Guerra

Guerra Russo-Japonesa

日露戦争 (Nichi-Ro sensō) · Русско-японская война (Russko-yaponskaya voyna) · 러일전쟁 (Reo-il jeonjaeng)

1904–1905 ·

Em uma frase

A Guerra Russo-Japonesa (1904–1905) foi travada entre os impérios Russo e Japonês pelo controle da Manchúria e da Coreia; a vitória do Japão surpreendeu o mundo, ajudou a desencadear uma revolução na Rússia e permitiu que o Japão transformasse a Coreia em um protetorado.

Comece pelo início para uma introdução simples. Continue descendo para mais detalhes e pesquisas.

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Para jovens leitores

Há cerca de 120 anos, dois grandes impérios, a Rússia e o Japão, queriam controlar a Coreia e uma grande região do nordeste da China chamada Manchúria. A Rússia havia construído ferrovias e um porto para navios de guerra ali. O Japão achava que a Rússia estava chegando perto demais.

Em fevereiro de 1904, navios japoneses atacaram de surpresa, à noite, navios de guerra russos em um porto chamado Porto Arthur. A guerra começou. Mas a maior parte das lutas não aconteceu na Rússia nem no Japão: aconteceu na Coreia, na Manchúria e nos mares próximos.

As batalhas foram enormes e terríveis. Soldados cavaram trincheiras, usaram metralhadoras e lutaram durante meses perto de morros e fortalezas. Em 1905, uma frota russa navegou por metade do mundo para lutar, mas a marinha japonesa destruiu a maior parte dela em uma grande batalha perto da ilha de Tsushima.

O Japão venceu. Muitas pessoas no mundo ficaram surpresas, pois era a primeira vez, na história moderna, que um país asiático derrotava um grande império europeu em uma guerra importante. Pessoas na China, na Índia e em outros lugares que queriam se libertar do domínio europeu se sentiram encorajadas.

Mas, para a Coreia, o fim foi triste. Durante a guerra e depois dela, o Japão tirou da Coreia o direito de tratar de assuntos com outros países. Cinco anos depois, em 1910, o Japão passou a controlar a Coreia por completo.

Em resumo

Datas
8–9 de fevereiro de 1904 (ataque japonês a Porto Arthur; guerra declarada em 10 de fevereiro) – 5 de setembro de 1905 (Tratado de Portsmouth)
Onde
Coreia, sul da Manchúria (península de Liaodong, Liaoyang, Mukden), mar Amarelo, mar do Japão / mar do Leste e estreito de Tsushima; Sacalina
Beligerantes
Império do Japão contra Império Russo. A Coreia (Império Coreano) e a China Qing declararam neutralidade, mas a guerra foi travada em seus territórios
Principais líderes
Japão: imperador Meiji, Katsura Tarō, Ōyama Iwao, Nogi Maresuke, Tōgō Heihachirō, Komura Jutarō. Rússia: Nicolau II, Aleksei Kuropatkin, Zinovy Rozhestvensky, Sergei Witte
Principais batalhas
Combates navais em Porto Arthur e Chemulpo (Incheon), rio Yalu, Liaoyang, Shaho, cerco de Porto Arthur, Mukden, Tsushima
Resultado
Vitória japonesa. A Rússia reconheceu os interesses “preponderantes” do Japão na Coreia, transferiu o arrendamento de Liaodong e a ferrovia da Manchúria do Sul e cedeu o sul de Sacalina; não houve indenização
Mortos entre os militares
As estimativas variam: aproximadamente 43 mil a 71 mil russos e 80 mil a 99 mil japoneses mortos, incluindo mortes por doenças; as perdas de civis chineses e coreanos não foram contabilizadas sistematicamente

Fácil

O que foi a Guerra Russo-Japonesa?

A Guerra Russo-Japonesa foi travada de fevereiro de 1904 a setembro de 1905 entre o Império Russo e o Império do Japão. As duas potências disputavam o controle da Manchúria, região nordeste da China Qing, e da Coreia, que em 1897 havia se tornado o Império Coreano (Daehan Jeguk).

A guerra foi travada quase inteiramente fora dos territórios de origem dos dois países combatentes: na Coreia, na Manchúria e nos mares ao redor. A Coreia e a China declararam neutralidade, mas suas terras se tornaram campo de batalha, e suas populações arcaram com grande parte dos custos.

