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Para jovens leitores
Há mais de 2.200 anos, a dinastia Qin uniu a China pela primeira vez. Seu governante, o Primeiro Imperador, era muito rigoroso. As pessoas tinham de obedecer a leis duras e trabalhar em enormes construções. Quando ele morreu, surgiram revoltas por toda parte, e o império se desfez em poucos anos.
Dois líderes rebeldes se tornaram os mais poderosos. Xiang Yu vinha de uma famosa família de generais. Era alto, forte e corajoso, e quase nunca perdia uma batalha. Liu Bang era filho de agricultores e tinha sido funcionário de uma pequena aldeia. Não era um grande guerreiro, mas sabia ouvir conselheiros inteligentes e conquistar a simpatia das pessoas.
No começo, Xiang Yu era mais forte e deu a Liu Bang um reino distante, nas montanhas, chamado Han. Mas Liu Bang voltou, e os dois lados lutaram durante quatro anos. Xiang Yu continuava a vencer batalhas, mas Liu Bang conseguia comida e soldados, e cada vez mais aliados se juntavam a ele.
Por fim, em 202 a.C., Xiang Yu foi cercado em um lugar chamado Gaixia. À noite, ouviu seus inimigos cantarem canções de Chu, sua terra natal, e pensou que seu povo inteiro havia passado para o outro lado. Ele escapou com alguns cavaleiros, mas ficou encurralado junto a um rio e preferiu morrer a ser capturado.
Liu Bang se tornou imperador e iniciou a dinastia Han, que durou cerca de quatrocentos anos. Ela foi tão importante que, ainda hoje, muitos chineses se identificam como pertencentes ao povo han, e os caracteres chineses são chamados de caracteres han. No tabuleiro do xadrez chinês, o rio no meio ainda é chamado de “Rio Chu e Fronteira Han”.
Em resumo
- Datas
- 206–202 a.C. (após as revoltas contra os Qin de 209–206 a.C.)
- Local
- Norte e centro da China, especialmente as terras entre o vale do rio Wei (Guanzhong) e as regiões do rio Huai e do baixo Yangtzé
- Lados principais
- Chu Ocidental, sob Xiang Yu, contra Han, sob Liu Bang, cada lado com reis aliados que mudavam de posição
- Personagens principais
- Xiang Yu, Liu Bang; Fan Zeng; Han Xin, Xiao He, Zhang Liang, Chen Ping; Peng Yue, Ying Bu
- Batalhas decisivas
- Pengcheng (205 a.C.), impasse entre Xingyang e Chenggao, Jingxing (204 a.C.), rio Wei (203 a.C.), Gaixia (202 a.C.)
- Resultado
- Morte de Xiang Yu; Liu Bang proclamado imperador (imperador Gaozu), fundando a dinastia Han
- Fontes principais
- Registros do Grande Historiador (Shiji), de Sima Qian, e Livro de Han (Hanshu), de Ban Gu
A guerra dia a dia
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Fases
A revolta de Chen Sheng e Wu Guang desencadeou levantes por todo o leste. Xiang Liang e seu sobrinho Xiang Yu ergueram Chu em Wu, Liu Bang se rebelou em Pei, e um rei de Chu foi entronizado. Depois que Xiang Liang caiu em Dingtao, Xiang Yu destroçou o exército Qin em Julu e recebeu a rendição de Zhang Han, enquanto Liu Bang avançava para oeste pelo Passo de Wu em direção à capital Qin.
資治通鑑 卷7 秦紀二 (Zizhi tongjian, 209 BC), Wikisource資治通鑑 卷8 秦紀三 (Zizhi tongjian, 208–207 BC), Wikisource史記 卷16 秦楚之際月表 (Shiji, monthly table of the Qin–Chu transition), WikisourceChu–Han Contention (English Wikipedia)sxtwl_cpp (寿星天文历 by 許劍偉), SSQ.cpp: new-moon fit '古历·秦汉' and 10th-month year start / 後九月 rule for -220…-104, used to convert lunar months
Eventos recentes
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O que foi a Disputa Chu–Han?
