto em 1976, é um dos mais ricos já descobertos na China.

Os Shang realmente sacrificavam pessoas?

Sim. Tanto as inscrições quanto os achados arqueológicos mostram que milhares de pessoas, muitas delas prisioneiras de guerra, foram mortas em rituais reais.

Yinxu é a capital chinesa mais antiga?

Não. Centros Shang anteriores, como Zhengzhou e Huanbei, e sítios mais antigos, como Erlitou, são anteriores a Yinxu. Yinxu é a capital mais antiga com um grande conjunto de registros escritos de sua própria época.

Qual é o grau de certeza da data de 1046 a.C.?

Essa é a data proposta pelo Projeto de Cronologia Xia–Shang–Zhou, da China, mas outros pesquisadores defendem datas diferentes. A data da queda dos Shang deve ser considerada aproximada.

Fontes e leituras adicionais

  1. Yin Xu. UNESCO World Heritage Centre
  2. Yinxu. Wikipedia
  3. 은허. 위키백과
  4. Oracle bone. Wikipedia
  5. Tomb of Fu Hao. Wikipedia
  6. Houmuwu ding. Wikipedia
  7. Huanbei. Wikipedia
  8. Shang dynasty. Wikipedia
  9. Xia–Shang–Zhou Chronology Project. Wikipedia
  10. David N. Keightley, Sources of Shang History: The Oracle-Bone Inscriptions of Bronze Age China. University of California Press, 1978

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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