O Japão obteve uma série de vitórias custosas em terra e uma vitória decisiva no mar, em Tsushima, em maio de 1905. Os dois lados estavam exaustos, e o presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, mediou a paz assinada em Portsmouth, no estado de New Hampshire. O resultado tornou o Japão uma grande potência e abriu caminho para seu domínio sobre a Coreia.

Como envolveu trincheiras, metralhadoras, artilharia de tiro rápido, arame farpado, minas e navios de guerra modernos, além de mobilizar a diplomacia e as finanças de muitos países, alguns historiadores a chamaram de “Guerra Mundial Zero”, uma prévia da Primeira Guerra Mundial.

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Fácil

Contexto: a rivalidade pela Manchúria e pela Coreia

Depois que o Japão derrotou a China em 1894–1895, Rússia, França e Alemanha obrigaram o Japão a devolver a península de Liaodong na Intervenção Tripla. A Rússia então se expandiu para essa mesma região. Obteve o direito de construir a Ferrovia Oriental Chinesa através da Manchúria, como atalho para a Ferrovia Transiberiana, e em 1898 arrendou Porto Arthur (Lüshun) e Dalian, na ponta da península de Liaodong, justamente o lugar que o Japão fora obrigado a abandonar.

Durante a Rebelião dos Boxers, em 1900, a Rússia enviou grandes forças à Manchúria e demorou a retirá-las depois. Na Coreia, a influência russa havia crescido após o rei Gojong se refugiar na legação russa em 1896, depois do assassinato da rainha Min por agentes japoneses. Em 1903, as atividades russas em Yongampo, na margem coreana da foz do rio Yalu, alarmaram ainda mais o Japão.

O Japão buscou segurança por meio da diplomacia. Em 1902, assinou a Aliança Anglo-Japonesa, segundo a qual o Reino Unido permaneceria neutro se o Japão lutasse contra uma potência e entraria na guerra se uma segunda potência interviesse. Líderes japoneses propuseram dividir as áreas de influência, deixando a Manchúria para a Rússia e a Coreia para o Japão, mas as negociações de 1903 fracassaram. Alguns líderes russos subestimaram o Japão, e certos estudiosos argumentam que grupos próximos a Nicolau II esperavam que uma guerra curta e vitoriosa fortalecesse o regime internamente, embora isso seja objeto de debate.

A Coreia tentou ficar fora do conflito. Em janeiro de 1904, o Império Coreano declarou neutralidade em qualquer confronto entre Rússia e Japão. A declaração foi ignorada.

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Intermediário

O desenrolar da guerra

Primeiras operações (fevereiro–maio de 1904). Na noite de 8 para 9 de fevereiro de 1904, torpedeiros japoneses atacaram a esquadra russa do Pacífico em Porto Arthur e danificaram vários navios; a guerra foi formalmente declarada em 10 de fevereiro. Quase ao mesmo tempo, tropas japonesas desembarcaram em Incheon (Chemulpo) e, em 9 de fevereiro, navios japoneses atacaram duas embarcações russas no porto, o cruzador Varyag e a canhoneira Koreets, que foram afundados pelas próprias tripulações. As tropas japonesas ocuparam Seul e marcharam para o norte através da Coreia. Na Batalha do Rio Yalu (30 de abril–1º de maio), o Japão derrotou as forças russas e entrou na Manchúria.

Manchúria e Porto Arthur (maio de 1904–janeiro de 1905). Exércitos japoneses desembarcaram na península de Liaodong, venceram em Nanshan e cercaram Porto Arthur. O Terceiro Exército japonês, comandado pelo general Nogi Maresuke, lançou repetidos ataques frontais contra os morros e fortes da praça, sofrendo perdas enormes diante de metralhadoras e da artilharia. Após a tomada da Colina 203 Metros, em dezembro, os canhões de cerco japoneses puderam bombardear a frota russa no porto, e Porto Arthur se rendeu em 2 de janeiro de 1905. Enquanto isso, os principais exércitos japoneses, sob o comando do marechal Ōyama Iwao, enfrentaram o exército russo do general Aleksei Kuropatkin em Liaoyang (agosto–setembro de 1904) e no rio Shaho (outubro de 1904). Os japoneses venceram, mas não conseguiram destruir o exército russo, que recuou de forma organizada.