A Disputa Chu–Han foi uma guerra pelo controle da China entre 206 e 202 a.C. Os adversários eram dois líderes rebeldes que haviam ajudado a derrubar a dinastia Qin: Xiang Yu, que se intitulava rei hegemônico de Chu Ocidental, e Liu Bang, rei de Han. O nome da guerra vem de seus dois Estados, Chu e Han.
Ela foi a segunda fase de uma história mais ampla. A primeira começou em 209 a.C., com revoltas contra os Qin por toda a China; a segunda foi a luta entre os vencedores para decidir quem herdaria o império. Liu Bang venceu e, em 202 a.C., tornou-se o primeiro imperador da dinastia Han, conhecido na história como imperador Gaozu.
Como a dinastia Han se tornou uma das épocas fundamentais da civilização chinesa, a história de sua fundação vem sendo contada e recontada desde então em obras históricas, poemas, óperas, romances, filmes e até jogos de tabuleiro.
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Contexto: a queda dos Qin
Em 221 a.C., o Estado de Qin concluiu a conquista dos demais Estados Combatentes e criou o primeiro império chinês unificado. Seu governante adotou o novo título de imperador e ficou conhecido como Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador. Os Qin padronizaram a escrita, os pesos e as medidas e governaram por meio de um sistema centralizado de comandarias e condados. Mas suas leis eram rigorosas, e milhões de pessoas foram recrutadas para os exércitos e para grandes obras, como muralhas, estradas, palácios e o túmulo do imperador.
O Primeiro Imperador morreu em 210 a.C. Seu filho mais novo se tornou o Segundo Imperador com a ajuda dos poderosos funcionários Zhao Gao e Li Si, e uma série de assassinatos políticos se seguiu. Em 209 a.C., dois líderes de recrutas, Chen Sheng e Wu Guang, iniciaram uma revolta. Segundo o Shiji, a chuva os havia atrasado a caminho de um posto na fronteira, e eles seriam condenados à morte por chegar tarde; por isso, decidiram se rebelar. Atribui-se a Chen Sheng a célebre pergunta: “Reis, senhores, generais e ministros — seriam eles de uma espécie diferente?”
A revolta logo foi derrotada, mas deu início a outras. Em todo o leste, rebeldes restauraram antigos reinos que os Qin haviam destruído. No sul, Xiang Liang e seu sobrinho Xiang Yu formaram um exército e fizeram de um descendente da antiga família real de Chu o rei Huai de Chu. Entre os muitos líderes locais que aderiram à causa de Chu estava Liu Bang, do condado de Pei.
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Dois rivais: Xiang Yu e Liu Bang
Xiang Yu (c. 232–202 a.C.) vinha de uma família de generais de Chu; seu avô Xiang Yan havia morrido lutando contra os Qin. O Shiji o descreve como um homem excepcionalmente alto e forte, capaz de erguer um caldeirão de bronze. Ele era um comandante brilhante no campo de batalha, mas também orgulhoso, facilmente irritável e, segundo as fontes, capaz de grande crueldade.
Liu Bang (256 ou 247–195 a.C.) vinha de uma família de agricultores e havia servido como funcionário local de baixa posição, responsável por um pequeno posto no condado de Pei. Os historiadores o retratam como rude, apreciador de vinho e mulheres e, às vezes, covarde, mas também generoso, hábil em avaliar as pessoas e disposto a seguir conselhos. Entre seus seguidores estavam o administrador Xiao He, o estrategista Zhang Liang, o intrigante Chen Ping, o soldado Fan Kuai e, mais tarde, o grande general Han Xin.
O rei Huai de Chu prometeu que quem entrasse primeiro em Guanzhong, o núcleo territorial dos Qin conhecido como “a terra dentro dos desfiladeiros”, se tornaria seu rei. Liu Bang foi enviado para o oeste; Xiang Yu seguiu para o norte, onde enfrentaria o principal exército Qin. Essa promessa marcaria toda a disputa posterior.
