Guerra

Conquista mongol da dinastia Jin

蒙金戰爭 (Méng–Jīn zhànzhēng)

1211–1234 ·

Em uma frase

Entre 1211 e 1234, os mongóis, liderados por Gêngis Khan e seu filho Ögedei, travaram uma guerra longa e devastadora contra a dinastia Jin, governada pelos jurchéns no norte da China. A guerra terminou com a queda dos Jin e deu aos mongóis uma base para conquistar, mais tarde, toda a China.

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Para jovens leitores

Há cerca de 800 anos, a dinastia Jin governava o norte da China. Seus governantes eram os jurchéns, um povo da Manchúria que havia conquistado a região cerca de cem anos antes. Seu império era grande e rico, com cidades cercadas por muralhas e milhões de agricultores.

Ao norte, nas pradarias, viviam os mongóis. Eles criavam cavalos e ovelhas e se mudavam conforme as estações do ano. Durante muito tempo, os Jin haviam colocado os povos das pradarias uns contra os outros. Mas, em 1206, um líder chamado Temüjin uniu as tribos mongóis e recebeu o título de Gêngis Khan.

Em 1211, Gêngis Khan levou seus cavaleiros para o sul. Os mongóis montavam muito bem e sabiam atirar flechas a cavalo. Eles derrotaram um enorme exército Jin. Alguns anos depois, tomaram Zhongdu, a capital Jin, no lugar onde hoje fica Pequim. O imperador Jin se mudou para Kaifeng, mais ao sul, mas a guerra continuou por muitos anos.

Gêngis Khan morreu em 1227, mas seu filho Ögedei terminou a guerra. Os mongóis cercaram Kaifeng. Para defender a cidade, os soldados Jin usaram algumas das primeiras bombas de pólvora do mundo. O último imperador Jin fugiu e, em 1234, tirou a própria vida quando a última cidade que o abrigava caiu.

A guerra durou mais de vinte anos e causou muito sofrimento. Cidades foram destruídas. Muitas pessoas morreram nos combates ou por falta de comida e doenças; outras fugiram para o sul. Depois, os mongóis passaram a governar o norte da China. Mais tarde, Kublai, neto de Gêngis Khan, fundou a dinastia Yuan e fez de Pequim sua capital.

Em resumo

Datas
1211–1234, com interrupções; principais fases em 1211–1215, 1217–1223 e 1229–1234
Local
Norte da China: as atuais regiões de Hebei, Pequim, Shanxi, Shandong, Henan e áreas vizinhas
Beligerantes
Império Mongol (com aliados quitais, chineses han e outros; e, no fim, a dinastia Song do Sul) contra a dinastia Jin
Líderes mongóis
Gêngis Khan, Muqali, Jebe, Subutai, Tolui, Ögedei Khan
Líderes Jin
Imperadores Wanyan Yongji, Xuanzong e Aizong; general Wanyan Heda
Acontecimentos principais
Yehuling (1211), queda de Zhongdu (1215), Sanfengshan (1232), cerco de Kaifeng (1232–1233), queda de Caizhou (1234)
Resultado
Fim da dinastia Jin; domínio mongol sobre o norte da China
Fontes principais
História Secreta dos Mongóis, Jin shi, Yuan shi, relatos de enviados Song e crônicas persas

Fácil

O que foi a conquista mongol da dinastia Jin?

A conquista mongol da dinastia Jin foi uma guerra de mais de duas décadas entre o recém-formado Império Mongol e a dinastia Jin, que governava o norte da China. Começou com a invasão de Gêngis Khan em 1211 e terminou em 1234, quando o último imperador Jin morreu em Caizhou, na atual província de Henan.

Foi uma das primeiras grandes campanhas do Império Mongol e a mais longa das guerras de Gêngis Khan. Ao contrário de incursões rápidas, ela levou os mongóis a aprender, aos poucos, a cercar cidades muradas e a governar populações agrícolas sedentárias. Também abriu caminho para a conquista mongol da dinastia Song do Sul e para a fundação da dinastia Yuan.

A guerra ocorreu nas planícies densamente povoadas do norte da China. Além das batalhas, causou destruição generalizada, fome e doenças. Ela é lembrada de maneiras muito diferentes na Mongólia, na China e em outros lugares.