Mukden (fevereiro–março de 1905). A Batalha de Mukden (Shenyang) envolveu mais de meio milhão de soldados em uma frente de cerca de 150 km, tornando-se uma das maiores batalhas da história até então. Após semanas de combates, os russos recuaram para o norte. O Japão havia vencido, mas seus recursos humanos e financeiros estavam se esgotando.

Tsushima (maio de 1905). A Rússia enviou sua Frota do Báltico, sob o comando do almirante Zinovy Rozhestvensky, em uma viagem de 18 mil milhas ao redor da África e através do oceano Índico. No início da viagem, em outubro de 1904, navios russos atiraram por engano contra barcos pesqueiros britânicos no mar do Norte (o incidente do Banco de Dogger), quase provocando uma guerra com o Reino Unido. Em 27 e 28 de maio de 1905, a Frota Combinada do almirante Tōgō Heihachirō encontrou a frota russa no estreito de Tsushima, entre a Coreia e o Japão, e destruiu ou capturou a maior parte dela. Milhares de marinheiros russos foram mortos ou feitos prisioneiros; o Japão perdeu apenas três torpedeiros.

Paz (junho–setembro de 1905). Sob forte pressão financeira, o Japão pediu a Theodore Roosevelt que mediasse o conflito. A Rússia, abalada por uma revolução interna, concordou em negociar. Enquanto as negociações eram organizadas, o Japão ocupou Sacalina em julho de 1905 para fortalecer sua posição. O Tratado de Portsmouth foi assinado em 5 de setembro de 1905 por Komura Jutarō e Sergei Witte.

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Intermediário

A Coreia durante a guerra: da neutralidade ao protetorado

Para a Coreia, a guerra foi a etapa decisiva da perda de sua soberania. Duas semanas após o desembarque, em 23 de fevereiro de 1904, o Japão obrigou o governo coreano a assinar o Protocolo Japão–Coreia, que permitia ao Japão ocupar quaisquer locais estratégicos de que precisasse na Coreia e exigia que a Coreia aceitasse “conselhos” japoneses sobre sua administração. A declaração coreana de neutralidade perdeu todo o efeito.

Em agosto de 1904, o Primeiro Acordo Japão–Coreia exigiu que a Coreia contratasse um conselheiro financeiro japonês (Megata Tanetarō) e um conselheiro diplomático estrangeiro indicado pelo Japão (o norte-americano Durham Stevens). O Japão também exigiu direitos para aproveitar terras classificadas como improdutivas em toda a Coreia, exigência que provocou amplos protestos coreanos e acabou retirada. As forças japonesas requisitaram terras para uso militar e recrutaram à força trabalhadores coreanos para construir ferrovias, como a linha Seul–Uiju (Gyeongui), destinada ao transporte militar, impondo grandes dificuldades aos moradores locais. Coreanos que resistissem ou sabotassem as linhas podiam ser executados sob o regime militar.

Em fevereiro de 1905, durante a guerra, o Japão incorporou à Prefeitura de Shimane as ilhotas conhecidas na Coreia como Dokdo e no Japão como Takeshima. A Coreia do Sul considera esse ato ilegal e parte da agressão japonesa contra a Coreia; o Japão sustenta que as ilhotas eram seu território e que a incorporação foi legal. A disputa continua até hoje.

O Japão também obteve o aval das grandes potências. No memorando Katsura–Taft, de julho de 1905, um líder japonês e um norte-americano trocaram opiniões favoráveis ao controle japonês da Coreia e ao controle norte-americano das Filipinas; a segunda Aliança Anglo-Japonesa, de agosto de 1905, reconheceu o direito do Japão de controlar a Coreia; e, em Portsmouth, a Rússia reconheceu os “preponderantes interesses políticos, militares e econômicos” do Japão na Coreia. Em 17 de novembro de 1905, com tropas japonesas cercando o palácio, Itō Hirobumi impôs o Tratado Japão–Coreia de 1905 (Tratado de Eulsa), que transformou a Coreia em um protetorado japonês sem a assinatura do imperador Gojong.