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207–206 a.C.: o fim dos Qin e o Banquete de Hongmen
Em 207 a.C., Xiang Yu conduziu o exército de Chu através do rio Amarelo para socorrer a cidade sitiada de Julu. O Shiji conta que ele mandou seus soldados afundarem os barcos e quebrarem as panelas, mantendo provisões para apenas três dias, para que tivessem de vencer ou morrer. Eles derrotaram as forças Qin, e o general Qin Zhang Han se rendeu mais tarde. Em Xin’an, porém, Xiang Yu mandou matar os soldados Qin que haviam se rendido; o Shiji fala em mais de 200 mil mortos, número que os historiadores não conseguem verificar, mas que mostra como o massacre foi lembrado.
Enquanto isso, Liu Bang entrou primeiro em Guanzhong. No fim de 207 a.C., o último governante Qin, Ziying, rendeu-se a ele. Liu Bang lacrou os tesouros e palácios e, segundo o Shiji, substituiu as leis Qin por um simples “código de três artigos”: o assassinato seria punido com a morte, e ferimentos e roubos seriam punidos conforme a gravidade da ofensa. Isso lhe rendeu apoio local.
Xiang Yu chegou com um exército muito maior e ficou furioso. No célebre Banquete de Hongmen, seu conselheiro Fan Zeng o incentivou a matar Liu Bang, e Xiang Zhuang executou uma dança com espada que deveria terminar em assassinato. Liu Bang pediu desculpas humildemente, foi protegido por Zhang Liang e Fan Kuai e escapou discretamente. Xiang Yu então entrou em Xianyang, matou Ziying e incendiou os palácios Qin.
Em 206 a.C., Xiang Yu dividiu o império em dezoito reinos para seus generais e aliados e assumiu o título de rei hegemônico de Chu Ocidental, com capital em Pengcheng (atual Xuzhou). Em vez de fazer de Liu Bang rei de Guanzhong, como prometido, deu-lhe as terras distantes de Ba, Shu e Hanzhong, no sudoeste, com o título de rei de Han, e dividiu Guanzhong entre três generais Qin que haviam se rendido. O rei Huai recebeu o título sem poder de imperador Yi, foi mandado para longe e morto por ordem de Xiang Yu.
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O curso da guerra, 206–203 a.C.
Liu Bang não permaneceu muito tempo em Han. Por recomendação de Xiao He, nomeou Han Xin seu principal general e, em 206 a.C., o exército Han retornou a Guanzhong por uma rota inesperada, passando por Chencang, e derrotou os três reis que Xiang Yu havia colocado ali. O assassinato do imperador Yi por ordem de Xiang Yu deu a Liu Bang um argumento moral: ele declarou luto e convocou os reis a punirem o responsável.
Em 205 a.C., enquanto Xiang Yu combatia em Qi, no nordeste, Liu Bang liderou uma grande coalizão que, segundo o Shiji, tinha 560 mil homens e tomou Pengcheng. Xiang Yu voltou rapidamente com cerca de 30 mil soldados escolhidos e esmagou a coalizão; o Shiji afirma que tantos soldados Han morreram no rio Sui que seu curso ficou obstruído. Liu Bang escapou por pouco, e seu pai e sua esposa Lü Zhi foram capturados.
A guerra se transformou então numa longa disputa em torno de Xingyang e Chenggao, cidades fortificadas que protegiam a passagem para Guanzhong, perto do rio Amarelo e de um grande celeiro. Xiang Yu venceu a maioria das batalhas, mas Xiao He continuou a enviar homens e grãos de Guanzhong. As intrigas de Chen Ping provocaram desconfiança entre Xiang Yu e Fan Zeng, que partiu enfurecido e morreu em 204 a.C. Os ataques de Peng Yue atrás das linhas de Chu e a deserção de Ying Bu, rei de Jiujiang, enfraqueceram ainda mais Chu. Em certa ocasião, Xiang Yu ameaçou cozinhar vivo o pai de Liu Bang; segundo o Shiji, Liu Bang respondeu que, como os dois haviam jurado fraternidade, Xiang Yu deveria dividir com ele uma tigela da sopa.
