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Para jovens leitores
Há cerca de duzentos anos, a França tinha um líder muito ambicioso chamado Napoleão Bonaparte. Ele começou como oficial do exército, venceu muitas batalhas e, em 1804, coroou-se imperador dos franceses.
Muitos outros países da Europa, como o Reino Unido, a Áustria, a Prússia, a Rússia e a Espanha, tinham medo de que a França ficasse poderosa demais. Eles formaram grupos chamados «coalizões» para lutar contra Napoleão. As guerras duraram, com pequenas pausas, de 1803 a 1815.
Napoleão era um general habilidoso e venceu batalhas famosas, como a de Austerlitz, em 1805. Por algum tempo, controlou quase toda a Europa e fez de seus irmãos reis. Mas o Reino Unido dominava os mares. Na Batalha de Trafalgar, sua marinha, comandada pelo almirante Nelson, derrotou as frotas da França e da Espanha.
Em 1812, Napoleão levou um exército enorme para a Rússia. Os russos recuaram e destruíram os suprimentos que ele poderia usar. Quando o inverno chegou, o frio, a fome e as doenças acabaram com grande parte de seu exército. Depois disso, seus inimigos se uniram e o venceram.
Napoleão foi enviado para a ilha de Elba, mas fugiu e voltou ao poder por cerca de cem dias. Em 1815, perdeu definitivamente na Batalha de Waterloo. Morreu na distante ilha de Santa Helena. As guerras mudaram o mapa, as leis e as ideias da Europa, e milhões de pessoas morreram.
Em resumo
- Datas
- Maio de 1803 (o Reino Unido declara guerra à França após a Paz de Amiens) – 1815 (Waterloo, 18 de junho; Segundo Tratado de Paris, 20 de novembro)
- Local
- Principalmente a Europa, de Portugal à Rússia; também os mares Atlântico e Mediterrâneo, com efeitos que chegaram ao Caribe, às Américas e à Índia
- França e aliados
- Império Francês, Estados satélites (Reino da Itália, Confederação do Reno, Ducado de Varsóvia, reinos da Holanda, de Nápoles e da Vestfália, e Espanha sob o governo de José Bonaparte) e, em certos períodos, a Espanha (até 1808), a Dinamarca–Noruega e outros
- Coalizões
- Reino Unido durante todo o período; Áustria, Rússia, Prússia, Suécia, Portugal, Espanha (a partir de 1808) e outros, da Terceira à Sétima Coalizão
- Principais batalhas
- Trafalgar e Austerlitz (1805), Jena–Auerstedt (1806), Friedland (1807), Wagram (1809), Borodino (1812), Leipzig (1813), Waterloo (1815)
- Mortos (estimativas)
- Cerca de 3,5 a 7 milhões de militares e civis mortos; os totais calculados pelos historiadores variam muito
- Resultado
- Derrota de Napoleão; restauração dos Bourbon na França; reorganização da Europa pelo Congresso de Viena; domínio naval e comercial britânico
A guerra dia a dia
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Fases
A Grã-Bretanha declarou guerra à França em maio de 1803, encerrando a Paz de Amiens. Napoleão reuniu o 'Exército da Inglaterra' em acampamentos ao redor de Boulogne para uma invasão através do Canal, e em dezembro de 1804 coroou-se Imperador dos franceses. Em 1805, Grã-Bretanha, Rússia e Áustria formaram a Terceira Coalizão, e no fim de agosto Napoleão desviou o exército de Boulogne para o leste.
Napoleonic Wars (English Wikipedia)Camp of Boulogne (English Wikipedia)War of the Third Coalition (English Wikipedia)
Eventos recentes
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O que foram as Guerras Napoleônicas?
As Guerras Napoleônicas foram os conflitos travados entre a França de Napoleão Bonaparte e diversas alianças de outros Estados europeus, de 1803 a 1815. Elas se seguiram diretamente às Guerras Revolucionárias Francesas, iniciadas em 1792. Assim, a Europa permaneceu em guerra, com apenas breves interrupções, por mais de vinte anos.