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Intermediário

O custo humano

Os números de baixas variam conforme a fonte. Estimativas comuns apontam aproximadamente 43 mil a 71 mil militares russos mortos e 80 mil a 99 mil militares japoneses mortos, incluindo mortes por doenças; outras centenas de milhares ficaram feridos. Embora vitorioso, o Japão perdeu mais soldados que a Rússia, sobretudo por causa dos ataques custosos em Porto Arthur e na Manchúria. Os serviços médicos japoneses, porém, reduziram as mortes por doenças em comparação com guerras anteriores, o que impressionou observadores estrangeiros.

Os civis sofreram muito, especialmente na Manchúria. Vilarejos chineses foram ocupados, saqueados e destruídos; agricultores foram obrigados a trabalhar ou perderam suas colheitas e casas; e alguns chineses foram executados por um lado ou pelo outro sob suspeita de espionagem. O governo Qing, oficialmente neutro, pouco pôde fazer para protegê-los. Não existe uma contagem confiável das mortes de civis chineses.

Na Coreia, o recrutamento forçado de trabalhadores, a requisição de terras, alimentos e animais e o regime militar impuseram pesados encargos aos moradores das rotas de invasão e das ferrovias. Prisioneiros russos e soldados japoneses também sofreram: a guarnição de Porto Arthur havia enfrentado escorbuto e bombardeios, e milhares de prisioneiros russos foram mantidos em campos no Japão, onde, em geral, receberam tratamento de acordo com as convenções internacionais.

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Intermediário

Consequências

Rússia. A derrota aprofundou o descontentamento interno. Em 22 de janeiro de 1905 (9 de janeiro no antigo calendário russo), tropas atiraram contra manifestantes pacíficos que apresentavam uma petição em São Petersburgo (“Domingo Sangrento”), desencadeando a Revolução de 1905: greves, revoltas camponesas e motins, inclusive no encouraçado Potemkin. Nicolau II foi obrigado a publicar o Manifesto de Outubro, que prometia liberdades civis e uma Duma eleita. A Rússia voltou sua atenção para a Europa e os Bálcãs, uma mudança que contribuiu para as tensões que levaram a 1914.

Japão. O Japão passou a ser reconhecido como uma grande potência. Obteve o território arrendado de Kwantung (Guandong) e a Ferrovia da Manchúria do Sul, que se tornaram a base de sua expansão posterior na Manchúria. Mas a guerra havia sido financiada em grande parte com empréstimos estrangeiros, e o Tratado de Portsmouth não concedeu indenização. Quando as condições foram anunciadas, multidões se revoltaram no Parque Hibiya e em outros lugares de Tóquio, atacando postos policiais e jornais favoráveis ao governo. A vitória também aumentou o prestígio do exército e da marinha e fortaleceu a crença de que sacrifícios em batalha poderiam trazer grandeza nacional.

Coreia. O protetorado imposto em 1905 levou à criação da Residência-Geral sob Itō Hirobumi. A tentativa de Gojong de recorrer à Conferência de Paz de Haia, em 1907, resultou em sua abdicação forçada e na dissolução do exército coreano. A resistência dos exércitos voluntários (uibyeong) se espalhou pelo país. Em 1909, o combatente pela independência coreana Ahn Jung-geun assassinou Itō em Harbin e, em 1910, o Japão anexou a Coreia.

O resto do mundo. A vitória de uma nação asiática sobre um império europeu entusiasmou nacionalistas na Ásia e em outras regiões. Sun Yat-sen, na China, e o jovem Jawaharlal Nehru, na Índia, recordaram mais tarde a empolgação, e a guerra costuma ser associada a uma onda de revoluções constitucionais no Irã (1905–1906) e no Império Otomano (1908). Ao mesmo tempo, o próprio Japão se tornava uma potência colonial; assim, para os coreanos e, mais tarde, para os chineses, a “vitória asiática” significou uma nova dominação, não a libertação.

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Avançado

Memória e narrativas em diferentes países

Japão. A guerra tornou-se uma epopeia nacional no Japão. O almirante Tōgō e o general Nogi eram reverenciados; o suicídio de Nogi após a morte do imperador Meiji, em 1912, fez dele um símbolo de lealdade. O romance histórico de Shiba Ryōtarō Saka no ue no kumo (Nuvens sobre a colina), publicado em capítulos entre 1968 e 1972 e posteriormente adaptado para a televisão, retratou a luta do Japão da era Meiji como o esforço heroico e defensivo de uma pequena nação. Críticos no Japão e no exterior argumentam que essas narrativas deixam a Coreia e a China de fora e dificultam perceber a continuidade entre as guerras da era Meiji e as agressões posteriores.