No norte, Han Xin conduziu com brilhantismo uma campanha independente. Conquistou Wei e Dai e, em 204 a.C., derrotou o exército de Zhao em Jingxing ao posicionar deliberadamente suas tropas de costas para um rio, impedindo a retirada — origem da expressão “lutar de costas para a água”. Depois, tomou Qi e, em 203 a.C., destruiu um exército de socorro de Chu no rio Wei, em Shandong. Han Xin exigiu e recebeu o título de rei de Qi. A essa altura, Chu estava cercado por vários lados.
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A trégua do Canal Hong e o fim em Gaixia (203–202 a.C.)
Em 203 a.C., com ambos os lados exaustos, Xiang Yu e Liu Bang concordaram em dividir a China ao longo do Canal Hong, ficando Chu a leste e Han a oeste. Xiang Yu libertou o pai e a esposa de Liu Bang. Mas, quando o exército de Xiang Yu se retirava, Zhang Liang e Chen Ping convenceram Liu Bang a romper a trégua e persegui-lo. Após um revés inicial, Liu Bang prometeu vastas terras a Han Xin e Peng Yue, cujos exércitos se juntaram ao seu.
No fim de 202 a.C., as forças Han reunidas cercaram Xiang Yu em Gaixia, na atual província de Anhui. O Shiji conta que, à noite, Xiang Yu ouviu canções de Chu vindas do acampamento inimigo por todos os lados e exclamou que Han já devia ter conquistado todo o território de Chu. Ele bebeu com sua amada consorte Yu e cantou uma breve canção que começava: “Minha força poderia arrancar montanhas; meu ânimo superava o mundo”. A expressão “canções de Chu por todos os lados” (simian Chuge) ainda significa estar completamente cercado.
Xiang Yu rompeu o cerco com cerca de oitocentos cavaleiros e fugiu para o sul, perseguido pela cavalaria Han. No rio Wu, um funcionário local ofereceu-se para levá-lo de barco à sua região natal, a leste do Yangtzé, onde poderia formar outro exército. Xiang Yu recusou, dizendo que não conseguiria encarar os anciãos que haviam enviado seus filhos com ele, todos agora mortos. Depois de uma última resistência, cortou a própria garganta. Pouco depois, Liu Bang foi proclamado imperador, dando início à dinastia Han.
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Consequências: a dinastia Han e seus compromissos
O resultado mais evidente foi uma nova dinastia. Os Han governaram, com uma interrupção sob Wang Mang (9–23 d.C.), até 220 d.C. e deram seu nome à maioria do povo chinês (os han) e aos caracteres chineses (hanzi; hanja em coreano e kanji em japonês). Os Han mantiveram grande parte do sistema Qin de administração centralizada e até muitas leis Qin, como mostram textos jurídicos encontrados em escavações, mas se apresentavam como governantes mais moderados.
A guerra também moldou a política Han. Liu Bang havia vencido com a ajuda de aliados poderosos, que foram feitos reis. No início, os Han combinaram comandarias governadas diretamente no oeste com reinos semiautônomos no leste. Em poucos anos, Liu Bang afastou quase todos os reis que não pertenciam à sua família: Han Xin foi rebaixado em 201 a.C. e executado em 196 a.C., e Peng Yue e Ying Bu foram eliminados. O ditado “quando a lebre astuta morre, o cão de caça é cozido”, aplicado a Han Xin, expressa como leitores posteriores viram esses acontecimentos.
O custo para a população durante os anos de rebelião e guerra civil foi alto, embora não existam números confiáveis. Sima Qian escreveu que, no início da dinastia Han, as grandes cidades haviam perdido tantos habitantes que apenas uma pequena fração das famílias de antes podia ser contada. Os primeiros governantes Han reduziram impostos e serviços de trabalho obrigatório e evitaram grandes guerras, numa política de recuperação influenciada pelo pensamento Huang-Lao. Após uma derrota para os Xiongnu em Baideng, em 200 a.C., Liu Bang adotou a política heqin de alianças matrimoniais e presentes para manter a paz com o império nômade ao norte.