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Fácil

O Império Jin

A dinastia Jin foi fundada em 1115 por Wanyan Aguda, um líder dos jurchéns da Manchúria que se rebelou contra a dinastia Liao dos quitais. Os jurchéns destruíram os Liao até 1125 e depois atacaram a China da dinastia Song. Em 1127, capturaram sua capital, Kaifeng, e dois imperadores Song. Os Song recuaram para o sul do rio Huai, e os Jin passaram a governar o norte da China. O nome Jin significa “ouro”.

O Império Jin reunia vários grupos étnicos. Os jurchéns eram uma pequena minoria governante, organizada militarmente em unidades hereditárias. Quitais, bohais e outros povos ocupavam funções importantes, mas a grande maioria da população era formada por agricultores e moradores de cidades chineses han. Os Jin adotaram muitas instituições chinesas, inclusive os exames para o serviço público, e transferiram sua capital principal para Zhongdu, no local da atual Pequim, em 1153.

Por volta de 1200, o Império Jin era extenso e populoso, mas enfrentava problemas graves: uma mudança desastrosa no curso do rio Amarelo em 1194, dificuldades financeiras que incluíam a inflação do papel-moeda, tensões entre súditos jurchéns e não jurchéns e uma guerra contra os Song entre 1206 e 1208.

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Fácil

Por que os mongóis atacaram

Os Jin tentavam havia muito tempo controlar os povos das estepes da Mongólia, apoiando algumas tribos contra outras e realizando campanhas punitivas ocasionais. A tradição mongol, registrada na História Secreta dos Mongóis, lembrava que um imperador Jin havia mandado executar Ambaghai, um líder mongol aparentado com os antepassados de Gêngis Khan. Essa antiga ofensa era citada como motivo para vingança.

Em 1206, Temüjin uniu as tribos mongóis e túrquicas das estepes e foi proclamado Gêngis Khan. Em seguida, atacou o Estado tangute de Xia Ocidental, que se submeteu em 1209–1210. Isso eliminou uma proteção a oeste do território Jin. Quando um novo imperador Jin, Wanyan Yongji, subiu ao trono e enviou representantes exigindo submissão, Gêngis Khan teria recusado com desprezo.

Os historiadores apontam vários motivos além da vingança: a riqueza do norte da China, que poderia recompensar a elite mongol e seus seguidores; a necessidade de manter uma confederação recém-unida ocupada e leal por meio de campanhas vitoriosas; e o desejo de acabar com a interferência Jin nas estepes. Alguns historiadores ambientais também sugeriram que um clima excepcionalmente favorável nas estepes no início do século XIII aumentou a disponibilidade de pasto e cavalos para os mongóis, embora essa hipótese ainda esteja sendo investigada.

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Fácil

1211–1215: Yehuling e a queda de Zhongdu

Em 1211, Gêngis Khan conduziu seu exército através do deserto de Gobi. Na campanha de Yehuling (“Cume da Raposa Selvagem”), a noroeste de Zhangjiakou, na atual província de Hebei, os mongóis derrotaram forças Jin muito maiores. Os registros Jin e os relatos mongóis apresentam números muito altos e contraditórios para os exércitos; por isso, não se sabe ao certo quantos soldados participaram. Os mongóis avançaram em direção à passagem de Juyong, que dava acesso a Zhongdu.

Nos dois anos seguintes, colunas mongóis fizeram incursões por grandes áreas de Hebei, Shanxi e Shandong. Tomaram muitas cidades, mas frequentemente as abandonaram depois. Alguns oficiais Jin e súditos quitais passaram para o lado mongol. Um quitai chamado Yelü Liuge se rebelou na Manchúria e se aliou a Gêngis Khan. Em 1213, um general Jin, Hushahu, assassinou o imperador Wanyan Yongji, e um novo imperador, Xuanzong, assumiu o trono.

Em 1214, Xuanzong fez a paz. Enviou uma princesa para se casar com Gêngis Khan e entregou grandes quantidades de ouro, seda e cavalos. Depois, temendo por sua segurança, transferiu a corte para o sul, para Kaifeng. Gêngis Khan considerou a mudança uma quebra do acordo e voltou a atacar. Após um longo cerco, marcado pela fome dentro da cidade, Zhongdu se rendeu em 1215. A cidade foi saqueada e grande parte dela foi incendiada. Os relatos mencionam muitas mortes, mas os números exatos são desconhecidos.

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Intermediário

1217–1227: a guerra de desgaste de Muqali

Em 1217, Gêngis Khan se voltou para o oeste, contra o Império Corásmio, e deixou a guerra na China a cargo de seu general de confiança Muqali. Deu-lhe o título de guowang (“príncipe do Estado”) e um exército mongol relativamente pequeno, reforçado por tropas quitais, jurchéns e chinesas han. Muqali lutou de forma metódica, tomando uma a uma as cidades de Hebei, Shanxi e Shandong.