Rússia. Na Rússia, a guerra foi lembrada como uma humilhação causada por uma liderança incompetente e por uma causa distante e impopular, embora atos individuais de coragem, como os da tripulação do Varyag, tenham sido celebrados em canções. Escritores soviéticos usaram a derrota para condenar o czarismo; o romance Tsushima, de Aleksei Novikov-Priboy, baseado em sua experiência como marinheiro, foi amplamente lido. Quando a União Soviética tomou o sul de Sacalina e Porto Arthur em 1945, Stalin apresentou publicamente essa conquista como a remoção da mancha de 1904–1905.

Coreia. As narrativas coreanas veem a guerra como o período em que a soberania da Coreia foi retirada: sua neutralidade foi ignorada, terras e trabalhadores foram requisitados, Dokdo foi incorporado ao Japão e o protetorado foi imposto. O Tratado de Eulsa costuma ser chamado de Eulsa neugyak (“tratado imposto”), e muitos estudiosos coreanos argumentam que ele era juridicamente inválido porque foi imposto por coerção e nunca assinado pelo imperador. Figuras da resistência, como o jornalista Jang Ji-yeon, cujo editorial “Hoje clamamos em lamento” denunciou o tratado, e Ahn Jung-geun ocupam lugar central na memória coreana. No ensaio inacabado Sobre a paz no Leste Asiático, Ahn argumentou que o Japão havia traído sua promessa de que a guerra fora travada pela paz no Leste Asiático.

China. Para a China, a guerra foi travada em solo chinês entre duas potências estrangeiras enquanto seu governo assistia sem intervir. O escritor Lu Xun, então estudante de medicina no Japão, recordou mais tarde ter visto um diapositivo de um chinês prestes a ser executado por soldados japoneses como espião russo, enquanto espectadores chineses observavam passivamente; ele escreveu que essa experiência o levou a trocar a medicina pela literatura. O episódio se tornou um famoso símbolo do despertar nacional chinês. Em outros lugares, da Turquia ao Sudeste Asiático, a guerra foi lembrada por muito tempo como prova de que o poder europeu não era invencível.

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Avançado

Fontes primárias e historiografia

Fontes oficiais e militares. Tanto o Estado-Maior japonês quanto uma comissão histórico-militar russa produziram histórias oficiais em vários volumes, e os exércitos britânico, alemão, norte-americano e de outros países enviaram observadores que escreveram relatórios detalhados; o oficial britânico Ian Hamilton publicou suas observações feitas junto ao exército japonês. O general Kuropatkin escreveu uma defesa de sua atuação, publicada em inglês como The Russian Army and the Japanese War. Essas fontes trazem muitos detalhes sobre as operações, mas frequentemente refletem a necessidade de justificar as próprias instituições; as histórias oficiais japonesas, por exemplo, tendiam a ocultar fracassos e disputas entre comandantes.

Jornalismo e imagens. A guerra foi uma das mais intensamente cobertas de sua época: correspondentes de guerra, entre eles o escritor norte-americano Jack London, enviaram reportagens da Coreia e da Manchúria, enquanto fotografias, cinejornais e revistas ilustradas chegaram a grandes públicos. Jornais coreanos como o Hwangseong Sinmun e o Daehan Maeil Sinbo, este publicado sob a proteção de um proprietário britânico, Ernest Bethell, registraram as reações coreanas apesar da censura japonesa.

Fontes diplomáticas e coreanas. Arquivos diplomáticos em Tóquio, São Petersburgo, Londres e Washington documentam o caminho até a guerra e as negociações de paz. Registros do governo coreano, os Registros Verídicos do Imperador Gojong e os documentos relativos aos acordos de 1904–1905 são fundamentais para o prolongado debate sobre a legalidade do protetorado.

Historiografia. Histórias militares mais antigas concentravam-se na estratégia e na liderança. Estudos mais recentes situam a guerra em uma perspectiva global: os volumes de vários autores The Russo-Japanese War in Global Perspective: World War Zero (2005–2007), organizados por John W. Steinberg e outros, examinam suas dimensões diplomáticas, sociais, culturais e coloniais, e estudiosos como Rotem Kowner investigaram seu impacto nas ideias raciais e nos povos da Ásia. Historiadores coreanos e japoneses continuam a debater a situação jurídica dos tratados de 1904–1910, enquanto historiadores chineses destacam o impacto da guerra na Manchúria. Entre as questões em aberto estão até que ponto cada governo desejava a guerra em 1903–1904, quão perto o Japão chegou do esgotamento militar e financeiro e como a guerra moldou a corrida armamentista anterior a 1914.