Os historiadores geralmente contam cinco coalizões contra Napoleão nesse período, da Terceira à Sétima, pois a Primeira e a Segunda Coalizão haviam combatido a França revolucionária antes de 1802. O Reino Unido foi a potência que permaneceu em guerra com Napoleão durante quase todo o período, usando sua marinha e seus recursos financeiros para apoiar aliados no continente. Áustria, Prússia e Rússia combateram Napoleão, foram derrotadas, fizeram a paz e depois voltaram à luta.
No auge, por volta de 1810–1812, o império de Napoleão e os Estados dependentes dele abrangiam a maior parte da Europa Ocidental e Central. As guerras envolveram exércitos de centenas de milhares de homens e, em 1812, de mais de meio milhão. Mataram milhões de pessoas, difundiram as leis e instituições da Revolução Francesa, puseram fim ao Sacro Império Romano-Germânico, que existia havia cerca de mil anos, e provocaram resistência nacional da Espanha à Rússia.
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Antecedentes: a Revolução e a ascensão de Napoleão
Em 1789, a Revolução Francesa derrubou a antiga ordem na França e, em 1792, o país entrou em guerra com a Áustria e a Prússia. As monarquias temiam a difusão das ideias revolucionárias. A França revolucionária, por sua vez, declarou que apoiaria os povos contra seus reis e também buscou «fronteiras naturais» no rio Reno e nos Alpes. A França introduziu o recrutamento em massa (a levée en masse de 1793), formando exércitos muito maiores do que antes.
Napoleão Bonaparte, nascido na Córsega em 1769, ascendeu como oficial de artilharia e ganhou fama na campanha da Itália de 1796–1797. Após uma expedição ao Egito (1798–1801), tomou o poder por meio de um golpe de Estado em novembro de 1799 e tornou-se primeiro-cônsul. Derrotou novamente a Áustria em 1800, e o Reino Unido e a França assinaram a Paz de Amiens em 1802. A paz não durou: disputas sobre Malta, a expansão francesa na Suíça, na Itália e nos Países Baixos, e questões comerciais levaram o Reino Unido a declarar guerra novamente em maio de 1803.
Por que a guerra recomeçou e durou tanto? Os historiadores discordam. Alguns destacam a ambição pessoal de Napoleão e sua dependência da glória militar para permanecer no poder. Outros enfatizam a antiga rivalidade entre o Reino Unido e a França pelo comércio e pelos impérios, ou a recusa das velhas monarquias em aceitar a hegemonia francesa. Paul Schroeder argumentou que Napoleão rejeitou repetidas oportunidades de alcançar um acordo estável, enquanto outros consideram instável o próprio sistema de equilíbrio de poder.
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1803–1807: Trafalgar, Austerlitz e o auge do poder francês
Napoleão planejou invadir o Reino Unido e reuniu um exército em Boulogne. Em 1804, coroou-se imperador dos franceses. Em 1805, o Reino Unido, a Áustria, a Rússia e a Suécia formaram a Terceira Coalizão. Napoleão levou seu exército, então chamado Grande Armée, do canal da Mancha à Alemanha, cercou um exército austríaco em Ulm e, em 2 de dezembro de 1805, derrotou os exércitos russo e austríaco em Austerlitz, a «Batalha dos Três Imperadores».
No mar, o resultado foi o oposto. Em 21 de outubro de 1805, a frota britânica comandada por Horatio Nelson destruiu uma frota conjunta francesa e espanhola perto do cabo Trafalgar, no sul da Espanha. Nelson morreu, mas a supremacia naval britânica ficou assegurada pelo restante da guerra, e a invasão do Reino Unido deixou de ser uma possibilidade realista.
Em 1806, Napoleão criou a Confederação do Reno, formada por Estados alemães sob sua proteção, e o Sacro Império Romano-Germânico foi dissolvido. A Prússia entrou em guerra e foi esmagada em Jena e Auerstedt, em 14 de outubro de 1806. Após a sangrenta Batalha de Eylau e a vitória francesa em Friedland, em 1807, Napoleão e o czar Alexandre I fizeram a paz em Tilsit, encontrando-se numa balsa no rio Niemen. A Prússia perdeu cerca de metade de seu território, e o Ducado de Varsóvia foi criado a partir de terras polonesas.