Uma característica decisiva dessa fase foi a atuação dos chefes locais. À medida que a autoridade Jin desmoronava, famílias poderosas do norte da China formaram milícias para defender seus distritos. Muitas delas, como as de Shi Tianze, Zhang Rou e Yan Shi, passaram para o lado mongol e tiveram reconhecida sua posição de senhores locais hereditários. Outros grupos, como os rebeldes dos “Casacos Vermelhos” em Shandong, alternaram sua lealdade entre os Jin, os Song e os mongóis. Assim, a guerra se tornou uma luta com vários lados pela sobrevivência no norte.

Os Jin pioraram sua situação ao travar novas guerras contra os Song (1217–1224) e Xia Ocidental. Esperavam obter recursos no sul para compensar as perdas no norte. Muqali morreu em 1223, e o avanço mongol diminuiu. O próprio Gêngis Khan morreu em 1227, durante uma campanha final contra Xia Ocidental, destruído naquele ano.

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Intermediário

1229–1234: Ögedei, Sanfengshan e a queda de Kaifeng

Ögedei foi escolhido como Grande Khan em 1229 e decidiu pôr fim à dinastia Jin. Os Jin haviam reconstruído suas defesas ao longo do rio Amarelo e nas passagens a oeste. Também conquistaram várias vitórias, inclusive em Daohuigu, em 1231. Os mongóis então planejaram um ataque por três direções. Ögedei avançou pelo norte, enquanto seu irmão Tolui conduziu um exército em uma longa marcha de flanco pelo território Song, na região de Hanzhong, para entrar em Henan pelo sudoeste.

No início de 1232, a força menor de Tolui, acompanhada de perto pelo principal exército Jin sob Wanyan Heda, evitou o combate até que as tropas Jin estivessem exaustas e com pouca comida. Em Sanfengshan, durante uma tempestade de neve, os mongóis atacaram e destruíram o exército Jin. A batalha praticamente acabou com a capacidade dos Jin de lutar em campo aberto.

Os mongóis, agora comandados por Subutai, cercaram Kaifeng a partir da primavera de 1232. Os defensores usaram armas de pólvora, como as “bombas de estrondo”, lançadas por catapultas, e as “lanças de fogo voadoras”. Esses estão entre os primeiros usos registrados de armas desse tipo em uma guerra. Uma epidemia atingiu a cidade superlotada. A história oficial Jin afirma que, em cerca de cinquenta dias, mais de 900 mil corpos foram levados para fora dos portões. Os historiadores tratam esse número com cautela, mas ele indica a dimensão da catástrofe.

O imperador Aizong fugiu de Kaifeng no fim de 1232. Em 1233, Cui Li, o comandante que havia ficado na cidade, se rendeu. Segundo relatos posteriores, Yelü Chucai convenceu Ögedei a não massacrar a população. A dinastia Song do Sul, vendo uma chance de se vingar da perda do norte um século antes, aliou-se aos mongóis. Um exército Song comandado por Meng Gong participou do cerco de Caizhou, onde Aizong havia se refugiado. No início de 1234, quando a cidade caiu, Aizong passou o trono a um parente e tirou a própria vida. Seu sucessor morreu nos combates no mesmo dia, encerrando a dinastia Jin.

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Intermediário

O custo humano

A guerra foi devastadora para a população do norte da China. Às vezes, os habitantes de cidades que resistiam eram massacrados como aviso às demais. Prisioneiros eram forçados a seguir à frente dos exércitos para encher fossos ou operar máquinas de cerco. Campos eram abandonados quando agricultores fugiam ou eram recrutados à força. Os cercos e as fugas provocaram fome e epidemias, que provavelmente mataram mais pessoas do que as batalhas.

A dimensão da perda populacional é uma das questões mais debatidas. Os registros Jin do início do século XIII contabilizavam vários milhões de famílias, e estudiosos estimam uma população de talvez 40 a 50 milhões de pessoas. O primeiro censo mongol do norte da China, na década de 1230, registrou apenas cerca de um milhão de famílias. Essa diferença enorme não corresponde simplesmente ao número de mortos: muitas pessoas fugiram para o sul, governado pelos Song; outras se tornaram dependentes de nobres mongóis ou senhores locais e desapareceram dos registros do Estado; e o caos administrativo deixou muitas sem registro. Historiadores como James Waterson alertaram que a diferença não deve ser tratada como uma contagem de mortos, embora concordem que a mortalidade foi enorme.