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Batalhas (18)

  1. Batalha do Mar Amarelo1904
  2. Batalha de Port Arthur1904
  3. Cerco de Port Arthur1904–1905
  4. Batalha de Liaoyang1904
  5. Battle of Yalu River1904
  6. Batalha da Baía de Chemulpo1904
  7. Batalha de Shaho1904
  8. Battle of Nanshan1904
  9. Battle off Ulsan1904
  10. Batalha de Te-li-Ssu1904
  11. Battle of Korsakov1904
  12. Battle of Tashihchiao1904
  13. Battle of Motien Pass1904
  14. Batalha de Hsimucheng1904
  15. Batalha de Tsushima1905
  16. Batalha de Mukden1905
  17. Batalha de Sandepu1905
  18. Japanese invasion of Sakhalin1905

Ideias principais

Rivalidade imperial
Rússia e Japão lutaram pelo domínio da Manchúria e da Coreia, não por suas próprias terras.
Neutralidade ignorada
A Coreia e a China declararam neutralidade, mas a guerra foi travada em seus territórios e sua soberania foi desrespeitada.
Protetorado
Estado cujos assuntos externos são controlados por outro; o Japão impôs essa condição à Coreia em 1905, uma etapa rumo à anexação em 1910.
“Guerra Mundial Zero”
Expressão usada por alguns historiadores para destacar as características modernas e as conexões globais da guerra, que anteciparam a Primeira Guerra Mundial.
Vitória asiática, potência colonial
A vitória do Japão inspirou nacionalistas contrários ao colonialismo, mas o Japão a usou para construir seu próprio império na Coreia e na Manchúria.
Revolução de 1905
A derrota agravou a agitação na Rússia e obrigou Nicolau II a conceder um parlamento, marcando uma etapa no caminho até 1917.
Aval das grandes potências
Reino Unido, Estados Unidos e Rússia reconheceram, cada um à sua maneira, o domínio do Japão na Coreia em 1905, deixando a Coreia sem apoio externo.

Registros

  1. 1898 — A Rússia arrenda Porto Arthur e Dalian, na península de Liaodong.
  2. 1900 — Rebelião dos Boxers; tropas russas ocupam grande parte da Manchúria.
  3. 1902 — É assinada a Aliança Anglo-Japonesa.
  4. 1903 — Atividades russas em Yongampo, na margem coreana do rio Yalu; fracassam as negociações entre Rússia e Japão.
  5. 1904 — Janeiro: o Império Coreano declara neutralidade. 8–9 de fevereiro: ataques japoneses em Porto Arthur e Incheon; 23 de fevereiro: Protocolo Japão–Coreia.
  6. 1904 — Agosto: Primeiro Acordo Japão–Coreia; Batalha de Liaoyang. Outubro: incidente do Banco de Dogger.
  7. 1905 — 2 de janeiro: Porto Arthur se rende. 22 de janeiro: Domingo Sangrento em São Petersburgo. Fevereiro: o Japão incorpora Dokdo/Takeshima à Prefeitura de Shimane. Fevereiro–março: Batalha de Mukden.
  8. 1905 — 27–28 de maio: Batalha de Tsushima. Julho: memorando Katsura–Taft; o Japão ocupa Sacalina. Agosto: segunda Aliança Anglo-Japonesa.
  9. 1905 — 5 de setembro: Tratado de Portsmouth; revoltas de Hibiya em Tóquio. 17 de novembro: o Tratado de Eulsa transforma a Coreia em um protetorado.
  10. 1907 — Episódio dos emissários secretos de Haia; Gojong é obrigado a abdicar; o exército coreano é dissolvido.
  11. 1909 — Ahn Jung-geun assassina Itō Hirobumi em Harbin.
  12. 1910 — O Japão anexa a Coreia.