Intermediário
Memória: poemas, expressões, ópera e jogos
Poucos episódios da história chinesa produziram tantas expressões ainda usadas: “quebrar os caldeirões e afundar os barcos” (pofu chenzhou), para indicar compromisso total; “um banquete de Hongmen”, para uma festa que na verdade é uma armadilha; “lutar de costas para a água” (beishui yi zhan); e “canções de Chu por todos os lados”. Essas expressões são usadas em regiões de tradição cultural ligada aos caracteres chineses, incluindo a Coreia e o Japão.
Poetas discutiram a decisão de Xiang Yu no rio Wu. O poeta Du Mu, da dinastia Tang, sugeriu que ele poderia ter voltado para casa e retornado mais tarde, “levantando poeira”, para lutar outro dia. O estadista Wang Anshi, da dinastia Song, respondeu que o povo de Jiangdong jamais lutaria por ele novamente. A poeta Li Qingzhao, também da dinastia Song, escreveu quando a corte Song havia fugido para o sul diante dos jurchéns. Ela elogiou Xiang Yu como herói entre os homens em vida e herói entre os espíritos na morte, que se recusou a voltar a Jiangdong — uma crítica indireta a seus próprios governantes.
A história de Xiang Yu e da consorte Yu se tornou a ópera de Pequim Adeus, Minha Concubina (Bawang bie ji), famosa pelas apresentações de Mei Lanfang, e deu nome ao filme de Chen Kaige de 1993. Romances populares do período Ming recontaram toda a guerra e, na Coreia, a história é amplamente conhecida por romances chamados Chohanji. No tabuleiro do xadrez chinês, o rio central traz a inscrição “Rio Chu, Fronteira Han”; no janggi coreano, os dois generais são marcados com os caracteres de Chu e Han.
A memória moderna também assumiu formas políticas. Na historiografia marxista chinesa do século XX, a revolta de Chen Sheng e Wu Guang foi celebrada como o primeiro grande levante camponês da história da China, e a origem humilde de Liu Bang às vezes foi contraposta à origem aristocrática de Xiang Yu. Como a guerra ocorreu dentro da China, as principais divergências na maneira de lembrá-la dizem respeito à admiração pelo heroísmo de Xiang Yu ou pela habilidade política de Liu Bang, e não a diferenças entre nações.
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Fontes primárias: Sima Qian e Ban Gu
Quase tudo o que sabemos vem do Shiji (Registros do Grande Historiador), concluído por Sima Qian por volta de 91 a.C., aproximadamente um século depois da guerra. Seus capítulos sobre Xiang Yu, o imperador Gaozu, Han Xin, Xiao He, Zhang Liang e outros se sobrepõem, de modo que o mesmo acontecimento muitas vezes é narrado de vários pontos de vista. Sima Qian recorreu a escritos anteriores, incluindo o Chu Han chunqiu, atribuído a Lu Jia, participante dos acontecimentos, mas hoje perdido, além de documentos da corte e relatos orais que recolheu em suas viagens.
O Livro de Han (Hanshu), iniciado por Ban Biao e escrito em grande parte por seu filho Ban Gu no século I d.C., aborda o mesmo período. Muitas vezes reproduz de perto o Shiji, mas apresenta diferenças de organização e ênfase. Sínteses posteriores, como o Zizhi tongjian (1084), de Sima Guang, organizam os acontecimentos em ordem cronológica, mas acrescentam poucas evidências independentes sobre esse período.
A arqueologia oferece contexto, e não uma narrativa. Textos jurídicos e administrativos Qin escritos em tiras de bambu, como os encontrados em Shuihudi e Liye, e leis do início da dinastia Han encontradas em Zhangjiashan mostram como o Estado Qin funcionava na prática e quanto dele os Han conservaram. Alguns estudiosos observam que as leis Qin previam multas, e não a morte, para certos tipos de atraso. Isso pode pôr em dúvida a história de que os homens de Chen Sheng seriam executados — embora o tipo de serviço envolvido pudesse ser diferente. Essas descobertas nos lembram que os historiadores Han tinham motivos para retratar os Qin derrotados como cruéis.