Uma história famosa, narrada na inscrição funerária de Yelü Chucai, diz que alguns oficiais mongóis propuseram retirar os habitantes do norte da China e transformar a região em pastagem. Chucai teria convencido Ögedei de que cobrar impostos dos agricultores seria mais lucrativo. Seja ou não exata, a história reflete uma mudança real: os mongóis passaram do saque à tributação e à administração.

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Intermediário

Consequências

A queda dos Jin deu aos mongóis o controle do norte da China, incluindo sua população, seus grãos, artesãos e engenheiros. Especialistas chineses e quitais em cercos e administração se tornaram essenciais para as campanhas mongóis posteriores. Quase imediatamente, em 1234, uma tentativa dos Song de tomar as antigas capitais Kaifeng e Luoyang provocou uma guerra entre mongóis e Song. Esse conflito só terminou com a conquista mongol de toda a China, em 1279.

A conquista também moldou a administração da China mongol. Sob Ögedei, Yelü Chucai organizou repartições de impostos e um censo. Terras e famílias foram distribuídas entre príncipes mongóis como domínios hereditários. As famílias dos chefes locais que haviam se juntado aos mongóis permaneceram poderosas por gerações. Quando Kublai Khan fundou a dinastia Yuan, em 1271, construiu sua capital, Dadu, junto às ruínas de Zhongdu, dando origem a Pequim como capital nacional.

Para os jurchéns, a queda dos Jin marcou o fim de seu primeiro império, mas não de sua história. Quase quatro séculos depois, o líder jurchém Nurhaci deu a seu novo Estado o nome de Jin Posterior (1616), em lembrança deliberada da dinastia anterior. Seus sucessores passaram a chamar seu povo de manchu e seu Estado de Qing, e depois conquistaram a China.

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Intermediário

Como diferentes povos lembram a guerra

Na Mongólia, a guerra faz parte da história da criação do Estado mongol por Gêngis Khan. Ele é homenageado como fundador da nação, especialmente desde o fim do regime socialista em 1990. A História Secreta apresenta as campanhas, em parte, como vingança por antigas injustiças cometidas pelos Jin e destaca a unidade e a lealdade mongóis.

Na tradição histórica chinesa, o quadro é mais complexo. A própria dinastia Yuan patrocinou, na década de 1340, histórias oficiais das dinastias Liao, Jin e Song, tratando as três como dinastias legítimas. Gêngis Khan recebeu o nome de templo Taizu como fundador da linhagem Yuan. Escritores chineses posteriores lamentaram com frequência a destruição do norte. O poeta Yuan Haowen, que sobreviveu à queda de Kaifeng, escreveu poemas comoventes sobre a ruína dos Jin e trabalhou para preservar sua história. Na atual República Popular da China, jurchéns e mongóis são vistos como parte do passado multiétnico do país, e Gêngis Khan às vezes é apresentado como uma figura da história chinesa — uma interpretação contestada na Mongólia.

Para os Song do Sul, a queda dos Jin foi sentida inicialmente como vingança pela humilhação de 1127. Segundo relatos, os restos mortais de Aizong foram levados de volta e apresentados no templo ancestral imperial Song. Logo, porém, os Song se viram diante de um vizinho muito mais perigoso. Na Coreia, o colapso do poder Jin levou refugiados quitais e o breve regime de Xia Oriental para a península. Isso resultou no primeiro contato do reino de Goryeo com tropas mongóis e em uma ação conjunta em 1218–1219, seguida pelas invasões mongóis de Goryeo a partir de 1231.

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Avançado

Fontes primárias

A História Secreta dos Mongóis, a única grande narrativa escrita por mongóis no século XIII, apresenta a perspectiva mongol, mas é breve e às vezes vaga sobre as campanhas contra os Jin. Sua data de composição também é debatida. A obra chinesa Shengwu qinzheng lu (“Registro das campanhas pessoais do Imperador Sagrado e Guerreiro”) e a história persa de Rashid al-Din, do início do século XIV, preservam tradições mongóis relacionadas.