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O Bloqueio Continental e a Guerra Peninsular
Sem conseguir invadir o Reino Unido, Napoleão tentou derrotá-lo economicamente. O Decreto de Berlim de 1806 e o Decreto de Milão de 1807 criaram o Bloqueio Continental, que proibia o comércio com o Reino Unido nas áreas controladas pela França ou aliadas a ela. Os britânicos responderam com um bloqueio naval e suas próprias ordens do Conselho. O sistema prejudicou o comércio no continente, incentivou o contrabando e gerou ressentimento; para impô-lo, Napoleão interveio em Portugal, na Espanha e, por fim, na Rússia. As restrições britânicas à navegação neutra também contribuíram para a Guerra de 1812 contra os Estados Unidos.
Em 1807, tropas francesas atravessaram a Espanha para ocupar Portugal, cuja família real fugiu para o Brasil. Em 1808, Napoleão forçou os Bourbon espanhóis a abdicar e fez de seu irmão José o rei da Espanha. A população de Madri se rebelou em 2 de maio de 1808 e foi duramente reprimida — acontecimentos retratados mais tarde por Francisco Goya. A revolta se espalhou pela Espanha, e um exército francês se rendeu em Bailén em julho de 1808.
A Guerra Peninsular (1807/1808–1814) combinou campanhas regulares dos exércitos britânico, português e espanhol — as forças britânicas foram comandadas a partir de 1809 por Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington — com a luta irregular de guerrilheiros espanhóis. Cercos como o de Saragoça e atrocidades cometidas pelos dois lados causaram grande sofrimento aos civis, registrado na série de gravuras de Goya Os Desastres da Guerra. Mais tarde, Napoleão chamou a Espanha de sua «úlcera espanhola». A guerra também deu origem à Constituição espanhola de Cádis (1812), uma das primeiras constituições liberais da Europa, e o colapso da autoridade real na Espanha abriu caminho para os movimentos de independência na América Espanhola.
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1809–1812: Wagram e a invasão da Rússia
A Áustria voltou à guerra em 1809, na Quinta Coalizão. Napoleão sofreu seu primeiro grande revés em Aspern-Essling, mas venceu em Wagram. A Áustria teve de ceder territórios e, em 1810, Napoleão se casou com a arquiduquesa austríaca Maria Luísa. No Tirol, uma revolta camponesa liderada por Andreas Hofer foi esmagada.
As relações com a Rússia se deterioraram, em parte por causa do Bloqueio Continental, que a Rússia havia deixado de aplicar, e por causa da Polônia. Em junho de 1812, Napoleão invadiu a Rússia com bem mais de 400 mil homens na primeira linha e mais de 600 mil se incluídos os reforços, recrutados em todo o seu império: franceses, alemães, poloneses, italianos, holandeses e outros. Os exércitos russos recuaram, destruindo suprimentos. Em Borodino, em 7 de setembro de 1812, ambos os exércitos sofreram perdas enormes em um dos dias de combate mais sangrentos do século. Napoleão entrou em Moscou, mas a cidade ardeu em chamas e Alexandre I se recusou a negociar.
A retirada, iniciada em outubro, transformou-se em catástrofe. A fome, as doenças, o frio, os ataques dos cossacos e os ataques de grupos de resistência destruíram o exército; a travessia do rio Berezina em novembro tornou-se sinônimo de desastre. Apenas uma pequena parcela dos homens que entraram na Rússia voltou. As estimativas dos historiadores sobre as perdas variam, mas a maior parte da Grande Armée se perdeu. Soldados e civis russos também morreram em números muito elevados.
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1813–1815: Leipzig, Elba e Waterloo
Em 1813, a Prússia se juntou à Rússia, seguida pela Áustria e pela Suécia, na Sexta Coalizão. Na Prússia, as reformas iniciadas em 1807 e uma onda de patriotismo deram origem ao que os alemães mais tarde chamaram de Guerras de Libertação. Napoleão recrutou novos exércitos e venceu várias batalhas, mas foi derrotado de forma decisiva em Leipzig, na «Batalha das Nações», entre 16 e 19 de outubro de 1813. Enquanto isso, o exército de Wellington expulsou os franceses da Espanha e entrou no sul da França.