Glossário

Manchúria
Nome histórico do nordeste da China, região rica em terras e recursos onde foi travada a maior parte da guerra terrestre.
Porto Arthur (Lüshun)
Base naval fortificada na ponta da península de Liaodong, arrendada pela Rússia em 1898 e tomada pelo Japão em 1905.
Império Coreano
Nome do Estado coreano de 1897 a 1910, proclamado por Gojong.
Protetorado
Estado que conserva parte de seu governo interno, mas cujos assuntos externos são controlados por outra potência.
Tratado de Eulsa
Tratado Japão–Coreia de 17 de novembro de 1905, que retirou da Coreia seus direitos diplomáticos; os coreanos frequentemente o chamam de tratado imposto.
Frota do Báltico
Frota russa que navegou da Europa até o Leste Asiático e foi destruída em Tsushima.
Tratado de Portsmouth
Tratado de paz de 5 de setembro de 1905, mediado por Theodore Roosevelt.
Duma
Órgão legislativo russo eleito, criado após a Revolução de 1905.
Uibyeong (exército voluntário)
Forças voluntárias coreanas que lutaram contra o domínio japonês, especialmente após 1905 e 1907.
Aliança Anglo-Japonesa
Tratado de 1902 entre o Reino Unido e o Japão, renovado em 1905, que fortaleceu a posição japonesa diante da Rússia.

Perguntas e respostas

Por que Rússia e Japão entraram em guerra?

Ambos queriam controlar a Manchúria e a Coreia. A Rússia havia avançado na Manchúria com ferrovias e uma base naval, e o Japão temia que ela também tomasse a Coreia. As negociações para dividir as áreas de influência fracassaram.

Por que a guerra foi travada na Coreia e na China?

Porque esses eram os lugares disputados pelos dois impérios. A Coreia e a China declararam neutralidade, mas nenhuma das duas conseguiu deter os exércitos.

O que aconteceu em Tsushima?

Em maio de 1905, a marinha japonesa, sob o comando do almirante Tōgō, destruiu a maior parte da Frota do Báltico russa, que havia navegado por metade do mundo. Foi uma das batalhas navais mais decisivas da história.

A vitória do Japão ajudou a Coreia?

Não. Durante a guerra e logo depois dela, o Japão obrigou a Coreia a aceitar acordos que lhe tiraram o controle sobre seus próprios assuntos e, em 1905, transformou-a em um protetorado. A Coreia foi anexada em 1910.

Por que houve revoltas em Tóquio depois da vitória japonesa?

A população japonesa havia feito grandes sacrifícios e esperava uma indenização elevada e mais territórios. Quando o Tratado de Portsmouth não concedeu indenização, multidões se revoltaram em setembro de 1905.

O Tratado de Eulsa é juridicamente válido?

Isso é objeto de disputa. Muitos estudiosos coreanos argumentam que o tratado era inválido porque foi imposto sob ameaça militar e o imperador nunca o assinou. O Japão defendeu outras interpretações. No tratado entre Coreia e Japão de 1965, os dois lados concordaram que os tratados anteriores a 1910 eram “já nulos e sem efeito”, mas interpretam a palavra “já” de maneiras diferentes.

Por que ela às vezes é chamada de “Guerra Mundial Zero”?

Porque nela foram usadas muitas armas e táticas da Primeira Guerra Mundial, como trincheiras e metralhadoras, e porque envolveu a diplomacia e as finanças de muitos países além dos dois combatentes.

O que a guerra significou para as pessoas de outros países asiáticos?

Muitos nacionalistas contrários ao colonialismo se inspiraram na vitória de um país asiático sobre um império europeu. Mas os coreanos e, mais tarde, os chineses passaram a enfrentar o Japão como uma nova potência imperial.

Fontes e leituras adicionais

  1. Russo-Japanese War. Wikipedia
  2. Siege of Port Arthur. Wikipedia
  3. Battle of Tsushima. Wikipedia
  4. Treaty of Portsmouth. Wikipedia
  5. Japan–Korea Treaty of February 1904. Wikipedia
  6. Japan–Korea Treaty of 1905. Wikipedia
  7. 러일전쟁 (Russo-Japanese War). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  8. 포츠머스 조약 (Treaty of Portsmouth). Encyclopedia of Korean Culture, Academy of Korean Studies
  9. 러일 전쟁. 위키백과 (Korean Wikipedia)
  10. John W. Steinberg et al. (eds.), The Russo-Japanese War in Global Perspective: World War Zero. Brill, 2005

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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