O Jin shi (História dos Jin) e o Yuan shi (História dos Yuan) são as histórias dinásticas oficiais. O Jin shi foi compilado em 1343–1344, sob o ministro-chefe Yuan Toqto’a, com base em registros Jin e em materiais reunidos por sobreviventes Jin, como Yuan Haowen. O Yuan shi foi compilado às pressas, em cerca de um ano, pela corte do início da dinastia Ming (1369–1370) e contém inconsistências. Ambas as obras empregam números e fórmulas convencionais que precisam ser lidos de forma crítica.

Observadores da época acrescentam detalhes valiosos. Enviados Song escreveram relatos sobre os mongóis, como o Mengda beilu (1221), de Zhao Hong, e o Heida shilüe, de Peng Daya e Xu Ting, da década de 1230. Testemunhas Jin, como Liu Qi, descreveram o cerco e a queda de Kaifeng em suas memórias, o Guiqian zhi. Inscrições, como o texto funerário de Yelü Chucai, preservam biografias de oficiais, embora tendam a elogiá-los.

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Avançado

Historiografia e debates

Por que os Jin caíram? Explicações tradicionais destacavam a superioridade militar mongol: cavalaria móvel, disciplina e estratégia implacável. Historiadores atuais acrescentam as fraquezas internas dos Jin — golpes na corte, crise fiscal, inflação do papel-moeda e o peso de guerras em várias frentes — e, sobretudo, a deserção de comandantes quitais, chineses han e até jurchéns. Esses comandantes deram aos mongóis infantaria, engenheiros e conhecimento local. A adaptação mongol à guerra de cerco, com o uso de técnicas chinesas e da Ásia Central, é vista como um ponto de virada na história do império.

Gêngis Khan pretendia conquistar o território desde o início? As primeiras campanhas mongóis na China muitas vezes se pareciam com grandes incursões: os mongóis tomavam cidades e se retiravam com saques e prisioneiros. Alguns historiadores, seguindo o estudo clássico de H. Desmond Martin (1950), identificaram uma evolução gradual das incursões para a conquista sistemática sob Muqali e Ögedei. Outros destacam que os objetivos de Gêngis Khan no leste sempre foram amplos, mas que os mongóis não tinham meios para ocupar territórios antes de recrutar aliados locais.

A dimensão da destruição continua em debate, como mostram os dados populacionais. Narrativas mais antigas apresentavam os mongóis como excepcionalmente destrutivos. Estudos mais recentes, sem minimizar as atrocidades, examinam a migração, os registros populacionais e os efeitos das epidemias, além de comparar as práticas mongóis com as de outros exércitos da época. O conceito de “dinastias de conquista”, apresentado por Karl Wittfogel e Feng Jiasheng em seu estudo de 1949 sobre os Liao, orientou debates sobre as dinastias Liao, Jin, Yuan e Qing e sobre até que ponto seus governantes foram “sinicizados” ou mantiveram identidades distintas. Os Jin, uma dinastia que conquistou e depois foi conquistada, ocupam um lugar central nessas discussões.

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Batalhas (4)

  1. Battle of Yehuling1211
  2. Batalha de Pequim1215
  3. Siege of Kaifeng (1232)1232–1233
  4. Siege of Caizhou1233–1234

Ideias principais

Estepes e terras cultivadas
A guerra opôs um império de cavalaria nômade a um Estado agrícola densamente povoado.
Da incursão à conquista
As campanhas mongóis na China evoluíram de incursões de saque para a ocupação sistemática.
Deserções e chefes locais
Comandantes quitais, chineses han e jurchéns que mudaram de lado foram decisivos para a vitória mongol.
Guerra de cerco e pólvora
Os cercos de Zhongdu e Kaifeng levaram os dois lados a usar técnicas avançadas de engenharia e as primeiras armas de pólvora.
Saque ou tributação
Conselheiros como Yelü Chucai incentivaram os mongóis a cobrar impostos da população agrícola em vez de destruí-la.
Dinastias de conquista
As dinastias Jin e Yuan foram fundadas por povos vindos de além da fronteira norte da China.
Números incertos
Os números de soldados e mortos apresentados pelas fontes não são confiáveis; por isso, os historiadores os tratam como indicações aproximadas.