Os aliados invadiram a França em 1814 e entraram em Paris em 31 de março. Napoleão abdicou em abril e foi exilado na ilha de Elba, enquanto Luís XVIII, da dinastia Bourbon, assumiu o trono francês. Os vencedores começaram a se reunir no Congresso de Viena para decidir o futuro da Europa.
Em março de 1815, Napoleão fugiu de Elba, desembarcou na França e voltou ao poder por cerca de cem dias, período conhecido como os Cem Dias. Os aliados formaram a Sétima Coalizão. Em 18 de junho de 1815, em Waterloo, na atual Bélgica, Napoleão foi derrotado pelo exército de Wellington, formado por britânicos e aliados, e pelo exército prussiano comandado por Gebhard Leberecht von Blücher. Abdicou novamente e foi exilado em Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreu em 1821.
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O custo humano
O número de mortos só pode ser estimado. Os totais para as guerras de 1803–1815 variam de cerca de 3,5 milhões a 7 milhões de pessoas, incluindo civis. Charles Esdaile sugeriu um total de 5 a 7 milhões, enquanto outros historiadores apresentam números menores. As mortes de militares franceses são frequentemente estimadas em cerca de 900 mil a 1 milhão entre 1800 e 1815, e cada um dos principais exércitos aliados perdeu centenas de milhares de homens. Muito mais soldados morreram de doenças, exposição às intempéries e fome do que em combate.
Os civis sofreram com a requisição de bens, os saques, os cercos, as represálias contra a resistência guerrilheira e epidemias como a de tifo, que acompanhavam os exércitos. Espanha e Portugal, Rússia, Alemanha central e partes da Itália foram especialmente atingidas. O recrutamento alcançou toda a sociedade: famílias em todo o Império Francês perderam filhos, e a resistência à convocação e a deserção foram comuns.
As guerras também afetaram pessoas longe da Europa. A tentativa de Napoleão, em 1802–1803, de restabelecer o controle francês sobre São Domingos, ligada ao restabelecimento da escravidão em outras colônias francesas em 1802, terminou em derrota francesa. O Haiti declarou independência em 1º de janeiro de 1804. Na América Espanhola, a crise da monarquia espanhola após 1808 desencadeou as guerras de independência. O domínio da marinha britânica protegeu o império crescente do Reino Unido na Ásia e no Caribe.
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Consequências: o Congresso de Viena e uma nova Europa
O Congresso de Viena (1814–1815), conduzido por Metternich, da Áustria, Castlereagh, do Reino Unido, Alexandre I, da Rússia, Hardenberg, da Prússia, e Talleyrand, da França, redesenhou o mapa da Europa. Seu objetivo era restaurar as monarquias consideradas legítimas e criar um equilíbrio de poder que impedisse outra hegemonia francesa. A Rússia obteve a maior parte da Polônia, a Prússia recebeu terras às margens do Reno e na Saxônia, a Áustria recuperou sua posição na Itália, e a Confederação Germânica substituiu o Sacro Império Romano-Germânico. O Congresso também condenou o tráfico de escravizados em princípio. Em seguida, as grandes potências cooperaram no «Concerto Europeu». Não houve outra guerra geral na Europa por cerca de um século, embora tenham ocorrido muitas guerras menores e revoluções.
O governo de Napoleão deixou mudanças institucionais duradouras. O Código Civil de 1804 (Código Napoleônico) garantiu a igualdade perante a lei e o direito à propriedade, ao mesmo tempo que reforçou a autoridade de maridos e pais; ele influenciou os sistemas jurídicos de grande parte da Europa e da América Latina. A administração centralizada, a abolição dos privilégios feudais em muitas áreas conquistadas, a emancipação dos judeus em alguns territórios e a secularização de terras da Igreja mostraram-se difíceis de reverter.
As guerras também estimularam o nacionalismo, tanto na resistência ao domínio francês na Espanha, na Alemanha e na Rússia quanto nas esperanças dos poloneses e italianos que haviam servido nos exércitos de Napoleão. O Reino Unido emergiu como a principal potência naval, comercial e imperial. O pensamento militar se transformou: Carl von Clausewitz, que lutou contra Napoleão, e Antoine-Henri Jomini, que serviu sob seu comando, escreveram teorias da guerra que influenciaram a formação militar por gerações.