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Historiografia: como a história foi construída
Sima Qian dedicou a Xiang Yu um capítulo dos “anais básicos” (benji), seção normalmente reservada aos governantes, reconhecendo que ele havia, por algum tempo, governado de fato o império. Ban Gu, escrevendo como historiador da corte Han, transferiu-o para uma biografia comum, ao lado de Chen Sheng. Essa diferença reflete um debate sobre legitimidade que continua até hoje.
Sima Qian não era um simples propagandista dos Han. Ele registrou episódios pouco favoráveis a Liu Bang, como o momento em que este empurrou os próprios filhos para fora de sua carruagem para fugir mais depressa em Pengcheng. Seu julgamento final sobre Xiang Yu é complexo: admira sua ascensão, mas critica sua confiança na força e sua afirmação, no fim, de que “O Céu está me destruindo; não foi nenhum erro meu ao lutar”, que Sima Qian considera absurda. Muitos leitores modernos veem nos retratos do Shiji uma elaboração literária que moldou os personagens para transmitir lições morais.
Essa elaboração levanta dúvidas sobre a confiabilidade do relato. Cenas como o Banquete de Hongmen, repletas de diálogos e gestos dramáticos, não podem ter sido registradas palavra por palavra, e estudiosos discutem o quanto há nelas de dramatização. Números de tropas, como os 560 mil homens em Pengcheng, ou os 200 mil mortos em Xin’an quase certamente são exagerados ou simbólicos. Historiadores modernos também reinterpretam a guerra em termos estruturais: como um confronto entre a tentativa de Xiang Yu de restaurar uma ordem de múltiplos reinos, semelhante à do período dos Estados Combatentes, e a posterior reconstrução, por Liu Bang, de um império centralizado segundo o modelo Qin; ou como uma disputa em que identidades regionais, especialmente a de Chu, tiveram grande importância.
Batalhas (3)
Ideias principais
- Dos Qin aos Han
- A guerra decidiu quem herdaria o primeiro império chinês após a queda dos Qin.
- Herói e político
- O talento militar de Xiang Yu foi superado pela habilidade de Liu Bang para mobilizar conselheiros, aliados e suprimentos.
- Abastecimento e bases de apoio
- A base segura de Liu Bang em Guanzhong, administrada por Xiao He, permitiu que ele sobrevivesse a repetidas derrotas.
- Reis e comandarias
- A guerra deixou um sistema misto de comandarias centralizadas e reinos semiautônomos, que os Han gradualmente desmantelaram.
- Legitimidade
- As promessas, o assassinato do imperador Yi e as escolhas de historiadores posteriores influenciaram quem era visto como governante legítimo.
- A história como literatura
- As cenas marcantes de Sima Qian tornaram a guerra inesquecível, mas também dificultam separar os fatos da dramatização.
Registros
- 221 a.C. — Os Qin concluem a unificação da China (221 a.C.).
- 210 a.C. — Morre o Primeiro Imperador (210 a.C.).
- 209 a.C. — Chen Sheng e Wu Guang se levantam contra os Qin; as rebeliões se espalham (209 a.C.).
- 207 a.C. — Xiang Yu vence em Julu; Ziying se rende a Liu Bang no fim do ano (207 a.C.).
- 206 a.C. — Banquete de Hongmen; Xiang Yu incendeia Xianyang e cria dezoito reinos; Liu Bang se torna rei de Han e retorna a Guanzhong (206 a.C.).
- 205 a.C. — Liu Bang toma Pengcheng, mas é derrotado por Xiang Yu (205 a.C.).
- 204 a.C. — Han Xin vence em Jingxing; Fan Zeng deixa Xiang Yu e morre (204 a.C.).
- 203 a.C. — Han Xin vence no rio Wei; a trégua do Canal Hong divide a China (203 a.C.).