Registros

  1. 1115 — Wanyan Aguda funda a dinastia Jin.
  2. 1127 — Os Jin capturam Kaifeng e dois imperadores Song; os Song recuam para o sul.
  3. 1206 — Temüjin é proclamado Gêngis Khan.
  4. 1210 — Xia Ocidental se submete aos mongóis; Gêngis Khan rejeita a exigência de submissão do novo imperador Jin.
  5. 1211 — Os mongóis invadem o território Jin, e os Jin são derrotados na campanha de Yehuling.
  6. 1214 — Os Jin fazem a paz por meio de uma aliança matrimonial e do pagamento de tributos; depois, transferem a corte para Kaifeng.
  7. 1215 — Zhongdu se rende e é saqueada.
  8. 1217 — Muqali assume o comando da guerra na China.
  9. 1227 — Gêngis Khan morre; Xia Ocidental é destruído.
  10. 1232 — Os mongóis destroem o exército Jin em Sanfengshan e cercam Kaifeng.
  11. 1233 — Kaifeng se rende; os Song se aliam aos mongóis.
  12. 1234 — Caizhou cai; o imperador Aizong morre e a dinastia Jin chega ao fim.

Glossário

Jurchéns
Povo da Manchúria que fundou a dinastia Jin e do qual os manchus descenderam mais tarde.
Dinastia Jin
Dinastia governada pelos jurchéns (1115–1234) que controlou o norte da China.
Khan / Grande Khan
Título de um governante dos povos das estepes; o Grande Khan governava todo o Império Mongol.
Quitais
Povo que fundou a dinastia Liao antes de ser conquistado pelos jurchéns.
Xia Ocidental
Estado tangute no noroeste da China, destruído pelos mongóis em 1227.
Zhongdu
A “capital central” dos Jin, situada no local da atual Pequim.
Song do Sul
Dinastia chinesa que governou o sul da China após 1127 e foi conquistada pelos mongóis em 1279.
Domínio hereditário
Terras e famílias concedidas a membros da família governante para seu sustento.
Bomba de estrondo
Uma das primeiras armas explosivas de pólvora, usada pelos defensores Jin.

Perguntas e respostas

Quem eram os Jin?

Os Jin eram uma dinastia fundada pelos jurchéns, um povo da Manchúria, que governou o norte da China de 1115 a 1234.

Por que a guerra durou tanto?

O norte da China tinha muitas cidades muradas e milhões de habitantes. No início, os mongóis faziam incursões em vez de ocupar o território. Gêngis Khan partiu para lutar na Ásia Central, e os mongóis precisaram aprender a fazer cercos e recrutar aliados locais antes de derrotar os Jin de vez.

Os mongóis usavam pólvora?

Em Kaifeng, foram principalmente os defensores Jin que usaram bombas de pólvora e lanças de fogo. Os mongóis logo adotaram essas tecnologias e também passaram a contar com engenheiros que sabiam produzi-las.

Quantas pessoas morreram?

Ninguém sabe. Os registros populacionais diminuíram drasticamente, mas parte da queda se deve a pessoas que fugiram ou deixaram de aparecer nos registros. Os historiadores concordam que as mortes causadas pela guerra, pela fome e pelas doenças foram numerosas.

Qual foi o papel dos Song?

No fim da guerra, os Song do Sul se aliaram aos mongóis e ajudaram a tomar Caizhou em 1234. Pouco depois, porém, Song e mongóis entraram em guerra.

Até que ponto as histórias oficiais dos Yuan e dos Jin são confiáveis?

Elas são indispensáveis, mas foram compiladas cerca de um século depois dos acontecimentos. No caso do Yuan shi, a compilação foi feita com muita pressa. Essas obras contêm números convencionais e contradições. Por isso, os historiadores as comparam com fontes mongóis, persas e Song.

A dinastia Jin era chinesa?

Ela foi fundada pelos jurchéns, mas governava uma população formada em sua maioria por chineses han e usava muitas instituições chinesas. A tradição histórica chinesa a considera uma dinastia legítima, e os historiadores debatem até que ponto seus governantes foram sinicizados.

Fontes e leituras adicionais

  1. Mongol conquest of the Jin dynasty. Wikipedia
  2. Jin dynasty (1115–1234). Wikipedia
  3. Battle of Zhongdu. Wikipedia
  4. Siege of Kaifeng (1232). Wikipedia
  5. Yelü Chucai. Wikipedia
  6. The Secret History of the Mongols. Wikipedia
  7. Yuan Haowen. Wikipedia
  8. History of Jin. Wikipedia
  9. Herbert Franke and Denis Twitchett (eds.), The Cambridge History of China, Vol. 6: Alien Regimes and Border States, 907–1368. Cambridge University Press, 1994
  10. H. Desmond Martin, The Rise of Chingis Khan and His Conquest of North China. Johns Hopkins Press, 1950

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Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.

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