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Como diferentes países se lembram das guerras
Na França, Napoleão continua sendo tanto um herói nacional quanto uma figura controversa. Seu túmulo nos Inválidos, o Arco do Triunfo e nomes de ruas lembram suas vitórias. Admiradores elogiam suas reformas administrativas e jurídicas; críticos destacam a ditadura, o custo humano das guerras e o restabelecimento da escravidão por ele em 1802. O bicentenário de sua morte, em 2021, provocou um debate público sobre se o Estado francês deveria homenageá-lo e de que maneira.
Outros países se lembram das guerras principalmente como lutas contra o domínio francês. Na Rússia, a campanha de 1812 é a «Guerra Patriótica», celebrada no romance Guerra e Paz, de Liev Tolstói, na Abertura 1812, de Tchaikóvski, e na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou. Na Espanha, a Guerra Peninsular é chamada de Guerra da Independência (Guerra de la Independencia), um episódio fundador da identidade nacional espanhola moderna. Na Alemanha, as Guerras de Libertação de 1813 foram posteriormente incorporadas a narrativas nacionalistas. O Reino Unido celebra Trafalgar e Waterloo, lembradas na Trafalgar Square e na Coluna de Nelson.
Em outros lugares, a memória é mais ambivalente. Muitos poloneses veem Napoleão de forma positiva, pois o Ducado de Varsóvia restabeleceu um Estado polonês, e o hino nacional da Polônia menciona Bonaparte. Na Itália e nos Países Baixos, o domínio francês é associado tanto à modernização quanto à exploração. No Haiti, a guerra contra a expedição de Napoleão é lembrada como a história da primeira revolução bem-sucedida de pessoas escravizadas e da fundação da nação. Na América Latina, a crise napoleônica de 1808 é lembrada como o estopim da independência.
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Fontes primárias
As guerras são documentadas por uma enorme quantidade de materiais: boletins oficiais da Grande Armée, conhecidos pela propaganda, que deu origem à expressão «mentir como um boletim»; a vasta correspondência de Napoleão, publicada no século XIX e, de forma mais completa, em uma edição moderna da Fondation Napoléon; arquivos diplomáticos de todas as potências; ordens e registros militares; e registros paroquiais e de recrutamento usados por demógrafos.
As memórias de generais, oficiais e soldados são numerosas e vívidas, mas precisam ser analisadas criticamente, pois muitas foram escritas anos depois para defender reputações ou atender à procura por histórias heroicas. As memórias ditadas por Napoleão em Santa Helena, incluindo as registradas por Las Cases no Mémorial de Sainte-Hélène (1823), ajudaram a construir a lenda napoleônica de um imperador liberal derrotado por reis.
Fontes visuais e literárias também são importantes para entender como as pessoas da época viveram as guerras: Os Desastres da Guerra, de Goya; as caricaturas de James Gillray e de outros artistas no Reino Unido; e romances posteriores de Stendhal e Tolstói. Diários de civis, petições e relatórios policiais ajudam os historiadores a estudar o peso do recrutamento, da requisição de bens e da ocupação.
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Historiografia e debates
As interpretações de Napoleão sempre refletiram posições políticas. O historiador neerlandês Pieter Geyl, em Napoleon: For and Against (publicado pela primeira vez em neerlandês em 1946 e em inglês em 1949), escrito após sua própria prisão pelos nazistas, examinou como historiadores franceses dos séculos XIX e XX haviam julgado Napoleão. Ele mostrou que cada geração projetava nele suas próprias preocupações. Continua o debate entre os que o veem como herdeiro da Revolução e os que o consideram seu traidor ou um precursor das ditaduras modernas.
Por muito tempo, os historiadores militares se concentraram na capacidade de comando de Napoleão e em seu «sistema» de manobras rápidas, frequentemente interpretado por meio das obras de Clausewitz e Jomini. Desde o fim do século XX, os estudos também passaram a abordar a história internacional e social. Em The Transformation of European Politics, 1763–1848 (1994), Paul Schroeder argumentou que o acordo de Viena representou uma mudança real na maneira como os Estados administravam suas relações. Napoleon's Wars: An International History (2007), de Charles Esdaile, examina os objetivos de todas as potências, e não apenas os da França.