- 202 a.C. — Batalha de Gaixia; Xiang Yu morre no rio Wu; Liu Bang é proclamado imperador (202 a.C.).
- 200 a.C. — Liu Bang é cercado pelos Xiongnu em Baideng (200 a.C.).
- 196 a.C. — Han Xin é executado (196 a.C.).
- c. 91 a.C. — Sima Qian conclui o Shiji, principal fonte sobre a guerra (c. 91 a.C.).
Glossário
- Dinastia Qin
- Dinastia que unificou a China pela primeira vez em 221 a.C. e entrou em colapso em 207/206 a.C.
- Dinastia Han
- Dinastia fundada por Liu Bang, que governou de 202 a.C. a 220 d.C., com uma breve interrupção.
- Chu
- Grande Estado do sul no período dos Estados Combatentes, cujo nome e identidade foram retomados pelos rebeldes.
- Guanzhong
- “A terra dentro dos desfiladeiros”: o vale do rio Wei e o núcleo territorial dos Qin, em torno da atual Xi’an.
- Rei hegemônico (bawang)
- Título adotado por Xiang Yu como soberano acima dos demais reis.
- Comandaria (jun)
- Região administrativa governada diretamente por funcionários nomeados pelo governo central.
- Anais básicos (benji)
- Capítulos do Shiji dedicados a governantes e dinastias.
- Heqin
- Política do início da dinastia Han que usava alianças matrimoniais e presentes para manter a paz com os Xiongnu.
- Xiongnu
- Poderosa confederação de povos nômades ao norte da China.
Perguntas e respostas
Por que se chama “Chu–Han”?
Porque os dois lados eram o Estado de Chu Ocidental, de Xiang Yu, e o reino de Han, de Liu Bang.
Xiang Yu era um comandante melhor do que Liu Bang?
Sim. A maioria das fontes concorda que Xiang Yu era o melhor comandante no campo de batalha. Liu Bang venceu graças à sua base de abastecimento, a seus conselheiros, a generais como Han Xin e à sua capacidade de conquistar aliados.
O que significa “canções de Chu por todos os lados”?
Em Gaixia, Xiang Yu ouviu canções de sua terra natal vindas do acampamento inimigo e se sentiu completamente cercado e abandonado. Hoje, a expressão significa estar isolado por todos os lados.
Xiang Yu realmente matou 200 mil soldados que haviam se rendido?
O Shiji afirma que sim, e o massacre de Xin’an ocorreu de alguma forma. Mas números de fontes chinesas antigas muitas vezes são exagerados, por isso não é possível confirmar a quantidade exata.
Por que Sima Qian incluiu Xiang Yu entre os governantes?
Porque, durante alguns anos, Xiang Yu foi o verdadeiro senhor do império e nomeou reis. Ban Gu discordou mais tarde e o transferiu para uma biografia, refletindo um debate sobre legitimidade.
O Banquete de Hongmen aconteceu de verdade?
É muito provável que tenha ocorrido um encontro entre os dois líderes, mas os diálogos detalhados e a dança com espada provavelmente devem muito à tradição narrativa e à elaboração literária de Sima Qian.
O que aconteceu com os generais de Liu Bang depois da guerra?
Em poucos anos, a maioria dos reis que não pertenciam à família de Liu Bang, incluindo Han Xin e Peng Yue, foi rebaixada ou executada enquanto ele centralizava o poder.
Fontes e leituras adicionais
- Chu–Han Contention. Wikipedia
- Xiang Yu. Wikipedia
- Emperor Gaozu of Han. Wikipedia
- Han Xin. Wikipedia
- Feast at Hong Gate. Wikipedia
- Battle of Gaixia. Wikipedia
- Records of the Grand Historian. Wikipedia
- Book of Han. Wikipedia
- Denis Twitchett and Michael Loewe (eds.), The Cambridge History of China, Vol. 1: The Ch’in and Han Empires, 221 B.C.–A.D. 220. Cambridge University Press, 1986
- Sima Qian, trans. Burton Watson, Records of the Grand Historian: Han Dynasty I (revised edition). Columbia University Press, 1993
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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.