Em The First Total War (2007), David A. Bell argumentou que a era revolucionária e napoleônica viu surgir uma nova cultura de guerra voltada à derrota completa do inimigo, com a mobilização de sociedades inteiras. Críticos questionam se «guerra total» é o termo adequado para esse período. Outros historiadores estudam o domínio napoleônico como um sistema imperial, comparando-o a outros impérios, e investigam a resistência, a colaboração, o recrutamento e as experiências de mulheres, camponeses e populações coloniais, incluindo a relação entre a política napoleônica e a escravidão no Caribe.
Batalhas (21)
- Batalha de Lodi1796
- Batalha de Marengo1800
- Batalha de Ulm1805
- Batalha de Jena–Auerstedt1806
- Batalha de Eylau1807
- Levantamento de dois de maio1808
- Batalha de Bailén1808
- Batalha de Somosierra1808
- Battle of Tudela1808
- Batalha do Vimeiro1808
- Motim de Aranjuez1808
- Batalha de Talavera1809
- Batalha da Corunha1809
- Batalha de Albuera1811
- Batalha de Lissa1811
- Batalha de Salamanca1812
- Batalha de Badajoz1812
- Batalha de Vitória1813
- Batalha de Ligny1815
- Batalha de Quatre Bras1815
- Battle of Wavre1815
Ideias principais
- Guerra de coalizões
- Napoleão enfrentou uma série de alianças, geralmente financiadas pelo Reino Unido. Elas se desfizeram repetidas vezes após derrotas, até que as potências permaneceram unidas em 1813–1815.
- Exércitos de massa
- Com base no recrutamento criado durante a Revolução, a França reuniu exércitos muito grandes, organizados em corpos capazes de atuar de forma independente, e obrigou seus inimigos a reformar suas próprias forças militares.
- Poder naval e guerra econômica
- A supremacia naval britânica após Trafalgar e os bloqueios rivais ligados ao Bloqueio Continental transformaram o próprio comércio em arma.
- Difusão da Revolução
- O domínio francês difundiu o Código Civil, a abolição dos privilégios feudais e a administração centralizada, mas também trouxe ocupação militar e pesadas exigências de recursos.
- Nacionalismo
- A resistência ao domínio francês na Espanha, na Alemanha e na Rússia, assim como as esperanças de poloneses e italianos, ajudou a formar identidades nacionais modernas.
- Equilíbrio de poder
- O Congresso de Viena buscou impedir que um único Estado dominasse a Europa, dando origem ao Concerto Europeu.
- Consequências no Atlântico
- As guerras contribuíram para a independência do Haiti, as guerras de independência da América Espanhola e a transferência da monarquia portuguesa para o Brasil.
Registros
- 1802 — Paz de Amiens entre o Reino Unido e a França; a França restabelece a escravidão em suas colônias.
- 1803 — Maio: o Reino Unido declara guerra à França; começam as Guerras Napoleônicas.
- 1804 — O Haiti declara independência (1º de janeiro); entra em vigor o Código Civil Napoleônico; Napoleão é coroado imperador (2 de dezembro).
- 1805 — Ulm; Trafalgar (21 de outubro); Austerlitz (2 de dezembro).
- 1806 — Confederação do Reno; fim do Sacro Império Romano-Germânico; Jena–Auerstedt; o Decreto de Berlim inicia o Bloqueio Continental.
- 1807 — Eylau e Friedland; Tratados de Tilsit; invasão francesa de Portugal.
- 1808 — Levante de Dois de Maio em Madri; José Bonaparte torna-se rei da Espanha; derrota francesa em Bailén.
- 1809 — Aspern-Essling e Wagram; a Áustria faz a paz.
- 1812 — Invasão da Rússia (junho); Borodino (7 de setembro); retirada de Moscou e travessia do Berezina.
- 1813 — Sexta Coalizão; Batalha de Leipzig (16–19 de outubro); Wellington vence em Vitória.
- 1814 — Os aliados tomam Paris; Napoleão abdica e vai para Elba; começa o Congresso de Viena.
- 1815 — Cem Dias; Waterloo (18 de junho); Ato Final do Congresso de Viena; Napoleão é exilado em Santa Helena.
Glossário
- Coalizão
- Aliança de Estados formada para combater um inimigo comum; sete coalizões lutaram contra a França entre 1792 e 1815.
- Grande Armée
- «Grande Exército», nome do principal exército de campanha de Napoleão a partir de 1805.
- Bloqueio Continental
- Proibição imposta por Napoleão ao comércio entre a Europa continental e o Reino Unido, iniciada com o Decreto de Berlim de 1806.
- Guerrilha
- Termo derivado do espanhol guerrilla, «pequena guerra»; combate irregular realizado por pequenos grupos. A palavra se difundiu para outras línguas a partir da Guerra Peninsular.
- Levée en masse
- Recrutamento em massa instituído pela França revolucionária em 1793, que serviu de base para os grandes exércitos do período.
- Código Napoleônico
- Código Civil francês de 1804, um conjunto unificado de normas de direito privado adotado ou imitado em muitos países.
- Cem Dias
- Período em que Napoleão voltou ao poder, de março a junho de 1815, após fugir de Elba.
- Concerto Europeu
- Sistema de cooperação entre as grandes potências após 1815 para manter os acordos de Viena.
Perguntas e respostas
Por que as guerras receberam o nome de uma pessoa?
Porque Napoleão Bonaparte liderou a França e seus exércitos durante todo o período, e suas decisões moldaram os conflitos. Os historiadores observam, porém, que as guerras também resultaram de rivalidades mais antigas entre as grandes potências.
Por que a invasão da Rússia por Napoleão fracassou?
As distâncias eram enormes, os suprimentos não acompanhavam o exército, e os russos recuaram em vez de serem derrotados em uma única batalha. Doenças, deserções e fome destruíram grande parte do exército antes mesmo do inverno, e a retirada de Moscou completou a derrota.
Napoleão foi um herói ou um tirano?
As duas opiniões existem desde sua época. Ele modernizou as leis e a administração e é admirado como general, mas governou como ditador, travou guerras que mataram milhões e restabeleceu a escravidão nas colônias francesas. Em geral, os historiadores procuram explicar suas ações, em vez de apenas julgá-lo.
O que é o Código Napoleônico e ele ainda é importante?
É o Código Civil francês de 1804. Revisado muitas vezes, ainda serve de base para o direito civil da França e influenciou o direito civil de lugares como Bélgica, Itália, Louisiana e América Latina.
As Guerras Napoleônicas foram uma «guerra total»?
David Bell e outros estudiosos usaram esse termo por causa do recrutamento em massa, da mobilização ideológica e do objetivo de destruir os inimigos. Críticos afirmam que a expressão se aplica melhor ao século XX, quando a indústria e toda a economia foram mobilizadas.
As guerras afetaram a Ásia?
Principalmente de forma indireta. O poder naval britânico e a expansão do Reino Unido na Índia continuaram durante as guerras, e a disputa com a França influenciou a estratégia britânica na Ásia. O Leste Asiático, porém, não foi um campo de batalha.
Quantas pessoas morreram?
Não existe uma contagem exata. As estimativas para 1803–1815 variam aproximadamente de 3,5 a 7 milhões de soldados e civis, e doenças e fome mataram mais do que os combates.
Fontes e leituras adicionais
- Napoleonic Wars. Wikipedia
- Napoleonic Wars casualties. Wikipedia
- Peninsular War. Wikipedia
- French invasion of Russia. Wikipedia
- Continental System. Wikipedia
- Congress of Vienna. Wikipedia
- Pieter Geyl. Wikipedia
- Charles Esdaile, Napoleon's Wars: An International History, 1803–1815. Allen Lane, 2007
- Paul W. Schroeder, The Transformation of European Politics, 1763–1848. Clarendon Press, 1994
- David A. Bell, The First Total War: Napoleon's Europe and the Birth of Warfare as We Know It. Houghton Mifflin, 2007
Escrito com auxílio de IA a partir das fontes publicadas acima e revisado conforme surgem novas pesquisas.